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Artigos de Opinião

Artigo de Paula Miranda- Início Ano Letivo Novos Desafios

Com o início de mais um ano letivo, deparamo-nos em maior parte das escolas e agrupamentos do nosso país, com medidas no meu ponto de vista exageradas, algumas até sem as condições necessárias para o bom desenvolvimento dos nossos pequenos, quer cognitivo mas acima de tudo emocional.

Gostaria de vos convidar a juntos podermos refletir e estarmos mais atentos às necessidades dos mais pequenos.

É muito fácil, eu sei por experiência própria, cairmos no loop, perder o controle perante uma atitude mais desafiante, um comportamento ou uma resposta mal dada e reagirmos de forma impulsiva ou critica, o que acaba por magoar os nossos filhos. O que eles nos estão a pedir nestes momentos é apenas atenção…

Quando fomos mães e pais, nos primeiros meses de vida dos nossos filhos, fazíamos de tudo para perceber porque é que choravam, o que é que estavam a pedir: fome, sono, dores, frio, calor, etc. Estávamos sempre atentos às suas necessidades e procurávamos satisfazê-los para os deixar confortáveis e tranquilos. Certo?

É simples, seja em que idade for, mesmo nós enquanto adultos, precisamos de ver as nossas necessidades satisfeitas e algumas vezes adotamos uma forma de estar, que na sociedade não é correta, mas que para nós é uma forma de alerta, de aparecer, de ser visto, de ser atendido.

E é só isto que pode acontecer com os pequenotes.

Vamos olhar, não para o comportamento ou atitude, mas antes perceber o que poderá estar a falhar, qual será a necessidade que nos está a ser solicitada.

Lembrete: A forma como reagimos ao comportamento dos nossos filhos tem mais a ver com o nosso estado interior do que com o que eles estão a fazer. (pais, avós, professores, educadores – isto é para todos os que diariamente lidamos com os pequenotes)

Por tudo isto é que eu diariamente trabalho em mim, leio, estudo e trabalho sempre mais com a intenção de chegar cada vez mais, a mais pais e professores.

Uma educação inclusiva, consciente e aberta gera um ambiente de tranquilidade e conexão, onde com a empatia criada, conseguimos o que desejamos desde sempre.

Ao implementarmos estas 7 atitudes no nosso dia-a-dia com as nossas crianças, quer seja em ambiente familiar, quer em ambiente escolar, com toda a certeza iremos ganhar todos:

  • PACIÊNCIA
  • NÃO JULGAMENTO
  • MENTE DE PRINCIPIANTE
  • CONFIANÇA
  • NÃO ESFORÇO
  • ACEITAÇÃO
  • DEIXAR ESTAR / DEIXAR IR

 

Para que a empatia seja criada com qualquer ser humano, para mim, basta praticarmos o IGUAL VALOR, todos estamos ou deveríamos estar de igual para igual, todos temos os nossos valores, apenas ninguém deve ser mais ou menos que o outro.

Com Amor e Respeito pelo outro, iremos sempre ser Respeitados e receber também Amor.

É urgente Respeitarmos as crianças e OUVI-LAS.

Continuo a acreditar, que enquanto pais e professores/educadores, quando nos preocupamos com os nossos pequenos e queremos saber mais, abrir horizontes para esta nova geração, estamos a construir os melhores seres do nosso futuro.

Em agenda:

 

Sessões de Atendimento Parental

Sessões de Atendimento Familiar

Sessões de Atendimento Escolar

 

 

Proponho o seguinte exercício:

Durante a próxima semana, escolhe uma das atitudes descritas acima e pratica-a a cada dia.

 

Se tiverem alguma questão sobre o exercício, não hesitem em contactar

Sempre por perto … treecoach9@gmail.com

 

Com Amor e Gratidão

Paula Miranda

 

Coach Profissional &Kid Coach

Especialista em Comunicação e PNL

Atendimento Parental e Escolar

Analista Comportamental

Tlm932 688 567

treecoach9@gmail.com

 

Artigo de Sara Morais—Ansiedade vs Homeostasia

1º Eixo Somático: Alterações Fisiológicas

Ansiedade é atualmente um termo corriqueiro, uma sensação de mal-estar físico e psicológico, cada vez mais frequente numa sociedade em que o ritmo e as exigências são cada vez maiores. Denota-se como uma reação natural, uma espécie de sensor, que alerta para a presença do stress persistente.

A ansiedade é natural quando é positiva, ou seja, quando é caracterizada pela célebre sensação de “borboletas na barriga” face à exposição de experiências e processos adaptativos.

No entanto, a agudização da intensidade e frequência do mal-estar físico e psicológico, transforma a naturalidade em patologia sendo desencadeada por diversos fatores:  endógenos, no que diz respeito a disfunções hormonais ou desenvolvimento de outras doenças; e exógenos que destacam o contexto pessoal, profissional, familiar e, até mesmo, social enquanto catalisadores de emoções negativas.

A ansiedade apresenta-se de forma diversificada assente num eixo somático de alterações a nível comportamental, cognitivo, social, físico e fisiológico. Numa primeira análise é importante identificar os vários sintomas físicos e adquirir consciência sobre as respetivas respostas fisiológicas.

Ao compreender o corpo como uma máquina, em constante funcionamento, a trabalhar para manter um equilíbrio sobre os vários organismos, desde os multicelulares, neurais, musculares, aos órgãos e tecidos; qualquer força contrária vai, seguidamente, produzir respostas adaptativas para restabelecer a homeostasia.

Uma das reações físicas, mais associadas, é a taquicardia, também compreendida como o aumento dos batimentos cardíacos. Este aumento ocorre quando existe exposição ao stress, a glândula adrenal vai libertar norepinefrina em maior quantidade. Seguidamente, o sistema simpático é estimulado com o objetivo de preparar o organismo para reagir a situações repentinas e de maior stress, aumentando, consequentemente, a frequência cardíaca aumenta.

A dificuldade respiratória é, também, um dos sintomas mais frequentes desta patologia. Se concluir que a respiração saudável mantém um equilíbrio entre a inspiração de oxigénio e a expiração de dióxido de carbono, então, quando a frequência cardíaca aumenta existe uma dilatação das vias respiratórias e, por conseguinte, a taxa de  dióxido de carbono é reduzida no organismo – Hiperventilação. A redução de dióxido de carbono, é também responsável por outros sintomas como tonturas e dormência que ocorrem devido à contração dos vasos sanguíneos.

Um outro sintoma é a tensão abdominal (sensação de nó no estômago) acontece porque quando o sistema simpático é ativado, os músculos abdominais são forçados a contrair e apertar os órgãos, reduzindo o funcionamento dos demais processos fisiológicos como a digestão e a urina com a finalidade de preparar o organismo para uma resposta de emergência.

Em adição, o stress aumenta a secreção de cortisol e norepinefrina o que provoca, por sua vez, a libertação do ácido do suco gástrico em excesso, surge de imediato a irritação do trato digestivo o que causa as náuseas e vómitos que são tão característicos da ansiedade.

Como anteriormente referido, a ativação do sistema nervoso simpático leva ao aumento da secreção da adrenalina que é responsável pela vasoconstrição, tendo como um dos objetivos direcionar o fluxo sanguíneo para as zonas do corpo que carecem de maior irrigação, como o sistema músculo-esquelético. Esta redução da irrigação, promove a contração de determinadas células, nomeadamente aquelas  localizadas nas glândulas salivares, a produção da saliva é diminuída, assim como, também, contrai os vasos de superfície da pele levando à queda da temperatura , induzindo  característico suor frio.

Estes sintomas e respostas fisiológicas surgem do jogo antagônico entre o sistema simpático e o parassimpático que colaboram entre si numa coordenação para manter a Homeostasia.

Para concluir, a Hipnose Clínica assume um papel preponderante no processo de Homeostase. A própria ação indutiva do transe hipnótico permite o relaxamento do tônus muscular, favorecendo a libertação da serotonina e dopamina para diminuir os níveis elevados de cortisol e norepinefrina no organismo. Esta atuação promove o controle da amígdala favorecendo uma resposta parassimpática e, por conseguinte, reduz atividade simpática.

No próximo boletim de saúde serão abordadas as reações comportamentais.

Sara Morais – Hipnoterapeuta

Consultas 912 583 244

sfilipa.morais@gmail.com

Artigo de Ana Carolina Marques- Dicas para aplicar em casa – Terapia da Fala em contexto natural

Dicas para aplicar em casa – Terapia da Fala em contexto natural

 

Considerando os tempos em que vivemos com várias restrições a nível social, é necessário estimular ainda mais as crianças em casa. Apesar de ser esta a nossa realidade há algum tempo, nem sempre é fácil nos habituarmos a tantas mudanças.

No dia-a-dia podemos estimular a linguagem oral e escrita, memória auditiva e a comunicação em tarefas que realizamos com frequência e no nosso ambiente natural.

  1. No quarto das crianças

– Leitura de livros antes de deitar: podem ler os pais, as crianças, ambos e no fim recontarem as histórias.

– Ouvir músicas: seleção de algumas mais calmas para ouvir antes de deitar e mais mexidas para durante o dia. Deve manter-se o foco na letra e ritmo, por exemplo.

– Vestir/Despir: podem aproveitar estes momentos para nomear as peças de roupa ou abordar a sequência de roupas a vestir.

 

  1. Na cozinha de casa

– Na hora das refeições podem definir a ementa juntos, nomear os ingredientes, distribuir tarefas (nomeando as ações), entre outros exemplos.

– Pôr/Levantar a mesa: nesta tarefa podemos identificar os objetos e abordar as quantidades conforme os elementos incluídos no agregado familiar.

– Listagem de compras: elaborar lista de compras e conjunto pode ser divertido. Podem aproveitar esta atividade para categorizar os alimentos (ex: frutas, legumes, doces, bebidas…).

 

  1. Na sala de casa

– Jogo do stop: os pais podem ajudar a construir grelhas e decidir as categorias conforme a idade e posteriormente evocar o respetivo vocabulário.

– Jogo do telefone: podem escolher um segredo para ir dizendo ao ouvido de quem estiver ao lado. Quando o segredo chegar à última pessoa, esta deve dizer em voz alta e ver se foi o que a primeira pessoa disse.

– Jogos de mímica: cada pessoa escolha uma coisa e tentar imitar com gestos para as restantes adivinharem.

– Visualização de filmes ou séries com discussão final das mesmas (ex: o que gostaram mais, resumir o que foi visto, adivinhar o que virá num próximo episódio…).

 

– Desenhar ou pintar com ou sem ajuda dos pais.

– Construir “quantos queres”: os pais ajudam a elaborar o jogo e a decidir que questões colocar nas faces (ex: categorias para evocação de conceitos, letras para evocação de palavras…).

 

  1. No WC de casa

– Hora do banho: podem ser identificadas ou nomeadas as diferentes partes do corpo. Caso a criança seja maior, os pais podem treinar o cumprimento de ordens.

. Brincar ao espelho: esta pista visual pode ajudar a fazer alguns exercícios com a língua, bochechas (úteis ao nível da motricidade orofacial).

 

As ideias mencionadas são algumas das atividades para desenvolver com as crianças, tenham elas ou não necessidades de intervenção em terapia da fala. É só adaptar à faixa etária, dar asas à imaginação e envolver toda a família.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Sara Morais—- Auto Estima e a Hipnose Clínica

Viajar pelas memórias é algo recorrente, por vezes nostálgico, mas é um ato de coragem; de reflexão, sobretudo de conhecimento e de construção de auto perceção. É o despertar, num olhar atento e consciente sobre a própria resposta comportamental e emocional assentes no aforismo grego “conhece a ti mesmo”. Esta construção psicológica denomina-se de autoestima.

Autoestima representa a coluna dorsal do “eu interior”, uma vez que sustenta o bom ou o mau funcionamento emocional, num processo de auto avaliação contínuo, capaz de condicionar a forma como se sente a seu respeito. No fundo, tem um papel preponderante na estruturação psicológica do ser humano.

Se cada ação é produto do pensamento, então a criação de um quociente positivo vai promover maior segurança e autoconfiança para atingir um determinado objetivo. No fundo é como um moinho, só funciona de forma eficiente e equilibrado se existir força da água, neste caso, energia através da construção de um ou mais pensamentos positivos.  Porém, se a corrente do pensamento for parca, porque é efetivamente negativa, a força da ação vai ser concordante com a dúvida, e o moinho pára, entra em estagnação – baixa autoestima.

Por exemplo, imagine que o curso de água representa as frequentes reprovações e menções de incapacidade na infância, que são gravadas mentalmente ao longo do de todo crescimento pela mente subconsciente. Esse caudal não cessa, mas não possui uma força que faça girar o moinho da autoconfiança, pelo contrário, é uma força contrária que provoca fragmentação do moinho (“eu interior”).

A baixa autoestima é caracterizada por diversos comportamentos e sensações, tendo como os mais predominantes a procura pela aprovação, os pensamentos negativos e ruminantes; o sentimento de incapacidade em atingir determinados objetivos, sensação de diminuição perante seus pares, entre muitos outros que condicionam um desempenho comportamental e emocional ativo e dinâmico.

Neste seguimento, a versatilidade da Hipnose Clínica enquanto ferramenta terapêutica e desenvolvimento pessoal vem pulsar a ampliação da autoestima. A terapêutica terá como enfoque inicial identificar a raiz do problema, passando posteriormente para a eliminação das gravações das experiências negativas dotando o paciente de ferramentas para promover um novo olhar perante as experiências passadas, através de um trabalho focado nas crenças limitadoras. Esta perspetivação, vai alicerçar a prática do auto elogio, desenvolver o auto cuidado, e por conseguinte permitir a realização de objetivos.  Neste seguimento, vai existir uma reeducação mental permitindo o fluxo de pensamentos construtivos cada vez mais abundantes e frequentes, com uma carga positiva capaz de fazer mover o “eu interior” de forma ajustada e equilibrada perante as várias situações da vida.

“Água parada não move moinho” provérbio português.

 

Sara Morais – Hipnoterapeuta

Consultas 912 583 244

sfilipa.morais@gmail.com

Artigo de Paula Miranda– 1 ano A nossa Comunicação

1 ano, este é o 12º artigo que escrevo para o Magazine Serrano.

Hoje abordo o tema da comunicação.

Aqui durante estes 12 meses, utilizei a minha comunicação para chegar até vós. Neste caso através da escrita abordei vários temas, onde espero que tenha sido de alguma forma uma maneira de vos comunicar algumas estratégias e temas do nosso desenvolvimento, da nossa vida.

Existem várias formas de comunicar e nós estamos constantemente a comunicar uns com os outros. Acreditem, nós comunicamos sem precisar dizer uma única palavra.

A maior percentagem da nossa comunicação é não verbal, é através da linguagem corporal, das expressões faciais, e da nossa postura que primeiro comunicamos com o outro.

Alguns dos nossos conflitos podem ser explicados através da nossa comunicação, pois podemos muitas vezes estar a dizer uma coisa e o nosso corpo, a nossa postura está a comunicar outra, o que leva muitas vezes a discussões e confusões. Trata-se de uma defesa do nosso sistema, e é maior parte das vezes um processo inconsciente.

Imagine uma pessoa que tem medo de cobras, está com um grupo de amigos e ao aparecer uma cobra, o seu corpo, a sua fisiologia, automaticamente reage ao estado emocional, e com receio de poder ser gozado pelos amigos, a pessoa diz exatamente o contrário do que está a sentir. Este tipo de situação pode explicar e levar-nos a pensar em outras situações do nosso quotidiano e da nossa vida, fazendo analogia com outro tipo de sentimentos e emoções que a nossa fisiologia demonstra e muitas vezes nós racionalmente contrariamos com palavras.

Este tipo de situação é evidente em relacionamentos íntimos, ou próximos (casais, pais e filhos, amigos). Quando não trabalhamos sobre este tema para ganhar mais consciência, mais clareza e gestão das nossas emoções, acabamos por inconscientemente afetar esses relacionamentos, o que acaba por limitar ou bloquear a nossa vida e o que queremos para ela.

Aprender sobre a comunicação, leva-nos a um patamar de desenvolvimento completamente diferente.

Ensinar comunicação e como comunicar connosco e com os outros, deveria ser inserido nas escolas como sendo a base de tudo o que aprendemos pela vida fora.

Uma boa comunicação eleva todo o sentido da nossa existência. E estamos sempre a tempo de aprender, transformar e melhorar.

 

Sempre por perto … treecoach9@gmail.com

 

Com Amor e Gratidão

Paula Miranda

 

Coach Profissional & Kid Coach

Especialista em Comunicação e PNL

Atendimento Parental e Escolar

Analista Comportamental

 Somos Criadores / Acredita em Ti

Tlm932 688 567

treecoach9@gmail.com

 

Artigo de Ana Carolina Marques—-Rastreios Auditivos – Importância destes no desenvolvimento das crianças

Quando fechamos os olhos, são vários os sons que nos rodeiam e imensos os que têm importância na nossa vida. Como seria se tivéssemos de viver sem acesso aos sons? E se esta realidade afetasse o seu filho ou alguém que lhe é querido?

A audição é um dos sentidos mais importantes. É considerada a chave para a linguagem oral e um motor para se sentir o mundo. Quando não existe exposição à linguagem nos primeiros anos de vida, a criança vai apresentar discrepâncias ao nível do desenvolvimento linguístico. A prevenção da perda auditiva é uma das medidas a adotar e consequentemente impedir que a falta de estimulação auditiva influencie a linguagem.

Os primeiros dois/três anos de vida são cruciais para o desenvolvimento da audição e da linguagem e por isso são denominados como “período crítico” devido à maior plasticidade neuronal. Nesta fase, podemos efetuar modificações (positivas ou não) que variam com a quantidade e qualidade dos estímulos fornecidos. Uma audição normal é essencial para uma correta aquisição e desenvolvimento da linguagem, daí a importância da deteção precoce da perda auditiva e consequente reabilitação (antes dos seis meses de idade).

Atualmente já são conhecidos alguns fatores de risco que podem levar a perdas auditivas/surdez, nomeadamente os antecedentes familiares com surdez, as infeções congénitas (eg. citomegalovírus e rubéola), as malformações craniofaciais, a meningite bacteriana, as síndromes, as convulsões neonatais, as otites médias recorrentes e o APGAR de 0 a 4 no 1º minuto ou de 0 a 6 no 5º minuto.

A deteção e intervenção precoce na perda auditiva permite que melhores resultados sejam obtidos e que a criança aproveite o seu potencial ao nível da fala, linguagem mas também das competências sociais. Esta deteção precoce é possível através do Rastreio Auditivo Neonatal Universal (nas primeiras 12 horas de vida) que pretende identificar eventuais perdas auditivas nos recém-nascidos através das Otoemissões Acústicas. Estas emissões testam a reação do ouvido interno ao som, sem implicar uma resposta por parte do bebé que está a ser rastreado. É um teste simples, rápido, não invasivo, de grande sensibilidade e especificidade.

A perda auditiva é responsável pelo atraso no desenvolvimento da linguagem e tem graves consequências no desempenho académico da criança. Com o diagnóstico efetuado precocemente, as consequências podem ser minimizadas com intervenção precoce e com a utilização das ajudas técnicas disponíveis. Portanto, a deteção precoce, imediatamente após o nascimento tem grandes possibilidades de melhorar a qualidade de vida dos bebés e respetivas famílias.

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de opinião-ANTÓNIO DAMAS MORA – Um médico português entre os trópicos

A luta contra as doenças tropicais nas antigas colónias portuguesas é uma epopeia quase esquecida. Mas as gerações do então denominado Império Português deixaram-nos um “fio de memória” que deve ser desfiado e devidamente reconhecido.

Vamos focar hoje a figura de António Damas Mora (1879-1949), que foi um protagonista ativo no combate à doença do sono na Ilha do Príncipe e em Angola, mas também a Oriente, nos territórios de Timor e de Macau.

É ele o protagonista do livro intitulado “António Damas Mora – um médico português entre os trópicos”, da autoria de Luiz Damas Mora, publicado pela editora BytheBook.

O texto é ilustrado com fotografias muito curiosas da época, que enquadram o leitor neste espaço geográfico e cronológico.

Mas quem foi este jovem pioneiro e arrojado António Damas Mora?

Nasceu em Rio de Moinhos (Abrantes) em 1879. Em 1901 termina a licenciatura em Medicina na Escola-Médico Cirúrgica e posteriormente vai-se alistar no Exército, onde fará sua  carreira militar, atingindo o posto de Coronel-Médico (1923). Entre 1902 e 1910 passa a Delegado de Saúde na Ilha do Príncipe, onde teve participação ativa no combate à doença do sono.

Na década de 20 já será Diretor Interino da Direção de Saúde do Ministério das Colónias. E em 1921, Norton de Matos nomeia-o para o lugar de Diretor dos Serviços de Angola,. Nessa região põe em campo os seus princípios de uma Medicina Social, criando a Central Assistência Médica aos Indígenas e combatendo as endemias, nomeadamente a fatal doença do sono.

Mas o que é exatamente esta doença? Segundo a OMS, este é o nome comum da Tripanossomíase Humana Africana. É uma infeção transmitida pela mosca de tsé tsé, que aterrorizava cerca de quarenta países africanos. É uma doença tremenda, pois ataca o sistema nervoso e, se não tratada prontamente, pode levar o doente ao coma e à morte.

Mas este médico português pioneiro na Medicina Tropical, rapidamente entendeu que havia muito para fazer em terra Africana para combater este flagelo.

Cria em África laboratórios de  análises bacteriológicas, parasitológicas químicas, treina e forma pessoal autóctone, tudo isto de forma pioneira. Em 1923, organiza e dirige o 1º Congresso Internacional de Medicina Tropical da África Ocidental.

Em 1926 participa, no âmbito da Organização de Saúde da Sociedade das Nações, numa longa viagem de estudo na África Ocidental (“Tour” de Dakar). No ano de 1928 é nomeado Governador-Geral Interino de Angola. Morre em 1949, legando uma obra admirável, digna dos anais da História da Medicina Tropical.

A evolução da medicina tropical é uma epopeia ainda pouco conhecida. À luz da sensibilidade dos tempos atuais, ficamos espantados com a dureza das estratégias sanitárias com que estas terríveis pandemias eram enfrentadas, e mesmo assim dizimavam grande número de indígenas. São tantos os doentes, nomeadamente as crianças, que podemos classificar como heróis os denominados médicos e enfermeiros “do mato” que tudo faziam para salvar estas populações, apesar dos escassos recursos disponíveis.

Damas Mora sempre mobilizou os médicos contra a ameaça comum – endemias e epidemias tropicais – tendo também formado um grupo coeso de enfermeiros nativos de Angola, que irão desempenhar um papel de relevo no terreno. Em simultâneo,

  1. Damas Mora deixa uma grande coleção de “escritos” que são gritos de alerta, com um sentido humanista admirável, fazendo esforços para que a Metrópole desse o devido apoio às suas inquietações. Mas nada foi fácil.

Estes primórdios da medicina tropical são o retrato de um Portugal grande em extensão, mas muito pequeno na capacidade de gerir tamanha imensidão

Uma época fascinante este período da nossa História, muito marcado pela controvérsia política e pelos desafios inimagináveis, estes muitas das vezes entregues a Homens notáveis (infelizmente pouco conhecidos) que agiram com coragem, quebrando tabus e abrindo caminho para um sistema de saúde público universal.

Por: Ana de Albuquerque (editora)

No âmbito do programa “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.

 

Artigo de Saúde – Engasgamento

Vulgarmente chamado de engasgamento, a obstrução da via aérea, é comum acontecer no dia a dia de qualquer cidadão, sendo vulgar em crianças, e pessoas com mais idade devido a dificuldade em engolir.

A obstrução da via aérea na sua generalidade pode ter três causas, sendo que a mais vulgar e aquela que encontramos como mais frequência é a obstrução mecânica, sendo
essa aquela que me irei debruçar.

A obstrução mecânica da via aérea, o vulgar engasgamento acontece quando um corpo estranho, normalmente comida ou bebida ocupa parte da garganta, e canais por onde o ar passa de e para os pulmões impedindo a sua passagem total ou parcialmente, impedindo a vítima de respirar de forma eficaz. Saliente-se que comida ou bebida são os corpos estranhos mais comuns.

Como socorrer uma vítima de engasgamento então?

Antes de correr a ligar para o 112, os presentes podem, e devem fazer algo; a simples chamada para o 112 não impede que algo se faça enquanto o sistema de emergência é acionado, até porque entre a chamada e a chegada de uma ambulância, irá passar algum tempo, tempo esse que pode ser essencial e crucial para a nossa vítima.
Duas situações; a vítima tosse; nesta situação há passagem de ar, ainda que parcialmente, a tosse funciona como uma defesa do nosso corpo obrigando o corpo estranho a sair pela força que provoca ao expulsar o ar. Nesta situação apenas se deve encorajar a vítima a tossir.

A vítima não tosse; a passagem do ar está totalmente bloqueada; nesta situação, e enquanto uma pessoa liga para o 112, outra pessoa aplica 5 pancadas com a palma da mão nas costas da vítima (mesmo abaixo do pescoço) e depois abraçando a vítima por detrás com os braços, pressiona a chamada boca do estômago para dentro e para cima com as mãos fechadas e agarrada uma à outra 5 vezes; e repete este procedimento (pancadas nas costas, apertar a boca do estômago até que a vítima melhore ou chegue socorro.)

De salientar, que mais vale fazer estas duas técnicas simples do que não fazer; o não fazer e esperar por uma ambulância pode implicar a morte da pessoa engasgada.

(Estes procedimentos estão homologados pelo CRP e pelo ERC fazendo parte das técnicas de desobstrução da via aérea ministradas pelo INEM para leigos, população geral e TEHP’s)

Augusto Falcão

Artigo–Os Frutos Silvestres – perigos e prazeres!

Hoje falamos de frutos silvestres, daqueles que abundam nos campos em atraentes cachos de cor vermelha, negra ou púrpura. Quem não se lembra, em miúdo, de apanhar amoras, framboesas ou morangos silvestres? No entanto, temos que ter atenção, pois nem todos os frutos silvestres são comestíveis.

Alguns de aspeto mais apetecível são venenosos e até mesmo mortais. Façamos uma viagem por alguns que devemos evitar por completo, a começar pela beladona (Atropa belladonna L.). Todas as partes desta planta são perigosas, desde as bagas até às folhas. Cresce entre ruínas e em jardins abandonados e raramente é cultivada devido à sua elevada toxicidade. Os seus frutos são tóxicos, de cor verde no princípio do verão, passando a negro quando amadurecem (ver imagem). Os sintomas de envenenamento por beladona incluem taquicardia, pupilas dilatadas, alucinação, visão desfocada, garganta seca, entre outros.

O evónimo-europeu (Euonymus europaeus L.), uma árvore ou arbusto alto de copa arredondada, é outra planta perigosa, que surge nos bosques e nas sebes e tem um fruto vermelho-rosado cuja ingestão é prejudicial e pode provocar vómitos intensos no ser humano. O conhecido teixo (Taxus baccata L.), uma espécie arbustiva ou arbórea de copa piramidal ou alargada, tem apenas os frutos escarlates inofensivos sendo que todas as outras partes da planta são altamente venenosas, incluindo as sementes no interior do seu arilo carnudo, tendo um efeito paralisante no coração. Outros sintomas de envenenamento das bagas de teixo podem passar por boca seca, vómitos, vertigens, cólicas, dificuldades em respirar, arritmias, quebras de tensão e desmaio. Outros frutos a evitar são os da briónia (Bryonia dioica L.), do Azevinho (Ilex aquifolium L.) e do alfenheiro (Ligustrum vulgare L.), só para citar algumas plantas.

Referidos que estão alguns dos perigos, convido agora o leitor a deixar-se levar pela imaginação e pelo prazer de apanhar frutos silvestres comestíveis, apreciando em plenitude os seus sabores. As amoras-silvestres (da silva Rubus ulmifolius S.) são os mais conhecidos frutos das moitas. A melhor época para as colher é antes de setembro, pois a partir dessa altura tornam-se moles. As framboesas (do framboeseiro Rubus idaeus L.) pertencem à mesma família das amoras-silvestres e apesar de menos abundantes, são igualmente saborosas, se o leitor me permite a partilha de preferência! O abrunho, fruto do abrunheiro-bravo (Prunus spinosa L.) amadurece no verão e, embora seja comestível, possui um travo ácido, pelo que é mais utilizado para fazer vinho ou aromatizar gin. O conhecido mirtilo (Vaccinium myrtillus L.), o sabugueiro (Sambucus nigra L.) e o morango-silvestre (Fragaria vesca L.) são outras espécies com bagas deliciosas que podem ser apreciadas sem perigos.

Lembre-se desta última recomendação: nunca apanhe frutos silvestres para comer se não tiver a certeza de que são inofensivos e, em caso de dúvida, não lhes toque.

Texto escrito por Ivone Fachada para API

Artigo de Sara Morais– O auto conceito e a Hipnose Clínica

Durante este flagelo epidémico, muito daquilo que é a estrutura que vai de encontro ao nosso “eu” interior foi abalada. Os nossos mapas mentais, criados pelas nossas experiências que concedem ao espaço comportamental e emocional todo o protagonismo de atuação, foi reconfigurado, por outras capacidades e novas formas de transportar o “eu” interior para diferentes conceitos de ser e de estar promovendo a discrepância e dissonância sobre o próprio processo de identificação.

O Auto conceito é um conjunto de ideias, crenças que permitem formar uma definição sobre si mesmo. Esta construção é alicerçada pelas diversas variáveis, desde: as características físicas à personalidade; passando pelos diversos papéis desempenhados na sociedade, a religião, a filosofia, e sobretudo, o tempo que concede a este processo um carácter dinâmico de constante mudança.

A forma como responde à questão: “Quem eu sou?” ou “Quem sou eu?”, e como compreende a respetiva resposta e dimensão interior, influencia, direta e indiretamente, na resposta comportamental e emocional, servindo de alavanca para aumentar a competência social e a relação com o próprio meio que o rodeia.

A Hipnose Clínica tem assumido um papel preponderante, não só enquanto terapêutica, mas, também, enquanto instrumento de desenvolvimento pessoal. Esta ferramenta permite ao sujeito conhecer a si mesmo seguindo vários encadeamentos e técnicas que o possibilitam.

O ato de conhecer a si mesmo, inicia-se logo, de imediato, no processo de indução da própria hipnose. Ao passar de o estado de consciência vígil para o afunilamento da atenção concentrada, o próprio sujeito vai abarcar o conhecimento dos processos indutivos e, por conseguinte, compreender como o seu pensamento e o corpo reagem de forma natural a todo o procedimento.

Ao experienciar a terapêutica promovida pela Hipnose Clínica, o paciente terá, também, a possibilidade de diminuir o senso critico e, desta forma, entrar em contacto com as suas emoções. Surge uma aprendizagem sobre a identificação emocional, assim como a ressignificação das várias experiências, sensações e sentimentos, que vai permitir uma gestão emocional e comportamental aumentada e competente.

A este quociente positivo junta-se aceitação sobre si mesmo fomentado pelo conhecimento das próprias capacidades e limitações diluídas, ao longo do tempo, pelos grilhões das crenças limitadoras. Este processo de libertação resulta na capacidade de compreensão sobre o ato comportamental e emocional, como também promove a concretização das diversas metas e objetivos.

Para concluir, a Hipnose Clínica vincula-se, assim, como a coluna dorsal de um novo mapa mental, uma nova configuração do “eu” neste período pandémico, em que as várias exigências, beliscam diariamente o auto conceito individual e grupal.

A imagem e o conceito criado de si mesmo são as condições base que fazem germinar a autoestima, tema que será abordado no próximo boletim de saúde.

Sara Morais – Hipnoterapeuta

Consultas 91 63 54 106

sfilipa.morais@gmail.com