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Avisos e Liturgia do 20º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Deus concede a salvação não só ao povo eleito mas a todos os povos da terra. Por isso Isaías, na primeira leitura, afirma que os estrangeiros fiéis ao Senhor serão acolhidos no seu monte santo. Jesus vai mais além dos limites de Israel para deixar bem claro que o projecto salvador do Pai vai para além das barreiras que pretendemos colocar às pessoas. Oriunda de um povo estrangeiro, para além das fronteiras de Israel, uma mulher cananeia aproximou-se de Jesus e, graças à sua fé, conseguiu a cura da sua filha. Hoje, esta mulher continua a ser um modelo de oração nas situações difíceis da vida.

Na mulher cananeia encontramos o exemplo de uma pessoa que pede insistentemente a ajuda de Jesus. Esta mulher mostra a necessidade que temos de rezar sem desanimar. A mulher cananeia começou a gritar, ou seja, não se aproximou de Jesus porque estava desesperada com a falta de saúde da sua filha, mas tem a certeza que Jesus a poderá curar. Aproxima-se de Jesus com humildade, prostrou-se diante d’Ele, reconhecendo a autoridade Daquele de quem se aproximou. Muitas vezes, o grito converte-se em oração. Exprime um momento de sofrimento para a pessoa e também a profissão de fé naquele que pode salvar. Gritou o cego de Jericó (cf. Mc 10,47). Gritou Pedro, quando começou a afundar-se caminhando sobre as águas ao encontro de Jesus (cf. Mt 14,30). Grita cada um de nós quando estamos em aflição: “Ai Jesus!”.

16-08-2020

Jesus ouviu o grito da mulher cananeia, mas põe à prova a sua oração de aflição. Em primeiro lugar, ouviu, mas não lhe respondeu uma palavra. É a prova do silêncio. Mas ela não desanima, não se afasta, continua a pedir. Em segundo lugar, coloca a mulher diante da mentalidade dos israelitas, segundo a qual aquela mulher não tinha o direito de pedir a Deus. Esta é a prova mais dura. Aquela mulher conhecia esta mentalidade, mas também sabia que Deus sempre deixaria parte do banquete, nem que fossem umas migalhas, para os que como ela não pertenciam ao povo de Israel. A nossa oração é também posta à prova. Por vezes, Jesus cala-se. Parece não estar connosco, não nos diz nada. Nesta situação, Ele pede-nos perseverança.

A segunda prova é a tentação que, por vezes, temos em acreditar que Jesus não nos ouve por causa das nossas limitações e pecados. Quando temos consciência da nossa pobreza, parece que não somos dignos de nos dirigirmos a Deus. Pelo contrário, quando assumimos as nossas fraquezas e pecados, rezemos a Jesus porque Ele ouve-nos e atende-nos sempre, especialmente nos momentos de sofrimento e angustia.

Finalmente, Jesus respondeu à cananeia: “Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas”. Jesus comove-se perante o sofrimento daquela mulher, porque era uma mulher cheia de fé e perseverante na oração. A mulher cananeia tinha uma fé forte, vencendo as suas dificuldades e sofrimentos com a oração e reconhecendo Jesus Cristo como Messias e Senhor. É esta grandeza da fé que somos convidados a ter. A mulher estrangeira foi tocada por Jesus. Deixa que Jesus te toque e te oiça em todos os momentos da tua vida, especialmente nos momentos de dor, de desânimo, de desespero, pois tudo se transformará.

«Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas».

 

O Evangelho mostra-nos a grande fé, a paciência, a perseverança e a humildade da cananeia. Esta mulher era dotada de uma paciência verdadeiramente fora do comum. Ao seu primeiro pedido, o Senhor não responde uma palavra. Apesar disso, longe de cessar de rezar, ela implora-Lhe com redobrada insistência o socorro da sua bondade. Vendo o ardor da nossa fé e a tenacidade da nossa perseverança na oração, o Senhor acabará por ter piedade de nós e conceder-nos-á o que desejamos.

A filha da cananeia era «atormentada por um demónio». Uma vez expulso o nefasto desassossego dos nossos pensamentos e desfeitos os nós dos nossos pecados, recuperaremos a serenidade de espírito, bem como a possibilidade de agirmos correctamente. Se, a exemplo da cananeia, perseverarmos na oração com firmeza inabalável, ser-nos-á concedida a graça do nosso Criador; ela corrigirá todos os nossos erros, santificará tudo o que é impuro, pacificará toda a agitação. Porque o Senhor é fiel e justo, Ele nos perdoará os nossos pecados e nos purificará de toda a mancha se gritarmos por Ele com a voz vigilante do nosso coração. (São Beda, o Venerável, c. 673-735, monge beneditino, doutor da Igreja, Homilia sobre os Evangelhos, I, 22: CCL 122, 156-160, PL 94, 102-105)

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano A - Tempo Comum - 20º Domingo - Boletim Dominical II

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