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Liturgia do Baptismo do Senhor- Ano B

 

Com a Festa do Baptismo do Senhor encerramos o Tempo do Natal, com o qual contemplámos o mistério da Encarnação do Filho de Deus e iniciamos o Tempo Comum até quarta-feira de Cinzas com o início da Quaresma. A passagem entre estes dois tempos litúrgicos acontece neste Domingo. Se na solenidade da Epifania do Senhor celebrávamos a manifestação de Deus a todos os povos da terra, com a festa do Baptismo do Senhor continuamos a celebrar esta manifestação como mistério da revelação de Deus que em Cristo ilumina e enche de sentido a nossa vida.

O evangelho deste Domingo narra-nos o início da pregação de João Batista que é um grande anúncio para todos. Depois da sua pregação virá o Messias que nos baptizará no Espírito Santo. A palavra “cristão” significa consagrado no mesmo Espírito no qual Jesus foi consagrado. O baptismo de João era um acto de contrição para receber o perdão dos pecados, mudar a vida e assim estar preparados para a vinda do Salvador para libertar Israel. O anúncio de que o Messias baptizaria no Espírito Santo revela que a sua acção salvífica e redentora irá mais além do perdão dos pecados, ou seja, fará surgir uma vida nova tal como profetizou Isaías na primeira leitura.

Depois do anúncio de João Batista, o evangelista Marcos, de uma maneira muito sóbria, introduz Jesus e o seu baptismo. Diz-nos que “naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no rio Jordão”. No rio Jordão, Jesus manifesta-se com uma extraordinária humildade, que recorda a pobreza e a simplicidade daquele menino na manjedoura de Belém. Antecipa já os sentimentos que, no final dos seus dias neste mundo, lavará os pés dos seus discípulos e assumirá a humilhação terrível da morte na cruz. O Filho de Deus, Aquele que não tem pecado, encontra-se entre os pecadores e revela a proximidade de Deus no caminho da conversão de cada homem e de cada mulher. Jesus carrega sobre os seus ombros o peso da culpa de toda a humanidade e assim inicia a sua missão, a sua vida pública. Por isso a festa do Baptismo do Senhor leva à sua plenitude o tempo do Natal.

Com a mesma sobriedade, o evangelista Marcos continua a narrar o baptismo do Senhor, dizendo que “ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele”. Nesta imagem, os Padres da Igreja reconheceram um dos momentos constitutivos do sacramento do baptismo. Afirmavam o seguinte: se João baptizava com água para purificar os pecados, o baptismo do Senhor tinha purificado a água para pudéssemos entrar na vida nova da sua ressurreição. Assim, a água passa a ser sinal de salvação real para todos. O baptismo no rio Jordão converte-se numa promessa pascal: o homem novo, Jesus, promete a todos os homens e mulheres, prisioneiros do homem velho por causa do pecado, estar com eles numa missão necessária e dolorosa para todos: a morte do homem velho.

Mas se ainda houvesse dúvidas, o evangelista Marcos termina esta narração com uma manifestação de Deus. Devemos recordar que o evangelho de Marcos inicia sem nenhuma referência ao nascimento de Jesus. O texto evangélico deste domingo contém quase os primeiros versículos do evangelho. O evangelista coloca uma frase pronunciada por Deus que é de grande importância e que não se repetirá até ao momento da Transfiguração no monte Tabor. O itinerário pedagógico da liturgia leva-nos a conhecer as reacções que Jesus tinha suscitado nos pastores, no rei Herodes, nos Magos do Oriente, em Simeão e Ana. Pouco a pouco, estes sentimentos levam-nos a reconhecer que aquele menino é o Messias que o povo esperava. Mas se ainda houver dúvidas, hoje ressoa a voz de Deus que nos confirma que aquele homem entre o povo e baptizado nas águas do rio Jordão é o seu Filho muito amado. Depois de contemplar o seu nascimento neste tempo de Natal, saibamos acolher Jesus na sua vida pública para sentir e experimentar a realidade do seu Reino.

Elo de comunhão

LEITURA ESPIRITUAL

Junto do Jordão, Jesus manifesta-se com uma extraordinária humildade, que recorda a pobreza e a simplicidade do Menino colocado na manjedoura, e antecipa os sentimentos com os quais, no final dos seus dias terrenos, chegará a lavar os pés dos discípulos e sofrerá a humilhação terrível da cruz. O Filho de Deus, Aquele que é sem pecado, coloca-se entre os pecadores, mostra a proximidade de Deus ao caminho de conversão do homem. Jesus carrega sobre os seus ombros o peso da culpa da humanidade inteira, inicia a sua missão pondo-se no nosso lugar, no lugar dos pecadores, na perspectiva da cruz.

Recolhido em oração, depois do baptismo, enquanto sai da água, abrem-se os céus. É o momento esperado por multidões de profetas. “Se rasgásseis os céus e descêsseis!”, tinha invocado Isaías (64, 1). Neste momento, parecia sugerir São Lucas, este pedido é satisfeito. De facto, “o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu” (3, 21-22); ouviram-se palavras nunca antes pronunciadas: “Tu és o Meu Filho muito amado; em Ti pus todo o Meu enlevo” (v. 22). Jesus, saindo das águas, como afirma São Gregório de Nazianzo, “vê o céu abrir-se e separar-se, aquele céu que Adão tinha fechado para si e para toda a sua descendência” (Discurso 39 para o Baptismo do Senhor, p. 36). O Pai, o Filho e o Espírito Santo descem entre os homens e revelam-nos o seu amor que salva. Se são os anjos que levam aos pastores o anúncio do nascimento do Salvador, e as estrelas aos Magos vindos do Oriente, agora é a própria voz do Pai que indica aos homens a presença no mundo do seu Filho e que convida a olhar para a ressurreição, para a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte. (Bento XVI, Homilia de 10 de Janeiro de 2010)

 

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Ano B - Tempo do Natal - Baptismo do Senhor - Boletim Dominical II sem avisos

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