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Avisos e Liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum – Ano A

 

Quando a nossa fé é forte e capaz de iluminar a vida, sentimos que estamos muito perto de Jesus, mas nos momentos em que a fé vacila parece que Ele se afastou de nós. Porém, a realidade não é esta. Jesus está sempre connosco, especialmente nos momentos mais difíceis. Esta é a experiência de vida do profeta Elias e do apóstolo Pedro e de todos os que acreditam em Deus.

Da fé brota a confiança no amor de Deus. Perder a fé faz surgir no coração as inseguranças de uma vida sem transcendência, de um mundo ameaçador e de um futuro incerto. Na primeira leitura, Elias foi para o monte de Deus, o Horeb, porque estava em crise. Precisava de regressar ao lugar da aliança para redescobrir a sua identidade e a sua missão. A rainha Jezabel tinha ameaçado de morte o profeta Elias e Deus não lhe respondia. De certeza, terá pensado: “que Deus é este que não protege os seus profetas nem os defende nos momentos difíceis?”. Ao chegar ao monte de Deus, passou a noite numa gruta, cheio de medo. No evangelho, Pedro e os outros discípulos faziam a travessia do mar. Estavam longe da terra e o barco começou a ser açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Viram Jesus ter com eles, caminhando sobre o mar e assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. Têm tanto medo que começam a gritar. Esta narração expressa a realidade da comunidade cristã que, neste mundo, é açoitada pelos ventos da secularização e afectada pela incredulidade interna que nos impede de reconhecer Jesus que vem ao seu encontro.

09-08-2020

Quando surgem os sofrimentos, Jesus vem sempre ao nosso encontro, mostra-nos a sua misericórdia e dá-nos a sua salvação. Caminhando sobre o mar, símbolo do mal e da morte, recorda-nos que os nossos maiores inimigos foram vencidos por Ele com a ressurreição. A sua palavra destrói os nossos medos: “Tende confiança. Sou Eu. Não temais”. Todavia, Jesus também quer que sejamos lutadores nesta batalha contra o medo e, por isso, somos postos à prova de duas maneiras: 1) Como a Elias, pede-nos para sair da gruta das nossas desconfianças. O medo faz-nos viver isolados e escondidos, fazendo-nos esquecer que a felicidade encontra-se fora, na vida com os outros. A falta de fé encerra-nos no individualismo, nos prazeres da vida, na desorientação. Jesus provoca-nos, dizendo: “Sai daí”; 2) Como a Pedro, pede-nos para ir ter com Ele sobre as águas, deixando a frágil segurança da barca. Como seus discípulos, somos chamados a ir ter com Jesus por caminhos inseguros e movediços da vida. Temos de assumir que a nossa fé é escassa e frágil de tal forma que qualquer vento pode causar o nosso afogamento, mas temos de ter a absoluta certeza da mão sempre estendida de Jesus que nos segura. Quando saímos da nossa gruta e caminhamos para Jesus, conscientes das nossas fraquezas e da sua fidelidade, os nossos medos dissipam-se e brota a confiança.

Elias encontrou Deus fora da gruta. Não O encontrou em realidades espantosas (rajada de vento, terramoto, fogo), mas numa ligeira brisa. “Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta”, ou seja, aproximou-se do mistério de Deus. Deus revela-se quando fala e quando se cala. Agora compreende que Deus não usa a força contra os inimigos e que o seu caminho como profeta é o da fecundidade do sofrimento. Pela mão de Deus, regressa à sua missão. Pedro, pela sua fé frágil, experimenta como Jesus o salva do mar onde se afundava e regressa à barca com Ele. Cultivemos um olhar contemplativo da vida que nos ajude a descobrir a presença de Jesus que caminha ao nosso lado.

 

«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus»

 Quando tivermos suportado as longas horas da noite escura que domina os momentos de prova, quando tivermos feito o melhor que sabemos, tenhamos a certeza de que, para o fim da noite, quando «a noite vai adiantada, e o dia está próximo» (Rm 13, 12), o Filho de Deus virá até junto de nós, caminhando sobre as ondas. Quando O virmos aparecer assim, ficaremos perturbados, até compreendermos claramente que é o Salvador que vem ao nosso encontro. Pensando ainda que vemos um fantasma, gritaremos de medo, mas Ele vai nos dizer imediatamente: «Tende confiança, sou Eu, não temais.»

Talvez essas palavras de conforto façam surgir em nós um Pedro a caminho da perfeição, que desça da barca, seguro de ter escapado à prova que o abalava. Inicialmente, o seu desejo de se aproximar de Jesus lhe permitirá andar sobre as águas. Mas, tendo ele uma fé ainda pouco segura, estando ainda cheio de dúvidas, se aperceberá da «força do vento», terá medo e começará a afundar-se. Escapará, porém, a tal infortúnio, apelando para Jesus com um forte brado: «Senhor, salva-me!» E, mal este Pedro acabe de dizer «Senhor, Salva-me!», já o Verbo terá estendido a mão para o socorrer, agarrando-o quando ele começava a afundar-se, censurando-lhe a falta de fé e as dúvidas. Notemos, porém, que Ele não diz: «Incrédulo!», mas antes: «Homem de pouca fé!», e acrescenta: «Porque duvidaste?», ou seja: «Tinhas alguma fé, mas deixaste-te levar na direcção contrária.» E Jesus e Pedro voltarão a entrar para a barca, o vento se acalmará e os outros discípulos, compreendendo os perigos a que escaparam, adorarão a Jesus dizendo: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus» – palavras que só os discípulos próximos de Jesus, os que se encontravam na barca, podiam proferir. (Orígenes, c. 185-253, presbítero, teólogo, Comentário ao Evangelho de Mateus, 11, 6)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano A - Tempo Comum - 19º Domingo - Boletim Dominical II

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