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Religião

Fátima acolhe apresentação da estratégia de promoção dos Caminhos da Fé e Espiritualidade no Centro de Portugal

A estratégia de promoção vai ser apresentada nesta sexta-feira, dia 5 de junho, em Fátima, com a presença de Luís Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Ourém, Pe. Carlos Cabecinha, reitor do Santuário de Fátima, Teresa Ferreira, diretora do Departamento de Desenvolvimento de Recursos do Turismo de Portugal, e Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal.

O Turismo Religioso e Espiritual é um pilar com importância crescente no Centro de Portugal. Além do Culto Mariano, cujo expoente máximo é Fátima, outros locais de culto e peregrinação têm ganho destaque, nomeadamente os Caminhos de Fátima, o Caminho de Santiago, a Rota Carmelita ou a Herança Judaica. Nesta conferência de imprensa será dada a conhecer a aposta reforçada do Turismo Centro de Portugal neste produto, exemplificando com novos materiais promocionais e com uma estratégia transfronteiriça ibérica de promoção do Turismo Religioso e Espiritual.

Liturgia do Pentecostes- Ano A

ORIENTAÇÕES PASTORAIS

em tempo de COVID-19

 

Baptizados:

1. Serão celebrados na sede da Paróquia, somente com os Pais e Padrinhos;

2. Cumprir-se-ão as orientações da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

 

Casamentos:

1. Devem celebrar-se, preferencialmente, aos Sábados, somente com os Nubentes e as testemunhas…;

2. Cumprir-se-ão as orientações da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

Reconciliação:

1. Sempre que for necessário, marcando antecipadamente com o Pároco;

2. Cumprir-se-ão as orientações da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

Unção dos Doentes:

  1. Sempre que for necessário, marcando antecipadamente com o Pároco;
  2. Cumprir-se-ão as orientações da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

Funerais:

  1. Serão no Cemitério e seguindo as disposições da DGS, do Município e da Diocese;
  2. A Celebração da Santa Missa de sufrágio será acertada com a Família para quando for oportuno;

3. Cumprir-se-ão as orientações da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

Missas:

Dominical: à hora marcada;

Ferial: à hora marcada. Não haverão celebrações nas Capelas, visto estas não terem as disposições mínimas pela DGS e CEP para este tempo de pandemia. As Missas com intenções particulares serão avisadas e celebradas na Igreja Paroquial;

Cumprir-se-ão, sempre, as orientações da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

Outros actos religiosos:

Peregrinações, procissões, festas, romarias, concentrações religiosas, acampamentos e outras actividades similares em grandes grupos, passíveis de forte propagação da epidemia, continuam suspensas até novas orientações da DGS e CEP.

 Pe.Jorge Gomes

 

Neste Domingo, encerramos o Tempo Pascal. Páscoa e Pentecostes são uma herança que recebemos da tradição judaica. Páscoa recordava a passagem da escravidão do Egipto para a liberdade da terra prometida. Pentecostes celebrava as primícias e as colheitas e, mais tarde, a aliança entre Deus e o povo no monte de Sinai. Para nós, Páscoa é a memória da passagem de Jesus deste mundo para o Pai; e Pentecostes celebra o dom do Espírito à comunidade primitiva nascente. O prefácio da missa deste dia diz o seguinte: “Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo”.

Uma bela actividade para fazer com os jovens ou os adultos, que se preparam para receber o sacramento da confirmação, é descobrir pouco a pouco o simbolismo das manifestações do Espírito Santo sobre a comunidade apostólica reunida em Jerusalém, junto com Maria, a mãe de Jesus. Os Actos dos Apóstolos falam-nos de “um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam”. É a vinda do Espírito Santo. É curioso que, na língua hebraica, a mesma palavra que significa “espírito” também significa “vento”. O sopro (a força do vento) do Espírito Santo faz aquela comunidade perder o medo, abrir as portas e pregar no meio da multidão.

“Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles”. É o fogo que nos recorda a sarça que ardia sem se consumir, da qual Moisés se aproximou. É Deus com a sua força irresistível. É o próprio Deus, é a presença de Deus que não só purifica, mas que aquece, ilumina, inflama, aviva e abrasa. É o fogo que Jesus veio trazer à terra para destruir a indiferença, a frieza e a tibieza dos corações que se fecham à vinda do Reino. É o fogo com o qual seremos baptizados, como anunciou João Batista (“com o Espírito Santo e com o fogo”). A antífona do Aleluia diz claramente: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”.

“Cada qual os ouvia falar na sua própria língua”. Todos ficaram espantados, porque a linguagem do coração, a linguagem do Espírito Santo, a linguagem do Evangelho somente é compreensível para aqueles que acolhem a Palavra de Deus. A linguagem do amor e da solidariedade não precisa de ser aprendida nas escolas e não tem gramática nem dicionário. A linguagem do amor é a linguagem do Espírito Santo. É uma linguagem que não serve “favores e cunhas” ou poderosos, mas está ao serviço das pessoas que vivem na miséria, no desamparo e no esquecimento. Bem dizia S. Paulo: “A caridade nunca desaparece”. O amor nunca desaparecerá. Esta é a missão que nos foi dada por Jesus. Para esta missão, precisamos do Espírito de Jesus. Alimentados com o banquete eucarístico e cheios do Espírito de Jesus, teremos coragem para proclamar ao mundo a nossa alegria e viver a força de amar e do amor.

 31-05-2020

«Também vós dareis testemunho»

 

Pentecostes é a palavra grega que quer dizer «quinquagésimo». Este quinquagésimo dia, que o povo judaico festejava, contava-se a partir do dia em que tinham imolado o cordeiro pascal; e isto porque, cinquenta dias depois da saída do Egipto, a Lei foi dada no cume incendiado do monte Sinai. Assim também, no Novo Testamento, cinquenta dias depois da Páscoa de Cristo, o Espírito Santo descia sobre os apóstolos e aparecia-lhes sob a forma de fogo. A Lei foi dada sobre o monte Sinai, o Espírito sobre o monte Sião; a Lei foi dada no cume da montanha, o Espírito no Cenáculo.

«Todos os discípulos estavam reunidos no mesmo lugar. Subitamente fez-se ouvir um grande barulho». Como diz o salmo, «o ímpeto do rio alegra a cidade de Deus» (45,5). Um grande barulho acompanha a chegada Daquele que vem ensinar os fiéis. Notai como isso está de acordo com o que lemos no Êxodo: «Era já chegado o terceiro dia, e já tinha amanhecido, eis senão quando começaram a ouvir-se trovões, e o fuzilar de relâmpagos; e uma nuvem muito espessa cobriu o monte e um som de corneta muito forte atroava e todo o povo se atemorizou» (19,16). O primeiro dia foi a Incarnação de Cristo; o segundo dia foi a Sua Paixão; o terceiro dia é a missão do Espírito Santo. Chegou este dia: ouve-se o trovão, faz-se um grande barulho; brilham os relâmpagos, os milagres dos apóstolos; uma espessa nuvem – a compunção do coração e a penitência – cobre a montanha, o povo de Jerusalém (Act 2,37-38). […]

«Apareceu-lhes então como línguas de fogo». As línguas, as da serpente, de Eva e de Adão, tinham aberto à morte o acesso a este mundo. É por isso que o Espírito aparece sob a forma de línguas, opondo línguas às línguas, curando pelo fogo o veneno mortal. «Eles começaram a falar.» Eis o sinal da plenitude; o vaso repleto transborda; o fogo não pode conter-se. Estas línguas diversas são as diferentes lições que Cristo nos deixou, como a humildade, a pobreza, a paciência, a obediência. Falamos essas línguas diversas quando damos ao próximo o exemplo dessas virtudes. Viva está a palavra, quando falam as obras. Façamos falar as nossas obras! (Santo António de Lisboa, c. 1195-1231, franciscano, Doutor da Igreja, Sermões para o Domingo e as festas dos santos)

 

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Ano A - Tempo Pascal - Pentecostes

 

Avisos e Liturgia – Tempo Pascal- Ascensão do Senhor- Ano A

 

De vez em quando, a homilia de Domingo deveria ser uma breve iniciação bíblica, litúrgica ou catequética, porque a linguagem e a forma de escrita dos tempos antigos, por vezes, são incompreensíveis ou, simplesmente, custam a entender. É o que acontece neste domingo e em outras celebrações festivas. O que se entende por “ascensão do Senhor”? O que queremos dizer quando, no credo, confessamos que Jesus “subiu aos Céus e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso?”.

De certeza que já assistimos a representações da “Paixão do Senhor” na nossa comunidade, baseadas numa leitura literal das narrações evangélicas, de maneira que com os nossos próprios olhos procuramos tentar perceber como terá sido a morte, a ressurreição e a ascensão de Jesus. A intenção dos evangelistas é, sobretudo, fortalecer a fé das primeiras comunidades em Cristo Ressuscitado. Jesus não desce pelo Natal, nem sobe pela Ascensão. Em linguagem teológica, queremos exprimir o encontro entre Deus e a humanidade e a comunhão entre o ser humano e a divindade. Temos Natal e Páscoa, mas temos de ter cuidado com a linguagem que utilizamos.

A liturgia desta solenidade da Ascensão é influenciada pelo testemunho de S. Lucas que encontramos no final do seu evangelho e no princípio do livro dos Actos dos Apóstolos, na primeira leitura. A narração da Ascensão é a união entre o evangelho e os Actos dos Apóstolos. Tanto um como outro texto dirigem-se a um personagem, Teófilo, que não sabemos se era alguém importante naquele tempo ou é um personagem simbólico. Também é dirigido a nós, que somos, ou queremos, ser amigos de Deus, que confessamos que o Crucificado-Ressuscitado vive em comunhão (à direita do) com o Pai.

Na segunda leitura, S. Paulo pede ao Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo que conceda à comunidade cristã de Éfeso “um espírito de sabedoria e de luz” para que conheça “a grandeza que representa o seu poder… que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus”. Este sentar à direita de Deus recorda-nos aquele pedido da mãe de Tiago e de João. Sem dúvida, Deus tem este lugar reservado somente para o Filho.

24-05-2020

O evangelho deste Domingo é a conclusão do texto de S. Mateus. Não faz referência em subir ao céu nem em sentar-se à direita do Pai, mas fala-nos disto com outras palavras: os discípulos, quando viram Jesus, adoraram-no (só se adora Deus); Jesus aproximou-se e disse-lhes: “Todo o poder me foi dado no Céu e na terra”. Confia-lhes a missão de anunciar a conversão, ou seja, de fazer discípulos em todas as nações. Esta missão consiste em baptizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando a cumprir a vontade de Deus. Perante esta nobre missão, há uma promessa reconfortante: “Eu estou sempre convosco (uma presença continuada) até ao fim dos tempos (uma presença sem fronteiras)”. Com esta promessa, também daremos testemunho de Jesus Cristo sem medo e com muita coragem.

 

«A Ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória, para aí nos chama como membros do seu Corpo» (da oração colecta)

 

Deus e os homens tornaram-se uma só raça, e é por isso que São Paulo afirma: «somos da raça de Deus» (Act 17,29); e, noutra passagem: «somos o corpo de Cristo e cada um, pela sua parte, é um membro» (1Cor 12,27). Quer dizer, pela carne que Ele assumiu nós tornamo-nos Sua família e temos assim, graças a Ele, uma dupla garantia: no Céu, a carne que de nós tomou; na Terra, o seu Espírito Santo que em nós permanece. Porque nos havemos de admirar que o Espírito Santo esteja ao mesmo tempo connosco e no Céu, quando o corpo de Cristo está tanto à direita do Pai quanto connosco na Terra? O Céu recebeu o seu sagrado corpo, e a Terra o Espírito Santo. Depois de nos ter trazido o Espírito Santo com a sua Encarnação, Ele levou o nosso corpo para o Céu na sua Ascensão. Tal é o plano divino, grandioso e surpreendente! Como disse o salmista: «Senhor, nosso Deus, como é admirável o vosso nome em toda a terra!» (Sl 8,2)

A divindade foi, assim, elevada. Como é dito expressamente, «Elevou-Se à vista deles» (Act 1,9) Aquele que em tudo é poderoso: o Deus forte, o poderoso Senhor, «o grande Rei de toda a terra» (Sl 47 [46],3). Grande Profeta (Dt 18,15-19), Sumo Sacerdote (Hb 7,26; 8,1), Luz verdadeira (Jo 1,9), Ele é grande em tudo, não só na sua divindade, mas também na sua carne, pois Se tornou Sumo Sacerdote e poderoso Profeta. E como? Escutai o que diz a Escritura: «uma vez que temos um grande Sumo Sacerdote que atravessou os céus, Jesus Cristo, o Filho de Deus, conservemos firme a fé que professamos» (Hb 4,14). Então, se Ele é Sumo Sacerdote e Profeta, é bem certo que «surgiu entre nós um grande profeta e Deus visitou o seu povo» (Lc 7,16). E se Ele é Sumo Sacerdote, grande Profeta e Rei, também é Luz dos povos: «a Galileia dos gentios, o povo que andava nas trevas, viu uma grande luz» (Is 8,23-9,1; Mt 4,15-16). Temos, pois, o Fiador da nossa vida no Céu, para onde Ele, que é Cristo, nos levou consigo. (Homilia atribuída a São João Crisóstomo, c. 350-407, Sobre a Ascensão, 16-17).

 

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Ano A - Tempo Pascal - Ascensão do Senhor

GNR- Balanço da Operação COVID-19 “FÁTIMA EM CASA”

A Guarda Nacional Republicana, no período de 9 a 13 de maio, garantiu um conjunto de ações inerentes à intensificação do patrulhamento e sensibilização, em todo o território nacional, no sentido de garantir a dissuasão e restrição de deslocamentos de peregrinos rumo ao Santuário de Fátima.

Foram empenhados meios de várias Unidades e valências da GNR, numa ação coordenada, de forma flexível, orientando o esforço de forma a garantir que os peregrinos se abstivessem de deslocamentos, apeados ou em veículos privados ou coletivos, rumo ao Santuário de Fátima, garantindo o cumprimento das medidas extraordinárias em vigor no âmbito da situação de calamidade decorrente da pandemia COVID-19.

Saliente-se que, durante toda a operação, verificou-se uma total cooperação da população em geral, que respeitaram as medidas restritivas impostas e as orientações emanadas pelo Santuário, denotando grande civismo, em linha com o cumprimento do dever cívico de recolhimento domiciliário.

O respeito dos cidadãos pelas orientações difundidas por todas as entidades envolvidas nas celebrações das aparições de Fátima resultou num balanço francamente positivo e no cumprimento do desígnio de manter a segurança de todos face à pandemia vivida atuamente.

Liturgia do 5º Domingo da Páscoa – Ano A

 

Na celebração deste Domingo continua a sentir-se a alegria pascal, recordando o Crucificado e o Ressuscitado que continua presente nas primeiras comunidades cristãs, onde vão aparecendo os primeiros conflitos e problemas. Talvez, na nossa caminhada de fé, não sabemos encontrar o equilíbrio necessário entre a liturgia (as celebrações) e o serviço aos pobres. A primeira leitura narra-nos a importância do diálogo na comunidade que faz desenvolver a acção pastoral da Igreja primitiva. Os cristãos gregos começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das viúvas. Convocada a assembleia, decidiram escolher sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para essa missão. São os primeiros diáconos da Igreja. Os Apóstolos continuariam a pregar a palavra de Deus. Como se resolveram os problemas? Com diálogo e colaboração. Hoje, continua a ser o modelo para a Igreja resolver os conflitos e desavenças.

“Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim”. Assim começa o evangelho deste Domingo. Jesus diz estas palavras aos discípulos que estavam incomodados com a oposição dos sumos-sacerdotes e dos fariseus. Estava próxima a paixão de Jesus; por isso, pede-lhes serenidade e calma, porque necessitarão dela. Esta tensão só se pode vencer com confiança em Deus, por Jesus Cristo, porque “em casa do Pai há muitas moradas”. Nunca deveremos perder esta confiança.

Mas Tomé e Filipe expressam a insegurança que reinava entre os Apóstolos. Eles seguiram Jesus, percorreram com Ele os caminhos da Galileia, conviveram com Ele, alegraram-se e sofreram com Ele no anúncio do Reino, depositaram Nele todas as suas esperanças e desejos…mas não o conhecem bem, não sabem bem quem Ele é. Não sabem que Ele é o “caminho, a verdade e a vida”. Só Jesus é o caminho que nos conduz à verdade plena que é o Pai, à vida plena, que é o Espírito Santo. Hoje, perante as nossas dificuldades em anunciar a Boa Nova da Salvação, é importante recordar as palavras de Jesus a Filipe: “Quem Me vê, vê o Pai. Eu estou no Pai e o Pai está em Mim”. Se mantivermos o nosso olhar fixo em Jesus, sentiremos a presença do Pai.

Foi na mesa da Última Ceia que os discípulos, ao tomar o pão e o vinho, foram convidados a experimentar a profunda comunhão com Jesus e, por isso, comunhão com o Pai. Fiéis às palavras de Jesus, “Fazei isto em memória de Mim”, repetimos tantas vezes este momento de comunhão com Jesus e o Pai. Por isso, nunca podemos esquecer estas palavras do evangelho de S. João, colocadas na boca de Jesus: “Não acreditais que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?… Acreditai-Me, acreditai ao menos pelas minhas obras”. Somos convidados a acreditar e a ver. Acreditar é comprometer-se com Ele, ver é amar como Ele. Na Eucaristia, como diz S. Pedro na segunda leitura, aproximamo-nos do Senhor, que é a pedra viva. Sintamos que somos membros da “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores” de Deus que nos chamou das trevas para a sua luz admirável. “Venha sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor”.

«Para onde Eu vou, conheceis o caminho»

 10-05-2020

«Eu sou o caminho, a verdade e a vida». O caminho é a humildade, que conduz à verdade. A humildade é o sofrimento; a verdade é o fruto do sofrimento. Poderás perguntar-me: como sabes que Ele fala de humildade, se apenas diz: «Eu sou o caminho»? Porém, Ele mesmo responde quando acrescenta: «Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29). Ele apresenta-Se, portanto, como exemplo de humildade e de mansidão. Se O imitares, não andarás nas trevas, mas terás a luz da vida (Jo 8,12). O que é a luz da vida senão a verdade? Ela ilumina todo o homem que vem a este mundo (Jo 1,9), mostrando-lhe o verdadeiro caminho.

Eu vejo o caminho: é a humildade; eu desejo o fruto: é a verdade. E se a estrada for demasiado difícil para que eu possa chegar onde desejo? Escutai a sua resposta: «Eu sou o caminho, quer dizer o viático que te sustentará ao longo desta estrada». Àqueles que se enganam e não conhecem o caminho, Ele exclama: «Sou eu que sou o caminho»; àqueles que duvidam e não acreditam: «Sou eu que sou a verdade»; aos que já estão em marcha mas se fatigam: «Eu sou a vida». Escutai ainda isto: «Eu te bendigo ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste isto – esta verdade secreta – aos sábios e aos inteligentes, quer dizer aos orgulhosos, e o revelaste aos pequeninos, quer dizer aos humildes» (Lc 10,21).

Escutai a verdade a falar àqueles que a procuram: «Vinde a Mim, vós que Me desejais, e sereis saciados com os meus frutos» (Ecl 24,19); e ainda «Vinde a Mim, vós todos que sofreis e tombais sob o peso do vosso fardo, que Eu vos aliviarei» ( Mt 11,28). Vinde, diz Ele. Mas para onde? A Mim, a verdade. Por onde? Pelo caminho da humildade. (São Bernard, 1091-1153, monge cisterciense, doutor da Igreja, Tratado sobre os graus de humildade).

 

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Ano A - Tempo Pascal - 5º Domingo da Páscoa II

 

Liturgia do 3º Domingo da Páscoa – Ano A

 

Os quatros evangelistas terminam os seus textos com um conjunto de narrações, habitualmente chamadas de “aparições”. O texto do evangelho deste Domingo é conhecido como a aparição de Jesus aos discípulos de Emaús, uma aldeia muito perto de Jerusalém, para onde se dirigiam estes dois discípulos que viveram a paixão e a morte de Jesus. Pedro, porém, diz: “Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte” (primeira leitura); “a nossa fé a nossa esperança estejam em Deus” (segunda leitura). Podemos fazer uma leitura catequética destes textos, tendo como base a própria celebração da Eucaristia.

Muitas vezes, a missa é vista como um acessório na vida do cristão. Tantas vezes, a assembleia reunida é mais espectadora do que participante. Há pessoas que vêm somente para cumprir o preceito. Porém, o texto do evangelho diz-nos que Jesus caminha connosco. Não é um acessório, não somos espectadores, caminhamos com Jesus pelo caminho da vida, feito de esperanças e de sofrimentos. É sugestiva a imagem do caminho. Toda a Igreja faz caminho com Jesus, apesar dos nossos olhos, devido ao cansaço e ao desânimo, não O reconhecerem. Mas caminhamos, porque só a sua presença e a sua companhia pode abrir-nos os olhos, reconhecendo-O na Eucaristia e nos pobres.

Na missa, as leituras bíblicas ocupam um lugar importante, apesar de algumas vezes não serem bem proclamadas e não se dar muita atenção quando são escutadas. Também podemos não estar preparados para conseguir captar o seu sentido. Há algumas pessoas que dizem que andamos a ler sempre o mesmo! Que podemos fazer para que a experiência dos discípulos de Emaús seja também a nossa? “Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?”. Este texto recorda-nos como, no tempo de Neemias, o povo escutava com lágrimas nos olhos os textos da Escritura (Ne 8,9). E nós, como escutamos esta Palavra de Deus?

26-04-2020

Na missa, nunca faltam as oferendas do pão e do vinho, através das quais fazemos memória das palavras e dos gestos de Jesus na Última Ceia, na vigília da sua paixão e morte. A fracção do pão é o nome mais antigo da missa. Este gesto ainda o mantemos um pouco antes da comunhão. O texto de Lucas deste domingo diz-nos claramente: “E quando se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhe os olhos e reconheceram-no. Mas Ele desapareceu da sua presença”. Não são palavras mágicas, mas as palavras que nos convidam a abrir os olhos da fé e a reconhecer a presença do Ressuscitado entre nós.

Há que viver a vida, fazendo a experiência dos discípulos de Emaús: encontrar Jesus, fazer o caminho da vida com Ele, escutar a sua palavra até arder no nosso coração, partilhar a mesa. “Eles partiram imediatamente de regresso a Jerusalém”, onde professaram a fé no Ressuscitado: “Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão”. Que Ele continue a dar-nos entusiasmo para a missão. Por isso, façamos, hoje, o pedido dos discípulos de Emaús: “Fica connosco, Senhor!”.

 

«Não vos esqueçais da hospitalidade» (Hb 13,1)

 

Dois dos discípulos caminhavam juntos. Eles não acreditavam, e, no entanto, falavam sobre o Senhor. De repente Este apareceu-lhes, mas sob uns traços que não lhes permitiam reconhecê-Lo. Convidam-no para partilhar da sua pousada, como é costume entre viajantes. Põem a mesa, apresentam os alimentos, e descobrem Deus, que não tinham ainda reconhecido na explicação das Escrituras, na fracção do pão. Não foi, portanto, ao escutarem os preceitos de Deus que foram iluminados, mas ao cumpri-los: «Não são os que ouvem a Lei que são justos diante de Deus, mas os que praticam a Lei é que serão justificados» (Rm 2,13). Se quisermos compreender o que ouvimos, apressemo-nos a pôr em prática o que conseguimos perceber. O Senhor não foi reconhecido enquanto falava; Ele dignou-Se manifestar-Se quando Lhe ofereceram de comer.

Ponhamos, pois, amor no exercício da hospitalidade, queridos irmãos; pratiquemos de coração a caridade. Diz Paulo sobre este assunto: «Que permaneça a caridade fraterna. Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos» (Hb 13,1; Gn 18,1ss). Também Pedro diz: «Exercei a hospitalidade uns para com os outros, sem queixas» (1Pd 4,9). E a própria Verdade nos declara: «Era peregrino e recolhestes-Me». «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,35.40). Apesar disto, somos tão preguiçosos diante da graça da hospitalidade! Avaliemos, irmãos, a grandeza desta virtude. Recebamos Cristo à nossa mesa, para que possamos ser recebidos no seu festim eterno. Demos agora a nossa hospitalidade a Cristo que no estrangeiro está, para que no dia do julgamento não sejamos como estrangeiros que Ele não sabe de onde vêm (Lc 13,25), mas sejamos irmãos que em seu Reino recebe. (São Gregório Magno, c. 540-604, papa, doutor da Igreja, Homilia 23)

 

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Ano A - Tempo Pascal - 3º Domingo da Páscoa II

Liturgia do II Domingo de Páscoa- Ano A

 

Oito dias depois do Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor, a primeira leitura, do livro dos Atos dos Apóstolos, apresenta-nos as características de uma comunidade cristã: “os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. Com os corações cheios de alegria em Cristo ressuscitado, procuremos estar sempre presentes na escuta do Evangelho e na fração do pão da Eucaristia, a dupla mesa da nossa festa.

O texto do evangelho de S. Mateus termina com esta promessa: “Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos”. E o texto evangélico deste domingo, de S. João, faz referência a esta promessa: “Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus e colocou-Se no meio deles”. A promessa de Jesus cumpre-se e leva a paz e a alegria àquela comunidade assustada pelas consequências que poderiam surgir para ela por causa da morte de Jesus. O texto do evangelho deste domingo será o mesmo da solenidade do Pentecostes, encerrando o Tempo da Páscoa. Por isso, agora, podemos refletir mais na segunda parte, que nos narra o encontro de Jesus com Tomé, um dos Doze. Naquele domingo, Tomé não estava com os seus companheiros. E eles disseram-lhe: “Vimos o Senhor”. Os discípulos queriam partilhar com Tomé a experiência que tiveram: Jesus está vivo, derramou sobre eles o Espírito Santo, confiou-lhes a missão de perdoar os pecados. Mas Tomé não acredita neles; só acreditará se vir os sinais que comprovem que este “Senhor” é o crucificado, ou seja, os sinais da morte na cruz: as mãos feridas e o lado aberto. Tomé é o discípulo que representa todos aqueles que, entre dúvidas e sofrimentos, avançam pouco a pouco na caminhada da fé. As dúvidas vêm de nós mesmos, porque não é fácil caminhar para a fé em Jesus Cristo; mas também podem vir de fora, porque a nossa sociedade, com ou sem razão, está a ficar cada vez mais indiferente ao mistério de Deus.

Jesus disse a Tomé: “Vê as minhas mãos, mete a tua mão no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente”. “Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto”. Nós fazemos parte deste grupo! Os textos evangélicos foram escritos para acreditarmos que “Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhamos a vida eterna”. Esta é a nossa fé, esta é a fé da Igreja. Por isso, como Tomé, hoje também dizemos do profundo dos nossos corações: “Meu Senhor e meu Deus!”.

«E Deus disse: “Faça-se a luz”» (Gn 1,3)

19-04-2020

«Este é o dia que o Senhor fez» (Sl 117,24). Lembrai-vos do estado em que se encontrava o mundo no princípio: «As trevas cobriam o abismo, e o Espírito de Deus movia-Se sobre a superfície das águas. Deus disse: “Faça-se a luz”. E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. Deus chamou dia à luz e às trevas noite» (Gn 1,2s), «Este é o dia que o Senhor fez». É o dia de que fala o apóstolo Paulo: «Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor» (Ef 5,8).

Tomé era um dos discípulos, um homem da multidão, por assim dizer. Os seus irmãos disseram-lhe: «Vimos o Senhor». E ele: «Se eu não tocar, se não meter o meu dedo no seu lado, não acreditarei». Os evangelistas trazem-te a novidade, e tu não acreditas? O mundo acreditou e um discípulo não acreditou? Ainda não tinha chegado esse dia que o Senhor fez; as trevas estavam ainda sobre o abismo, nas profundezas do coração humano, que estava mergulhado na noite. Que venha, pois, Esse que é o sinal do dia, que Ele venha e que diga com paciência, com doçura, sem cólera, Ele que cura: «Vem. Vem, toca aqui e acredita. Tu declaraste: “Se não tocar, se não meter o meu dedo, não acreditarei”. Pois vem e toca, mete o teu dedo e não sejas incrédulo, mas crente. Eu conhecia as tuas feridas, por isso guardei a minha cicatriz para que pudesses vê-la».

Aproximando a sua mão, o discípulo pôde completar a sua fé. Qual é, com efeito, a plenitude da fé? É acreditar que Cristo não é somente homem, não é somente Deus, mas é homem e Deus. Assim, o discípulo ao qual o Salvador deu a tocar os membros do seu corpo e as suas cicatrizes exclamou: «Meu Senhor e meu Deus!» Ele tocou o homem e reconheceu Deus. Tocou a carne e voltou-se para a Palavra, porque «a Palavra fez-Se carne e habitou entre nós» (Jo 1,14). A Palavra suportou que a sua carne fosse suspensa na cruz […]; a Palavra suportou que a sua carne fosse colocada no túmulo. A Palavra ressuscitou na sua carne, mostrou-a aos olhos dos seus discípulos, prestou-Se a ser tocada pelas suas mãos. Eles tocaram-na, e exclamaram: «Meu Senhor e meu Deus!» (Santo Agostinho, 354-430, bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja, Sermão 258).

 

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Ano A - Tempo Pascal - 2º Domingo da Páscoa II

Liturgia do Domingo de Páscoa – Ano A

 

Depois da longa travessia quaresmal… Depois da Semana Santa, nesta noite ressoou em todo o mundo cristão o anúncio da Páscoa, o canto da aleluia, a alegria por Cristo ressuscitado. “Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria”. É a maior festa dos cristãos.

Quando escutamos o texto do evangelho deste dia, ficamos com a sensação, à primeira vista, de que Pedro e João (aquele que Jesus amava tanto) corriam os dois juntos a ver quem chegava primeiro ao sepulcro, e a juventude de João faz com ele corra mais depressa do que Pedro. Mas o que nos causa confusão são as palavras finais deste texto: “Ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos”. O evangelista narra este momento com muita precisão: ainda não tinham entendido. Também hoje, jovens ou não, ainda não é fácil dizer com convicção: Jesus está vivo! O crucificado ressuscitou!

Os evangelistas fazem referência a dois motivos que nos levam à fé no ressuscitado: o túmulo vazio e as aparições. Mas não nos levam directamente à fé no ressuscitado. Sim, ajudam-nos, mas não nos conduzem até lá. Para lá chegar, temos de percorrer, sem pressas, um caminho interior até nos deixarmos seduzir pelas palavras e gestos de Jesus; daquele Jesus que, “ungido com a força do Espírito Santo, passou fazendo o bem e curando a todos”. É muito fácil recitar o Credo, mas só se pode professar a fé a partir do coração, cheio da vida nova do ressuscitado.

O texto do evangelho deste dia começa com a figura de Maria Madalena. De manhãzinha, ainda escuro…procura entre os mortos aquele que vive. Jesus apareceu em primeiro lugar a Maria Madalena, porque ela O tinha amado em vida, o tinha visto morrer na cruz, o procurou no sepulcro. Dando ela a notícia da ressurreição aos Apóstolos, inicia o anúncio desta boa nova até aos confins da terra.

A Eucaristia é o memorial da paixão, morte e ressurreição de Jesus. No pão partido e no sangue derramado, somos convidados a proclamar o mistério da fé, dizendo: Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição; vinde, Senhor Jesus. Hoje, alimentados pelo pão e pelo vinho da Eucaristia, também somos enviados a anunciar a alegria da presença de Cristo ressuscitado. Que seja esta a mensagem que queremos transmitir a todos aqueles a quem desejamos uma santa e feliz Páscoa.

12-04-2020

 

O dia do Senhor: dia da ressurreição e da nova criação

 

Jesus ressuscitou de entre os mortos «no primeiro dia da semana» (Mc 16,2). Enquanto «primeiro dia», o dia da Ressurreição de Cristo lembra a primeira criação. Enquanto «oitavo dia», a seguir ao sábado, significa a nova criação, inaugurada com a Ressurreição de Cristo. Este dia tornou-se para os cristãos o primeiro de todos os dias, a primeira de todas as festas, o dia do Senhor (dies dominica), o Domingo.

O Domingo distingue-se expressamente do sábado, ao qual sucede cronologicamente em cada semana, e cuja prescrição ritual substitui para os cristãos. O domingo realiza plenamente, na Páscoa de Cristo, a verdade espiritual do sábado judaico e anuncia o descanso eterno do homem, em Deus. (Catecismo da Igreja Católica, 2174-2175)

 

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Ano A - Tempo Pascal - Domingo de Páscoa II

Liturgia do Domingo de Ramos – Ano A

 

Com esta comemoração da entrada de Jesus em Jerusalém, iniciamos a Semana Santa, na qual somos convidados a viver os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Esta entrada do Messias na cidade de David não se deve considerar uma entrada triunfal, porque Jesus entra como uma pessoa humilde e pacífica. Se hoje trazemos os nossos ramos para aclamar um Cristo triunfante é porque estamos a pensar naquele que veio a este mundo e continua a vir em cada um de nós, em nome do Senhor, para edificar a razão mais profunda da nossa existência humana e cristã. A vida das pessoas é constituída de triunfos e de fracassos, de sorrisos e de lágrimas, de momentos esplendorosos e de momentos de escuridão. Viver a Semana Santa é uma boa ocasião para rever a nossa vida e vida das pessoas que nos rodeiam, com a firme esperança de que à dor da próxima sexta-feira seguir-se-á a alegria do Domingo da Ressurreição.

Este Domingo é marcado pela narração da paixão segundo S. Mateus, onde se encontram quatro aspectos que só aparecem neste evangelista: a morte de Judas; o gesto de Pilatos lavar as mãos; a perturbação da mulher de Pilatos por causa da inocência de Jesus e a presença de soldados a guardar o sepulcro de Jesus. Não deixa de ser curioso que Mateus inicie o seu evangelho com a figura do rei Herodes, dos sumos-sacerdotes e dos escribas a procurarem a morte de Jesus-menino; e o acabe apresentando Pilatos, os sumos-sacerdotes e os escribas a condenarem à morte Jesus-adulto; e que Jesus é sempre apresentado como o rei dos judeus. Quando S. Mateus narra a infância de Jesus, encontramos cinco momentos onde aparecem amigos e inimigos de Jesus. Os amigos são Maria, seu esposo José e os magos vindos do Oriente; e os inimigos são Herodes, os escribas e os fariseus. Ora, no relato da paixão repete-se o mesmo esquema: os amigos são José de Arimateia, Maria Madalena e algumas mulheres e alguns discípulos; e os inimigos são os sumos-sacerdotes e os soldados romanos. Na história da humanidade, a figura de Jesus sempre foi e é polémica, ou é seguido ou é perseguido, ou é admirado ou é marginalizado, por uns ou por outros.

Segundo S. Mateus, os discípulos de Jesus tinham proclamado que Ele era o Filho de Deus; por isso, a sua fuga e o terem abandonado o Mestre é ainda mais escandaloso, mas é a imagem da fragilidade humana. Pedro, que tinha sido salvo por Jesus quando se afundava no mar e que tinha confessado que Jesus era o Messias, negou-o por três vezes. No início do seu evangelho, para S. Mateus eram os magos, uns personagens gentios, que procuravam Jesus perante a hostilidade dos judeus; no relato da paixão, é uma mulher pagã, a esposa de Pilatos, a que mais defende Jesus.

O relato da paixão de Jesus é uma história de amores e de desamores, de fidelidades e infidelidades. A sua morte é a melhor expressão de um amor total, pleno, até ao fim da sua vida. É esta forma de amar que devemos imitar e viver.

 

Com a sua Paixão, Cristo pagou por nós as nossas dívidas

Como pode ainda um homem considerar o próprio sangue preço suficiente para a sua redenção, depois de Cristo ter derramado o seu sangue pela redenção de todos? Haverá alguém cujo sangue se possa comparar ao de Cristo, Ele que pelo seu sangue reconciliou o mundo com Deus? Que vítima melhor poderá haver? Que sacrifício poderá ser mais precioso? Que advogado poderá ser mais eficaz do que Aquele que Se tornou propiciação pelos pecados de todos os homens e deu a sua vida como redenção por todos nós?

O que se exige, portanto, não é a propiciação ou o resgate que pode oferecer cada um de nós, porque o preço de todos é o sangue de Cristo, pelo qual o Senhor Jesus nos remiu e reconciliou com o Pai; e levou com afã o seu labor até ao fim, tomando sobre Si a nossa própria fadiga. Por isso nos diz: «Vinde a Mim, todos vós que andais sobrecarregados e oprimidos, e Eu vos aliviarei» (Mt 11,28). Com efeito, nem o homem pode dar seja o que for em expiação pela sua redenção uma vez que ficou livre do pecado de uma vez por todas pelo sangue de Cristo, nem o homem é por isso mesmo dispensado do sofrimento que possa suportar na observância dos preceitos de vida eterna e em quaisquer esforços para não se desviar dos mandamentos do Senhor. Enquanto viver, será com o seu afã que a sua perseverança deverá contar para alcançar a vida eterna, sob pena de voltar à morte quem já estava salvo das garras da morte. (Santo Ambrósio, c. 340-397, bispo de Milão, doutor da Igreja, Comentário ao Salmo 48, 14-15).

 

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05-04-2020

Ano A - Tempo da Quaresma - Domingo de Ramos II

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