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Liturgia do Domingo de Ramos – Ano A

 

Com esta comemoração da entrada de Jesus em Jerusalém, iniciamos a Semana Santa, na qual somos convidados a viver os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Esta entrada do Messias na cidade de David não se deve considerar uma entrada triunfal, porque Jesus entra como uma pessoa humilde e pacífica. Se hoje trazemos os nossos ramos para aclamar um Cristo triunfante é porque estamos a pensar naquele que veio a este mundo e continua a vir em cada um de nós, em nome do Senhor, para edificar a razão mais profunda da nossa existência humana e cristã. A vida das pessoas é constituída de triunfos e de fracassos, de sorrisos e de lágrimas, de momentos esplendorosos e de momentos de escuridão. Viver a Semana Santa é uma boa ocasião para rever a nossa vida e vida das pessoas que nos rodeiam, com a firme esperança de que à dor da próxima sexta-feira seguir-se-á a alegria do Domingo da Ressurreição.

Este Domingo é marcado pela narração da paixão segundo S. Mateus, onde se encontram quatro aspectos que só aparecem neste evangelista: a morte de Judas; o gesto de Pilatos lavar as mãos; a perturbação da mulher de Pilatos por causa da inocência de Jesus e a presença de soldados a guardar o sepulcro de Jesus. Não deixa de ser curioso que Mateus inicie o seu evangelho com a figura do rei Herodes, dos sumos-sacerdotes e dos escribas a procurarem a morte de Jesus-menino; e o acabe apresentando Pilatos, os sumos-sacerdotes e os escribas a condenarem à morte Jesus-adulto; e que Jesus é sempre apresentado como o rei dos judeus. Quando S. Mateus narra a infância de Jesus, encontramos cinco momentos onde aparecem amigos e inimigos de Jesus. Os amigos são Maria, seu esposo José e os magos vindos do Oriente; e os inimigos são Herodes, os escribas e os fariseus. Ora, no relato da paixão repete-se o mesmo esquema: os amigos são José de Arimateia, Maria Madalena e algumas mulheres e alguns discípulos; e os inimigos são os sumos-sacerdotes e os soldados romanos. Na história da humanidade, a figura de Jesus sempre foi e é polémica, ou é seguido ou é perseguido, ou é admirado ou é marginalizado, por uns ou por outros.

Segundo S. Mateus, os discípulos de Jesus tinham proclamado que Ele era o Filho de Deus; por isso, a sua fuga e o terem abandonado o Mestre é ainda mais escandaloso, mas é a imagem da fragilidade humana. Pedro, que tinha sido salvo por Jesus quando se afundava no mar e que tinha confessado que Jesus era o Messias, negou-o por três vezes. No início do seu evangelho, para S. Mateus eram os magos, uns personagens gentios, que procuravam Jesus perante a hostilidade dos judeus; no relato da paixão, é uma mulher pagã, a esposa de Pilatos, a que mais defende Jesus.

O relato da paixão de Jesus é uma história de amores e de desamores, de fidelidades e infidelidades. A sua morte é a melhor expressão de um amor total, pleno, até ao fim da sua vida. É esta forma de amar que devemos imitar e viver.

 

Com a sua Paixão, Cristo pagou por nós as nossas dívidas

Como pode ainda um homem considerar o próprio sangue preço suficiente para a sua redenção, depois de Cristo ter derramado o seu sangue pela redenção de todos? Haverá alguém cujo sangue se possa comparar ao de Cristo, Ele que pelo seu sangue reconciliou o mundo com Deus? Que vítima melhor poderá haver? Que sacrifício poderá ser mais precioso? Que advogado poderá ser mais eficaz do que Aquele que Se tornou propiciação pelos pecados de todos os homens e deu a sua vida como redenção por todos nós?

O que se exige, portanto, não é a propiciação ou o resgate que pode oferecer cada um de nós, porque o preço de todos é o sangue de Cristo, pelo qual o Senhor Jesus nos remiu e reconciliou com o Pai; e levou com afã o seu labor até ao fim, tomando sobre Si a nossa própria fadiga. Por isso nos diz: «Vinde a Mim, todos vós que andais sobrecarregados e oprimidos, e Eu vos aliviarei» (Mt 11,28). Com efeito, nem o homem pode dar seja o que for em expiação pela sua redenção uma vez que ficou livre do pecado de uma vez por todas pelo sangue de Cristo, nem o homem é por isso mesmo dispensado do sofrimento que possa suportar na observância dos preceitos de vida eterna e em quaisquer esforços para não se desviar dos mandamentos do Senhor. Enquanto viver, será com o seu afã que a sua perseverança deverá contar para alcançar a vida eterna, sob pena de voltar à morte quem já estava salvo das garras da morte. (Santo Ambrósio, c. 340-397, bispo de Milão, doutor da Igreja, Comentário ao Salmo 48, 14-15).

 

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05-04-2020

Ano A - Tempo da Quaresma - Domingo de Ramos II

Liturgia do Domingo V da QUARESMA – Ano A

 

Jesus disse a Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim… nunca morrerá”. Estamos quase a terminar a nossa caminhada quaresmal; por isso, é necessário preparar os nossos corações para ir ao encontro de Cristo ressuscitado, ou seja, para celebrar digna e solenemente as festas pascais. A partir da nossa fragilidade, da nossa escravidão, da escuridão da nossa morte, erguemos o nosso clamor ao Senhor, afirmamos que dele procedem a misericórdia, o perdão e a redenção. Na 1ª leitura, é-nos proclamada a promessa do Senhor: “Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis”. No coração dos baptizados já habita o Espírito de Deus, o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus de entre os mortos. Ao celebrarmos a Eucaristia, encontramo-nos com Cristo ressuscitado, com o Senhor que vive entre nós, com Aquele que para todos é a ressurreição e a vida.

O evangelho da ressurreição de Lázaro é a última das catequeses baptismais da Quaresma deste ano. Jesus de Nazaré, a fonte de água viva para os que têm sede, a luz do mundo enviada por Deus para que os cegos vejam, é também a fonte de vida para os que habitam nas sombras da morte. Nós, os sedentos, procuramos a água que jorra para a vida eterna; nós, os cegos, procuramos a luz que vem de Deus; nós, os escravos da morte, seremos surpreendidos pela vida com Cristo ressuscitado. Seduzidos pelo mal, quisemos ir longe, subir mais alto, quisemos ser como Deus; andámos por um caminho, com sede e cegos, que nos levou à morte. Até que chega Jesus, Aquele que é “a ressurreição e a vida”.

No silêncio das nossas sepulturas, ouviram-se as palavras que chamam à vida: “Lázaro, sai para fora”. A cegueira dos nossos olhos viu, num milagre de luz, não só Jesus, o amigo que tínhamos perdido ao morrer, mas também Cristo, o rosto de Deus, o Messias de Deus, o Amor encarnado de Deus. Jesus, que é Vida, desceu ao seio dos mortos para nos fazer sair dos sepulcros; Jesus, que é Vida, fez-se carne e habitou entre nós, chorou a nossa morte, comoveu-se e perturbou-se profundamente, encontrou-se com a morte; Jesus, que é Vida, desceu ao seio da morte e do sepulcro, e uma morte de cruz, para que os mortos “subissem” para a vida!

29-03-2020

A ressurreição de Lázaro prefigurou profeticamente a ressurreição de Cristo. Aquela morte, aquele sepulcro e aquela ressurreição são também um sinal profético do mistério que se realiza na celebração do baptismo: na fonte baptismal, que é a imagem sacramental do sepulcro de Cristo, encontramo-nos com Cristo, somos configurados e enxertados Nele. “Todos nós que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na sua morte…para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova”. As nossas vidas não são para a morte, mas para a Vida com Cristo e para a glória de Deus.

 

«E Jesus chorou. Diziam então os judeus: “Vede como era seu amigo”».

Porque eras Deus verdadeiro, Tu conhecias, Senhor, o sono de Lázaro e preveniste os teus discípulos. Mas na tua carne – Tu que não tens limites – vens até Betânia. Como verdadeiro homem, choras sobre Lázaro; como verdadeiro Deus, ressuscitas pela tua vontade aquele que estava morto há quatro dias. Tem piedade de mim, Senhor; muitas são as minhas transgressões. Traz-me de volta, eu Te suplico, do abismo dos males em que me encontro. Foi por Ti que eu gritei; escuta-me, Deus da minha salvação.

Chorando sobre o teu amigo, na tua compaixão puseste fim às lágrimas de Marta; pela tua Paixão voluntária, secaste todas as lágrimas do rosto do teu povo (Is 25,8). «Bendito sejas, Deus de nossos pais!» (Esd 7,27). Guardião da vida, chamaste um morto como se ele dormisse. Com uma palavra, rasgaste o ventre dos infernos e ressuscitaste aquele que começou a cantar: «Bendito sejas, Deus dos nossos pais!» A mim, estrangulado pelas amarras dos meus pecados, ergue-me também e eu cantarei: «Bendito sejas, Deus dos nossos pais!»

Em reconhecimento, Maria traz-Te, Senhor, um vaso de mirra que estaria preparado para o seu irmão (Jo 12,3) e canta-Te por todos os séculos. Como mortal, invocas o Pai; como Deus, despertas Lázaro. Por isso nós Te cantamos, ó Cristo, pelos séculos dos séculos. Tu despertas Lázaro, morto há quatro dias; fá-lo erguer-se do túmulo, designando-o assim como testemunha verídica da tua ressurreição ao terceiro dia. Tu andas, falas, choras, meu Salvador, mostrando a tua natureza humana; mas, ao despertares Lázaro, revelas a tua natureza divina. De maneira indizível, Senhor, meu Salvador, de acordo com as tuas duas naturezas e de forma soberana, Tu operaste a minha salvação. (São João Damasceno, c. 675-749, monge, teólogo, doutor da Igreja, Matinas do sábado de Lázaro).

 

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Ano A - Tempo da Quaresma - 5º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do IV Domingo da Quaresma

O cego de nascença dizia aos fariseus: “Jesus pôs-me lodo nos olhos; depois fui lavar-me e agora vejo…Ele é um profeta…Eu creio em Ti, Senhor”. Os textos bíblicos deste domingo revelam o mistério que celebramos na Eucaristia e prepara-nos para o encontro com Cristo ressuscitado na Vigília Pascal. Com efeito, somos nós que, para sermos reis, fomos ungidos pelo Espírito de Cristo, e para vermos, lavamos os nossos olhos nas águas do Enviado, no misterioso Siloé do sacramento do baptismo. Nós somos o cego que nasceu nas trevas, para que no nosso coração sejam reveladas as obras de Deus. No dia do nosso baptismo, fomos incorporados em Cristo, fomos ungidos como Ele para sermos sacerdotes, profetas e reis. Hoje, somos acolhidos pelo Senhor que é o nosso pastor, que preparou a sua mesa para nós, que com óleo perfuma as nossas cabeças e faz transbordar o cálice da nossa salvação.

O texto da cura do cego de nascença é a segunda catequese baptismal desta Quaresma e transmite-nos a seguinte mensagem: Cristo é a luz do mundo; pelo baptismo, somos iluminados por Cristo; com Cristo, passamos da condição de escravos à liberdade de filhos de Deus. É uma catequese sobre Cristo (Quem é Jesus de Nazaré?), mas também uma catequese sacramental (quais são os sacramentos pascais?). A cura da cegueira não é apresentada como um milagre para dar vista aos olhos daquela pessoa, mas como um sinal que é dado ao cego para que chegue a ver, em Jesus de Nazaré, o Enviado de Deus. A incapacidade daquele homem para ver a luz do dia representa a incapacidade de todo o homem e mulher para ver a luz de Deus, que é Jesus Cristo, ou seja, todos somos aquele cego! Mas nem todos somos cegos da mesma maneira. Cristo veio ao mundo “para exercer um juízo: os que não vêem ficarão a ver; os que vêem ficarão cegos”.

22-03-2020

Curando o cego, curando-nos da nossa cegueira, Jesus realiza a obra de Deus e manifesta-se como luz do mundo. Mas, há um pormenor neste texto: a piscina onde Jesus mandou o cego lavar-se tinha o nome de “Siloé”, que quer dizer “Enviado”. O cego é enviado a lavar-se na piscina do Enviado de Deus. Ele foi, lavou-se e ficou a ver. Agora, se nos perguntarem quem é Jesus de Nazaré, já sabemos responder: Jesus é o Enviado de Deus, é a luz que dá a vista a um cego para, depois, lhe dar a fé, Jesus é a luz do mundo! Agora, sabemos responder à pergunta sobre quais são os sacramentos pascais: o baptismo é o nosso Siloé, é a piscina onde nos encontramos com o Enviado, com o Senhor ressuscitado. A Eucaristia é o sacramento de comunhão com Cristo, para o encontro com a luz do mundo, para que, iluminados por Ele, possamos percorrer o caminho da vida.

Na água da fonte baptismal, na nossa piscina de Siloé, encontrámos Jesus Cristo, o Enviado do Pai: ali passámos das trevas para a luz, da morte para a vida, da escravidão do pecado para a liberdade dos filhos de Deus.

«Ele é a imagem do Deus invisível; nele tudo foi criado; tudo foi criado por Ele e para Ele» (Col 1,15-16)

Quando se tratou do cego de nascença, não foi só por uma palavra, mas por uma acção, que o Senhor lhe concedeu a vista. Ele não agiu assim sem razão nem por acaso, mas para que conhecêssemos a mão de Deus que, no princípio tinha modelado o homem. Por isso, quando os discípulos Lhe perguntaram de quem era a culpa de aquele homem ser cego, dele mesmo ou dos seus pais, o Senhor declarou: «Isso não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais; mas aconteceu assim para se manifestarem nele as obras de Deus». Estas «obras de Deus» são, primeiro que tudo, a criação do homem, que a Escritura descreve como uma acção: «E Deus tomou um pouco de argila e modelou o homem» (Gn 2,7). Foi por isso que o Senhor cuspiu no chão, fez lama e ungiu os olhos do cego: para mostrar de que modo se tinha realizado a moldagem inicial e, para aqueles que eram capazes de compreender, manifestar a mão de Deus, que tinha esculpido o homem a partir da argila.

E porque, nesta carne modelada em Adão, o homem tinha caído na transgressão e precisava do banho do novo nascimento (Tt 3,5), o Senhor disse ao cego, após ter-lhe untado os olhos com a lama: «Vai lavar-te à piscina de Siloé». Concedia-lhe assim, ao mesmo tempo, a regeneração operada pelo banho. Desta forma, depois de se ter lavado, «ele ficou a ver», a fim de reconhecer Aquele que o tinha renovado e de aprender quem era o Senhor que lhe tinha dado a vida.

Assim, Aquele que, no princípio, tinha modelado Adão, e a quem o Pai tinha dito: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança» (Gn 1,26), esse mesmo manifestou-Se aos homens no fim dos tempos e remodelou os olhos deste descendente de Adão. (Santo Ireneu de Lyon, c. 130-c. 208, bispo, teólogo, mártir, Contra as Heresias)

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Nota Episcopal(2)

Ano A - Tempo da Quaresma - 4º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia – Tempo da Quaresma – 3º Domingo- Ano A

Este fim de semana  14 e 15 de março ainda haverá celebrações Dominicais, mas com recomendações.

Subsídios para vivermos melhor este tempo de suspensão e contenção:

Para a vivência do domingo em família:

https://www.snpcultura.org/celebrar_o_domingo_em_familia.html?fbclid=IwAR2FLrcBCPxrZYvHkl6SsMxmpmrDetaSOzoAwHwrHcqGdd7gdNf0ShwdGAM#.XmtnhcqcTGE.facebook

Última nota da Conferência Episcopal:

https://agencia.ecclesia.pt/portal/covid-19-conferencia-episcopal-portuguesa-determina-suspensao-da-celebracao-comunitaria-das-missas/

Acompanhamento da incidência do coronavírus:

https://esriportugal.maps.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html?fbclid=IwAR3f_RiYXga2i48cR1vOtGNYw34gBOf6G9FG3xq7FL8mklyjHuuDxc7Jbz0#/e9dd1dea8d1444b985d38e58076d197a

 

Peçamos ao SENHOR nas nossas preces pela Alegria da Saúde.

Pe. Jorge Gomes

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Avisos e Liturgia do II Domingo da Quaresma – Ano A

Neste segundo Domingo da Quaresma, somos convidados a recordar, a contemplar e a celebrar a concretização, em Cristo, da aliança de Deus com Abraão e com todos os que foram, são e serão, pela fé, filhos de Abraão. A Palavra de Deus convida-nos a sair da nossa terra, do nosso mundo, das nossas seguranças, e a pormo-nos a caminho, guiados pela fé, para a terra que o Senhor nos indicar. Assim saiu Abraão e foi abençoado. Assim saiu Jesus, o Messias, que é a bênção de Deus para todos os povos. Assim queremos sair todos nós que somos de Jesus Cristo, chamados a ser a sua presença no mundo. Para Jesus de Nazaré, a meta da sua caminhada foi a glória do Pai. Para Abraão e para nós, a meta do nosso caminho é Jesus Cristo, o Filho de Deus, em quem o Pai pôs toda a sua complacência (estima e amor); por isso nós temos de O escutar, ou seja, imitar e seguir. Escutando Cristo, participamos da sua glória. Unidos a Cristo, estamos sentados com Ele à direita de Deus no céu. Seguindo Cristo, proclamamos que Ele é o Senhor e, com Ele, teremos como herança a vida eterna. Em Cristo, alcançamos a graça e a bênção, a misericórdia e a redenção, a eternidade da vida, a beleza da glória. Na glória de Cristo, que se manifesta no mistério da sua transfiguração e na luz da sua ressurreição, contemplamos a glória que está reservada àqueles que, como Abraão, caminham para a terra que o Senhor lhes prometeu mostrar, ou seja, a nós que, conforme o chamamento do Pai, escutamos hoje a palavra do seu Filho.

Em primeiro lugar, na nossa caminhada para a Páscoa com Cristo, temos de aceitar a grandeza da nossa dimensão divina e assumir a fragilidade da nossa condição humana. Na nossa vida de discípulos de Cristo, estão presentes, ao mesmo tempo, a natureza e a graça, a limitação e a transcendência, a filiação humana e a filiação divina. O texto do evangelho deste domingo permite-nos penetrar ainda mais no mistério deste encontro entre Deus e o homem: vencida por Jesus de Nazaré, e também por todos os que acreditam nele, a tentação de nos afastarmos de Deus e de nós próprios, o evangelho mostra-nos agora a profunda harmonia que existe em Jesus, e também naqueles que são de Jesus, entre a dimensão divina e a natureza humana. A transfiguração revela a presença misteriosa da glória de Deus na humanidade de Jesus. É-nos revelado um mundo de luz divina que se encontra no coração da condição humana; por breves instantes, no Filho do homem que caminha para a morte, vemos aquela que há-de ser eternamente a glória de Cristo ressuscitado.

08-03-2020

Em segundo lugar, a luz que se manifesta na transfiguração de Jesus, o resplendor do seu rosto, a brancura das suas vestes, não é somente a revelação da sua glória, ou visão antecipada da meta da sua existência; essa luz é também revelação do sentido que tem toda a vida de Jesus; mais ainda, a luz da transfiguração permite-nos ver um pouco a glória divina que já existe dentro do homem Jesus de Nazaré. Aquela luz de glória que viram os Apóstolos, e que hoje nós contemplamos com os olhos da fé, é inseparável da realidade humana de Jesus, é inseparável da sua obediência ao Pai e do seu serviço aos homens, é inseparável da sua vida e da sua morte. É impossível separar o monte da transfiguração e o monte da crucifixão de Jesus, porque esse Jesus que vemos hoje transfigurado, é o mesmo que vai a caminho de Jerusalém, onde será crucificado. Na luz da transfiguração como nas trevas do Calvário, ouvimos a voz do Pai que diz: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O”.

Escutar Jesus é seguir Jesus. Como Jesus viveu, somos convidados a viver; o que Ele foi, somos convidados a ser. A vida divina, que o amor de Deus colocou em nós, não é um instrumento de manipulação da condição humana, mas a razão definitiva que o homem tem para não se afastar da sua realidade, para aceitar o seu próprio ser, para encerrar num abraço de amor a própria morte.

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Ano A - Tempo da Quaresma - 2º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do I Domingo da Quaresma – Ano A

 

No primeiro Domingo da Quaresma, a liturgia da palavra começa com uma leitura do livro do Génesis, que no Leccionário tem por título: “A criação e o pecado dos nossos primeiros pais”. Todos devemos entender que as palavras da antiga narração sobre o homem e a mulher são ditas hoje não só para ti (para nós), mas também de ti (de nós). Tu e eu somos hoje testemunhas da verdade desta narração, e reconhecemos que é nossa, que é de todos, que é do homem e da mulher, a pretensão pecaminosa de “ser como Deus no conhecimento do bem e do mal”. Como o homem que Deus colocou no jardim plantado no Éden; como Israel, o povo que Deus libertou da escravidão para fazer dele o seu povo eleito; como Jesus de Nazaré, o Filho, o amado, o predilecto de Deus manifestado no seu baptismo nas margens do Jordão, também nós somos tentados, atraídos, seduzidos, pela possibilidade de utilizar Deus para nosso proveito. Se o homem e a mulher do relato da criação, ou o povo de Israel no deserto, são um espelho que nos devolve a imagem do que somos, em Jesus de Nazaré encontramos o perfil do homem que somos convidados a ser.

Sobre esse perfil, a Sagrada Escritura diz: “Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. E Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou”. É isto que ouvimos na primeira leitura: “O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo”. És uma imagem de Deus, o seu representante no mundo, o seu interlocutor na criação, um tu (um outro), que a Deus pudesse dizer: “Tu és o meu Deus”, um tu (um outro), que pudesse ser o destinatário humilde e agradecido dos dons de Deus: do jardim que Deus tinha plantado no Éden, de toda a classe de árvores de fruto que Deus fez brotar do solo, excepto da árvore que estava no meio do jardim. E tu, o que escolheste ser para Deus e o que pretendeste que Deus fosse para ti? Quiseste ser como Ele no conhecimento do bem e do mal, quiseste abandonar a tua condição de criatura e apoderar-te da condição do criador, quiseste servir-te de Deus em vez de servir a Deus, quiseste apoderar-te do paraíso em vez de gozar da sua gratuidade e agradecê-la, quiseste comer em vez de escutar, consideraste apetitoso e atraente a árvore e o seu fruto, e desprezaste a palavra de Deus. Quiseste ser como Deus no conhecimento do bem e do mal e só conseguiste dar conta que estavas nu.

01-03-2020

Agora, contempla Jesus de Nazaré, o homem novo da nova criação, o primeiro homem da nova humanidade. Sobre Ele, foi dito: “Logo que Jesus foi baptizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do céu, dizia: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”. Vês que este Filho não necessita apoderar-se do “ser como Deus”, porque nasceu já nesta condição. Então, em que será tentado? A Jesus de Nazaré, a ti e a mim, se aproximará o tentador com a intenção sedutora de que neguemos o que é próprio da condição humana, ou seja, exactamente a mesma intenção que leva a mão do homem velho a colher o fruto proibido e a comer, argumentando com o direito que nos concederia a nossa condição de filhos de Deus. Com Jesus Cristo, a nova humanidade, rejeitada toda a pretensão de superar os limites da condição humana a favor da condição divina, faz da sua limitação o espaço próprio da adoração e do culto ao Senhor, seu Deus.

Neste Domingo, percorramos com o Senhor o caminho da vida, o caminho do não poder, o caminho da limitação assumida, o caminho da obediência à vontade de Deus Pai, o culto oferecido a Deus em espírito e verdade.

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Ano A - Tempo da Quaresma - 1º Domingo - Boletim Dominical II

 

Avisos e Liturgia do Domingo II do Tempo Comum – Ano A

a)      Terminado o tempo litúrgico do Natal, iniciamos os domingos do Tempo Comum. O evangelho deste domingo está relacionado com o da Festa do Baptismo do Senhor. Se na semana passada ouvíamos a narração do baptismo de Jesus segundo S. Mateus, hoje escutamos um fragmento do evangelho de S. João no qual João Baptista dá testemunho de Jesus a partir do episódio narrado por S. Mateus. Este evangelho é a introdução da narração dos factos e das palavras de Jesus que são o conteúdo do Tempo Comum, orientado este ano por S. Mateus (ciclo A) que retomaremos no próximo domingo. A leitura e a meditação do início da vida pública de Jesus leva-nos a sentir que estamos a iniciar um caminho, tendo como objectivo seguir Jesus como aqueles discípulos que foram chamados e enviados por Ele. É importante neste domingo destacar a ideia que aparece em todas as leituras: chamados e enviados.

 

b)      O discípulo é aquele que se sente chamado por Jesus, ou seja, eleito por Deus. O profeta Isaías, na primeira leitura, diz: “E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo… vou fazer de ti a luz das nações”. O salmista expressa a sua disponibilidade para acolher o convite: “Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”. São Paulo, na segunda leitura, diz que se sentiu “escolhido, por vontade de Deus, para Apóstolo de Cristo Jesus”, dirigindo-se à comunidade de Corinto como aqueles que “foram santificados em Cristo Jesus, chamados à santidade”. No evangelho, João Baptista conta a experiência que o levou a reconhecer Jesus sem qualquer hesitação: “É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Tudo o que aconteceu no baptismo de Jesus (a voz do Pai e o dom do Espírito Santo) tornou claro a João que “Ele é o Filho de Deus”. Cada um tem a sua experiência de Deus, geralmente não tão espectacular como a de João Baptista, mas com um sentimento de que Deus o escolheu, de que Jesus o chamou.

19-01-2020

c)       O chamamento divino supõe sempre uma missão, um envio “para reunir Israel… para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel… para que a minha salvação chegue até aos confins da terra (primeira leitura); “proclamei a justiça na grande assembleia, não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis” (salmo); “escolhido para Apóstolo” (segunda leitura). Trata-se, pois, de dar testemunho, de transmitir aos outros aquela experiência que vivi, que me transformou e que não posso guardar somente para mim. João Baptista partilha o que sente: “Eis o Cordeiro de Deus… eu vi e dou testemunho”. É um duplo movimento (chamados e enviados) que todos estamos convidados a fazer e que nos é recordado no início do ciclo litúrgico do Tempo Comum. É um resumo de como seguir Jesus pelo caminho da vida, ou seja, de como ser cristão.

 

d)      O chamamento e o envio de Jesus, o fundamento da identidade de um cristão, é para todos os que seguem o Senhor. Todos somos “Igreja de Deus, consagrados por Jesus Cristo e é muito importante que nos sintamos unidos a todos aqueles que invocam o nome de Jesus Cristo, Nosso Senhor”. Que a saudação de S. Paulo não passe despercebida a cada um de nós: “A graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco”.

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Ano A - Tempo Comum - 2º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do Baptismo do Senhor (Ano A)

a)      Com a Festa do Baptismo do Senhor termina o ciclo do Natal e começa o Tempo Comum, onde meditaremos sobre o que Jesus faz, o que ensina, quem acolhe e a quem se dirige. No domingo passado, na Solenidade da Epifania do Senhor, meditávamos que Jesus era a salvação para todos os povos. Hoje, o evangelho de S. Mateus diz-nos quem é Jesus e qual é a sua missão. Como em todo o tempo do Natal, o centro continua a ser Jesus. Diante de nós, temos muitos aspectos a salientar, mas na homilia, se quisermos dizer tudo, pode tornar-se uma dispersão de ideias, gerando confusão na mente dos fiéis.

 

b)      A linguagem utilizada no texto evangélico não é uma reconstrução histórica do acontecimento; o que se quer narrar e explicar tem muitas referências à linguagem e às imagens da literatura do Antigo Testamento, usadas para explicar as teofanias ou manifestações de Deus, como podemos constatar na sarça ardente com Moisés, na mensagem dada no Monte Sinai, na vocação de muitos profetas. Há aqui elementos comuns: o céu abre-se, uma voz fala do céu, o Espírito de Deus desce. Porém, o que tem que ficar claro é que o Baptismo foi um momento muito importante para Jesus para a compreensão da sua identidade e da sua missão que assumiu até às últimas consequências.

12-01-2020

c)       Imediatamente depois de receber o baptismo de João, que tinha um sentido penitencial e de conversão (por isso, provocou embaraço ao próprio João), S. Mateus escreve que “se abriram os céus” e que se ouviu uma voz. O Baptismo de Jesus permite ver que Deus comunica com os homens: a partir daquele momento, Jesus mostra a vontade do Pai. A mensagem vinda do céu, através da voz, é um eco daquilo que escutámos na primeira leitura: “Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma”. Nesta manifestação (teofania), aparece a voz do Pai que apresenta Jesus como Filho, tendo como “selo” de garantia o Espírito de Deus que descia “como uma pomba e pousou sobre Ele”. Manifesta-se, neste momento, a Santíssima Trindade e também Jesus que dela faz parte. Assim, Jesus é investido como o Messias, o Enviado de Deus.

 

d)      No seu discurso para convencer Cornélio de Cesareia e a sua família a receberem o baptismo, S. Pedro afirma que a missão de Jesus começou, depois de ter sido “ungido com a força do Espírito Santo”, pela Galileia, região fronteiriça com os gentios; por isso, não era terra preferida dos fariseus. A missão de Jesus é para todos os povos; Ele “passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio.

 

e)       A leitura de Isaías apresenta-nos o servo que foi escolhido com a missão de “levar a justiça às nações”. A sua missão é a de revelar a vontade de Deus que é levar a justiça e o direito às nações. Esta missão tem um carácter universal, mas tem de ter uma forma nova de actuar: sem violência, feita discretamente (“não se fará ouvir nas praças”), com especial atenção aos mais necessitados, mas firme (“não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra”). A luta pela justiça e contra o mal concretiza-se em dar vista aos cegos, libertar os prisioneiros e dar esperança aos que “habitam nas trevas”. Esta é a missão de Jesus, como meditaremos no próximo domingo.

 

f)       S. Mateus diz-nos que “Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Baptista ao Jordão”. Para as primeiras comunidades cristãs, o rio Jordão lembrava-lhes todos os momentos de libertação que deram sempre origem a uma nova maneira de viver e de entender a vida. No rio Jordão, Naamã tinha sido curado da lepra. Elias, ao passar o rio Jordão, com Eliseu, é levado para o céu. O rio Jordão era a fronteira da Terra Prometida, a terra de Deus. O banho no rio Jordão significava o desejo de passar do mundo do pecado para o mundo de Deus.

 

g)      Hoje, o Baptismo é também uma passagem para uma vida nova. Como Jesus, cada baptizado é amado pelo Pai, cada baptizado é ungido para que dê testemunho da libertação que alcançou pela graça de Deus. Como Jesus, cada baptizado é convidado a viver uma vida nova, ou seja, passando por este mundo fazendo o bem. Ser baptizado: 1) é introduzir-nos no mistério de Cristo, para que cada cristão possa dar testemunho deste mistério na sua vida; 2) é deixarmos que a força de Deus desça sobre nós para que sejamos neste mundo como Cristo. A missão para a qual cada baptizado é enviado é a mesma de Cristo: ser sinal de luz, de doação, de liberdade, da revelação do amor de Deus.

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Ano A - Tempo do Natal - Baptismo do Senhor - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia -Epifania do Senhor (Ano A)

a)     Pastoralmente, neste dia não deveremos esquecer de anunciar depois da proclamação do evangelho, como nos propõe o Missal, todas as festas do Ano Litúrgico, como expressão de que Natal, Páscoa e Pentecostes formam uma unidade. Assim, a encarnação é o ponto de partida da redenção, porque consiste na transformação do homem velho em homem novo. A celebração deste domingo é um outro aspecto da encarnação, porque os seus efeitos têm uma dimensão universal. A Oração Colecta desta Solenidade dá-nos as duas ideias fundamentais a realçar: 1ª guiados por uma estrela Deus revela-se aos pagãos; 2ª o pedido de sermos também guiados à contemplação da glória divina.

b)      Deus revela-se aos pagãos. Perante esta realidade, no evangelho, encontramos três posturas distintas. A primeira é a atitude de Herodes, imagem de um tirano, de um poderoso injusto e egoísta que não tem escrúpulo em fazer uma carnificina quando suspeita de algo contra ele. Com medo de perder o poder, procura eliminar quem lhe pode tirar o poder. São Mateus escreveu o seu evangelho para cristãos que tinham conhecido as três gerações da família de Herodes e este nome soava-lhes a terror como o nome de Nero para os cristãos de Roma. A segunda é a atitude dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas do povo. Eles conheciam a profecia que anunciava este acontecimento, mas não procuram como os Magos, estão como que cegos, a luz da fé não ilumina a sua inteligência; eles esperavam um Messias poderoso (não o entendiam na pobreza); eles não viram a estrela como também toda a cidade de Jerusalém. A terceira é a atitude dos Magos que são a imagem de todos os homens e mulheres que procuram a fé. Na realidade que os rodeiam, procuram o sentido que explique as suas vidas. Apesar de virem de longe, não quer dizer que tenham valores diferentes das nossas tradições. A fé trespassa o local geográfico e abre-se ao universo. Deus também lhes fala através de sinais (neste caso por uma estrela), para que procurem o sentido das suas vidas. Os Magos são a expressão de todos aqueles que têm o coração aberto para acreditar e confiar, dispostos a fazer caminho que pode ser muito longo, sendo necessário, por vezes, vencer vários obstáculos. Quantos se questionam ao ver a luz de homens e mulheres que seguindo Jesus Cristo, longe de todo o sinal de poder, estão próximas dos outros, amando e servindo. O sinal e a luz de Jesus Cristo é para todo o mundo, é universal.

05-01-2020

Os protagonistas do evangelho deste Domingo são os Magos, mas o centro e o objectivo é Jesus: Deus Encarnado, o Messias que hoje é visitado pelos magos. Diz o evangelho que “prostrando-se diante d’ Ele, adoraram-No”, oferecendo-lhe ouro como rei, incenso como Deus e mirra como homem. Os Magos têm a única atitude cristã perante Jesus: adorar Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Adora-se Deus, devido à sua infinita grandeza. Cada acto litúrgico tem este sentido, apesar de nele reconhecermos a nossa fraqueza e limitação diante de Deus que nos criou. Por isso, somos convidados a imitar os Magos: reconhecer em Jesus a sua grandeza, expressa nas manifestações do seu mistério, desde o nascimento, da sua vida privada em Nazaré e depois na sua vida pública, no sofrimento, na morte, ressurreição e ascensão à glória.

 

d)      Como os Magos, teremos de aprender a ver a estrela, ou seja, Deus, em todos os lugares: ver na natureza as marcas da sua presença, porque Ele a criou e a colocou ao serviço da humanidade. Para adorar a Deus, temos também de ter em conta todos aqueles acontecimentos que nos põem à prova e nos tentam a “fugir” de Deus, como aconteceu com os Magos que não se iludiram com o desejo “hipócrita” do rei Herodes. Há que deixar bem claro que Deus tem de ser sempre o primeiro, Aquele que tem a primazia, Aquele por quem procuramos, pondo-nos a caminho ao seu encontro. Encontrando-O, como aconteceu aos Magos, Deus torna-se próximo de nós, como um menino nos braços de sua mãe. Também a atitude dos Magos nos diz que a adoração deve expressar um sentimento interior, através de um gesto corporal: a adoração não é um acto intelectual, mas supõe toda a vida, a cabeça, o corpo, o coração. Finalmente, a adoração torna-se mais profunda à medida que o conhecimento de Deus vai progredindo. A adoração é um conhecimento amoroso que fará crescer o desejo de servir o Senhor até à adoração plena e definitiva.

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Ano A - Tempo do Natal - Epifania do Senhor - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia – Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José (Ano A)

 

a)      Domingo e Natal: duas realidades a ter em consideração para a preparação desta festa. O Domingo, Dia do Senhor, é a causa máxima que nos faz reunir para celebrar a Eucaristia. Neste domingo, celebramos o Senhor, contemplando a Sagrada Família. É uma oportunidade para reflectirmos nas nossas famílias e na importância da família. Reflectimos sobre a família, celebrando o mistério do Natal: o Filho de Deus fez-se homem, no seio de uma família, de um povo, de um país. Para algumas famílias, estes dias festivos são muito difíceis, especialmente para aquelas que perderam alguém, ou que vivem em crise, ou que nelas tenha havido separação.

 

b)      Assim, para esta celebração seria muito bom que se tivesse em grande consideração o elemento da paz. Dar à celebração um tom de tranquilidade e de paz; aquilo que muitos desejariam encontrar no seio familiar e na sua casa. Não será bom fazer da homilia um discurso sobre os perigos que afectam a família nos dias de hoje. Procurar rezar, tendo em conta a realidade da família. Preparar muito bem as intenções da Oração Universal, procurando exprimir as necessidades que têm as famílias da comunidade paroquial.

 

c)       Celebramos a Festa da Sagrada Família num contexto sócio – político em que a realidade familiar é o centro de debates, de análises, de correcções, etc. Todavia, não podemos converter esta festa numa tomada de posição, a favor ou contra, aos debates políticos. Tantos que vão à missa e vivem experiências dolorosas nas suas famílias! Esta festa será uma boa ocasião para oferecer um pouco de paz e de repouso a alguns membros da família, a ajudando a rezar e a colocar as suas vidas nas mãos de Deus Pai.

29-12-2019

 

d)      As leituras deste Domingo têm como centro o evangelho, onde se narra a fuga de Maria e de José com o Menino para o Egipto. A 1ª leitura é uma compilação de ditos sapienciais populares que se referem ao relacionamento dos pais para com os filhos e vice-versa. O Salmo canta que a família será feliz se seguir o caminho do Senhor. Na 2ª leitura, S. Paulo dá-nos recomendações preciosas para a vida comunitária e para a vida familiar. A partir da 2ª leitura, olhemos para o grupo dos discípulos de Jesus como uma família. Fomos “chamados para formar um só corpo”. Jesus Cristo, Filho de uma família, tornou-nos filhos de Deus, irmãos. A família é uma realidade humana, assumida pelo Filho de Deus. O Filho de Deus tem como sua cada uma das nossas famílias; não porque sejam modelos ou porque tenham importantes categorias, mas porque nelas vivemos. Com Jesus, a família é iluminada pela luz da fé.

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paroquiasagb

Ano A - Tempo do Natal - Sagrada Família - Boletim Dominical II

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