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Liturgia do VIII Domingo de Páscoa- ano C- Pentecostes

 

Cinquenta dias depois da Páscoa, os judeus celebram a festa do Pentecostes, o dom da Lei do Sinai, os dez mandamentos. Através destes preceitos, Deus tornou-se próximo do seu povo, não através de alguns acontecimentos maravilhosos, mas em todos os momentos do dia. Deus torna-se presente quando se honra o pai e a mãe, respeitando a vida dos outros, respeitando a relação do casal, etc. Deus faz uma aliança com o seu povo e convida-o a viver em aliança com todos os que o rodeiam. Cinquenta dias depois da nossa Páscoa, em que celebrámos a libertação do mal e da morte, através da ressurreição de Jesus, celebramos a solenidade do Pentecostes, a solenidade do Espírito Santo. De maneira semelhante aos judeus, celebramos este Deus próximo, que nos quer acompanhar em todos os momentos da vida. Esta proximidade é tal que se encontra no mais profundo de cada um de nós, no nosso espírito humano. O Espírito de Deus quer aliar-se com o nosso espírito e, assim, caminhar juntos.

Foi este Espírito que se uniu ao espírito dos discípulos para que deixassem de ter medo, expresso nas portas fechadas da casa onde se encontravam, e com valentia fossem anunciar a Boa Nova do Reino. O medo dá lugar à coragem, a tristeza à alegria, as trevas à luz. Vento, fogo, sopro…estas e outras imagens foram utilizadas para expressar uma realidade difícil de explicar. Esta realidade, que é a mais interior, a mais próxima, é a mais difícil de expressar ou de imaginar, como acontece com todas as nossas experiências mais interiores e íntimas. O Espírito está dentro de nós, mesmo se o não reconhecemos ou não acreditamos nele. É este Espírito que nos motiva quando os nossos frutos são frutos de amor, de alegria, de paz, de paciência, de bondade, de confiança, de humildade, de perdão…

A primeira leitura deste domingo insiste num aspecto muito importante do Espírito: é um Espírito sem fronteiras. Nele não há língua, nem raça, nem ideologia. Há uma só linguagem, a linguagem que todo o mundo compreende, que é a linguagem do amor. Esta linguagem pode existir num católico, num muçulmano ou num ateu, numa igreja, numa mesquita, ou numa sinagoga. É um Espírito universal, que nos convida e entusiasma a sermos instrumentos de unidade, a estarmos perto dos outros, especialmente dos mais pequenos, dos pobres, dos doentes, dos desanimados, dos excluídos…Nós acreditamos que este Espírito de Deus se revelou em Jesus. Por isso, temos de viver à maneira e ao jeito de Jesus, para que este Espírito actue através de nós e possa habitar dentro de nós. É este Espírito que, à luz de Jesus, nos ajuda a ler os sinais dos tempos, tanto os positivos como os negativos, as alegrias e as esperanças, mas também as tristezas e as angústias.

Apesar da sua proximidade, é um Espírito discreto, que respeita a nossa liberdade. Convida, motiva, ilumina, mas deixa que seja o nosso espírito a tomar a decisão final, a dizer a última palavra. Bem sabemos que quando somos mais obedientes à sua acção, é quando somos mais livres. E quando em virtude da nossa liberdade somos rebeldes à sua acção, facilmente nos convertemos em escravos. Escravos do egoísmo, da preguiça, do individualismo, do consumismo…

É este Espírito que, na Eucaristia, transforma o pão e o vinho, e sobretudo os nossos corações, para que se convertam e nos convertamos em Corpo de Cristo, discípulos de Jesus, sinais de uma humanidade fraterna e solidária, unida, mas respeitando a diversidade. Que a Eucaristia seja aquele vento, aquele fogo que nos faz abrir as portas e as janelas para sairmos para o mundo, anunciando e sendo testemunhas, através do nosso amor, de que Deus é Amor.

 

05-06-2022

LEITURA ESPIRITUAL

O Espírito Santo Paráclito

 

O homem nada é por si mesmo, mas com o Espírito Santo é muito. O homem é todo terreno e todo animal; só o Espírito Santo pode elevar a sua alma e conduzi-lo ao alto. Tal como as lentes que aumentam os objectos, o Espírito Santo permite-nos ver o bem e o mal em grande. Com o Espírito Santo, vemos tudo em grande: vemos a grandeza das mais pequenas acções feitas por Deus, e a grandeza das mais pequenas faltas.

Tal como um relojoeiro distingue, com a ajuda da lupa, as menores roldanas de um relógio, assim também, com a luz do Espírito Santo, nós distinguimos todos os pormenores da nossa pobre vida. Sem o Espírito Santo, tudo é frio; por isso, quando sentimos que estamos a perder o fervor, convém-nos muito fazer depressa uma novena ao Espírito Santo, a pedir que nos aumente a fé e o amor! (São João-Maria Vianney, 1786-1859, presbítero, Cura de Ars, «O espírito do Cura d’Ars»).

 

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