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Amianto está a causar alarmismo desnecessario

O professor
da Escola Nacional de Saúde Pública João Prista alertou, ontem,para a
existência de muita desinformação sobre os problemas provocados pelo amianto,
considerando que em muitos casos se está a criar um “alarmismo”
desnecessário. Uma das principais preocupações da Câmara de Celorico da Beira
tem sido a presença de amianto no edifício da Escola EB 2,3/S Sacadura Cabral,
tendo admitido mesmo, em Fevereiro, apresentar queixa em organismos europeus
caso o Governo não cumpra a legislação


João Prista, que é especialista em Medicina do Trabalho e docente na Escola
Nacional de Saúde Pública, porém, considera que existe algum alarmismo
desnecessário. “Há pessoas que com ligeireza atribuem males que não
existem, esquecem males que existem e, portanto, há um profundo desconhecimento
do que está em causa nas relações entre o amianto e a saúde”, afirmou o
especialista à agência Lusa à saída de um debate sobre amianto nas escolas,
promovido pelos vereadores da CDU na Câmara de Odivelas.
O docente que foi um dos oradores do debate, no qual participou também o
secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário
Nogueira, referiu que de forma “ligeira” tem-se atribuído ao amianto
doenças como o cancro da mama ou do estômago, quando “não existe qualquer
relação entre uma coisa e outra”. “Tenho ouvido absolutos horrores
que só lançam o alarme e preocupação. Temos de usar a cabeça e pensar em
medidas concretas”, defendeu.
João Prista explicou, na sua intervenção, que só existem evidências científicas
que o amianto, substância presente em estruturas de fibrocimento, só atacam o
organismo por via respiratória, e que na maior parte dos casos o nosso corpo
até tem defesas que conseguem suster essas ameaças. Como forma de tranquilizar
alguns pais, que estiveram presentes no debate, o especialista sublinhou que só
existe uma ameaça real se houver uma exposição significativa à substância e que
esta seja prolongada no tempo.
Referiu ainda que na impossibilidade de se substituírem as estruturas que
contém amianto deve existir um cuidado com o seu estado de manutenção, uma vez
que “se estiverem em perfeitas condições não há problema”.
O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, disse que “mais do que saber
se o amianto mata ou não é necessário cumprir as leis que obrigam à sua
remoção”. “Só pedimos que as entidades cumpram o que está estipulado
na lei. Cumpram a lei, informem as pessoas e façam uma calendarização. Ninguém
exige que a remoção do amianto seja feita toda ao mesmo tempo”, afirmou.
O sindicalista referiu ainda que a Fenprof vai continuar a lutar pela resolução
deste problema e a exigir a lista das escolas que têm amianto e aquelas que já
foram ou estão a sofrer intervenções.
A presença de amianto em edifícios públicos, como escolas ou hospitais, tem
sido abordado pelos partidos da oposição na Assembleia da República e pelas
associações ambientalistas, que têm insistido na necessidade de elaborar a
lista dos imóveis do Estado com esta substância, uma tarefa que tinha um prazo
definido e que terminou a 14 de Fevereiro de 2012.

Fonte: www.noticiasaominuto.com

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