A Unidade Local de Saúde da Guarda acolheu, no dia 5 de março, no Auditório Dr. Lopo de Carvalho, a apresentação pública da 𝐀𝐬𝐬𝐨𝐜𝐢𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐀𝐛𝐫𝐚𝐜̧’𝐀 𝐌𝐞𝐧𝐭𝐞 – 𝐀𝐬𝐬𝐨𝐜𝐢𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐅𝐚𝐦𝐢́𝐥𝐢𝐚 𝐞 𝐀𝐦𝐢𝐠𝐨𝐬 𝐝𝐨𝐬 𝐔𝐭𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐃𝐞𝐩𝐚𝐫𝐭𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐬𝐢𝐪𝐮𝐢𝐚𝐭𝐫𝐢𝐚 𝐞 𝐒𝐚𝐮́𝐝𝐞 𝐌𝐞𝐧𝐭𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐔𝐋𝐒 𝐝𝐚 𝐆𝐮𝐚𝐫𝐝𝐚.
Constituída no final de 2023, esta associação representa um importante marco no reforço do apoio aos utentes do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental e às suas famílias, refletindo o contributo e o empenho de familiares, profissionais e da comunidade.
Durante a sessão, a Presidente da Associação, Lesdália Pereira, e a Vice-Presidente, Manuela Chagas, apresentaram a missão e os valores da Abraç’A Mente, destacando a importância do envolvimento das famílias e da comunidade na promoção da saúde mental.
A sessão contou com a presença da Diretora do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental, Sílvia Castro, da Enfermeira Gestora Cândida Ribeiro, da Presidente do Conselho de Administração da ULS da Guarda, Rita Figueiredo, do Diretor Clínico para os Cuidados de Saúde Hospitalares, Nuno Sousa, bem como do Coordenador Nacional das Políticas de Saúde Mental, Miguel Xavier, do Coordenador Regional de Saúde Mental do Centro, Tiago Santos, e da Presidente da Federação Nacional das Associações de Família, Joaquina Castelão.
A criação da Associação Abraç’A Mente constitui um passo importante no fortalecimento da rede de apoio aos utentes e famílias, promovendo uma abordagem mais participativa, solidária e integrada na área da saúde mental.
Saúde
150ºaniversário – Jornadas Técnicas dos Bombeiros Voluntários da Guarda – “Novos Riscos, Novos Desafios
O Corpo de Bombeiros Voluntários da Guarda vai levar a efeito, a realização das Jornadas Técnicas dos Bombeiros Voluntários da Guarda, subordinadas ao tema “Novos Riscos, Novos Desafios”, iniciativa que terá lugar nos próximos dias 10 e 11 de abril de 2026, no Teatro Municipal da Guarda.
Esta iniciativa pretende constituir um espaço de reflexão, atualização técnica e partilha de conhecimento entre profissionais e agentes ligados à área da emergência, proteção civil, saúde e segurança, reunindo especialistas nacionais e internacionais em torno de temáticas particularmente relevantes para os desafios operacionais que atualmente se colocam às estruturas de socorro.
Ao longo destas jornadas serão abordados diversos temas de elevada atualidade, designadamente novas abordagens ao trauma, riscos emergentes associados às novas tecnologias e aos sistemas de construção, incêndios em baterias de iões de lítio, gestão de cenários de crise, apoio emocional aos bombeiros e operações de resgate em condições especiais, contando com a participação de reconhecidos especialistas nestas áreas.
No âmbito desta iniciativa serão igualmente promovidas diversas ações formativas e workshops especializados, a realizar previamente nas instalações dos Bombeiros Voluntários da Guarda, designadamente:
Curso PHTLS – Prehospital Trauma Life Support, nos dias 7 e 8 de abril;
Curso de Primeiros Socorros a Animais, no dia 7 de abril;
Formação em Suporte Básico de Vida e Desfibrilhação Automática Externa, no dia 9 de abril;
Workshop de Defesa Pessoal, igualmente no dia 9 de abril.
Estas iniciativas visam reforçar a capacitação técnica e operacional dos agentes de proteção e socorro, promovendo a atualização permanente de conhecimentos e contribuindo para uma resposta cada vez mais qualificada perante os novos riscos e desafios da atividade operacional.
No âmbito do programa destas jornadas assume igualmente particular relevância a realização de um simulacro operacional, a decorrer no segundo dia da iniciativa, que permitirá recriar um cenário de emergência complexa envolvendo diversos meios e valências operacionais, contando com o envolvimento de vários Corpos de Bombeiros da Região, da Força Aérea Portuguesa e de outras entidades integradas no Sistema de Proteção Civil. Esta ação decorrerá nos Passadiços do Mondego e pretende proporcionar um momento de treino conjunto e de demonstração pública das capacidades de resposta dos agentes de proteção e socorro, permitindo testar procedimentos, promover a articulação interinstitucional e evidenciar, em contexto realista, a importância da preparação, coordenação e prontidão operacional perante situações de elevado grau de exigência.
Importa ainda destacar que a realização destas Jornadas Técnicas se insere no conjunto das iniciativas promovidas no âmbito das Comemorações do 150.º Aniversário da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Egitanienses, marco histórico de particular significado para a instituição e para toda a comunidade. A celebração desta efeméride constitui uma oportunidade para afirmar o compromisso contínuo da Associação e do seu Corpo de Bombeiros com a qualificação, a inovação e o reforço permanente da capacidade de resposta operacional, honrando o legado de gerações de bombeiros que, ao longo de século e meio, colocaram o seu esforço e dedicação ao serviço da proteção e socorro das populações.
Estudo revela novo mecanismo de reorganização cerebral em pessoas com surdez congénita
Um estudo, liderado por uma equipa de cientistas da Universidade de Coimbra (UC), revela novos dados sobre o processamento de informação visual no cérebro de pessoas com surdez congénita (a surdez presente desde o nascimento).
A investigação mostra que o córtex auditivo em pessoas com surdez congénita responde a estímulos visuais também através de desativação neuronal, e não apenas por ativação, como se pensava até agora. Ou seja, em pessoas com surdez desde o nascimento, a região do cérebro que processa informação auditiva também utiliza um padrão de redução de atividade para representar a informação visual. Tal sugere que o cérebro usa variadas estratégias para se adaptar à ausência de um sentido – neste caso, usando o córtex auditivo para processar informação visual.
Este trabalho, publicado na revista Human Brain Mapping, abre novas linhas de investigação sobre como o cérebro processa informação sensorial na ausência de um sentido, ao sugerir que as respostas de redução da atividade do cérebro também desempenham um papel ativo neste processamento. As novas pistas lançadas pelo estudo podem ajudar a refinar dispositivos de alta tecnologia que são usados para restaurar a audição, como os implantes cocleares.
A capacidade de o cérebro reorganizar o seu funcionamento em resposta à privação sensorial – conhecida como plasticidade cerebral – é um tema muito estudado na neurociência, embora muita informação permaneça por conhecer ou esclarecer. “Sabemos que a organização funcional e a estrutura do cérebro sofrem alterações em pessoas privadas de um sentido, e que em surdos congénitos o córtex auditivo é recrutado para processar informação visual”, contextualiza a investigadora e doutoranda da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e coautora do estudo, Joana Sayal. “Em estudos anteriores percebeu-se como a informação visual chegava ao córtex auditivo de pessoas surdas congénitas. Neste estudo, analisamos de que forma é que essa informação está organizada”, elucida.
Para tal, a equipa utilizou ressonância magnética funcional para comparar a atividade cerebral de adultos surdos desde o nascimento e adultos com audição perante estímulos visuais. Num segundo momento, a equipa de investigação aplicou uma técnica avançada, chamada modelação de campos recetivos populacionais (pRF), para analisar as características da representação da informação visual no cérebro.
Os resultados demonstram que, durante a observação de estímulos visuais, o córtex auditivo de pessoas com surdez apresenta predominantemente desativações, um padrão que também pode transportar informação relevante sobre o estímulo visual. Neste processo, o cérebro “reutiliza” áreas que deixaram de receber som para processar detalhes do que as pessoas estão a ver. “Em participantes surdos, o córtex auditivo apresenta respostas visuais espacialmente organizadas – como acontece no córtex visual, denominada organização retinotópica – e essa reorganização sensorial não acontece apenas através de ativações, mas também por mecanismos de supressão ou desativação neuronal, que podem ser igualmente informativos”, explica investigadora da FPCEUC e coautora do estudo, Zohar Tal.
A investigação contou também com a participação do docente e investigador da FPCEUC e diretor do Proaction Lab, Jorge Almeida, e com a colaboração de cientistas da China e do Reino Unido. Foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), pelo Conselho Europeu de Investigação, através do projeto científico ContentMap, e pelo programa ERA Chair Actions, através do projeto CogBooster.
Artigo de Opinião de Luís Miguel Condeço—Amar carregando a dor do outro
Confesso que é atroz acompanhar diariamente as notícias que dão conta da sobrelotação das instituições do Serviço Nacional de Saúde, ou melhor dizendo, do “serviço nacional da doença”. Infelizmente, é nela que nos concentramos todos os dias.
Mas a pessoa doente deve ser atendida de acordo com a sua vulnerabilidade e necessidade de cuidados e, acima de tudo, reconhecida como responsabilidade coletiva de uma sociedade que se deve orientar para o alívio do sofrimento. Muito preocupado com esta dimensão, São João Paulo II instituiu em 1992, o Dia Mundial do Doente (11 de fevereiro), recordando-nos que a doença não é apenas uma experiência individual, mas uma realidade que interpela famílias, profissionais, instituições e comunidades. Cuidar do doente é, em última análise, cuidar da dignidade humana.
Este ano, Sua Santidade o Papa Leão XIV propõe como eixo central a imagem do Bom Samaritano, sob o lema “A compaixão do Samaritano: amar carregando a dor do outro”. Esta expressão traduz uma visão exigente da compaixão, reconhecida na literatura científica e ética como um atributo fundamental de quem cuida. Por isso, não basta reconhecer o sofrimento: é necessário aproximar-se, comprometer-se e agir. A compaixão, nesta perspetiva, é sempre relacional e prática, traduzindo-se em gestos concretos de cuidado, presença e solidariedade.
É precisamente neste ponto que o voluntariado assume um papel estruturante na sociedade. Em contexto hospitalar ou comunitário, o voluntário representa muitas vezes a ponte entre o cuidado técnico e a dimensão humana do acompanhamento. A sua presença não substitui os profissionais, altamente qualificados, tecnicamente treinados e cientificamente preparados, complementa-os, oferecendo tempo, escuta, proximidade e continuidade relacional. O impacto do voluntariado mede-se não apenas em ações realizadas, mas também na qualidade das relações que promove e no sentido de pertença que gera.
Os dados do inquérito nacional” E se o Voluntariado acabasse amanhã?”, promovido pela Confederação Portuguesa do Voluntariado e dirigido a jovens entre os 15 e os 30 anos, ajudam a compreender melhor esta realidade. Os resultados revelam que mais de metade dos jovens inquiridos (cerca de 1900) já praticou voluntariado, sendo a maioria estudantes e mulheres. Entre os que ainda não participaram, uma percentagem significativa manifesta vontade de o fazer, mas refere desconhecimento das oportunidades existentes na sua área de residência. Este dado é particularmente relevante, pois evidencia que a falta de participação nem sempre resulta de desinteresse, mas de défices de informação e de mobilização comunitária.
O mesmo estudo mostra que as principais motivações para o voluntariado se centram no serviço ao próximo, no crescimento pessoal e na compreensão de outras realidades, valores profundamente alinhados com o conceito de compaixão. Estes jovens reconhecem, de forma implícita, que cuidar do outro é também uma via de desenvolvimento humano e social, reforçando a ideia de que o voluntariado beneficia simultaneamente quem recebe e quem oferece ajuda.
A nível local, o trabalho desenvolvido no Município de Fornos de Algodres ilustra bem como o voluntariado pode ser organizado, valorizado e integrado nas políticas sociais. Através da sua Estrutura Municipal de Voluntariado, têm sido promovidas respostas articuladas às necessidades da população, envolvendo cidadãos de diferentes idades em ações de apoio social, combate ao isolamento e promoção do bem-estar comunitário. Estas iniciativas demonstram que a participação cívica, quando devidamente estruturada, pode ter um impacto real e duradouro na qualidade de vida das pessoas.
Num tempo marcado por desafios sociais, demográficos e de saúde cada vez mais complexos, reforçar o voluntariado é investir numa sociedade mais coesa, mais solidária e mais humana. Amar carregando a dor do outro não é apenas um ideal ético ou espiritual; é uma prática quotidiana que se aprende, se exercita e se concretiza através da participação ativa de cada cidadão. Celebrar o Dia Mundial do Doente é, por isso, reafirmar que a compaixão, quando vivida em ação, transforma pessoas, instituições e comunidades.
Autor
Luís Miguel Condeço
Professor na Escola Superior de Saúde de Viseu
Bebé nasce em ambulância dos Bombeiros de Fornos de Algodres a caminho da ULS da Guarda
Cada vez mais, bebés nascem nas diversas ambulâncias dos bombeiros, desta vez, uma bebé nasceu esta quarta‑feira, 11 de fevereiro, no interior de uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Fornos de Algodres, durante o transporte da mãe para a Unidade Local de Saúde da Guarda.
A parturiente, grávida de 39 semanas e residente na localidade da Matança, no concelho de Fornos de Algodres, entrou em trabalho de parto antes de chegar ao hospital. O alerta inicial foi dado por volta das 13h00, mobilizando para o local uma ambulância de socorro com dois operacionais, bem como a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) da Guarda.
Durante o trajeto, o parto evoluiu rapidamente e acabou por ocorrer dentro da ambulância. A bebé nasceu às 14h16, com o apoio coordenado da equipa dos bombeiros e dos profissionais da VMER.
Após o nascimento, mãe e filha foram encaminhadas para a ULS da Guarda, onde deram entrada em estado considerado estável.
Fonte:Bombeiros de Fornos
Bombeiros Voluntários de Vila Franca das Naves e Vila Nova de Tazem em missão em Pombal e Alvaiázere
Os Bombeiros Voluntários de Vila Franca das Naves foram ativados pelo Comando Sub-Regional Beiras e Serra da Estrela , com o VTTU 01 para integrar (BRRA)- Brigada de Reforço de Reabastecimento de Água (BRRA) em apoio a operações que decorrem em Pombal
Os Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Tazem estiveram em missão no concelho de Alvaiázere, integrados no Grupo de Desobstrução da Sub-Região das Beiras e Serra da Estrela, comandado pelo Comandante deste CB.
A missão teve a duração de 32 horas e consistiu em trabalhos de desobstrução de árvores de grande porte com vista à reconstrução de zonas destruídas.
Estiveram envolvidos na operação: 6 elementos e 2 veículos.
Fonte:BVVFN/VNT
Guarda – Equipa de apoio do Município da Guarda enviada para a Marinha Grande para intervir nas zonas afetadas pela depressão Kristin
Na sequência dos graves impactos provocados pela Depressão Kristin na região de Leiria, o Município da Guarda enviou uma equipa de apoio com viaturas operacionais, ferramentas e materiais (lonas, entre outros) para a zona da Marinha Grande, com o objetivo de prestar auxílio às populações afetadas. Esta ação está a ser desenvolvida em articulação com a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, a Câmara Municipal da Marinha Grande, a Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande e a Estrutura de Missão para as Zonas Afetadas pela Depressão Kristin, assegurando uma resposta coordenada e eficaz às necessidades identificadas no terreno.
A equipa destacada pelo Município da Guarda é composta por dez elementos, integrando eletricistas, serralheiros, canalizadores, técnicos e operacionais, e terá como missão principal proceder a um levantamento das necessidades mais urgentes, bem como intervir logisticamente em tudo o que se revele necessário para apoiar as populações afetadas.
Após a conclusão do levantamento das necessidades, o Município da Guarda irá solicitar a colaboração de diversas entidades para a cedência de materiais indispensáveis, que serão posteriormente encaminhados para a zona da Marinha Grande, reforçando a capacidade de resposta local. O Município da Guarda reafirma, desta forma, o seu compromisso de solidariedade institucional e de cooperação intermunicipal, colocando os seus meios ao serviço das populações afetadas por esta situação excecional.
Fonte:MG
Protocolo de Cooperação entre IPO de Coimbra e ÂNIMAS
O IPO de Coimbra e a Associação Portuguesa para a Intervenção com Animais de Ajuda Social (ÂNIMAS) celebraram, hoje, um protocolo de cooperação para a implementação de Serviços Assistidos por Animais, em contexto hospitalar.
Este acordo tem como objetivo a concretização do projeto “CãoForto Hospitalar” ou “PatAmar de Ternura”, destinado a promover o bem-estar, através da promoção de atividades lúdicas, em doentes com necessidades paliativas.
No âmbito deste protocolo, a ÂNIMAS assegura a presença regular de duplas especializadas em Serviços Assistidos por Animais, que desenvolverão sessões semanais, sempre em articulação com os profissionais de saúde da Instituição. As intervenções obedecem a critérios rigorosos de segurança, higiene, ética e acompanhamento clínico, garantindo o respeito pelas normas internas e pela condição das pessoas envolvidas.
O IPO de Coimbra, enquanto Instituição de referência do Serviço Nacional de Saúde na área da oncologia, reforça, assim, a sua aposta na humanização dos cuidados de saúde, integrando práticas complementares que contribuem para a melhoria da qualidade de vida dos doentes e para uma abordagem mais centrada na pessoa.
O protocolo assinado, hoje, prevê a monitorização e avaliação do impacto destas ações.
A cerimónia de assinatura contou com a presença da Presidente e Vogais do Conselho de Administração do IPO de Coimbra, do Presidente da ÂNIMAS e elementos desta Associação.
Fonte:IPO
Artigo de opinião – IVI – Preservar a fertilidade após o diagnóstico de cancro não é apenas uma questão de mulheres
O cancro continua a ser uma das principais causas de doença em Portugal e afeta, de forma crescente, pessoas em idade jovem. Para além do impacto imediato na saúde, o diagnóstico e os tratamentos oncológicos podem ter consequências duradouras na fertilidade, tanto em mulheres como em homens, mas esta é uma realidade que permanece pouco discutida fora do contexto clínico, alerta a médica ginecologista Catarina Marques.
“A quimioterapia e a radioterapia, essenciais no tratamento de vários tipos de cancro, podem comprometer de forma significativa a função reprodutiva. Nas mulheres, estes tratamentos podem acelerar a perda da reserva ovárica ou conduzir a falência ovárica precoce. Nos homens, podem reduzir ou mesmo eliminar a produção de espermatozoides”, frisa a médica do IVI Lisboa. Apesar disso, considera que a preservação da fertilidade masculina continua a ser muito pouco falada, quando comparada com a feminina.
As estimativas internacionais da Organização Mundial de Saúde apontam para um aumento de cerca de 77% nos casos de cancro em todo o mundo até 2050, com mais de 35 milhões de novos diagnósticos anuais previstos, o que reforça a urgência de olhar não apenas para a sobrevivência, mas também para as consequências a longo prazo da doença, incluindo a fertilidade em pessoas em idade reprodutiva.
Para a Dra. Catarina Marques, assinalar o Dia Mundial do Cancro é também uma oportunidade para alargar o olhar sobre as consequências da doença. “Falar de fertilidade depois do diagnóstico de cancro não é apenas falar de maternidade, nem é um tema exclusivamente feminino. É falar de qualidade de vida, de escolhas futuras e do direito à informação”, afirma. E acrescenta que reconhecer que homens e mulheres enfrentam desafios reprodutivos semelhantes após um diagnóstico oncológico é um passo fundamental para uma abordagem mais completa e informada da saúde reprodutiva.
Criopreservar espermatozoides é simples e seguro
A medicina dispõe de soluções eficazes que permitem proteger a fertilidade antes do início dos tratamentos oncológicos. No caso das mulheres, a criopreservação de ovócitos possibilita que o potencial reprodutivo seja salvaguardado para o futuro, sem comprometer a eficácia dos tratamentos nem as taxas de sobrevivência. Nos homens, a criopreservação de espermatozoides é um procedimento simples, seguro e amplamente utilizado, permitindo preservar a possibilidade de vir a ser pai após a recuperação da doença.
“A experiência clínica mostra que, no momento do diagnóstico, a prioridade é naturalmente a sobrevivência. No entanto, é precisamente nessa fase que decisões informadas podem fazer a diferença no futuro”, explica a Dra. Catarina Marques.
Por isso, salienta que receber informação clara e atempada sobre as opções de preservação da fertilidade permite que mulheres e homens mantenham em aberto a possibilidade de parentalidade, mesmo quando esse projeto ainda não está definido.
De acordo com a médica, depois de ultrapassada a doença, o percurso reprodutivo pode variar. Em alguns casos, a fertilidade recupera de forma espontânea. Noutros, é possível recorrer ao material genético previamente preservado para concretizar uma gravidez através de técnicas de reprodução medicamente assistida. “O essencial é que exista acompanhamento especializado e que cada situação seja avaliada de forma individual”, remata.
Por Dra. Catarina MarquesIVI – RMANJ
ULS Guarda reforça aposta na investigação científica
A investigação médica tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante no Hospital Sousa Martins, afirmando a ULS da Guarda como uma instituição comprometida com a inovação científica e a melhoria contínua dos cuidados de saúde.
Através da Unidade de Investigação, têm sido desenvolvidos e acompanhados diversos projetos e ensaios clínicos, com impacto direto na qualidade dos serviços prestados e na capacitação dos profissionais. Destacam-se os trabalhos desenvolvidos pelo Serviço de Pneumologia nas áreas da asma, DPOC, bronquiectasias e cancro do pulmão, muitas vezes em estreita colaboração multidisciplinar.
O diretor do Serviço de Pneumologia, Luís Ferreira, sublinha a importância de existirem estruturas dedicadas: “A investigação é fundamental porque tem impacto direto na qualidade dos serviços prestados e na capacitação dos médicos”. Um dos marcos recentes foi a aplicação de um tratamento biológico inovador para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), que já demonstrou melhorias significativas na qualidade de vida de um doente da ULS da Guarda, com redução de exacerbações e maior autonomia no tratamento.
“O início deste tratamento biológico vai permitir melhorar a qualidade de vida do doente e reduzir o número de exacerbações. Era um doente que já estava a fazer terapêutica optimizada, com aquilo que existe actualmente no mercado, mas mesmo assim tinha agudizações muito frequentes” como explica o pneumologista, João Parreira.
Esta aposta estratégica na investigação reforça a ligação entre ciência e prática clínica, contribuindo para melhores cuidados de saúde e para o posicionamento da ULS da Guarda a nível nacional e internacional. Investigar é cuidar melhor.
Fonte:ULSG
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