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Artigos de Opinião

Artigo de opinião-Os tiros nos pés dos sindicatos de professores

Assisti na TV ao eterno Mário Nogueira, líder do sindicato Fenprof a atacar o outro presidente André Pestana, líder do STOP, dando uma imagem de desunião perante o governo. Mas o pior de tudo é que ambos os sindicalistas tiveram afirmações totalmente absurdas a propósito das reivindicações dos professores.

Mário Nogueira ficou preso na questão do tempo de serviço e ataca desalmadamente uma nova geração de professores que não usufruiu de profissionalização paga pelo Estado como havia no tempo em que ele se formou e André Pestana faz afirmações em que convoca uma greve de duas semanas dos professores estando com este anúncio a provocar uma viragem da opinião pública contra a sua própria classe profissional que está farta de greves.

Estes dois sindicalistas estão cada vez mais a barricar-se nas suas lutazinhas pessoais dos professores unicamente com mais de 20 anos de serviço e a abdicar das situações de todas as gerações mais novas.

O governo entendeu bem o “calcanhar de Aquiles” dos professores e a melhor forma de os dividir, pondo os sindicatos a falar contra os colegas de profissão mais novos e sobre o seu pouco tempo de serviço.

Os sindicatos caíram na esparrela e atacaram os professores que têm de pagar um mestrado do seu bolso graças ao tratado de Bolonha para serem professores, ao contrário da profissionalização financiada que havia no tempo dos professores que se queixam de terem ficado com as suas carreiras congeladas por Passos Coelho.

Tenho muitas dúvidas que haja novamente uma mobilização de professores como vimos no passado e até posso arriscar dizer que o Governo ganhou a luta de levantar avante as suas decisões.

A divisão numa luta enfraquece e fere de morte. A meu ver, foi o que aconteceu com a luta dos professores com o governo.

Paulo Freitas do Amaral
Professor de História

Artigo de opinião-A geração “rasca” já é idosa por inércia de ministros compreensivos

“No meu décimo ano de escolaridade, eu e um pequeno grupo de amigos minha da turma de Humanidades do colégio Salesiano de Lisboa, organizou-se para participar na manifestação que viria a apelidar a minha geração de “rasca”.
Esta manifestação tinha como objetivo contestar a decisão da ministra da educação do governo de Cavaco Silva, na intenção de introduzir as provas globais no ensino secundário com um grande peso na avaliação que era necessária na altura para entrar na faculdade.

Éramos na altura, uns meninos do colégio, colegas do atual ministro socialista Duarte Cordeiro que infelizmente ficou nas aulas. No entanto este pequeno grupo a que eu pertencia, sentimos e compreendiamos verdadeiramente que o ativismo da juventude era necessário para a educação e por isso não nos importamos de ter uns carimbos vermelhos de faltas na nossa caderneta salesiana e lá fomos manifestarmo-nos contra a maioria laranja e contra a decisão de Manuela Ferreira Leite.

Não nos passava pela cabeça que esta manifestação iria apelidar a nossa geração praticamente durante a vida toda pois somos uma geração à rasca durante toda a nossa vida neste país.

Senão vejamos: apanhámos a explosão de licenciados que nos bloqueou o acesso ao emprego em 2001, apanhámos pouco depois de organizarmos a vida, casarmos, etc…a crise imobiliária de 2008 que estoirou com as nossas residuais poupanças, depois apanhámos a troika em 2011 até 2015 que ainda nos deixou mais de rastos, depois foi a pandemia em 2019 e agora as guerras em 2023…

O único sonho que ainda resta a esta geração que é filha dos revolucionários de Abril e que prometeram aos sete ventos construir um Portugal melhor, é ambicionar um pouco de dignidade na sua reforma pois estes governos que mandam no país mostram muita compreensão por quem sofre dizem-se compreensivos mas continuam “sem sair da sala” para irem saberem realmente o sentimento de quem sofre…

Os partidos responsáveis por nos trazerem até aqui não podem continuar a ser vistos pelos portugueses como um clube de futebol que se torce durante toda uma vida porque senão do outro lado da barricada, onde está o povo, também haverá quem toda a vida viva em sofrimento e esteja até aos últimos dias numa geração idosa mas ainda “à rasca”…

Paulo Freitas do Amaral
Professor de História

 

Artigo opinião-Dia Mundial do AVC: Um alerta para a luta contra as Doenças Cerebrovasculares

Em Portugal, o acidente vascular cerebral (AVC) permanece como a principal causa de morte e incapacidade em adultos. Contudo, devemos sublinhar uma mensagem de esperança: o AVC é prevenível e tratável. Esta dualidade da doença – o seu potencial devastador, mas também a promessa de prevenção e recuperação – realça a urgência e importância de desenvolver estratégias que possam minimizar o impacto do AVC no nosso país.

O Dia Mundial do AVC, que se assinala a 29 de outubro, não deve ser apenas uma data no calendário, mas uma oportunidade para reflexão e mobilização. Estima-se que uma em cada quatro pessoas sofrerá um AVC ao longo da vida. Dados recentes do estudo internacional “Global Burden of Disease” indicam que o número global de mortes por AVC isquémico subiu de 2,04 milhões em 1990 para 3,29 milhões em 2019, sendo previsto que este valor cresça para 4,90 milhões até 2030. No entanto, cerca de 90% destes episódios poderiam ser evitados com o controlo de fatores de risco vascular, tais como hipertensão, excesso de peso, elevação do colesterol, diabetes mellitus, tabagismo e sedentarismo. Deste modo, reconhecer e controlar estes fatores de risco deve ser o primeiro passo para a prevenção deste flagelo em termos de saúde pública.

Entretanto, a par com a prevenção, é crucial lutar também pela eficácia do tratamento. Uma resposta rápida e adequada a um evento vascular cerebral pode significar a diferença entre a recuperação e a incapacidade permanente. Por isso, é também imperativo que toda a população reconheça os sinais de um AVC, conhecidos como “os 3F”: “Face” (se ao sorrir há uma assimetria da boca), “Força” (se ao tentar levantar os braços um deles descai ou não se move) e “Fala” (se não consegue falar ou o discurso está arrastado). Ao identificar uma destas queixas, é fundamental ligar de imediato para o 112. Os avanços no tratamento do AVC, incluindo a implementação da "Via Verde do AVC", transformaram o prognóstico desta doença. No entanto, o sucesso destes tratamentos reduz-se com o tempo, tornando crucial o reconhecimento imediato dos sinais sugestivos de AVC e a ativação dos serviços de emergência, com pré-notificação e encaminhamento para o hospital que se encontra mais bem preparado para receber cada caso específico.

Assim, e nesta ocasião, devemos recordar que a batalha contra as doenças cerebrovasculares não é apenas uma questão médica, mas uma questão de saúde pública. Por isso, a nossa abordagem deve ser abrangente, envolvendo profissionais de saúde, educadores, decisores políticos e, sobretudo, todos os cidadãos.

Juntos, podemos reconfigurar a epidemiologia do AVC e construir um futuro mais saudável.

Prof.ª Diana Aguiar de Sousa
Neurologista
Membro da Direção da Sociedade Portuguesa do AVC (SPAVC)

Artigo de Luís Miguel Condeço—A violência e a agressão, não são solução

 

 Autor

Luís Miguel Condeço

Professor na Escola Superior de Saúde de Viseu

 

Quando se evoca um dia de combate a algo, não devemos ter uma postura relaxada e inócua. É o que acontece no próximo dia 20 de outubro, em que todos, a uma escala mundial devemos combater o bullying.

Apesar de se tratar de um estrangeirismo, esta palavra que começou a ser utilizada pelo psicólogo sueco-norueguês Dan Olweus na década de 80 do século passado, após o suicídio de três estudantes (vítimas de assédio dos colegas), está amplamente difundida na nossa sociedade, infelizmente!

Este comportamento difere das outras discussões, desentendimentos, intimidações ou conflitos entre pares, pela intencionalidade (propósito de provocar mal-estar ou dominar física ou psicologicamente outra pessoa), pela repetição (prolongado no tempo e repetido), e pelo desequilíbrio entre pessoas (de poder ou de força entre agressor e agredido).

Ocorrendo maioritariamente em contexto escolar, mas não só, podemos classificar este terrível fenómeno quanto ao seu tipo:

  • Físico – a agressão física propriamente dita, como bater, empurrar ou acariciar contra a vontade de alguém.
  • Verbal – os insultos, as ameaças ou os nomes depreciativos.
  • Socio-emocional – o isolamento e a exclusão social ou dos grupos.
  • Cyberbullying – todo o tipo de ameaça ou insulto veiculado através da internet (com forte crescimento na atualidade).

A organização das Nações Unidas para a infância (UNICEF), reconhecia em 2019, que “uma em cada três crianças em todo o mundo é vítima de bullying”, por seu lado, um estudo português de 2020, afirma que praticamente metade dos jovens (que participaram no estudo) já estiveram envolvidos em comportamentos tipificados como bullying, em pelo menos uma vez por mês (quer no papel de agressores ou agredidos).

No ano passado em Portugal, os jovens LGBTQ+ (dos 14 aos 19 anos) foram as vítimas preferenciais. Quanto ao contexto escolar, e segundo dados da Polícia de Segurança Pública, no ano letivo de 2021/2022 registaram-se 2.847 ocorrências criminais deste tipo de situações, das quais 1.169 foram agressões físicas e 752 foram ameaças verbais ou injúrias.

As vítimas de bullying são os jovens mais vulneráveis, isto é, que são percecionados de forma diferente pelos colegas (porque possuem uma deficiência, ou pertencem a uma minoria, ou têm uma caraterística física diferente – ser baixo ou obeso), são introvertidos, têm poucos amigos, ou estão sujeitos a situações de conflito ou violência doméstica.

O “silêncio” é o grande aliado do agressor, pois mais de 60% das vítimas não o denuncia, e quem o faz, leva em média cerca de 13 meses para tomar essa atitude.

Ao assinalarmos o Dia Mundial de Combate ao Bullying, devemos recordar todos os comportamentos de sofrimento e mal-estar perpetuados a muitas crianças e jovens que sentiram e sentem: medo constante; raiva e irritabilidade; apatia, tristeza e baixa autoestima; humilhação e rejeição; isolamento; comportamentos autodestrutivos; dificuldades de aprendizagem e concentração; dor; alterações do sono; dificuldade em relacionar-se com os outros; ou vulnerabilidade à ansiedade, depressão e ideação suicida.

Qualquer adulto que conviva regularmente na família ou na escola com uma criança ou jovem que:

  • Demonstre alterações do humor;
  • Alteração do comportamento habitual;
  • Recusa injustificada em ir à escola;
  • Insucesso escolar;
  • Roupa ou material escolar danificado;
  • Lesões corporais sem explicação;
  • Queixas recorrentes (dor de barriga, por exemplo);
  • Insónias ou pesadelos;
  • Afastamento/isolamento;
  • Violência contra si próprio.

Deve alertar de imediato os pais e educadores/professores, no reconhecimento, recusa e denúncia do problema. O conforto e o apoio nunca deve ser negado, é importante que a criança nunca se sinta sozinha.

            A violência e a agressão não fazem parte de ser criança ou de crescer!

 

Artigo de Augusto Falcão—-As diversas vertentes de outubro

E chegou o outono; desde o dia 23 que oficialmente entramos no outono; a escola começou outra vez, e com ela os já crónicos problemas de início de ano, que aliás, já nem merecem ser notícia porque ano após ano, governo após governo, o problema mantém-se e não se vislumbra resolução; aliás, notícia seria que o ano escolar se iniciou sem problemas.

Os dias, vão ficar cada vez mais curtos e as noites mais longas; boas notícias para quem gosta de dormir mais uma hora já que em outubro a hora deverá mudar para o horário de inverno.

As roupas vão ficar progressivamente mais quentes, já que o frio vai começar a regressar, apesar de as previsões meteorológicas para a primeira quinzena de outubro serem de tempo quente e seco.

Vêm aí as gripes, as constipações, e as outras doenças de estação e claro, como uma desgraça nunca vem só e porque já faz parte da nossa vida, já se fala outra vez da COVID – 19.

Também traz o 5 de outubro; esse feriado nacional que marca o fim do nosso regime monárquico, e a implantação da 1.ª República, que terminou com o golpe de 28 de maio de 1926, que posteriormente deu origem ao Estado Novo e à ditadura de Salazar.

O fim do mês de outubro traz também uma tradição, que embora não seja portuguesa, ( é tão portuguesa como a feijoada ser americana) já faz parte do nosso outubro; refiro-me ao Halloween ou o dia das bruxas; no entanto e apesar de não ser uma tradição portuguesa, o Halloween pode ter raízes cristãs já que alguns historiadores acreditam que esta festa advém de um antigo festival celta durante as colheitas; esta antiga celebração antecede o dia de todos os Santos, dia em que no mundo cristão é tradição relembrar os entes queridos que já partiram acendendo velas e visitando os seus túmulos.

Outubro ainda é, e por fim, o mês cor-de-rosa; o mês de outubro ou Pink October, é o mês dedicado pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, à luta contra o cancro da mama; este conceito nasceu nos anos 90 do século passado, nos Estados Unidos com o objetivo de mobilizar a sociedade civil na luta contra o cancro da mama, de longe o cancro que mais afeta as mulheres.

Em Portugal, a Liga Portuguesa Contra o Cancro, promove a iniciativa “Outubro Rosa” através do Movimento “Vencer e Viver” com a finalidade consciencializar a população para o rastreio, deteção e diagnóstico precoce do cancro da mama, assim como divulgar informação e apoio quer à mulher quer à sua família.

Em 2020, (segundo dados da página web da LPCC) no nosso país, estima-se que 7000 mulheres tenham sido diagnosticadas com cancro da mama e 1800 tenham morrido com esta doença. Apesar de ser o tipo de cancro com maior número de casos na mulher, cerca de 1 em cada 100 cancros da mama desenvolvem-se no homem também; não fique espantado, já que os homens, anatomicamente também têm mamas.

Apesar de não serem conhecidas as causas exatas para o desenvolvimento do cancro quer da mama quer de outros, os fatores de risco devem ser conhecidos e qualquer tipo de cancro quanto mais precocemente diagnosticado maior é a probabilidade de tratamento e cura.

Resta-me desejar-lhe um bom outubro…

 

Artigo de Vítor Santos—-Valorizar o desporto de proximidade: “sintam-se em casa”

Portugal é um país em que as desigualdades são imensas. Um país pequeno e tão dividido entre litoral e interior, entre norte e sul. A responsabilidade é de todos nós. Independentemente da zona do país em que vivamos ou da atividade que exerçamos, somos culpados desta disparidade.

O desporto tem valores e deve servir para unir. Os clubes têm de ser bons anfitriões. Quem visita tem de ser bem recebido e quem é recebido tem de saber ser e estar. Não faz sentido nenhum as Juntas de Freguesia e os Municípios investirem recursos financeiros na promoção das suas terras e na ajuda ao desporto se depois os clubes, por causa de uma bola que bate na trave, deitarem tudo a perder! A rivalidade faz parte do desporto e é muito importante. Só que adversário não é inimigo.

O desporto de proximidade permite um maior convívio entre as pessoas das zonas circundantes.  Podemos e devemos saborear a gastronomia e a doçaria de outras localidades. Visitar sítios diferentes. Se sabemos receber bem quando a atividade não é desportiva, porque nos alteramos quando é? É que o desporto é precisamente o contrário de conflito e violência.

Todos os agentes desportivos (diretores, treinadores, atletas, árbitros, massagistas, etc.) trabalham imenso durante a semana. Dedicam muitas horas à atividade. A verdade é que nas redes sociais todos são peritos em tudo, mas não comparecem nas coletividades na hora que o devem fazer. Discutir desporto com amigos no café não é igual a escrever nas redes sociais. Tal como ter formação académica não é sinónimo de saber ser e estar!

Infelizmente o governo continua sem publicar o estatuto do dirigente associativo. É indispensável nos dias de hoje. Muitos agentes têm responsabilidades acrescidas e muitas horas a trabalhar em prol do associativismo. No final do dia e aos fins de semana tiram horas à família para se dedicarem ao expediente que não foi possível tratar durante o horário normal.

Os clubes têm de refletir se vale a pena em determinado ano competir num campeonato nacional. As receitas tendem a diminuir, as despesas aumentam, a filosofia de jogo altera-se porque se passa de uma equipa vencedora e ofensiva para uma que anda à “caça do ponto”. Isto quando se pode continuar a ser um clube competindo para um bicampeonato!

Cada clube tem o seu próprio ADN e deve fazer sempre uma reflexão sobre o passo seguinte.  Todos queremos sempre mais, mas não podemos hipotecar ainda mais o futuro do associativismo. A sustentabilidade financeira tem de estar sempre presente.

Nos campeonatos distritais trabalha-se bem dentro das condições existentes e em horários tardios. A grande maioria dos treinadores têm formação e sabem o que querem e o que fazem. Os dirigentes começam a ter formação na área. A “técnica” do grito já não chega nos dias de hoje. Os atletas têm mais conhecimentos do jogo. São mais exigentes com o treino e com o comportamento.

A vitimização tão frequente já cansa. Se todos são vítimas, onde está o vilão?! Não existe… Por isso, desfrutem e convivam com desportivismo.

Votos de uma excelente época desportiva 2023/2024.

Vitor Santos

Embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto

Artigo de Sandra Correia—-O regresso às aulas

O mês de setembro representa para muitas crianças, o início de mais um ano letivo, o regresso às aulas e o voltar à rotina novamente. Tudo isto, significa começar a adotar novos hábitos de vida e novos horários para as crianças, exigindo um esforço tanto para os pais como para os filhos. É importante que os pais acompanhem este processo desde o início das aulas, para que os seus filhos se sintam mais confiantes e seguros. Desta forma, deve-se transmitir a ideia de que o regresso à escola é algo positivo, que traz coisas boas, como traçar objetivos e alcançar metas. Para muitas crianças, representa não só o reencontro com amigos e professores, mas também alguma ansiedade e expetativa própria de quem começa um novo ano letivo, ou para quem muda de escola. O regresso às aulas significa para muitas crianças, deveres, obrigações e a ansiedade de voltar a estudar, de comprar o material escolar, de fazer os trabalhos de casa, de arrumar a mochila e escolher a roupa para o dia a seguir. Os pais têm um papel determinante neste processo. Importa frisar que os pais devem ser participantes ativos na educação parental dos filhos, de forma a contribuir para o seu desenvolvimento e aproveitamento escolar. Quando a criança se sente protegida e apoiada, desenvolve mais adequadamente a sua autoestima, e torna-se capaz de enfrentar desafios de forma imediata. É importante o diálogo entre pais e filhos, como forma de promover uma boa relação parental e de qualidade em família: chegar a casa e perguntar ao seu filho como correu o dia, como se sentiu na escola, a partilha dessa experiência é essencial. Não menos importante é o reforço da ideia de que a escola é um lugar onde se adquire conhecimentos, um lugar que nos permite evoluir enquanto pessoa. Para as crianças mais extrovertidas, o regresso às aulas, representa um processo normal de socialização e aprendizagem, manifestam alegria no reencontro com colegas e professores, no entanto, para as mais introvertidas e mais novas, representa alguma dificuldade e resistência à mudança, própria também da sua faixa etária e do seu grau de escolaridade. Neste sentido, torna-se necessário estabelecer o diálogo que promova a importância do que vão aprender, que irão encontrar regras e receber instruções. Embora seja, um lugar de aprendizagem, e de conhecimento, é também um espaço e um tempo que permite serem crianças, com intervalo para a brincadeira. Cultivar atitudes positivas com o seu filho, treinando o “mindfull”, dando abraços ou dando uma boa gargalhada antes de saírem de casa pode contribuir para o seu bem-estar e felicidade ao longo do dia.

Artigo de Sara Morais—As Férias, a Ansiedade e a Hipnose Clínica

Há quem diga que as férias sabem sempre a pouco e que passam tão rápido como o diabo esfrega um olho. Neste período de descanso é pressuposto que o leitor, simplesmente, desligue a corrente do stress das exigências impostas, diariamente, e que nutra o seu “eu” com novas oportunidades capazes de lhe trazem aquela lufada de ar fresco que o faz revigorar. No entanto, a sensação de não estar a trabalhar ou a aproveitar o tempo com tarefas ou atividades produtivas pode transformar esta época num verdadeiro “inferno” de ansiedade.

É comum, algumas pessoas sentirem preocupação e ansiedade durante o período que antecede as férias e o próprio momento de descanso. Umas, porque sentem uma crescente ansiedade não só pela preocupação normal em ir de viagem para locais desconhecidos, mas, também, porque sentem a urgência em viver momentos de prazer. No entanto, existem, também, aqueles leitores que têm dificuldade em desligar a adrenalina do corre-corre do dia-a-dia nos momentos em que se presume o divertimento e o descanso. Nestes últimos, o sentimento de culpa urge contra o repouso e sobrepõe-se à diversão, ao prazer, impossibilitando o leitor de descansar e até de sentir satisfação.

Numa perspetiva orgânica, esta “síndrome de lazer” favorece a sobreprodução de adrenalina e cortisol no corpo, duas hormonas, que contribuem para o desenvolvimento de várias perturbações emocionais e, consequentemente, para um impacto generalizado e prejudicial para a sua saúde física e mental.

A vida não é só trabalho! Como tudo na vida, é preciso estabelecer um equilíbrio entre as partes. A Hipnose Clínica pode servir como um contrapeso no desequilíbrio. Enquanto, ferramenta terapêutica e de desenvolvimento pessoal, o leitor terá a possibilidade de superar as suas dificuldades e promover, assim, estados psicológicos positivos que podem, por sua vez, gerar conexões neurais que produzem, por si só, a sensação de paz interior.

Na verdade, para além de oferecer a alteração natural fisiológica, oferece também o conhecimento do seu “eu” interior. Durante o processo, e porque está livre de fatores de stress esternos, desenvolve um maior controlo sobre as suas emoções. Compreenderá melhor as suas limitações e capacidade de superação e, é nessa altura, que a sua ansiedade é circunscrita. A mente grava, no seu subconsciente, que as férias são, portanto, momentos de grandes oportunidades para se libertar e experimentar novas experiências. Os medos e inseguranças transformam-se em lembranças distantes, o seu comportamento muda, e o tempo cresce para que possa escutar mais o seu “Eu sem que a autocritica bata à sua janela interior.

Assim, aquele “inferno” torna-se num paraíso em que o vai e vem das ondas permite, finalmente, fazê-lo relaxar, o seu cérebro recupera o que resulta na consolidação de conhecimento, do aumento da sua capacidade de memorização, do estímulo do aparecimento de novas ideias e soluções para os demais desafios da vida, atingindo, por fim, a tranquilidade e a felicidade que tanto deseja.

No próximo boletim de saúde poderá verificar mais sobre o regresso ao trabalho e as possíveis influências desse retorno na sua psique.

Sara Morais

Hipnoterapeuta

Artigo de Luís Condeço—O saber não ocupa lugar, mas pesa!

 

Autor

Luís Miguel Condeço

Professor na Escola Superior de Saúde de Viseu

 

O início do ano letivo aproxima-se com tal rapidez, como a temperatura desceu na última semana de agosto. E sem darmos por isso, já as nossas crianças e jovens preparam a sua mochila, os cadernos, os manuais escolares e verificam o estado dos lápis de cor, tão necessários para os projetos desafiantes que encontrarão nas salas de aula.

Mas, por falar em mochila, anteontem reparei que no escritório havia um enorme “saco colorido” com motivos infantis, de tamanho que considero gigante! Fiquei assustado com uma das mochilas da mais nova cá de casa, de tal forma, que procurei uma balança para avaliar o peso – 9 quilograma!

Estudos recentes sugerem um aumento da prevalência e incidência das lesões músculo-esqueléticas nas crianças e adolescentes, que podem evoluir para situações de doença crónica na vida adulta. Estando as causas relacionadas com fatores genéticos ou adquiridos (estilos de vida, tarefas do dia-a-dia, qualidade de vida).

Não obstante, o Programa Nacional de Saúde Escolar da Direção-Geral da Saúde (DGS) indica que as lesões músculo-esqueléticas nos estudantes resultam frequentemente, da sobrecarga física associada ao peso em excesso nas mochilas, à adoção de posturas incorretas, por inadaptação do mobiliário escolar às características antropométricas dos estudantes e à atividade física inadequada.

A ossificação mais incompleta e a grande quantidade de tecido cartilaginoso, atesta da vulnerabilidade do sistema músculo-esquelético das crianças e jovens estudantes, suscetível ao aumento da incidência de lesões na coluna vertebral (dor no pescoço, região dorsal e lombar, e alterações posturais), nos ombros (dor e condicionamento dos movimentos), na anca e joelhos (dor e condicionamento dos movimentos e alterações na pressão plantar). De tal forma, que num estudo de 2020 onde participaram 632 adolescentes de escolas da região norte e centro de Portugal, verificou-se que 47,7% (300 adolescentes) manifestaram lesões músculo-esqueléticas nos últimos 3 meses (nas localizações anteriormente referidas), e destes 57,3% (172 adolescentes) referiram sentir dor moderada ou forte.

Hoje, a evidência científica diz-nos que o peso que uma criança ou adolescente deve transportar na mochila escolar não deverá exceder os 10% do peso corporal da mesma, sendo aceitável um limite máximo de 1/8 (12,5%) do peso corporal do estudante. Contudo, nas crianças com excesso de peso corporal, esta percentagem deve ser considerada com razoabilidade.

Mas que soluções podemos indicar?

A DGS e o Serviço Nacional de Saúde, em resposta a esta problemática, sugerem:

– Optar por mochilas de rodinhas (tipo trolley);

– Utilizar a mochila carregada à altura do dorso (parte média das costas);

– Transportar a mochila nas costas o mínimo de tempo possível;

– Distribuir adequadamente o material escolar dentro da mochila;

– Utilizar as duas alças da mochila;

– Transportar na mochila apenas o material necessário para cada dia;

– Utilizar os cacifos da escola para guardar os manuais que não são necessários;

– Não levar para a escola material desnecessário (brinquedos ou videojogos);

– Utilizar folhas de arquivo em substituição de cadernos.

Podemos concluir que o transporte de mochilas pesadas acarreta lesões e complicações músculo-esqueléticas para as crianças e jovens estudantes, mas para minorar essas consequências, estudos internacionais têm recomendado:

  • O melhoramento do design das mochilas, produzidas com materiais leves e resistentes, ergonómicas e de fácil transporte;
  • A realização de programas de educação postural por professores ou profissionais de saúde no âmbito da Saúde Escolar, como parte do currículo escolar onde se poderão incluir os estudantes e os pais;
  • O rastreio e vigilância regular da postura corporal e avaliação do peso da mochila;
  • Uma política escolar de redução da carga (número de livros), gerindo eficazmente a quantidade de manuais escolares presentes na escola ou em casa, aumentando o número de cacifos para guardar o material escolar;
  • A inspeção das zonas de pressão no corpo relacionadas com a carga excessiva.

Lembro que 9 quilograma, representa 24% do peso corporal de uma das crianças cá de casa! Não tolerem pesos excessivos das mochilas dos vossos filhos, pois as complicações irão fazer-se sentir na idade adulta.

Artigo de Augusto Falcão—-Agosto

 

  Num mundo cada vez mergulhado na guerra que no leste da Europa, teima em não terminar, e estando em campos opostos as duas maiores potências militares do mundo, sendo que uma delas é dona do maior arsenal nuclear do mundo, hoje recordo aqui, para que nunca se esqueça, um pedaço da história da humanidade que teve o culminar a 9 de agosto de 1945.

  Corria o ano de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, o general do exército dos Estados Unidos, Leslie Groves, aborda e recruta Julius Oppenheimer, um físico teórico, que tinha estudado em Harvard e que na altura lecionava na Universidade de Berkeley, para ser o cérebro por detrás do Projeto Manhattan.

  Em 1942, lutava-se a Segunda Guerra Mundial, e quer os Aliados, quer a Alemanha nazi, procuravam novas armas que pudessem fazer pender a balança da guerra para o seu lado; a Alemanha lutava por ganhar essa corrida, já que os Aliados, com a entrada dos Estados Unidos na guerra, a balança militar começava a pender para o lado dos Aliados; a indústria norte americana, começou a concentrar-se no esforço de guerra, e tal como o almirante japonês Yamamoto tinha dito após Pearl Harbor, o gigante adormecido acordou.

  Este programa, altamente secreto, tinha a sua casa no Laboratório de Los Alamos, no Novo México; no entanto a pesquisa e a produção de materiais para o projeto ocorreu em mais de 30 locais diferentes.

  Objetivo: criar uma bomba atómica, uma arma de poder tão destrutivo que iria terminar a guerra, e quem sabe, evitar novas guerras no futuro. Os americanos trabalharam com afinco e ganharam a corrida.

O trabalho do Laboratório culminou na criação de três bombas atómicas, uma das quais foi usada no primeiro teste nuclear, perto Alamogordo (Novo México) em 16 de julho de 1945, tendo sido batizada com o nome de código Trinity. A detonação foi equivalente à explosão de cerca de 20 quilotoneladas de TNT e é considerada como o marco do início da chamada Era Atómica. Mais tarde, Oppenheimer, ao recordar o momento da explosão disse ter-se lembrado das palavras de uma escritura hindu: “Agora eu tornei-me a morte, destruidora de mundos”.

Depois do sucesso da detonação da Trinity, e com a derrota da Alemanha nazi, a guerra no Pacífico continuou com os americanos a prepararem a invasão do Japão; centenas de toneladas de bombas foram largadas sobre as cidades japonesas de forma a preparar a invasão. No entanto, e julgando-se que a invasão teria um custo pesadíssimo em vidas de soldados americanos, Harry Truman, presidente dos Estados Unidos, toma a decisão de usar as novas armas, decisão essa que até hoje nunca mais foi tomada.

Assim a bomba atómica de uranio Little Boy foi lançada sobre Hiroshima, a 6 de agosto de 1945, tendo a bomba atómica de plutónio Fat Man largada sobre Nagasaki, a 9 de agosto de 1945; o Japão rendeu-se a 15 de agosto de 1945.

Estima-se que nos dois meses seguintes as explosões tenham morrido entre 90 000 e 160 000 pessoas em Hiroshima e 60 a 80 000 pessoas em Nagasaki, sendo que metade destas mortes ocorreu no primeiro dia; os efeitos nefastos das explosões mantiveram-se por vários meses tendo muitas pessoas morrido por causa das queimaduras, envenenamento por radioatividade e outras lesões que foram agravadas pelo efeito da radiação.

Sumie Kuramoto, que presenciou e sobreviveu ao ataque, tinha dezasseis anos e recorda:

 “Nunca esquecerei esse momento. Pouco depois das 8 da manhã, houve um estrondo, uma explosão reverberante e, no mesmo instante, um clarão de luz amarelo-alaranjado entrou pelo vidro do telhado. Ficou tudo tão escuro como noite. Um golpe de vento atirou-me no ar e a seguir no chão, contra as pedras. A dor estava apenas começando quando o prédio começou a ruir em torno de mim. Aos poucos o ar se aclarou e eu consegui sair dos destroços. No caminho para um dos centros de emergência vi muita confusão. As ruas estavam tão quentes que queimavam meus pés. Casas ardiam, os trilhos de bonde irradiavam uma luz sinistra e no local de um templo pessoas se amontoavam. Algumas respiravam, a maioria estava imóvel. No pronto-socorro chegava gente correndo, as roupas rasgadas, chorando, gritando. Alguns tinham o rosto ensanguentado e inchado, outros tinham a pele queimada caindo aos frangalhos de seus braços e pernas. Em um bonde vi fileiras de esqueletos brancos. Havia também os ossos de pessoas que tentaram fugir. Hiroshima tinha – se tornado num verdadeiro inferno.”

  Deixo esta recordação, deste sobrevivente a um dos dois únicos ataques nucleares até hoje perpetrados na história da humanidade.

 Num dia quente de agosto, o mês que terminou. Porque quem não compreende os erros do passado, está condenado a repeti-los no futuro.

 

Augusto Falcão