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Avisos e liturgia do 1ºdomingo do Advento- Fornos e Aguiar da Beira

Dupla Perspectiva do Advento
O TEMPO DO ADVENTO é o tempo da devota e gozosa EXPECTATIVA sobre a vinda do Senhor. Está estruturado liturgicamente numa dupla perspectiva:

  1. É TEMPO DE PREPARAÇÃO para a SOLENIDADE DO NATAL, que comemora “a vinda do Filho de Deus” à Humanidade, pela Incarnação;
  2. É tempo no qual, mediante a evocação do nascimento histórico, se concentra o espírito dos crentes na expectativa da “SEGUNDA VINDA DE CRISTO” no fim dos tempos.
Ano B - Advento - 1º Domingo - Boletim Dominical

As duas perspectivas entrecruzam-se nos textos litúrgicos do Advento, porque a “primeira vinda” pela Encarnação é o fundamento da “última vinda”; e esta, a consumação escatológica da primeira.

Entre o ACONTECIMENTO HISTÓRICO de Cristo e a PARUSIA há um ritmo incessante de ADVENTO de Cristo, sempre presente na Igreja e no Mundo, porque há muitas zonas da pessoa onde Cristo está “ausente”, até que nos identifiquemos, existencialmente, com Ele; porque há muitos homens que ainda não ouviram a Sua mensagem; porque há muitas zonas no mundo e na História que ainda não foram atingidas pela graça da reconciliação!

A Liturgia do ADVENTO CRISTÃO situa-se no “já” da Encarnação e no “ainda não” da Sua vinda em plenitude.

Entre a Encarnação de Cristo e a Sua última vinda
Para melhor entender esta dupla perspectiva do Advento, devemos ater-nos a alguns aspectos gerais do Ano Litúrgico:

  1. As celebrações do Ano Litúrgico são o desenvolvimento da História da Salvação atualizada sacramentalmente no tempo e no espaço, com todos os seus acontecimentos salvíficos, para que essa História aconteça existencialmente nas comunidades eclesiais, em cada geração e em cada pessoa.
  2. Há nos Mistérios da Redenção uma dimensão histórica, enquanto acontecimento cronologicamente verificado no passado. Como tais, esses mistérios, são “um passado histórico irreversível”. A celebração deles é uma “comemoração-aniversário”. Mas há também a dimensão salvífica, enquanto iniciativa salvadora de Deus; manifestação da força viva de Deus perenemente presente e actuante. A celebração litúrgica é a “reactualização” dessa dimensão salvífica, que se reproduz existencialmente como acontecimento salvífico.
  3. Ano B - Advento - 1º Domingo - Boletim Dominical

O Natal é o “mistério-sacramento” do nascimento do Senhor, que renova e actualiza o Mistério do Filho de Deus feito homem. O “HOJE”, repetido nos textos litúrgicos do Natal, é o “HOJE DIVINO”, ou a presença perene de Deus, em Quem não há passado nem futuro, no “HOJE DOS HOMENS” sempre provisório e passageiro! Pela celebração cultual, o “HOJE” de cada geração é contemporâneo do que já aconteceu e do que há-de vir. COMEMORAR os Mistérios da Redenção não é distanciar-se do que aconteceu, mas abolir as distâncias.
Há uma unidade interna nos ciclos do Ano Litúrgico. Ela procede da unidade do Mistério de Cristo, presente em todas as celebrações. A Liturgia celebra sempre todo o mistério de Cristo, mas na PERSPECTIVA PASCAL. Por isso, a Liturgia do Advento e a do Natal estão transfiguradas pelos símbolos pascais:

  1. A Encarnação é perspectivada pelo processo da “humilhação-despojamento”, que culmina na morte de Cristo.
  2. O Natal é como que celebração antecipada e pressuposto da maravilhosa Primavera da salvação: a festa da Páscoa.
  3. A verdadeira festa do “Sol da Justiça”, que se celebra no Natal, brilha na Ressurreição.
  4. O movimento da regeneração da Humanidade começa no Natal mas culmina na Páscoa! Haja em vista toda a simbologia pascal da luz, presente no Natal!

A liturgia do primeiro Domingo do Advento convida-nos a equacionar a nossa caminhada pela história à luz da certeza de que “o Senhor vem”.
Apresenta também aos crentes indicações concretas acerca da forma devem viver esse tempo de espera.
A primeira leitura é um apelo dramático a Jahwéh, o Deus que é “pai” e “redentor”, no sentido de vir mais uma vez ao encontro de Israel para o libertar do pecado e para recriar um Povo de coração novo. O profeta não tem dúvidas: a essência de Deus é amor
e misericórdia; essas “qualidades” de Deus são a garantia da sua intervenção salvadora em cada passo da caminhada histórica do Povo de Deus. A segunda leitura mostra como Deus Se faz presente na história e na vida de uma comunidade crente, através dos dons e
carismas que gratuitamente derrama sobre o seu Povo. Sugere também aos crentes que se mantenham atentos e vigilantes, a fim de acolherem os dons de Deus.
Antes de mais, o Evangelho deste domingo coloca-nos diante de uma certeza fundamental: “o Senhor vem”. A nossa caminhada humana não é um avançar sem sentido ao encontro do nada, mas uma caminhada feita na alegria ao encontro do Senhor
que vem. Não se trata de uma vaga esperança, mas de uma certeza baseada na palavra infalível de Jesus. O tempo de Advento recorda-nos a realidade de um Senhor que vem ao encontro dos homens e que, no final da nossa caminhada por esta terra, nos oferecerá
a vida definitiva, a felicidade sem fim. O tempo do Advento é, também, o tempo da espera do Senhor. O Evangelho deste Domingo diz-nos como deve ser essa espera… A palavra mágica é “vigilância”: o verdadeiro discípulo deve estar sempre “vigilante”,
cumprindo com coragem e determinação a missão que Deus lhe confiou. Estar “vigilante” não significa, contudo, preocupar-se em ter sempre a “alminha” limpa para que a morte não o apanhe com pecados por perdoar; mas significa viver sempre activo,
empenhado, comprometido na construção de um mundo de vida, de amor e de paz.
Significa cumprir, com coerência e sem meias tintas, os compromissos assumidos no dia do baptismo e ser um sinal vivo do amor e da bondade de Deus no mundo. É dessa forma que eu tenho procurado viver? Em concreto, estar “vigilante” significa não viver
de braços cruzados, fechado num mundo de alienação e de egoísmo, deixando que sejam os outros a tomar as decisões e a escolher os valores que devem governar a humanidade; significa não me demitir das minhas responsabilidades e da missão que Deus me confiou quando me chamou à existência… Estar “vigilante” é ser uma voz
activa e questionante no meio dos homens, levando-os a confrontarem-se com os valores do Evangelho; é lutar de forma decidida e corajosa contra a mentira, o egoísmo, a injustiça, tudo aquilo que rouba a vida e a felicidade a qualquer irmão que caminhe ao meu lado… O nosso Evangelho recomenda especialmente a “vigilância” aos “porteiros” da comunidade – isto é, a todos aqueles a quem é confiado o serviço de proteger a comunidade de invasões estranhas.

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