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Tag Archives: Unidade Pastoral de Fornos de Algodres

Liturgia do 2ºDomingo Comum- Ano B

 

“Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”. É o refrão que repetimos no salmo responsorial e que nos recorda a resposta de Samuel ao Senhor: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta”. A primeira leitura narra-nos a vocação de Samuel, um dos personagens mais emblemáticos do Antigo Testamento: quando era ainda criança e vivia no Templo onde tinha sido entregue e consagrado ao Senhor pela sua mãe, ouve um chamamento que não sabe identificar, mas que é constante e que se vai repetindo. Heli ajuda-o a descobrir pouco a pouco que essa voz é o Senhor. Neste domingo recordemos e agradeçamos a dedicação de tantas pessoas que, um dia, nos ajudaram a abrir o nosso coração a Jesus.

No texto do evangelho encontramos também um bom guia que sabe orientar os outros para Deus: João Baptista. Dá testemunho de Jesus, com a finalidade de levar as pessoas a acreditar Nele. João apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus. “Dois dos seus discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus”, não só pelo que ouviram, mas também pelo que viveram. “Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia”. Ficaram impressionados com este encontro, provocado pelo convite de Jesus: “Vinde ver”, que lhe mudou a vida. Quando se dirigiram a Jesus, estes dois discípulos saudaram-no como mestre (“Rabi”), mas bem depressa, devido à convivência com Ele, descobriram que é o Messias. Messias é uma palavra de origem hebraica que significa “ungido”; referia-se especialmente ao salvador que Israel esperava ser enviado por Deus para o libertar. A palavra Cristo, que vem da tradução grega de Messias, tem o mesmo significado.

De Eli e de João Baptista, aprendemos o modelo para acompanhar alguém no discernimento na fé: saber desaparecer para que o Outro apareça com mais destaque. Eles não são os protagonistas, e o seu “ocultar-se” faz com que hoje os tenhamos como exemplo do chamamento de Samuel, de André e de Simão. A este último, Jesus muda-lhe o nome para Pedro (pedra, rocha), porque terá um papel fundamental na história a partir deste encontro.

Na segunda leitura, S. Paulo recorda-nos a importância do corpo: é fundamental na relação e comunicação pessoal. Aquilo que Deus espera de nós concretiza-se muitas vezes através do corpo. É com os nossos braços, ouvidos, olhos…que o Senhor actua no mundo. “O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor…glorificai a Deus no vosso corpo”. Não se pode dizer, como alguns pensavam em Corinto, que o que se faz com o corpo não afecta o Espírito. O corpo é templo do Espírito Santo.

Por isso pedimos ao Senhor que a Eucaristia que celebramos revele o que queremos viver. Que saibamos escutar e responder a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças.

Elo de comunhão 17-01-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Levando Pedro consigo, André conduziu ao Senhor o seu irmão segundo a natureza e o sangue, para que se tornasse discípulo como ele; é a primeira obra de André. Ele fez crescer o número dos discípulos: juntou-lhe Pedro, em quem Cristo encontraria o chefe dos seus discípulos. Isto é de tal maneira verdade que quando, mais tarde, Pedro tiver uma conduta admirável, ele o deverá ao que André tinha semeado. O louvor dirigido a um recai igualmente sobre o outro, pois os bens de um pertencem ao outro e um glorifica-se com os méritos do outro.

Que alegria Pedro trouxe a todos quando respondeu de imediato à pergunta do Senhor, quebrando o silêncio embaraçado dos discípulos! Só Pedro pronunciou estas palavras: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt 16,16). Falando em nome de todos, numa frase, proclamou o Salvador e o seu desígnio de salvação. Como esta proclamação se conjuga bem com a de André! As palavras que André tinha dito a Pedro, quando o conduzira a Cristo – «Encontramos o Messias» – confirma-as o Pai celeste, ao inspirá-las a Pedro (Mt 16,17): «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.» (Basílio de Selêucia, ?-c. 468), bispo, Sermão em louvor de Santo André, 4; PG 28, 1105)

 

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Ano B - Tempo Comum - 2º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do Baptismo do Senhor- Ano B

 

Com a Festa do Baptismo do Senhor encerramos o Tempo do Natal, com o qual contemplámos o mistério da Encarnação do Filho de Deus e iniciamos o Tempo Comum até quarta-feira de Cinzas com o início da Quaresma. A passagem entre estes dois tempos litúrgicos acontece neste Domingo. Se na solenidade da Epifania do Senhor celebrávamos a manifestação de Deus a todos os povos da terra, com a festa do Baptismo do Senhor continuamos a celebrar esta manifestação como mistério da revelação de Deus que em Cristo ilumina e enche de sentido a nossa vida.

O evangelho deste Domingo narra-nos o início da pregação de João Batista que é um grande anúncio para todos. Depois da sua pregação virá o Messias que nos baptizará no Espírito Santo. A palavra “cristão” significa consagrado no mesmo Espírito no qual Jesus foi consagrado. O baptismo de João era um acto de contrição para receber o perdão dos pecados, mudar a vida e assim estar preparados para a vinda do Salvador para libertar Israel. O anúncio de que o Messias baptizaria no Espírito Santo revela que a sua acção salvífica e redentora irá mais além do perdão dos pecados, ou seja, fará surgir uma vida nova tal como profetizou Isaías na primeira leitura.

Depois do anúncio de João Batista, o evangelista Marcos, de uma maneira muito sóbria, introduz Jesus e o seu baptismo. Diz-nos que “naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no rio Jordão”. No rio Jordão, Jesus manifesta-se com uma extraordinária humildade, que recorda a pobreza e a simplicidade daquele menino na manjedoura de Belém. Antecipa já os sentimentos que, no final dos seus dias neste mundo, lavará os pés dos seus discípulos e assumirá a humilhação terrível da morte na cruz. O Filho de Deus, Aquele que não tem pecado, encontra-se entre os pecadores e revela a proximidade de Deus no caminho da conversão de cada homem e de cada mulher. Jesus carrega sobre os seus ombros o peso da culpa de toda a humanidade e assim inicia a sua missão, a sua vida pública. Por isso a festa do Baptismo do Senhor leva à sua plenitude o tempo do Natal.

Com a mesma sobriedade, o evangelista Marcos continua a narrar o baptismo do Senhor, dizendo que “ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele”. Nesta imagem, os Padres da Igreja reconheceram um dos momentos constitutivos do sacramento do baptismo. Afirmavam o seguinte: se João baptizava com água para purificar os pecados, o baptismo do Senhor tinha purificado a água para pudéssemos entrar na vida nova da sua ressurreição. Assim, a água passa a ser sinal de salvação real para todos. O baptismo no rio Jordão converte-se numa promessa pascal: o homem novo, Jesus, promete a todos os homens e mulheres, prisioneiros do homem velho por causa do pecado, estar com eles numa missão necessária e dolorosa para todos: a morte do homem velho.

Mas se ainda houvesse dúvidas, o evangelista Marcos termina esta narração com uma manifestação de Deus. Devemos recordar que o evangelho de Marcos inicia sem nenhuma referência ao nascimento de Jesus. O texto evangélico deste domingo contém quase os primeiros versículos do evangelho. O evangelista coloca uma frase pronunciada por Deus que é de grande importância e que não se repetirá até ao momento da Transfiguração no monte Tabor. O itinerário pedagógico da liturgia leva-nos a conhecer as reacções que Jesus tinha suscitado nos pastores, no rei Herodes, nos Magos do Oriente, em Simeão e Ana. Pouco a pouco, estes sentimentos levam-nos a reconhecer que aquele menino é o Messias que o povo esperava. Mas se ainda houver dúvidas, hoje ressoa a voz de Deus que nos confirma que aquele homem entre o povo e baptizado nas águas do rio Jordão é o seu Filho muito amado. Depois de contemplar o seu nascimento neste tempo de Natal, saibamos acolher Jesus na sua vida pública para sentir e experimentar a realidade do seu Reino.

Elo de comunhão

LEITURA ESPIRITUAL

Junto do Jordão, Jesus manifesta-se com uma extraordinária humildade, que recorda a pobreza e a simplicidade do Menino colocado na manjedoura, e antecipa os sentimentos com os quais, no final dos seus dias terrenos, chegará a lavar os pés dos discípulos e sofrerá a humilhação terrível da cruz. O Filho de Deus, Aquele que é sem pecado, coloca-se entre os pecadores, mostra a proximidade de Deus ao caminho de conversão do homem. Jesus carrega sobre os seus ombros o peso da culpa da humanidade inteira, inicia a sua missão pondo-se no nosso lugar, no lugar dos pecadores, na perspectiva da cruz.

Recolhido em oração, depois do baptismo, enquanto sai da água, abrem-se os céus. É o momento esperado por multidões de profetas. “Se rasgásseis os céus e descêsseis!”, tinha invocado Isaías (64, 1). Neste momento, parecia sugerir São Lucas, este pedido é satisfeito. De facto, “o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu” (3, 21-22); ouviram-se palavras nunca antes pronunciadas: “Tu és o Meu Filho muito amado; em Ti pus todo o Meu enlevo” (v. 22). Jesus, saindo das águas, como afirma São Gregório de Nazianzo, “vê o céu abrir-se e separar-se, aquele céu que Adão tinha fechado para si e para toda a sua descendência” (Discurso 39 para o Baptismo do Senhor, p. 36). O Pai, o Filho e o Espírito Santo descem entre os homens e revelam-nos o seu amor que salva. Se são os anjos que levam aos pastores o anúncio do nascimento do Salvador, e as estrelas aos Magos vindos do Oriente, agora é a própria voz do Pai que indica aos homens a presença no mundo do seu Filho e que convida a olhar para a ressurreição, para a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte. (Bento XVI, Homilia de 10 de Janeiro de 2010)

 

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Ano B - Tempo do Natal - Baptismo do Senhor - Boletim Dominical II sem avisos

Avisos e Liturgia- Epifania do Senhor- Ano B

 

Prossegue o tempo do Natal com a celebração da Epifania do Senhor. A oração colecta sempre nos ajuda a alcançar o mistério que celebramos em cada uma das celebrações eucarísticas. Neste Domingo, esta oração recorda-nos que Deus revelou o seu Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela. Também pedimos que o Senhor nos guie para contemplarmos face a face a sua glória. Na narração dos Magos do Oriente encontramos um perfeito itinerário da fé cristã.

Os Magos deixam a estabilidade, o conforto e a segurança dos seus lares para fazerem um caminho, uma viagem. De certeza que preferiam ficar em casa, rodeados da tranquilidade própria de uma habitação confortável. Um sinal no céu despertou-lhes a curiosidade, o espírito de aventura e a vontade de percorrer um caminho, ou seja, de fazer uma viagem que transformará as suas vidas. O caminho que eles fizeram pode ser feito por cada um de nós em qualquer momento da vida. Muitas vezes somos cristãos desinteressados e insensíveis; os nossos pais e avós já eram cristãos e, por isso, também somos e pronto! Os acontecimentos da vida, os sinais dos tempos, despertam-nos da nossa fé acomodada para procurarmos o seu fundamento e alicerce. Da decisão que tomarmos poderão surgir dois caminhos: ou ficamos na mesma e a nossa fé enfraquece, ou decidimos percorrer um caminho que nos leve a contemplar o nosso redentor.

O texto do evangelho de S. Mateus revela-nos que este itinerário não está isento de dificuldades. Os Magos do Oriente também as tiveram. O rei Herodes foi um traidor; aparentemente, desejava conhecer o menino Jesus, mas na realidade pretende servir-se da boa vontade daqueles Magos para concretizar o seu plano: matar o menino Jesus para que só ele possa ser o rei dos judeus. Os Magos poderiam ter-se enganado no caminho, poderiam ter ficado contentes por conhecer o rei Herodes ou poderiam ter atraiçoado o menino Jesus dando a conhecer a Herodes a sua morada. Não o fizeram porque foram fiéis e não se deixaram iludir com as palavras de Herodes. Cuidado! Os falsos ídolos de hoje distraem-nos e separam-nos do que realmente desejamos: o encontro pessoal com o Senhor.

Qual é o momento mais esperado de toda a viagem dos Magos? Aquele em que podemos contemplar face a face a sublime glória de Deus. No ponto de chegada deste caminho encontramos Maria a apresentar-nos Jesus Cristo. Depois da contemplação vem a adoração, porque prostraram-se para O adorar. Não há troca de palavras, não há apresentações; viram o menino e adoram-no. Os Magos ensinam-nos o seguinte: perante o mistério de Deus não há palavras, perante a possibilidade de O conhecer e de O contemplar desponta o silêncio da adoração.

03-01-2021

Abriram os seus tesouros e ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra. Nestas prendas, os Padres da Igreja vêm simbolizadas no ouro a realeza de Jesus Cristo, no incenso a sua divindade e na mirra a sua paixão. Estas prendas são uma representação da identidade de Jesus Cristo. Podemos afirmar que os Magos, depois da viagem, conseguiram descobrir quem é Jesus. Que prendas podemos hoje oferecer ao menino Jesus? É evidente que podemos oferecer ouro, incenso e mirra, mas quem é Jesus Cristo para nós? E se oferecêssemos a nossa vida e a nossa pobreza para que Ele a transforme?

No final da celebração eucarística deste Domingo iremos, como os Magos, regressar às nossas casas. Na Eucaristia temos a oportunidade de nos encontrar e de adorar o Senhor. Celebrando a Eucaristia, transformamos a nossa vida. Que o itinerário dos Magos do Oriente nos ajude hoje e sempre a contemplar face a face a admirável glória de Deus.

 

LEITURA ESPIRITUAL

“Levanta-te e resplandece, Jerusalém, chegou a tua luz!” (Is, 60,1) Chegou realmente a tua luz; ela estava no mundo e o mundo foi feito por ela, mas o mundo não a conheceu. O Menino nascera, mas não foi conhecido enquanto o dia da luz não começou a revelá-Lo. Erguei-vos, vós que estais sentados nas trevas! Dirigi-vos para esta luz; ela ergueu-se nas trevas, mas as trevas não conseguiram abarcá-la. Aproximai-vos e sereis iluminados; na luz vereis a luz, e dir-se-á sobre vós: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” (Ef 5,8). Vede que a luz eterna se acomodou aos vossos olhos, para que Aquele que habita uma luz inacessível possa ser visto pelos vossos olhos fracos e doentes. Descobri a luz numa lâmpada de argila, o sol na nuvem, Deus num homem, no pequeno vaso de argila do vosso corpo o esplendor da glória e o brilho da luz eterna!

Nós Te damos graças, Pai da luz, por nos teres chamado das trevas à tua luz admirável. Sim, a verdadeira luz, mais do que isso, a vida eterna, consiste em Te conhecer, a Ti, único Deus, e ao teu enviado, Jesus Cristo. É certo que Te conhecemos pela fé, e temos como seguro que um dia Te conheceremos na visão. Até lá, aumenta-nos a fé. Conduz-nos de fé em fé, de claridade em claridade, sob a moção do teu Espírito, para que penetremos cada dia mais nas entranhas da luz! Que a fé nos conduza à visão face a face e que, à semelhança da estrela, ela nos guie até ao nosso chefe nascido em Belém.

Que alegria, que exultação para a fé dos magos, quando virem reinar, na Jerusalém das alturas, Aquele que adoraram quando vagia em Belém! Viram-No aqui numa habitação de pobres; lá, vê-Lo-emos no palácio dos anjos. Aqui, nos paninhos; lá, no esplendor dos santos. Aqui, no seio de sua Mãe; lá, no trono de seu Pai. (Beato Guerric de Igny, 3º sermão para a Epifania).

 

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Avisos e Liturgia – Sagrada Família – ano B

 

Continuando com as festas solenes do Natal, neste domingo a Igreja recomenda contemplar a Sagrada Família. Esta celebração não ofusca este tempo litúrgico; recordamos e celebramos Deus que quis nascer numa família para que tivesse alguém que Dele cuidasse. Jesus, o Filho de Deus, ao nascer numa família, santificou a família humana. Por isso, veneramos a Sagrada Família como modelo importante e fundamental da família humana. Numa sociedade em que a família não disfruta do mérito e prestigio que merece, é muito importante celebrar esta festa instituída em 1921 pelo Papa Bento XV e colocada no calendário universal da Igreja. A oração colecta recorda-nos que Deus quis dar-nos o modelo da Sagrada Família para que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na Sua casa para gozarmos as alegrias eternas.

Mas, quais são essas virtudes familiares? O texto do evangelho pode ajudar-nos a encontrar a resposta. José e Maria levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, para cumprirem os preceitos da lei de Moisés relacionados com a purificação. Esta particularidade do início do texto ajuda-nos a entender que José e Maria eram uma família que cumpria os preceitos da sua religião judaica. Por isso, não é difícil imaginá-los na sua casa a rezar juntos os salmos e a ensinar o Menino Jesus no ritmo diário de oração. É isto que as nossas famílias cristãs deveriam imitar com os mais pequenos da casa para que aprendam a importância de rezar nos diversos momentos do dia. Mas sigamos o texto para encontrar outras virtudes a imitar desta família. A visita ao templo supõe um encontro com duas pessoas interessantes.

Sabemos que Simeão era um homem justo e piedoso e que esperava a hora da consolação de Israel. Movido pelo Espírito Santo vai ao templo e ali encontra-se com a Sagrada Família. Desta maneira, cumpre-se a promessa que o Espírito Santo lhe tinha feito: ver o Messias antes de morrer. Com o menino Jesus nos braços, Simeão entoa um dos hinos mais importantes para a liturgia da Igreja que é rezado na hora de completas, antes do repouso da noite. Este hino é de acção de graças por ter conseguido ver o Messias. Sabemos que Ana foi casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Tinha uma vida sóbria dedicada à oração e ao jejum, não se afastando do templo. O texto não nos revela nenhum diálogo entre ela e a Sagrada Família, mas podemos imaginar uma grande alegria ao conhecer o menino Jesus, a qual deu origem à sua acção de graças a Deus. Falava daquele menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Em ambos os encontros a Sagrada Família proporciona um momento de acção de graças a Deus. Assim, temos uma nova virtude, digna de ser imitada: eles dão a conhecer o Messias e, com Ele, geram a consolação e a esperança que vêm de Deus depois de uma vida longa e provavelmente dura. E se nós também fossemos mensageiros desta consolação e esperança, dando a conhecer o Messias em todos os momentos da nossa vida? Talvez a nossa sociedade pudesse converter-se numa autêntica família que louva a Deus e é capaz de imitar os exemplos da família da qual Deus fez parte.

Elo de Comunhão (3)

Finalmente, na festa da Sagrada Família rezemos especialmente pelas nossas famílias. No seio da nossa família nascemos e crescemos. Foi nela que Deus estabeleceu o alicerce das nossas vidas. Os nossos pais e padrinhos ajudaram-nos a crescer na fé, nos valores de uma vida cristã. Recordemos os membros falecidos das nossas famílias e agradeçamos os novos membros que nela se incorporaram. Diante de Deus, agradeçamos todos os membros da nossa família e peçamos a protecção da Sagrada Família. Que o nosso lar, por intercessão da Sagrada Família, se converta num modelo da Igreja doméstica, como afirmou o Concílio Vaticano II.

 

LEITURA ESPIRITUAL

Nazaré é a escola em que se começa a compreender a vida de Jesus, é a escola em que se inicia o conhecimento do Evangelho. Aqui se aprende a observar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão profundo e misterioso desta manifestação do Filho de Deus, tão simples, tão humilde e tão bela. Talvez se aprenda também, quase sem dar por isso, a imitá-la. Aqui se aprende o método e o caminho que nos permitirá compreender facilmente quem é Cristo. Aqui se descobre a importância do ambiente que rodeou a sua vida, durante a sua permanência no meio de nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo o que serviu a Jesus para Se revelar ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem sentido. Aqui, nesta escola, se compreende a necessidade de ter uma disciplina espiritual, se queremos seguir os ensinamentos do Evangelho e sermos discípulos de Cristo. Quanto desejaríamos voltar a ser crianças e acudir a esta humilde e sublime escola de Nazaré! Quanto desejaríamos começar de novo, junto de Maria, a adquirir a verdadeira ciência da vida e a superior sabedoria das verdades divinas! Mas estamos aqui apenas de passagem e temos de renunciar ao desejo de continuar nesta casa o estudo, nunca terminado, do conhecimento do Evangelho. No entanto, não partiremos deste lugar sem termos recolhido, quase furtivamente, algumas breves lições de Nazaré.  Em primeiro lugar, uma lição de silêncio. Oh se renascesse em nós o amor do silêncio, esse admirável e indispensável hábito do espírito, tão necessário para nós, que nos vemos assaltados por tanto ruído, tanto estrépito e tantos clamores, na agitada e tumultuosa vida do nosso tempo! Silêncio de Nazaré, ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor de uma conveniente formação, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê. Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu carácter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré como é preciosa e insubstituível a educação familiar e como é fundamental e incomparável a sua função no plano social. Uma lição de trabalho. Nazaré, a casa do Filho do carpinteiro! Aqui desejaríamos compreender e celebrar a lei, severa mas redentora, do trabalho humano, restabelecer a consciência da sua dignidade, de modo que todos a sentissem; recordar aqui, sob este tecto, que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que a sua liberdade e dignidade se fundamentam não só em motivos económicos, mas também naquelas realidades que o orientam para um fim mais nobre. Daqui, finalmente, queremos saudar os trabalhadores de todo o mundo e mostrar-lhes o seu grande Modelo, o seu Irmão divino, o Profeta de todas as causas justas que lhes dizem respeito, Cristo Nosso Senhor. (Paulo VI, Alocução em Nazaré, 5 de Janeiro de 1964).

 

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Ano B - Tempo do Natal - Sagrada Família - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 3º Domingo do Advento- Ano B

 

O Advento é um tempo de esperança, na alegria. Encontramo-nos no Domingo chamado “Gaudete” que se inspira na carta de S. Paulo aos cristãos de Filipos: “Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos”. Por isso hoje na oração colecta pedimos para chegarmos “às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria”. A Igreja tem a missão de mostrar sempre esta alegria que encontra as suas raízes no acontecimento salvífico de Jesus Cristo. A palavra “alegria” é referência na celebração dominical, sem esquecer que deve ser sempre durante a nossa caminhada da fé.

Se nós, a Igreja de Cristo, não mostramos ao mundo a verdadeira alegria por termos encontrado Jesus, a alegria de ter experimentado o amor gratuito de Deus que nos perdoa, nos cura e nos dá, por Jesus Cristo, a graça e a verdade, nunca poderemos anunciar a Boa Nova. A nossa vida e o nosso exemplo nunca serão credíveis sem alegria. A liturgia da Igreja deste domingo convida a viver na alegria, mas não é aquela alegria despreocupada, indiferente e alheia aos outros, própria daqueles que somente se preocupam com o seu bem estar, porque na vida tudo lhes corre bem. Na verdade, a alegria é algo mais profundo que encontra as suas raízes na presença de Deus que nos acompanha e que nos ampara em todos os momentos.

O canto da primeira leitura do livro da profecia de Isaías deve ser entoado em toda a Igreja. É ela quem deve reconhecer com alegria que o Espírito do Senhor repousa sobre si mesma. Só assim será capaz de levar a Boa Nova aos que sofrem, de curar os corações atribulados e de proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros. Esta é a transformação que, através da Igreja, o Senhor quer trazer ao nosso mundo para o renovar, infectado pelo mal e pelo pecado. Todos nós, crentes em Cristo ressuscitado, somos portadores da verdadeira alegria, da qual o mundo está tão necessitado.

13-12-2020

Neste terceiro Domingo do Advento, a liturgia da Igreja propõe-nos, novamente, o exemplo de João Baptista, que foi um homem simples e humilde, sem deixar de ser um homem cheio de alegria, porque a tinha experimentado na sua vida (saltou de alegria no seio da sua mãe com a proximidade de Jesus no seio de Maria), e, por isso, a anunciou. Não podemos ficar indiferentes às suas palavras: “no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim”. Esta afirmação de João Batista é uma realidade também para nós. Quanta pobreza encontramos na nossa vida quando não somos capazes de reconhecer o Senhor! Estamos tão perto de Deus, mas não somos capazes de sentir a Sua presença e Ele fica esquecido! Ele está presente, reside no coração de cada homem e de cada mulher, nos acontecimentos da vida, nas tarefas diárias, no encontro com os outros, na presença eucarística, no amor de tantos homens e mulheres que abandonaram a sua própria vida para fazer o bem aos seus irmãos. Se recordássemos tudo isto, se estivéssemos mais atentos, certamente surgiria a verdadeira alegria, aquela que somente vem de Cristo, aquela que habitava no coração de João Baptista e que o converteu em testemunha do Advento de Deus no mundo.

Quando esquecemos tudo isto, surpreende-nos a atitude contrária à alegria, que é o maior mal do nosso mundo: a tristeza. Infelizmente são muitas as pessoas que se vêm obrigadas a viver sob o peso da tristeza. A nossa missão é levar-lhes o anúncio desta alegria para que livremente a possam acolher. Mas, cuidado, não seremos portadores da alegria de conhecer Jesus Cristo se antes não o tivermos experimentado na nossa vida. Então, como podemos viver a verdadeira alegria? Com uma vida intensa de fé graças aos sacramentos e à Palavra de Deus, cultivando a nossa vida interior para que dela desponte um testemunho activo e firme. Cada um de nós é convidado a viver numa contínua esperança na vinda do Senhor. Esta esperança deve ser vivida na alegria de pertencermos e sermos Igreja.

 

LEITURA ESPIRITUAL

O baptismo de Jesus é também um baptismo “no Espírito Santo e no fogo”. Lembro-me das coisas que há pouco falei e não me esqueci da explicação dada acima, mas quero trazer uma nova interpretação. Se fores santo, serás baptizado no Espírito Santo; se fores pecador, serás lançado no fogo. O único e o mesmo baptismo se tornará condenação e fogo para os pecadores indignos; mas para aqueles que são santos e com toda fé se converterem ao Senhor, receberão a graça do Espírito Santo e a salvação. “Aquele que baptiza no Espírito Santo e no fogo”, como diz a Escritura, tem “em sua mão a joeira e vai limpar a sua eira; e recolherá o seu trigo no celeiro, e queimará a palha no fogo que não se apaga”. Eu quero descobrir quais os motivos que tem Nosso Senhor para segurar “a joeira”, e por qual sopro a palha leve é levada para cá e para lá, enquanto o trigo mais pesado cai no mesmo lugar, pois, na ausência do vento, não se pode separar o trigo e a palha. O vento, eu creio, designa aqui as tentações, que, no monte confuso dos que crêem, revela que uns são palha, os outros, trigo. Pois, quando a vossa alma se deixou dominar por alguma tentação, não é a tentação que te transformou em palha, mas porque tu eras palha, isto é, leve e sem fé, a tentação te destapou a tua natureza oculta. Porém, quando enfrentas corajosamente a tentação, não é a tentação que te faz fiel e paciente, mas ela revela à luz do dia as virtudes de paciência e de força presentes em ti, mas que estavam ocultas. “Pois, diz o Senhor, tu pensas que eu tinha um outro fim, falando-te assim, senão que te fazer parecer justo?” E noutra parte: “Eu te afligi e te atingi com a penúria, para que se tornassem manifestas as coisas que havia em teu coração”. Desse modo, também a tempestade não permite que um edifício construído sobre a areia resista, mas, se queres edificar, constrói “sobre a rocha”. A tempestade, uma vez começada, não poderá derrubar o que foi alicerçado “sobre a rocha”, mas ela faz ver a fragilidade dos alicerces da casa que vacila “sobre a areia”. (Orígenes, Homilias sobre o Evangelho de Lucas)

 

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Ano B - Tempo do Advento - 3º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do II Domingo do Advento Ano B

 

O itinerário do Advento continua no segundo Domingo deste tempo dedicado à esperança no Senhor. Ao iniciar a Eucaristia, a oração colecta deste Domingo contém dois pedidos. Por um lado, pedimos que os “cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo”; por outro, pedimos que o conhecimento daquele que é a “sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória”. Portanto, para caminharmos ao encontro de Cristo neste Advento temos de O conhecer mais e melhor prescindindo de tudo o que na vida se converte em tentação ou distracção do que realmente desejamos: o encontro pessoal com Jesus Cristo.

Na primeira leitura, da profecia de Isaías, encontramos palavras de consolação e de esperança. O povo de Israel encontrava-se no exílio mas já sentia que estava próxima a sua libertação e o regresso a Jerusalém. Mas as palavras do profeta Isaías não são as únicas que este Domingo nos oferecem consolação e esperança para enfrentar as dificuldades da vida. A segunda leitura convida-nos a nunca perder de vista a promessa do Senhor: Ele levar-nos-á para os novos céus e para a nova terra, onde habitará a justiça. As palavras do apóstolo Pedro são pertinentes mais do que nunca num mundo onde parece que reina o caos e a injustiça. Na sociedade actual temos de sentir e de fazer sentir o desejo do regresso do Senhor para que estabeleça a ordem, a paz e a justiça. Além disso, Pedro exorta-nos a uma vida consequente com este desejo e promessa: “como deve ser santa a vossa vida e grande a vossa piedade, esperando e apressando a vinda do dia de Deus”. Com uma vida santa e piedosa anima-nos a tornar presente a realidade deste novo mundo que quer instituir com a nossa conduta. Como cristãos e coerente com a nossa fé, temos um papel fundamental para fomentar todos os valores que o Senhor deseja neste mundo novo que pretende instaurar.

O texto do evangelho deste Domingo apresenta-nos um dos protagonistas deste tempo: João Baptista. A partir da profecia de Isaías na primeira leitura, pede aos seus conterrâneos que abram um caminho para o Senhor e que endireitem as suas veredas. Tanto Isaías como João Batista sentiram a necessidade de abrir e de preparar um caminho para o Senhor; esta necessidade continua presente nos nossos dias.

João Baptista é uma voz que grita no deserto. O seu testemunho neste Domingo é um exemplo para cada um de nós. Porque João grita, se está no deserto? O mais lógico é pensar que não é necessário gritar porque no deserto não está ninguém. Mas o seu grito é um sinal de um Deus que não quer permanecer no silêncio e que quer estar presente onde há silêncio. O seu anúncio é para todos, mesmo para os que estão nos lugares mais recônditos e inacessíveis. O seu grito é o sinal de um anúncio a uma sociedade que quer silenciar a voz de Deus, deixando-O muitas vezes à margem. O testemunho de João Batista deve encorajar-nos para que a nossa voz seja potente como a dele. Será que estamos dispostos a oferecer a nossa voz para anunciar a sua vinda?

João Baptista pregava um baptismo de conversão. Depois de escutar o anúncio do profeta e perante uma promessa tão importante, a nossa vida não pode permanecer na mesma. Muitas vezes deixamos este tema da conversão para o tempo quaresmal, mas na realidade deveria ser uma constante em toda a nossa vida. Não se pode ouvir o anúncio da promessa de Cristo e continuar indiferente. A nossa vida tem de mudar, cada um de nós tem de mudar. Se no primeiro Domingo insistíamos na importância de viver uma vida vigilante, ou seja, responsável e fiel para preparar a sua vinda, neste Domingo somos convidados a fazer todo o possível para abrir o caminho para o Senhor. Como? João Baptista ajuda-nos: por um lado, devemos ser anunciadores da Sua vinda; por outro, temos de converter a nossa vida. Anúncio e Conversão ajudarão a abrir o caminho ao Senhor e a preparar a sua vinda.

Elo de Comunhão

LEITURA ESPIRITUAL

Tendo o povo de Deus sido reduzido à escravatura pelos pagãos e enviado como cativo para o meio dos persas e dos medos, depois de ter sofrido um longo cativeiro, o rei Ciro resolveu livrá-lo dessa servidão e reconduzi-lo à Terra Prometida. Qual poesia divina, o profeta Isaías entoou então estas palavras cheias de beleza: “Povo de Israel, consolai-vos, consolai-vos, diz o Senhor nosso Deus; a vossa consolação não será vã nem inútil. Falai ao coração de Jerusalém, porque a sua malícia chegou ao fim. E porque as suas iniquidades atingiram o máximo, serão perdoadas”. Por isso, dizia esse grande poeta ao povo de Israel: “Aplanai os vossos caminhos e endireitai as vossas veredas” (40, 1s).

Porque é que Deus diz que perdoará ao povo de Israel as suas iniquidades, se é verdade que ele atingiu o cúmulo da sua malícia? Os Padres antigos ensinam que estas palavras podem entender-se como se Deus dissesse: “Quando eles estão no auge das suas aflições e sentem vivamente o fardo das suas iniquidades nesta escravidão e neste cativeiro, depois de os ter punido pela sua maldade, olhei-os e tive deles compaixão. Chegados ao pior dos seus dias, bastou-Me o que já tinham sofrido; por isso, as suas iniquidades ser-lhes-ão agora perdoadas. Quando atingiram o cúmulo da sua ingratidão, quando parecia não terem nenhuma lembrança nem memória de Deus e dos seus benefícios, a sua iniquidade ser-lhes-á perdoada”. Quando a Providência de Deus quis mostrar aos homens a sua bondade, isso foi admirável, porque Ele não quis ser induzido por motivação alguma: movido apenas pela sua bondade, comunicou-Se aos homens de uma forma absolutamente maravilhosa.

Quando Ele veio a este mundo, era o tempo em que os homens tinham chegado ao cúmulo da sua malícia: as leis estavam nas mãos de Anás e Caifás, Herodes reinava e Pôncio Pilatos governava a Judeia; foi nesse tempo que Deus veio ao mundo para nos resgatar e nos libertar da tirania do pecado e da servidão do nosso inimigo. (São Francisco de Sales, 1567-1622).

 

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Ano B - Tempo do Advento - 2º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia – Domingo I do Advento- Ano B

 

Iniciamos o ano litúrgico com o tempo do Advento. Como já sabemos, é um tempo caracterizado pela espera da vinda do Senhor. O Senhor tem de vir! Em cada Domingo, a Igreja, na liturgia da palavra, propõe um percurso para ir ao seu encontro, ou melhor, para que Ele venha ao nosso encontro. Os primeiros Domingos convidam-nos a concentrar o nosso pensamento na sua vinda definitiva no fim dos tempos, à qual os cristãos chamam de vinda escatológica. Todavia, quase no fim do Advento também nos prepararemos para celebrar a sua vinda histórica, a sua encarnação, o seu Natal.

O Advento é um tempo de consolação e de esperança para caminhar sem desfalecer e para crescer na vida cristã. É um tempo que nos coloca diante do maior desejo dos cristãos: encontrarmo-nos com o Senhor. O tempo vai marcando a nossa existência e não pára por uns instantes. Ao longo da nossa vida, muitas vezes nos preocupamos com os problemas e esquecemos o essencial. Hoje, a Igreja recorda-nos e, novamente, nos convida a colocar o nosso coração nos bens do Céu tal como rezamos na oração depois da comunhão: “Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida terrena, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos”. Além disso, Jesus Cristo deixou-nos uma grande promessa que chegará com o seu regresso e recordamos na oração colecta: alcançar o Reino dos Céus. Mas como deveremos viver esta esperança da manifestação de Jesus Cristo? Encontramos a resposta no texto do evangelho deste Domingo.

Neste primeiro Domingo, o evangelista Marcos propõe uma pequena parábola que Jesus proferiu aos seus discípulos. Diz-nos que “um homem partiu de viagem; ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa”. Com esta parábola Jesus afirma que, apesar do dono da casa ter saído de viagem, os seus funcionários têm de ser responsáveis e cumprir algumas tarefas. Cada um dos servos recebe uma tarefa, a qual podemos chamar de uma vocação, porque eles têm diversas tarefas e o porteiro da casa tem de os vigiar. Facilmente pensamos o seguinte: se o dono não está, os servos desleixam-se, renderão menos e não cumprirão o seu trabalho. Toda esta alegoria ajuda-nos a entender a importância que tem, para os cristãos, a responsabilidade, a fidelidade e a vigilância nestes tempos em que a Igreja tem de caminhar, muitas vezes, entre tantas dificuldades. Assíduas vezes damos conta como são postas à prova as nossas forças e sentimo-nos desamparados por um Jesus aparentemente distante. Esta parábola serve de estímulo para continuar a trabalhar no Reino de Deus, cada um a partir da sua vocação, como se Ele estivesse presente.

A última recomendação de Jesus no texto do evangelho é um imperativo: Vigiai! Diz-nos por quatro vezes este imperativo. Vigiar supõe uma postura activa e não desleixada e adormecida ou, como tantas vezes fazemos, de braços cruzados. O dono da casa pode regressar a qualquer instante. Passaram muitos séculos desde que Jesus prometeu o seu regresso. Na Igreja primitiva vivia-se com muito entusiasmo e expectativa a sua vinda definitiva. Actualmente perdemos este entusiasmo e a nossa vida cristã resume-se num “deixa correr” sem recordar a grande promessa do Senhor. A parábola deste domingo faz-nos pensar no seguinte: se o Senhor viesse hoje, encontrar-nos-ia vigilantes? Atrevo-me a dizer que em muitos casos encontrar-nos-ia a dormir, ou seja, pouco preparados para a sua chegada. Esta é a grande tentação dos nossos tempos! Acomodámo-nos de tal forma que perdemos a nossa identidade e responsabilidade cristãs até ao ponto de deixarmos de estar atentos à sua grande promessa. Neste primeiro Domingo do Advento, perante o texto do evangelho, sintamos que o Senhor pede-nos uma atitude mais coerente, activa e responsável perante a sua vinda. Necessitamos muito de descobrir a vocação que o Senhor nos deu para, de seguida, viver de uma forma activa e responsável. “Senhor, nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos”. “Não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!”.

Elo de Comunhão

1º DOMINGO DO ADVENTO (ANO B) LEITURA ESPIRITUAL

“É preciso termos sempre em consideração uma dupla vinda de Cristo: uma, quando Ele vier e nós tivermos de prestar contas de tudo o que tivermos feito; a outra, quotidiana, quando Ele visita sem cessar a nossa consciência e vem a nós a fim de nos encontrar prontos por ocasião da sua vinda definitiva. Com efeito, para que me serve conhecer o dia do juízo, se estou consciente de tantos pecados? Saber que o Senhor vem, se Ele não vier primeiro ao meu coração, se não entrar no meu espírito, se Cristo não viver e não falar em mim? Então sim, é bom que Cristo venha se, antes que tudo, Ele vive em mim e eu nele. Para mim, é como se a segunda vinda se tivesse já realizado, uma vez que o desaparecimento do mundo já ocorreu em mim, porque de certa forma posso dizer: “O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Ga 6,14).

Reflecti também sobre esta palavra de Jesus: “Muitos virão em meu nome” (Mt 24,5). Só o Anticristo se apodera deste nome, ainda que isso seja para nos enganar… Em nenhuma passagem da Escritura encontrareis que o Senhor tenha declarado: “Eu sou Cristo”. Porque lhe bastava mostrar que o era, pelos seus ensinamentos e pelos seus milagres, uma vez que o Pai agia com Ele. O ensino da sua palavra e o seu poder gritavam: “Eu sou Cristo”, com mais força do que milhares de vozes teriam gritado. Portanto, não sei se podereis achar que Ele o tenha dito em palavras, mas mostrou-o “cumprindo as obras do Pai” (Jo 5,36) e ministrando um ensino impregnado de piedade filial. Os falsos messias, que são disso desprovidos, só podem usar os seus discursos para suportar as suas pretensões enganadoras” (S. Pascácio Radberto,? – c. 849)

 

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Ano B - Tempo do Advento - 1º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia- Tempo Comum- Cristo Rei Ano A

 

CRISTO-REI (ANO A)

Neste Domingo, terminamos o ano litúrgico. Este é o último Domingo, no qual celebramos a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Demos graças a Deus por tudo o que nos concedeu ao longo deste ano litúrgico que se encerra. Neste Domingo, contemplamos Jesus como Rei, mas não como os reis que costumamos ver nos livros de história, mas como um bom pastor, médico, misericordioso. Na profecia de Ezequiel, que se encontra na primeira leitura, encontramos um pastor que cura as ovelhas, as acarinha, as conduz, alimenta-as, protege-as e, depois, separá-las-á dos cabritos. É um pastor que, como também escutamos no salmo responsorial, conduz as suas ovelhas para prados verdejantes e para águas refrescantes. Ele conduz-nos por sendas direitas, por amor do seu nome. Assim é Jesus Cristo, o qual celebramos neste domingo a sua realeza.

No evangelho de S. Mateus, vemos como este rei, que é bom pastor e misericordioso, nos faz um exame final da nossa vida, mas com um detalhe importantíssimo: dá-nos as perguntas e também as respostas! Todo o questionário apresentado examina-nos sobre como amámos em cada circunstância da vida, porque em cada momento, o Senhor estava presente no irmão a quem ajudámos ou não. Na nossa vida, temos de conjugar bem a vida espiritual com a vida quotidiana, ou seja, com o testemunho: a ação e a contemplação. Não podemos separar oração da vida. A oração que fazemos, quer seja comunitária (Eucaristia, liturgia das horas, sacramentos), quer seja particular (oração pessoal) tem de ter as suas consequências na nossa vida, no testemunho que damos. São João da Cruz diz-nos que “no final da vida seremos examinados sobre o amor”, ou seja, o amor de Deus manifesta-se no amor que temos aos nossos irmãos. Por isso, devemos estar atentos às necessidades de todas as pessoas que nos rodeiam, quer sejam conhecidas ou não, porque em todas elas o Senhor está presente. Temos as perguntas e as respostas do exame. Assim, parece mais fácil, mas talvez não seja. Colocarmo-nos nas mãos de Deus e ajudarmos os outros não é tão fácil como parece, mas não é impossível.

Elo de Comunhão:

22-11-2020

Vivendo em sintonia com estas perguntas e respostas apresentadas no texto do evangelho, seremos dignos de participar na mesa do banquete do Reino. Agora, podemos participar na Eucaristia, antecipação das bodas do Cordeiro. Teremos de nos apresentar com o traje nupcial que é o traje do amor, do bom testemunho, da ajuda fraterna feita aos irmãos, imitando o bom pastor com as ovelhas. Que o Senhor nos ajude a fazer crescer o seu Reino através das nossas boas obras; esse Reino, como diz o prefácio desta solenidade, que é universal e eterno, de santidade e de graça, de vida, de amor e de paz.

 

«Vinde, benditos de meu Pai!»

 

«Vinde, benditos de meu Pai, recebei como herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Vinde, vós que tendes amado os pobres e os imigrantes. Vinde, vós, que tendes sido fiéis ao meu amor, a Mim, que sou o amor. Eis que o meu Reino está preparado e o meu céu aberto, e que a minha imortalidade aparece em todo o seu esplendor. Vinde todos e recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo».

Então — que maravilha! — os justos surpreender-se-ão por serem convidados a aproximar-se como amigos daquele que as hostes angélicas não podem sequer ver com clareza, e perguntar-Lhe-ão com voz decidida: «Senhor, quando foi que Te vimos? Tu tinhas fome, e nós demos-Te de comer? Mestre, Tu tinhas sede, e nós demos-Te de beber? Estavas nu, e nós vestimos-Te? A Ti, que veneramos? A Ti, o Imortal, quando foi que Te vimos peregrino e Te recolhemos? A Ti, que amas os homens, quando Te vimos nós doente ou na prisão, e Te visitamos?

Tu és o Eterno. Tu não tens começo, és um com o Pai e co-eterno com o Espírito. Tu criaste tudo do nada, Tu, o Rei dos Anjos, a quem os abismos temem. Tu tens por manto a luz (Sl 104,2), Tu fizeste-nos e modelaste-nos da terra (Gn 2,7), Tu criaste os seres invisíveis. A Terra inteira foge para longe da tua face (Ap 20,11). Como acolhemos nós a Tua realeza e soberania?» E o Rei dos reis responder-lhes-á: «Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes. Sempre que acolhestes e vestistes todos estes pobres de que falei, e lhes destes de comer e de beber, a eles que são meus membros (1Cor 12,12), a Mim mesmo o fizestes.

Vinde para o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Desfrutareis eternamente dos bens de meu Pai que está nos céus e do Santíssimo Espírito que dá a vida». Que língua poderá então descrever tais benefícios? «Nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam» (1Cor 2,9). (Homilia atribuída a Santo Hipólito de Roma, ?-c. 235, presbítero, mártir, Tratado sobre o fim do mundo, 41-43; GCS I, 2, 305-307)

 

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 Boletim Dominical da Unidade Pastoral de Fornos de Algodres: Ano A - Tempo Comum - 34º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum- Ano A

 

Continuando com a ênfase do final do ano litúrgico que terminaremos, se Deus quiser, no próximo Domingo, as leituras da Palavra de Deus que escutamos neste Domingo falam-nos do fim dos tempos e da necessidade de estarmos preparados. Concretamente, no texto do evangelho, Jesus pede-nos para fazer frutificar os talentos que Deus nos concedeu. Desde o início da nossa existência, Deus colocou em cada um de nós uma série de dons, de carismas. São dons da sua graça. Alguns de nós terão o dom da liderança, outros terão o dom para tarefas mais práticas, outros para um trabalho de pesquisa e mais intelectual, etc.

Estes dons que, gratuitamente, Deus nos deu têm de frutificar, ou seja, têm de ser postos a render, usando-os em benefício dos nossos irmãos. Jesus recusa a atitude do terceiro servo que nada fez para fazer render os talentos, apesar de não os ter perdido. Assim, Jesus convida-nos a não ficarmos encerrados em nós próprios, mas a partilhar tudo aquilo que recebemos de Deus, a abrirmo-nos ao mundo, aos irmãos, à Igreja. Não podemos guardar egoisticamente os dons que Deus nos deu. O Senhor sempre foi generoso connosco, até ao ponto de nos dar o seu próprio Filho. E nós? Somos generosos com Ele? Somos generosos como Ele? Cada um de nós, jovens e adultos, saudáveis ou fragilizados, temos de fazer frutificar os dons oferecidos por Deus, cada um na sua medida. Juntos podemos dar um bom testemunho como filhos de Deus que somos aos nossos irmãos mais necessitados, aos que não acreditam, aos desiludidos, aos jovens, etc. Desta forma, no final da vida terrena, queremos apresentar-nos diante de Deus com as nossas mãos cheias das boas obras que praticámos, não em nosso nome ou por nossa própria conta, mas as obras que fizemos em nome do Senhor, porque, como nos diz S. Paulo na segunda leitura, “não somos filhos da noite nem das trevas”, mas “filhos da luz e filhos do dia”. Assim como na primeira leitura encontramos o elogio da mulher no livro dos Provérbios, no salmo é dito que é ditoso o que segue o caminho do Senhor, ajudando o irmão, partilhando com ele a vida, levando luz onde há trevas.

Assim, podemos perguntar: qual é a verdadeira sabedoria? A resposta é a seguinte: colocarmo-nos nas mãos do Senhor, que nos criou, servi-lo seguindo os seus caminhos e fazendo frutificar em nós tudo aquilo que nos ofereceu generosamente. É muito importante viver o presente com o olhar orientado para o futuro. Só temos uma vida; temos de viver cada momento como se fosse o único, com autenticidade, com honestidade, sempre a fazer o bem, numa atitude vigilante. Assim, também ouviremos da boca de Jesus: “Muito bem, servo bom e fiel. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor”. Que a Eucaristia deste domingo, antecipação deste banquete eterno, seja o alimento salvador que dá a força e o vigor para fazer frutificar o que o Senhor semeou em cada um de nós.

 

«Então, hão de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória»

15-11-2020

«[O Senhor disse a Josué:] Há ainda muita terra por conquistar» (Js 13,1). Considerai a primeira vinda de Nosso Senhor, o Salvador, quando veio a este mundo semear a Palavra; pela simples força da sua sementeira, apoderou-Se de toda a terra, pondo em fuga as potências adversas e os anjos rebeldes que dominavam o espírito das nações, ao mesmo tempo, que semeava a sua Palavra e expandia a sua Igreja. Assim foi a sua primeira tomada de posse de toda a terra. Segui-me agora pelas veredas subtis da Escritura e mostrar-vos-ei em que consiste a segunda conquista de uma terra sobre a qual foi dito a Josué/Jesus que faltava ainda conquistar uma grande parte.

Escutai as palavras de Paulo: «É necessário que Ele reine até que tenha feito de todos os inimigos um estrado para os seus pés» (1Cor 15,25; Sl 109,1). É essa a terra da qual faltava submeter uma grande parte a seus pés, de modo que Ele tomasse para Si todos os povos como herança. E vemos que há muitas coisas que não estão ainda submetidas aos pés de Jesus; ora, é preciso que Ele entre na posse de todas elas, uma vez que o fim do mundo não poderá advir sem que tudo Lhe tenha sido submetido.

Assim, diz o profeta: «Todas as nações Lhe serão submetidas, das extremidades dos rios até às extremidades da terra, e diante d’Ele se prostrarão os etíopes» (Sl 71,8-9, Setenta); e também: «Do outro lado dos rios da Etiópia hão de trazer-Lhe ofertas» (Sof 3,10). Daqui resulta que, na sua segunda vinda, Jesus dominará esta terra da qual muito resta por possuir.

Mas bem-aventurados aqueles que tiverem sido seus súbditos desde a primeira vinda, pois serão verdadeiramente cumulados de favores, mau grado a resistência de tantos inimigos e os ataques de tantos adversários, e receberão a sua parte da Terra Prometida. Mas quando, pela força, for alcançada a submissão, no dia em que necessariamente for destruído o último inimigo, que é a morte (1Cor 15,26), não haverá favores para aqueles que recusarem submeter-se-Lhe. (Orígenes, c. 185-253, presbítero, teólogo, Homilias sobre o Livro de Josué, 16, 3)

 

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Ano A - Tempo Comum - 33º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum- Ano A

 

Estamos quase a chegar ao final do ano litúrgico. Dar-se-á conta através dos textos evangélicos que proclamaremos e escutaremos nestes últimos três Domingos, contando também com este Domingo. Jesus fala em parábolas, fala sobre o fim dos tempos, fala sobre a vigilância. Neste Domingo ressoa, especialmente, esta afirmação de Jesus: “Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora”. A atitude de um cristão é a vigilância, de estar à espera, não com medo, mas com determinação e confiança em Deus. Na narração da parábola das cinco virgens prudentes e das cinco virgens insensatas, Jesus convida-nos a estarmos preparados para O receber. Umas estavam, tinham azeite suficiente para as suas lâmpadas; as outras cinco, não foram cautelosas e ficaram sem azeite. É um claro convite a estarmos preparados e vigilantes. A vivência cristã não se fundamenta na ideia do “Carpe Diem”, viver o hoje sem preocupações com o amanhã, desfrutar a vida e os prazeres do momento em que se vive, mas na certeza de que em cada dia tem de se subir mais um degrau, dar mais um passo, na nossa amizade com o Senhor. Nas próximas semanas, nas quais iniciaremos um novo ano litúrgico com o tempo do Advento, seremos relembrados a estarmos vigilantes, a prepararmos o nosso coração e a nossa vida para o encontro definitivo e amoroso com o Senhor e, assim, entrarmos na sua festa.

O que podemos fazer para estarmos preparados? A primeira leitura, do Livro da Sabedoria, diz-nos que a sabedoria faz-se encontrar aos que a procuram, “ é luminosa e o seu brilho é inalterável, deixa-se ver facilmente àqueles que a amam”. É este o nosso desafio, ou seja, procurar uma atitude sábia para estarmos vigilantes. Como? Dando testemunho do amor de Deus nas nossas vidas, ou seja, construindo a paz, cuidando dos doentes, ajudando alguém que passa por uma necessidade material ou espiritual, anunciando Jesus com alegria e esperança aos descrentes, etc. Na nossa vida, o que é mais importante não são os prazeres humanos, mas o desejo de Deus, ou seja, que Deus fecunde todo o nosso ser, que sejamos uma imagem do seu amor. E isto realizar-se-á na nossa vida numa atitude sábia com esperança e sem colocar condições a Deus. Os cristãos de Tessalónica queriam controlar o “relógio” de Deus, porque queixavam-se da Sua demora, adiava a sua vinda, mas Deus tem o seu tempo, um relógio diferente do nosso. É evidente que virá, não se demorará; mas só quando Ele achar conveniente. Por isso, é muito importante ter uma atitude de jubilosa esperança e de abertura à sabedoria divina.

Na Eucaristia, o nosso olhar orienta-se para o futuro. Depois da consagração do pão e do vinho, aclamamos: “Anunciamos, Senhor, a Vossa morte, proclamamos a Vossa ressurreição; Vinde, Senhor Jesus!”. O Senhor convida-nos à sua mesa, à mesa da Eucaristia, esperando um dia participarmos no banquete das bodas do Cordeiro no Céu. Para tal, tenhamos acesa a luz da fé, a luz da esperança e a luz da caridade para que quando Ele vier, como as virgens prudentes, possamos entrar para celebrar eternamente o seu amor na sua presença. Que a Eucaristia deste Domingo nos conceda esta vontade de procurar a sabedoria de Deus para assim estarmos vigilantes, dando um bom testemunho, até que Ele venha.

 

«No meio da noite»