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Liturgia–6ºdomingo do tempo comum

No domingo passado, São Marcos, no texto do evangelho, dizia-nos que Jesus curava os doentes e os possessos, ao cair da tarde, depois do sol-posto, em Cafarnaum. Hoje, encontra-se com um outro doente que é desprezado pelas pessoas: um leproso, que tinha de viver sozinho e afastado de todos, porque a lepra era uma doença contagiosa e era considerada uma consequência do pecado. Por isso, o leproso não podia estar no meio do povo de Israel, considerado o povo puro. Assim, cumpria as normas que são proclamadas na primeira leitura.
O leproso é o modelo de uma pessoa que necessita de salvação, que necessita de Deus, mas também é, ao mesmo tempo, o modelo de alguém que acredita com confiança. Surpreende o atrevimento deste homem, talvez fruto do seu desespero e da sua fé. Esquecendo-se de todas as normas, aproximou-se de Jesus. E os discípulos? De certeza que ficaram aflitos e que tudo fizeram para retirar este homem da presença de Jesus. As suas primeiras palavras, dirigidas a Jesus, foram: “Se quiseres, podes curar-me”. Uma oração muito simples e confiante, de uma grande beleza interior espiritual pronunciada por uma pessoa exteriormente deformada pela lepra. Que lição para todos nós, que tantas vezes só damos importância às pessoas por causa do seu aspeto exterior!
Jesus é o modelo supremo de obediência a Deus, mas é também o modelo supremo de liberdade. Ele é o Deus-Connosco, o Emanuel. Se o leproso, levado pela fé, quebrou a norma de proibição de se aproximar dos que estavam de boa saúde, Jesus, por amor, quebrou outra: o de tocar num doente, mais ainda, num leproso. Jesus e o leproso quebraram a lei divina gravada em tábuas de pedra para fazer aparecer a nova lei gravada no coração: o amor divino libertador.
À excomunhão dada pelas pessoas ao leproso, Jesus opõe-se com a comunhão; à rejeição das pessoas, Jesus responde com a proximidade de Deus. Todo aquele que é vítima do mal irá ser salvo, ser livre e não condenado. Jesus é um “Deus-Connosco”, que purifica a humanidade. Respondeu ao pedido do leproso da seguinte forma: “Quero: fica limpo”. Jesus liberta-nos de todos os males e deixa bem clara esta mensagem: Deus não condena ninguém, mas cura-nos das nossas lepras; não quer submissão ou dependência; por isso, se afirma no texto do evangelho: “no mesmo instante o deixou a lepra e ficou limpo”. O leproso curado converte-se num mensageiro do Evangelho: “começou a apregoar e a divulgara o que acontecera”. Aquele que era desprezado pela sua comunidade social e religiosa é agora um mensageiro da alegria do Evangelho.
Por causa da cura deste leproso, há uma mudança significativa: agora, o leproso pode regressar à sua família e relacionar-se com todos; todavia, Jesus deixou de poder entrar abertamente na cidade e andava pelos lugares desertos. Como esta realidade orienta imediatamente o nosso pensamento para o Calvário. Jesus foi crucificado fora de Jerusalém. Será humilhado e desprezado, será cravado na cruz entre dois ladrões. Fazendo-se excluído com os excluídos destruirá a máxima exclusão que é a morte. Por Ele, com Ele e Nele, a história da humanidade muda de rumo: através da Páscoa, da vitória da vida sobre a morte, Jesus cura toda a humanidade.
Na segunda leitura, S. Paulo afirma: “fazei tudo para glória de Deus”. Este é o lema da nossa vida. A “glória de Deus” é Jesus. A glória do cristão, a glória da Igreja, é imitar Jesus. Cumprir a vontade de Deus é acolher e não desprezar as pessoas, para que possam ser mensageiras da alegria e da liberdade de Jesus.
Perante as nossas lepras, ou seja, as nossas fraquezas, os nossos pecados, tenhamos a coragem de nos aproximar de Jesus. Digamos a Jesus: Cura-me, limpa-me. Deixemos que o Senhor nos estenda a mão, sintamos o toque de Jesus. Ele também nos responderá: “Quero: fica limpo”. Perdoados, purificados, renovados, sejamos mensageiros da alegria do Evangelho de Nosso Senhor.

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