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Avisos e Liturgia do IV Domingo do ADVENTO – ano B

O quarto Domingo do Advento podia ser designado como “o Domingo das anunciações”. No Ano A, ouvimos a anunciação do anjo, em sonhos, a José; no Ano C, o anúncio de Maria a Isabel, quando a visita; e neste ano – o Ciclo B – é proclamado a anunciação do anjo a Maria. Imitando a Virgem Maria, deixemos que “a força do Altíssimo nos cubra com a sua sombra”, para que sejamos fecundos na vida, confiantes de que para “Deus nada é impossível”. A primeira leitura diz-nos que o rei David desejava construir um templo luxuoso e de requinte para Deus: “eu moro numa casa de cedro e a arca de Deus está debaixo de uma tenda”. Deus coloca nos lábios do profeta Natã a resposta a este desejo de David. Através do profeta, corrige o rei David, porque não quer estar longe do seu povo. Estaria num templo luxuoso, como um rei, mas não como o seu povo; a maior parte das pessoas vivia em tendas. Não é um Deus que se sinta bem entre as frias paredes de uma luxuosa construção, ornamentada de ouro e de prata. Deus quer sempre estar com e entre o seu povo, não quer estar “aferrolhado” na riqueza, no luxo, no despotismo, mas no meio das pessoas. É tão forte o seu desejo que se torna realidade, que se torna carne, graças a Maria de Nazaré, em Jesus. Enquanto o rei David oferece a Deus uma “casa-templo”, Deus oferece-lhe uma “casa-descendência”. Jesus pertence à dinastia de David através de José, seu pai adoptivo. Maria e José tornam possível a realização da promessa. “O Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria”. O plano de salvação passa por uma cidade da montanha e é confiado a uma mulher. Deus continua a surpreender. Não escolheu os centros do poder, nem o centro religioso, o templo de Jerusalém. A presença – “a tenda de Deus” – volta a estar no seu lugar: no meio do povo humilde, simples, mas cheio de fé…Maria torna-se a arca da nova aliança, onde Deus revela “o mistério”, “que estava encoberto desde os tempos eternos, mas agora manifestado e dado a conhecer a todos os povos…para que sejam conduzidos à obediência da fé” (2ª leitura). Deus prepara uma digna morada para o seu Filho. Somente pede uma resposta de fé, um “sim”. Maria é a expressão da humanidade aberta ao plano salvífico de Deus. Ela é cheia de graça, porque deixou entrar na sua vida a vontade de Deus. Sendo “a escrava do Senhor”, converte-se em Mãe de Deus e Mãe da Humanidade. Com três verbos o mistério ganhou carne no seio de Maria: “Crê, consente e recebe” (São Bernardo). José era um jovem operário com o sonho de formar família, apaixonado por Maria. Ela diz-lhe que está grávida por obra do Espírito Santo. José tem dúvidas do seu papel neste plano divino, mas, como Maria, aceita o convite de Deus de exercer a missão de pai do Messias. José e Maria exerceram dignamente a paternidade e a maternidade de Jesus, de o terem nos braços, porque foram obedientes à fé. Seremos dignos de receber o Senhor neste Natal, se formos homens e mulheres de fé, dando testemunho de Deus que vem ao nosso encontro para nos salvar, porque também encontrámos “graça diante de Deus”. Peçamos a José e a Maria que nos ajudem a descobrir a presença do Seu Filho Jesus entre nós. Sejamos capazes de crer, consentir e receber Jesus, imitando Maria. 

24-12-2023

LEITURA ESPIRITUAL

«O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim»

 

«O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria». O que é dito da casa de David não diz respeito apenas a José, mas também a Maria. Porque a Lei prescrevia que um homem se casasse com uma mulher da sua tribo e da sua estirpe, segundo o testemunho do apóstolo Paulo, que escreve a Timóteo: «Lembra-te de Jesus Cristo, saído da estirpe de David, e ressuscitado dos mortos, segundo o meu Evangelho» (2Tim 2,8). «Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David». O trono de David significa aqui o poder sobre o povo de Israel, que David governou, no seu tempo, com um zelo pleno de fé. A este povo, que David dirigiu com o seu poder temporal, vai Cristo conduzir por meio de uma graça espiritual para o reino eterno. «Reinará eternamente sobre a casa de Jacob». A casa de Jacob designa a Igreja universal, que, pela fé e pelo testemunho, une-se ao destino dos patriarcas, quer dos que tiram a sua origem carnal da sua cepa, quer dos que, nascidos pela carne de outra nação, são reunidos em Cristo, pelo baptismo no Espírito. É sobre esta casa de Jacob que Ele reinará eternamente: «e o seu reinado não terá fim». Sim, Ele reina sobre ela na vida presente, quando governa o coração dos eleitos, onde habita, pela fé e o amor que Lhe têm; e governa-os com a sua contínua protecção, para lhes fazer chegar os dons da recompensa celeste. Ele reinará no futuro, quando, uma vez terminado o estado de exílio temporal, os introduzir na pátria celeste, onde se regozijarão na sua presença visível, que continuamente lhes lembrará que nada mais têm de fazer do que cantar os seus louvores. (São Beda o Venerável, c. 673-735, monge beneditino, doutor da Igreja, Homilias para o Advento, nº 3; CCL 122, 14-17 – a partir da trad. Delhougne, Les Pères commentent, p. 170).

 

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