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Avisos e Liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum- Ano A

 

Neste Domingo, somos convidados a contemplar o texto do Evangelho em que Jesus profere aquela célebre frase, conhecida de todas as pessoas: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Com estas palavras, Jesus faz a divisão entre o que é mundano e o que é divino. Não menospreza César, mas ensina-nos a sermos fiéis a Deus, sem deixarmos de cumprir os nossos direitos e deveres de cidadãos. Já é sabido que Deus “escreve direito por linhas tortas” e que actua em cada momento da história. A primeira leitura narra como Ciro, rei da Pérsia, dá a liberdade aos povos a ele subjugados, entre eles Israel que sente como o seu exílio chegou ao fim e, assim, poderá voltar à sua pátria, à terra prometida. Sem o saber e sem disso ter consciência, Ciro é instrumento de Deus; por ele, Deus actua, libertando o povo de Israel. “Tomei Ciro pela mão direita para subjugar diante dele as nações”. Hoje, Deus continua a usar a mesma táctica: temos de estar atentos às diversas vezes em que Deus se torna presente através das pessoas e dos acontecimentos. Somos convidados a estarmos atentos aos sinais dos tempos, aos sinais de Deus no dia-a-dia da nossa vida. Deus actua sempre através da história.

Perante a crítica dos fariseus que queriam “encostar às cordas” Jesus e os seus discípulos, Ele faz a distinção entre o que é de Deus e o que é mundano. Não é posta em causa a nossa relação com o mundo, mas é necessário estarmos atentos para, como cristãos, defendermos a nossa fé, defendermos os planos de Deus. Jesus e os seus discípulos não deixaram de pagar o tributo, como nos relata S. Mateus quando faz referência a Pedro tirar umas moedas da boca de um peixe para pagar o dízimo. Jesus deixa bem claro que em vez de servir “as coisas do Senhor”, é preciso servir o Senhor “das coisas”. Não devemos pretender ficar bem sempre perante os homens, concordando com tudo, nunca corrigindo, cultivando uma falsa imagem de simpatia e de “porreirismo” e lutando por uma boa opinião pública a nosso respeito, pondo assim em contradição a nossa fé. A quem devemos agradar é a Deus, que é o nosso Pai, Criador e Redentor. É evidente que não é fácil o equilíbrio, mas o que nos é pedido neste domingo é, sendo cidadãos exemplares e fiéis aos direitos e deveres civis, não colocar de lado a nossa identidade de cristãos e agir conscientemente como tal. Agir como cristãos não supõe carreirismos, “porreirismos”, simpatias falsas e lutar socialmente para que todos digam bem de nós. Um verdadeiro cristão não luta por estas coisas do mundo, de “César”, mas por uma comunidade de fé, esperança e de caridade, de “Deus”.

18-10-2020

Na segunda leitura, S. Paulo felicita os cristãos de Tessalónica porque são uma comunidade aberta e feliz, de esperança e de amor. “Recordamos a actividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança”. Será que se pode dizer isto de todas as nossas comunidades cristãs, sobretudo paroquiais? Será que temos vontade de crescer na fé? Será que temos fé no Senhor que nos convida a amá-Lo de todo o coração, amando também o próximo? Perante os desafios deste mundo, será que somos uma comunidade que vive com a esperança de que se pode fazer um mundo mais justo e fraterno, ou sucumbimos logo nas primeiras provações e embates? Confiamos em Deus? Amamos de coração tudo e todos os que nos rodeiam? Somos comunidades repletas deste amor de Deus? Se assim é, dêmos graças a Deus e que a Eucaristia deste domingo nos recorde que é o Senhor das coisas a quem devemos servir e ao às coisas do Senhor.

 

Ser realmente uma imagem de Deus

 

«Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». É preciso dar a cada um o que lhe pertence. Eis uma palavra verdadeiramente cheia de sabedoria e de ciência celestial. Porque nos ensina que há duas espécies de poder: um humano e terreno, outro divino e celeste. Ensina-nos que devemos estar sujeitos a uma dupla obediência: às leis dos homens e às leis divinas. Temos de pagar a César a moeda que tem a efígie e a inscrição de César, e a Deus o que recebeu o sinete da imagem e semelhança divinas: «Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da tua face!» A luz da tua face deixou em nós a tua marca, Senhor (Sl 4,7).

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus (cf Gn 1,26). Tu és homem, ó cristão. És, portanto, moeda do tesouro divino, uma moeda que tem a efígie e a inscrição do Imperador divino. Assim, pergunto com Cristo: «De quem é esta imagem e esta inscrição?» Tu respondes: «De Deus». E eu digo-te: «Então porque não dás a Deus o que é de Deus?»

Se queremos realmente ser imagem de Deus, devemos assemelhar-nos a Cristo, pois Ele é a imagem da bondade de Deus e «imagem fiel da sua substância» (Heb 1,3). E Deus, «àqueles que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do seu Filho» (Rom 8,29). Cristo deu verdadeiramente a César o que era de César e a Deus o que era de Deus. Ele observou da maneira mais perfeita os preceitos contidos nas duas tábuas da lei divina, «tornando-Se obediente até à morte e morte de cruz» (Fil 2,8), e por isso foi elevado ao mais alto grau de todas as virtudes visíveis e invisíveis. (São Lourenço de Brindes, 1559-1619, capuchinho, doutor da Igreja, Sermão para o 22º Domingo depois de Pentecostes)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano A - Tempo Comum - 29º Domingo - Boletim Dominical II

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