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Artigos de Opinião

Artigo de Sara Morais—Hipertensão e a Hipnose Clínica  

O ser humano, em sua natureza, é dotado de um organismo, este fisiológico e psíquico, e por conseguinte, todo o raciocínio tem um impacto em termos emocionais, que por sua vez, vai promover alterações em termos físicos e vice-versa. A exaustão, o emergente estilo de vida sedentário, a acentuada incapacidade em expressar emoções, experienciada e promovida pelo isolamento e distanciamento social mudaram o panorama emocional e comportamental o que favorece o aparecimento de doenças psicossomáticas.

A Hipertensão, uma das doenças psicossomáticas, demonstra claramente a relação entre as emoções e as alterações fisiológicas fomentadas pelo aumento da pressão sanguínea contra as paredes das artérias. Este desequilíbrio fisiológico poderá surgir quando o leitor experiência emoções negativas, como por exemplo elevados níveis stress ou ansiedade, que não potenciar uma produção excessiva de hormonas como o cortisol, a epinefrina e aldosterona. Estas, vão desencadear um processo inflamatória, ou seja, um aumento da pressão sanguínea, onde a função cerebral é reduzida e o corpo é preparado para dar uma resposta de luta ou fuga.

Esta funcionalidade fisiológica, que outrora surgia como um mecanismo primitivo que permitia a sobrevivência e evolução da nossa espécie, atualmente, e devido ao excesso de níveis de stress imputados pelas exigências dos variados fatores psicossociais, torna-se desenquadrada e disfuncional.

É neste contexto que a Hipnose Clínica surge como uma ferramenta complementar para o resgate do bem-estar. A Hipnose, enquanto fenómeno fisiológico natural e neurológico, evidencia a capacidade de dissociar a razão e a emoção, agindo diretamente sobre o sistema límbico – o cérebro emocional. Durante o estado alterado de consciência, o cérebro deixa de receber as informações do sistema límbico, o que permite que a mente se torne permeável às sugestões terapêuticas. Este procedimento, por si só, propicia, também, um aumento de alguns neurotransmissores, como por exemplo a serotonina, que tem como missão diminuir as hormonas do stress anteriormente referidas.

Em conclusão, o ser humano é composto por um organismo que compreende a correlação entre mente e o corpo. A forma como reage aos fatores psicossociais, é influenciado não só pelo seu regime de crenças, mas também, por pensamentos inconscientes que produzem diversas alterações fisiológicas proporcionando o aparecimento de doenças psicossomáticas como o caso da Hipertensão. No entanto, a Hipnose Clínica, enquanto ferramenta terapêutica complementar, possibilita promover o desenvolvimento do controlo emocional e, assim, diminuir os fatores e as alterações químicas que desencadeiam o mal-estar físico e emocional.

No próximo boletim de saúde poderá verificar mais sobre o papel da Hipnose Clínica na psoríase.

Sara Morais – Hipnoterapeuta

Consultas 91 63 54 106

sfilipa.morais@gmail.com

Artigo de Vítor Santos—Show-off

Show-off

Nos dias em que vivemos, não é surpresa a publicação de notícias respeitantes a um conjunto de questões relacionadas com a violência. Estas situações merecem muita atenção por parte da Comunicação Social. Como o desporto está integrado na sociedade, também ele está sujeito a conviver com estes comportamentos. Daí que o policiamento seja um mal necessário. Os intervenientes no jogo, sejam eles treinadores, jogadores, dirigentes ou árbitros, precisam de se sentir em segurança para poderem disfrutar da prática desportiva, do verdadeiro jogo.

Na formação, os clubes tendem a esconder estes atos de forma a não serem importunados e a manterem uma imagem imaculada, dando a ilusão de que tudo corre sempre bem. A verdade é que semanalmente acontecem casos de violência verbal e mesmo física nos desportos praticados por crianças e jovens. Se estivermos com atenção e observarmos que o público destes jogos é, na sua maioria, constituído pelos familiares dos atletas, estamos perante uma situação muito mais gravosa.

A pressão que hoje é incutida em crianças de tenra idade é, no entanto, a grande diferença em relação ao que acontecia no final do século passado. Sempre houve campos e pavilhões onde todos temiam jogar pelo clima de terror que era criado à volta de cada jogo.

Os pais não acompanhavam os atletas e as situações ocorriam entre os clubes e alguns adeptos malformados e, muitas vezes, alcoolizados. Hoje, os pais são os adeptos e, à força de quererem vencer a todo o custo, adicionam a pressão sobre os filhos, os colegas e treinadores.

Por outro lado, a pressão exercida pelos progenitores leva à criação de expetativas exacerbadas que conduzem a desinteresse e mesmo frustrações muito precoces. O abandono da prática desportiva regista‑se cada vez mais cedo e cada vez atinge um maior número de jovens. Estas vão ser gerações de desportistas frustrados. Quando forem pais, vão ser mais desrespeitosos para com treinadores, árbitros e atletas. Entra-se, pois, nesta espiral de abandono cada vez mais precoce, que leva a pais mais pressionantes, que por sua vez levam a abandono mais precoce.

Em 1000 crianças‑atletas, só uma chega a profissional. Os que não atingem este patamar, como vão vivenciar o desporto?! Se a prática desportiva que conheceram foi a da vitória a qualquer custo, da pressão de ser o melhor, de não ter necessidade de perceber/pensar o jogo, não se pode esperar milagres. Provavelmente vão limitar‑se a ser mais uns adeptos fanáticos de sofá e de redes sociais de um clube de Lisboa ou do Porto.

Por tudo isto, seres humanos normalmente civilizados, educados e serenos chegam a transformar-se em verdadeiros holligans! Urge irradiá‑los dos espaços desportivos. Urge banir a violência física e verbal. Urge educar o sonho dos nossos jovens, mostrando que nem sempre somos os melhores, mas podemos sempre dar o melhor de nós mesmos.

Aquilo a que assistimos no F C Porto – Sporting através da televisão foi um triste espetáculo em que não há inocentes. Não vale a pena atirar a culpa para o outro. O que está mal é todo o sistema de funcionamento da competição e extracompetição. São pessoas a mais à volta do campo, pessoas a mais nos bancos, comunicação tóxica dos clubes, ausências da LPF e FPF, delegados que só buscam pedir camisolas, etc. De liga profissional tem muito pouco.

Preocupam‑se com o acessório e ignoram o essencial. Muito show-off.

Vamos ter esperança de que os órgãos competentes serão mesmo competentes e destemidos, e que os sistemas disciplinares e judiciais desportivos funcionem.

O ensino de valores no e através do desporto é um dever.

 

Vítor Santos

Embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto

 

Artigo de Ana Carolina Marques—“Não é importante as crianças frequentarem o pré-escolar.” Será esta afirmação, ainda ouvida várias vezes, verdadeira?

O cérebro da criança evolui a uma velocidade incrível nos primeiros anos de vida, embora cada criança tenha um ritmo de aprendizagem diferente, de acordo com as suas capacidades.

Uma educação pré-escolar de qualidade tem aspetos muito positivos que levam a um bom desenvolvimento pessoal e social da criança. O ingresso no jardim-de-infância é um marco importante na vida e no seu desenvolvimento saudável. É um iniciar de um ciclo com rotinas, o que não sucedia até ao momento, um iniciar de novos contatos (educadores e pares) e de novas brincadeiras que vão oferecer aprendizagens constantes.

A educação pré-escolar deve ser considerada como a primeira etapa do processo educativo, complementar ao familiar e neste seguimento potencia um desenvolvimento pessoal equilibrado e uma inserção contextualizada na sociedade.

A bibliografia na temática tem evidenciado vários benefícios na frequência do Jardim, nomeadamente: o desenvolvimento social da criança visto que fomenta a inserção em grupos heterogéneos (social e culturalmente), a promoção do respeito pelas diferentes características individuais, a estimulação das relações interpessoais, a promoção de competências comunicativas e a possibilidade de despistar/rastrear possíveis dificuldades precocemente sem que mais tarde a criança registe dificuldades na aprendizagem da linguagem escrita (por exemplo).

O pré-escolar é caracterizado como um contexto educativo facilitador do desenvolvimento de competências fundamentais para uma integração plena e de sucesso das crianças no 1º ciclo. É ainda um espaço único de novas vivências e diferentes experiências. No jardim-de-infância, a criança cresce e aprende sem pressões curriculares. O ambiente educativo é motivador e facilitador de experiências que permitem aprendizagens diversificadas de comunicação, de criatividade, de interação, de resolução de problemas, de pensamento mais abstrato, entre outros exemplos.

Os estudos mais recentes confirmam que a frequência do pré-escolar promove uma inserção positiva no 1º ciclo, ao contribuir para oportunidades de sucesso escolar, especialmente, nas aprendizagens de leitura, escrita e contagem (devido ao contacto anterior com o folhear livros, revistas ou jornais, realizar jogos de letras e palavras, jogos com figuras geométricas e números, entre outros de estímulo cognitivo, fundamentais para incutir futuros hábitos de leitura e de cálculo mental).

As vantagens de frequentar o ensino pré-escolar são imensas, registando-se uma promoção do desenvolvimento cognitivo e comportamental. As crianças desenvolvem competências sociais de cooperação, através da realização de atividades de grupo. A autoestima é tida em conta com a criação de situações que possibilitam o reforço da concentração numa tarefa e o contacto/exploração sensorial, desenvolvendo o autocontrolo e a autoconfiança. A capacidade de resiliência também é estimulada através da realização de atividades que permitem dinâmicas criativas face às contrariedades. Assim é possível promover a imaginação e o sentido crítico da criança, reforçando o otimismo face às adversidades e aceitação positiva de novos desafios.

Conclusão: a afirmação citada é falsa.

 

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

 

Artigo de Paula Miranda- Presença Consciente

Quando falamos em presença consciente, é sermos conscientes de que naquele exato momento, estamos realmente presentes.

A nossa capacidade em podermos escolher ser presentes seja em que situação for, vai muito além do que podemos sequer imaginar.

A presença consciente pode melhorar todo e qualquer relacionamento, pessoal, íntimo ou profissional.

Aqui, agora, escolho focar-me no momento presente e nos relacionamentos familiares e escolares.

A parentalidade consciente, não trata ou baseia apenas a parentalidade enquanto pais, mas também enquanto educadores, quer sejam professores, auxiliares de educação ou mesmo amigos que convivem com a criança em causa.

Eu através do trabalho desenvolvido com o Kids Coaching, abordo muitas vezes este tema pois são os alicerces para uma comunicação não violenta e consciente.

Maior parte de nós fomos educados com base na educação tradicional, ou permissiva.

Hoje podemos escolher educar os nossos filhos ou alunos com base na educação consciente, e acreditem passaremos todos, mas mesmo todos a beneficiar deste tipo de educação, pois seremos muito mais tranquilos e presentes na vida de todos os que nos rodeiam.

Valores base da educação consciente:

 

  • Igual Valor: as opiniões, os desejos, as características, as emoções e os pensamentos de cada um devem ser respeitados e aceites de igual forma e não (des)sobrevalorizados devido à idade, ao sexo ou ao papel familiar.
  • Integridade: a “integridade” é aqui definida como a soma das emoções, dos valores e dos pensamentos de cada um. Cuidar da integridade de cada um, respeitar a própria integridade é um forte contributo para o aumento da sua autoestima e, espontaneamente para o respeito da integridade do outro. O respeito pela própria integridade expressa-se na habilidade em observar as próprias emoções, os próprios pensamentos e valores e na consequente reflexão sobre essa observação. Neste valor é desenvolvida a capacidade de se colocar no lugar do outro – empatia. A forma como este valor é expresso assenta na comunicação parental e não no “facilitismo parental”, isto é, demonstrar a compreensão do que a criança sente/quer não significa anuir que essa vontade seja concretizada quando ela quer. Mais do que fazer a vontade, é importante demonstrar que compreende que ela sinta essa vontade.
  • Autenticidade: significa “credibilidade”; capacidade de se exprimir de forma credível, em momentos de maior harmonia ou conflito. Em ambos os casos, a autenticidade deve suster a interação, expressa na criação de um ambiente de presença, abertura e credibilidade.
  • Responsabilidade: responsabilidade que tem pela própria vida, pelas próprias emoções, pelas ações e pelas escolhas pessoais. É a capacidade de se colocar na causa dos acontecimentos, e não se considerar o efeito ou a vítima do que lhe acontece. A promoção da responsabilidade pessoal é um bom preditor da designação da autonomia da criança.

Através destes valores, é estabelecido um ponto de partida para o desenvolvimento pessoal e para uma educação positiva, consciente dos desafios de ser mais Pessoa!

Com consciência e presença diária, podemos ajudar as nossas crianças através de uma comunicação clara, por forma a que eles compreendam o nosso ponto de vista ou pedido, aumentando assim a sua autoestima, autoconfiança e a sentirem-se incluídos no meio onde estão diariamente, em casa, na escola, etc.

Existem várias técnicas que nos podem ajudar a melhorar as relações entre adulto-criança e também entre pares: adulto-adulto / criança-criança.

Por exemplo:

  • Praticar semanalmente cada uma destas 7 atitudes:

 

  1. Não-julgamento
  2. Paciência
  3. Mente de Principiante
  4. Confiança
  5. Não-esforço
  6. Aceitação
  7. Deixar estar / Deixar ir
  • Encorajar atitudes positivas diariamente
  • Elogiar
  • Responsabilizar sem culpar
  • Ser Exemplo
  • Incutir nas crianças o sentido de pertença, de inclusão e não de exclusão de colegas através de palavras ou atitudes. Coloca-los em perspetiva de: “e se fosse contigo? Ias gostar de te sentir assim?”

“Magoar uma pessoa é como partir um vaso e colar novamente, podemos até esconder os pedaços partidos, mas o vaso nunca mais será o mesmo.”

É isto que acontece quando magoamos outro ser humano, podemos pedir desculpa, remediar o caso, mas ele irá sempre ficar com as marcas. O estado emocional vai quebrar sempre que sinta aquela mesma emoção.

São “estes pequenos nadas” que maior parte das vezes, nós em adultos temos como bloqueios mentais, comportamentais e emocionais.

 

Vamos pensar sobre o assunto e colocar em prática?

 

OBRIGADA

 

Sempre por perto … treecoach9@gmail.com

 

Kids Coaching – Tree Coach

  • Atendimento especializado pais
  • Atendimento, acompanhamento e orientação escolar
  • Atendimento especializado com professores/educadores
    • Estratégias de gestão emocional e comportamental
    • Estratégias para melhor comunicação entre pares
    • Estratégias motivacionais
  • Trabalho individual e coletivo em grupos de crianças mistos

 

Referência bibliográfica:

Övén, M. (2020). Educar com Mindfulness. Porto: Porto Editora

 

Com Amor e Gratidão

Paula Miranda

 

Coach Profissional &Kid Coach

Especialista em Comunicação e PNL

Atendimento Parental e Escolar

Analista Comportamental

 Somos Criadores / Acredita em Ti

Tlm 932 688 567

treecoach9@gmail.com

 

Artigo de Sara Morais– Perturbação Obsessiva Compulsiva e a Hipnose Clínica

Em determinados momentos, o leitor fica preso em algumas ideias persistentes, aqueles pensamentos que, recorrentemente, cercam a sua mente de preocupação, incerteza e medo.  Estes sentimentos, alimentam o viés negativo da mente, assim como promovem comportamentos de verificação e compulsividade no que diz respeito à criação de hábitos repetitivos ou rituais. Situações rotineiras como: o conferir se o carro, está de facto fechado, se as luzes estão apagadas, a contagem recorrente de objetos, a excessiva organização e simetria, ou até mesmo a constante necessidade de limpar, são sinais de alerta de uma POC – perturbação obsessiva compulsiva. Contudo, este tipo de comportamento pode ser classificado por uma simples cisma – comportamento normativo – ou um comportamento patológico se a ideia consumir maior parte do seu tempo e interferir com a sua rotina e com a sua vida pessoal, social e profissional.

A Perturbação Obsessiva Compulsiva é caracterizada por obsessões e compulsões. As obsessões são denominadas pelos pensamentos de risco e envolvem sentimentos de angústia e ansiedade. Este tipo de pensamento é, também, intensificado pela atual situação pandémica, uma vez que a mesma contribuí para a preocupação da contaminação, concedendo espaço para a sustentação da dúvida sobre as suas ações.  Por outro lado, as compulsões surgem do ato repetitivo para aliviar o sentimento de ansiedade causado pelas obsessões, como por exemplo o lavar das mãos, compulsivamente, para evitar o contágio e aliviar o medo de contaminação.

Esta perturbação é transversal, pois atinge tanto crianças como adultos, e tem múltiplos fatores de risco que contribuem para o aparecimento desta perturbação.  Um dos fatores é a própria personalidade do leitor, se a sua personalidade é marcada pela afetividade negativa, pelo perfecionismo ou repressões comportamentais, existe um maior risco de desenvolver o “Tiques” com o objetivo de subscrever os desafios que encontra no seu dia-a-dia. No entanto, se experienciou momentos traumáticos com uma carga de grande repressão emocional e de exigência, se o seu regime de crenças e valores ou autoconceito está em conflito, alicerçado pelo sofrimento emocional; ou se até em termos fisiológicos existe um desequilíbrio dos níveis de serotonina e noradrenalina, então existe uma janela aberta para dar entrada e espaço aos pensamentos obsessivos e compulsivos.

Uma vez que a perturbação surge da esfera emocional e psicológica a Hipnose Clínica assume-se como uma alidade enquanto terapia complementar. A terapêutica promove o estado de relaxamento mental e físico, o que por si só permite reduzir os níveis de ansiedade, e ajuda na libertação natural da dopamina e serotonina, equilibrando os níveis neuro químicos de forma natural sem recurso a medicação. No seguimento, ao aceder ao subconsciente, o leitor terá a possibilidade de compreender, e dar um outro significado, às memórias e experiências traumáticas. Desta forma, é possível reorganizar o pensamento e reprogramar a mente ao eliminar ou alterar os gatilhos que alicerçam a perturbação. Esta, é também indicada de forma preventiva para os leitores que sejam diariamente desafiados por pensamentos de preocupação persistente e que, ainda, não configure uma patologia.

Em jeito de conclusão, a Hipnose Clínica pressupõe o desenvolvimento do autoconhecimento e, por conseguinte, expande a capacidade de interagir com o seu próprio eu interior de forma equilibrada e emocionalmente inteligente.

“É o sinal de uma mente educada ser capaz de entreter um pensamento sem aceitá-lo” Aristóteles

No próximo boletim de saúde poderá ler mais sobre como a Hipnose Clínica pode ajudar na Hipertensão.

 

Sara Morais – Hipnoterapeuta

Consultas 91 63 54 106

sfilipa.morais@gmail.com

Artigo de Vítor Santos—Código de ética para treinadores

Código de ética para treinadores

Necessidade de uma relação EXEMPLAR com os outros agentes

Porquê um código de ética para treinadores? O desporto é uma atividade integrante e importante da sociedade e, como tal, não escapa à avaliação feita pela comunidade em geral. Se a ética de uma decisão ou ação está associada ao certo ou errado, ao justo ou injusto, faz todo o sentido que os treinadores, pelo papel que desempenham, tenham a necessidade de ter, conhecer e cumprir um código de ética.

A mediatização que tem o desporto dá-lhe uma força que nenhuma outra atividade goza. Conhecemos todos o grande investimento que as televisões fazem para terem desporto e tudo o que anda à sua volta, mesmo que sejam só especulações ou suposições. Não se deve generalizar tomando injustamente a parte pelo todo. Mas é o que se faz!

Os treinadores são os agentes centrais do desporto. Ser treinador não é só um emprego ou um part-time. Não pode ser. As suas responsabilidades são acrescidas em relação a um simples cidadão adepto, cumpridor da lei.

A formação de treinadores tem de dar cada vez maior relevância aos comportamentos. Os princípios éticos inerentes a esta atividade são o respeito pelos participantes, a responsabilidade no exercício da atividade do treinador, a integridade nas relações humanas e a dignificação do Desporto. Esta dignificação procura realçar aspetos positivos fundamentais como o fair-play, a competição honesta, o respeito pelo corpo, a integridade e o desenvolvimento pessoal.

O treinador tem de considerar os colegas de atividade como parceiros no que respeita ao desenvolvimento das modalidades desportivas que treinam e fomentar uma saudável relação entre todos os colegas de classe. Não é um inimigo que está do outro lado. Nunca o é.

O comportamento do treinador determinará os comportamentos daqueles que se encontram dentro da sua esfera de ação. Ele, treinador, é o líder. Todas as suas decisões e ações têm um enorme impacto na sua equipa e no público. Mas quantas vezes as propostas e decisões, a interação que estabelece com os diversos agentes desportivos dependem, quase sempre, mais da decisiva influência de fatores de contexto, dos seus objetivos pessoais e da sua personalidade, que dos conhecimentos adquiridos!

Aqui chegados, impõe-se a seguinte reflexão: têm os treinadores sido bons exemplos de desportistas?!

Ensinar a prática dos valores do desporto não é difícil. Difícil é encontrar treinadores / formadores que sejam, eles próprios, exemplos de desportistas e referências éticas incontornáveis. Os treinadores, principalmente os profissionais, devem ser modelos de conduta e assumir as suas responsabilidades. Devem ter consciência de que os seus exemplos são seguidos por muitos e existem mesmo aqueles que os replicam em competições completamente diferentes.

Vítor Santos

Embaixador do PNED

Artigo de Ana Carolina Marques—–Desenvolvimento da Fala  

A fala é uma função complexa que engloba a articulação dos sons da nossa língua, bem como, o seu conhecimento fonológico, através da coordenação de movimentos estruturais e funcionais.

A criança desenvolve a fala desde cedo, muito antes de começar a falar. Utiliza o olhar, a expressão facial e o gesto para comunicar, a partir da interação com os outros. Começa por desenvolver a capacidade da compreensão, incluindo a de discriminar os sons da fala. À medida que isso acontece, desenvolve a expressão que contempla, posteriormente, a fala.

A fala tem duas dimensões: a fonética e a fonologia. A fonética relacionada com os movimentos físicos ao nível da produção e da perceção (independentemente do seu significado) e a fonologia relacionada com a organização do sistema de sons da língua. A sua produção passa necessariamente pela produção da voz (através da vibração das cordas vocais), a qual, para além de controlada pelo sistema nervoso central, envolve três etapas: respiração, fonação e articulação.

Assim, ao longo do processo de aquisição da linguagem, a criança vai reconhecendo progressivamente, os sons com que, na sua língua materna se constroem as palavras que servem para comunicar com os outros. As crianças tentam adaptar a forma de dizer as palavras, de modo a que consigam produzi-las o mais corretamente possível recorrendo ao uso de processos fonológicos, para facilitar a sua produção. A aquisição do sistema fonológico da nossa língua acontece, de forma contínua até aos sete anos de idade. Desta forma, o desenvolvimento fonológico inicia-se através da aquisição de sons simples e com o decorrer dos anos há uma expansão desse sistema fonológico, adquirindo os sons mais complexos.

Atualmente, as alterações da fala e da linguagem constituem o problema mais frequente no desenvolvimento infantil com incidências que variam entre 2 a 19%.

A dificuldade na produção dos sons da fala é diagnosticada quando a criança não articula esse mesmo som, tendo em conta a idade esperada e não são resultado de uma incapacidade física, estrutural, neurológica ou auditiva.

Existem vários sinais de alerta que nos permitem perceber se a criança poderá a vir ter dificuldades na produção dos sons da fala. Entre os quais, se destacam:

  • Aos três anos não se faz entender fora do contexto familiar;
  • Aos quatro anos apresenta uma fala pouco percetível;
  • Aos cinco anos omite ou troca sons nas palavras;
  • Aos seis anos não articula corretamente todos os fonemas do português;
  • Usa gestos em vez de palavras para comunicar.

As alterações no desenvolvimento da fala necessitam de uma avaliação, por parte de um Terapeuta da Fala, quer irá determinar a necessidade ou não de um acompanhamento individualizado, assim como, orientar e acompanhar a família através do fornecimento de estratégias facilitadoras, para melhorar as competências da criança.

Algumas das orientações às famílias deverão ser:

  • Dizer a palavra corretamente, logo após a palavra que a criança tem dificuldade;
  • Quando a dificuldade é num som específico devemos dizer a palavra dando maior entoação a esse som;
  • Evitar o “não é assim que se diz” e usar expressões como “faz como eu”;
  • Não pedir à criança para repetir a palavra em que teve dificuldade para evitar frustração;
  • Elogiar a criança depois desta repetir a palavra, mesmo quando não articula de forma correta;
  • Não infantilizar as palavras através de diminutivos (ex: “cadeirinha”);
  • Usar jogos como “loto”, “dominó”, “puzzles” para promover os sons que a criança tem dificuldade.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

Estudo:Nanoplásticos colocam em risco o bom funcionamento dos ecossistemas de água doce

No âmbito do programa “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.

Estudo conclui que os nanoplásticos colocam em risco o bom funcionamento dos ecossistemas de água doce

Uma equipa de cientistas da Universidade de Coimbra (UC), em colaboração com a Universidade de Aveiro (UA) e a Konkuk University (Coreia do Sul), identificou os possíveis impactos causados por baixas concentrações de nanoplásticos em ecossistemas de água doce e concluiu que concentrações ambientalmente relevantes de nanoplásticos representam um grande risco para os níveis tróficos basais das cadeias alimentares de pequenos ribeiros.

Para chegar a esta conclusão, a equipa do estudo, já publicado no Journal of Hazardous Materials, realizou um ensaio em laboratório «com as menores concentrações de nanoplásticos já testadas, até 25 μg/L [microgramas por litro], com dois tamanhos (100 e 1000 nm [nanómetros]). O objetivo foi avaliar os impactos dos nanoplásticos na atividade (decomposição da matéria orgânica), taxa de reprodução e alterações na comunidade de hifomicetes aquáticos [fungos]. Além disso, verificámos as alterações na qualidade nutricional das folhas expostas aos nanoplásticos. Essas folhas foram depois fornecidas a uma espécie de invertebrados de ribeiros, de forma a avaliar possíveis consequências no seu comportamento alimentar», explica Seena Sahadevan, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e primeira autora do artigo científico.

Em pequenos ribeiros, a decomposição da matéria orgânica é um processo crucial, responsável pela transferência de energia e nutrientes entre os diversos níveis tróficos da cadeia alimentar. Os hifomicetes aquáticos são os principais mediadores desse processo. Estes fungos são capazes de modificar os componentes recalcitrantes da folha, melhorando assim a sua palatabilidade e qualidade nutricional para consumo de invertebrados.

Segundo a investigadora do MARE, os resultados obtidos indicam que «a decomposição, reprodução e a abundância dos fungos são significativamente afetadas por baixas concentrações e tamanho dos nanoplásticos; as partículas de menor tamanho demonstram maior toxicidade». Curiosamente, sublinha Seena Sahadevan, «apenas os nanoplásticos de menor tamanho impactaram a qualidade nutricional das folhas, aumentando a quantidade de ácidos gordos polinsaturados. Não houve alterações visíveis nas taxas de alimentação dos invertebrados, porém observámos um comportamento letárgico nos animais alimentados com folhas expostas a concentrações mais elevadas, indicando uma possível contaminação».

Os nanoplásticos são fragmentos de plástico com tamanho menor que 1000 nm (nanómetros) – aproximadamente o tamanho de um vírus – usados geralmente por indústrias farmacêuticas, de cosmética e produtos de limpeza, podendo também ser derivados da degradação dos macroplásticos que usamos no nosso dia a dia.

A principal preocupação com estes fragmentos plásticos nanométricos é a alta capacidade de interação e reação com outras moléculas e organismos presentes no ambiente. Atualmente, a grande maioria dos estudos que abordam «as consequências dos micro e nanoplásticos na natureza são realizados em ambientes marinhos. No entanto, é importante ressaltar que 1,15 – 2,41 milhões de toneladas dos plásticos presentes nos oceanos são transportados através dos rios», frisam os autores do estudo.

De uma forma geral, este estudo fornece «novos insights sobre os grandes riscos que os nanoplásticos apresentam para o bom funcionamento dos ecossistemas de água doce», sintetiza Seena Sahadevan.

O artigo científico está disponível: aqui.

Cristina Pinto

Assessoria de Imprensa – Universidade de Coimbra – Comunicação de Ciência

 

Artigo:Biomassa – energia renovável?

No âmbito do programa “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.

Biomassa – energia renovável?

A energia da biomassa está a aliciar o interesse de cientistas, responsáveis políticos e agricultores, na sua procura de energias alternativas, renováveis e limpas.

Mas o que é a biomassa? É uma fonte de energia derivada dos produtos das culturas agrícolas, da floresta das culturas energéticas, dos resíduos da indústria da madeira, dos efluentes domésticos, de instalações agropecuárias e de indústrias agroalimentares (lacticínios, matadouros, lagares ou indústrias de transformação de frutos secos, etc.) e dos resíduos sólidos urbanos. No seu conjunto, a biomassa da Terra representa um enorme armazém de energia. Calcula-se que um oitavo da biomassa produzida anualmente poderia satisfazer toda a procura corrente de energia para a Humanidade. E, uma vez que a biomassa pode voltar a crescer, é um recurso potencialmente renovável.

Extrair energia da biomassa é uma prática antiga, datando dos tempos em que as pessoas queimavam lenha para obter calor e luz. Mas só porque a ideia é antiga não significa que não haja a possibilidade de novas tecnologias. Os cientistas estão constantemente a encontrar novas maneiras cada vez mais eficazes de extrair energia da biomassa, a um ponto tal que agora começa a ser tomada seriamente como uma opção de energia futura.

Um dos aspetos mais apelativos da energia da biomassa, é que não contribui para o aumento do efeito de estufa, desde que a biomassa seja colhida de forma sustentável. Carvão, gás, petróleo e outros combustíveis fósseis – os principais culpados do efeito de estufa – não se qualificam como biomassa, apesar de derivarem de material vivo. O tempo requerido para a formação destes combustíveis – milhões de anos – significa que não se podem considerar como renováveis.

Mas, de onde provém a energia? Bem, a fonte original da energia presente na biomassa é o Sol.

Pequenas “fábricas” nas folhas das plantas, chamadas cloroplastos, usam a energia solar (na forma de energia luminosa, ou fotões) juntamente com o dióxido de carbono do ar e água do solo, para fabricarem uma série de componentes. Esses componentes incluem açúcares e celulose – coletivamente chamados hidratos de carbono. A energia original do Sol está agora armazenada nas ligações químicas destes compostos.

Muita desta energia armazenada é passada para os animais quando eles comem as plantas (ou quando comem outros animais). Portanto, plantas, animais e excreções animais – biomassa – podem ser vistos como armazéns de energia solar.

As principais vantagens deste tipo de energia são o seu caráter renovável, o fato de permitir o reaproveitamento de resíduos e a menor poluição produzida, relativamente à da energia obtida a partir de combustíveis fósseis.

Ana Paiva

Ana Paiva é Licenciada em Engenharia Florestal, responsável pelo acompanhamento, execução, orientação, instrução e vigilância das visitas às exposições e atividades do Centro Ciência Viva de Bragança (CCVB), para além do desenvolvimento de estratégias que promovam uma relação, duradoura e inovadora do público com o CCVB e com as suas atividades. Autora de vários planos de ação e atividades direcionadas para os projetos educativos.

 

Artigo:A revisão entre pares abordada no filme “Não Olhem para Cima” é um dos pilares da ciência

No âmbito do programa “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.

Contribuir para o avanço do conhecimento é algo que todos os cientistas ambicionam. Mas para isso, é necessário que as suas descobertas sejam validadas por outros cientistas. Esta validação é feita através do processo de revisão entre pares, um dos pilares do processo científico, mencionado por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrense no filme “Não Olhem Para Cima”.

Se já viu o filme “Não Olhem Para Cima”, de Adam McKay, terá notado que o professor Randall Mindy e a sua doutoranda Kate Dibiasky, interpretados por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrense, questionam o processo científico de revisão entre pares da missão implementada pela BASH, a grande empresa que prometia impedir que o cometa “destruidor de planetas” acabasse com a vida na Terra. Mas afinal o que é que é o processo de revisão entre pares e em que medida é que este seria uma importante ferramenta para escolher a missão mais eficaz para salvar o mundo?

A revisão entre pares é o processo através do qual os cientistas avaliam o trabalho desenvolvido por outros cientistas, sendo um dos principais pilares da ciência. Esta avaliação pode ocorrer em várias etapas do processo científico, mas é mais frequente quando os cientistas que conduziram um determinado estudo submetem o seu trabalho a uma revista científica, com o objetivo de verem as suas descobertas publicadas e disseminadas pela comunidade científica.

Existem pelo menos três fases no processo de revisão entre pares

A primeira fase ocorre no momento em que o artigo é submetido para uma revista científica selecionada pelos autores, de acordo com a área de investigação e com as características do estudo. Nesta fase, o trabalho passa por uma primeira avaliação por parte do editor da revista. Quando são identificadas limitações significativas no trabalho desenvolvido, ou quando a investigação não se enquadra nos objetivos da revista, o artigo é imediatamente rejeitado. Segundo o grupo Elseviers (https://www.elsevier.com/connect/authors-update/5-ways-you-can-ensure-your-manuscript-avoids-the-desk-reject-pile) 30 a 50% dos artigos são rejeitados nesta fase.

A segunda fase ocorre quando o artigo passa nesta primeira avaliação e é enviado para revisão entre pares. O editor convida um, dois ou mais cientistas com experiência reconhecida na área de investigação, designados por revisores. O número de revisores depende da área de conhecimento e da revista científica. Por exemplo, na revista multidisciplinar Nature (https://www.nature.com/nature-portfolio/editorial-policies/peer-review) são usualmente convidados dois ou três revisores por artigo. É importante que os revisores não tenham qualquer ligação direta com o estudo, para evitar potenciais enviesamentos na avaliação.

Aos revisores convidados, é solicitado que analisem, de forma independente e criteriosa, se as hipóteses dos autores são suportadas pela evidência científica; se os métodos implementados são adequados para testar as hipóteses; se os dados foram recolhidos e analisados corretamente; se as conclusões dos autores vão de encontro com os dados obtidos; se acrescenta conhecimento ao já existente; entre outros aspetos. Revistas com processos mais rigorosos de revisão entre pares tendem a ser julgadas como mais prestigiadas pela comunidade científica.

É através destas avaliações e da sua própria perspetiva que o editor consegue filtrar os estudos com qualidade, que serão publicados na revista e consequentemente disseminados pela comunidade científica. Assim, podem acontecer três cenários distintos:

No primeiro cenário, o estudo é avaliado com elevada qualidade e é aceite para publicação, sem qualquer revisão. Este cenário é pouco frequente, já que a maioria dos estudos tem alguns aspetos que podem beneficiar de uma revisão, ainda que mínima.

No segundo cenário, os revisores encontram problemas incorrigíveis que diminuem a qualidade do estudo e, consequentemente, a validade das suas descobertas. Perante uma avaliação negativa deste tipo, o editor geralmente opta pela rejeição do artigo, o que faz com que o mesmo não seja publicado na revista.

Por fim, no terceiro cenário, apesar de considerarem que o estudo tem vários pontos positivos, os revisores apontam aspetos que devem ser melhorados ou esclarecidos.

Aqui, inicia-se a terceira fase do processo de revisão entre pares: os autores são convidados pelo editor a submeter uma versão revista do artigo, de forma a responder às dúvidas e solicitações dos revisores e do próprio editor. Esta versão é avaliada novamente pelos revisores e o processo repete-se até que o editor decida aceitar (caso todas as questões dos revisores tenham sido devidamente respondidas) ou rejeitar o artigo (caso as revisões feitas ao artigo não tenham acrescentado qualidade ao mesmo, existindo problemas que limitam muito a validade das conclusões). No caso da revista The Lancet (https://www.thelancet.com/), uma das mais prestigiadas na área da medicina, apenas 5% dos artigos submetidos são aceites para publicação.

O processo de revisão pode demorar vários meses ou até vários anos, exigindo esforço e dedicação de todos os intervenientes. Porém, estas revisões permitem aumentar a confiança nas descobertas do estudo, ao agregar não só os conhecimentos dos autores, mas também os conhecimentos e críticas dos revisores e do editor.

Existem diferentes tipos de revisões. As mais comuns são as revisões cegas simples, revisões cegas duplas e revisões abertas. Nas revisões cegas simples, os autores não sabem a identificação dos revisores. Nas revisões cegas duplas, os autores não sabem a identificação dos revisores e os revisores também não sabem a identificação dos autores. Por outro lado, nas revisões abertas, a identidade dos autores e dos revisores é conhecida por todos os envolvidos no processo de revisão. Apesar de terem vantagens e desvantagens distintas, todos os tipos de revisões partilham o mesmo propósito: garantir que o conhecimento científico provém de estudos de qualidade, seguindo metodologias rigorosas, baseadas na evidencia científica e não enviesadas por interesses políticos, económicos ou pessoais.

Voltando ao filme, a recusa do CEO da BASH em responder a questões relacionadas com o processo científico da missão, sugere que o mesmo não foi validado por revisão entre pares. Consequentemente, não só não foi possível averiguar a (evidente falta de) qualidade do projeto, a sua base teórica e a adequabilidade da metodologia, como também não foi possível lutar contra um claro enviesamento político e económico na seleção da missão a ser implementada.

É sabido que o processo de revisão entre pares não está isento de limitações, conforme descrito neste artigo publicado na revista Frontiers in Neuroscience (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4444765/). Por exemplo, a revisão entre pares, sendo um processo praticado por humanos, está sujeita a erro ou falhas de comunicação entre os autores e os revisores, e nem sempre é eficaz na identificação de possíveis erros. É também um processo demorado, que pode limitar o acesso atempado a conhecimento científico em momentos mais urgentes, como no contexto pandémico.

No entanto, apesar das limitações, a revisão entre pares no filme “Não Olhem Para Cima” teria ajudado a evitar uma catástrofe global bem ao estilo de Hollywood, mas facilmente transferível para a vida real.

Joana Grave

Licenciada em Psicologia (2012) e Mestre em Psicologia Forense (2014) pela Universidade de Aveiro. Colaborou enquanto investigadora (2016-2018) no Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, e como assistente convidada (2017-2018) na mesma instituição. É atualmente bolseira de doutoramento em Psicologia no Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro, em colaboração com o Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia da Universidade de Tübingen, Alemanha. O objetivo geral da sua investigação passa por compreender a forma como determinadas pistas sociais (em particular, expressões faciais e odores corporais) são percecionadas e modelam processos cognitivos, comportamentais e fisiológicos, tanto na população geral como em certas perturbações mentais. Para além do percurso académico, é membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses desde 2016. Já desempenhou funções de psicologia clínica, psicogerontologia e psicologia da justiça.