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Avisos e Liturgia do 14º Domingo do Tempo Comum – ano B

Sentimo-nos seguros, confiantes e com a auto-estima em alta, quando temos a sensação que controlamos todos os acontecimentos da nossa vida. Tantas vezes transmitimos às crianças e aos jovens a importância de sentir esta sensação de controle e domínio, como se a vida fosse somente para os fortes, os vencedores, os que têm poder e não houvesse esperança de futuro para os simples, os humildes e os que são vítimas da sociedade. Os cristãos seguem uma pessoa, Jesus de Nazaré, que preside às nossas celebrações, pendendo de uma cruz desonrosa, que, aos olhos humanos, era a imagem de um total fracasso. Todavia, proclamamos que não é assim. Que Ele ressuscitou e que está vivo e que se torna presente na nossa vida pela força do Espírito Santo. A força do amor de Deus emerge na debilidade humana e somos fortes quando reconhecemos as nossas fraquezas. E a partir deste reconhecimento das nossas fraquezas, percorremos o nosso caminho para a santidade. Ser misericordioso, isto é santidade. Ser humilde e manso, isto é santidade. Aceitar cada dia o caminho do Evangelho, ainda que nos traga dificuldades, isto é santidade. Seremos santos se, apesar das nossas fraquezas e inseguranças, formos capazes de confiar em Deus, que exalta os humildes e enche de bens os pobres. O olhar misericordioso de Deus leva-nos a olhar com misericórdia a realidade pessoal e social de tal forma que possamos transmitir confiança e consolação aos outros.

Quando olhamos à nossa volta e vemos as dificuldades, os sofrimentos, as preocupações das pessoas, somos tentados a pensar que tudo está mal e que perante o mal e as injustiças não há nada a fazer. Jesus também teve sentimentos como os nossos. Ele afirmou: “um profeta só é desprezado na sua terra…e estava admirado com a falta de fé daquela gente”. Mas isto não o fez desanimar nem desistir da sua missão. “Percorria as aldeias dos arredores, ensinando”. São Paulo também reagiu da mesma forma. Apesar de tudo, diz ele, “habita em mim o poder de Cristo. Alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte”.

O profeta Ezequiel e S. Paulo, como Jesus, estão convencidos de que não são as circunstâncias externas da vida ou as situações de instabilidade que podem diminuir o ânimo ou enfraquecer a esperança, mas também não podemos esquecer que, se quisermos, estes momentos podem destruir-nos. Perante as dificuldades da vida, os desgostos, a doença, um fracasso, ou uma perda de alguém, nunca te esqueças que Deus está próximo de ti, que não te deixa, que é sensível aos teus sentimentos e necessidades e, pela Providência Divina, encontrarás soluções para todos os momentos. Não basta ter somente inteligência e vontade, mas também ter confiança na força de Deus.

A sabedoria e a autoridade de Jesus vinham do seu coração e da sua profunda comunhão com o Pai. A sua sabedoria procede da certeza de que o projecto de Deus para a humanidade é um projecto de amor. O que deseja Deus? Que sejamos felizes, homens e mulheres que lutam pelo bem, pela verdade, pela união, pela paz. E para levar a bom termo esta missão, tenhamos nos nossos corações bons sentimentos e boas intenções e vontade para construímos juntos um mundo mais justo e fraterno. Semear estes dons à nossa volta, isto é santidade. Manter um coração bom, justo e verdadeiro, limpo de todo o mal, isto é santidade. A Eucaristia torna presente Cristo na simplicidade do pão e do vinho. Torna-se presente a sua vida, morte e ressurreição. A Sabedoria da doação, do serviço e da confiança alimentam o nosso compromisso e a nossa esperança.

04-07-2021

LEITURA ESPIRITUAL

A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. Para Jesus este período abrange os anos da vida oculta, de que fala o Evangelista, a seguir ao episódio que sucedeu no templo: “Depois, desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso” (Lc 2, 51). Esta “submissão”, ou seja, a obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado como o “filho do carpinteiro”, tinha aprendido o ofício de seu “pai” putativo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é-o analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro. Na nossa época, a Igreja pôs em realce isto mesmo, também com a memória litúrgica de São José Operário, fixada no primeiro de Maio. O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho uma acentuação especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus ele foi acolhido no mistério da Incarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção.

No crescimento humano de Jesus «em sabedoria, em estatura e em graça» teve uma parte notável a virtude da laboriosidade, dado que “o trabalho é um bem do homem”, que “transforma a natureza” e torna o homem, “em certo sentido, mais homem”.

A importância do trabalho na vida do homem exige que se conheçam e assimilem todos os seus conteúdos, “para ajudar os demais homens a aproximarem-se através dele de Deus, Criador e Redentor, e a participarem nos seus desígnios salvíficos quanto ao homem e quanto ao mundo; e ainda, a aprofundarem na sua vida e amizade com Cristo, tendo, mediante a fé vivida, uma participação no seu tríplice múnus: de Sacerdote, de Profeta e de Rei”.

Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta apontando para um modelo acessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo enaltece para grandes destinos; é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam “grandes coisas”, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas”. (S. João Paulo II, Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 22, 23, 24).

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano B - Tempo Comum - 14º Domingo - Boletim Dominical II

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