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Tempo de Advento- Ano Litúrgico B

Tem inicio o ano litúrgico B, com o tempo do Advento, que é um tempo caracterizado pela espera da vinda do Senhor. O Senhor tem de vir! Em cada Domingo, a Igreja, na liturgia da palavra, propõe um percurso para ir ao seu encontro, ou melhor, para que Ele venha ao nosso encontro. Os primeiros Domingos convidam-nos a concentrar o nosso pensamento na sua vinda definitiva no fim dos tempos, à qual os cristãos chamam de vinda escatológica. Todavia, quase no fim do Advento também nos prepararemos para celebrar a sua vinda histórica, a sua encarnação, o seu Natal.

O Advento é um tempo de consolação e de esperança para caminhar sem desfalecer e para crescer na vida cristã. É um tempo que nos coloca diante do maior desejo dos cristãos: encontrarmo-nos com o Senhor. O tempo vai marcando a nossa existência e não pára por uns instantes. Ao longo da nossa vida, muitas vezes nos preocupamos com os problemas e esquecemos o essencial. Hoje, a Igreja recorda-nos e, novamente, nos convida a colocar o nosso coração nos bens do Céu tal como rezamos na oração depois da comunhão: “Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida terrena, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos”. Além disso, Jesus Cristo deixou-nos uma grande promessa que chegará com o seu regresso e recordamos na oração colecta: alcançar o Reino dos Céus. Mas como deveremos viver esta esperança da manifestação de Jesus Cristo? Encontramos a resposta no texto do evangelho deste Domingo.

Neste primeiro Domingo, o evangelista Marcos propõe uma pequena parábola que Jesus proferiu aos seus discípulos. Diz-nos que “um homem partiu de viagem; ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa”. Com esta parábola Jesus afirma que, apesar do dono da casa ter saído de viagem, os seus funcionários têm de ser responsáveis e cumprir algumas tarefas. Cada um dos servos recebe uma tarefa, a qual podemos chamar de uma vocação, porque eles têm diversas tarefas e o porteiro da casa tem de os vigiar. Facilmente pensamos o seguinte: se o dono não está, os servos desleixam-se, renderão menos e não cumprirão o seu trabalho. Toda esta alegoria ajuda-nos a entender a importância que tem, para os cristãos, a responsabilidade, a fidelidade e a vigilância nestes tempos em que a Igreja tem de caminhar, muitas vezes, entre tantas dificuldades. Assíduas vezes damos conta como são postas à prova as nossas forças e sentimo-nos desamparados por um Jesus aparentemente distante. Esta parábola serve de estímulo para continuar a trabalhar no Reino de Deus, cada um a partir da sua vocação, como se Ele estivesse presente.

A última recomendação de Jesus no texto do evangelho é um imperativo: Vigiai! Diz-nos por quatro vezes este imperativo. Vigiar supõe uma postura activa e não desleixada e adormecida ou, como tantas vezes fazemos, de braços cruzados. O dono da casa pode regressar a qualquer instante. Passaram muitos séculos desde que Jesus prometeu o seu regresso. Na Igreja primitiva vivia-se com muito entusiasmo e expectativa a sua vinda definitiva. Actualmente perdemos este entusiasmo e a nossa vida cristã resume-se num “deixa correr” sem recordar a grande promessa do Senhor. A parábola deste domingo faz-nos pensar no seguinte: se o Senhor viesse hoje, encontrar-nos-ia vigilantes? Atrevo-me a dizer que em muitos casos encontrar-nos-ia a dormir, ou seja, pouco preparados para a sua chegada. Esta é a grande tentação dos nossos tempos! Acomodámo-nos de tal forma que perdemos a nossa identidade e responsabilidade cristãs até ao ponto de deixarmos de estar atentos à sua grande promessa. Neste primeiro Domingo do Advento, perante o texto do evangelho, sintamos que o Senhor pede-nos uma atitude mais coerente, activa e responsável perante a sua vinda. Necessitamos muito de descobrir a vocação que o Senhor nos deu para, de seguida, viver de uma forma activa e responsável. “Senhor, nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos”. “Não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!”.

por:UPAB

Avisos e Liturgia – Domingo I do Advento- Ano B

 

Iniciamos o ano litúrgico com o tempo do Advento. Como já sabemos, é um tempo caracterizado pela espera da vinda do Senhor. O Senhor tem de vir! Em cada Domingo, a Igreja, na liturgia da palavra, propõe um percurso para ir ao seu encontro, ou melhor, para que Ele venha ao nosso encontro. Os primeiros Domingos convidam-nos a concentrar o nosso pensamento na sua vinda definitiva no fim dos tempos, à qual os cristãos chamam de vinda escatológica. Todavia, quase no fim do Advento também nos prepararemos para celebrar a sua vinda histórica, a sua encarnação, o seu Natal.

O Advento é um tempo de consolação e de esperança para caminhar sem desfalecer e para crescer na vida cristã. É um tempo que nos coloca diante do maior desejo dos cristãos: encontrarmo-nos com o Senhor. O tempo vai marcando a nossa existência e não pára por uns instantes. Ao longo da nossa vida, muitas vezes nos preocupamos com os problemas e esquecemos o essencial. Hoje, a Igreja recorda-nos e, novamente, nos convida a colocar o nosso coração nos bens do Céu tal como rezamos na oração depois da comunhão: “Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida terrena, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos”. Além disso, Jesus Cristo deixou-nos uma grande promessa que chegará com o seu regresso e recordamos na oração colecta: alcançar o Reino dos Céus. Mas como deveremos viver esta esperança da manifestação de Jesus Cristo? Encontramos a resposta no texto do evangelho deste Domingo.

Neste primeiro Domingo, o evangelista Marcos propõe uma pequena parábola que Jesus proferiu aos seus discípulos. Diz-nos que “um homem partiu de viagem; ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa”. Com esta parábola Jesus afirma que, apesar do dono da casa ter saído de viagem, os seus funcionários têm de ser responsáveis e cumprir algumas tarefas. Cada um dos servos recebe uma tarefa, a qual podemos chamar de uma vocação, porque eles têm diversas tarefas e o porteiro da casa tem de os vigiar. Facilmente pensamos o seguinte: se o dono não está, os servos desleixam-se, renderão menos e não cumprirão o seu trabalho. Toda esta alegoria ajuda-nos a entender a importância que tem, para os cristãos, a responsabilidade, a fidelidade e a vigilância nestes tempos em que a Igreja tem de caminhar, muitas vezes, entre tantas dificuldades. Assíduas vezes damos conta como são postas à prova as nossas forças e sentimo-nos desamparados por um Jesus aparentemente distante. Esta parábola serve de estímulo para continuar a trabalhar no Reino de Deus, cada um a partir da sua vocação, como se Ele estivesse presente.

A última recomendação de Jesus no texto do evangelho é um imperativo: Vigiai! Diz-nos por quatro vezes este imperativo. Vigiar supõe uma postura activa e não desleixada e adormecida ou, como tantas vezes fazemos, de braços cruzados. O dono da casa pode regressar a qualquer instante. Passaram muitos séculos desde que Jesus prometeu o seu regresso. Na Igreja primitiva vivia-se com muito entusiasmo e expectativa a sua vinda definitiva. Actualmente perdemos este entusiasmo e a nossa vida cristã resume-se num “deixa correr” sem recordar a grande promessa do Senhor. A parábola deste domingo faz-nos pensar no seguinte: se o Senhor viesse hoje, encontrar-nos-ia vigilantes? Atrevo-me a dizer que em muitos casos encontrar-nos-ia a dormir, ou seja, pouco preparados para a sua chegada. Esta é a grande tentação dos nossos tempos! Acomodámo-nos de tal forma que perdemos a nossa identidade e responsabilidade cristãs até ao ponto de deixarmos de estar atentos à sua grande promessa. Neste primeiro Domingo do Advento, perante o texto do evangelho, sintamos que o Senhor pede-nos uma atitude mais coerente, activa e responsável perante a sua vinda. Necessitamos muito de descobrir a vocação que o Senhor nos deu para, de seguida, viver de uma forma activa e responsável. “Senhor, nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos”. “Não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!”.

Elo de Comunhão

1º DOMINGO DO ADVENTO (ANO B) LEITURA ESPIRITUAL

“É preciso termos sempre em consideração uma dupla vinda de Cristo: uma, quando Ele vier e nós tivermos de prestar contas de tudo o que tivermos feito; a outra, quotidiana, quando Ele visita sem cessar a nossa consciência e vem a nós a fim de nos encontrar prontos por ocasião da sua vinda definitiva. Com efeito, para que me serve conhecer o dia do juízo, se estou consciente de tantos pecados? Saber que o Senhor vem, se Ele não vier primeiro ao meu coração, se não entrar no meu espírito, se Cristo não viver e não falar em mim? Então sim, é bom que Cristo venha se, antes que tudo, Ele vive em mim e eu nele. Para mim, é como se a segunda vinda se tivesse já realizado, uma vez que o desaparecimento do mundo já ocorreu em mim, porque de certa forma posso dizer: “O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Ga 6,14).

Reflecti também sobre esta palavra de Jesus: “Muitos virão em meu nome” (Mt 24,5). Só o Anticristo se apodera deste nome, ainda que isso seja para nos enganar… Em nenhuma passagem da Escritura encontrareis que o Senhor tenha declarado: “Eu sou Cristo”. Porque lhe bastava mostrar que o era, pelos seus ensinamentos e pelos seus milagres, uma vez que o Pai agia com Ele. O ensino da sua palavra e o seu poder gritavam: “Eu sou Cristo”, com mais força do que milhares de vozes teriam gritado. Portanto, não sei se podereis achar que Ele o tenha dito em palavras, mas mostrou-o “cumprindo as obras do Pai” (Jo 5,36) e ministrando um ensino impregnado de piedade filial. Os falsos messias, que são disso desprovidos, só podem usar os seus discursos para suportar as suas pretensões enganadoras” (S. Pascácio Radberto,? – c. 849)

 

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Ano B - Tempo do Advento - 1º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia- Tempo Comum- Cristo Rei Ano A

 

CRISTO-REI (ANO A)

Neste Domingo, terminamos o ano litúrgico. Este é o último Domingo, no qual celebramos a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Demos graças a Deus por tudo o que nos concedeu ao longo deste ano litúrgico que se encerra. Neste Domingo, contemplamos Jesus como Rei, mas não como os reis que costumamos ver nos livros de história, mas como um bom pastor, médico, misericordioso. Na profecia de Ezequiel, que se encontra na primeira leitura, encontramos um pastor que cura as ovelhas, as acarinha, as conduz, alimenta-as, protege-as e, depois, separá-las-á dos cabritos. É um pastor que, como também escutamos no salmo responsorial, conduz as suas ovelhas para prados verdejantes e para águas refrescantes. Ele conduz-nos por sendas direitas, por amor do seu nome. Assim é Jesus Cristo, o qual celebramos neste domingo a sua realeza.

No evangelho de S. Mateus, vemos como este rei, que é bom pastor e misericordioso, nos faz um exame final da nossa vida, mas com um detalhe importantíssimo: dá-nos as perguntas e também as respostas! Todo o questionário apresentado examina-nos sobre como amámos em cada circunstância da vida, porque em cada momento, o Senhor estava presente no irmão a quem ajudámos ou não. Na nossa vida, temos de conjugar bem a vida espiritual com a vida quotidiana, ou seja, com o testemunho: a ação e a contemplação. Não podemos separar oração da vida. A oração que fazemos, quer seja comunitária (Eucaristia, liturgia das horas, sacramentos), quer seja particular (oração pessoal) tem de ter as suas consequências na nossa vida, no testemunho que damos. São João da Cruz diz-nos que “no final da vida seremos examinados sobre o amor”, ou seja, o amor de Deus manifesta-se no amor que temos aos nossos irmãos. Por isso, devemos estar atentos às necessidades de todas as pessoas que nos rodeiam, quer sejam conhecidas ou não, porque em todas elas o Senhor está presente. Temos as perguntas e as respostas do exame. Assim, parece mais fácil, mas talvez não seja. Colocarmo-nos nas mãos de Deus e ajudarmos os outros não é tão fácil como parece, mas não é impossível.

Elo de Comunhão:

22-11-2020

Vivendo em sintonia com estas perguntas e respostas apresentadas no texto do evangelho, seremos dignos de participar na mesa do banquete do Reino. Agora, podemos participar na Eucaristia, antecipação das bodas do Cordeiro. Teremos de nos apresentar com o traje nupcial que é o traje do amor, do bom testemunho, da ajuda fraterna feita aos irmãos, imitando o bom pastor com as ovelhas. Que o Senhor nos ajude a fazer crescer o seu Reino através das nossas boas obras; esse Reino, como diz o prefácio desta solenidade, que é universal e eterno, de santidade e de graça, de vida, de amor e de paz.

 

«Vinde, benditos de meu Pai!»

 

«Vinde, benditos de meu Pai, recebei como herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Vinde, vós que tendes amado os pobres e os imigrantes. Vinde, vós, que tendes sido fiéis ao meu amor, a Mim, que sou o amor. Eis que o meu Reino está preparado e o meu céu aberto, e que a minha imortalidade aparece em todo o seu esplendor. Vinde todos e recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo».

Então — que maravilha! — os justos surpreender-se-ão por serem convidados a aproximar-se como amigos daquele que as hostes angélicas não podem sequer ver com clareza, e perguntar-Lhe-ão com voz decidida: «Senhor, quando foi que Te vimos? Tu tinhas fome, e nós demos-Te de comer? Mestre, Tu tinhas sede, e nós demos-Te de beber? Estavas nu, e nós vestimos-Te? A Ti, que veneramos? A Ti, o Imortal, quando foi que Te vimos peregrino e Te recolhemos? A Ti, que amas os homens, quando Te vimos nós doente ou na prisão, e Te visitamos?

Tu és o Eterno. Tu não tens começo, és um com o Pai e co-eterno com o Espírito. Tu criaste tudo do nada, Tu, o Rei dos Anjos, a quem os abismos temem. Tu tens por manto a luz (Sl 104,2), Tu fizeste-nos e modelaste-nos da terra (Gn 2,7), Tu criaste os seres invisíveis. A Terra inteira foge para longe da tua face (Ap 20,11). Como acolhemos nós a Tua realeza e soberania?» E o Rei dos reis responder-lhes-á: «Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes. Sempre que acolhestes e vestistes todos estes pobres de que falei, e lhes destes de comer e de beber, a eles que são meus membros (1Cor 12,12), a Mim mesmo o fizestes.

Vinde para o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Desfrutareis eternamente dos bens de meu Pai que está nos céus e do Santíssimo Espírito que dá a vida». Que língua poderá então descrever tais benefícios? «Nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam» (1Cor 2,9). (Homilia atribuída a Santo Hipólito de Roma, ?-c. 235, presbítero, mártir, Tratado sobre o fim do mundo, 41-43; GCS I, 2, 305-307)

 

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 Boletim Dominical da Unidade Pastoral de Fornos de Algodres: Ano A - Tempo Comum - 34º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum- Ano A

 

Continuando com a ênfase do final do ano litúrgico que terminaremos, se Deus quiser, no próximo Domingo, as leituras da Palavra de Deus que escutamos neste Domingo falam-nos do fim dos tempos e da necessidade de estarmos preparados. Concretamente, no texto do evangelho, Jesus pede-nos para fazer frutificar os talentos que Deus nos concedeu. Desde o início da nossa existência, Deus colocou em cada um de nós uma série de dons, de carismas. São dons da sua graça. Alguns de nós terão o dom da liderança, outros terão o dom para tarefas mais práticas, outros para um trabalho de pesquisa e mais intelectual, etc.

Estes dons que, gratuitamente, Deus nos deu têm de frutificar, ou seja, têm de ser postos a render, usando-os em benefício dos nossos irmãos. Jesus recusa a atitude do terceiro servo que nada fez para fazer render os talentos, apesar de não os ter perdido. Assim, Jesus convida-nos a não ficarmos encerrados em nós próprios, mas a partilhar tudo aquilo que recebemos de Deus, a abrirmo-nos ao mundo, aos irmãos, à Igreja. Não podemos guardar egoisticamente os dons que Deus nos deu. O Senhor sempre foi generoso connosco, até ao ponto de nos dar o seu próprio Filho. E nós? Somos generosos com Ele? Somos generosos como Ele? Cada um de nós, jovens e adultos, saudáveis ou fragilizados, temos de fazer frutificar os dons oferecidos por Deus, cada um na sua medida. Juntos podemos dar um bom testemunho como filhos de Deus que somos aos nossos irmãos mais necessitados, aos que não acreditam, aos desiludidos, aos jovens, etc. Desta forma, no final da vida terrena, queremos apresentar-nos diante de Deus com as nossas mãos cheias das boas obras que praticámos, não em nosso nome ou por nossa própria conta, mas as obras que fizemos em nome do Senhor, porque, como nos diz S. Paulo na segunda leitura, “não somos filhos da noite nem das trevas”, mas “filhos da luz e filhos do dia”. Assim como na primeira leitura encontramos o elogio da mulher no livro dos Provérbios, no salmo é dito que é ditoso o que segue o caminho do Senhor, ajudando o irmão, partilhando com ele a vida, levando luz onde há trevas.

Assim, podemos perguntar: qual é a verdadeira sabedoria? A resposta é a seguinte: colocarmo-nos nas mãos do Senhor, que nos criou, servi-lo seguindo os seus caminhos e fazendo frutificar em nós tudo aquilo que nos ofereceu generosamente. É muito importante viver o presente com o olhar orientado para o futuro. Só temos uma vida; temos de viver cada momento como se fosse o único, com autenticidade, com honestidade, sempre a fazer o bem, numa atitude vigilante. Assim, também ouviremos da boca de Jesus: “Muito bem, servo bom e fiel. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor”. Que a Eucaristia deste domingo, antecipação deste banquete eterno, seja o alimento salvador que dá a força e o vigor para fazer frutificar o que o Senhor semeou em cada um de nós.

 

«Então, hão de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória»

15-11-2020

«[O Senhor disse a Josué:] Há ainda muita terra por conquistar» (Js 13,1). Considerai a primeira vinda de Nosso Senhor, o Salvador, quando veio a este mundo semear a Palavra; pela simples força da sua sementeira, apoderou-Se de toda a terra, pondo em fuga as potências adversas e os anjos rebeldes que dominavam o espírito das nações, ao mesmo tempo, que semeava a sua Palavra e expandia a sua Igreja. Assim foi a sua primeira tomada de posse de toda a terra. Segui-me agora pelas veredas subtis da Escritura e mostrar-vos-ei em que consiste a segunda conquista de uma terra sobre a qual foi dito a Josué/Jesus que faltava ainda conquistar uma grande parte.

Escutai as palavras de Paulo: «É necessário que Ele reine até que tenha feito de todos os inimigos um estrado para os seus pés» (1Cor 15,25; Sl 109,1). É essa a terra da qual faltava submeter uma grande parte a seus pés, de modo que Ele tomasse para Si todos os povos como herança. E vemos que há muitas coisas que não estão ainda submetidas aos pés de Jesus; ora, é preciso que Ele entre na posse de todas elas, uma vez que o fim do mundo não poderá advir sem que tudo Lhe tenha sido submetido.

Assim, diz o profeta: «Todas as nações Lhe serão submetidas, das extremidades dos rios até às extremidades da terra, e diante d’Ele se prostrarão os etíopes» (Sl 71,8-9, Setenta); e também: «Do outro lado dos rios da Etiópia hão de trazer-Lhe ofertas» (Sof 3,10). Daqui resulta que, na sua segunda vinda, Jesus dominará esta terra da qual muito resta por possuir.

Mas bem-aventurados aqueles que tiverem sido seus súbditos desde a primeira vinda, pois serão verdadeiramente cumulados de favores, mau grado a resistência de tantos inimigos e os ataques de tantos adversários, e receberão a sua parte da Terra Prometida. Mas quando, pela força, for alcançada a submissão, no dia em que necessariamente for destruído o último inimigo, que é a morte (1Cor 15,26), não haverá favores para aqueles que recusarem submeter-se-Lhe. (Orígenes, c. 185-253, presbítero, teólogo, Homilias sobre o Livro de Josué, 16, 3)

 

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Ano A - Tempo Comum - 33º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum- Ano A

 

Estamos quase a chegar ao final do ano litúrgico. Dar-se-á conta através dos textos evangélicos que proclamaremos e escutaremos nestes últimos três Domingos, contando também com este Domingo. Jesus fala em parábolas, fala sobre o fim dos tempos, fala sobre a vigilância. Neste Domingo ressoa, especialmente, esta afirmação de Jesus: “Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora”. A atitude de um cristão é a vigilância, de estar à espera, não com medo, mas com determinação e confiança em Deus. Na narração da parábola das cinco virgens prudentes e das cinco virgens insensatas, Jesus convida-nos a estarmos preparados para O receber. Umas estavam, tinham azeite suficiente para as suas lâmpadas; as outras cinco, não foram cautelosas e ficaram sem azeite. É um claro convite a estarmos preparados e vigilantes. A vivência cristã não se fundamenta na ideia do “Carpe Diem”, viver o hoje sem preocupações com o amanhã, desfrutar a vida e os prazeres do momento em que se vive, mas na certeza de que em cada dia tem de se subir mais um degrau, dar mais um passo, na nossa amizade com o Senhor. Nas próximas semanas, nas quais iniciaremos um novo ano litúrgico com o tempo do Advento, seremos relembrados a estarmos vigilantes, a prepararmos o nosso coração e a nossa vida para o encontro definitivo e amoroso com o Senhor e, assim, entrarmos na sua festa.

O que podemos fazer para estarmos preparados? A primeira leitura, do Livro da Sabedoria, diz-nos que a sabedoria faz-se encontrar aos que a procuram, “ é luminosa e o seu brilho é inalterável, deixa-se ver facilmente àqueles que a amam”. É este o nosso desafio, ou seja, procurar uma atitude sábia para estarmos vigilantes. Como? Dando testemunho do amor de Deus nas nossas vidas, ou seja, construindo a paz, cuidando dos doentes, ajudando alguém que passa por uma necessidade material ou espiritual, anunciando Jesus com alegria e esperança aos descrentes, etc. Na nossa vida, o que é mais importante não são os prazeres humanos, mas o desejo de Deus, ou seja, que Deus fecunde todo o nosso ser, que sejamos uma imagem do seu amor. E isto realizar-se-á na nossa vida numa atitude sábia com esperança e sem colocar condições a Deus. Os cristãos de Tessalónica queriam controlar o “relógio” de Deus, porque queixavam-se da Sua demora, adiava a sua vinda, mas Deus tem o seu tempo, um relógio diferente do nosso. É evidente que virá, não se demorará; mas só quando Ele achar conveniente. Por isso, é muito importante ter uma atitude de jubilosa esperança e de abertura à sabedoria divina.

Na Eucaristia, o nosso olhar orienta-se para o futuro. Depois da consagração do pão e do vinho, aclamamos: “Anunciamos, Senhor, a Vossa morte, proclamamos a Vossa ressurreição; Vinde, Senhor Jesus!”. O Senhor convida-nos à sua mesa, à mesa da Eucaristia, esperando um dia participarmos no banquete das bodas do Cordeiro no Céu. Para tal, tenhamos acesa a luz da fé, a luz da esperança e a luz da caridade para que quando Ele vier, como as virgens prudentes, possamos entrar para celebrar eternamente o seu amor na sua presença. Que a Eucaristia deste Domingo nos conceda esta vontade de procurar a sabedoria de Deus para assim estarmos vigilantes, dando um bom testemunho, até que Ele venha.

 

«No meio da noite»

Avisos e Liturgia do 31º Domingo do Tempo Comum- Ano A

 

TODOS OS SANTOS

Na solenidade do primeiro dia de Novembro, recordamos todas aquelas pessoas que, de uma forma anónima, deram um bom testemunho de fé em Deus, Senhor da vida. Não celebramos somente todos os santos do calendário “oficial” (Martirológio Romano), mas também recordamos todas as pessoas que passaram neste mundo fazendo o bem e foram fiéis ao Senhor. No dia 2, celebraremos uma comemoração semelhante, recordando os que descansam na paz de Cristo, com a esperança da ressurreição futura. Nestes dias marca-nos muito a oração de louvor, a romagem aos cemitérios e a oração por todos os fiéis defuntos. É desta forma que lembramos as pessoas que procuraram viver a fidelidade a Deus, ou seja, a santidade.

Os santos são a coroa da Igreja, a manifestação do amor de Deus derramado nos nossos corações. Pelo Baptismo, somos filhos de Deus e a nossa missão é dar um bom testemunho do amor que Deus tem por cada um de nós. Foi isto que fizeram tantos homens e mulheres que passaram a vida a fazer o bem, foram fiéis ao Senhor, procuraram viver amando, confiando, perdoando. Ao longo da História da Igreja, encontramos muitos santos e santas que, em momentos bons e maus, confiaram em Deus e a Igreja reconhece-os como santos. Não foram somente aqueles e aquelas que sabemos os seus nomes, mas também tantos desconhecidos e anónimos que deram um grande testemunho de amor e de fidelidade a Deus. Recordar todas estas pessoas é um estímulo para que, como eles, saibamos amar de todo o coração a Deus e ao próximo, dando cem por um de nós mesmos.

Todos somos chamados à santidade, ou seja, a sermos amigos de Deus. A primeira leitura, do Apocalipse de São João, diz-nos que são muitos os chamados (144.000, ou seja, todos), mas, como podemos também alcançar a santidade? A resposta está no texto das Bem-Aventuranças. Não importa cantarolar somente este texto ou recordá-lo como título de uma festa do percurso da catequese. Que pena ficarmos por aqui! Além de cantarolar, medita e vive este texto: sermos pobres de espírito, sermos humildes, construtores da paz, justos, perseguidos, etc. Jesus Cristo foi o primeiro a viver este texto e é este o caminho que Ele nos aponta. Poderá ser um caminho íngreme mas não impossível. Não podemos esquecer que àqueles que vivem as Bem-Aventuranças é-lhes dado o nome de “Felizes” (Bem-Aventurados). Queres também viver esta felicidade? Pois não percas tempo! Os santos e santas, anónimos ou não, procuraram viver neste espírito das Bem-Aventuranças. Celebrar a Solenidade de Todos os Santos é desejar a santidade, é querer ser amigo de Deus, pondo em prática este caminho estreito do Evangelho que nos conduzirá a pastagens eternas e ao banquete que o Senhor preparou para todos. Oxalá que um dia o Senhor te possa chamar “bem-aventurado”, porque viveste amando a Deus e aos irmãos.

 

«Erguendo os olhos para os discípulos, disse: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus”»

01-11-2020

É muito importante apreender o segredo da alegria insondável que está em Jesus e que lhe é própria. Se Jesus irradia uma tal paz, uma tal segurança, uma tal alegria, uma tal disponibilidade, é por causa do amor inefável com que Se sabe amado por seu Pai. No seu baptismo nas margens do Jordão, este amor, presente desde o primeiro instante da sua encarnação, manifesta-se: «Tu és o meu Filho muito amado; em Ti pus todo o meu enlevo» (Lc 3,22). Esta certeza é inseparável da consciência de Jesus. É uma presença que nunca O deixa só (Jo 16,32). É um conhecimento íntimo que O preenche: «Assim como o Pai Me conhece também Eu conheço o Pai» (Jo 10,15). É uma partilha incessante e total: «E tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu» (Jo 17,10). «Tu Me amaste antes da fundação do mundo» (Jo 17,24). Há ali uma relação incomunicável de amor, que se confunde com a sua existência de Filho e que é o segredo da vida trinitária: o Pai aparece como aquele que Se dá ao Filho, sem reservas e continuamente, num ardor de alegre gratidão, no Espírito Santo.

E eis que os discípulos, e todos os que acreditam em Cristo, são chamados a participar desta alegria. Jesus quis que eles tivessem em si mesmos a plenitude da sua alegria (Jo 17,13): «Dei-lhes a conhecer o teu nome e o darei a conhecer, para que o amor com que Me amaste esteja neles e eu esteja neles também» (Jo 17,26).

Esta alegria de habitar no amor de Deus começa aqui em baixo. É a alegria do Reino de Deus. Mas ela é concedida por uma via escarpada, que exige uma confiança total no Pai e no Filho, e uma preferência dada ao Reino. A mensagem de Jesus promete antes de tudo a alegria, esta alegria exigente; não começa ela pelas bem-aventuranças? «Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.» (São Paulo VI, 1897-1978, papa de 1963 a 1978, Exortação apostólica «Sobre a alegria cristã»).

 

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Ano A - Tempo Comum - Todos os Santos - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 30º Domingo do Tempo Comum- Ano A

 

É habitual afirmar que o mais importante na vida dos cristãos é amar. Muito bem, mas não é suficiente somente afirmar, porque temos de concretizar este “amar”. No texto do evangelho deste domingo, Jesus afirma que devemos amar a Deus e ao próximo. É a síntese do código do livro de Deuteronómio e do Levítico: “amarás o Senhor, teu Deus, com o todo o teu coração…”, “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Este é o maior e o primeiro de todos os mandamentos. Os judeus tinham muitas leis, algumas descritas em forma negativa e outras em forma positiva. Na Igreja, também temos o Código de Direito Canónico que termina com este pensamento: “tendo-se sempre diante dos olhos a salvação das almas, que deve ser sempre a lei suprema na Igreja” (can. 1752). Jesus sintetiza todas as leis em amar a Deus e amar o próximo como ti mesmo. São as duas faces da mesma moeda. Amar a Deus concretiza-se no amar o próximo, criado à sua imagem e semelhança. Amando o próximo manifestamos que amamos a Deus.

A primeira leitura do livro do Êxodo dá-nos exemplos concretos para vivermos a normativa que nos é apresentada no evangelho: coloca-nos diante da realidade dos estrangeiros, dos emigrantes, das viúvas, dos órfãos, dos pobres e dos mais necessitados. Numa sociedade como a nossa, em que nos deparamos todos os dias com novas realidades de pessoas necessitadas, de pessoas pobres, de gente perseguida pela fé, de refugiados, etc., somos convidados a agir e a estender a nossa mão ao irmão necessitado, fazendo aos outros tudo o que gostaríamos que a nós fosse feito. Não podemos ficar calados e quietos perante as injustiças deste mundo. É evidente que somos muitos pequeninos perante a grandiosidade destes dramas, mas não podemos deitar a toalha ao chão. É verdade que a Igreja tem muita actividade social com diversas instituições. Mesmo assim, temos de trabalhar cada vez mais em prol desta justiça social, que também é fruto da fé que temos neste Deus justo e misericordioso.

25-10-2020

Como gostamos de ser bem tratados, de ser bem acolhidos, de ser bem recebidos em todo o lado! Mas, fazes o mesmo aos outros? Recordemos que todos queremos estar bem tratados, que todos temos a dignidade de ser filhos e filhas de Deus e que temos de nos amar mutuamente, através dos pequenos gestos de cada dia: uma palavra amiga, uma palavra de consolação e de coragem, uma ajuda material ou espiritual, etc. Só assim a nossa sociedade mudará e será um reflexo do amor que Deus tem por cada um de nós. Parece difícil mas a solução é bem mais fácil: é urgente mudar o coração, olhar mais para fora do que para dentro. Não é necessário fazer grandes festas, grandes campanhas, grandes eventos, grandes gestos; bastam os pequenos gestos e acções de todos os dias, feitos com amor. Assim, quando o Senhor nos chamar para o encontro definitivo e amoroso com Ele, no dia do juízo, iremos ao seu encontro com as mãos repletas de boas obras porque tudo o que fizemos aos nossos irmãos mais pequenos, foi feito a Jesus Cristo. Que a celebração da Eucaristia neste Domingo nos ajude a amar cada vez mais a Deus e ao próximo como a nós mesmos.

 

«Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas»

 

Como reinar nos céus mais não é do que aderir a Deus e a todos os santos, pelo amor, numa única vontade, de tal forma que todos exercem em conjunto um único e mesmo poder, ama a Deus mais do que ti próprio, e verás que começas a ter o que desejas possuir de forma perfeita no céu. Concerta-te com Deus e com os homens – desde que estes não se separem de Deus – e começarás a reinar com Deus e com os seus santos. Porque, na justa medida em que agora te concertares com a vontade de Deus e com a dos homens, Deus e todos os santos concertar-se-ão com a tua vontade. Portanto, se queres ser rei nos céus, ama a Deus e aos homens como deves, e merecerás ser o que desejas.

Mas não poderás possuir este amor na perfeição se não esvaziares o coração de todos os outros amores. É por isso que aqueles que enchem o coração com o amor a Deus e ao próximo têm apenas o querer de Deus, ou o de outro homem, na condição de que este não seja contrário a Deus. São, pois, fiéis à oração e a esta maneira de viver, lembrando-se sempre dos céus; porque lhes é agradável desejar a Deus e falar acerca desse que amam, ouvir falar dele e pensar nele. É por isso também que rejubilam com todos os que estão em graça, que choram com os que estão em dificuldades (Rom 12,15), que têm compaixão pelos infelizes e que dão aos pobres – porque amam os outros homens como a si mesmos. É assim que, de facto, nestes dois mandamentos do amor «se resumem toda a Lei e os Profetas». (Santo Anselmo, 1033-1109, monge, bispo, doutor da Igreja, Carta 112, dirigida a Hugo, prisioneiro)

 

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Ano A - Tempo Comum - 30º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum- Ano A

 

Neste Domingo, somos convidados a contemplar o texto do Evangelho em que Jesus profere aquela célebre frase, conhecida de todas as pessoas: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Com estas palavras, Jesus faz a divisão entre o que é mundano e o que é divino. Não menospreza César, mas ensina-nos a sermos fiéis a Deus, sem deixarmos de cumprir os nossos direitos e deveres de cidadãos. Já é sabido que Deus “escreve direito por linhas tortas” e que actua em cada momento da história. A primeira leitura narra como Ciro, rei da Pérsia, dá a liberdade aos povos a ele subjugados, entre eles Israel que sente como o seu exílio chegou ao fim e, assim, poderá voltar à sua pátria, à terra prometida. Sem o saber e sem disso ter consciência, Ciro é instrumento de Deus; por ele, Deus actua, libertando o povo de Israel. “Tomei Ciro pela mão direita para subjugar diante dele as nações”. Hoje, Deus continua a usar a mesma táctica: temos de estar atentos às diversas vezes em que Deus se torna presente através das pessoas e dos acontecimentos. Somos convidados a estarmos atentos aos sinais dos tempos, aos sinais de Deus no dia-a-dia da nossa vida. Deus actua sempre através da história.

Perante a crítica dos fariseus que queriam “encostar às cordas” Jesus e os seus discípulos, Ele faz a distinção entre o que é de Deus e o que é mundano. Não é posta em causa a nossa relação com o mundo, mas é necessário estarmos atentos para, como cristãos, defendermos a nossa fé, defendermos os planos de Deus. Jesus e os seus discípulos não deixaram de pagar o tributo, como nos relata S. Mateus quando faz referência a Pedro tirar umas moedas da boca de um peixe para pagar o dízimo. Jesus deixa bem claro que em vez de servir “as coisas do Senhor”, é preciso servir o Senhor “das coisas”. Não devemos pretender ficar bem sempre perante os homens, concordando com tudo, nunca corrigindo, cultivando uma falsa imagem de simpatia e de “porreirismo” e lutando por uma boa opinião pública a nosso respeito, pondo assim em contradição a nossa fé. A quem devemos agradar é a Deus, que é o nosso Pai, Criador e Redentor. É evidente que não é fácil o equilíbrio, mas o que nos é pedido neste domingo é, sendo cidadãos exemplares e fiéis aos direitos e deveres civis, não colocar de lado a nossa identidade de cristãos e agir conscientemente como tal. Agir como cristãos não supõe carreirismos, “porreirismos”, simpatias falsas e lutar socialmente para que todos digam bem de nós. Um verdadeiro cristão não luta por estas coisas do mundo, de “César”, mas por uma comunidade de fé, esperança e de caridade, de “Deus”.

18-10-2020

Na segunda leitura, S. Paulo felicita os cristãos de Tessalónica porque são uma comunidade aberta e feliz, de esperança e de amor. “Recordamos a actividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança”. Será que se pode dizer isto de todas as nossas comunidades cristãs, sobretudo paroquiais? Será que temos vontade de crescer na fé? Será que temos fé no Senhor que nos convida a amá-Lo de todo o coração, amando também o próximo? Perante os desafios deste mundo, será que somos uma comunidade que vive com a esperança de que se pode fazer um mundo mais justo e fraterno, ou sucumbimos logo nas primeiras provações e embates? Confiamos em Deus? Amamos de coração tudo e todos os que nos rodeiam? Somos comunidades repletas deste amor de Deus? Se assim é, dêmos graças a Deus e que a Eucaristia deste domingo nos recorde que é o Senhor das coisas a quem devemos servir e ao às coisas do Senhor.

 

Ser realmente uma imagem de Deus

 

«Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». É preciso dar a cada um o que lhe pertence. Eis uma palavra verdadeiramente cheia de sabedoria e de ciência celestial. Porque nos ensina que há duas espécies de poder: um humano e terreno, outro divino e celeste. Ensina-nos que devemos estar sujeitos a uma dupla obediência: às leis dos homens e às leis divinas. Temos de pagar a César a moeda que tem a efígie e a inscrição de César, e a Deus o que recebeu o sinete da imagem e semelhança divinas: «Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da tua face!» A luz da tua face deixou em nós a tua marca, Senhor (Sl 4,7).

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus (cf Gn 1,26). Tu és homem, ó cristão. És, portanto, moeda do tesouro divino, uma moeda que tem a efígie e a inscrição do Imperador divino. Assim, pergunto com Cristo: «De quem é esta imagem e esta inscrição?» Tu respondes: «De Deus». E eu digo-te: «Então porque não dás a Deus o que é de Deus?»

Se queremos realmente ser imagem de Deus, devemos assemelhar-nos a Cristo, pois Ele é a imagem da bondade de Deus e «imagem fiel da sua substância» (Heb 1,3). E Deus, «àqueles que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do seu Filho» (Rom 8,29). Cristo deu verdadeiramente a César o que era de César e a Deus o que era de Deus. Ele observou da maneira mais perfeita os preceitos contidos nas duas tábuas da lei divina, «tornando-Se obediente até à morte e morte de cruz» (Fil 2,8), e por isso foi elevado ao mais alto grau de todas as virtudes visíveis e invisíveis. (São Lourenço de Brindes, 1559-1619, capuchinho, doutor da Igreja, Sermão para o 22º Domingo depois de Pentecostes)

 

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Ano A - Tempo Comum - 29º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum- Ano A

 

Nas leituras bíblicas que a liturgia nos propõe, é-nos apresentado o Reino de Deus como um banquete; é uma visão positiva do Reino. Na primeira leitura, do profeta Isaías, o Senhor prepara para todos os povos um banquete onde cada um poderá saciar a sua fome e a sua sede; um banquete que eliminará a tristeza, a dor, o choro e o sofrimento. O texto do evangelho é uma parábola sobre o Reino de Deus, apresentado como um banquete onde o rei convida algumas pessoas, mas elas não quiseram ir, apresentando vários motivos. Então, este convite estende-se a todos os povos. O Reino de Deus não é visto como um lugar misterioso, triste, obscuro, mas é uma manifestação da alegria, da felicidade, do amor de Deus para com o seu povo. Assim, a Sagrada Escritura diz-nos que Deus quer a nossa felicidade; por isso, convida-nos a vivermos com Ele, alegres e cheios de amor.

O convite da parábola do evangelho não é um momento pontual, mas actualiza-se em cada Domingo, em cada semana, quando o Senhor nos convida a celebrar sacramentalmente a sua paixão, morte e ressurreição: a Eucaristia. O Senhor quer estar perto do seu povo. Por isso não deu somente a Sagrada Escritura como caminho para aprender a ser bom cristão; não só ensinou alguns princípios ou deu alguns conselhos para sermos bons e, depois, foi embora. Isto não aconteceu! O Senhor quis morar no meio do seu povo, no meio de nós, quis fazer-se um como nós, mas sem pecado; quis perpetuar para sempre a sua entrega por amor na cruz na celebração da Eucaristia, que é a expressão sacramental do Mistério Pascal. Em cada domingo, em cada semana, somos convidados por Jesus a participar da Eucaristia, onde O recebemos nas espécies do pão e do vinho, para que tenhamos vida e força para a missão. Na Eucaristia damos graças a Deus, porque convida-nos a participar da vida divina, pedimos-lhe perdão porque nem sempre fazemos o bem, damos-lhe graças por todos os momentos felizes e pedimos-lhe força para levar a cruz de todos os dias. Então, perante este convite do Senhor, qual é a nossa resposta? Sentimos que a Eucaristia é importante na nossa vida? Participamos activamente neste banquete divino? Como vivemos cada momento da Eucaristia? Como um jugo? Ou como um dom que Deus nos concede, porque quer falar e estar connosco? Não tenhamos medo de dizer sim a Deus e de estarmos presentes neste banquete!

11-10-2020

 

Sim, somos convidados pelo Senhor para o banquete, para a Eucaristia, mas temos de ir vestidos com o traje nupcial, vestidos de festa. Não se trata somente de aceitar o convite, mas também de estarmos bem preparados. No texto do evangelho, o rei admoesta um dos convidados que não levava a roupa de festa e expulsou-o “para as trevas exteriores”. Qual é o nosso traje de festa? O traje das boas obras, do olhar e coração puros, do bom testemunho, do amor que temos a Deus que se manifesta no amor aos irmãos. Que a celebração da Eucaristia nos ajude sempre a prepararmo-nos para receber o Senhor. Agradeçamos ao Senhor o seu convite. Felizes serão sempre os convidados para a Ceia do Senhor!

 

O traje das bodas

 

O que é o traje das bodas, a veste nupcial? O apóstolo Paulo diz-nos: «Os preceitos não têm outro objectivo senão a caridade que nasce de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem fingimento» (1Tm 1,5). É essa a veste nupcial. Não se trata de um qualquer amor, porque muitas vezes veem-se homens que amam com má consciência. Os que se entregam juntos a brigas, à maldade, os que se amam com o amor dos actores, dos condutores de carros, dos gladiadores, amam-se generosamente entre si, mas não com aquela caridade que nasce de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem fingimento; ora, a veste nupcial não é essa caridade.

Revesti-vos, pois, da veste nupcial, vós que ainda a não tendes. Já entrastes na sala do banquete, ides aproximar-vos da mesa do Senhor, mas não tendes ainda, em honra do Esposo, a veste nupcial: procurais ainda os vossos interesses e não os de Jesus Cristo. Usa-se o traje nupcial para honrar a união nupcial, isto é, o Esposo e a Esposa. Vós conheceis o Esposo, que é Jesus Cristo; conheceis a Esposa, que é a Igreja (Ef 5,32). Honrai aquela que é desposada, honrai também Aquele que a desposa. (Santo Agostinho, 354-430, bispo de Hipona, norte de África, doutor da Igreja, Sermão 90, 5-6; PL 38-39, 561-563)

 

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Ano A - Tempo Comum - 28º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 27º domingo do Tempo Comum- Ano A

 

 

Neste Domingo, a Palavra de Deus fala-nos do povo judeu, utilizando a metáfora da vinha: “A vinha do Senhor é a casa de Israel”, assim cantamos no salmo. A primeira consideração que se nos oferece fazer desta vinha é que o seu proprietário é Deus. Foi Ele que cavou a vinha, limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas e arrendou-a a uns vinhateiros. Podemos afirmar que a vinha que nos é oferecida por Deus, é a nossa vida em união com as pessoas que nos rodeiam nesta casa comum que é o nosso planeta. Quem é capaz de dar vida a não ser Deus? Todos procedemos graciosamente do seu amor: “Fomos concebidos no coração de Deus e, por isso, cada um de nós é o fruto de um pensamento de Deus. Cada um de nós é querido, cada um de nós é amado, cada um é necessário”, como afirma o Papa Francisco (‘Laudato si’, 65). As pessoas que nos rodeiam são também um dom do Senhor. Elas enriquecem-nos com as suas qualidades e virtudes que receberam de Deus e, assim, cada um de nós também deve colocar ao seu serviço as qualidades que Deus nos deu. Todas as pessoas têm a dignidade de ser imagem e semelhança do criador, de proceder do seu amor. Finalmente, a terra é um dom do criador que temos de cuidar: “A terra existe antes de nós e foi-nos dada” (‘Laudato si’, 67). “A criação só se pode conceber como um dom que vem das mãos abertas do Pai de todos, como uma realidade iluminada pelo amor que nos chama a uma comunhão universal” (‘Laudato si’, 76).

A vinha tem um único dono que é Deus e a nós foi confiada, ou seja, arrendada, para nela trabalharmos. Sobre os frutos, teremos de prestar contas ao Senhor. Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo pretenderam possuir a vinha como sua propriedade. Esta aspiração destruiu a harmonia da vinha e a cobiça dos vinhateiros levou ao assassínio dos representantes do dono, incluindo o seu próprio filho. A pretensão de possuir a vinha por parte dos vinhateiros, querendo usurpar a Deus a sua propriedade, conduz aos piores desastres. A vinha, em vez de dar boas uvas, produzirá agraços. Quando pensamos que somos donos da vida, acreditamos que temos o direito de decidir sobre o princípio e o fim da mesma. A fraternidade passa para segundo plano e cresce a nossa indiferença perante pobres e os que sofrem. Se a terra é considerada como propriedade e não como um dom, pensamos que temos o direito de a explorar sem olhar a meios: “Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la” (‘Laudato si’, 2).

 

Folha Elo de Comunhão

 

Somos convidados a sermos administradores da vinha. Somos administradores de uma propriedade que nos foi confiada como um dom e da qual teremos de entregar os frutos ao Senhor. Para sermos bons vinhateiros, é-nos pedido uma maneira diferente de viver, reconhecendo que Deus é o criador e o proprietário da vinha. Assim, a nossa missão consiste em acolher o dom da vida, do irmão e da terra numa atitude de agradecimento ao criador. Todavia, temos de cultivar e desenvolver este dom procurando para todos uma terra acolhedora e familiar. O Senhor pede-nos que trabalhemos no cuidado da vinha quando esta aparece frágil e em risco. Temos de velar com mimo pela vida a começar (em embrião), sobretudo quando corre o risco de se extinguir ou está ameaçada. “A melhor maneira de colocar o ser humano no seu lugar e acabar com a sua pretensão de ser dominador absoluto da terra, é voltar a propor a figura de um Pai criador e único dono do mundo; caso contrário, o ser humano tenderá sempre a querer impor à realidade as suas próprias leis e interesses” (‘Laudato si’, 75).

 

Dar fruto

 

O Senhor está permanentemente comparando a alma humana com uma vinha: «O meu amigo possuía uma vinha numa colina fértil» (Is 5,1); «plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe» (Mt 21,33). É, evidentemente, à alma humana que Jesus chama a sua vinha, foi a ela que cercou, qual sebe, com a segurança que proporcionam os seus mandamentos e a protecção dos seus anjos, porque «o anjo do Senhor assenta os seus arraiais em redor dos que O temem» (Sl 33,8). Em seguida, ergueu em nosso redor uma paliçada, estabelecendo na Igreja «primeiro, apóstolos, segundo, profetas, terceiro, doutores» (1Cor 12,28). Por outro lado, através dos exemplos dos homens santos de outrora, eleva-nos os pensamentos, não os deixando cair por terra, onde mereceriam ser pisados. Deseja que os abraços da caridade, quais ramos de uma vinha, nos liguem ao nosso próximo e nos levem a repousar nele. Assim, mantendo permanentemente o impulso em direcção aos céus, elevar-nos-emos como vinhas trepadeiras até aos mais altos cumes.

O Senhor pede-nos também que consintamos em ser podados. Ora, uma alma é podada quando afasta para longe de si os cuidados do mundo, que são um fardo para o nosso coração. Assim, aquele que afasta de si mesmo o amor carnal e a ligação às riquezas, ou que tem por detestável e desprezível a paixão pela miserável vanglória foi, por assim dizer, podado, e voltou a respirar, liberto do fardo inútil das preocupações deste mundo.

Mas – e mantendo ainda a linha da parábola – não podemos produzir apenas lenha, ou seja, viver com ostentação, ou procurar os louvores dos de fora. Temos de dar fruto, reservando as nossas obras para as mostrarmos ao verdadeiro agricultor (Jo 15,1). (São Basílio, c. 330-379, monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja, Homilia 5 sobre o Hexâmeron, 6).

 

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Ano A - Tempo Comum - 27º Domingo - Boletim Dominical II

 

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