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Tag Archives: unidade pastoral Aguiar da Beira

Avisos e Liturgia do 32º Domingo Comum (Ano C)

a)      As celebrações, ocorridas nos dias 1 e 2 de Novembro, convidaram-nos a pensar em todos aqueles que seguiram Jesus e que gozam, agora, da glória celeste, ou que esperam ser purificados. Também as leituras deste Domingo, e dos próximos, nos falam desta temática. Estamos a terminar o Ano Litúrgico. Nestes últimos Domingos, os textos irão abordar o fim dos tempos. Neste Domingo, reflectiremos sobre a ressurreição, dada por Jesus, o Senhor da Vida, a todos os que Nele acreditam.

 

b)      Na leitura do livro dos Macabeus, encontramos o exemplo de uma mulher admirável que, com a sua profunda fé, anima os seus filhos a serem fieis a Deus, vencendo todas as tentações e sofrimentos que lhes causam para os desviar do verdadeiro caminho. Comer ou não determinados alimentos não tem uma grande importância: mais importante é a fidelidade que os judeus têm a Deus entre os pagãos que os perseguem e os torturam. S. Paulo anima, também, os cristãos de Tessalónica, na Grécia, para que sejam perseverantes no caminho da fé, pois serão um motivo de edificação para todas as comunidades. Apesar de saber que eles irão sofrer perseguições, Paulo diz-lhes: “O Senhor é fiel: Ele vos dará firmeza e vos guardará do Maligno”, “para que a Palavra de Deus se propague rapidamente e seja glorificada, como acontece no meio de vós”. No evangelho, Jesus, perante a questão dos sete irmãos que se casaram com a mesma mulher, indica-nos qual é a sua visão sobre a vida futura: Deus preparou-nos, depois da ressurreição, uma nova vida.

10-11-2019

c)       Um cristão distingue-se pela fé, em clima de esperança, que ilumina a nossa ideia sobre a vida presente e a vida futura. Acreditamos que o que Deus nos prepara é a vida e não a morte. Na leitura do Antigo Testamento, aqueles irmãos professavam a sua fé: “o Rei do Universo ressuscitar-nos-á para a vida eterna, se morrermos fiéis às suas leis”. Esta frase é confirmada com as palavras de Jesus: “Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos”. A vida terrena é uma passagem (peregrinação) para a vida definitiva, apesar de não se conseguir explicar, racionalmente, a transformação da nossa existência presente numa vida definitiva.

 

d)      As celebrações do início de Novembro e destes próximos Domingos convidam-nos a olhar não só para o nosso passado e presente, mas também para o futuro. Pensar “na outra vida” não é de pessoas que querem fugir aos compromissos deste mundo. É de pessoas sensatas que dão importância àquilo que deve ser valorizado e que relativizam tudo o resto. Somos um povo que avança, como se canta algumas vezes. Uma comunidade que tem como meta o Reino dos Céus, apesar de não termos experiência de como é e de não termos resposta para muitas perguntas. Confiamos plenamente em Jesus, o Mestre, que nos vai orientando nesta caminhada. Vamos no bom caminho. A nossa fé e a nossa participação activa na Eucaristia são, segundo Jesus Cristo, a garantia e a antecipação da vida definitiva: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia”.

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Ano C - Tempo Comum - 32º Domingo - Boletim Dominical

Avisos e Liturgia do 28º Domingo Comum (Ano C)

a)      No Domingo passado, os discípulos fizeram um pedido a Jesus: “Aumenta a nossa fé”. Este pedido foi precedido por duas parábolas: a do administrador desonesto e a do pobre Lázaro e do rico avarento. Como resposta ao pedido dos discípulos, Jesus afirma que a fé não está relacionada com a quantidade material mas com a qualidade, ou seja, com a sua gratuidade e confiança que se manifesta no serviço e entrega aos irmãos. Neste domingo encontramos uma continuidade temática. Não temos uma parábola nem um diálogo com os discípulos, mas a narração de uma acção, de um milagre: a cura dos dez leprosos, indo Jesus a caminho de Jerusalém. Todos os leprosos ficaram curados. De seguida, puseram-se a caminho de Jerusalém ao encontro dos sacerdotes, mas só um, que era samaritano, voltou atrás para agradecer a Jesus a sua cura.

 

b)      Neste Domingo, ao tema da fé (explicada nos domingos anteriores) junta-se o tema da gratidão. Que diferença existe entre os nove leprosos que se apresentaram diante dos sacerdotes, cumprindo a ordem de Jesus, com o outro que regressou para agradecer? Não há dúvida que todos foram curados e salvos. Mas só um coloca a sua esperança na confiança e na gratidão e não fica somente na legalização da sua situação (necessidade de se purificar no Templo). Os nove leprosos foram curados por necessidade, porque Deus não é insensível às nossas necessidades, mas o leproso samaritano, como diz Jesus, foi salvo pela sua fé. É esta fé que leva o leproso Naamã, general sírio, a banhar-se no rio Jordão, cumprindo, assim, uma ordem do profeta Eliseu para ficar curado e purificado da sua doença. Na Síria, ele tinha rios com água de qualidade superior, mas a sua fé não residia num rio mas na palavra do profeta, homem de Deus. Por isso, quando se vê curado, regressa a casa de Eliseu, não só para se mostrar curado mas também para reconhecer que não há outro Deus senão o de Israel que se manifesta através do profeta e da sua palavra. Eliseu não aceita qualquer presente de Naamã. Então, o general sírio pede-lhe um pouco de terra daquele país para adorar o Deus de Israel. Este sírio e o samaritano do evangelho descobriram de onde lhes veio a salvação e foram capazes de agradecer.

13-10-2019

c)       Os leprosos da Palavra de Deus deste Domingo representam-nos, porque quando na vida tudo nos corre bem, muitas vezes, esquecemos Deus. Convencemo-nos que tudo o que fazemos deve-se somente ao nosso esforço, ao nosso trabalho e às nossas capacidades. Mas, quando chegam as dificuldades, dizemos: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós”. Nos momentos de aflição, sabemos clamar ao único que nos pode atender e salvar. E tantas vezes, ultrapassadas as dificuldades, nos esquecemos de agradecer, como se tudo fosse somente fruto do nosso esforço. De facto, nas nossas celebrações eucarísticas, elevamos sempre a Deus as duas petições. No início, dizemos: “Senhor, tende piedade de nós”; e antes do Prefácio: “Dêmos graças ao Senhor, nosso Deus. É nosso dever, é nossa salvação”. De seguida, o texto do Prefácio acrescenta: “Senhor, Pai Santo…, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte”. Nunca esqueçamos que estes dois pedidos são sempre necessários. São o grito dos leprosos e o grito do samaritano que ficou curado.

 

d)      Seria bom recordar às pessoas que nas nossas celebrações “não estamos todos”. Não estão todos os cristãos da nossa cidade, vila ou aldeia. Somos uma pequena percentagem, somos os representantes de tantos irmãos que foram curados e salvos pelo Senhor, mas só nós regressámos para dar graças a Deus. Dêmos graças a Deus também por eles. Não pensemos que os nossos irmãos que não vêm às nossas celebrações são piores que nós; eles cumprem as suas obrigações, seguindo o ritmo, os usos e costumes da sociedade moderna, como acontecia com tantos no tempo de Jesus que seguiam a cultura judaica. Deus também tem compaixão deles e é sensível às suas necessidades. A nós que aqui e agora Lhe agradecemos, Jesus diz-nos: “Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou”. Procuremos a salvação pelo caminho da gratidão, ou seja, pelo caminho da fé.

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Ano C - Tempo Comum - 28º Domingo - Boletim Dominical

Avisos e Liturgia do 25ºDomingo Comum (Ano C)

a)      De vez em quando, aparecem vozes nos meios de comunicação social que falam das crenças das pessoas e como elas são vividas. Habitualmente, fala-se disto, valorizando a liberdade: cada um tem o direito de acreditar no que quiser, quer ao nível do pensamento, quer ao nível das crenças religiosas. Muitas vezes acontece que a expressão do pensamento ou das crenças religiosas fica no âmbito pessoal, porque não se adequa ou encaixa na expressão social. Esta maneira de pensar traz uma dificuldade: considerar a fé somente numa dimensão pessoal e social e que facilmente se enquadra num âmbito privado e com fronteiras delimitadas. Esta visão não é compatível com a nossa fé, porque, se é autêntica, queremos vivê-la em toda a sua plenitude, toca o mais profundo de cada pessoa e da sociedade, ou seja, todas as dimensões da vida da pessoa e da sociedade. A proposta do Evangelho é global e destina-se a todos. A liturgia deste domingo põe sobre a mesa o tema do dinheiro que tem uma dimensão social muito grande. Por exemplo, muitas notícias começam ou terminam tendo em conta o dinheiro já gasto ou a gastar, ou seja, é uma realidade complexa que tem evidentes repercussões pessoais e sociais. Ajudar os cristãos a reflectir e a ser conscientes de todas as dimensões da existência – tanto sociais como pessoais – e a importância que a fé tem nas mesmas, é uma tarefa muito importante e necessária neste contexto complexo actual.

22-09-2019

b)      A nossa vida está cheia de oportunidades e de opções em busca da plena realização e da felicidade. A dificuldade reside é saber optar bem, para além das simples aparências e das felicidades passageiras. A nossa sociedade não é muito diferente da do tempo de Jesus. Por isso, continuam a ser actuais e importantes as palavras de Jesus: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. A opção pela fé continua a ser um mistério: um mistério que nasce da relação entre a graça divina e a nossa livre vontade e decisão. A fé é uma oferta que recebemos continuamente de Deus: não provém das nossas prestações, nem das nossas capacidades, nem dos nossos méritos. Mas pede a colaboração e a resposta de cada um de nós, fruto de saber descobrir onde está realmente a verdadeira felicidade e optar por ela. Podemos ajudar, preparando o nosso coração e desbravando o terreno. Podemos trabalhar a terra para que possa acolher e fazer germinar a semente. Podemos zelar para que haja um “clima” favorável, com humidade e iluminação necessárias. Podemos estar atentos para desmascarar as subtis manobras de outras “divindades” que nos deslumbram com as suas propostas de “felicidade”.

 

Mas, o melhor caminho, aquele que foi decisivo para a vida de cada um, é conhecer um testemunho concreto, alguém que fala, que anuncia, que vive a fé com normalidade na sua vida, alguém que soube escolher e que conseguiu que a fé inundasse toda a sua vida, não cedendo à atracção do consumismo, do poder, da fama, das riquezas ou das realidades mundanas. Estes testemunhos vivos falam-nos da “verdade” da fé no Deus de Jesus Cristo, da “verdade” da sua proposta de vida e de felicidade.

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Ano C - Tempo Comum - 25º Domingo - Boletim Dominical

Avisos e Liturgia do 22ºDomingo Comum (Ano C)

a)      Paulatinamente, a “normalidade” começa a ver-se no contexto social e na nossa eucaristia. As férias terminaram ou estão prestes a terminar. Como modo de acolhimento, não será inoportuno dirigir umas palavras de saudação àqueles que regressam das suas férias e também à nossa celebração e também àqueles que partem para os locais onde habitualmente residem para reiniciar um novo ano de trabalho. Este regresso à normalidade na vida da comunidade cristã e no quotidiano ajuda a valorizar tudo aquilo que se viveu nas últimas semanas: as experiências pessoais e em grupo, os lugares desconhecidos que foram visitados, as novas relações de amizade que se fizeram ou que se revigoraram e até, quem sabe, alguma má experiência. Tudo isto faz parte da nossa vida e tem que ser observado com olhos de fé e a partir da nossa fé.

 

b)      A palavra que resume a reflexão deste domingo é a humildade. É evidente que a proposta que nos é feita é exigente e pode também entrar em colisão com alguns valores, de uma forma consciente ou de uma forma subtil, a nossa sociedade nos propõe. A nossa celebração tem que ajudar a assembleia a descobrir o profundo sentido do convite que Jesus hoje nos lança, a sua importância e valor, porque por aqui passa a Sua proposta de salvação. Como é habitual, a primeira leitura do Antigo Testamento introduz-nos neste tema. Os conselhos de Ben-Sirá são muito concretos: “Filho, em todas as tuas obras procede com humildade… quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te e encontrarás a graça diante do Senhor”. Ao prepararmos a homilia, seria interessante descobrir que aspectos são realçados nesta leitura e como são confirmados ou corrigidos pelas palavras de Jesus no evangelho.

01-09-2019

c)       Muitas vezes, encontramos as parábolas na perícopa evangélica. A partir das realidades concretas da vida das pessoas do seu tempo, Jesus anuncia a Boa Nova. São pequenas histórias abertas, ou seja, que vão muito mais além do facto concreto que serve de imagem. Por isso, supõem reflexão e resposta pessoal a todo aquele que as escuta. Mais que explicar o sentido das parábolas, é importante ajudar a entrar na linguagem das parábolas e na necessidade de sensibilizar as pessoas a tirar lições para a vida. Neste domingo, Jesus aponta-nos um exemplo que é necessário que cada um descubra, interprete e leve para a sua vida. O caminho para viver a humildade só será possível, quando cada um o descobrir na sua própria vida.

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Ano C - Tempo Comum - 22º Domingo - Boletim Dominical

Avisos e Liturgia do 21º Domingo Comum (Ano C)

“Jesus dirigia-Se para Jerusalém e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava. Alguém Lhe perguntou: Senhor, são poucos os que se salvam?”. Esta era uma das preocupações das pessoas que seguiam Jesus, porque queriam ser do grupo destes poucos que se salvavam e também porque, à sua volta, havia muita gente que não seguia o caminho que eles percorriam. Esta é também uma preocupação dos nossos dias, porque muitas pessoas não se importam com a proposta do Evangelho. Tantas vezes damos conta que estamos em minoria, o que gera em nós alguma inquietação e a tentação de começar a duvidar da nossa decisão. Poderemos começar a pensar: não será que o evangelho contém princípios demasiados difíceis para a mentalidade da nossa sociedade?

O texto evangélico deste Domingo diz-nos que esta questão surgiu quando Jesus se dirigia para Jerusalém. Jesus não ensina numa aula de uma escola ou de uma universidade. Tudo aquilo que ensina converte-se em vivência. Por isso, não deve causar admiração a frase de Jesus: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita”. É evidente que Jesus não pretende atrair a Si pessoas sem qualquer motivo, tendo como objectivo somente a quantidade, o número dos seus seguidores. Jesus deseja que todos os que O seguem façam sua a proposta que lhes sugere. E quer que sintam desde o primeiro momento esta proposta, ou seja, que a decisão surja do sentimento da adesão progressiva de cada um a Ele.

25-08-2019

Jesus revela-nos o rosto misericordioso de Deus. Isto não quer dizer que Deus faça “saldos ou promoções”, que feche os olhos e simplesmente diga “todos são bons” e nada mais importa. A misericórdia de Deus pretende que nos unamos a Ele, através do Seu amor, que nunca nos deixa, mas que nos transforma e faz-nos encontrar o gosto da vida. Na segunda leitura, o texto da Carta aos Hebreus é muito claro: “Deus trata-vos como filhos. Qual é o filho a quem o pai não corrige?”.

No evangelho, Jesus diz: “Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa do reino de Deus”. Parece que, de um momento para o outro, se abre a porta e que fica espaçosa para aqueles que nada fizeram para merecer o Reino. É verdade que não controlamos os caminhos do Reino. Nós somos especialistas em colocar etiquetas nas pessoas que nos rodeiam: “este merece”, “este não merece, porque não vale nada”, “estes são dos nossos; por isso, são bons”; “estes não são dos nossos; por isso, são maus”. Porém, Deus não coloca etiquetas a ninguém, mas olha sempre o coração das pessoas. Jesus convida-nos a não colocar etiquetas aos outros que, às vezes com tanto esmero confeccionamos, e a deixar-nos conquistar pelo que há de bom em cada pessoa.

Na casa de Deus, há lugar para todos. O Deus da misericórdia não faz escolhas, nem saldos, nem promoções, mas ama e tem sempre a porta aberta e alegra-se com todo aquele que corre para repousar no colo do Pai. Esta é a nossa missão: levar os outros ao repouso do Pai. Assim afirma a Carta aos Hebreus na segunda leitura: “levantai as vossas mãos fatigadas e os vossos joelhos vacilantes e dirigi os vossos passos por caminhos direitos, para que o coxo não se extravie, mas antes seja curado”. É também isto que Deus faz connosco e que não se cansa de fazer com todo o mundo. Deitemos fora as etiquetas que tantas vezes colocamos nos outros e que, à primeira vista, nos dão tranquilidade. Reconciliemo-nos com Deus que não faz distinção entre “primeiros e últimos”, mas deseja que haja lugar para todos em sua casa.

Jesus coloca um critério para entrar na salvação, o da “porta estreita”. “Porta estreita” não é uma passagem pelos muros da cidade, mas é a lógica fundamental da vida e dos critérios de Cristo. Quando Jesus nos convida a entrar pela porta estreita está a dizer-nos para O seguirmos, pois Ele é o único Caminho para chegar à casa do Pai. A salvação não está relacionada com factores raciais ou privilégios religiosos. Estes não conferem direitos exclusivos à salvação. Por isso, o Mestre convida os discípulos a um discernimento sobre a vida deles. Pois, os que estão “longe” e os “últimos” podem ser os primeiros a sentar-se à mesa do reino de Deus.

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Ano C - Tempo Comum - 21º Domingo - Boletim Dominical

Avisos e Liturgia do 20º Domingo Comum (ANO C)

“Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Eu vos digo que vim trazer a divisão”. Neste domingo, quando ouvimos o texto do evangelho, ficamos surpreendidos com esta afirmação de Jesus, porque não diz o que gostaríamos de escutar. Não é este o seu pensamento, porque Ele é uma pessoa pacífica, cheia de paciência, incapaz de fazer ou desejar mal a alguém. Então Jesus não veio trazer a paz à terra? Então como entender as suas afirmações: “deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz” e “amai-vos uns aos outros”? Não é difícil entender todas estas afirmações de Jesus. Ele certamente quer a paz, mas não é uma paz qualquer; não é a paz como o mundo a dá, não é paz que não busca a verdade e a justiça. Como aconteceu ao profeta Jeremias, na primeira leitura, as palavras de Jesus “incendiaram” autenticamente o mundo e a cultura em que se inseria. As suas palavras eram fogo e transmitiam paz, mas a paz com justiça, verdade e fraternidade.

Hoje, a Palavra de Deus apresenta-nos Jeremias e Jesus. O profeta Jeremias, apesar de ser fiel a Deus, é visto, no seu tempo, como um inimigo do povo e especialmente dos poderosos. Os seus inimigos acusavam-no que “semeava o desânimo entre os combatentes que não foram para a guerra e ficaram na cidade e também entre o povo com as palavras que diz”. Também Jesus não era bem visto por todas as pessoas do seu tempo. Sofreu fortes ataques e havia sempre grupos a fazer-lhe oposição. Afinal, Jesus não é um manso cordeiro que veio ao mundo para que tudo continuasse na mesma. Jeremias e Jesus sofreram muito, porque enfrentaram o sistema que alimentava as injustiças e as indiferenças, dominado por alguns que sentiram que eles só vieram complicar e desestabilizar o esquema que tinham montado para dominar e escravizar.

Na nossa vida, se quisermos seguir o caminho da verdade e da justiça, ou seja, o caminho de Deus, também iremos fazer a experiência de perseguição de Jeremias e de Jesus. Por isso, na segunda leitura, da Carta aos Hebreus, é dito: “Corramos com perseverança para o combate que se apresenta diante de nós, fixando os olhos em Jesus, guia da nossa fé e autor da sua perfeição”. E como vamos aguentar todas estas dificuldades? A Carta aos Hebreus dá-nos a resposta: “Para não vos deixardes abater pelo desânimo, pensai n’Aquele que suportou contra Si tão grande hostilidade da parte dos pecadores. Ele suportou a cruz, mas agora está sentado à direita do trono de Deus”. Com a ajuda de Jesus, também faremos o caminho da cruz.

18-08-2019

Mas, porque a vida é assim? Porque são odiados os que procuram fazer o bem, ser honestos e justos? Porque são perseguidos os que procuram viver segundo a vontade de Deus, ou seja, os que procuram ser profetas no mundo? Não é de espantar que estas coisas aconteçam. Porquê? Porque os profetas falam em nome de Deus dizendo qual é a Sua vontade numa determinada situação ou circunstância histórica. Ora os pensamentos de Deus são diferentes dos pensamentos humanos e há pessoas que se sentem atingidas e denunciadas nos seus comportamentos pela Palavra de Deus pronunciada pelo profeta. Então, perseguem, prendem, matam. Hoje, alguns continuam a perseguir os justos com mentiras, ameaças, desprezo.

Ser discípulo de Jesus, ser profeta do Filho de Deus, não é fácil, mas não é impossível. Jesus veio trazer a divisão que é a separação existente entre os verdadeiros e os mentirosos. Jesus veio trazer a paz do seu conforto e da sua coragem para enfrentar estes combates. Perante as dificuldades, fixemos os nossos olhos em Jesus e digamos: “Senhor, socorrei-me sem demora; Senhor, cuidai de mim. Sois o meu protector e libertador: ó meu Deus, não tardeis”.

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Ano C - Tempo Comum - 20º Domingo - Boletim Dominical

Avisos e Liturgia do 17º Domingo Comum (Ano C)

Neste domingo, as leituras da Liturgia da Palavra ensinam-nos a importância que a oração tem na nossa relação com o Pai do Céu. Com a sua conversa com Deus, Abraão revela-nos que podemos ser bons intercessores diante de Deus. No evangelho, Jesus Cristo ensina-nos a oração do Pai-Nosso e como devemos rezar ao Pai do Céu. A oração é fundamental para a nossa vida cristã. Por isso, este domingo é uma oportunidade para pensar como está a nossa oração, tendo consciência que temos um longo caminho a percorrer na nossa vida espiritual. Na primeira leitura, Abraão tem o atrevimento de “negociar” com Deus a salvação daqueles justos que viviam nas cidades de Sodoma e Gomorra. Abraão considera injusto que aquelas pessoas boas destas cidades sejam condenadas como os outros e apela à misericórdia de Deus em seu favor. A primeira leitura narra-nos um exemplo de oração insistente e intercessora por aqueles nossos irmãos que consideramos que merecem a graça de Deus.

O Pai-Nosso é a oração mais importante dos cristãos. Está gravada no nosso ADN cristão desde o dia do nosso baptismo, porque foi Jesus que no-la ensinou. Surge de uma necessidade real. Segundo o evangelho deste domingo, João Batista tinha ensinado uma oração aos seus discípulos. Tendo conhecimento disto, os discípulos de Jesus também queriam a sua própria oração: “Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista ensinou também aos seus discípulos”. Durante o dia, rezamos o Pai-Nosso várias vezes. Esta oração foi rezada pelos nossos pais e padrinhos no dia do nosso baptismo, porque ainda éramos demasiado pequenos para invocar a Deus como Pai. É a oração que foi ensinada pelos nossos pais e catequistas. Ela acompanhar-nos-á toda a vida, nos momentos de alegria para invocar o nome do Senhor e dar-lhe graças, e nos momentos de tristeza para encontrar conforto e coragem. Como sabemos de memória, nem sempre damos conta de tudo o que dizemos nesta oração e da sua riqueza espiritual. Por isso, pensemos em cada pedido feito nesta oração.

28-07-2019

“Pai, santificado seja o vosso nome”: Jesus ensina-nos a chamar Pai a Deus. Desta maneira, aproxima Deus dos homens e das mulheres e vice-versa. A nossa relação com Deus é filial, cordial e próxima. “Venha o vosso reino”: pedimos que o reino de Deus venha até nós, ao nosso mundo, à nossa sociedade. Era a missão de Jesus Cristo ao iniciar a sua vida pública e também é a nossa como seus discípulos. “Dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência”: O Pai-Nosso revela a nossa confiança na providência de Deus. É Ele quem conduz as nossas vidas e nos dá tudo o que

realmente necessitamos. Pedimos o nosso pão para cada dia, ou seja, o alimento. Não esqueçamos todos aqueles que têm dificuldades e passam fome. Mas este pedido não é só material. Sobretudo, pedimos o Pão da Vida, ou seja, a Eucaristia, o próprio Cristo que sustenta as nossas forças. “Perdoai-nos os nossos pecados”: na nossa humildade, reconhecemos a nossa condição de pecadores. Cada vez que rezamos esta oração, pedimos a Deus que perdoe os nossos pecados. Isto faz-nos recordar que a nossa vida ainda está em caminho, ainda há muito que fazer como cristãos. “Também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende”: nesta oração, não só pedimos perdão pelos nossos pecados, mas também recorda-nos que temos de perdoar aos nossos irmãos. Não podemos gastar as nossas energias a alimentar mágoas e ressentimentos.

Temos de aprender a perdoar e a pedir perdão. “Não nos deixeis cair em tentação”: finalmente, pedimos que as forças do mal saiam da nossa vida, ou seja, tudo aquilo que nos separa do amor de Deus. Que saia da nossa vida tudo aquilo que nos condena e que, através de nós, pode condenar os nossos irmãos. É uma luta que temos de combater todos os dias.

Neste Domingo, peçamos ao Senhor: “Senhor, ensina-nos a rezar”. A oração é um diálogo de amizade com Deus. Rezemos com confiança, rezemos para interceder pelos outros, não deixemos de rezar. Quando rezamos, algo muda à nossa volta, porque falamos com Aquele que verdadeiramente nos ama.

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Ano C - Tempo Comum - 17º Domingo - Boletim Dominical

Avisos e Liturgia do 16º Domingo Comum(Ano C)

“Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa”. Este momento da vida de Jesus, narrado no texto do evangelho deste domingo, mostra-nos o que é realmente importante para a nossa vida cristã. Marta e Maria ensinam-nos como devemos receber Jesus nas nossas vidas.

A primeira leitura do livro do Génesis prepara-nos o texto do evangelho. “Abraão estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia. Ergueu os olhos e viu três homens de pé diante dele”. Logo que os viu, levantou-se e procurou acolhê-los da melhor maneira, oferecendo água para lavarem os pés, sombra para descansarem debaixo de uma árvore e pão para recuperarem as forças. Perante aqueles desconhecidos, Abraão não fica indiferente, mas saúda-os afectuosamente com uma frase que pode muito bem converter-se numa oração: “Meu Senhor, se agradei aos vossos olhos, não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo”. Já Abraão tinha acolhido estes três desconhecidos na sua casa, quando eles anunciaram a concretização do maior sonho que ele tinha: “Passarei novamente pela tua casa daqui a um ano e então Sara tua esposa terá um filho”. Nesta leitura, destaca-se a grande relação que existe entre o acolhimento e o anúncio.

21-07-2019

No evangelho duas mulheres, Marta e Maria, recebem Jesus em sua casa. Marta preocupava-se em acolher bem Jesus, atarefava-se com muito serviço, o que aconteceria a cada um de nós se recebêssemos em nossa casa uma visita tão ilustre e importante. Todavia, Marta não fica satisfeita com a atitude de Maria, porque certamente pensaria que a sua irmã não estava a receber bem Jesus, porque não estava a fazer nada e não a estava a ajudar. Muitas vezes neste texto do evangelho louvamos a atitude de Maria e deixamos de lado a acção de Marta. Mas não podemos esquecer que é o próprio evangelho que nos diz que Marta recebeu Jesus em sua casa. Como é belo ver como esta mulher acolhe Jesus e preocupa-se para que nada lhe falte! Isto leva-nos a afirmar o seguinte: para escutar Jesus, em primeiro lugar, temos de O acolher na nossa casa. Temos de abrir as portas do nosso coração para que Ele possa entrar e permanecer no nosso coração. Recordemos a frase do Senhor no Apocalipse: “Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele”. Se não acolhemos o Senhor, é impossível escutar a sua palavra e ouvir a sua mensagem.

Marta manifesta o seu incómodo perante a atitude da sua irmã. Mas Maria escolhe a melhor parte, porque não só acolhe Jesus na sua casa, mas também no seu coração, permanecendo perto Dele e escutando a Sua palavra. Marta preocupa-se por receber bem Jesus, mas perde o essencial, ou seja, estar com Ele. O texto do evangelho deste domingo ensina-nos a permanecer e a contemplar o Senhor e a deixar tantas coisas supérfluas, às quais, muitas vezes, damos demasiada importância. Só há uma coisa importante: é estar com Jesus, permanecer junto Dele, alimentar a nossa vida com as suas palavras. Se repararmos bem neste texto, daremos conta que Jesus prefere que Marta se sente e esteja com Ele e deixe de se preocupar com as outras coisas que a impedem de se sentar junto de Si. Deseja estar com Marta e com Maria, falar com elas e desfrutar da sua companhia. Quantas vezes queremos ouvir a palavra do Senhor na nossa vida, mas não a escutamos porque andamos atarefados com mil e uma coisas! Podemos acolher o Senhor, mas, preocupados com tantas coisas, não desfrutamos da sua companhia nem Ele permanece em nós.

Marta e Maria ensina-nos como deve ser a nossa relação com Jesus: acolher e permanecer junto Dele, escutando-O. Estar com Jesus e viver a vida segundo o Evangelho é o mais importante, depois estaremos livres para tudo o resto. Assim, também escolheremos a melhor parte, que não nos será tirada.

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Ano C - Tempo Comum - 16º Domingo - Boletim Dominical

Avisos e Liturgia do 14º Domingo Comum (ANO C)

Levar o anúncio do Reino de Deus aos outros significa levar a verdadeira alegria, anunciar que fomos libertados da escravidão do pecado e, assim, chegaremos à felicidade eterna. Com esta oração iniciamos a Eucaristia deste domingo. O Reino de Deus está próximo e este anúncio espalha-se por todos os povos por onde o Senhor passa. É um convite aberto a todos: uns aceitarão, outros não. Pelo facto de alguns não aceitarem o convite do Senhor, não podemos desanimar, nem perder o entusiasmo para anunciar a Boa Nova de Deus. Neste domingo, é o próprio Jesus que nos explica como se deve fazer este anúncio da Boa Nova.

O texto do evangelho diz-nos que o “Senhor designou setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir”. A missão de Jesus é anunciar o Reino de Deus, mas serve-se de outras pessoas para esta missão. Neste texto, a Igreja sempre viu um anúncio vocacional e um convite à oração para que Deus envie muitas pessoas que queiram anunciar o seu Reino a partir do ministério ordenado, da vida consagrada e do compromisso activo dos leigos.

Porém, o anúncio do Reino de Deus não só traz alegria e felicidade para quem o acolhe, mas também algumas dificuldades. Jesus diz a estes setenta e dois discípulos: “Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos”. Também é um aviso para nós! Muitas vezes, desanimamos perante as dificuldades do anúncio do Reino. Mas a advertência de Jesus mostra-nos que estas dificuldades já existiam quando Ele proclamava o Reino, como também nos primeiros tempos da Igreja. Estes setenta e dois discípulos também terão sentido o desânimo nos lugares onde não foram bem recebidos, mas não deixaram de fazer o anúncio do Reino de Deus: um reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz.

07-07-2019

Jesus envia, mas como envia os seus discípulos? Diz-lhes que não levem bolsa, nem alforge, nem sandálias. Estas palavras podem parecer estranhas, porque aqueles setenta e dois discípulos tinham de percorrer muitas povoações, fazendo longas viagens a pé. Logicamente seria indispensável levar tudo isto. Os apóstolos não tinham cofres nem cartão de crédito para levantar dinheiro. Então, o que levar? Uns joelhos para rezar e pedir ao dono da messe que mande mais operários para a sua messe. Uns pés ágeis para percorrer todas as terras. Uma boca para anunciar a mensagem com decisão, entusiasmo, respeito, amor e sem medo. Um coração cheio de amor por Jesus e pelo seu Reino. É evidente que não se trata de improvisar, mas de ter fé, de ter confiança naquele que nos envia. É necessário ter mais fé no Reino de Deus e que é o Senhor que nos envia para que este Reino penetre no coração das pessoas.

Não podemos esquecer algo muito importante: nós somos enviados a anunciar o Reino de Deus aos outros; mas, em primeiro lugar, temos de receber em nós este anúncio do Reino. Tantas vezes pensamos que já sabemos tudo, que já cumprimos com tudo aquilo que é necessário para a nossa vida cristã! Esquecemos que pertencer ao Reino de Deus é um caminho que também nós precisamos de realizar e que ainda fica muito por fazer. Para receber este anúncio, precisamos de um amor incondicional pela Igreja, acolher com comunhão tudo aquilo que nos diz o Santo Padre, os nossos bispos, os presbíteros para crescer na fé.

O anúncio do Reino feito por Cristo depende de todos nós. Todos somos anunciadores do Reino, acolhendo-o também na nossa vida. Que neste domingo, tenhamos consciência deste grande projecto de Deus nas nossas vidas e sejamos colaboradores valentes, decididos e comprometidos, para que o Reino de Deus chegue até aos confins da terra.

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Ano C - Tempo Comum - 14º Domingo - Boletim Dominical

Avisos e Liturgia do 4ºDomingo de Páscoa (Ano C)

Nos textos evangélicos, encontramos várias imagens para descrever quem é Jesus: Cordeiro, Senhor, Rei, Pedra angular, Luz, Verdade, Porta…. Neste domingo, Jesus apresenta-se a todos nós como o Bom Pastor. Por isso, é conhecido como o Domingo do Bom Pastor. Um Pastor que conhece, ama, alimenta, defende e dá a vida pelas ovelhas. E as ovelhas escutam a sua voz e seguem-no.

Jesus Cristo é Pastor para todos, ou seja, para todo o tipo de ovelhas: saudáveis e doentes, calmas e rebeldes, coxas ou não, perdidas ou não, fortes e fracas. Ele conhece muito bem as suas ovelhas, ama-as com ternura e misericórdia, alimenta-as todos os dias, mata-lhes a sede nas fontes das águas vivas dos sacramentos e defende-as dos lobos, ou seja, de todos os perigos que poderão afastá-las do seu rebanho. Jesus é o Pastor que vai adiante, à frente, guiando-nos no caminho. Ele conhece-nos, ama-nos, adapta-se a cada um de nós, ajuda-nos nas nossas necessidades e fraquezas. Bem sabemos que num rebanho, há algumas ovelhas que são preguiçosas, outras são mais ansiosas, algumas estão doentes, outras coxas, algumas facilmente se desviam do rebanho e têm a tendência a perderem-se. Jesus está muito atento a cada um de nós e guia-nos, com a sua infinita compaixão e misericórdia, às pastagens da verdadeira vida. Ele é um Pastor que sabe que foi o seu Pai que colocou nas suas mãos estas ovelhas (evangelho).

12-05-2019

Mas, quais são as condições para pertencer ao rebanho de Cristo Pastor? A resposta encontramos no texto do evangelho: “As minhas ovelhas escutam a minha voz…e elas seguem-Me. É necessário escutar e seguir este Pastor. Toda a Sagrada Escritura é um convite a estar sempre à escuta. Na primeira leitura, Paulo e Barnabé falam à cidade de Antioquia e muitos gentios aceitaram perseverar na graça de Deus. Porém, “ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfémias”, porque tinham os ouvidos fechados à Boa Nova da ressurreição. É que para escutar este Pastor é necessário humildade e silêncio interior. E para seguir a voz deste Pastor é preciso serenidade e abertura, para que o Espirito Santo possa modelar em cada um de nós a imagem de Cristo, exortando-nos a sair dos vícios e do pecado, a desprender-nos do homem terreno e aspirarmos às coisas do alto.

Há um aspecto que não podemos esquecer neste domingo. Este Pastor, antes de o ser, foi Cordeiro que se imolou na Cruz para com a sua morte conceder-nos a vida eterna, abrindo-nos as portas do céu. A partir dos sacramentos, salpica-nos com o seu sangue que nos purifica. O que fez este Cordeiro por nós? A segunda leitura deste domingo dá-nos a resposta: Ele preparou-nos o caminho para as pastagens eternas, para o céu. “Uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão”. Assim, temos a certeza que no céu já não teremos fome nem sede, nem seremos oprimidos pelo sol ou o vento ardente, nem pela injustiça e maldade dos lobos desta sociedade e deste mundo. Seremos felizes e ninguém nos poderá afastar das mãos de Deus Pai.

Jesus é o Bom Pastor. Ele é misericordioso e ternurento: deixemo-nos, então, levar aos seus ombros e ser conduzidos por Ele. Ele é destemido e corajoso: defende as ovelhas dos lobos e de todos os que as atacam. Ele e o Pai “são um só”: à volta de um só Pastor, que é Jesus, vivamos não somente unidos uns com os outros, mas também unidos a Cristo e, por Ele, ao Pai.

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Ano C - Tempo Pascal - 4º Domingo - Boletim Dominical

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