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Liturgia do XVII Domingo do Tempo Comum- ano C

 

É sempre incómodo fazer a experiência de estar dentro de um elevador e este parar entre dois andares. Para as pessoas, que sofrem de claustrofobia, será um momento difícil. Se já passámos por esta situação, ou se, um dia, isso acontecer, é importante não entrar em pânico, ou ter alguém que nos ajude a conservar a calma com técnicas de relaxamento, mas o ideal é ter acesso ao telefone de emergência. Isto é uma imagem da oração!

Aqueles que acreditam que não há um Deus que nos escuta e socorra, não podem rezar. Para aqueles que vivem fechados em si mesmos e no vazio, far-lhes-á falta a calma e as técnicas de relaxamento para sobreviver neste mundo. Há outras pessoas que afirmam não haver necessidade de colocar telefones de emergência nos elevadores, porque há aplicações que avisam automaticamente a central de emergência quando se detectam avarias. Se Deus é a central de recepção de mensagens, certamente não tem necessidade que lhe peçamos que conheça as nossas necessidades, mas para nós é muito bom saber que ele nos escuta.

Hoje, quantos catequistas se queixam que as crianças chegam à catequese sem saber rezar! A família é o melhor lugar para aprender a falar. Então, também será o melhor lugar para aprender a rezar. Na vida, as primeiras pessoas que nos falam de Deus deixam-nos marcas na mente para sempre; por isso, convém que sejam os nossos pais. Também é importante que a primeira pessoa que nos ensine a rezar seja alguém que nos inspire muita confiança.

Rezar não é decorar fórmulas orantes e repeti-las vezes sem fim. Pode ajudar à concentração para não nos dispersarmos facilmente. Rezar é uma atitude e uma vontade de comunicar. O texto evangélico deste Domingo é a versão do Pai-Nosso em S. Lucas, que é mais curta do que a de S. Mateus. Se nos dois evangelhos encontramos duas versões diferentes da oração que Jesus nos ensinou, talvez Jesus não se tenha preocupado em apresentar uma fórmula concreta, mas em transmitir um estilo e uma atitude orante, uma atitude confiança e de solidariedade (perdoem-me os biblistas!). Por isso começamos com a palavra Pai e rezamos sempre no plural, pedindo não para mim, mas para nós. Pedimos a Deus que o seu nome seja santificado, não porque ele tenha necessidade disso, mas porque isto é importante para o nosso bem. Uma sociedade que honra a Deus é uma sociedade que busca o Bem, a Verdade e a Beleza. Pedir a vinda do Reino de Deus é pedir que o mal desapareça do mundo. Suplicar pelo pão para cada dia implica viver atentos ao presente e confiar na Providência. O perdão é a face mais difícil do amor. Se podemos perdoar é porque somos perdoados por Deus, da mesma maneira que podemos amar porque Ele nos amou primeiro. Imploramos para não cair na tentação, para não voltar ao estado do primeiro Adão, porque já somos novas criaturas pela vitória de Jesus. Assim, nestas cinco petições, encontra-se tudo o que necessitamos e recebemos de Deus para alcançar a plenitude da vida.

Em todas as parábolas, Jesus esconde uma surpresa para revelar que a maneira de ser de Deus é muito diferente da nossa. Quando Jesus diz que nenhum pai dará uma serpente ao filho se lhe pedir peixe ou um escorpião se lhe pedir um ovo, onde se encontra, aqui, a surpresa? No final do texto. A lógica da argumentação conduz-nos à afirmação de Jesus que Deus nos dará todas as coisas que lhe pedirmos. Mas diz que o Pai do céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem! De facto, Deus está sempre a surpreender. Nós pedimos coisas e Ele dá-se a si mesmo! Isto é muito mais do que podíamos esperar. Deus é amor, e amar não é dar coisas, bajular, ou somente dizer “conta comigo”, “estou contigo”.  Amar é dar-se. 

 

24-07-2022

LEITURA ESPIRITUAL

A melhor maneira de rezar

 

Rezar é colocar-se na presença de Deus; mas há uma grande variedade e diversidade de orações. Há quem se dirija a Deus como a um amigo e senhor, oferecendo-Lhe louvores e súplicas, não por si mesmo, mas por outros. Há quem peça um aumento de riquezas espirituais, de glória e de confiança filial. Há quem suplique a total libertação dos seus adversários. Outros pedem que lhes seja concedido um favor e outros ainda a libertação de todas as preocupações com as suas próprias faltas, ou a libertação da prisão; outros ainda, a remissão dos seus crimes.

No pergaminho da nossa oração, escrevamos antes de mais nada uma sincera acção de graças; em segundo lugar, a confissão das nossas faltas e uma contrição de alma profundamente sentida; em seguida, apresentemos então os nossos pedidos ao Rei do Universo. Pois esta é a melhor maneira de rezar. (São João Clímaco, c. 575-c. 650, monge do Monte Sinai, «A escada santa»).

 

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