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Liturgia do 1ºdomingo da Quaresma – ano B

Antes do relato do evangelho deste Domingo, o autor sagrado narra o baptismo de Jesus Cristo no rio Jordão. Quando saiu da água, o Espírito Santo desceu sobre Ele e uma voz vinda do céu disse: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”. É este Espírito de Deus que “impeliu Jesus para o deserto”. Antes de iniciar a sua vida pública e missão, Jesus passou quarenta dias no deserto. Realmente o deserto existe mesmo perto do rio Jordão, onde João baptizava. Os israelitas fizeram a travessia do deserto em quarenta anos antes de entrar na terra prometida. Mas o deserto é, sobretudo, um lugar simbólico. Muitos homens e mulheres fizeram grandes experiências no deserto. Antoine de Saint-Éxupery, que tinha conhecido bem o deserto do Sara, no seu livro “Carta a um Refém” escreveu que, no deserto, o homem é governado pelo espírito; e também disse: “O deserto não está onde nós pensamos que esteja. O Sara está mais vivo do que uma capital, e a cidade mais ruidosa do mundo está vazia se os polos essenciais da vida se desmagnetizarem”. O deserto é um lugar despido, onde não há distracções e te confrontas directamente contigo próprio e com Deus. Todavia é também um lugar de perigos, onde te podes sentir desprotegido e sem forças.

Estar no deserto foi a experiência de Jesus durante quarenta dias, mas também ao longo de toda a sua vida. No deserto Jesus encontra os aspectos fulcrais que irão orientar a sua missão. Colocando-se face a face com o Pai, descobre a forma de viver a sua filiação. Não será através do poder político, das riquezas e da admiração e do aplauso da opinião pública. No deserto Jesus deixa bem claro que vai ser Filho no serviço, na adoração e no amor sem fronteiras. A Quaresma pode ser um tempo de deserto. Nestes quarenta dias podemos criar o nosso próprio deserto, ou seja, um tempo em que o silêncio ocupe o lugar importante, a sós face a face com Deus. Dedicar uns minutos todos os dias a este exercício interior, deixando de lado tudo o que nos distrai e dispersa, lendo algum texto bíblico, o evangelho do dia, por exemplo, para iluminar a nossa vida, as nossas relações humanas, a nossa vida na sociedade. É importante rever a nossa vida à luz do Evangelho.

Viver o deserto na nossa vida leva a viver com esperança e, como Noé, a descobrir o arco-íris que aparece depois da tempestade: depois dos dias negros, do sofrimento, do desânimo, da dúvida…O arco-íris é sinal de paz, de vida, de luz e de confiança. Quando o vemos surgir no nosso coração sabemos que, apesar de tudo parecer tão escuro e incerto, há sempre uma luz, há e está Deus. A Quaresma é um tempo favorável para rever as nossas relações humanas no casal, na família, no trabalho, na escola, na cidade, vila ou aldeia. Será que vivemos estas relações com um espirito aberto, serviçal, acolhedor, próximo, reconciliador?

Na Vigília Pascal renovaremos as promessas do baptismo. Para que não se resuma a um simples rito e a umas palavras vazias, é preciso desde agora prepararmo-nos através de uma revisão. É aconselhável, de vez em quando, fazer uma revisão (check-up) à nossa saúde como também é importante fazer, ao menos uma vez ao ano, uma revisão interior. Uma revisão que nos possa ajudar a magnetizar os polos que se tenham desmagnetizado, esses mesmos polos que nos irão guiar e orientar. Jesus apoia-nos, ensinando-nos onde está o norte, ou seja, o caminho para o Pai. A Eucaristia é o sacramento da vida de Jesus, uma vida plena do Espírito de Deus, uma vida entregue e partilhada, uma vida na qual podemos encontrar forças para que nas nossas vidas o Espírito de Deus, o Espírito de Jesus, actue para que possamos dar luz e vida aos nossos irmão mais necessitados.

Elo de Comunhão 21-02-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Se, depois o baptismo, fores atacado pelo perseguidor, o tentador da luz, tens material para a vitória. Ele irá certamente atacar-te, já que também atacou o Verbo, o meu Deus, enganado pela aparência humana que lhe escondia a luz incriada. Não tenhas medo do combate. Opõe-lhe a água do baptismo, opõe-lhe o Espírito Santo no qual se extinguem todos os dardos inflamados lançados pelo maligno.

Se ele te mostrar as necessidades que te oprimem – e não deixou de o fazer com Jesus –, se te lembrar que tens fome, não dês a entender que ignoras as suas propostas. Ensina-lhe o que ele não sabe; opõe-lhe a Palavra de vida, esse verdadeiro Pão enviado do céu e que dá a vida ao mundo.

Se ele te estender a armadilha da vaidade – e usou-a contra Cristo, quando O levou ao pináculo do Templo e Lhe disse: «Deita-Te daqui abaixo», para O fazer manifestar a sua divindade –, toma cuidado para não caíres por teres querido elevar-te.

Se te tentar pela ambição, mostrando-te, numa visão instantânea, todos os reinos da terra submetidos ao seu poder, e te exigir que o adores, despreza-o: ele não é mais que um pobre irmão teu. E diz-lhe, confiando no selo divino: «Também eu sou imagem de Deus; ainda não fui, como tu, precipitado do alto da minha glória por causa do meu orgulho! Estou revestido de Cristo; tornei-me outro Cristo pelo meu baptismo; cabe-te a ti adorares-me.» Tenho a certeza que ele se irá embora, vencido e humilhado por estas palavras. Vindas de um homem iluminado por Cristo, serão sentidas por ele como se emanadas de Cristo, a luz suprema. Estes são os benefícios que a água do baptismo traz aos que reconhecem a sua força. (São Gregório de Nazianzo, 330-390, bispo, doutor da Igreja, Sermão XL, 10)

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Ano B - Tempo da Quaresma - 1º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do 6º domingo Comum – ano B

 

LEITURA ESPIRITUAL

São Paulo, falando aos cristãos de Corinto das suas tribulações e sofrimentos, coloca a sua fé em relação com a pregação do Evangelho. De facto, diz que nele se cumpre esta passagem da Escritura: «Acreditei e por isso falei» ( 2 Cor 4, 13). O Apóstolo refere-se a uma frase do Salmo 116, onde o salmista exclama: «Eu tinha confiança, mesmo quando disse: “A minha aflição é muito grande!”» (v. 10). Falar da fé comporta frequentemente falar também de provas dolorosas, mas é precisamente nelas que São Paulo vê o anúncio mais convincente do Evangelho, porque é na fraqueza e no sofrimento que sobressai e se descobre o poder de Deus que supera a nossa fraqueza e o nosso sofrimento. O próprio Apóstolo se encontra numa situação de morte que redunda em vida para os cristãos (cf. 2 Cor 4, 7-12). Na hora da prova, a fé ilumina-nos; e é precisamente no sofrimento e na fraqueza que se torna claro como «não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor» ( 2 Cor 4, 5). O capítulo 11 da Carta aos Hebreus termina com a referência a quantos sofreram pela fé, entre os quais ocupa um lugar particular Moisés que tomou sobre si a humilhação de Cristo (cf. vv. 26.35-38). O cristão sabe que o sofrimento não pode ser eliminado, mas pode adquirir um sentido: pode tornar-se ato de amor, entrega nas mãos de Deus que não nos abandona e, deste modo, ser uma etapa de crescimento na fé e no amor. Contemplando a união de Cristo com o Pai, mesmo no momento de maior sofrimento na cruz (cf. Mc 15, 34), o cristão aprende a participar no olhar próprio de Jesus; até a morte fica iluminada, podendo ser vivida como a última chamada da fé, o último «Sai da tua terra» (cf. Gn 12, 1), o último «Vem!» pronunciado pelo Pai, a quem nos entregamos com a confiança de que Ele nos tornará firmes também na passagem definitiva.

Elo de Comunhão..

A luz da fé não nos faz esquecer os sofrimentos do mundo. Os que sofrem foram mediadores de luz para tantos homens e mulheres de fé; tal foi o leproso para São Francisco de Assis, ou os pobres para a Beata Teresa de Calcutá. Compreenderam o mistério que há neles; aproximando-se deles, certamente não cancelaram todos os seus sofrimentos, nem puderam explicar todo o mal. A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho. Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar connosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para nela vermos a luz. Cristo é aquele que, tendo suportado a dor, Se tornou «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2). (Francisco, Encíclica Lumen Fidei, 56)

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Ano B - Tempo Comum - 6º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do 5ºDomingo Comum-Ano B

LEITURA ESPIRITUAL

Que condescendência a de Deus, que nos procura, que dignidade a do homem, que é assim procurado! «Que é o homem, Senhor, para que Te lembres dele, o filho do homem para que dele Te recordes?» (Job 7,17). Gostava muito de saber porque foi que Deus quis vir até nós, porque não fomos nós a ir a Ele. Porque é o nosso interesse que está em causa. Não é habitual os ricos irem à casa dos pobres, mesmo quando têm a intenção de lhes fazer bem. Era a nós que convinha ir ter com Jesus. Mas um duplo obstáculo nos impedia: os nossos olhos estavam cegos e Ele vive numa luz inacessível; nós jazíamos paralisados nos nossos catres, incapazes de alcançar a grandeza de Deus. Foi por isso que o nosso bom Salvador e médico das nossas almas desceu das alturas e moderou para os nossos olhos doentes o brilho da sua glória. Ele revestiu-Se, como que de uma lanterna, desse corpo luminoso e puro de toda a mancha que assumiu. (São Bernardo,1091-1153, monge cisterciense, doutor da Igreja, 1.º Sermão para o Advento).

Elo de Comunhão..

 

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Ano B - Tempo Comum - 5º Domingo - Boletim Dominical II

Leitura Espiritual do 4ºDomingo Comum- Ano B

 

LEITURA ESPIRITUAL

O Mal não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O «Diabo» («dia-bolos») é aquele que «se atravessa» no desígnio de Deus e na sua «obra de salvação» realizada em Cristo.

«Assassino desde o princípio, mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), «Satanás, que seduz o universo inteiro» (Ap 12, 9), foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo, e é pela sua derrota definitiva que toda a criação será «liberta do pecado e da morte» (144). «Sabemos que ninguém que nasceu de Deus peca, porque o preserva Aquele que foi gerado por Deus, e o Maligno, assim, não o atinge. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sujeito ao Maligno» (1 Jo 5, 18-19):

«O Senhor, que tirou o vosso pecado e perdoou as vossas faltas, tem poder para vos proteger e guardar contra as insídias do Diabo que vos combate, para que não vos surpreenda o inimigo que tem o hábito de engendrar a culpa. Mas quem a Deus se entrega não tem medo do Diabo. Porque “se Deus está por nós, quem contra nós?” (Rm 8, 31)».

A vitória sobre o «príncipe deste mundo» foi alcançada, duma vez para sempre, na «Hora» em que Jesus livremente Se entregou à morte para nos dar a sua vida. Foi o julgamento deste mundo, e o príncipe deste mundo foi «lançado fora». «Pôs-se a perseguir a Mulher» (Ap 12, 13), mas não logrou alcançá-la: a nova Eva, «cheia da graça» do Espírito Santo, foi preservada do pecado e da corrupção da morte (Imaculada Conceição e Assunção da santíssima Mãe de Deus, Maria, sempre Virgem). Então, «furioso contra a Mulher, foi fazer guerra contra o resto da sua descendência» (Ap 12, 17). Eis porque o Espírito e a Igreja rogam: «Vem, Senhor Jesus!» (Ap 22, 17.20), já que a sua vinda nos libertará do Maligno.

Elo de Comunhão.

Ao pedirmos para sermos libertados do Maligno, pedimos igualmente para sermos livres de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador. Nesta última petição, a Igreja leva à presença do Pai toda a desolação do mundo. Com a libertação dos males que pesam sobre a humanidade, a Igreja implora o dom precioso da paz e a graça da espera perseverante do regresso de Cristo. Orando assim, antecipa na humildade da fé a recapitulação de todos e de tudo, n’Aquele que «tem as chaves da morte e da morada dos mortos» (Ap 1, 18), «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Todo-Poderoso» (Ap 1, 8):

«Livrai-nos de todo o mal, Senhor, e dai ao mundo a paz em nossos dias, para que, ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e de toda a perturbação, enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador». (Catecismo da Igreja Católica, 2851-2854).

Ano B - Tempo Comum - 4º Domingo - Boletim Dominical II

 

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Liturgia do 3ªDomingo Comum- Ano B

 

LEITURA ESPIRITUAL

«Disse-lhes Jesus: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens”». Feliz mutação da pesca: Simão e André são a pesca de Jesus. Estes homens são comparados a peixes, pescados por Cristo, antes de irem eles próprios pescar outros homens. «Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus.» Uma fé verdadeira não conhece demora; quando O ouviram, acreditaram, seguiram-no e tornaram-se pescadores: «deixaram logo as redes». E, com estas redes, foram todos os vícios da vida deste mundo que eles deixaram.

«Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.» Dir-me-eis: a fé é audaciosa; que indício tinham eles, que sinal sublime tinham observado, para O seguirem, assim que Ele os chamou? É evidente que alguma coisa de divino emanava do olhar de Jesus, da expressão do seu rosto, que incitava os que O olhavam a aderirem a Ele. Porque digo eu tudo isto? Para vos mostrar que a palavra do Senhor agia, e que, através da menor das suas palavras, Ele realizava a sua obra: «ordenou e logo foram criados» (Sl 148,5). Com a mesma simplicidade, chamou, e eles seguiram- no. «Ouve, filha, vê e presta atenção; esquece o teu povo e a casa do teu pai; porque o rei se deixou prender da tua beleza» (Sl 44,11-12).

Elo de Comunhão

Presta atenção, irmão, e segue as pegadas dos apóstolos; escuta a voz do Salvador, ignora o teu pai pela carne, e vê o verdadeiro Pai da tua alma e do teu espírito. Os apóstolos deixam o pai, deixam o barco, deixam todas as suas riquezas; abandonam o mundo e as suas inumeráveis riquezas; renunciam a tudo o que possuem. Mas não é a quantidade das riquezas que Deus considera, é a alma daquele que a elas renuncia. Também os que deixaram poucas coisas renunciaram verdadeiramente a uma grande fortuna. (São Jerónimo, 347-420, presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja, Homilias sobre o Evangelho de S. Marcos)

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Ano B - Tempo Comum - 3º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do 2ºDomingo Comum- Ano B

 

“Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”. É o refrão que repetimos no salmo responsorial e que nos recorda a resposta de Samuel ao Senhor: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta”. A primeira leitura narra-nos a vocação de Samuel, um dos personagens mais emblemáticos do Antigo Testamento: quando era ainda criança e vivia no Templo onde tinha sido entregue e consagrado ao Senhor pela sua mãe, ouve um chamamento que não sabe identificar, mas que é constante e que se vai repetindo. Heli ajuda-o a descobrir pouco a pouco que essa voz é o Senhor. Neste domingo recordemos e agradeçamos a dedicação de tantas pessoas que, um dia, nos ajudaram a abrir o nosso coração a Jesus.

No texto do evangelho encontramos também um bom guia que sabe orientar os outros para Deus: João Baptista. Dá testemunho de Jesus, com a finalidade de levar as pessoas a acreditar Nele. João apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus. “Dois dos seus discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus”, não só pelo que ouviram, mas também pelo que viveram. “Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia”. Ficaram impressionados com este encontro, provocado pelo convite de Jesus: “Vinde ver”, que lhe mudou a vida. Quando se dirigiram a Jesus, estes dois discípulos saudaram-no como mestre (“Rabi”), mas bem depressa, devido à convivência com Ele, descobriram que é o Messias. Messias é uma palavra de origem hebraica que significa “ungido”; referia-se especialmente ao salvador que Israel esperava ser enviado por Deus para o libertar. A palavra Cristo, que vem da tradução grega de Messias, tem o mesmo significado.

De Eli e de João Baptista, aprendemos o modelo para acompanhar alguém no discernimento na fé: saber desaparecer para que o Outro apareça com mais destaque. Eles não são os protagonistas, e o seu “ocultar-se” faz com que hoje os tenhamos como exemplo do chamamento de Samuel, de André e de Simão. A este último, Jesus muda-lhe o nome para Pedro (pedra, rocha), porque terá um papel fundamental na história a partir deste encontro.

Na segunda leitura, S. Paulo recorda-nos a importância do corpo: é fundamental na relação e comunicação pessoal. Aquilo que Deus espera de nós concretiza-se muitas vezes através do corpo. É com os nossos braços, ouvidos, olhos…que o Senhor actua no mundo. “O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor…glorificai a Deus no vosso corpo”. Não se pode dizer, como alguns pensavam em Corinto, que o que se faz com o corpo não afecta o Espírito. O corpo é templo do Espírito Santo.

Por isso pedimos ao Senhor que a Eucaristia que celebramos revele o que queremos viver. Que saibamos escutar e responder a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças.

Elo de comunhão 17-01-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Levando Pedro consigo, André conduziu ao Senhor o seu irmão segundo a natureza e o sangue, para que se tornasse discípulo como ele; é a primeira obra de André. Ele fez crescer o número dos discípulos: juntou-lhe Pedro, em quem Cristo encontraria o chefe dos seus discípulos. Isto é de tal maneira verdade que quando, mais tarde, Pedro tiver uma conduta admirável, ele o deverá ao que André tinha semeado. O louvor dirigido a um recai igualmente sobre o outro, pois os bens de um pertencem ao outro e um glorifica-se com os méritos do outro.

Que alegria Pedro trouxe a todos quando respondeu de imediato à pergunta do Senhor, quebrando o silêncio embaraçado dos discípulos! Só Pedro pronunciou estas palavras: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt 16,16). Falando em nome de todos, numa frase, proclamou o Salvador e o seu desígnio de salvação. Como esta proclamação se conjuga bem com a de André! As palavras que André tinha dito a Pedro, quando o conduzira a Cristo – «Encontramos o Messias» – confirma-as o Pai celeste, ao inspirá-las a Pedro (Mt 16,17): «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.» (Basílio de Selêucia, ?-c. 468), bispo, Sermão em louvor de Santo André, 4; PG 28, 1105)

 

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Ano B - Tempo Comum - 2º Domingo - Boletim Dominical II

Celebrações Comunitárias nas Comunidades da UP Aguiar da Beira suspensas

Em comunicado a Unidade Paroquial de Aguiar da Beira suspendeu as Celebrações Comunitárias até dia 31 de janeiro, assim refere:”Dando cumprimento às orientações da Direcção Geral da Saúde e da Diocese de
Viseu acerca da Pandemia Covid 19 e depois de uma reflexão atenta sobre a situação
actual de aumento substancial de casos, informa-se que, de 17 a 31 de Janeiro de 2021,
NÃO HAVERÁ CELEBRAÇÕES COMUNITÁRIAS NAS PARÓQUIAS DE Aguiar da Beira, Carapito, Cortiçada, Coruche, Dornelas, Eirado, Forninhos, Gradiz, Pena Verde, Pinheiro de Aguiar, Sequeiros, Souto de Aguiar, Valverde, Matança e Queiriz, concelhos de Aguiar da Beira e Fornos de Algodres. Trata-se de uma medida preventiva. Sugere-se a participação pelos órgãos de Comunicação Social (nomeadamente
da Televisão) ou uma Celebração familiar.
A quem tenha tido contacto com alguém infectado, pede-se que siga os
procedimentos normais, contactando a Saúde 24, respeitando o confinamento e estando
atento aos sintomas.
Como diz o Papa Francisco, só com o esforço de todos, poderemos vencer esta
crise sanitária!
Informa-se ainda que esta situação se verifica também em outras paróquias da
Diocese de Viseu”.

Liturgia do Baptismo do Senhor- Ano B

 

Com a Festa do Baptismo do Senhor encerramos o Tempo do Natal, com o qual contemplámos o mistério da Encarnação do Filho de Deus e iniciamos o Tempo Comum até quarta-feira de Cinzas com o início da Quaresma. A passagem entre estes dois tempos litúrgicos acontece neste Domingo. Se na solenidade da Epifania do Senhor celebrávamos a manifestação de Deus a todos os povos da terra, com a festa do Baptismo do Senhor continuamos a celebrar esta manifestação como mistério da revelação de Deus que em Cristo ilumina e enche de sentido a nossa vida.

O evangelho deste Domingo narra-nos o início da pregação de João Batista que é um grande anúncio para todos. Depois da sua pregação virá o Messias que nos baptizará no Espírito Santo. A palavra “cristão” significa consagrado no mesmo Espírito no qual Jesus foi consagrado. O baptismo de João era um acto de contrição para receber o perdão dos pecados, mudar a vida e assim estar preparados para a vinda do Salvador para libertar Israel. O anúncio de que o Messias baptizaria no Espírito Santo revela que a sua acção salvífica e redentora irá mais além do perdão dos pecados, ou seja, fará surgir uma vida nova tal como profetizou Isaías na primeira leitura.

Depois do anúncio de João Batista, o evangelista Marcos, de uma maneira muito sóbria, introduz Jesus e o seu baptismo. Diz-nos que “naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no rio Jordão”. No rio Jordão, Jesus manifesta-se com uma extraordinária humildade, que recorda a pobreza e a simplicidade daquele menino na manjedoura de Belém. Antecipa já os sentimentos que, no final dos seus dias neste mundo, lavará os pés dos seus discípulos e assumirá a humilhação terrível da morte na cruz. O Filho de Deus, Aquele que não tem pecado, encontra-se entre os pecadores e revela a proximidade de Deus no caminho da conversão de cada homem e de cada mulher. Jesus carrega sobre os seus ombros o peso da culpa de toda a humanidade e assim inicia a sua missão, a sua vida pública. Por isso a festa do Baptismo do Senhor leva à sua plenitude o tempo do Natal.

Com a mesma sobriedade, o evangelista Marcos continua a narrar o baptismo do Senhor, dizendo que “ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele”. Nesta imagem, os Padres da Igreja reconheceram um dos momentos constitutivos do sacramento do baptismo. Afirmavam o seguinte: se João baptizava com água para purificar os pecados, o baptismo do Senhor tinha purificado a água para pudéssemos entrar na vida nova da sua ressurreição. Assim, a água passa a ser sinal de salvação real para todos. O baptismo no rio Jordão converte-se numa promessa pascal: o homem novo, Jesus, promete a todos os homens e mulheres, prisioneiros do homem velho por causa do pecado, estar com eles numa missão necessária e dolorosa para todos: a morte do homem velho.

Mas se ainda houvesse dúvidas, o evangelista Marcos termina esta narração com uma manifestação de Deus. Devemos recordar que o evangelho de Marcos inicia sem nenhuma referência ao nascimento de Jesus. O texto evangélico deste domingo contém quase os primeiros versículos do evangelho. O evangelista coloca uma frase pronunciada por Deus que é de grande importância e que não se repetirá até ao momento da Transfiguração no monte Tabor. O itinerário pedagógico da liturgia leva-nos a conhecer as reacções que Jesus tinha suscitado nos pastores, no rei Herodes, nos Magos do Oriente, em Simeão e Ana. Pouco a pouco, estes sentimentos levam-nos a reconhecer que aquele menino é o Messias que o povo esperava. Mas se ainda houver dúvidas, hoje ressoa a voz de Deus que nos confirma que aquele homem entre o povo e baptizado nas águas do rio Jordão é o seu Filho muito amado. Depois de contemplar o seu nascimento neste tempo de Natal, saibamos acolher Jesus na sua vida pública para sentir e experimentar a realidade do seu Reino.

Elo de comunhão

LEITURA ESPIRITUAL

Junto do Jordão, Jesus manifesta-se com uma extraordinária humildade, que recorda a pobreza e a simplicidade do Menino colocado na manjedoura, e antecipa os sentimentos com os quais, no final dos seus dias terrenos, chegará a lavar os pés dos discípulos e sofrerá a humilhação terrível da cruz. O Filho de Deus, Aquele que é sem pecado, coloca-se entre os pecadores, mostra a proximidade de Deus ao caminho de conversão do homem. Jesus carrega sobre os seus ombros o peso da culpa da humanidade inteira, inicia a sua missão pondo-se no nosso lugar, no lugar dos pecadores, na perspectiva da cruz.

Recolhido em oração, depois do baptismo, enquanto sai da água, abrem-se os céus. É o momento esperado por multidões de profetas. “Se rasgásseis os céus e descêsseis!”, tinha invocado Isaías (64, 1). Neste momento, parecia sugerir São Lucas, este pedido é satisfeito. De facto, “o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu” (3, 21-22); ouviram-se palavras nunca antes pronunciadas: “Tu és o Meu Filho muito amado; em Ti pus todo o Meu enlevo” (v. 22). Jesus, saindo das águas, como afirma São Gregório de Nazianzo, “vê o céu abrir-se e separar-se, aquele céu que Adão tinha fechado para si e para toda a sua descendência” (Discurso 39 para o Baptismo do Senhor, p. 36). O Pai, o Filho e o Espírito Santo descem entre os homens e revelam-nos o seu amor que salva. Se são os anjos que levam aos pastores o anúncio do nascimento do Salvador, e as estrelas aos Magos vindos do Oriente, agora é a própria voz do Pai que indica aos homens a presença no mundo do seu Filho e que convida a olhar para a ressurreição, para a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte. (Bento XVI, Homilia de 10 de Janeiro de 2010)

 

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Ano B - Tempo do Natal - Baptismo do Senhor - Boletim Dominical II sem avisos

Avisos e Liturgia- Epifania do Senhor- Ano B

 

Prossegue o tempo do Natal com a celebração da Epifania do Senhor. A oração colecta sempre nos ajuda a alcançar o mistério que celebramos em cada uma das celebrações eucarísticas. Neste Domingo, esta oração recorda-nos que Deus revelou o seu Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela. Também pedimos que o Senhor nos guie para contemplarmos face a face a sua glória. Na narração dos Magos do Oriente encontramos um perfeito itinerário da fé cristã.

Os Magos deixam a estabilidade, o conforto e a segurança dos seus lares para fazerem um caminho, uma viagem. De certeza que preferiam ficar em casa, rodeados da tranquilidade própria de uma habitação confortável. Um sinal no céu despertou-lhes a curiosidade, o espírito de aventura e a vontade de percorrer um caminho, ou seja, de fazer uma viagem que transformará as suas vidas. O caminho que eles fizeram pode ser feito por cada um de nós em qualquer momento da vida. Muitas vezes somos cristãos desinteressados e insensíveis; os nossos pais e avós já eram cristãos e, por isso, também somos e pronto! Os acontecimentos da vida, os sinais dos tempos, despertam-nos da nossa fé acomodada para procurarmos o seu fundamento e alicerce. Da decisão que tomarmos poderão surgir dois caminhos: ou ficamos na mesma e a nossa fé enfraquece, ou decidimos percorrer um caminho que nos leve a contemplar o nosso redentor.

O texto do evangelho de S. Mateus revela-nos que este itinerário não está isento de dificuldades. Os Magos do Oriente também as tiveram. O rei Herodes foi um traidor; aparentemente, desejava conhecer o menino Jesus, mas na realidade pretende servir-se da boa vontade daqueles Magos para concretizar o seu plano: matar o menino Jesus para que só ele possa ser o rei dos judeus. Os Magos poderiam ter-se enganado no caminho, poderiam ter ficado contentes por conhecer o rei Herodes ou poderiam ter atraiçoado o menino Jesus dando a conhecer a Herodes a sua morada. Não o fizeram porque foram fiéis e não se deixaram iludir com as palavras de Herodes. Cuidado! Os falsos ídolos de hoje distraem-nos e separam-nos do que realmente desejamos: o encontro pessoal com o Senhor.

Qual é o momento mais esperado de toda a viagem dos Magos? Aquele em que podemos contemplar face a face a sublime glória de Deus. No ponto de chegada deste caminho encontramos Maria a apresentar-nos Jesus Cristo. Depois da contemplação vem a adoração, porque prostraram-se para O adorar. Não há troca de palavras, não há apresentações; viram o menino e adoram-no. Os Magos ensinam-nos o seguinte: perante o mistério de Deus não há palavras, perante a possibilidade de O conhecer e de O contemplar desponta o silêncio da adoração.

03-01-2021

Abriram os seus tesouros e ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra. Nestas prendas, os Padres da Igreja vêm simbolizadas no ouro a realeza de Jesus Cristo, no incenso a sua divindade e na mirra a sua paixão. Estas prendas são uma representação da identidade de Jesus Cristo. Podemos afirmar que os Magos, depois da viagem, conseguiram descobrir quem é Jesus. Que prendas podemos hoje oferecer ao menino Jesus? É evidente que podemos oferecer ouro, incenso e mirra, mas quem é Jesus Cristo para nós? E se oferecêssemos a nossa vida e a nossa pobreza para que Ele a transforme?

No final da celebração eucarística deste Domingo iremos, como os Magos, regressar às nossas casas. Na Eucaristia temos a oportunidade de nos encontrar e de adorar o Senhor. Celebrando a Eucaristia, transformamos a nossa vida. Que o itinerário dos Magos do Oriente nos ajude hoje e sempre a contemplar face a face a admirável glória de Deus.

 

LEITURA ESPIRITUAL

“Levanta-te e resplandece, Jerusalém, chegou a tua luz!” (Is, 60,1) Chegou realmente a tua luz; ela estava no mundo e o mundo foi feito por ela, mas o mundo não a conheceu. O Menino nascera, mas não foi conhecido enquanto o dia da luz não começou a revelá-Lo. Erguei-vos, vós que estais sentados nas trevas! Dirigi-vos para esta luz; ela ergueu-se nas trevas, mas as trevas não conseguiram abarcá-la. Aproximai-vos e sereis iluminados; na luz vereis a luz, e dir-se-á sobre vós: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” (Ef 5,8). Vede que a luz eterna se acomodou aos vossos olhos, para que Aquele que habita uma luz inacessível possa ser visto pelos vossos olhos fracos e doentes. Descobri a luz numa lâmpada de argila, o sol na nuvem, Deus num homem, no pequeno vaso de argila do vosso corpo o esplendor da glória e o brilho da luz eterna!

Nós Te damos graças, Pai da luz, por nos teres chamado das trevas à tua luz admirável. Sim, a verdadeira luz, mais do que isso, a vida eterna, consiste em Te conhecer, a Ti, único Deus, e ao teu enviado, Jesus Cristo. É certo que Te conhecemos pela fé, e temos como seguro que um dia Te conheceremos na visão. Até lá, aumenta-nos a fé. Conduz-nos de fé em fé, de claridade em claridade, sob a moção do teu Espírito, para que penetremos cada dia mais nas entranhas da luz! Que a fé nos conduza à visão face a face e que, à semelhança da estrela, ela nos guie até ao nosso chefe nascido em Belém.

Que alegria, que exultação para a fé dos magos, quando virem reinar, na Jerusalém das alturas, Aquele que adoraram quando vagia em Belém! Viram-No aqui numa habitação de pobres; lá, vê-Lo-emos no palácio dos anjos. Aqui, nos paninhos; lá, no esplendor dos santos. Aqui, no seio de sua Mãe; lá, no trono de seu Pai. (Beato Guerric de Igny, 3º sermão para a Epifania).

 

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Avisos e Liturgia – Sagrada Família – ano B

 

Continuando com as festas solenes do Natal, neste domingo a Igreja recomenda contemplar a Sagrada Família. Esta celebração não ofusca este tempo litúrgico; recordamos e celebramos Deus que quis nascer numa família para que tivesse alguém que Dele cuidasse. Jesus, o Filho de Deus, ao nascer numa família, santificou a família humana. Por isso, veneramos a Sagrada Família como modelo importante e fundamental da família humana. Numa sociedade em que a família não disfruta do mérito e prestigio que merece, é muito importante celebrar esta festa instituída em 1921 pelo Papa Bento XV e colocada no calendário universal da Igreja. A oração colecta recorda-nos que Deus quis dar-nos o modelo da Sagrada Família para que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na Sua casa para gozarmos as alegrias eternas.

Mas, quais são essas virtudes familiares? O texto do evangelho pode ajudar-nos a encontrar a resposta. José e Maria levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, para cumprirem os preceitos da lei de Moisés relacionados com a purificação. Esta particularidade do início do texto ajuda-nos a entender que José e Maria eram uma família que cumpria os preceitos da sua religião judaica. Por isso, não é difícil imaginá-los na sua casa a rezar juntos os salmos e a ensinar o Menino Jesus no ritmo diário de oração. É isto que as nossas famílias cristãs deveriam imitar com os mais pequenos da casa para que aprendam a importância de rezar nos diversos momentos do dia. Mas sigamos o texto para encontrar outras virtudes a imitar desta família. A visita ao templo supõe um encontro com duas pessoas interessantes.

Sabemos que Simeão era um homem justo e piedoso e que esperava a hora da consolação de Israel. Movido pelo Espírito Santo vai ao templo e ali encontra-se com a Sagrada Família. Desta maneira, cumpre-se a promessa que o Espírito Santo lhe tinha feito: ver o Messias antes de morrer. Com o menino Jesus nos braços, Simeão entoa um dos hinos mais importantes para a liturgia da Igreja que é rezado na hora de completas, antes do repouso da noite. Este hino é de acção de graças por ter conseguido ver o Messias. Sabemos que Ana foi casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Tinha uma vida sóbria dedicada à oração e ao jejum, não se afastando do templo. O texto não nos revela nenhum diálogo entre ela e a Sagrada Família, mas podemos imaginar uma grande alegria ao conhecer o menino Jesus, a qual deu origem à sua acção de graças a Deus. Falava daquele menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Em ambos os encontros a Sagrada Família proporciona um momento de acção de graças a Deus. Assim, temos uma nova virtude, digna de ser imitada: eles dão a conhecer o Messias e, com Ele, geram a consolação e a esperança que vêm de Deus depois de uma vida longa e provavelmente dura. E se nós também fossemos mensageiros desta consolação e esperança, dando a conhecer o Messias em todos os momentos da nossa vida? Talvez a nossa sociedade pudesse converter-se numa autêntica família que louva a Deus e é capaz de imitar os exemplos da família da qual Deus fez parte.

Elo de Comunhão (3)

Finalmente, na festa da Sagrada Família rezemos especialmente pelas nossas famílias. No seio da nossa família nascemos e crescemos. Foi nela que Deus estabeleceu o alicerce das nossas vidas. Os nossos pais e padrinhos ajudaram-nos a crescer na fé, nos valores de uma vida cristã. Recordemos os membros falecidos das nossas famílias e agradeçamos os novos membros que nela se incorporaram. Diante de Deus, agradeçamos todos os membros da nossa família e peçamos a protecção da Sagrada Família. Que o nosso lar, por intercessão da Sagrada Família, se converta num modelo da Igreja doméstica, como afirmou o Concílio Vaticano II.

 

LEITURA ESPIRITUAL

Nazaré é a escola em que se começa a compreender a vida de Jesus, é a escola em que se inicia o conhecimento do Evangelho. Aqui se aprende a observar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão profundo e misterioso desta manifestação do Filho de Deus, tão simples, tão humilde e tão bela. Talvez se aprenda também, quase sem dar por isso, a imitá-la. Aqui se aprende o método e o caminho que nos permitirá compreender facilmente quem é Cristo. Aqui se descobre a importância do ambiente que rodeou a sua vida, durante a sua permanência no meio de nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo o que serviu a Jesus para Se revelar ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem sentido. Aqui, nesta escola, se compreende a necessidade de ter uma disciplina espiritual, se queremos seguir os ensinamentos do Evangelho e sermos discípulos de Cristo. Quanto desejaríamos voltar a ser crianças e acudir a esta humilde e sublime escola de Nazaré! Quanto desejaríamos começar de novo, junto de Maria, a adquirir a verdadeira ciência da vida e a superior sabedoria das verdades divinas! Mas estamos aqui apenas de passagem e temos de renunciar ao desejo de continuar nesta casa o estudo, nunca terminado, do conhecimento do Evangelho. No entanto, não partiremos deste lugar sem termos recolhido, quase furtivamente, algumas breves lições de Nazaré.  Em primeiro lugar, uma lição de silêncio. Oh se renascesse em nós o amor do silêncio, esse admirável e indispensável hábito do espírito, tão necessário para nós, que nos vemos assaltados por tanto ruído, tanto estrépito e tantos clamores, na agitada e tumultuosa vida do nosso tempo! Silêncio de Nazaré, ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor de uma conveniente formação, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê. Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu carácter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré como é preciosa e insubstituível a educação familiar e como é fundamental e incomparável a sua função no plano social. Uma lição de trabalho. Nazaré, a casa do Filho do carpinteiro! Aqui desejaríamos compreender e celebrar a lei, severa mas redentora, do trabalho humano, restabelecer a consciência da sua dignidade, de modo que todos a sentissem; recordar aqui, sob este tecto, que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que a sua liberdade e dignidade se fundamentam não só em motivos económicos, mas também naquelas realidades que o orientam para um fim mais nobre. Daqui, finalmente, queremos saudar os trabalhadores de todo o mundo e mostrar-lhes o seu grande Modelo, o seu Irmão divino, o Profeta de todas as causas justas que lhes dizem respeito, Cristo Nosso Senhor. (Paulo VI, Alocução em Nazaré, 5 de Janeiro de 1964).

 

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Ano B - Tempo do Natal - Sagrada Família - Boletim Dominical II