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403º aniversário da Misericórdia de Mangualde–Comunicação do Provedor José Tomás

IMG_7286Este fim de semana decorreram as comemorações do 403º aniversário da Misericórdia de Mangualde desta feita aqui fica a comunicação do Provedor, José Tomás, que teve lugar na Sessão Solene, durante o Domingo.

“Os 403 anos de história da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde conferem-lhe o estatuto de Instituição mais antiga da nossa Terra. Ao longo destes quatro séculos, a Misericórdia de Mangualde tem sido um pilar central para o desenvolvimento social, económico e cultural da nossa Cidade e do nosso Concelho.//

Nos últimos 40 anos, a Misericórdia de Mangualde acompanhou o processo de desenvolvimento do actual modelo de apoio social e adequou-se a ele, sendo pioneira, em 1975, na construção da primeira Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI – Lar Morgado do Cruzeiro) do nosso Território.//
Hoje é a maior empresa de economia social de Mangualde, constituída com duas ERPI, uma Unidade de Cuidados Continuados Integrado (UCCI) e uma Creche, que funcionam 24 horas por dia, durante 365 dias por ano. Com cerca de 140 colaboradores, presta cuidados diários a 230 utentes e tem uma execução orçamental de 2,7 milhões de Euros//

No passado mês de Março, apresentámos em Assembleia Geral o relatório de contas de 2015, com resultados significativamente positivos, facto que nos deixa particularmente satisfeitos.
Os resultados apresentados têm a particularidade de terem ocorrido num ano em que o ambiente externo foi caraterizado por um país com dificuldades de crescimento económico e por famílias fortemente afetadas pela perda de rendimentos, em virtude da redução de salários e pensões e elevado desemprego, consequências das medidas de austeridade impostas pelas anteriores Entidades Governativas. Nesta conjuntura, a intervenção social surge como mais necessária e premente, sendo indispensável ajudar os que mais precisam, principalmente os de condição económica mais fraca.//

No ano de 2015, continuámos a ser a Instituição dos mais necessitados, procurando, sempre que possível, dar uma resposta positiva e adequada aos muitos pedidos de ajuda que diariamente chegaram ao nosso Gabinete Social.
Nas ERPI acolhemos e cuidámos diariamente 150 idosos. É nesta resposta social que mais se salienta a preocupação de continuarmos a apoiar aqueles que mais precisam. Os números não deixam dúvidas, 25% dos nossos Utentes dos Lares pagam menos de 400 €/mês e a média geral das mensalidades é de 520€, muito abaixo dos valores de referência.
A Unidade de Cuidados Continuados foi a valência onde registámos os melhores resultados, por comparação com o ano de 2014. Apesar de ainda ter apresentado um resultado líquido negativo, verificou-se uma redução de cerca de 70%, face a igual período do ano anterior.
Na creche “Mariazinha Lemos”, aumentámos o resultado liquido positivo em 100%, face ao ano de 2014, em virtude do aumento de frequência de crianças, que no final do ano, atingiu o máximo da frequência autorizada.//

Estes são os resultado de uma ação estratégica suportada em critérios de gestão, que visão em permanência, a eficácia e eficiência dos recursos disponíveis, capazes de gerar as verbas necessárias para garantir a sustentabilidade da Instituição, com capacidade simultânea de investimentos e regeneração periódica de equipamentos e infra-estruturas sociais, que lhe permitam o cumprimentos cabal da sua missão: ”Manter e promover obras no âmbito da ação social, através de serviços de excelência e de cuidados especializados, garantindo o bem-estar, o conforto e a qualidade de vida dos utentes”.//

Mas estes resultados, do qual nos orgulhamos, não seriam possíveis sem o esforço e dedicação de todos os elementos da Mesa Administrativa, dos colaboradores e dos voluntários da Misericórdia de Mangualde, que diariamente dão o seu melhor em prol desta causa e a quem aproveito para manifestar o meu profundo reconhecimento e agradecimento.//

Hoje a gestão da Misericórdia de Mangualde assenta numa visão estratégia que a oriente para uma dinâmica de crescimento e desenvolvimento, tendo sempre em consideração a particularidade de ser Misericórdia. Esta particularidade distingue-a das demais IPSS, conferindo-lhe o dever de continuar a apoiar aqueles que mais precisam, independentemente da sua condição social e económica. Assim, uma boa gestão da Misericórdia terá sempre de gravitar em volta da solução desta equação, que por um lado integra as variáveis de crescimento e desenvolvimento e por outro lado a variável de ser Misericórdia.//

A visão estratégica para o crescimento e desenvolvimento da Santa Casa passa por cuidar dos utentes, com a garantia da certificação da qualidade dos cuidados, pela motivação dos recursos humanos, pela regeneração de infra-estruturas e equipamentos sociais, pela regeneração do património, pela optimização dos recursos disponíveis, pelo fortalecimento e desenvolvimento do espirito da Irmandade, pelo aumento do voluntariado e, obviamente, tudo isto sustentado no equilíbrio financeiro da Instituição. Uma visão estratégica focada na optimização dos serviços prestados, na racionalização dos recursos existentes, na dinamização das actividades com fins lucrativos associadas e se possível no acesso ao financiamento de projetos ancorados no “Portugal 2020”.
Uma estratégia assente em linhas de acção regidas por critérios de eficiência, eficácia e excelência, capazes de gerar verbas que permitam uma regeneração periódica de equipamentos e infra-estruturas e a sustentabilidade da organização, melhorando o desempenho dos serviços prestados, na prossecução do seu primordial objectivo: cumprimento da missão e atribuições da Misericórdia de Mangualde.//

No que diz respeito aos cuidados, a ambição centra-se na certificação da sua qualidade. Para o efeito, em Janeiro deste ano desenvolvemos e iniciámos um plano de formação contínua, promovendo assim o nivelamento de competências individuais de todos os colaboradores. Este plano de formação foi desenvolvido pela Misericórdia de Mangualde, tendo em consideração as reais necessidades da Instituição e está a ser aplicado a todos os colaboradores em quatro tempos de 50 minutos por semana. Paralelamente estamos a dar continuidade ao trabalho da anterior Mesa Administrativa, com a redacção do normativo interno, que se pretende transversal a todas as áreas de funcionamento, com principal foco na área operacional da Instituição. //

A avaliação do desempenho e Gestão de Competências dos Colaboradores da Misericórdia de Mangualde é uma questão fundamental para um modelo de gestão que pretende provocar o alinhamento da Estratégia Organizacional e a boa Gestão dos Recursos Humanos, quantificar o contributo do Colaborador para a prossecução dos objectivos da Misericórdia, medindo a capacidade de integração das suas competências de forma a trazer resultados efectivos para a organização, contribuir para a valorização individual e para a contínua melhoria do desempenho, de modo a aumentar a produtividade e a eficiência do Colaborador e promover uma melhor adequabilidade entre o seu potencial e o seu perfil e as tarefas a executar.
Ao mesmo tempo é necessário motivar o comportamento e desempenho dos colaborador da Instituição, ajustando regalias associadas à respectiva avaliação, diagnosticar as necessidades de formação em função das tarefas a desenvolver e avaliar os respectivos resultados, estimulando o Colaborador para novos modos de atuação e novos saberes institucionalmente validados. Neste sentido, no passado mês de Fevereiro demos início à implementação do sistema de avaliação de desempenho e gestão de competências, aplicando um modelo exclusivo, desenvolvido por nós de forma a termos resultados precisos e consequentes.

A melhoria dos cuidados e a sua certificação passa também pela reorganização do serviço interno, adequando todas as respostas sociais com um quadro de pessoal efectivo para fazer face a todas as necessidades inerentes aos cuidados a prestar a Utentes cada vez mais dependentes e com patologias diversas. Um processo de reorganização do serviço interno segundo um conceito de maior especialização, articulando os cuidados em cuidados aos utentes e cuidados às instalações, com separação dos recursos humanos afectos a cada uma destas áreas. Este é um processo que está em curso, já aplicado à UCCI e Creche. Recentemente foi iniciado no Lar Nossa Senhora da Amparo e oportunamente será estendido ao Lar Morgado do Cruzeiro. É um processo que trará maior autonomização mas também maior responsabilização das pessoas afectas a cada uma das valências da Misericórdia de Mangualde, nas áreas da saúde, animação, Cuidados aos Utentes, Cuidados às Instalações e em particular na área da direção técnica.//

A aplicação das novas tecnologias de informação aos processos de desenvolvimento dos utentes é, para além de um sinal de modernidade e de adequação da Instituição aos novos tempos, uma necessidade de mais eficiência e transparência dos cuidados prestados. Por esta razão, os atuais processos individuais dos Utentes, em papel, estão a ser informatizados, permitindo o registo informático de todos os cuidados que lhes são prestados, e o acesso de cada familiar, através de uma plataforma digital, à área reservada do utente e ao mesmo tempo a interacção com a Instituição. Este processo foi recentemente iniciado na UCCI e será progressivamente aplicado em todas as valências da Misericórdia de Mangualde.//

Garantir o conforto e a qualidade de vida dos Utentes da passa, obviamente, pela regeneração de infra-estruturas e equipamentos sociais. Atendendo às datas de edificação das valências da SCMM, a prioridade de regeneração é a ala norte do Lar Morgado do Cruzeiro. Esta ala é a mais antiga, pois o início do seu funcionamento remonta ao ano de 1975. Esta reabilitação é uma necessidade que se impõe e que não pode ser adiada, uma vez que aquela estrutura apresenta uma extraordinária e irreversível deterioração provocada por 40 anos de utilização, estando radicalmente desenquadrada dos atuais requisitos de conforto e de qualidade. O projecto de reabilitação desta infra-estrutura já está licenciado pela Câmara Municipal de Mangualde e tem um custo estimado em cerca de 1,5 milhões de euros. Temos consciência de que o custo desta reabilitação é muito elevado face aos recursos financeiros disponíveis pela nossa Misericórdia, mas também temos a certeza que esta obra é inadiável e absolutamente necessária para continuarmos a apoiar com dignidade a Comunidade de Mangualde, conforme temos apoiado todos aqueles que nos têm procurado, ao longo dos 403 anos de vida da Misericórdia. É com esta certeza, que acreditamos que este projeto é merecedor de ser apoiado pelo programa operacional de reabilitação de infraestruturas e equipamentos sociais do Portugal 2020 e que brevemente poderá será mapeado pelas entidades competentes, o que nos permitirá apresentar uma candidatura para obtermos apoios financeiros para esta grande obra.//

Também a ala sul do Lar Morgado do Cruzeiro deverá será objecto de um plano director de regeneração, através da criação de um quarto modelo, a aplicar progressivamente, num período de 10 anos, a todos os quartos.//

Temos um património cultural edificado de dimensão significativa, a Igreja da Misericórdia e a Ermida da Nossa Senhora do Castelo, ambos classificados como património de interesse público. A Igreja da Misericórdia é considerada a jóia da coroa do nosso território, enquanto património cultural edificado que, pese embora o esforço da sua conservação e manutenção, apresenta alguns sinais de degradação. Também a própria Ermida da Nossa Senhora do Castelo, lugar santo e emblemático no nosso Concelho, apresenta alguns sinais de degradação, em particular nas fachadas exteriores. Infelizmente, as decisões sobre o mapeamento do património a beneficiar de fundos comunitários para a sua regeneração, não incluíram, nesta fase, o nosso património. Porém, continuaremos a estar atentos a todos os programas, dos quais possamos vir a beneficiar em proveito da regeneração do nosso património.
Apesar de todos os constrangimentos financeiros, procederemos às intervenções necessárias, como já fizemos recentemente na Ermida da Nossa Senhora do Castelo, com a instalação, na entrada principal, de uma porta em vidro, criando assim uma antecâmara de protecção do frio e do vento. Durante este ano iremos requalificar o Altar da Ermida, aproximando a mesa do Altar da Assembleia e a construção de um ambão adequado.//

Para além de ser património cultural, o Monte da Nossa Senhora do Castelo é também considerado património natural de grande valor e elevado significado para toda a comunidade. Consideramos que este local não mereceu nos últimos 30 anos, dos atores com responsabilidade no nosso território, a atenção devida no sentido de o potenciar como lugar de excepção turístico da nossa Região. Consideramos que esta atitude poderá ter condicionado irremediavelmente a requalificação que este lugar merece. Porém, entendemos que mesmo assim, ainda poderá haver uma solução de requalificação deste lugar, mas para isso é fundamental ter uma ideia consubstanciada num projecto global de requalificação. Não interessa fazer qualquer coisa desintegrada de um projecto global. Foi por esta razão que propusemos à Faculdade de Ciências da Universidade do Porto a integração do estudo do Monte da Nossa Senhora do Castelo no mestrado de Arquitectura Paisagística. Hoje 5 mestrandos estão a fazer a sua tese de mestrado sobre o nosso Monte, com uma forte possibilidade de um deles fazer incidir a sua tese de doutoramento num projecto global de arquitectura paisagística para este lugar. Estamos convictos que este poderá ser o passo decisivo para que, de acordo com cronograma ajustado, se encontrem as melhores soluções para a reabilitação deste espaço, dotando-o de melhores condições para todos os que o vistam.//
Somos a Instituição mais antiga do nosso Território com 403 anos de história. Uma história que está vertida nas centenas de documentos, que fazem parte do espólio documental da Misericórdia de Mangualde, e na memória que representa o património cultural edificado da Instituição.
Por ser absolutamente necessária para o estudo e redação da história da Misericórdia, à cerca de meio ano iniciámos o processo de organização e classificação do espólio documental, estando agora em fase de conclusão.

Também a História da Misericórdia está a ser escrita pelo Dr. Pedro Silva, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, num trabalho de doutoramento sobre a nossa Misericórdia.//

No âmbito do fortalecimento e desenvolvimento do espírito da Irmandade, no pretérito ano demos início ao ritual da admissão, em sessão solene, de todos os Irmãos admitidos administrativamente durante 2014 e distinguimos todos os Irmãos com mais de 25 anos de vida na Irmandade com a entrega dos respectivos testemunhos de apreço. Também celebrámos 36 protocolos de cooperação nas áreas da saúde, lazer e aquisição de bens e serviços que beneficiam, em muito, a condição de irmão com descontos directos no consumo desses bens e serviços. Os protocolos estão disponíveis para consulta no site da Instituição em www.scmmangualde.pt, desde a data da sua assinatura.
Tem-se verificado um aumento contínuo do número de irmãos e esperamos sinceramente que o número continue a crescer. Porém, e apesar da dimensão quantitativa ser elementar, considero ser mais importante e cada vez mais necessário que cada um dos Irmãos se estabeleça num verdadeiro compromisso de fidelidade em defesa dos superiores interesses da Misericórdia de Mangualde, através de uma participação activa que ajude o seu crescimento e desenvolvimento. Por exemplo, a opa da Irmandade, um dos seus símbolos, pode e deve ser usado por todos os irmãos nas suas cerimónias religiosas. Porém, todos sabemos que são muito poucos os irmãos que têm e usam a opa. Normalmente, apenas os mesários trajam com a opa nas cerimónias religiosas. Muitos pensarão que a opa é só para os mesários. Ora, eu gostava de contrariar esta ideia. Por esta razão, a mesa administrativa deliberou, na primeira reunião ordinária deste ano, reduzir o custo da opa para 25 euros, numa tentativa de contrariar a situação actual e aumentar progressivamente a participação de irmãos com opa nas cerimónias religiosas.
Num futuro incerto mas provavelmente mais exigente e competitivo é essencial ter uma visão empreendedora, que inove e rentabilize as capacidades da Santa Casa e das suas valências, procurando liderar, num trabalho de rede social projectos novos e diferenciados.//
Num tempo em que se retarda cada vez mais a “institucionalização total”, o que em tese parece correcto, devemos procurar dar novas respostas sociais de elevada qualidade. É neste sentido que estamos a licenciar uma nova resposta social de apoio domiciliário, com cuidados na área da saúde, segurança, apoio administrativo e novas tecnologias de informação, higiene e alimentação e a resposta social de centro de dia. //

Obviamente, a sustentabilidade financeira da Instituição tem merecido uma atenção especial, pelo que temos procurado reduzir custos e ao mesmo tempo aumentar receitas. No âmbito da redução dos custos, temos vindo a rever os contractos de prestação de serviços, com vantagens para a Instituição, o que foi conseguido na área das comunicações, no fornecimento de energia eléctrica, na manutenção dos elevadores, na manutenção preventiva do sistema AVAC e da qualidade do ar da UCCI, na limpeza da UCCI, no fornecimento de medicamentos, na recolha de resíduos hospitalares, no fornecimento de géneros alimentares e outros. //

Instalámos uma linha de self-service e concentrámos os três espaços de refeições dos colaboradores num único espaço.
Ainda com o objectivo de redução de custos e utilização mais racional e mais eficiente dos recursos disponíveis, concentrámos as duas lavandarias existentes apenas numa.
Considerando o elevado custo que representa o consumo de energia, solicitámos uma auditoria de eficiência energética, no sentido de encontrar soluções que permitam minimizar estes custos. Neste âmbito, adjudicámos a ligação de todas as valências da Santa Casa à “média tensão”, o que se irá traduzir numa poupança anual significativa.
No âmbito do aumento de receitas, aumentamos a capacidade da UCCI em 5 camas de “gestão privada”, o que permite maior capacidade de apoio e um aumento significativo das receitas anuais.//

O nosso compromisso é continuar a empenharmo-nos na resolução dos problemas sociais de forma inovadora e sustentável, com a finalidade de dar resposta aos grandes desafios sociais da actualidade, através da acção social na prevenção e no apoio nas diversas situações de fragilidade, exclusão ou carência humana, promovendo a inclusão, a integração social e se possível darmos o nosso contributo para o desenvolvimento local.
Estou certo que, se assim procedermos, teremos garantida a perenidade desta instituição. Com a ajuda de todos os Irmãos e dos Mangualdenses, a Misericórdia vai prosseguir na sua acção solidária, pelos séculos e séculos, até ao consumar dos tempos.”
O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde
José Tomás

Por:SCMM

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