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Artigo de Sara Morais -Hipnoterapeuta- III COMO CONTRARIAR O COMPORTAMENTO ADITIVO

Os dois artigos anteriores esclareceram o leitor sobre os efeitos do uso inapropriado das novas tecnologias (os smartphones, redes sociais, entre muitos outros) nos vários domínios desde o físico, o químico, passando pelo comportamental e o emocional.

Após um olhar atento sob os vários efeitos, é possível traçar estratégias comportamentais para reequilibrar a utilização e domar os demais impulsos para uma utilização desenfreada.

Tudo começa pelos limites, regras e sobretudo disciplina. Estes são três ingredientes importantíssimos na vida humana, que permitem o equilíbrio do dia-a-dia, possibilitando atingir objetivos e concretizações de forma consciente. No caso das crianças, uma estrutura de regras bem definida é ainda mais improrrogável, visto que a maturidade neural é apenas atingida por volta dos 24 anos de idade.

É certo que não existe nenhum vício fácil de controlar, ainda mais quando o mesmo faz parte integrante da vida ativa social, profissional e pessoal de cada um. Contudo, existem comportamentos que podem auxiliar no combate a esta tendência prejudicial.

Inicialmente, é importante tomar consciência do tempo que gasta na dita utilização durante o seu dia. Questione-se, o tempo gasto foi realmente necessário? Quanto tempo permaneceu a divagar nesta utilização? Defina um tempo diário de utilização. Nas crianças, estabeleça um horário e um tempo limite de utilização. O tempo aconselhado pela OMS não excede uma hora diária, sendo totalmente desaconselhada o uso de ecrãs para bebés menores de 1 ano e crianças entre 1 e 2 anos de idade.

A redução sonora, nomeadamente o silenciar dos aparelhos e notificações, permite uma redução dos estímulos chamativos, e por conseguinte vai anuir a utilização desnecessária e auxiliar o ponto anterior.

Em adição, defina um local na sua casa para colocar e utilizar os aparelhos. A utilização de ecrãs no quarto é contra producente visto que o cômodo está associado em termos comportamentais e mentais ao repouso. No caso das crianças, como anteriormente visto nos artigos precedentes, a claridade e os ruídos são fatores que prejudicam a higiene do sono, e como resultado interferem na libertação da Hormona do Crescimento (GH) o que trará inevitavelmente problemas na aprendizagem e no desenvolvimento neural da criança.

Substitua o ecrã por atividades prazerosas e que despertem a sua criatividade e o seu espírito crítico. A leitura, o desporto, as atividades manuais e ao ar livres são ótimas escolhas, pois potenciam diferentes estímulos e respostas o que permitem uma maior diversificação e atividade neural.

É importante que ao tomar consciência do comportamento procure ajuda profissional e qualificada. Um vício, é um comportamento adverso que pode, eventualmente, despertar outros transtornos emocionais e físicos.

É, exatamente, nesta ajuda que poderá encontrar a Hipnose Clínica como uma terapia de auxílio, capaz de modificar os vários comportamentos adversos através da reconfiguração do subconsciente. Na medida em que qualquer comportamento aditivo se traduz na somatização das várias dimensões do Ser Humano, a Hipnose Clínica vai atuar sobre as diferentes áreas somáticas.

Numa fase inicial, o próprio ato indutivo promove uma ação de descompressão e relaxamento no corpo físico, o que por sua vez, vai originar a libertação de várias substâncias químicas como a serotonina e a dopamina. Estas hormonas da felicidade vão equilibrar as somatizações no domínio químico e físico, permitindo diminuir a elevada manifestação do cortisol do organismo.

Seguidamente, a terapia vai identificar o comportamento gatilho que provoca a ação adversa. Nesta fase, é possível reduzir e controlar os estímulos através das diferentes técnicas de visualização e psicodinâmicas. Assim, o comportamento fica sujeito a um sistema controlo estabelecido através de respostas sensoriais e da própria coordenação do pensamento. Numa fase mais avançada, é possível eliminar o gatilho comportamental, através de um processo de sugestionamento da mente subconsciente, reconfigurando a ação aditava a um novo comportamento, em que a mente o absorve como saudável e prazeroso.

Em acrescento, o desenvolvimento pessoal, o trabalho de auto perceção e gestão emocional e o novo hábito vai desenvolver a determinação e o auto controlo e por sua vez devolver o equilíbrio e o comportamento saudável.

Sara Morais

Hipnoterapeuta

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