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Liturgia do III Domingo do Tempo Comum – ano C

1 a)         Vários acontecimentos da História recente podem servir para ilustrar a situação descrita na primeira leitura da Liturgia deste Domingo. Depois do regresso do exílio e de reconstruída a cidade de Jerusalém, o povo reúne-se agora para iniciar a sua nova vida. É exactamente na Lei do Senhor que Israel encontra a “norma” e o sentido da vida. Tem lugar então a grande Assembleia de escuta da Palavra de Deus: durante toda a manhã, o povo escutou atentamente as Palavras do Livro da Lei de Deus, e muitos emocionaram-se e choravam. De tarde, teve lugar o convívio, a festa. Esta vivência do Povo de Israel tem a sua ressonância noutras vivências de outros povos ao longo da História. Israel experimentou as amarguras do cativeiro, mas finalmente soou a hora da liberdade e a reconstrução nacional apresenta-se agora como objectivo. Israel só pode reconstruir a sua vida com Deus, em quem teve a origem como povo. Deus é verdadeiramente o grande companheiro na marcha da libertação e da liberdade.

  1. b)        O Evangelho de São Lucas, ao relatar a primeira visita de Jesus a Nazaré, terra onde cresceu, apresenta-o a proclamar este trecho de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu. Enviou-me para anunciar a Boa Nova aos pobres, a proclamar a libertação aos cativos e a vista aos cegos, a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável do Senhor”.

  1. c)         A missão de Jesus é libertadora e a história da Cristandade está recheada de gestos libertadores. São Paulo diz que todos somos chamados para constituirmos um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou homens livres (2ª leitura). Liberdade e Deus parecem ser, nesta Liturgia, duas realidades inseparáveis: Deus é quem liberta e é com Deus que se encontrará a vida livre.

  1. d)        Mas, a liberdade, o que é? Na raiz etimológica grega, ser livre significa ser membro do povo, cidadão com plenos direitos. Esta liberdade concretiza-se no direito de exprimir o próprio parecer na assembleia, poder dispor livremente de si. Em Israel, a liberdade, a vida, o matrimónio, a honra, a propriedade são direitos fundamentais do homem, que Deus dá e garante ao Seu povo. Olhar para a liberdade só no sentido exterior ou político é empobrecê-la; assim a viam muitos contemporâneos de Jesus.

  1. e)         O Cristianismo trouxe um novo sentido de liberdade: a autêntica liberdade do homem não consiste na possibilidade de dispor livremente de si mesmo, mas na vida com Deus, uma vida em conformidade com o projecto de Deus, uma liberdade que se conquista renegando-se a si mesmo. Quem é livre não pertence a si mesmo, mas Àquele que o libertou, afirma São Paulo.

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23-01-2022

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