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Estudo da Universidade de Coimbra tenta ultrapassar o insucesso da imunoterapia no cancro da bexiga

No âmbito do programa “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) está a estudar possíveis mecanismos de evasão imunitária que limitam o sucesso da imunoterapia no cancro da bexiga, lançando bases para o desenvolvimento de novos fármacos para combater este tipo de tumor que, em fase avançada, tem uma elevada taxa de mortalidade.

Iniciado em 2019, este estudo, de carácter translacional e multidisciplinar, é realizado em parceria com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Centro Hospitalar de Leiria (CHL) e Hospital CUF de Coimbra e designa-se “Inibição da via da adenosina – uma nova abordagem para potenciar a imunoterapia no cancro da bexiga avançado”.

Através de diversos mecanismos, o cancro da bexiga, mais comum nos homens, «consegue ludibriar e inibir a ação do sistema imunitário do nosso organismo, o que lhe permite crescer sem ser destruído pela ação das nossas células imunes (imunoevasão). O nosso projeto centra-se num desses mecanismos para escapar ao sistema imunitário, que está ligado ao metabolismo da adenosina, e que pensamos ser uma das formas através das quais o cancro da bexiga limita a ação dos nossos mecanismos de proteção naturais, reduzindo ainda a eficácia dos fármacos de imunoterapia já utilizados hoje em dia», explica o investigador e médico urologista Frederico Furriel.

Esses fármacos (inibidores da PD-1 e PD-L1), prossegue, «têm eficácia de apenas 20-30%, e isso sucede certamente porque há outras formas através das quais o tumor procede à imunoevasão, nomeadamente a via da adenosina».

Os resultados já obtidos, baseados em análises de amostras clínicas de doentes, evidenciam que o crescimento do cancro da bexiga se faz acompanhar de «uma profunda alteração do microambiente, no sentido de uma maior imunossupressão, o que evidentemente é favorável ao tumor. Por outro lado, conseguimos identificar uma maior expressão da via da adenosina no microambiente tumoral por comparação ao tecido normal», afirma Frederico Furriel, salientando que a descoberta mais importante, até ao momento, «foi apurar que existe uma correlação entre estes factos: quanto maior é a expressão da via da adenosina, maior é a imunossupressão, o que aponta no sentido da nossa hipótese».

A equipa está agora a realizar estudos com um maior número de doentes, para confirmação destas descobertas e, também, para tentar encontrar, «no sangue periférico dos doentes, algum tipo de “assinatura imunológica” que nos permitisse dar uma indicação da atividade da via da adenosina no microambiente tumoral», adianta o investigador principal do projeto.

Em paralelo, os cientistas estão a estudar e manipular experimentalmente a ação da via da adenosina sobre o cancro da bexiga num ambiente controlado, num modelo animal. Estes estudos, que decorrem no Institute for Clinical and Biomedical Research (iCBR) da FMUC, consistem, dito de forma simples, em induzir a «formação de um cancro da bexiga em modelo animal (ratinhos), e depois vamos administrar fármacos capazes de suprimir a via da adenosina, por forma a avaliar se isso leva à redução do tamanho do tumor ou outros parâmetros de melhoria. Vamos também associar estes fármacos àqueles que já são hoje utilizados na imunoterapia, para determinar se essa terapêutica combinada leva a melhores resultados que a terapêutica isolada».

Este estudo, financiado, através de bolsas, pela Associação Portuguesa de Urologia e pela CUF, poderá «lançar as bases para o desenvolvimento e utilização (após ensaios clínicos rigorosos) de fármacos específicos para a via da adenosina, quer em monoterapia quer associados a outros já existentes, levando, em última análise, à melhoria do prognóstico dos doentes com cancro da bexiga. Todos os avanços são bem-vindos para o tratamento de uma doença que, quando numa fase avançada, tem uma elevada taxa de mortalidade», destaca ainda Frederico Furriel.

«Se os nossos resultados forem positivos, poder-se-á, numa fase posterior, avançar para ensaios clínicos em humanos para testar os novos fármacos de imunoterapia, eventualmente em associação aos que já se usam hoje», remata.

Para além de Frederico Furriel, a equipa é constituída por Belmiro Parada, Célia Gomes, Margarida Pereira, Hugo Ferreira, Paula Laranjeira, Vítor Sousa e Artur Paiva, investigadores da FMUC e do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Cristina Pinto

 

 

Crédito Educação: Obter Uma Especialização Nunca Foi Tão Fácil

Os custos para concluir os seus estudos, ou para quem simplesmente especializar-se numa área diferente são elevados. Mas existe uma solução!

Vivemos num período onde é cada vez mais importante obter uma maior diferenciação e valorização a nível profissional, já que no mundo do trabalho existe mais procura do que oferta, principalmente em áreas onde é fundamental ter algum tipo de especialização.

Até mesmo num momento de maior incerteza, um profissional mais especializado numa determinada área ou setor, irá assegurar sempre uma maior vantagem em relação a outros candidatos.

A verdade é que, ainda que existam vários cursos e formações em regime pós-laboral que pode escolher. Quer pretenda uma licenciatura, uma pós-graduação ou até mesmo um mestrado, a flexibilidade que existe ao nível do ensino permite que consiga conjugar o seu trabalho atual com a sua formação.

Ainda assim, não há como contornar o facto deste tipo de especializações necessitarem de um investimento que é para muitas famílias incomportável, já que este tipo de formação pode facilmente ascender aos milhares de euros.

Este é um esforço que vale a pena considerar, já que estará a investir no seu futuro, ou até mesmo no dos seus filhos e, por norma, aprofundar os seus conhecimentos e obter uma especialização pode proporcionar-lhe resultados muito positivos, facilitando a progressão na sua carreira profissional.

Felizmente já existem entidades financeiras que apresentam soluções que permitem a qualquer pessoa avançar com este tipo de projetos pessoais, sendo que a solução mais requisitada é o crédito pessoal com finalidade de educação.

Ao contrário de um crédito dito tradicional, esta modalidade específica permite-lhe financiar o seu plano de estudos de forma simples e descomplicada, já que nos dias de hoje já é possível fazer o seu pedido de forma totalmente online.

Uma das principais entidades que disponibiliza esta solução no nosso país é a Credibom, através do crédito com finalidade de educação, que lhe permite ter acesso a taxas bem mais reduzidas, para além de poder usufruir de outras vantagens disponíveis.

Por norma, este é um tipo de crédito que lhe permite obter condições bastante competitivas, já que as taxas contratadas (TAN e TAEG) chegam a ser menos de metade das taxas utilizadas num crédito pessoal tradicional. No que diz respeito aos prazos de pagamento, estes também são bastante alargados, podendo mesmo chegar aos 7 anos e originando uma prestação significativamente reduzida.

Se estes não são motivos suficientes para o levar a planear a sua formação, saiba que existe ainda um período de carência de capital com uma duração de 12 meses, sendo esta uma vantagem muito comum neste tipo de finalidade.

Isto significa que poderá amortizar o seu crédito apenas após concluir a sua formação, ficando apenas responsável pelo pagamento dos juros, encargo este que acaba por ser residual e ao alcance de todos.

Desta forma, poderá focar-se totalmente no seu curso e no seu trabalho, se decidir conjugar estas duas responsabilidades durante a sua formação.

Em determinados casos, pode até vir a obter uma bonificação extra nas suas taxas, caso venha a demonstrar um bom desempenho durante a sua formação.

Se está a pensar em desenvolver-se enquanto profissional, saiba que para requerer um crédito com finalidade de educação, basta garantir que se encontra numa situação financeira estável, através de rendimentos regulares e um histórico financeiro saudável.

Como as entidades financeiras irão verificar o seu Mapa de Responsabilidades de Crédito, deve garantir que não se encontra numa situação de incumprimento e possui margem na sua taxa de esforço para fazer o seu pedido de crédito.

Esta é uma solução que irá requerer da sua parte um nível de responsabilidade  mais elevado, já que a mesma implica que seja feito um financiamento em seu nome. Ainda assim, deve considerar esta solução como uma oportunidade única de dar o próximo passo na sua carreira profissional, caso não tenha fundos para tal, ou não queira recorrer às suas poupanças pessoais.

Afinal, este é um investimento que irá pagar-se a si próprio, já que ao aumentar a sua formação, estará também a aumentar as probabilidades de avançar mais facilmente na sua carreira profissional, garantindo por sua vez rendimentos mais avultados.

Por: “Redação”

 

“Roadshow Nacional 2022” do Centro Nacional de Cibersegurança no Politécnico da Guarda

O Politécnico da Guarda acolheu esta semana o “Roadshow Nacional 2022” do Centro Nacional de Cibersegurança que sensibiliza para as medidas do regime jurídico da segurança do ciberespaço. A iniciativa contou com responsáveis pela segurança digital de autarquias, de hospitais e de empresas privadas.

O Centro Nacional de Cibersegurança – CNCS escolheu o Instituto Politécnico da Guarda – IPG para realizar ações de sensibilização sobre a segurança informática na Guarda, dirigida aos membros da administração pública, operadores de infraestruturas críticas, operadores de serviços essenciais e prestadores de serviços digitais. Estiveram presentes nas sessões no IPG – nos dias 28 e 29 de março – vários responsáveis pela segurança digital de autarquias, de hospitais e de empresas privadas.

Durante as sessões foi realizado um enquadramento do regime jurídico da segurança do ciberespaço e indicadas as obrigações das entidades, como a escolha de um contacto permanente, de um responsável de segurança, definição de um plano de segurança e de inventário de ativos, análise dos riscos e implementação dos requisitos de segurança.

“Numa altura em que a cibersegurança é uma das maiores preocupações das organizações, é importante que os quadros das instituições da região conheçam as estratégias do CNCS para elevar o nível de segurança digital”, afirma Joaquim Brigas, presidente do IPG. “O Politécnico da Guarda tem feito uma grande aposta da área da segurança informática e na formação de quadros especializados: fomos primeira instituição de ensino superior do país a lançar um curso na área da cibersegurança”.

Segundo Pedro Pinto, responsável pela cibersegurança do IPG, “a sensibilização é uma das mais importantes armas no combate às ameaças digitais. A cibersegurança ganhou grande importância devido aos poderosos ataques que afetaram este ano várias entidades e empresas em Portugal. Nesse sentido, é fundamental ter bem definidas e implementas todas as obrigações do Decreto-Lei n.º 65/2021”.

O CNCS tem por missão contribuir para que cidadãos e empresas usem o ciberespaço de uma forma livre, confiável e segura. Nesse sentido, está a realizar um Roadshow Nacional 2022 que capacita instituições de ensino e culturais de todo o país para que cumpram o regime jurídico da segurança do ciberespaço e a regulamentação referida no Decreto-Lei n.º 65/2021 de 30 de julho.

António Rio Costa, consultor do departamento de Desenvolvimento e Inovação do CNCS, referiu que o Roadshow Nacional constitui uma oportunidade de aproximação do CNCS com as entidades locais e regionais, aproveitando a iniciativa para dar conta de que o presente regime jurídico do ciberespaço, mais que um instrumento legal, deve ser uma oportunidade para o caminho da maturidade das organizações na área de Cibersegurança. Este tema é realçado durante as várias sessões do Roadshow Nacional, que se iniciou a meio de fevereiro e terminará em abril nas regiões autónomas após ter percorrido todo país.

Artigo-O céu de março de 2022

No âmbito do programa “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.

Este ano a quarta-feira de cinzas coincide com a Lua Nova. Tal fase lunar ocorre quando a Lua se situa na direção do Sol, sendo ofuscada por este. Igualmente por estes dias os planetas Júpiter e Neptuno encontram-se em direções muito próximas da solar, só sendo observáveis (com binóculos no caso de Neptuno) mais perto do final do mês.

Igualmente neste mesmo dia 2 ocorre a conjunção (maior aproximação) entre os planetas Mercúrio e Saturno. Mas enquanto Saturno será visível ao final da madrugada durante todo o mês, Mercúrio ir-se-á aproximando rapidamente da direção do Sol, deixando de poder ser visto a meados de março.

Na noite de dia 8 a Lua apresentar-se-á junto do aglomerado estelar das Plêiades (também chamado de Sete-Estrelo). Para quem tiver alguma imaginação este conjunto de estrelas que se formaram juntas parece um exame de moscas sobrevoando o dorso da constelação do Touro. Dois dias depois, i.e., aquando do quarto crescente de dia 10, a Lua já se terá deslocado até à ponta dos chifres desta mesma constelação.

A seu turno, a última Lua Cheia deste inverno terá lugar no dia 18 junto à constelação da Virgem, enquanto o nosso satélite natural só atingira a fase de quarto minguante na madrugada de dia 25, estando já bem a meio da constelação de Sagitário.

Mas antes destas duas efemérides, no dia 16 teremos a conjunção dos planetas Vénus e Marte e depois delas, teremos uma nova conjunção planetária na madrugada de dia 29, desta vez envolvendo Vénus e Saturno.

De notar que por estes dias Vénus encontra-se numa direção bastante afastada da solar, atingindo a sua maior elongação (afastamento) para oeste na manhã do dia 20.

À medida que a Terra se vai deslocando ao redor do Sol, este nos vai aparecendo projetado contra diferentes regiões da esfera celeste. Assim, desde o início do ano o Sol tem parecido deslocar-se cada vez mais para noite. Assim às 15 horas 33 minutos de dia 20 o Sol aparecerá projetado acima do equador celeste, em consequência de se encontrar por cima do equador terrestre. Tal alinhamento igualmente implicará que os hemisférios norte e sul terrestres estarão iluminados de igual forma, daí o nome desta efeméride: equinócio. A partir deste instante o nosso hemisfério passará a ser o que está mais iluminado, dando assim início à primavera.

Outra das consequências do Sol “ir-se deslocando” cada vez mais para norte é que aos poucos este vai nascendo mais cedo. Uma forma simples de aproveitar estes minutos extra de exposição solar é levantando-nos cada vez mais cedo. Para tal ou adiantamos o despertador ou adiantamos a hora: este último é o princípio por detrás da mudança para a hora de Verão. Em Portugal esta mudança de hora acontece à uma hora da madrugada (hora continental) do último domingo de março. Em 2022 tal irá ocorrer no dia 27.

A última atividade deste mês será ver como entre as madrugadas de dia 28 e 30 a Lua ter-se-á deslocado da constelação do Capricórnio (onde encontraremos os planetas Vénus, Marte e Saturno) até junto de Júpiter.

 

 

Boas observações!

 

Por: Fernando J.G. Pinheiro (astrónomo)

 

Figura: céu a sudeste ao início da manhã de dia 15. Igualmente é visível a posição do Sol, da Lua e dos planetas Mercúrio, Vénus, Júpiter e Saturno no dia 28.

(imagem adaptada de Stellarium)

 

 

Fernando J.G. Pinheiro é investigador do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e do CITEUC – Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra.

Candidatura do AEFA à Rede de Clubes Ciência Viva na Escola foi APROVADA

Os Clubes Ciência Viva funcionam nas escolas como espaços abertos de contacto com a ciência e a tecnologia, para a educação e para o acesso generalizado dos alunos a práticas científicas, promovendo o ensino experimental das ciências.

Assim, o Clube Ciência Viva desenvolverá atividades em diversas áreas: Ambiente, Artes, Ciências Naturais, Eletrónica, Eletricidade, Físico-química, Informática, Matemática, Música, Programação, Robótica, Saúde e Sustentabilidade. Envolverá os alunos desde o Ensino Pré-Escolar até ao 12º ano de escolaridade e decorrerá até 31/08/2025.

Esta candidatura permitirá equipar uma sala para o funcionamento do Clube Ciência Viva, fazer saídas de campo e visitas de estudo, palestras (algumas com cientistas), workshops, etc.

Um agradecimento especial à coordenadora da candidatura Prof.ª Bernardete Barata e aos Prof. Mário Ventura e Artur Oliveira, por todo o empenho e trabalho desenvolvido.

Estudo:Nanoplásticos colocam em risco o bom funcionamento dos ecossistemas de água doce

No âmbito do programa “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.

Estudo conclui que os nanoplásticos colocam em risco o bom funcionamento dos ecossistemas de água doce

Uma equipa de cientistas da Universidade de Coimbra (UC), em colaboração com a Universidade de Aveiro (UA) e a Konkuk University (Coreia do Sul), identificou os possíveis impactos causados por baixas concentrações de nanoplásticos em ecossistemas de água doce e concluiu que concentrações ambientalmente relevantes de nanoplásticos representam um grande risco para os níveis tróficos basais das cadeias alimentares de pequenos ribeiros.

Para chegar a esta conclusão, a equipa do estudo, já publicado no Journal of Hazardous Materials, realizou um ensaio em laboratório «com as menores concentrações de nanoplásticos já testadas, até 25 μg/L [microgramas por litro], com dois tamanhos (100 e 1000 nm [nanómetros]). O objetivo foi avaliar os impactos dos nanoplásticos na atividade (decomposição da matéria orgânica), taxa de reprodução e alterações na comunidade de hifomicetes aquáticos [fungos]. Além disso, verificámos as alterações na qualidade nutricional das folhas expostas aos nanoplásticos. Essas folhas foram depois fornecidas a uma espécie de invertebrados de ribeiros, de forma a avaliar possíveis consequências no seu comportamento alimentar», explica Seena Sahadevan, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e primeira autora do artigo científico.

Em pequenos ribeiros, a decomposição da matéria orgânica é um processo crucial, responsável pela transferência de energia e nutrientes entre os diversos níveis tróficos da cadeia alimentar. Os hifomicetes aquáticos são os principais mediadores desse processo. Estes fungos são capazes de modificar os componentes recalcitrantes da folha, melhorando assim a sua palatabilidade e qualidade nutricional para consumo de invertebrados.

Segundo a investigadora do MARE, os resultados obtidos indicam que «a decomposição, reprodução e a abundância dos fungos são significativamente afetadas por baixas concentrações e tamanho dos nanoplásticos; as partículas de menor tamanho demonstram maior toxicidade». Curiosamente, sublinha Seena Sahadevan, «apenas os nanoplásticos de menor tamanho impactaram a qualidade nutricional das folhas, aumentando a quantidade de ácidos gordos polinsaturados. Não houve alterações visíveis nas taxas de alimentação dos invertebrados, porém observámos um comportamento letárgico nos animais alimentados com folhas expostas a concentrações mais elevadas, indicando uma possível contaminação».

Os nanoplásticos são fragmentos de plástico com tamanho menor que 1000 nm (nanómetros) – aproximadamente o tamanho de um vírus – usados geralmente por indústrias farmacêuticas, de cosmética e produtos de limpeza, podendo também ser derivados da degradação dos macroplásticos que usamos no nosso dia a dia.

A principal preocupação com estes fragmentos plásticos nanométricos é a alta capacidade de interação e reação com outras moléculas e organismos presentes no ambiente. Atualmente, a grande maioria dos estudos que abordam «as consequências dos micro e nanoplásticos na natureza são realizados em ambientes marinhos. No entanto, é importante ressaltar que 1,15 – 2,41 milhões de toneladas dos plásticos presentes nos oceanos são transportados através dos rios», frisam os autores do estudo.

De uma forma geral, este estudo fornece «novos insights sobre os grandes riscos que os nanoplásticos apresentam para o bom funcionamento dos ecossistemas de água doce», sintetiza Seena Sahadevan.

O artigo científico está disponível: aqui.

Cristina Pinto

Assessoria de Imprensa – Universidade de Coimbra – Comunicação de Ciência

 

Município de Penalva do Castelo é o quarto mais equilibrado financeiramente em Portugal

O Município de Penalva do Castelo ocupa a 4ª posição, entre 308 concelhos, com maior equilíbrio orçamental no ano de 2020 , sendo o 2º do Distrito de Viseu, atrás do concelho Cinfães, com um resultado positivo de 75,3%, dados avançados pelo Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses.

O índice de equilíbrio orçamental é um dos indicadores que permite verificar o ajustamento da despesa à receita certa e permanente dos municípios, com vista à promoção da sua sustentabilidade financeira, é a comparação entre a receita bruta cobrada e despesa corrente paga acrescida dos pagamentos das amortizações de empréstimos de médio e longo prazo.

O Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses agora publicado apresenta uma análise económica e financeira das contas dos 308 municípios relativas ao exercício económico de 2020.

“Seminário de Modernização e Inovação na Região Viseu Dão Lafões”

A Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões, no dia 27 de janeiro, realiza o “Seminário de Modernização e Inovação na Região Viseu Dão Lafões”.

Este evento que terá lugar, no Auditório do Balneário Rainha Dona Amélia, na Cidade de São Pedro do Sul, surge no âmbito da candidatura “Modernização Administrativa na Região Viseu Dão Lafões – Um modelo, catorze municípios”, financiada pelo programa operacional CENTRO2020, com um valor superior a 2,7 milhões de €.

Sob o mote da transformação digital e inovação dos serviços públicos e do estímulo à participação e inclusão dos cidadãos, esta iniciativa pretende dar uma perspetiva de como uma estratégia adequada, suportada pelas melhores soluções, pode ser utilizada para promover o envolvimento dos cidadãos na gestão dos territórios e simplificar a sua relação com as autarquias.

Nesta conferência serão apresentadas diversas iniciativas de mudança, inovação e transformação digital a decorrer nos municípios da região Viseu Dão Lafões, nomeadamente o projeto “Ourcity: Potenciar a Gestão Pública de proximidade com o cidadão”, a “Transformação Digital no Urbanismo”, o “Portal do Munícipe de São Pedro do Sul”, ou ainda “Transformação digital das cidades e regiões inteligentes”.

Entre outros oradores, este simpósio conta com intervenções do Presidente da Câmara Municipal de São Pedro do Sul, Vítor Figueiredo; do Vogal do Conselho Diretivo da AMA, Paulo Mauritti; do Presidente da CIM Viseu Dão Lafões, Fernando Ruas; do Secretário Executivo da CIM Viseu Dão Lafões, Nuno Martinho; e, ainda, do Professor da Nova Information Management School, Miguel Castro Neto.

O programa deste evento encontra-se disponível em: https://bit.ly/3Ac8zP2

Artigo:A revisão entre pares abordada no filme “Não Olhem para Cima” é um dos pilares da ciência

No âmbito do programa “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.

Contribuir para o avanço do conhecimento é algo que todos os cientistas ambicionam. Mas para isso, é necessário que as suas descobertas sejam validadas por outros cientistas. Esta validação é feita através do processo de revisão entre pares, um dos pilares do processo científico, mencionado por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrense no filme “Não Olhem Para Cima”.

Se já viu o filme “Não Olhem Para Cima”, de Adam McKay, terá notado que o professor Randall Mindy e a sua doutoranda Kate Dibiasky, interpretados por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrense, questionam o processo científico de revisão entre pares da missão implementada pela BASH, a grande empresa que prometia impedir que o cometa “destruidor de planetas” acabasse com a vida na Terra. Mas afinal o que é que é o processo de revisão entre pares e em que medida é que este seria uma importante ferramenta para escolher a missão mais eficaz para salvar o mundo?

A revisão entre pares é o processo através do qual os cientistas avaliam o trabalho desenvolvido por outros cientistas, sendo um dos principais pilares da ciência. Esta avaliação pode ocorrer em várias etapas do processo científico, mas é mais frequente quando os cientistas que conduziram um determinado estudo submetem o seu trabalho a uma revista científica, com o objetivo de verem as suas descobertas publicadas e disseminadas pela comunidade científica.

Existem pelo menos três fases no processo de revisão entre pares

A primeira fase ocorre no momento em que o artigo é submetido para uma revista científica selecionada pelos autores, de acordo com a área de investigação e com as características do estudo. Nesta fase, o trabalho passa por uma primeira avaliação por parte do editor da revista. Quando são identificadas limitações significativas no trabalho desenvolvido, ou quando a investigação não se enquadra nos objetivos da revista, o artigo é imediatamente rejeitado. Segundo o grupo Elseviers (https://www.elsevier.com/connect/authors-update/5-ways-you-can-ensure-your-manuscript-avoids-the-desk-reject-pile) 30 a 50% dos artigos são rejeitados nesta fase.

A segunda fase ocorre quando o artigo passa nesta primeira avaliação e é enviado para revisão entre pares. O editor convida um, dois ou mais cientistas com experiência reconhecida na área de investigação, designados por revisores. O número de revisores depende da área de conhecimento e da revista científica. Por exemplo, na revista multidisciplinar Nature (https://www.nature.com/nature-portfolio/editorial-policies/peer-review) são usualmente convidados dois ou três revisores por artigo. É importante que os revisores não tenham qualquer ligação direta com o estudo, para evitar potenciais enviesamentos na avaliação.

Aos revisores convidados, é solicitado que analisem, de forma independente e criteriosa, se as hipóteses dos autores são suportadas pela evidência científica; se os métodos implementados são adequados para testar as hipóteses; se os dados foram recolhidos e analisados corretamente; se as conclusões dos autores vão de encontro com os dados obtidos; se acrescenta conhecimento ao já existente; entre outros aspetos. Revistas com processos mais rigorosos de revisão entre pares tendem a ser julgadas como mais prestigiadas pela comunidade científica.

É através destas avaliações e da sua própria perspetiva que o editor consegue filtrar os estudos com qualidade, que serão publicados na revista e consequentemente disseminados pela comunidade científica. Assim, podem acontecer três cenários distintos:

No primeiro cenário, o estudo é avaliado com elevada qualidade e é aceite para publicação, sem qualquer revisão. Este cenário é pouco frequente, já que a maioria dos estudos tem alguns aspetos que podem beneficiar de uma revisão, ainda que mínima.

No segundo cenário, os revisores encontram problemas incorrigíveis que diminuem a qualidade do estudo e, consequentemente, a validade das suas descobertas. Perante uma avaliação negativa deste tipo, o editor geralmente opta pela rejeição do artigo, o que faz com que o mesmo não seja publicado na revista.

Por fim, no terceiro cenário, apesar de considerarem que o estudo tem vários pontos positivos, os revisores apontam aspetos que devem ser melhorados ou esclarecidos.

Aqui, inicia-se a terceira fase do processo de revisão entre pares: os autores são convidados pelo editor a submeter uma versão revista do artigo, de forma a responder às dúvidas e solicitações dos revisores e do próprio editor. Esta versão é avaliada novamente pelos revisores e o processo repete-se até que o editor decida aceitar (caso todas as questões dos revisores tenham sido devidamente respondidas) ou rejeitar o artigo (caso as revisões feitas ao artigo não tenham acrescentado qualidade ao mesmo, existindo problemas que limitam muito a validade das conclusões). No caso da revista The Lancet (https://www.thelancet.com/), uma das mais prestigiadas na área da medicina, apenas 5% dos artigos submetidos são aceites para publicação.

O processo de revisão pode demorar vários meses ou até vários anos, exigindo esforço e dedicação de todos os intervenientes. Porém, estas revisões permitem aumentar a confiança nas descobertas do estudo, ao agregar não só os conhecimentos dos autores, mas também os conhecimentos e críticas dos revisores e do editor.

Existem diferentes tipos de revisões. As mais comuns são as revisões cegas simples, revisões cegas duplas e revisões abertas. Nas revisões cegas simples, os autores não sabem a identificação dos revisores. Nas revisões cegas duplas, os autores não sabem a identificação dos revisores e os revisores também não sabem a identificação dos autores. Por outro lado, nas revisões abertas, a identidade dos autores e dos revisores é conhecida por todos os envolvidos no processo de revisão. Apesar de terem vantagens e desvantagens distintas, todos os tipos de revisões partilham o mesmo propósito: garantir que o conhecimento científico provém de estudos de qualidade, seguindo metodologias rigorosas, baseadas na evidencia científica e não enviesadas por interesses políticos, económicos ou pessoais.

Voltando ao filme, a recusa do CEO da BASH em responder a questões relacionadas com o processo científico da missão, sugere que o mesmo não foi validado por revisão entre pares. Consequentemente, não só não foi possível averiguar a (evidente falta de) qualidade do projeto, a sua base teórica e a adequabilidade da metodologia, como também não foi possível lutar contra um claro enviesamento político e económico na seleção da missão a ser implementada.

É sabido que o processo de revisão entre pares não está isento de limitações, conforme descrito neste artigo publicado na revista Frontiers in Neuroscience (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4444765/). Por exemplo, a revisão entre pares, sendo um processo praticado por humanos, está sujeita a erro ou falhas de comunicação entre os autores e os revisores, e nem sempre é eficaz na identificação de possíveis erros. É também um processo demorado, que pode limitar o acesso atempado a conhecimento científico em momentos mais urgentes, como no contexto pandémico.

No entanto, apesar das limitações, a revisão entre pares no filme “Não Olhem Para Cima” teria ajudado a evitar uma catástrofe global bem ao estilo de Hollywood, mas facilmente transferível para a vida real.

Joana Grave

Licenciada em Psicologia (2012) e Mestre em Psicologia Forense (2014) pela Universidade de Aveiro. Colaborou enquanto investigadora (2016-2018) no Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, e como assistente convidada (2017-2018) na mesma instituição. É atualmente bolseira de doutoramento em Psicologia no Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro, em colaboração com o Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia da Universidade de Tübingen, Alemanha. O objetivo geral da sua investigação passa por compreender a forma como determinadas pistas sociais (em particular, expressões faciais e odores corporais) são percecionadas e modelam processos cognitivos, comportamentais e fisiológicos, tanto na população geral como em certas perturbações mentais. Para além do percurso académico, é membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses desde 2016. Já desempenhou funções de psicologia clínica, psicogerontologia e psicologia da justiça.