Templates by BIGtheme NET
Início » Religião

Religião

Avisos e Liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum do Ano A

O autor da carta aos Hebreus afirma que a Palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes, ou seja, é capaz de cortar, de separar aquelas realidades que pertencem ao domínio de Deus das que são fruto do sentir e agir humanos. Para o discípulo, a Palavra de Deus converte-se no principal critério de discernimento. É importante aprender a distinguir os planos de Deus dos nossos. É isto que nos é proposto neste domingo. Por muito que queiramos não é fácil harmonizar os nossos planos com os de Deus, sem haver o risco da vontade de Deus ser falseada e deturpada. Uma vez discernidos, os planos de Deus podem ser acolhidos como nossos.

É vontade de Deus Pai que todos os seus filhos estejam junto Dele, disfrutando da sua companhia. Ele nunca faz acepção de pessoas e quer salvar todos. “Com efeito, manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens” (Tit 2,11). Jesus apresenta-nos este projecto de salvação universal de Deus com uma comparação. O seu Reino é como uma vinha, na qual todos somos chamados a trabalhar. O dono da vinha saiu à praça pública em diversos momentos do dia e convidou a trabalhar na sua propriedade todos quanto encontrou. Se estivéssemos no lugar deste empresário, teríamos feito uma selecção do pessoal, contratando os mais fortes, os que nos foram recomendados ou aqueles que nos pediram. Mas Deus não faz isto. Não são os operários que se aproximam do proprietário a pedir trabalho. É o dono que sai e vai chamando os que vai encontrando. Trabalhar na vinha do Senhor não é, em primeiro lugar, fruto do nosso desejo e das nossas capacidades. É consequência de uma escolha e de um chamamento de Deus que temos de acolher com alegria e gratidão. São todos convocados e o salário ajustado com os da primeira hora é um denário. Este salário que Deus nos oferece é a sua própria presença ao nosso lado. Oferece-se como salário, porque sabe que nós seremos plenamente felizes com a sua companhia. Mas quando nos afastamos dele ficamos fracos. Esta experiência fez S. Paulo. Ele descobriu que só com o Senhor a vida tem sentido: “Para mim, viver é Cristo”.

20-09-2020

Os nossos pensamentos e os nossos caminhos não são como os de Deus. Nós pensamos que aqueles que renderam bem no seu trabalho têm de ser recompensados e receber mais do que os seus colegas. Achamos que isto é justo e nisto somos como os que foram contratados no início do dia. Deus tem um modo de pensar e de agir caracterizado pela misericórdia. Quanto à nossa maneira de pensar, poder-se-ia fazer as seguintes perguntas: Por que é que se paga menos aos que são mais fracos? Não têm todos uma família para sustentar? Os operários da última hora terão o suficiente para levar algo para jantar com a sua família? Deus pensa sempre a partir dos últimos, dos pobres, dos que têm menos oportunidades. Por isso paga a todos por igual, porque Ele é o salário. Perante esta atitude do dono da vinha, os primeiros operários contratados protestaram. Tiveram inveja do patrão e dos colegas de trabalho. Recordam-nos o filho mais velho da parábola do Filho Pródigo. Não conseguiram reconhecer a imensa alegria que é trabalhar na vinha do Senhor, gozando da sua companhia; por isso, não se sentiram recompensados. São muitos os cristãos a quem a rotina não lhes deixa perceber a felicidade de estar junto de Deus. Todos somos irmãos chamados por Deus a trabalhar na sua vinha e nenhum tem o direito a cobrar nem mais nem menos do que aquilo que Deus nos quer dar, que é Ele próprio.

 

«Ide vós também para a minha vinha»

 

Meus bem-amados, perseverai nas boas obras que começastes. Há homens infelizes que servem um rei terreno correndo risco de vida e passando por enormes dificuldades em troca de um benefício que rapidamente desaparece; como não haveis vós de querer servir o Rei do Céu para obter a felicidade do Reino? Uma vez que, pela fé, o Senhor já vos chamou à sua vinha, ou seja, à unidade da Santa Igreja, vivei e comportai-vos de tal maneira que, graças à generosidade de Deus, possais receber a moeda de prata, isto é, a felicidade do Reino dos Céus.

Que ninguém desespere por causa da grandeza dos seus pecados, dizendo: «Numerosos são os pecados nos quais perseverei até à velhice e à velhice extrema; não poderei já obter perdão, sobretudo porque foram os pecados que me deixaram, não fui eu que os rejeitei.» Que essa pessoa não desespere de todo da misericórdia divina, porque uns são chamados à vinha do Senhor à primeira hora, outros à terceira, outros à sexta, outros à nona e outros à décima primeira – ou seja, uns são conduzidos ao serviço de Deus na infância, outros na adolescência, outros na juventude, outros na velhice e outros na velhice extrema.

Que ninguém desespere, pois, se quer converter-se a Deus, seja qual for a sua idade. Trabalhai fielmente na vinha da Igreja, para receberdes o salário da felicidade eterna e reinardes com Cristo por todos os séculos dos séculos. (Autor anónimo do século IX, na actual Itália, Homilia para a Septuagésima, 4-7)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano A - Tempo Comum - 25º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 24º domingo do Tempo Comum- Ano A

 

Pedro é um discípulo curioso que procura aprofundar a mensagem de Jesus. Através das suas incompreensões, das suas perguntas e da sua ousadia, o Mestre explica com mais clareza os mistérios do Reino. Neste Domingo, encontramos este discípulo inquieto pelas vezes que tem de perdoar. Talvez tivesse alguém que o ofendesse continuamente e que tivesse de perdoar para além do número que pede a lei judaica. Coloca esta questão a Jesus e, como sempre, este ultrapassa com a sua resposta as expectativas de Pedro.

O rei da parábola evangélica sentiu compaixão daquele servo que lhe devia uma fortuna, deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. O perdão é uma das manifestações mais radicais e puras do amor e de Deus, que é amor. O refrão do salmo responsorial introduz-nos na essência de Deus, “que é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade”. Quando alguém faz a experiência do pecado, Deus deseja a sua conversão e propõe-lhe caminhos para reorientar novamente a vida. O salmo 81 mostra-nos o desgosto de Deus perante o pecado do seu povo: “Mas o meu povo não quis ouvir-me; Israel não quis obedecer”; e, ao mesmo tempo, expressa o desejo do seu regresso: “Se o meu povo me tivesse escutado! Se Israel tivesse seguido os meus caminhos!”. Santa Teresa de Jesus diz-nos como antes da sua conversão Deus a avisava na oração e através de algumas pessoas para que deixasse o pecado e voltasse para Ele (cf. Livro da Vida, 7,8-9). Podemos, então, entender que quando um pecador se converte, a inquietação do coração do Pai transforma-se em alegria.

O perdão de Deus é-nos oferecido de uma forma total e gratuita. Perdoa a dívida ao servo e dá-lhe liberdade sem nenhuma condição. Este modo de perdoar de Deus está no centro da mensagem de Jesus. Oferece sempre aos pecadores a graça libertadora da sua misericórdia sem qualquer cláusula. Assim aconteceu com Levi, com a mulher pecadora, com Zaqueu…e com o servo do evangelho deste domingo. Quando bebemos no manancial da misericórdia de Deus, a nossa vida fica curada. Quando se é perdoado por Deus, descobre-se com humildade a nossa debilidade de espírito e vive-se agradecido Àquele que nos dá a fortaleza. Santa Teresa de Jesus narra em muitas ocasiões o excesso de amor de Deus que viveu na sua vida ao acolher o Seu perdão: “Olhem o que Ele fez comigo; cansei-me mais depressa de O ofender que sua Majestade de perdoar-me. Nunca se cansa de dar nem se podem esgotar as suas misericórdias” (Livro da Vida 19,15).

13-09-2020

Quem já experimentou o perdão de Deus, sente vontade em viver perdoando em todas as ocasiões em que é ofendido. Por isso, Jesus diz a Pedro que tem de perdoar “setenta vezes sete”, ou seja, sempre. O perdão é uma atitude que define a vida do cristão. Não há ofensa tão grande que não possa ser perdoada com a ajuda daquele que perdoou na hora da morte aos que o tinham condenado injustamente. Jesus alerta-nos para uma irregularidade que pode acontecer na nossa vida. O servo da parábola, depois de ter sido perdoado pelo rei, não foi capaz de perdoar a um dos seus companheiros que lhe devia somente cem denários. E nós? Depois de fazermos a experiência do perdão do Pai, somos capazes de perdoar aos que nos ofendem? Talvez celebremos com frequência o perdão do Pai, mas sem o valorizar. Será que também pensamos que merecemos o perdão, tendo em conta as nossas boas obras? “O senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia”. Jesus avisa-nos que o perdão que Deus nos dá reclama forçosamente o nosso perdão ao irmão: “Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração”.

 

Deus à procura do homem perdido

 

Como a fraqueza dos homens não é capaz de manter um rumo firme neste mundo escorregadio, o bom médico mostra-nos o remédio para os nossos desvios, e o juiz misericordioso não nos recusa a esperança do perdão. Compreende-se assim que São Lucas tenha apresentado em sequência as três parábolas da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho que estava morto e regressou à vida; fê-lo para que este triplo remédio nos comprometa a cuidarmos das nossas feridas.

Alegremo-nos, pois, pelo facto de a ovelha que se tinha perdido em Adão ser reerguida em Cristo. Os ombros de Cristo são os braços da cruz; foi lá que depus os meus pecados, nesse madeiro encontrei repouso. Aquela ovelha é única na sua natureza, mas não nas suas pessoas, porque todos nós formamos um só corpo, mas somos muitos membros. Por isso está escrito: «Vós sois o corpo de Cristo e membros dos seus membros» (1Cor 2,27). Pois «o Filho do homem veio salvar o que estava perdido» (Lc 19,10), quer dizer, todos os homens, uma vez que «todos morrem em Adão, tal como todos voltam à vida em Cristo» (1Cor 15,22).

Também não é indiferente que a mulher se alegre por ter encontrado a moeda: é que nessa moeda figura a imagem de um príncipe. De igual modo, a imagem do Rei é o bem da Igreja. Nós somos ovelhas; peçamos, pois, ao Senhor que nos conduza à água do descanso (Sl 22,2). Nós somos ovelhas; peçamos para ser conduzidas às pastagens. Nós somos a moeda; mantenhamos o nosso valor. Nós somos filhos; corramos para o Pai. (Santo Ambrósio, c. 340-397, bispo de Milão, doutor da Igreja, Sobre o evangelho de S. Lucas, 7, 207)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano A - Tempo Comum - 24º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum do Ano A

O individualismo é um dos aspetos que caracterizam a sociedade atual. Há a tentação de cada um viver por sua conta e risco, centrado em si mesmo sem ter que responder à incómoda pergunta de Deus a Caim: “Onde está o teu irmão?”. Na própria comunidade cristã aparecem sintomas da infiltração deste elemento tão nocivo. Alguns cristãos vivem despreocupados pelos outros, só aparecem na igreja paroquial para satisfazer a sua necessidade particular de relação com Deus; mas também é grande o grupo de cristãos sem comunidade que vão a esta ou outra paróquia dependendo do seu gosto. Neste domingo, mais uma vez, Jesus recorda-nos que a comunidade é essencial para o caminho que nos propõe. Sem vida comunitária, seguir Jesus não se compreende nem faz sentido. A Palavra de Deus oferece-nos alguns conselhos para a vida fraterna, entre os quais se destaca a necessidade de ajudar a mudar a vida do irmão que anda desorientado e perdido. Todos somos responsáveis daqueles que nos rodeiam.

Jesus começa a instruir os seus discípulos num assunto delicado e transcendente: a correcção fraterna. É delicado porque requer muito amor, doçura da parte de quem faz e muita humildade de quem recebe. É transcendente porque na emenda do irmão depende a sua salvação: “Se te escutar, terás ganhado o teu irmão”. A correcção fraterna é fruto do amor. Na segunda leitura, São Paulo afirma: “A caridade não faz mal ao próximo”. A correcção do irmão é um acto de amor por ele, do qual sairá beneficiado. Nesta missão aparece a comunidade como mediadora da salvação. Não nos salvamos na solidão (sozinhos), o caminho da fé faz-se com os outros. A graça de Jesus Cristo não vem directamente do seu coração através de raios penetrantes, mas chega-nos pelo nosso próximo. Trata-se de um processo paciente que procura, não a reprovação, mas a salvação daquele que pecou. Em primeiro lugar, corrige-se a sós; depois, com a presença de duas ou três testemunhas; finalmente, com toda a comunidade (Igreja). Era bom que a correcção fosse aceite num destes três momentos, mas se, infelizmente, tal não acontecer, essa pessoa coloca-se fora da comunidade e os irmãos irão considerá-la como um “pagão”. A comunidade procura a conversão da pessoa; esta, ao não deixar-se orientar pela comunidade, coloca-se à margem de todos.

06-09-2020

Com a expressão “Em verdade vos digo”, Jesus apresenta-se como mestre que dá às suas palavras uma coloração peculiar. Este mestre atribui a autoridade aos seus apóstolos no meio da comunidade: “Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu”. Mas agora concede-lhes um poder especial que se relaciona com o que, mais tarde, conferirá a Pedro em Cesareia (cf. Mt 16,19). É o poder de atar e desatar. Assim, Pedro e os outros discípulos são confirmados por Jesus como guardiães e intérpretes da Nova Aliança. Jesus tem uma grande confiança nos seus discípulos. Ele conhece as limitações e pecados de cada um. Apesar disso, Ele compromete a sua Palavra e a sua acção às palavras e acções destes homens. Esta concessão de autoridade perpetua-se no tempo e é sempre dada por Jesus àqueles que vai escolhendo como pastores do seu rebanho.

 

«Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu»: o sacramento da reconciliação

Ano A - Tempo Comum - 23º Domingo - Boletim Dominical II

 

No outro dia, alguém, um jornalista, fez-me uma pergunta estranha: «A Madre também se confessa? – Sim, confesso-me todas as semanas, respondi. – Deus deve ser muito exigente, para a Madre também ter de se confessar.»

Então disse-lhe: «Por vezes, o seu filho também se porta mal. O que é que o senhor faz quando ele lhe diz: ‘Paizinho, desculpa-me!’ O que é que faz? Toma o seu filho nos braços e beija-o. Porquê? Porque é a sua maneira de lhe dizer que o ama. Deus faz a mesma coisa. Ele ama-o com ternura.» Se tivermos pecado ou cometido alguma falta, façamos de maneira que isso nos ajude a aproximarmo-nos de Deus. Digamos-Lhe com humildade: «Sei que não devia ter agido assim, mas ofereço-Te esta fraqueza.»

Se tivermos pecado, se tivermos cometido faltas, vamos ter com Ele e digamos-Lhe: «Desculpa Estou arrependido!» Deus é um pai que tem piedade. A sua misericórdia é maior do que os nossos pecados. Ele perdoar-nos-á. (Santa Teresa de Calcutá, 1910-1997, fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade, «Não há maior amor»)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Avisos e Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum- Ano A

 

Depois de tudo o que aconteceu na Galileia, ou seja, a falta de fé de algumas pessoas, o abandono de muitos dos que O seguiam e a aversão, cada vez maior, dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas, Jesus toma consciência da sua paixão e morte. “Tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito”. É vontade do Pai que Jesus entregue a vida e Ele está disposto a iniciar este caminho. A vontade do Pai era revelada nas suas palavras, “era um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia” (1ª leitura). Depois da profissão de fé de Pedro, “Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos…”. Talvez, estivesse a precisar de sentir o apoio e o afecto dos seus discípulos; por isso, faz-lhes esta confidência e prepara-os, para que possam assumir e compreender o escândalo da cruz à luz da ressurreição: “tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”.

Jesus tinha perguntado aos seus discípulos sobre a sua identidade: “Quem dizem os homens que Eu sou?”. Pedro, como verdadeiro discípulo, confessou a sua fé, afirmando que Jesus é o Messias. Mas, agora, a sua atitude é diferente, deixa de ser discípulo, convencido que é capaz de ensinar o próprio mestre. Toma a iniciativa de tomar Jesus à parte para o contrariar. Pedro estava ainda fascinado pela ideia de um messianismo terreno caracterizado pelo poder. “Tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!”. Ainda não entende o sofrimento que supõe a entrega da vida por amor. A atitude de Pedro é totalmente humana. Gosta tanto de Jesus que não quer que Ele sofra por nada deste mundo. Ainda não descobriu que Jesus está a cumprir a vontade do Pai e não entende um Messias como servo a entregar a vida por amor. A tentação aborda Jesus através de uma pessoa próxima e amiga.

30-08-2020

“Jesus voltou-se para Pedro” e mudou o semblante e o tom de voz. Agiu com dureza porque sentiu a presença próxima do tentador. Aquele que antes se tinha revelado como um bom discípulo recebendo de Deus a novidade do messianismo de Jesus, agora é utilizado por Satanás para tentar Jesus a afastar-Se do plano que o Pai Lhe tinha confiado. Jesus pede a Pedro que ocupe novamente o seu lugar como discípulo. Com amor, quer arrancar Pedro da influência do Maligno e colocá-lo nas mãos de Deus, na rota do discipulado. Para Jesus, Pedro estava a ser um obstáculo porque ainda não tinha entrado no pensamento de Deus. Pensar como Deus, discernir a sua vontade, é fruto da graça e da aprendizagem. Paulatinamente, o discípulo vai fazendo uma conversão da sua mentalidade, como afirma S. Paulo, na segunda leitura: “Transformai-vos pela renovação espiritual da vossa mente”. Reflectindo e conhecendo Jesus pelo Evangelho, vamos descobrindo e acolhendo o seu modo de pensar e de agir, adquirindo gratuitamente o modo de pensar de Deus.

Finalmente, Jesus diz-nos que o sofrimento não é só para o mestre, mas que será um companheiro fiel de quem quiser seguir o Mestre. Viver em doação por amor aos outros supõe este incómodo mas fecundo companheiro de viagem: “Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”. Neste domingo, S. Paulo recorda-nos que ser discípulo de Jesus supõe uma vida de sofrimento. Somos convidados a viver uma liturgia existencial, na qual, como vítimas agradáveis a Deus, nos oferecemos a Ele.

 

«Não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens»

 

Quando o Senhor impõe ao homem que quer segui-Lo que renuncie a si mesmo, achamos que os seus mandamentos são difíceis e duros de ouvir. Mas, se aquele que ordena nos ajuda a cumprir o que ordena, então esses mandamentos deixam de ser difíceis e penosos. É igualmente verdadeira aquela outra palavra saída da boca do Senhor: «O meu jugo é suave e o meu fardo é leve» (Mt 11,30). Com efeito, o amor suaviza o que os preceitos podem ter de penoso. Conhecemos todas as maravilhas que o amor pode realizar. Que dificuldades não enfrentaram os homens, que condições de vida indignas e intoleráveis não suportaram para atingirem o objecto do seu amor! Porque nos admiramos se aquele que ama Cristo e quer segui-Lo renuncia a si mesmo para O amar? Porque, se o homem se perde amando-se a si mesmo, deverá sem dúvida alguma encontrar-se renunciando a si mesmo.

Que homem se recusaria a seguir Cristo até à morada da felicidade perfeita, da paz suprema e da tranquilidade eterna? É bom segui-Lo até aí; mas é preciso conhecer o caminho para lá chegar. O caminho parece-te cheio de asperezas, repugna-te, não queres seguir a Cristo. Vai atrás dele! O caminho que os homens traçaram é pedregoso, mas foi aplanado quando Cristo o percorreu ao voltar ao Céu. Que homem se recusaria, pois, a avançar em direcção à glória?

Todos gostamos de nos elevar até à glória, mas temos de o fazer pela escada da humildade. Porque levantas o pé acima da tua própria altura? Quererás cair em vez de subir? Começa pelo primeiro degrau: já começaste a subir. Os dois discípulos que diziam: «Senhor, permite-nos que, no teu Reino, nos sentemos, um à tua direita e outro à tua esquerda» não deram atenção à escada da humildade. Visavam o cume, mas não viam os degraus. Mas o Senhor mostrou-lhos. Na verdade, o que foi que Ele respondeu? «Podeis beber do cálice que Eu vou beber? (Mc 10,37-38) Vós que desejais atingir o cume das honras, podeis beber o cálice da humildade?» Foi por isso que Ele não Se limitou a dizer, de uma maneira genérica: «Renuncie a si mesmo e siga-Me», mas acrescentou: «Tome a sua cruz e siga-Me». (Santo Agostinho, 354-430, bispo de Hipona, norte de África, doutor da Igreja, Sermão 96)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

 Ano A - Tempo Comum - 22º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum – Ano A

 

Para um discípulo, o mais importante é conhecer Jesus. Só quem conhece Jesus poderá ser seu discípulo. Se não O conhecemos razoavelmente, como O vamos amar e dar a conhecer? Neste domingo a Palavra de Deus mostra-nos o caminho para ir descobrindo a identidade de Jesus.

Um dos grandes males da Igreja é a falta da experiência de Deus e de Jesus Cristo em muitos cristãos. Conhecem coisas de Jesus, que foram ouvidas, mas não O conhecem pessoalmente. Por isso, continua actual a pergunta de Jesus: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”. Jesus só pode ser conhecido através de uma relação pessoal e íntima com Ele. Quando dialogamos com Ele cara a cara, quando com Ele convivemos, quando escutamos o que diz e vemos o que faz, vamos captando e fazendo nossas as características da sua pessoa. Por isso é muito importante a nossa oração, o diálogo permanente com Jesus. É também importante o estudo amoroso, contemplativo e vital da Palavra que nos revela o seu modo de sentir, pensar e agir. É indispensável a vida em fraternidade na Igreja que é o seu Corpo. É essencial a experiência de O servir nos pobres e esquecidos deste mundo; Ele quis ficar nos desfavorecidos da nossa sociedade, como se fossem outro sacramento.

Muitas pessoas aproximaram-se de Jesus e conheceram alguns aspectos parciais da sua identidade. Uns consideram-no como um profeta, outros como um excelente mestre de moral, alguns como um revolucionário que prega uma mensagem de libertação para os pobres. Porém, todos estes ficam com uma visão incompleta de Jesus. Nas palavras de Pedro, “Ele é o Messias, o Filho de Deus vivo”. Jesus Cristo é o Ressuscitado que vive para sempre e tem poder sobre o mal e sobre a morte. Jesus é aquele que caminha ao nosso lado. Através da força do Espírito Santo, ajuda-nos na construção do Reino de Deus.

23-08-2020

Quem conhece Jesus Cristo como o Filho de Deus que hoje vive e caminha ao nosso lado, sente que a sua vida está construída em bom alicerce. Em Jesus encontramos a rocha firme sobre a qual podemos edificar o nosso itinerário por este mundo. Jesus dá-nos uma nova identidade e uma nova missão para realizar entre as pessoas. Depois da confissão de fé, foi isso que fez a Pedro: “Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Muda o nome a Simão, chama-o e confia-lhe a missão de ser o alicerce da Igreja, o pastor do seu rebanho. Como aconteceu com Pedro, Jesus também nos concede uma vida nova e nos dá uma missão: ser imagem do seu amor neste mundo e na Igreja, como leigos, religiosos ou sacerdotes.

A confissão de fé de Pedro não foi fruto de uma inebriante pesquisa, nem de leituras de livros sobre Jesus. Foi uma dádiva de Deus Pai: “não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus”. É Deus Pai que nos dá a conhecer o seu Filho Jesus, como deu a conhecer a Pedro, a Tiago e a João no monte Tabor: “Este é o meu Filho muito amado, Escutai-O”. É esta a certeza de S. Paulo na segunda leitura: “Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! Como são insondáveis os seus desígnios e incompreensíveis os seus caminhos”. Queres conhecer Deus Pai e o Filho? Reza muito, reflecte a sua Palavra, vive a caridade e a fraternidade…E, quando Deus quiser, O veremos tal como Ele é, na plenitude da vida no novo céu e na nova terra.

 

«Tu és o Filho do Deus vivo»

 

O Senhor tinha perguntado: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Naturalmente que o aspecto do seu corpo manifestava o Filho do homem; mas, ao fazer esta pergunta, Ele dava a entender que, para além do que se via nele, havia outra coisa a discernir. O objecto da pergunta era um mistério para o qual a fé dos crentes devia orientar-se.

A confissão de Pedro obteve em pleno a recompensa que merecia por ter visto naquele homem o Filho de Deus. «Feliz» é ele, louvado por ter prolongado a sua vista para além dos olhos humanos, não olhando para o que vinha da carne e do sangue, mas contemplando o Filho de Deus revelado pelo Pai dos céus: foi considerado digno de ser o primeiro a reconhecer o que em Cristo era de Deus. Que belo alicerce pôde ele dar à Igreja, confirmado pelo seu novo nome! Ele torna-se a pedra digna de edificar a Igreja de forma a ela romper as leis do inferno e todas as cadeias da morte. Feliz porteiro do Céu, a quem são confiadas as chaves do acesso à eternidade; a sua sentença na Terra antecipa a autoridade do Céu, de tal forma que o que tiver ligado ou desligado na Terra o será também no Céu.

Jesus ordena ainda aos discípulos que não digam a ninguém que Ele é o Cristo, porque vai ser preciso que outros, quer dizer, a Lei e os profetas, sejam testemunhas do seu Espírito, uma vez que o testemunho da ressurreição caberá aos apóstolos. E, assim como foi manifestada a felicidade daqueles que conhecem Cristo no Espírito, foi igualmente manifestado o perigo de se desconhecer a sua humildade e a sua Paixão. (Santo Hilário, c. 315-367, bispo de Poitiers, doutor da Igreja, Comentários sobre Mateus, 16)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano A - Tempo Comum - 21º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 20º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Deus concede a salvação não só ao povo eleito mas a todos os povos da terra. Por isso Isaías, na primeira leitura, afirma que os estrangeiros fiéis ao Senhor serão acolhidos no seu monte santo. Jesus vai mais além dos limites de Israel para deixar bem claro que o projecto salvador do Pai vai para além das barreiras que pretendemos colocar às pessoas. Oriunda de um povo estrangeiro, para além das fronteiras de Israel, uma mulher cananeia aproximou-se de Jesus e, graças à sua fé, conseguiu a cura da sua filha. Hoje, esta mulher continua a ser um modelo de oração nas situações difíceis da vida.

Na mulher cananeia encontramos o exemplo de uma pessoa que pede insistentemente a ajuda de Jesus. Esta mulher mostra a necessidade que temos de rezar sem desanimar. A mulher cananeia começou a gritar, ou seja, não se aproximou de Jesus porque estava desesperada com a falta de saúde da sua filha, mas tem a certeza que Jesus a poderá curar. Aproxima-se de Jesus com humildade, prostrou-se diante d’Ele, reconhecendo a autoridade Daquele de quem se aproximou. Muitas vezes, o grito converte-se em oração. Exprime um momento de sofrimento para a pessoa e também a profissão de fé naquele que pode salvar. Gritou o cego de Jericó (cf. Mc 10,47). Gritou Pedro, quando começou a afundar-se caminhando sobre as águas ao encontro de Jesus (cf. Mt 14,30). Grita cada um de nós quando estamos em aflição: “Ai Jesus!”.

16-08-2020

Jesus ouviu o grito da mulher cananeia, mas põe à prova a sua oração de aflição. Em primeiro lugar, ouviu, mas não lhe respondeu uma palavra. É a prova do silêncio. Mas ela não desanima, não se afasta, continua a pedir. Em segundo lugar, coloca a mulher diante da mentalidade dos israelitas, segundo a qual aquela mulher não tinha o direito de pedir a Deus. Esta é a prova mais dura. Aquela mulher conhecia esta mentalidade, mas também sabia que Deus sempre deixaria parte do banquete, nem que fossem umas migalhas, para os que como ela não pertenciam ao povo de Israel. A nossa oração é também posta à prova. Por vezes, Jesus cala-se. Parece não estar connosco, não nos diz nada. Nesta situação, Ele pede-nos perseverança.

A segunda prova é a tentação que, por vezes, temos em acreditar que Jesus não nos ouve por causa das nossas limitações e pecados. Quando temos consciência da nossa pobreza, parece que não somos dignos de nos dirigirmos a Deus. Pelo contrário, quando assumimos as nossas fraquezas e pecados, rezemos a Jesus porque Ele ouve-nos e atende-nos sempre, especialmente nos momentos de sofrimento e angustia.

Finalmente, Jesus respondeu à cananeia: “Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas”. Jesus comove-se perante o sofrimento daquela mulher, porque era uma mulher cheia de fé e perseverante na oração. A mulher cananeia tinha uma fé forte, vencendo as suas dificuldades e sofrimentos com a oração e reconhecendo Jesus Cristo como Messias e Senhor. É esta grandeza da fé que somos convidados a ter. A mulher estrangeira foi tocada por Jesus. Deixa que Jesus te toque e te oiça em todos os momentos da tua vida, especialmente nos momentos de dor, de desânimo, de desespero, pois tudo se transformará.

«Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas».

 

O Evangelho mostra-nos a grande fé, a paciência, a perseverança e a humildade da cananeia. Esta mulher era dotada de uma paciência verdadeiramente fora do comum. Ao seu primeiro pedido, o Senhor não responde uma palavra. Apesar disso, longe de cessar de rezar, ela implora-Lhe com redobrada insistência o socorro da sua bondade. Vendo o ardor da nossa fé e a tenacidade da nossa perseverança na oração, o Senhor acabará por ter piedade de nós e conceder-nos-á o que desejamos.

A filha da cananeia era «atormentada por um demónio». Uma vez expulso o nefasto desassossego dos nossos pensamentos e desfeitos os nós dos nossos pecados, recuperaremos a serenidade de espírito, bem como a possibilidade de agirmos correctamente. Se, a exemplo da cananeia, perseverarmos na oração com firmeza inabalável, ser-nos-á concedida a graça do nosso Criador; ela corrigirá todos os nossos erros, santificará tudo o que é impuro, pacificará toda a agitação. Porque o Senhor é fiel e justo, Ele nos perdoará os nossos pecados e nos purificará de toda a mancha se gritarmos por Ele com a voz vigilante do nosso coração. (São Beda, o Venerável, c. 673-735, monge beneditino, doutor da Igreja, Homilia sobre os Evangelhos, I, 22: CCL 122, 156-160, PL 94, 102-105)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano A - Tempo Comum - 20º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum – Ano A

 

Quando a nossa fé é forte e capaz de iluminar a vida, sentimos que estamos muito perto de Jesus, mas nos momentos em que a fé vacila parece que Ele se afastou de nós. Porém, a realidade não é esta. Jesus está sempre connosco, especialmente nos momentos mais difíceis. Esta é a experiência de vida do profeta Elias e do apóstolo Pedro e de todos os que acreditam em Deus.

Da fé brota a confiança no amor de Deus. Perder a fé faz surgir no coração as inseguranças de uma vida sem transcendência, de um mundo ameaçador e de um futuro incerto. Na primeira leitura, Elias foi para o monte de Deus, o Horeb, porque estava em crise. Precisava de regressar ao lugar da aliança para redescobrir a sua identidade e a sua missão. A rainha Jezabel tinha ameaçado de morte o profeta Elias e Deus não lhe respondia. De certeza, terá pensado: “que Deus é este que não protege os seus profetas nem os defende nos momentos difíceis?”. Ao chegar ao monte de Deus, passou a noite numa gruta, cheio de medo. No evangelho, Pedro e os outros discípulos faziam a travessia do mar. Estavam longe da terra e o barco começou a ser açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Viram Jesus ter com eles, caminhando sobre o mar e assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. Têm tanto medo que começam a gritar. Esta narração expressa a realidade da comunidade cristã que, neste mundo, é açoitada pelos ventos da secularização e afectada pela incredulidade interna que nos impede de reconhecer Jesus que vem ao seu encontro.

09-08-2020

Quando surgem os sofrimentos, Jesus vem sempre ao nosso encontro, mostra-nos a sua misericórdia e dá-nos a sua salvação. Caminhando sobre o mar, símbolo do mal e da morte, recorda-nos que os nossos maiores inimigos foram vencidos por Ele com a ressurreição. A sua palavra destrói os nossos medos: “Tende confiança. Sou Eu. Não temais”. Todavia, Jesus também quer que sejamos lutadores nesta batalha contra o medo e, por isso, somos postos à prova de duas maneiras: 1) Como a Elias, pede-nos para sair da gruta das nossas desconfianças. O medo faz-nos viver isolados e escondidos, fazendo-nos esquecer que a felicidade encontra-se fora, na vida com os outros. A falta de fé encerra-nos no individualismo, nos prazeres da vida, na desorientação. Jesus provoca-nos, dizendo: “Sai daí”; 2) Como a Pedro, pede-nos para ir ter com Ele sobre as águas, deixando a frágil segurança da barca. Como seus discípulos, somos chamados a ir ter com Jesus por caminhos inseguros e movediços da vida. Temos de assumir que a nossa fé é escassa e frágil de tal forma que qualquer vento pode causar o nosso afogamento, mas temos de ter a absoluta certeza da mão sempre estendida de Jesus que nos segura. Quando saímos da nossa gruta e caminhamos para Jesus, conscientes das nossas fraquezas e da sua fidelidade, os nossos medos dissipam-se e brota a confiança.

Elias encontrou Deus fora da gruta. Não O encontrou em realidades espantosas (rajada de vento, terramoto, fogo), mas numa ligeira brisa. “Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta”, ou seja, aproximou-se do mistério de Deus. Deus revela-se quando fala e quando se cala. Agora compreende que Deus não usa a força contra os inimigos e que o seu caminho como profeta é o da fecundidade do sofrimento. Pela mão de Deus, regressa à sua missão. Pedro, pela sua fé frágil, experimenta como Jesus o salva do mar onde se afundava e regressa à barca com Ele. Cultivemos um olhar contemplativo da vida que nos ajude a descobrir a presença de Jesus que caminha ao nosso lado.

 

«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus»

 Quando tivermos suportado as longas horas da noite escura que domina os momentos de prova, quando tivermos feito o melhor que sabemos, tenhamos a certeza de que, para o fim da noite, quando «a noite vai adiantada, e o dia está próximo» (Rm 13, 12), o Filho de Deus virá até junto de nós, caminhando sobre as ondas. Quando O virmos aparecer assim, ficaremos perturbados, até compreendermos claramente que é o Salvador que vem ao nosso encontro. Pensando ainda que vemos um fantasma, gritaremos de medo, mas Ele vai nos dizer imediatamente: «Tende confiança, sou Eu, não temais.»

Talvez essas palavras de conforto façam surgir em nós um Pedro a caminho da perfeição, que desça da barca, seguro de ter escapado à prova que o abalava. Inicialmente, o seu desejo de se aproximar de Jesus lhe permitirá andar sobre as águas. Mas, tendo ele uma fé ainda pouco segura, estando ainda cheio de dúvidas, se aperceberá da «força do vento», terá medo e começará a afundar-se. Escapará, porém, a tal infortúnio, apelando para Jesus com um forte brado: «Senhor, salva-me!» E, mal este Pedro acabe de dizer «Senhor, Salva-me!», já o Verbo terá estendido a mão para o socorrer, agarrando-o quando ele começava a afundar-se, censurando-lhe a falta de fé e as dúvidas. Notemos, porém, que Ele não diz: «Incrédulo!», mas antes: «Homem de pouca fé!», e acrescenta: «Porque duvidaste?», ou seja: «Tinhas alguma fé, mas deixaste-te levar na direcção contrária.» E Jesus e Pedro voltarão a entrar para a barca, o vento se acalmará e os outros discípulos, compreendendo os perigos a que escaparam, adorarão a Jesus dizendo: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus» – palavras que só os discípulos próximos de Jesus, os que se encontravam na barca, podiam proferir. (Orígenes, c. 185-253, presbítero, teólogo, Comentário ao Evangelho de Mateus, 11, 6)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano A - Tempo Comum - 19º Domingo - Boletim Dominical II

Pinhel acolheu caminhada noturna

Como acontece diariamente na cidade Falcão, ao fim da tarde, pela fresca, mais global aconteceu em Pinhel uma Caminhada que teve como objetivo a visita do património cultural da cidade.

Assim com a participação de cerca de duas dezenas de pessoas, todos ficaram a conhecer diversas situações que surgem no património cultural..

Uma forma de passar um final de tarde, inicio de noite diferente.

Festas em honra de N. Sra. Da Graça/2020 de Fornos de Algodres

Devido à pandemia por Covid-19 o nosso quotidiano, vivências e tradições foram alteradas, face a isso em Fornos de Algodres , as Festas em honra de N. Sra. Da Graça/2020 de Fornos de Algodres, irão se realizar nos próximos dias 22 e 23 de Agosto com um programa em harmonia com a legislação em vigor no âmbito das medidas de prevenção e de segurança legalmente determinadas.
Depois de uma  reunião da Comissão de Festas e o Padre Jorge Luís, na qualidade de Pároco da Unidade Pastoral de Fornos de Algodres foi decidido o programa festivo a realizar, apenas com a componente religiosa.

Assim, no sábado,22, pelas 21h, acontecerá uma procissão simbólica do andor de NS da Graça, numa Viatura adaptada para o efeito, com saída da Capela , com passagem pelo Bairro das Capelas, Igreja da misericórdia,  Capela de NS das Dores, Centro de Dia, Fonte da Bandeira, as paragens para a recitação dos mistérios são as mencionadas.

Por sua vez, no domingo, 23, pelas 18h, terá lugar a celebração da eucarístia do largo da capela.

São assim os festejos de Nossa Senhora da Graça de forma mais simbólica, onde se alerta para as regras de segurança.

Avisos e Liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum – Ano A

 

 

O evangelho deste Domingo começa por nos dizer que Jesus “retirou-se num barco para um local deserto e afastado”. Depois de ter estado a pregar, anunciando o Reino de Deus com as parábolas, Jesus retira-se para um lugar tranquilo. Deseja ter um momento de paz, estar sozinho, serenar um pouco. De certeza que desejava um momento para rezar, passar um tempo de intimidade com o Pai, como os textos evangélicos, muitas vezes, nos dizem. Como vivemos tão atarefados na nossa vida, ocupados em tantas coisas! Como é necessário um tempo de sossego, um tempo para a oração, para relação com Deus e para “carregar as nossas baterias”. É importante alimentar a nossa vida espiritual! A Eucaristia é um desses momentos, não esquecendo o momento da nossa oração pessoal.

Mas, “ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes”. Aproxima-se, atende-os e cura-os. Os discípulos preferiam despedir a multidão para que fossem às aldeias comprar alimento. Mas, Jesus prefere o contrário: Ele quer dar-lhes de comer, “não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer”. Seja qual for a situação que tenhamos diante de nós, a nossa atitude deve ser a de Jesus: olhar como Jesus, sentir como Jesus sentia, agir como Jesus, numa entrega total e plena. A nós, hoje, Jesus também nos diz: “dai-lhes vós de comer”.

O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, em primeiro lugar, recorda-nos Moisés a alimentar o povo com o maná durante a travessia do deserto. Jesus é o Novo Moisés a dar de comer à multidão que o rodeia. Em segundo lugar, orienta o nosso pensamento para a instituição da Eucaristia, na última ceia. Os discípulos queriam mandar embora a multidão, porque estava a cair a tarde; a última ceia foi ao anoitecer. Jesus tomou os pães e os peixes, recitou a bênção, partiu os pães e deu-os aos discípulos e estes deram-nos à multidão; são os mesmos momentos que encontramos na última ceia. A multiplicação dos pães e dos peixes é uma profecia da Eucaristia, onde Jesus dará um alimento muito superior a estes: dará o seu corpo, pão da vida eterna. Em terceiro lugar, este milagre destaca a missão dos discípulos. Jesus partiu os pães, deu-os aos seus discípulos e estes deram os pães e os peixes à multidão. Os discípulos de Jesus, aqueles que O seguem, prolongam no mundo a sua acção. À Igreja foi confiada a missão de Cristo. Em quarto lugar, a narração deste milagre salienta a universalidade da salvação. Já o texto do profeta Isaías, na primeira leitura, afirma que a salvação não é somente para o povo judeu, mas para todos: “Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde…firmarei convosco uma aliança eterna”. No evangelho, Jesus dá de comer a todos aqueles que O seguem. Jesus dá-se sem medida e a todos.

02-08-2020

Hoje, tanta gente tem fome, morre de fome e de sede! Também entre nós, há pessoas com fome: fome de pão e de peixe, fome de amor e de outras fomes (pessoas com necessidade de companhia, de misericórdia, de compaixão, de um sorriso, de um abraço, de carinho…). Quem celebra a Eucaristia, tem de ser sensível a estas “fomes”. A Eucaristia não se pode separar da caridade. Sabemos que, devido às nossas poucas possibilidades, não podemos atender a todos, mas multipliquemos os nossos esforços para que possamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance. Matemos as fomes da nossa sociedade como se tudo dependesse de nós, na certeza de que tudo depende de Deus.

 

«Dai-lhes vós de comer» (Mt 14,16)

 

No pão da eucaristia recebemos a multiplicação inesgotável dos pães do amor de Jesus Cristo, que é suficientemente rico para saciar a fome de todos os séculos, e que procura assim colocar-nos, também a nós, ao serviço desta multiplicação dos pães. Os poucos pães de cevada da nossa vida poderão parecer inúteis, mas o Senhor precisa deles e pede-no-los.

Tal como a própria Igreja, também os sacramentos são fruto do grão de trigo que morre (Jo 12,24). Para os receber, temos de entrar no movimento de onde eles provêm. Este movimento consiste em nos perdermos a nós próprios, sem o que não nos podemos encontrar: «Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por Mim e pelo Evangelho salvá-la-á» (Mc 8,35). Esta palavra do Senhor é a fórmula fundamental da vida cristã; a forma característica da vida cristã vem-lhe da cruz. A abertura cristã ao mundo, tão enaltecida actualmente, só pode encontrar o seu verdadeiro modelo no lado aberto do Senhor (Jo 19,34), expressão deste amor radical, que é o único capaz de salvar.

Do lado perfurado de Jesus crucificado saíram sangue e água. O que, à primeira vista, é sinal de morte, sinal do mais completo fracasso, constitui ao mesmo tempo um começo novo: o Crucificado ressuscita e não morre. Das profundezas da morte surgiu a promessa da vida eterna. Por cima da cruz de Jesus Cristo resplandece já a claridade vitoriosa da manhã de Páscoa. É por isso que viver com Ele sob o signo da cruz é sinónimo de viver sob a promessa da alegria pascal. (Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI, Papa de 2005 a 2013), Meditationen zur Karwoche, 1969)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

ORIENTAÇÕES PASTORAIS_COVID19

cartaz_covid_DioceseViseu

Ano A - Tempo Comum - 18º Domingo - Boletim Dominical II

Ao continuar a utilizar o site, você concorda com a utilização de cookies. Mais Informação

As definições de cookies neste site são definidas como "permitir cookies" para lhe dar a melhor experiência de navegação possível. Se você continuar a usar este site sem alterar suas configurações de cookies ou clicar em "Aceitar" abaixo, em seguida, você concorda com isso.

Fechar