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Avisos e Liturgia do 1º Domingo da Quaresma (Ano C)

Na passada quarta-feira, iniciámos o tempo da Quaresma com o rito da imposição das cinzas. Este é um tempo favorável para fazer uma revisão da nossa vida: como estou a dar testemunho de cristão nas minhas palavras, nas minhas acções, em casa, no trabalho, com os amigos e nas minhas responsabilidades profissionais e sociais? Estas semanas da Quaresma são também uma oportunidade para conhecer melhor o mistério de Cristo, para aprender a Verdade de Cristo, para reencaminhar a vida segundo o Evangelho e viver com alegria a dignidade de filhos de Deus.

Todos os anos, a Quaresma conduz-nos à Páscoa, ou seja, à paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo e ao seu regresso ao Pai. Regressa ao Pai levando no seu corpo os sinais da Paixão. Vivamos com intensidade este tempo quaresmal para celebrarmos alegremente a Páscoa deste ano. Que a Páscoa de Cristo seja também a nossa Páscoa. Para que tal aconteça, é necessário viver a nossa vida segundo a vontade de Jesus, o Filho de Deus, que se entregou por nós na cruz, na alegria e no entusiasmo da sua Ressurreição.

10-03-2019

Pelas leituras bíblicas, a Quaresma deste ano está marcada pela misericórdia. Bem sabemos que Deus é misericórdia; foi assim que Se foi revelando no decorrer da história da humanidade. Mas para sentir este Deus misericordioso, é necessário assumir que somos pecadores, pedir-lhe perdão e procurar mudar a nossa vida. Deus concede a sua misericórdia generosamente a todo aquele que está arrependido. Depende de nós abrir o nosso coração à misericórdia de Deus, ou seja, com um coração contrito, humilde, disposto para começar de novo e voltar ao caminho recto, deixando a vida e os caminhos do pecado.

Neste primeiro domingo da Quaresma, somos convidados a fazer deserto, a rever e a centrar a nossa vida naquilo que é essencial e mais importante, ou seja, na fé que devemos professar com a boca e com a vida. Na primeira leitura, Moisés pedia ao povo de Israel para fazer a profissão de fé ao oferecer as primícias diante do altar do Senhor. E hoje somos convidados a fazer o mesmo. A profissão de fé não é uma lista de “verdades para acreditar” ou de “preceitos para cumprir”. Para o povo de Israel era o recordar das maravilhas que Deus fez quando o libertou da escravidão do Egipto. Para nós, é voltar a experimentar nesta Páscoa a liberdade trazida pela morte e ressurreição de Cristo, que nos libertou da escravidão do pecado e da morte e nos faz participantes de uma nova vida: uma vida de santidade e de graça, uma vida de liberdade e de plenitude. Não podemos ter saudades das “cebolas do Egipto”, mas voltar a agradecer a liberdade dos filhos de Deus que nos foi dada no dia do nosso Baptismo.

A narração das tentações de Jesus é para nós um aviso. Durante o deserto da nossa vida, a nossa fé será tentada pelas forças do mal, pelo demónio. Seremos tentados nos três pontos mais fracos que todos carregamos como herança do pecado original: ter, poder e desejo de triunfo. O que fazer? Cristo ensina-nos a vencer as tentações, através dos seguintes meios: a oração, a Palavra de Deus, o jejum, a vigilância, o desprendimento e a humildade. Como é importante rezar sempre com a Bíblia entre as mãos! O jejum é a forma de nos afastarmos de tudo aquilo que não agrada a Deus: ambição, ganância, vícios, egoísmo, inveja. A vigilância ajuda-nos a estar atentos e a dar conta por onde o mal nos quer atacar. O desprendimento das coisas faz-nos bem para nos enchermos de Deus, porque quanto mais vazio está o coração de uma pessoa, mais precisa de coisas para comprar, possuir e consumir. A humildade será sempre a arma eficaz contra o nosso orgulho e egoísmo.

Todos somos tentados! Jesus foi tentado mas não pecou. As tentações não são pecado! Todos temos a tentação do egoísmo, da riqueza, do poder, da fama, do prazer, da indiferença, do desespero, da falta de confiança em Deus! Tantas vezes falhamos na solidariedade, na justiça, no serviço aos outros! Em todas as tentações há o perigo de nelas cairmos, mas também são boas ocasiões de amadurecimento, de redescobrir o verdadeiro sentido da vida, são oportunidades para crescermos na fé e na entrega das nossas vidas a Deus.

Ano C - Tempo da Quaresma - 1º Domingo - Boletim Dominical

 

Liturgia do 1ºdomingo da Quaresma, Ano B

Como acontece em todo o Ano Litúrgico, os textos evangélicos dos cinco domingos da Quaresma terão sempre como figura central a pessoa de Jesus. Neste domingo e no próximo, refletiremos sobre as tentações e a transfiguração, dois momentos marcantes da vida de Jesus. Nos outros três domingos, ser-nos-ão apresentados outros momentos, salientando Jesus como Messias e Salvador: a expulsão dos comerciantes do Templo; o Filho de Homem não veio para condenar o mundo, mas para o salvar; e a necessidade de morrer, como o grão de trigo, para dar fruto. É importante ter uma visão global das mensagens que estes textos evangélicos nos querem comunicar na sucessão dos domingos da Quaresma deste ano.
Na primeira leitura, do livro do Génesis, encontramos a narração da aliança de Deus com Noé, salvo das águas do dilúvio. Segundo as primeiras páginas da Bíblia, Deus criou tudo maravilhosamente, mas a humanidade foi infiel e pecou. Por isso, no início da narração do dilúvio, afirma-se que Deus viu que a maldade era grande sobre a Terra. E quando o ser humano se afasta de Deus, há “dilúvio”, ou seja, há desgraça. Pelo facto de Deus ser bondoso e misericordioso, renova a aliança com a família de Noé e deixa o arco-íris, como sinal desta renovação. O que significa o símbolo do arco-íris? Que Deus é amigo e salvador da humanidade, que o Céu está ligado à Terra e que Deus perdoa sempre e concede-nos novas oportunidades. Na segunda leitura, S. Pedro diz-nos que Cristo morreu para reconciliar a humanidade com Deus. Tal como Deus, no tempo de Noé, salvou os justos de morrer afogados, esperando com paciência, enquanto se construía a arca, assim também Cristo salva-nos através das águas do batismo. Uma é a água que destrói, outra é a água que salva. O batismo faz-nos participar da vida, da morte e da ressurreição de Cristo e abre-nos o caminho para uma vida nova.

18-02-2018

Como é tradicional no primeiro domingo da Quaresma, o texto do evangelho fala-nos das tentações que temos no decorrer da nossa vida e que também Jesus fez esta experiência na sua vida. Mas o texto deste ano, que é do evangelista Marcos, não descreve as três tentações clássicas, mas limita-se somente a afirmar que “o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto, onde esteve quarenta dias, e foi tentado por Satanás”. O deserto, como figura bíblica, tem um duplo significado. Por um lado, é o lugar para onde Deus leva o seu povo depois de o libertar da escravidão do Egipto e acompanha-o durante quarenta anos. Por outro lado, o deserto é também o lugar onde Deus põe à prova o seu povo que, tantas vezes, lhe foi infiel. Assim, Jesus é levado ao deserto para vencer as tentações que poderiam ser obstáculos para realizar a missão que Deus lhe confiou.
Hoje, como sempre, não é fácil ser cristão comprometido. Todos somos confrontados com muitas tentações e nem sempre somos fiéis. Todos os dias, pedimos a Deus que não nos deixe cair na tentação, mas somos fracos. Hoje, quais são as tentações que podem prejudicar a nossa vida e o nosso testemunho de cristãos? São três: o individualismo, a crise de identidade e o pouco entusiasmo. Hoje, existe um certo complexo de inferioridade que nos leva a relativizar ou a esconder a nossa identidade cristã e as nossas convicções; há uma perda de entusiasmo missionário, um cansaço, uma saturação e, sobretudo, uma falta de alegria evangelizadora. Hoje, como sentimos bem a tentação da insegurança, do desânimo e, por vezes, do desespero! É muito importante aceitar o convite de “fazer deserto” na nossa vida, ou seja, que cada um se encontre com Deus para caminhar com Ele para a terra prometida.
Como vencer as tentações? Não podemos fugir às tentações, temos de saber conviver com elas, ou seja, com as diversas formas de mal que hoje existem. A resposta está na última frase do texto do evangelho deste domingo. “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. Faz a experiência de deserto na tua vida: reza, reflete interiormente na vida e na Palavra de Deus, faz silêncio interior, reconcilia-te com Deus e com os irmãos. Assim, iremos encontrar o remédio e as forças para vencer todas as tentações e celebrar dignamente o mistério desta Páscoa, para que possamos um dia passar à Páscoa eterna.

UPAB