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Artigo de Vítor Santos—-Valorizar o desporto de proximidade: “sintam-se em casa”

Portugal é um país em que as desigualdades são imensas. Um país pequeno e tão dividido entre litoral e interior, entre norte e sul. A responsabilidade é de todos nós. Independentemente da zona do país em que vivamos ou da atividade que exerçamos, somos culpados desta disparidade.

O desporto tem valores e deve servir para unir. Os clubes têm de ser bons anfitriões. Quem visita tem de ser bem recebido e quem é recebido tem de saber ser e estar. Não faz sentido nenhum as Juntas de Freguesia e os Municípios investirem recursos financeiros na promoção das suas terras e na ajuda ao desporto se depois os clubes, por causa de uma bola que bate na trave, deitarem tudo a perder! A rivalidade faz parte do desporto e é muito importante. Só que adversário não é inimigo.

O desporto de proximidade permite um maior convívio entre as pessoas das zonas circundantes.  Podemos e devemos saborear a gastronomia e a doçaria de outras localidades. Visitar sítios diferentes. Se sabemos receber bem quando a atividade não é desportiva, porque nos alteramos quando é? É que o desporto é precisamente o contrário de conflito e violência.

Todos os agentes desportivos (diretores, treinadores, atletas, árbitros, massagistas, etc.) trabalham imenso durante a semana. Dedicam muitas horas à atividade. A verdade é que nas redes sociais todos são peritos em tudo, mas não comparecem nas coletividades na hora que o devem fazer. Discutir desporto com amigos no café não é igual a escrever nas redes sociais. Tal como ter formação académica não é sinónimo de saber ser e estar!

Infelizmente o governo continua sem publicar o estatuto do dirigente associativo. É indispensável nos dias de hoje. Muitos agentes têm responsabilidades acrescidas e muitas horas a trabalhar em prol do associativismo. No final do dia e aos fins de semana tiram horas à família para se dedicarem ao expediente que não foi possível tratar durante o horário normal.

Os clubes têm de refletir se vale a pena em determinado ano competir num campeonato nacional. As receitas tendem a diminuir, as despesas aumentam, a filosofia de jogo altera-se porque se passa de uma equipa vencedora e ofensiva para uma que anda à “caça do ponto”. Isto quando se pode continuar a ser um clube competindo para um bicampeonato!

Cada clube tem o seu próprio ADN e deve fazer sempre uma reflexão sobre o passo seguinte.  Todos queremos sempre mais, mas não podemos hipotecar ainda mais o futuro do associativismo. A sustentabilidade financeira tem de estar sempre presente.

Nos campeonatos distritais trabalha-se bem dentro das condições existentes e em horários tardios. A grande maioria dos treinadores têm formação e sabem o que querem e o que fazem. Os dirigentes começam a ter formação na área. A “técnica” do grito já não chega nos dias de hoje. Os atletas têm mais conhecimentos do jogo. São mais exigentes com o treino e com o comportamento.

A vitimização tão frequente já cansa. Se todos são vítimas, onde está o vilão?! Não existe… Por isso, desfrutem e convivam com desportivismo.

Votos de uma excelente época desportiva 2023/2024.

Vitor Santos

Embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto

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