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Religião

Liturgia do 1ºdomingo da Quaresma – ano B

Antes do relato do evangelho deste Domingo, o autor sagrado narra o baptismo de Jesus Cristo no rio Jordão. Quando saiu da água, o Espírito Santo desceu sobre Ele e uma voz vinda do céu disse: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”. É este Espírito de Deus que “impeliu Jesus para o deserto”. Antes de iniciar a sua vida pública e missão, Jesus passou quarenta dias no deserto. Realmente o deserto existe mesmo perto do rio Jordão, onde João baptizava. Os israelitas fizeram a travessia do deserto em quarenta anos antes de entrar na terra prometida. Mas o deserto é, sobretudo, um lugar simbólico. Muitos homens e mulheres fizeram grandes experiências no deserto. Antoine de Saint-Éxupery, que tinha conhecido bem o deserto do Sara, no seu livro “Carta a um Refém” escreveu que, no deserto, o homem é governado pelo espírito; e também disse: “O deserto não está onde nós pensamos que esteja. O Sara está mais vivo do que uma capital, e a cidade mais ruidosa do mundo está vazia se os polos essenciais da vida se desmagnetizarem”. O deserto é um lugar despido, onde não há distracções e te confrontas directamente contigo próprio e com Deus. Todavia é também um lugar de perigos, onde te podes sentir desprotegido e sem forças.

Estar no deserto foi a experiência de Jesus durante quarenta dias, mas também ao longo de toda a sua vida. No deserto Jesus encontra os aspectos fulcrais que irão orientar a sua missão. Colocando-se face a face com o Pai, descobre a forma de viver a sua filiação. Não será através do poder político, das riquezas e da admiração e do aplauso da opinião pública. No deserto Jesus deixa bem claro que vai ser Filho no serviço, na adoração e no amor sem fronteiras. A Quaresma pode ser um tempo de deserto. Nestes quarenta dias podemos criar o nosso próprio deserto, ou seja, um tempo em que o silêncio ocupe o lugar importante, a sós face a face com Deus. Dedicar uns minutos todos os dias a este exercício interior, deixando de lado tudo o que nos distrai e dispersa, lendo algum texto bíblico, o evangelho do dia, por exemplo, para iluminar a nossa vida, as nossas relações humanas, a nossa vida na sociedade. É importante rever a nossa vida à luz do Evangelho.

Viver o deserto na nossa vida leva a viver com esperança e, como Noé, a descobrir o arco-íris que aparece depois da tempestade: depois dos dias negros, do sofrimento, do desânimo, da dúvida…O arco-íris é sinal de paz, de vida, de luz e de confiança. Quando o vemos surgir no nosso coração sabemos que, apesar de tudo parecer tão escuro e incerto, há sempre uma luz, há e está Deus. A Quaresma é um tempo favorável para rever as nossas relações humanas no casal, na família, no trabalho, na escola, na cidade, vila ou aldeia. Será que vivemos estas relações com um espirito aberto, serviçal, acolhedor, próximo, reconciliador?

Na Vigília Pascal renovaremos as promessas do baptismo. Para que não se resuma a um simples rito e a umas palavras vazias, é preciso desde agora prepararmo-nos através de uma revisão. É aconselhável, de vez em quando, fazer uma revisão (check-up) à nossa saúde como também é importante fazer, ao menos uma vez ao ano, uma revisão interior. Uma revisão que nos possa ajudar a magnetizar os polos que se tenham desmagnetizado, esses mesmos polos que nos irão guiar e orientar. Jesus apoia-nos, ensinando-nos onde está o norte, ou seja, o caminho para o Pai. A Eucaristia é o sacramento da vida de Jesus, uma vida plena do Espírito de Deus, uma vida entregue e partilhada, uma vida na qual podemos encontrar forças para que nas nossas vidas o Espírito de Deus, o Espírito de Jesus, actue para que possamos dar luz e vida aos nossos irmão mais necessitados.

Elo de Comunhão 21-02-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Se, depois o baptismo, fores atacado pelo perseguidor, o tentador da luz, tens material para a vitória. Ele irá certamente atacar-te, já que também atacou o Verbo, o meu Deus, enganado pela aparência humana que lhe escondia a luz incriada. Não tenhas medo do combate. Opõe-lhe a água do baptismo, opõe-lhe o Espírito Santo no qual se extinguem todos os dardos inflamados lançados pelo maligno.

Se ele te mostrar as necessidades que te oprimem – e não deixou de o fazer com Jesus –, se te lembrar que tens fome, não dês a entender que ignoras as suas propostas. Ensina-lhe o que ele não sabe; opõe-lhe a Palavra de vida, esse verdadeiro Pão enviado do céu e que dá a vida ao mundo.

Se ele te estender a armadilha da vaidade – e usou-a contra Cristo, quando O levou ao pináculo do Templo e Lhe disse: «Deita-Te daqui abaixo», para O fazer manifestar a sua divindade –, toma cuidado para não caíres por teres querido elevar-te.

Se te tentar pela ambição, mostrando-te, numa visão instantânea, todos os reinos da terra submetidos ao seu poder, e te exigir que o adores, despreza-o: ele não é mais que um pobre irmão teu. E diz-lhe, confiando no selo divino: «Também eu sou imagem de Deus; ainda não fui, como tu, precipitado do alto da minha glória por causa do meu orgulho! Estou revestido de Cristo; tornei-me outro Cristo pelo meu baptismo; cabe-te a ti adorares-me.» Tenho a certeza que ele se irá embora, vencido e humilhado por estas palavras. Vindas de um homem iluminado por Cristo, serão sentidas por ele como se emanadas de Cristo, a luz suprema. Estes são os benefícios que a água do baptismo traz aos que reconhecem a sua força. (São Gregório de Nazianzo, 330-390, bispo, doutor da Igreja, Sermão XL, 10)

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Ano B - Tempo da Quaresma - 1º Domingo - Boletim Dominical II

Diocese de Viseu-Renúncia Quaresmal será para Moçambique

Na sua mensagem para a Quaresma, D. António Luciano anunciou o destino da Renúncia Quaresmal, decisão que surgiu depois da auscultação do clero da diocese.

Convidando a um compromisso generoso e a um verdadeiro espírito de partilha e de renúncia, indicou que este ano a Renúncia Quaresmal se destinará:
– Uma parte para «ajudar a Igreja sofredora da Diocese de Pemba, província de Cabo Delgado, Moçambique».
– Outra parte «para socorrer as maiores necessidades da Diocese de Viseu».
A entrega da Renúncia Quaresmal pode ser feita junto das paróquias, do modo que as mesmas indicarem, ou, atendendo à situação de pandemia que vivemos, diretamente para a diocese através da Conta com o IBAN (Millennium bcp): PT50.0033.0000.00001022296.66

Mensagem de D. António Luciano, Bispo da Diocese de Viseu para a Quaresma

diocese viseu

Vivamos um tempo santo

Neste início de Quaresma, D. António Luciano, Bispo da Diocese de Viseu deixa umas palavras sobre este tempo de jejum, traçando vários pontos:
Uma mensagem de fé, esperança e caridade para percorrer um caminho novo
“A Quaresma é um caminho de fé, esperança e caridade” (Papa Francisco) que nos introduz no deserto interior, que nos leva a procurar o sentido verdadeiro de Deus e da vida em autenticidade e profundidade, numa verdadeira comunhão humana e espiritual. É o encontro do Pai misericordioso com o filho pecador e é a experiência única da busca da graça divina, que apaga a miséria e a fragilidade humana. A pandemia do Covid-19 e as suas consequências destaparam-nos e agora como cristãos queremos revestir-nos do homem novo que nos ensina e ajuda a orientar e a procurar a Vida Nova segundo o Espírito. O seguimento de Jesus Cristo leva-nos a fazer a experiência quaresmal iniciando este “tempo favorável da salvação” como caminho provado e cheio de penitência na condução “ao deserto onde Jesus guiado pelo Espírito viveu quarenta dias e quarenta noites em jejum, oração e penitência”.
A perda do sentido e abandono de Deus, vivido pela maioria dos batizados, provoca uma nova pandemia causada pela falta de vivência espiritual do mandamento novo do amor, das bem-aventuranças e das obras de misericórdia. Este enfraquecimento de valores humanos, morais e espirituais leva a que a vida dos cristãos esmoreça no crescimento das virtudes e da santidade. A diminuição da experiência salvífica da fé e do enfraquecimento do mistério da comunhão, da unidade e corresponsabilidade na vida das nossas comunidades cristãs diminui a vitalidade da própria Igreja.
Uma vida nova de graça conduzida pelo Espírito Santo
Viver uma Quaresma diferente, atípica à tradição cristã, de vivência comunitária, é algo de estranho e inaceitável. Só razões de força maior, como a saúde pública de todos nós, pode levar à experiência deste cenário. Nos anos anteriores era um tempo forte marcado de uma espiritualidade e vivências sacramentais, religiosas e pastorais, que agora não se podem realizar. As normas e regras para o confinamento decretadas pelo Governo e pela DGS, exigem que o vírus da pandemia Covid-19 e das suas variantes, nos leve neste tempo litúrgico da Quaresma a aprofundar o espírito bíblico de conversão e de mudança de vida.
Aprendamos a dizer em cada dia: “Tende piedade de mim, Senhor, porque sou pecador” (Sl 50). Este é um momento de cura interior, de resiliência, de esperança profética, que nos convida a escutar a Palavra de Deus e o grito dorido do povo sofredor.
 Um tempo de conversão e renovação espiritual
O anúncio do Evangelho e a proposta da conversão feita por Jesus é uma exigência imprescindível do amor cristão, particularmente na sociedade atual, onde parece que perdemos os próprios fundamentos da visão antropológica, ética e espiritual da existência humana.
A conversão leva-nos à prática da virtude teologal da caridade, porque o nosso “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). A caridade, na dupla faceta de amor a Deus e aos irmãos, é a síntese da vida moral do crente. Tem em Deus a sua origem e a sua meta (cf. São João Paulo II, O Terceiro Milénio, nº 50). À crise de civilização, há que responder com a civilização do amor, fundada sobre os valores universais de paz, solidariedade, justiça e liberdade, que encontram em Cristo a sua plena realização (cf. Ibidem, nº 51).
É preciso viver a Quaresma marcada pela mudança interior de cada ser humano, pela necessidade da conversão pessoal e pastoral imposta por esta pandemia, através de uma mudança profunda da prática de vivências humanas e espirituais que exilaram os cristãos na liberdade exígua das suas próprias casas, no teletrabalho, no trabalho em profissões indispensáveis.
Deus continua a falar sempre a cada um nós, quer através da Bíblia, da vida, dos acontecimentos, das pessoas, das propostas online que a própria pastoral diocesana nos oferece a todos e especialmente às famílias.
A Quaresma é o caminho de quarenta dias até à Páscoa do Senhor. É preciso preparar a vida cristã para chegar à celebração do mistério Pascal. São muitos os subsídios diocesanos que nos podem ajudar a alcançar o mandamento novo do amor, a vivência das bem-aventuranças e das obras de misericórdia. Neste tempo de confinamento, Deus permite-nos viver uma experiência em que os condicionalismos bíblicos do êxodo, do exílio, que caracterizaram a vida do povo de Israel, são hoje para nós cristãos um desafio e um compromisso a viver esta Quaresma com alegria, em peregrinação no “tempo favorável da salvação”.
 Meios para viver melhor a Quaresma
A pandemia que está a deixar marcas e dificuldades na vida de cada um de nós, precisa da mensagem e vivência da fé como antídoto para a indiferença religiosa e a falta de solidariedade fraterna para com os mais pobres, doentes e necessitados. A Quaresma que vamos iniciar quarta-feira de cinzas, dia de jejum e penitência, mas também com a realização dos Exercícios Espirituais para os sacerdotes, diáconos e consagrados, são um meio fundamental para vivermos este tempo até à Páscoa, como verdadeiro horizonte de servos humildes e administradores fiéis da Casa do Senhor.
As etapas da Quaresma marcadas por um tempo forte de pregação, de jejum, de abstinência, de penitência, de oração, de retiro espiritual, de vivência da Via-Sacra, de escuta da Palavra de Deus, de renúncia e de partilha, ajudam-nos a nascer de novo, para uma vida nova.
Ao vivermos este Ano dedicado a São José e a partir do dia 19 de março de 2021, Solenidade de São José, olhando para um Ano em que contemplamos a “Família Amoris Laetitiae”, é para nós um grande desafio pastoral a tudo fazer, para renovar, reinventar a Pastoral Familiar no horizonte do “acolher, discernir e acompanhar” as nossas famílias nas suas dificuldades humanas, eclesiais e pastorais. Preparando com alegria o mistério Pascal, convido-vos a um verdadeiro espírito de partilha e de renúncia, assim como aos cristãos das nossas comunidades e pessoas de boa vontade no peditório para a Cáritas, incentivar a partilha do Contributo Penitencial e assumir como caminho de conversão e renovação pastoral o nosso empenhamento e compromisso no peditório generoso da Renúncia Quaresmal, que este ano se destina, uma parte para ajudar a Igreja sofredora da Diocese de Pemba, província de Cabo Delgado, Moçambique, e a outra parte para socorrer as maiores necessidades da Diocese de Viseu.
Buscando a alegria do Mistério Pascal, não deixemos de corresponder a este apelo e mesmo em confinamento das celebrações, não deixemos de corresponder através das nossas paróquias e da Diocese aos apelos que nos estão a ser pedidos.
Vivamos um tempo Santo da Quaresma.
Que a proteção de Nossa Senhora das Dores, de São José, de São Teotónio, São Francisco e Santa Jacinta Marto e da Beata Rita Amada de Jesus nos ajudem nesta Quaresma a cuidar de todos, a rezarmos por todos e a ajudar a todos particularmente àqueles que sofrem e são vítimas da Pandemia Covid-19. Que a vacina chegue bem depressa a todos e seja um sinal de primavera e da verdadeira Páscoa cristã.

Renúncia quaresmal da Diocese da Guarda ajuda norte de Moçambique e fundo de solidariedade

Mensagem para a Quaresma de D. Manuel Felício, Bispo da Guarda

Com início da Quaresma, D. Manuel Felício , Bispo da Diocese da Guarda deixou a sua mensagem onde refere que:” Ajudar a superar a grave crise humanitária que se vive no norte de Moçambique e o fundo de solidariedade gerido conjuntamente pela Caritas e pelas Conferências Vicentinas, são os destinos da renúncia quaresmal deste ano na Diocese da Guarda.

“Querendo nós, ao longo da Quaresma, dar especial cumprimento à recomendação de cuidarmos bem uns dos outros, urge procurar reforçar o nosso propósito de viver a solidariedade e a partilha, especialmente com os mais necessitados”, escreve o Bispo da Guarda.

Na mensagem para o tempo de Quaresma, que tem início nesta quarta-feira, 17 de fevereiro, com a cerimónia das cinzas, D. Manuel Felício explica as razões da escolha para os fundos que vão ser recolhidos ao longo deste tempo litúrgico que culmina com a celebração da Páscoa, no dia 4 de abril.

 Em relação à parte destinada a Moçambique, o Bispo da Guarda explica que pretende ajudar a superar a grave crise humanitária que se vive no norte daquele país africano, “em que continua a crescer o número de mortos e refugiados”. Assim, metade da renúncia quaresmal será “entregue ao Bispo da Diocese de Pemba (antes chamada Porto Amélia), no norte de Moçambique, D. Luís Fernando Lisboa, o rosto desta causa, que já foi levada ao Parlamento Europeu, suscitou a atenção do Papa e chegou também à nossa Assembleia da República”. D. Manuel Felício recorda que “o primeiro Bispo desta mesma Diocese do norte de Moçambique era natural da nossa Diocese (Aldeia do Souto – Covilhã), o Senhor D. José Garcia, falecido em m 2010”.

A outra metade da renúncia quaresmal será para um fundo de solidariedade, dentro da Diocese, gerido conjuntamente pela Caritas e pelas Conferências Vicentinas, “para responder a necessidades novas, fruto da pandemia, entre nós”. O Bispo da Guarda recorda o “bom trabalho realizado conjuntamente por estas duas instituições”, quando houve um fundo de solidariedade criado pela conferência Episcopal, há alguns anos atrás, com o qual foi dada resposta a várias situações de pobreza relevantes, na Diocese.

  1. Manuel Felício julga que será possível entregar a renúncia quaresmal “na Assembleia do Domingo, no final da Quaresma”, mas caso tal não aconteça deve ser encontrada a forma “julgada mais conveniente”, nomeadamente “através do pároco ou a quem ele indicar”.

Na mensagem que tem por tema “Tempo para fortalecer a cultura do cuidado”, D. Manuel Felício refere que a Quaresma “recomenda-nos a prática do jejum, da oração e da esmola; e também especial acolhimento da Palavra de Deus”. Na recomendação da esmola e da partilha recorda o trabalho desenvolvido pelas “instituições de caridade, como os centros paroquiais e outras, que procuram ajudar quem precisa, privile­giando os mais fragilizados”.

“Em tempo de pandemia e na Quaresma, que nos recomenda a oração mais intensa, rezamos pelas vítimas do Covid e suas famílias, pelos profissionais de saúde e outros cuidadores, como capelães e voluntários”, escreve o Bispo da Guarda.

Liturgia do 6º domingo Comum – ano B

 

LEITURA ESPIRITUAL

São Paulo, falando aos cristãos de Corinto das suas tribulações e sofrimentos, coloca a sua fé em relação com a pregação do Evangelho. De facto, diz que nele se cumpre esta passagem da Escritura: «Acreditei e por isso falei» ( 2 Cor 4, 13). O Apóstolo refere-se a uma frase do Salmo 116, onde o salmista exclama: «Eu tinha confiança, mesmo quando disse: “A minha aflição é muito grande!”» (v. 10). Falar da fé comporta frequentemente falar também de provas dolorosas, mas é precisamente nelas que São Paulo vê o anúncio mais convincente do Evangelho, porque é na fraqueza e no sofrimento que sobressai e se descobre o poder de Deus que supera a nossa fraqueza e o nosso sofrimento. O próprio Apóstolo se encontra numa situação de morte que redunda em vida para os cristãos (cf. 2 Cor 4, 7-12). Na hora da prova, a fé ilumina-nos; e é precisamente no sofrimento e na fraqueza que se torna claro como «não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor» ( 2 Cor 4, 5). O capítulo 11 da Carta aos Hebreus termina com a referência a quantos sofreram pela fé, entre os quais ocupa um lugar particular Moisés que tomou sobre si a humilhação de Cristo (cf. vv. 26.35-38). O cristão sabe que o sofrimento não pode ser eliminado, mas pode adquirir um sentido: pode tornar-se ato de amor, entrega nas mãos de Deus que não nos abandona e, deste modo, ser uma etapa de crescimento na fé e no amor. Contemplando a união de Cristo com o Pai, mesmo no momento de maior sofrimento na cruz (cf. Mc 15, 34), o cristão aprende a participar no olhar próprio de Jesus; até a morte fica iluminada, podendo ser vivida como a última chamada da fé, o último «Sai da tua terra» (cf. Gn 12, 1), o último «Vem!» pronunciado pelo Pai, a quem nos entregamos com a confiança de que Ele nos tornará firmes também na passagem definitiva.

Elo de Comunhão..

A luz da fé não nos faz esquecer os sofrimentos do mundo. Os que sofrem foram mediadores de luz para tantos homens e mulheres de fé; tal foi o leproso para São Francisco de Assis, ou os pobres para a Beata Teresa de Calcutá. Compreenderam o mistério que há neles; aproximando-se deles, certamente não cancelaram todos os seus sofrimentos, nem puderam explicar todo o mal. A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho. Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar connosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para nela vermos a luz. Cristo é aquele que, tendo suportado a dor, Se tornou «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2). (Francisco, Encíclica Lumen Fidei, 56)

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Ano B - Tempo Comum - 6º Domingo - Boletim Dominical II

Diocese Guarda e as ações preparatórias para a JMJ 2023

No sentido de envolver toda a comunidade cristã em torno da Jornada Mundial da
Juventude 2023, o COD Guarda JMJ 2023 dá continuidade, este mês, às ações: Rise Up
ou catequeses preparatórias para a Jornada e o 2 ou 3 a 23, uma ação (de oração) que
movimenta esforços de toda uma equipa que integra o COD Guarda.
Rise UP n#1 – O Rise UP n#01 ou Catequese n#01 traz como tema “Levanta-te e diz
sim!”. Nosso grupo de jovens preparou um vídeo que já está disponível no Canal COD
Guarda – JMJ 2023 do YouTube
(https://www.youtube.com/watch?v=W4lelqAGTe4&feature=share&fbclid=IwAR1jWYZ7T
AwasAXqjOmrXfTtTIKWspGuS8BGeIKCRXIK2F8hXjNPG0zwzm0).
Nas próximas semanas serão lançados os exercícios propostos no documento Rise Up
Encontro #01 (disponível no link
https://drive.google.com/file/d/1n2_WPIXurHjmzlXfa0QXg8dlVjG8yfrj/view), utilizando
as tecnologias on-line.
2 ou 3 a 23 – Depois no terceiro 2 ou 3 a 23, uma ação (de oração) que
movimenta esforços de toda uma equipa que integra o COD Guarda para JMJ 2023.
Este mês será realizado a partir do Seminário da Guarda e utilizando uma plataforma
on-line (a ser divulgada em breve pelas redes sociais Facebook e Instagram).
Este 2 ou 3 a 23 coincide, inclusive, com o período da Quaresma e o Vaticano já
apresentou a mensagem do Papa: ‘Eis que subimos para Jerusalém. (Mt 20,18).
Quaresma: tempo para renovar a fé, esperança e caridade’.
O link para descarregar o guião da oração (em família ou em comunidade) é:
https://meocloud.pt/…/eb6b88…/ORACOES_2OU3A23_23FEV2021/

Facebook COD Guarda: https://www.facebook.com/codguardajmj2023/
Instagram COD Guarda: https://www.instagram.com/codguardajmj2023/

Liturgia do 5ºDomingo Comum-Ano B

LEITURA ESPIRITUAL

Que condescendência a de Deus, que nos procura, que dignidade a do homem, que é assim procurado! «Que é o homem, Senhor, para que Te lembres dele, o filho do homem para que dele Te recordes?» (Job 7,17). Gostava muito de saber porque foi que Deus quis vir até nós, porque não fomos nós a ir a Ele. Porque é o nosso interesse que está em causa. Não é habitual os ricos irem à casa dos pobres, mesmo quando têm a intenção de lhes fazer bem. Era a nós que convinha ir ter com Jesus. Mas um duplo obstáculo nos impedia: os nossos olhos estavam cegos e Ele vive numa luz inacessível; nós jazíamos paralisados nos nossos catres, incapazes de alcançar a grandeza de Deus. Foi por isso que o nosso bom Salvador e médico das nossas almas desceu das alturas e moderou para os nossos olhos doentes o brilho da sua glória. Ele revestiu-Se, como que de uma lanterna, desse corpo luminoso e puro de toda a mancha que assumiu. (São Bernardo,1091-1153, monge cisterciense, doutor da Igreja, 1.º Sermão para o Advento).

Elo de Comunhão..

 

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Ano B - Tempo Comum - 5º Domingo - Boletim Dominical II

Leitura Espiritual do 4ºDomingo Comum- Ano B

 

LEITURA ESPIRITUAL

O Mal não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O «Diabo» («dia-bolos») é aquele que «se atravessa» no desígnio de Deus e na sua «obra de salvação» realizada em Cristo.

«Assassino desde o princípio, mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), «Satanás, que seduz o universo inteiro» (Ap 12, 9), foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo, e é pela sua derrota definitiva que toda a criação será «liberta do pecado e da morte» (144). «Sabemos que ninguém que nasceu de Deus peca, porque o preserva Aquele que foi gerado por Deus, e o Maligno, assim, não o atinge. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sujeito ao Maligno» (1 Jo 5, 18-19):

«O Senhor, que tirou o vosso pecado e perdoou as vossas faltas, tem poder para vos proteger e guardar contra as insídias do Diabo que vos combate, para que não vos surpreenda o inimigo que tem o hábito de engendrar a culpa. Mas quem a Deus se entrega não tem medo do Diabo. Porque “se Deus está por nós, quem contra nós?” (Rm 8, 31)».

A vitória sobre o «príncipe deste mundo» foi alcançada, duma vez para sempre, na «Hora» em que Jesus livremente Se entregou à morte para nos dar a sua vida. Foi o julgamento deste mundo, e o príncipe deste mundo foi «lançado fora». «Pôs-se a perseguir a Mulher» (Ap 12, 13), mas não logrou alcançá-la: a nova Eva, «cheia da graça» do Espírito Santo, foi preservada do pecado e da corrupção da morte (Imaculada Conceição e Assunção da santíssima Mãe de Deus, Maria, sempre Virgem). Então, «furioso contra a Mulher, foi fazer guerra contra o resto da sua descendência» (Ap 12, 17). Eis porque o Espírito e a Igreja rogam: «Vem, Senhor Jesus!» (Ap 22, 17.20), já que a sua vinda nos libertará do Maligno.

Elo de Comunhão.

Ao pedirmos para sermos libertados do Maligno, pedimos igualmente para sermos livres de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador. Nesta última petição, a Igreja leva à presença do Pai toda a desolação do mundo. Com a libertação dos males que pesam sobre a humanidade, a Igreja implora o dom precioso da paz e a graça da espera perseverante do regresso de Cristo. Orando assim, antecipa na humildade da fé a recapitulação de todos e de tudo, n’Aquele que «tem as chaves da morte e da morada dos mortos» (Ap 1, 18), «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Todo-Poderoso» (Ap 1, 8):

«Livrai-nos de todo o mal, Senhor, e dai ao mundo a paz em nossos dias, para que, ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e de toda a perturbação, enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador». (Catecismo da Igreja Católica, 2851-2854).

Ano B - Tempo Comum - 4º Domingo - Boletim Dominical II

 

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Liturgia do 3ªDomingo Comum- Ano B

 

LEITURA ESPIRITUAL

«Disse-lhes Jesus: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens”». Feliz mutação da pesca: Simão e André são a pesca de Jesus. Estes homens são comparados a peixes, pescados por Cristo, antes de irem eles próprios pescar outros homens. «Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus.» Uma fé verdadeira não conhece demora; quando O ouviram, acreditaram, seguiram-no e tornaram-se pescadores: «deixaram logo as redes». E, com estas redes, foram todos os vícios da vida deste mundo que eles deixaram.

«Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.» Dir-me-eis: a fé é audaciosa; que indício tinham eles, que sinal sublime tinham observado, para O seguirem, assim que Ele os chamou? É evidente que alguma coisa de divino emanava do olhar de Jesus, da expressão do seu rosto, que incitava os que O olhavam a aderirem a Ele. Porque digo eu tudo isto? Para vos mostrar que a palavra do Senhor agia, e que, através da menor das suas palavras, Ele realizava a sua obra: «ordenou e logo foram criados» (Sl 148,5). Com a mesma simplicidade, chamou, e eles seguiram- no. «Ouve, filha, vê e presta atenção; esquece o teu povo e a casa do teu pai; porque o rei se deixou prender da tua beleza» (Sl 44,11-12).

Elo de Comunhão

Presta atenção, irmão, e segue as pegadas dos apóstolos; escuta a voz do Salvador, ignora o teu pai pela carne, e vê o verdadeiro Pai da tua alma e do teu espírito. Os apóstolos deixam o pai, deixam o barco, deixam todas as suas riquezas; abandonam o mundo e as suas inumeráveis riquezas; renunciam a tudo o que possuem. Mas não é a quantidade das riquezas que Deus considera, é a alma daquele que a elas renuncia. Também os que deixaram poucas coisas renunciaram verdadeiramente a uma grande fortuna. (São Jerónimo, 347-420, presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja, Homilias sobre o Evangelho de S. Marcos)

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Ano B - Tempo Comum - 3º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do 2ºDomingo Comum- Ano B

 

“Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”. É o refrão que repetimos no salmo responsorial e que nos recorda a resposta de Samuel ao Senhor: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta”. A primeira leitura narra-nos a vocação de Samuel, um dos personagens mais emblemáticos do Antigo Testamento: quando era ainda criança e vivia no Templo onde tinha sido entregue e consagrado ao Senhor pela sua mãe, ouve um chamamento que não sabe identificar, mas que é constante e que se vai repetindo. Heli ajuda-o a descobrir pouco a pouco que essa voz é o Senhor. Neste domingo recordemos e agradeçamos a dedicação de tantas pessoas que, um dia, nos ajudaram a abrir o nosso coração a Jesus.

No texto do evangelho encontramos também um bom guia que sabe orientar os outros para Deus: João Baptista. Dá testemunho de Jesus, com a finalidade de levar as pessoas a acreditar Nele. João apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus. “Dois dos seus discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus”, não só pelo que ouviram, mas também pelo que viveram. “Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia”. Ficaram impressionados com este encontro, provocado pelo convite de Jesus: “Vinde ver”, que lhe mudou a vida. Quando se dirigiram a Jesus, estes dois discípulos saudaram-no como mestre (“Rabi”), mas bem depressa, devido à convivência com Ele, descobriram que é o Messias. Messias é uma palavra de origem hebraica que significa “ungido”; referia-se especialmente ao salvador que Israel esperava ser enviado por Deus para o libertar. A palavra Cristo, que vem da tradução grega de Messias, tem o mesmo significado.

De Eli e de João Baptista, aprendemos o modelo para acompanhar alguém no discernimento na fé: saber desaparecer para que o Outro apareça com mais destaque. Eles não são os protagonistas, e o seu “ocultar-se” faz com que hoje os tenhamos como exemplo do chamamento de Samuel, de André e de Simão. A este último, Jesus muda-lhe o nome para Pedro (pedra, rocha), porque terá um papel fundamental na história a partir deste encontro.

Na segunda leitura, S. Paulo recorda-nos a importância do corpo: é fundamental na relação e comunicação pessoal. Aquilo que Deus espera de nós concretiza-se muitas vezes através do corpo. É com os nossos braços, ouvidos, olhos…que o Senhor actua no mundo. “O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor…glorificai a Deus no vosso corpo”. Não se pode dizer, como alguns pensavam em Corinto, que o que se faz com o corpo não afecta o Espírito. O corpo é templo do Espírito Santo.

Por isso pedimos ao Senhor que a Eucaristia que celebramos revele o que queremos viver. Que saibamos escutar e responder a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças.

Elo de comunhão 17-01-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Levando Pedro consigo, André conduziu ao Senhor o seu irmão segundo a natureza e o sangue, para que se tornasse discípulo como ele; é a primeira obra de André. Ele fez crescer o número dos discípulos: juntou-lhe Pedro, em quem Cristo encontraria o chefe dos seus discípulos. Isto é de tal maneira verdade que quando, mais tarde, Pedro tiver uma conduta admirável, ele o deverá ao que André tinha semeado. O louvor dirigido a um recai igualmente sobre o outro, pois os bens de um pertencem ao outro e um glorifica-se com os méritos do outro.

Que alegria Pedro trouxe a todos quando respondeu de imediato à pergunta do Senhor, quebrando o silêncio embaraçado dos discípulos! Só Pedro pronunciou estas palavras: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt 16,16). Falando em nome de todos, numa frase, proclamou o Salvador e o seu desígnio de salvação. Como esta proclamação se conjuga bem com a de André! As palavras que André tinha dito a Pedro, quando o conduzira a Cristo – «Encontramos o Messias» – confirma-as o Pai celeste, ao inspirá-las a Pedro (Mt 16,17): «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.» (Basílio de Selêucia, ?-c. 468), bispo, Sermão em louvor de Santo André, 4; PG 28, 1105)

 

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Ano B - Tempo Comum - 2º Domingo - Boletim Dominical II