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Artigo de opinião–A Terapia da Fala na Reabilitação do AVC

artigo opiniao terapia da falaO AVC é uma das principais causas de morte em Portugal, acarretando consequências devastadoras na própria pessoa e nos familiares. No geral, a pessoa apresenta sequelas devido à lesão cerebral, que vão variar de acordo com a zona do cérebro afetada, gravidade da lesão e da própria saúde no momento em que ocorre o AVC. O estilo de vida sedentário, bem como a hipertensão arterial são fatores de risco para a ocorrência de um AVC.

Leia o restante artigo na nossa edição em papel de 30 de abril

Artigo de opinião- Terapia da Fala na 3ª Idade

tp 3ªO Terapeuta da Fala pode intervir na população mais idosa?

O envelhecimento não tem uma data de início estabelecida. Sem nos apercebermos os cabelos ficam esbranquiçados, a pele enrugada e o tempo parece que voa. Com o envelhecimento surgem as dificuldades em funções e atividades que antes nos pareciam tão simples, como é o caso do falar, do comer ou do escrever. É aqui, que começamos a ter consciência que nem sempre as coisas mais simples estão garantidas. Com todas as alterações na vida da pessoa, muitas das vezes surge a ideia de incapacidade porque se perdeu o seu lugar na sociedade, o que pode desencadear frustrações, alterações emocionais e isolamento (porque reduzem drasticamente as interações).

À medida que as pessoas envelhecem, ficam mais propícias a desenvolver patologias que têm repercussões negativas na comunicação e na deglutição, como é o caso do AVC, Parkinson, Alzheimer, entre outros. A capacidade de articular com precisão as palavras, compreender e expressar mensagens verbais pode também estar alterada nestas patologias.

Se quisesse dizer obrigada ao seu filho ou parabéns ao seu neto e as palavras não saíssem? Como se sentia? O que ponderava fazer? E se não conseguisse comer porque se engasgava com frequência ou porque não conseguia engolir? Como ficava? Onde ia procurar ajuda? Qualquer pessoa pode vir a ter problemas ao nível da comunicação e/ou da deglutição ao longo do processo de envelhecimento, quer este seja fisiológico (natural) ou patológico.

As alterações na comunicação são das mudanças mais evidentes e que por vezes advêm da presbiacúsia (envelhecimento do aparelho auditivo) porque a pessoa não compreende o que lhe é dito. Estas condições influenciam negativamente a pessoa, levando-a à solidão e à deterioração da imagem a nível social. Deste modo, podemos concluir que as alterações comunicativas podem também advir de condições patológicas.

As alterações na voz e na fala dizem muito sobre a nossa saúde. A presbifonia (envelhecimento da voz) pode surgir em qualquer momento e depende da saúde física/psicológica da pessoa, da alimentação, estilo de vida ou mesmo fatores ambientais. Assim, é necessário estar atento aos sinais porque podem ser indicativos de problemas neurológicos, funcionais ou orgânicos que não podemos ignorar.

As dificuldades na alimentação (disfagia), nomeadamente em engolir os alimentos de forma segura, são muito comuns e podem ter como causa os problemas neurológicos (AVC, TCE, Parkinson, Alzheimer, Paralisia Cerebral…). As dificuldades podem evidenciar-se na mastigação, manipulação do alimento ou mesmo no transporte deste. Este tipo de perturbação pode implicar consequências assoladoras na qualidade de vida da pessoa, desde desidratação, subnutrição, depressão, asfixia, até, eventualmente, a morte.

A intervenção direta do Terapeuta da Fala abrange o envelhecimento fisiológico mas também o patológico, onde, de forma geral, se promove sempre a autonomia, qualidade de vida e realização pessoal. É também efetuada uma intervenção indireta, onde os cuidadores fazem parte de todo o processo de reabilitação, já que a comunicação com estes são requisitos fundamentais para manter a qualidade de vida.

A formação do Terapeuta da Fala qualifica-o para dar resposta às necessidades da pessoa idosa considerando os fatores biopsicossociais, aconselhando-a e reabilitando algumas das funções. Deste modo, o tratamento adequado e o envolvimento dos cuidadores permite atuar não só no foco da patologia mas também no contexto da pessoa, tentando ultrapassar as barreiras e superando as suas dificuldades.

Em caso de dúvidas, consulte um Terapeuta da Fala.

Por:Ana Carolina Melo Marques – Terapeuta da Fala na APSCDFA

 

Artigo de opinião–CUIDAR DE QUEM CUIDA

hp_20110209_PorqueEprecisoCuidarDeQuemCuidaNuma sociedade cada vez mais envelhecida, onde impera um aumento significativo das necessidades em saúde dos idosos, devido a doenças crónicas e incapacitantes, emerge como foco de atenção o cuidado informal à pessoa idosa, cuja responsabilidade cabe prioritariamente à família. No entanto, cuidar de quem cuida, além de uma responsabilidade, deve ser uma prioridade de todos nós, enquanto sociedade.

O acto de cuidar surge como um acto inerente à condição humana, na medida em que, ao longo da vida, vamos sendo alvo de cuidados ou prestadores dos mesmos.

MAS, DE QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DE CUIDADORES INFORMAIS?

Cuidadores informais, são pessoas que, sendo familiares ou pessoas próximas, se responsabilizam pela assistência da pessoa idosa no seu dia-a-dia, na promoção da sua qualidade de vida e garantindo que as suas necessidades diárias são satisfeitas. São pessoas que desempenham esta função numa base informal, sem formação profissional prévia ou qualquer vínculo contratual e sem qualquer tipo de remuneração.

O papel do cuidador informal passa por garantir que o idoso, no seu dia-a-dia, consegue alimentar-se de forma adequada, dormir e repousar, gerir adequadamente a sua medicação e vigiar os seus problemas de saúde, que consegue cuidar de si e do seu corpo de forma a manter um quotidiano digno e nas melhores condições possíveis. É, portanto, um papel complexo, não só pela exigência física e emocional que acarreta, mas também pelas alterações que introduz no seu próprio dia-a-dia.

Apesar da maioria das pessoas que desempenham esta função referirem que este é um papel que lhes proporciona um grande sentimento de prestabilidade e satisfação, principalmente quando sentem que o idoso está bem e igualmente satisfeito, é também uma missão de grande cansaço e desalento.

Cuidar de um idoso dependente é uma missão árdua que envolve compromisso e dedicação e, por isso mesmo, não podemos remetê-la para a invisibilidade da esfera privada, como uma função sem relevância social.

Muitas destas pessoas referem frequentemente problemas de falta de apoio e falta de tempo para si próprias. Os sentimentos de solidão, tristeza e depressão são comuns. Muitas têm que recorrer a terapêutica para controlar os sintomas de ansiedade ou para conseguir dormir, e descuidam o seu próprio auto-cuidado ou o cuidado dos seus dependentes (como os seus filhos, por exemplo), em detrimento do cuidado do outro.

OBSTÁCULOS COM QUE SE DEFRONTAM

A política pública de cuidados de saúde tem desenvolvido, ao longo dos tempos e de forma a acompanhar as necessidades expressas, variadas formas de apoio e cuidados aos idosos dependentes. Contudo, em alguns países, nomeadamente em Portugal, a família continua a ser a unidade básica na prestação de cuidados.

Apesar dos cuidados aos mais dependentes estarem largamente institucionalizados, as respostas sociais não são suficientes e, por isso, continua a apelar-se à responsabilidade das famílias pelos seus elementos mais vulneráveis.

A legislação nacional actual, no que concerne aos cuidados continuados, define que são destinatários das Unidade e Equipas da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) as pessoas em situação de dependência funcional, transitória decorrente do processo de convalescença ou outro; de dependência funcional prolongada; pessoas idosas em situação de fragilidade; incapacidade grave, com forte impacto psicossocial; doença severa, em fase avançada ou terminal. No entanto, as enormes insuficiências, sejam elas a falta de camas ou a falta de profissionais, deixam cerca de 90% da população com mais de 65 anos, com baixo acesso a cuidados continuados.

Portugal é, em simultâneo, o país onde existe uma das menores taxas de cobertura de cuidados formais e o país da Europa com maior taxa de cuidados domiciliários informais.

O Estado, não está, portanto, a conseguir garantir as respostas que deveria dar às famílias e às pessoas que por dependência funcional, fragilidade, ou incapacidade necessitam de continuidade de cuidados.

Tendo em conta este cenário, torna-se imperativo cuidar de quem cuida e valorizar o papel dos cuidadores e não ficarmos indiferentes a todo a complexidade inerente ao acto de cuidar.

É fundamental aumentar a consciencialização sobre o contributo significativo dos cuidadores informais para a sociedade, e em particular no contexto do sistema de saúde, serviço social e economia do país.

Garantir, que são dadas condições para que as famílias possam cuidar, em ambiente domiciliário, dos seus ascendentes e descendentes em situação de dependência, que possam gozar dos seus direitos e de apoios específicos que valorizem os cuidados que são prestados pelos mesmos e que, por último, os cuidadores informais não sejam prejudicados nem a nível profissional, nem a nível pessoal.

A importância da elaboração do Estatuto do Cuidador que lhe confira protecção e reconhecimento, torna-se premente, na medida em que se prevê no futuro, um aumento substancial do envelhecimento da população.

*O autor não escreve segundo o acordo ortográfico.

                                                                                                               Por:Rita Amaro, Psicóloga Clínica,C.P.:16527–ISCMFA

Foto:PV

Artigo de opinião – Cápsula de Café, a Inimiga Ambiental

imagesQuando o café veio para Portugal os clientes do café “A Brasileira”, em Lisboa, queixavam-se diariamente que o café era extremamente amargo. O dono do estabelecimento após matutar no assunto, no final do dia de trabalho ao encerrar o estabelecimento, chegou a uma conclusão: colocar um letreiro grande à frente do café com a palavra BICA. Na manhã seguinte um cliente habitual bastante intrigado, com tal letreiro, questionou-o sobre o seu significado. O dono do estabelecimento, após tirar um café e com um sorriso de orelha a orelha, disse-lhe: “Aqui tem o seu cafezinho amigo, mas, por favor, Beba Isto Com Açúcar”. Depois da explicação, ambos sorriram. Assim nasceu a famosa “BICA”.

Nunca fiz, nem pretendo fazer, nenhuma pesquisa aprofundada relativamente à veracidade desta história pois, como foi contada por um grande amigo meu e gostei tanto da explicação, vou considerá-la como uma verdade inquestionável.

Hoje, para além da “BICA”, existem mil e uma maneiras de pedirmos um café. Pode ser, “normal”, “cheio”, “curto”, “pingado”, “sem princípio”, “sem fim”, “sem princípio e sem fim”, “em chávena escaldada”, “em chávena fria”, “com gelo”, “com açúcar”, “sem açúcar”, “cimbalino”, “cafezinho” ou simplesmente “um café, por favor”. Certamente que no seu dia-a-dia se revê numa destas palavrinhas mágicas.

A International Cofee Organization em 2016 estudou o consumo de sacos de café entre 2012 e 2015 no mundo. Olhando para os dados da Europa, deparamo-nos com um consumo de 50,1 milhões de sacos de 60 kg de café. Segundo o mesmo relatório, existiu um aumento de 0,4% do consumo desde 2012 até 2015. Felizmente que estes sacos consumidos não tem todo o mesmo destino, “As Cápsulas”.

Entre comigo numa aventura simples.

Imagine uma empresa com 50 trabalhadores que labora 5 dias por semana e que tem na sua copa uma máquina de café de cápsulas. Destes 50 trabalhadores, 40 bebem café sendo que, 30 bebem 2 cafés por dia e os restantes 10 bebem apenas 1 café por dia. Resumidamente: no final do dia são consumidos nessa empresa 70 cafés (30×2 + 10×1). No final da semana são consumidos 350 cafés (70×5), no final de um mês 1.400 cafés (350×4) e no final do ano 16.800 cafés (1.400×12).

O problema não está no facto de os trabalhadores tomarem café aliás, até existem estudos internacionais que afirmam que o consumo desta bebida ajuda na prevenção do Alzheimer. O grande problema está na quantidade de resíduos produzidos e acima de tudo na grande complexidade da sua reciclagem.
Uma simples cápsula é constituída, variando de marca para marca, por: 1g de alumínio; 4g de plástico e 3g de borras de café. Se cruzarmos estes dados com as cápsulas consumidas anualmente na empresa – 16.800 – obtemos as seguintes quantidades de resíduos produzidos: 16.8 Kg de alumínio, 67.2 Kg de plástico e 50,4 Kg de borras de café. Ficou surpreendido com a quantidade de resíduos produzidos? Agora imagine em todas as empresas e em nossas casas. Bem, até assusta!

Com as formações e as campanhas que nos últimos anos surgiram em Portugal, os trabalhadores das empresas e a população em geral estão devidamente consciencializados e educados para o tema da reciclagem. É verdade que, pela complexidade em separar cada um dos resíduos de uma só cápsula torna-se uma missão impossível e o mais fácil e apetecível é coloca-la “onde calhar”. Tendo consciência que apesar de existirem lojas que aceitam estes resíduos, a grande percentagem destas cápsulas não entram novamente no circuito. Ou seja, não são reciclados.

John Sylvan que inventou as cápsulas K-Cup em 1995, tendo vendido a patente em 1997 à empresa Keurig Greeb Mountain, atualmente “sente-se mal” pelas consequências ambientais causadas pelas cápsulas. Hoje, a polémica em torno das cápsulas está na ribalta depois de ter sido lançada uma campanha intitulada “Kill the K-Cup”, que acusa a empresa de ter produzido cápsulas suficientes para dar a volta à Terra 10,5 vezes anualmente. Veja AQUI.

Infelizmente, em Portugal este é um assunto que não tem sido debatido na praça pública. Não existindo, para já, uma cápsula 100% amiga do ambiente e olhando para o problema de frente, no meu ponto de vista, poderão existir três soluções que surtiram efeitos a curto prazo: 1) fomentar através da comunicação social, numa linguagem simples e acessível, que a cápsula de café, quando não entregue nos locais específicos, a longo prazo, tornar-se-á “inimiga ambiental”, 2) aumentar o iva deste tipo de produtos com o objetivo de minimizar o consumo e 3) como o Estado deve dar sempre o exemplo, através de legislação específica, proibir a utilização de cápsulas de café nas empresas públicas, seguindo assim o exemplo da cidade de Hamburgo, a segunda maior da Alemanha.

Até lá, se beber café na “inimiga ambiental” – a cápsula -, por favor, não se esqueça no final da semana ou do mês, entregar as suas cápsulas em fim de vida nos depósitos das lojas específicas. Caso não exista nenhuma loja por perto, e como último recurso, no ecoponto amarelo.

Bom café ou se preferir, “Boa BICA”.

Este artigo é da exclusiva responsabilidade do autor.

Por:Bruno Costa

Artigo de opinião–REDES SOCIAIS OU ASSOCIAIS?

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Mó digital

REDES SOCIAIS OU ASSOCIAIS?

A internet mudou significativamente a maneira como nos comunicamos e percebemos o mundo. Graças a ela, temos acesso a toda a informação à distância de apenas um “clique”.

A distância não existe mais, e a comunicação é instantânea.

Comummente, são relatadas histórias em que a internet, nomeadamente as redes sociais, têm um papel meritório na promoção do reencontro de pessoas, bem como na aproximação de outras que por imposição geográfica se encontram distantes.

Todavia, regista-se uma diminuição acentuada do contacto social “face to face” (cara a cara), levando as pessoas a deixar de praticar competências sociais como a empatia, o contacto visual e a leitura emocional do outro. De facto, é mais fácil investir na imagem que projectamos virtualmente de nós do que na nossa verdadeira imagem, investir mais em relações virtuais, acessíveis e práticas do que nas reais, que implicam ir ao encontro do outro.

De forma paradoxal, nunca estivemos tão ligados entre nós – as redes sociais, são a prova “viva” disso – e nunca nos sentimos tão sozinhos e com tanta necessidade de falar e comunicar.

As redes sociais tornaram-se então, autênticos “esconderijos emocionais”, pois, na maioria das vezes, não favorecem o conhecimento, a reflexão, a prudência e o auto-controlo.

Assiste-se a uma efervescência da impulsividade, da superficialidade, da expressão de sentimentos discriminatórios e a uma indiscriminada manifestação de comportamentos preconceituosos.

A afirmação narcísica das pessoas, a agressividade e os juízos de valor sobre tudo e sobre nada, passa a ser o lema.

Mas porque é que isto acontecerá?

A falta de tempo e as frustrações do dia-a-dia, podem justificar a permanência cada vez maior das pessoas nas redes sociais, na medida em que, “aqui” tudo é imediato e cómodo e a gratificação e o reconhecimento são instantâneos.

Um estudo realizado pela Universidade de Pittsburgh avaliou o comportamento de 1,8 mil pessoas com idades compreendidas entre os 18 e os 32 anos e encontrou uma correlação entre o uso das redes sociais e a probabilidade de desenvolver depressão, baixa auto-estima e isolamento. A pesquisa conclui que não são as redes sociais que provocam depressão, mas que, com o acesso exagerado, a tendência a ficar deprimido aumenta.

A fronteira entre o que é uma utilização saudável das redes sociais e o uso excessivo é definida pelo bom senso. O equilíbrio que procuramos no dia-a-dia (conjugando momentos de prazer com trabalho, contrabalançando partilha com privacidade) aplica-se também às redes sociais. É necessário evitar os extremos e as dependências, tanto na vida real como na virtual.

As redes sociais são, efectivamente, uma ferramenta com múltiplas possibilidades, descartá-las ou não lhes dar a devida atenção seria não aceitar que vivemos em plena Era da informação e do conhecimento.

Assim, cabe a cada um de nós, ter senso crítico na utilização desta ferramenta. Cada um deverá definir o seu ponto de equilíbrio, entre ser utilizador ou escravo do sistema.

*O autor não escreve segundo o acordo ortográfico.

Psicóloga Clínica, Rita Amaro–ISCMFA

 C.P.: 16527

Artigo de opinião–A Importância da Respiração

aop Será a respiração uma função inata com a qual não precisamos de nos preocupar?

A respiração é um processo fisiológico que se dedica à troca de oxigénio e dióxido de carbono com o meio ambiente, pelo que é uma das funções vitais. A respiração nasal, a par da mastigação, favorece o crescimento craniofacial e portanto mantém saudáveis as estruturas orofaciais.

Fisiologicamente, a via nasal é a principal em todo o processo respiratório. O nariz favorece a filtração, humidificação e o aquecimento do ar. Todas estas características são promotoras de um sono adequado, de menores infeções (otites e/ou amigdalites) e de um crescimento facial harmonioso.

A respiração é uma característica tão inata, que por vezes desvalorizam-se alguns sinais atípicos que só uma equipa multidisciplinar (Terapeuta da Fala, Otorrinolaringologista, Ortodontista, entre outros) consegue detetar, avaliar e intervir corretamente, minimizando os impactos na vida das pessoas.

Quando ocorre uma modificação na função respiratória, pode desencadear-se um padrão de respiração oral, que consequentaopiemente desencadeia alterações miofuncionais e também no sistema estomatognático. Este padrão pode causar diversas alterações ao nível da fala (fonética), da linguagem (fonologia), do processamento auditivo e até nas competências cognitivas (atenção e memória).

Apesar de ser muito mais vantajoso efetuar-se uma respiração nasal, a hipertrofia das amígdalas e/ou adenoides, a flacidez dos músculos faciais, a rinite, as alergias respiratórias e o desvio do septo nasal podem alterar o padrão respiratório e torná-lo oral. É preciso salientar que a respiração oral só se torna um problema quando se torna um hábito. Quando se adota constantemente essa respiração, as consequências variam de acordo com a causa do hábito, a idade da pessoa e o tempo de instalação desta alteração. As repercussões podem relacionar-se com alterações na forma e posicionamento de estruturas rígidas (ossos faciais e dentes), na função e posicionamento dos músculos orofaciais e na postura global. Todas as alterações referidas implicam possíveis dificuldades na fala, mastigação e deglutição.

Os respiradores orais evidenciam alguns sinais que podem ser observados, com alguma facilidade, por um profissional especializado. Deste modo, os sinais mais comuns relacionam-se com alterações na fala, alterações na mastigação (sendo esta unilateral), otites frequentes, olheiras, alterações no sono, alterações na postura corporal, face alongada e assimétrica, má oclusão dentária, palato alto e estreito, alterações no paladar e no olfato, lábios secos, flacidez nos músculos da mastigação, cansaço frequente, baba noturna, reduzido rendimento físico e intelectual e tensão do músculo do queixo.

Quando identificar algum dos sinais apresentados deve consultar o Terapeuta da Fala. Quando mais cedo for identificada a causa deste hábito, melhores serão os resultados obtidos na terapia. Não se esqueça que a intervenção precoce é a chave de um maior sucesso na intervenção!

No próximo mês fique a saber o que deve fazer caso o seu filho apresente uma respiração oral e qual é o papel do Terapeuta da Fala nestas situações!

Um Feliz 2017 a todos os leitores! Que este ano seja tão bom ou melhor que no de 2016 !

Por:Ana Carolina Marques- Terapeuta da Fala na APSCDFA

Artigo de opinião – Alterações Climáticas – As peças de xadrez

climate-change_650x488_61439352812-650x450O meio ambiente tem no poder decisivo e regulatório as suas figuras principais, ficando para segundo plano o cidadão comum que, sendo fundamental, é colocado em grande medida de lado.

Tenho por hábito comparar o meio ambiente a um jogo de xadrez – muito estratégico, muito tático, imprevisível e acima de tudo a não depender do fator sorte.

Num tabuleiro de xadrez para além das figuras principais e teoricamente mais fortes – torre, cavalo, bispo, rei e rainha – existem as figuras secundárias mais frágeis e por vezes desprotegidas – os peões. O meio ambiente tem no poder decisivo e regulatório as suas figuras principais, ficando para segundo plano o cidadão comum que, sendo fundamental, é colocado em grande medida de lado.

No peão, ou melhor, no cidadão comum existe uma faixa geracional importante que poderá ajudar a alterar o rumo das alterações climáticas, para isso, basta não ser derrubado às primeiras jogadas. Para evitar tal acontecimento trágico é essencial que o poder decisivo, local e/ou nacional, os insira na discussão e na decisão final.

Na minha ótica, não basta o poder decisivo expelir no seu discurso diário os chavões já conhecidos, como são exemplos; 1) “prefiram os transportes públicos”; 2) “andem mais a pé e evitem o transporte pessoal”; 3) “consumam produtos biológicos”; 4) “comprem produtos amigos do ambiente”; 5) “façam a separação dos resíduos em casa”; 6) “plantem árvores”, 7) “poupem energia” mas, para além destes “chavões” importantes, é necessário incentivar as novas gerações a não emigrarem e proporcionar-lhes condições de inserção na discussão pública para que, todos juntos, possamos contribuir para um ambiente mais saudável e, consequentemente, mitigar as causas das alterações climáticas.

Desafio: Porque não criar grupos de trabalho, com os “peões”, em juntas de freguesias, câmaras municipais, associações ambientais, escolas secundárias, universidades e empresas com o objetivo de permutar ideias sobre as alterações climáticas?

Como já constataram, uma das minhas preocupações para o ano de 2017 – ao contrário de Trump – são as alterações climáticas, uma das maiores ameaças ambientais, sociais e económicas que o planeta e a humanidade enfrenta nos dias de hoje. Tenho consciência que a adaptação far-se-á de forma lenta e ao ritmo das necessidades, mas o ser humano tem uma enorme capacidade de adaptação e, à medida que as alterações climáticas a isso o obriguem, ele adaptar-se-á.

Tive a sorte que a minha namorada, neste Natal, brindou-me com o novo livro da Luísa Schmidt, intitulado “Portugal: Ambientes de Mudança”, que faz um retrato ambiental do nosso país nos últimos 25 anos. Das páginas que já tive o prazer de ler, congratulo-me que as ideias principais da autora vão ao encontro das diferentes ideias que tenho vindo a arrumar e a aperfeiçoar ao longo dos últimos anos: Preocupação, Educação, Interesses e Políticas.

A nível mundial, o novo secretário-geral da ONU, o nosso António Guterres, no seu discurso de tomada de posse, no dia 12/12/2016, afirmou que o combate das alterações climáticas irá ser “imparável”, o que, para alterar mentalidades despreocupadas, é certamente uma boa jogada de uma figura principal no nosso tabuleiro de xadrez.

Por cá, Portugal, num passado não muito longínquo, deu sinais da sua preocupação ao querer minimizar as emissões de CO2, como foram algumas das medidas já implementados de elevado efeito prático, das quais destaco 1) a aposta nas energias renováveis – em 2016, foram responsáveis por cerca de 57% do consumo de eletricidade e ainda houve exportações e 2) a aposta na diminuição da produção de resíduos, através da educação e sensibilização ambiental – aqui destaco o papel das escolas e da sociedade ponto verde.

Mas isto não chega. Para complemento das boas práticas, está na altura de melhorarmos ainda mais a temática, dando voz ativa às novas gerações preocupadas. É importante elas deixarem de ser meros peões num tabuleiro gasto de xadrez.

Jorge Palma, na música “A Gente Vai Continuar” afirma; “o sistema é antigo e não poupa ninguém” … será mesmo assim?
Se temos dos jovens mais bem qualificados da Europa, com conhecimentos acima da média e sem vícios do “sistema”, porque não começar a ouvi-los? Porque não renovar as peças de xadrez desse tabuleiro gasto pelo tempo?

Num jog1525594_715250398500024_1212269316_no de xadrez, por vezes, o peão faz xeque-mate ao rei.

Por:Bruno Costa

Foto:CEO Lusófono

Artigo de opinião–Durmo as 8 horas indicadas e ando sempre com sono

aopA sonolência diurna é uma das principais causas de acidentes de viação e no trabalho. Esta nem sempre é devida a noites “dormidas à pressa” nem a patologia psiquiátrica. A Síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é uma doença muito comum, estimando-se que cerca de 4% dos homens de meia-idade sofrem desta doença.

A SAOS consiste numa obstrução das vias respiratórias durante o sono. Esta obstrução leva a um despertar momentâneo, que na grande maioria das vezes o doente não se recorda no dia seguinte. Os múltiplos despertares fazem com que o sono não seja reparador, causando sonolência diurna.

As consequências desta doença podem ir desde a simples mas perigosa sonolência durante o dia ao desenvolvimento de doenças como a hipertensão, depressão e alterações cognitivas.

O tratamento desta doença baseia-se numa primeira fase numa diminuição do peso, restrição do consumo de bebidas alcoólicas e de toma de sedativos, podendo ser necessário em casos resistentes o uso de um dispositivo que ajuda a manter as vias aéreas permeáveis durante a noite, o CPAP (continuous positive airway pressure)

Por:Pedro Oliveira—–afetivamente.blog

Artigo de opinião–Consulta Psicológica e o trabalho do psicólogo

pcAs palavras psicólogo e psicologia estão cada vez mais presentes no nosso dia-a-dia. Já não é algo estranho e completamente desconhecido, nem tão pouco associado apenas a pessoas com perturbações.

No entanto, o psicólogo ainda é comummente visto como alguém prescindível, sendo mais cómodo e “fácil” procurar o Médico de família ou um Psiquiatra, que recorrentemente prescreve medicação (antidepressivos, ansiolíticos, etc.), e no imediato pode solucionar o problema.

Mas, será que o problema fica resolvido?

Temporariamente, Talvez.

Recorrer à medicação pode ser necessário em alguns casos, como por exemplo, uma depressão grave ou uma esquizofrenia e funcionar como complemento da intervenção, mas não deve ser feita de forma isolada.

As especialidades devem agir complementarmente para obter melhores resultados, ajudando a resolver as questões que estão na origem do problema, e não só, a sua sintomatologia. Desta forma, o indivíduo conseguirá fazer o melhor uso possível das suas competências e assim lidar de forma eficaz com as adversidades e desafios que a vida lhe apresenta.

Quando se fala de consultas de Psicologia, de que falamos?

Primeiramente é necessário compreender que cada pessoa se ressente ao longo da sua vida daquilo que vai vivendo. Por dia, uma pessoa tem mais de um milhão de estímulos: cruza-se com diferentes pessoas, toma decisões, questiona-se sobre a sua existência, entre muitas outras coisas. Mas, nem sempre, sabe como “arrumar” essa informação. Não sabe como lidar com o stress, com a insegurança, a perda, indecisões, frustrações, até mesmo com as acções e reacções dos outros para consigo. Muitas vezes o próprio stress está relacionado com o facto de viver tanta coisa ao mesmo tempo e não saber como lidar com isso.

Nem sempre é fácil encontrar a pessoa certa com quem falar. A família e os amigos são uma opção, é certo, mas, a maior parte das vezes não sabem como ajudar, o que dizer, não sabem acolher a angústia que sentimos, a falta de energia, o coração apertado, o pânico que se instala ou a apatia.

Não são imparciais nem acríticos.

Na consulta Psicológica, existe um espaço concreto, o setting que pode ser entendido como um tipo de redoma maleável que envolve e ajuda a estabelecer a relação (de altos e baixos) entre paciente e Psicólogo. Fundamenta-se como uma condição para que o tratamento ocorra. Aqui, o indivíduo encontra um espaço acolhedor, de escuta activa e incondicional, onde os indivíduos conseguem mostrar verdadeiramente quem são, sem medo do julgamento dos outros, sem a pressão das suas expectativas, podendo aprender a gerir pensamentos disfuncionais causadores de sofrimento físico e psíquico.

O “simples” facto de podermos traduzir o que estamos a sentir por palavras, dá-nos por vezes, uma perspectiva que, de outra forma, não teríamos acesso.

O psicólogo, por seu turno, funciona como um organizador/reorganizador do estado interior da pessoa. É alguém que entra em nossa “casa” e vai ajudando a arrumar cada uma das divisões. Procura compreender as maiores dificuldades da pessoa e potenciar as suas qualidades. Sim, que não se pense que, para ir ao psicólogo temos de ter problemas ou dificuldades determinadas e/ ou determináveis. Pelo contrário. Muito do trabalho desenvolvido visa fomentar o que de melhor há no indivíduo, consciencializando-o das suas potencialidades e competências e promovendo o seu auto-conhecimento.

Sozinhos, muitas vezes, não conseguimos ver as situações com clareza nem nos apercebemos da quantidade de recursos internos positivos que temos. E isso, muitas vezes é o essencial para desimpedir o bloqueio que a pessoa sente e que a impede de ser prática e resolver as situações.

Na consulta, o psicólogo tenta perceber o que se passa, o que levou a pessoa a tomar a decisão de o procurar, faz algumas perguntas sobre a sua vida, com o objectivo de o compreender tal como é, na sua essência. Não está ali para julgar, nem as perguntas são feitas ao acaso, pelo contrário, esta primeira conversa que depois se estenderá pelas próximas, dão ao psicólogo informações valiosas para saber como poderá ajudar a pessoa e qual o melhor caminho terapêutico a seguir.

A consulta Psicológica apresenta várias finalidades, podendo intervir em situação de crise e/ou psicopatologia, em casos de doença física, em determinadas fases da vida, onde acontecimentos como rupturas relacionais, perdas afectivas e mudanças no dia-a-dia geram estados de ansiedade, colocando temporariamente em causa o equilíbrio psíquico. Permite ao indivíduo obter um maior conhecimento acerca de si próprio, de quem é, e a clarificar muitas das suas escolhas, dando-lhe assim a possibilidade de se libertar de comportamentos menos positivos e de passar a ter maior capacidade para escolher o que for melhor para si.

Com tudo isto, pretende-se que as pessoas compreendam que o papel do psicólogo não é ‘curar’, mas sim auxiliar a pessoa na resolução dos seus problemas, a enfrentar as suas dificuldades, a compreender-se melhor a si próprio, a aceitar-se e, a procurar estabilidade psicológica e emocional entre outras coisas. É assim um caminho a dois, em que só se trabalha aquilo que a pessoa estiver disponível para, e, ao longo desse caminho novos objetivos vão surgindo, construindo-se assim um processo terapêutico.

*O autor não escreve segundo o acordo ortográfico.

Por: Psicóloga Clínica, Rita Amaro (ISCMFA)

C.P.: 16527

Artigo de opinião- A Importância da Mastigação

  aoacA Importância da Mastigação

A mastigação é responsável por quebrar os alimentos em pedaços menores que facilitam a digestão e a absorção dos nutrientes. Sabia que esta pode também promover o desenvolvimento facial harmonioso?

Precocemente, o bebé necessita de realizar movimentos de sucção (seio materno, biberão e/ou chupeta) que promovem o desenvolvimento das estruturas orais (lábios, língua, bochecha e mandíbula). Assim, o aleitamento materno é o alicerce para uma mastigação e desenvolvimento saudáveis.

Como a mastigação é uma função aprendida, necessita de algum amadurecimento cerebral e treino, que deve ser iniciado por volta do 3/4 meses de idade através dos mordedores, brinquedos com diferentes texturas que os bebés colocam na boca. Esta vivência prepara-os para a aceitação dos novos alimentos.

Por volta do 6º mês, o bebé apresenta maturidade fisiológica e neurológica para receber novos alimentos e diferentes consistências. A maneira de preparar os alimentos faz toda a diferença e por isso, as primeiras papas, frutas e legumes devem ser amassadas com o garfo e oferecidas na colher (e também em pedaços maiores para que a criança pegue neles com a mão). É importante a variação das cores e das texturas nesta fase de adaptação e, de igual modo, é essencial a participação/envolvimento da família.

O que pode determinar a aprendizagem da mastigação é o tipo de alimento colocado na boca. As estruturas propriocetoras orais identificam o alimento e enviam sinais ao cérebro. Estes vão determinar o movimento e o tamanho da força necessária à mastigação. Portanto, se o bebé só comer papas com a consistência do puré (por exemplo), não vai desenvolver as estratégias que necessita para mastigar a carne (mesmo que seja desfiada ou picada).

A erupção dos primeiros dentes, por volta do 8º mês, vai tornar o bebé capaz de mastigar melhor. O contacto entre os dentes e o alimento estimulam a perceção da posição espacial da mandíbula, o que é importante porque gera estímulos de crescimento ósseo dos arcos. O bebé aprende a mastigar corretamente, utilizando os dentes (para cortar os alimentos) e realizando movimentos de abertura e fecho da boca. Mais tarde, a mastigação tornar-se convencional com a erupção dos dentes molares.

Os novos alimentos (novas consistências) devem ser apresentados ao bebé até aos 10 meses, na medida em que uma introdução mais tardia pode acarretar uma pior aceitação e uma maior dificuldade mastigatória. Ao completar o ano de idade, deve estar apto a realizar a alimentação da família (com algumas adaptações, se necessário).

As diferentes consistências/texturas alimentares promovem o estímulo e o treino gradual da mastigação, que promove o desenvolvimento muscular e os movimentos de lateralidade da mandíbula. Consequentemente, todos estes fatores levam a um crescimento ósseo harmonioso (ao nível da face). Quando a textura não exige esforço mastigatório suficiente, pode comprometer o crescimento ósseo ou originar um crescimento assimétrico responsável por problemas ortodônticos (eg. falta de espaço para os dentes, mordida cruzada…) e alterações na produção dos sons.

Em caso de dúvidas, não se esqueça que esta á uma das áreas de intervenção da Terapia da Fala, por isso procure um Terapeuta da Fala!

E para saber mais sobre este assunto, não perca o artigo do próximo mês! Sabe o que fazer se o seu filho não mastigar bem? A que sinais deve estar alerta? O que pode acontecer futuramente? Em breve terá todas estas respostas.

Por:Ana Carolina Marques- Terapeuta da Fala na APSCDFA

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