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Avisos e Liturgia do I Domingo da QUARESMA – ano B

L I T U R G I A   E   V I D A

Ver: https://liturgia.diocesedeviseu.pt/LITURGIAEVIDA/index.html

Estamos na primeira etapa da Quaresma. É importante termos consciência de que, neste trajecto que termina na Páscoa, Cristo precede-nos. A Quaresma não nos pertence. Nem somos o seu centro. É crucial não cair na tentação de elaborar um itinerário quaresmal exclusivo e individual, congregando, de uma maneira arbitrária, alguns exercícios piedosos, com ou sem Eucaristia. Tratar-se-ia de um apêndice adicional ao caminho do Senhor. A todos nós, é pedida uma disposição interior-espiritual, caracterizada pela abertura e pelo acolhimento dócil e sincero. Com esta atitude, devemos assumir e percorrer este tempo litúrgico na sua unidade, para que não se transforme numa sucessão rotineira de domingos e de semanas. Coloquemo-nos numa atitude de escuta para acolher a Palavra de Deus, alimentemo-nos do Pão Vivo, descido do Céu. Se não nos saciarmos destas duas mesas, podemos até iniciar esta caminhada com energia, mas acabaremos debilitados às portas da Páscoa. O texto evangélico deste Domingo situa-nos Jesus no deserto. O deserto é uma realidade espiritual e existencial: pode indicar o estado de abandono e de solidão, sem apoios nem seguranças, em que alguém se encontra. Esta experiência possui tal poder que pode conduzir-nos a sofrer a tentação de desaparecer, de renunciar ao futuro, de nos deixarmos morrer espiritual ou fisicamente. Também podemos ter a tentação de viver como se Deus não existisse, como se Deus não fosse o nosso refúgio e amparo. Porém, o deserto pode ser uma realidade que nos conduz a uma situação oposta a anterior. O povo de Israel passou muitas tormentas na sua travessia pelo deserto. Caiu na tentação de virar as costas a Deus que o tinha libertado do Egipto e, em desespero, prestou culto a um bezerro de ouro. Contudo, Israel nunca sentiu Deus tão próximo como no deserto. Em nenhuma outra ocasião compreendeu e experimentou verdadeiramente a sua protecção e o seu auxílio. Assim, neste domingo, somos convidados a interrogarmo-nos: que desertos pessoais tenho? Que desertos sufocam a fé ou, pelo contrário, a fortalecem? Não esqueçamos o que Jesus diz no texto do evangelho deste Domingo: “Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. Hoje, existe uma possibilidade real de conversão para todos. Há sempre uma ocasião para regressar à casa de Deus. Não importa há quanto tempo voltámos as costas a Deus ou os pecados que cometemos. O nosso pior inimigo somos nós próprios, pensando que não somos dignos da vida que Deus nos quer conceder, que já não vamos a tempo! Seja qual for a nossa história de pecado, nunca será suficiente para evitar que Deus nos abrace novamente com a sua misericórdia e revivifique a nossa vida. No sacramento da Reconciliação encontramos a misericórdia de Deus Pai que nos aguarda. A Páscoa é “transitus”, passagem. Mas não consiste somente em glória ou Ressurreição, é a passagem da Morte à Vida, é a travessia pelas profundezas sombrias e tenebrosas da Morte e da Cruz. Por isso, no caminho quaresmal até à Páscoa, devemos colocar em destaque a Cruz de Cristo. Diante dela, façamos memória de Cristo, em silêncio. Recordemos a sua passagem por este mundo, sendo próximo dos pobres, abrindo os olhos aos cegos, anunciando o amor sem medida de Deus Pai. Recordemos a sua fidelidade até ao fim, a sua entrega sem reservas. Depois de contemplar tudo isto na intimidade do coração, sigamos os seus passos, convencidos de que o seu caminho é o caminho da vida, da Páscoa. Na Cruz está a vida, o conforto, o caminho para o céu.

18-02-2024 (1)

paroquiasagb

Leitura Espiritual

«Cumpriu-se o tempo e está próximo o Reino de Deus»

A nossa vida de seres mortais está cheia de armadilhas que nos fazem tropeçar, está cheia de redes de enganos. E, como o inimigo espalhou essas redes por todo o lado, e nelas apanhou quase todos os homens, era necessário que aparecesse Alguém mais forte para as dominar e as romper, e para trilhar o rumo àqueles que O seguissem. Foi por isso que, antes de Se unir à Igreja, sua esposa, também o Salvador foi tentado pelo diabo. Ensinou assim à Igreja que não seria através da ociosidade e do prazer, mas através de provações e tentações, que ela haveria de chegar a Cristo. Mais ninguém poderia, de facto, triunfar daquelas teias. Porque «todos pecaram», como está escrito (Rm 3,23); o nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, foi o único que «não cometeu pecado» (1Pd 2,22). Mas o Pai «fê-lo pecado por nós» (2Cor 5,21). «De facto, Deus fez o que era impossível à Lei, por estar sujeita à fraqueza da carne: ao enviar o seu próprio Filho, em carne idêntica à do pecado e como sacrifício de expiação pelo pecado, condenou o pecado na carne» (Rm 8,3). Jesus entrou, pois, naquelas teias, mas não ficou enlaçado nelas. Mais ainda, tendo-as rompido e rasgado, deu confiança à Igreja, de tal forma que ela ousou, a partir de então, calcar aos pés as armadilhas, libertar-se das teias, e dizer cheia de alegria: «A nossa vida escapou como um pássaro do laço de caçadores; rompeu-se o laço e nós libertámo-nos» (Sl 123,7). Também Ele sucumbiu à morte, mas voluntariamente e não, como nós, pela sujeição do pecado. Porque Ele foi o único a ser libertado de «entre os mortos» (Sl 87,6). E, porque estava livre entre os mortos, venceu «aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo» (Hb 2,14) e arrancou-lhe os «cativos em cativeiro» (Ef 4,8) que estavam prisioneiros da morte. Não só Ele próprio ressuscitou dos mortos, como, simultaneamente, «nos ressuscitou e nos sentou no alto do Céu, em Cristo» (Ef 2,6); «ao subir às alturas, sujeitou um grupo de cativos» (Ef 4,8). (Orígenes, c. 185-253, presbítero, teólogo, Comentário sobre o Cântico dos Cânticos, III, 27-33).

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Programação de Celebrações e Missas da Semana, de 20 a 25 de Fevereiro da Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa.

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