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Avisos e liturgia do 7º Domingo Comum (Ano C)

Ao falarmos da “novidade do Cristianismo” ocorre-nos à mente tanto a “novidade da vida” – que recebemos no Baptismo e faz de nós uma nova criatura – como um “novo “agir” que se caracteriza pelo amor e deriva da autoridade do Baptismo. Nas leituras deste Domingo vem ao de cima a proclamação do amor aos inimigos como sinal distintivo do cristão. Este amor tão difícil, porque tão contrário às inclinações espontâneas do coração humano ferido pelo pecado, já tem as raízes na revelação do Antigo Testamento. É certo que o amor do próximo, exigido pelo Antigo Testamento, restringe-se ao povo de Israel e aos estrangeiros no meio dele. Mas não pode fechar-se dentro do círculo dos amigos. Tem de abrir-se ao próximo, seja ele quem for. Mais ainda, tem de ser um amor ao próprio inimigo a quem se deve ajudar, perdoar e alimentar, como ensinam os profetas e alguns livros sapienciais. Nas Leituras deste Domingo, vemos claramente a evolução da exigência do amor aos inimigos do Antigo para o Novo Testamento. Lemos em Tobias: “Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti” (Tob 4, 15). Lemos no Evangelho de hoje: “Faz aos outros o que desejarias que eles te fizessem”.

Na 1ª Leitura do primeiro Livro de Samuel deparamos não só com uma exortação ao amor dos inimigos, mas também com um exemplo flagrante e emocionante deste amor. Saul, roído de inveja, põe-se a caminho com um exército, para se vingar de David, cujos sucessos e simpatia, junto do povo, ele não consegue aceitar. David parte ao encontro de Saul com o seu lugar – tenente Abisaí. Proporciona-se a David uma magnífica ocasião para linchar o seu adversário. A tentação de Abisaí, para cometer o crime, é forte e quase irresistível. David, porém, possuído do temor de Deus, resiste à tentação com a valentia e a nobreza de um espírito superior. Vence a violência, o rancor, o ódio e a vingança, perdoando ao seu inimigo e poupando-lhe a vida. Arrebata-lhe a espada, mas não lhe decepa a cabeça. Apodera-se do seu cantil, mas não lhe derrama o sangue.

24-02-2019

Jesus, no evangelho de hoje, vai mais longe não se contentando com um amor – perdão, mas propondo um amor – misericórdia. O amor – perdão consiste em deixar de fazer o mal ao inimigo que nos ofende. O amor – misericórdia lança-nos dentro do coração do próprio inimigo, para lhe dar o nosso amor. O amor – perdão diz-nos para não pagar o mal com o mal. O amor – misericórdia impele-nos a pagar o mal com o bem. Por isso, o Senhor enumera uma série de atitudes próprias do amor aos inimigos, que devem ser o distintivo da novidade da vida do cristão. Quando um inimigo nos odeia devemos amá-lo, procurando fazer-lhe o bem. Quando nos amaldiçoa, devemos dizer bem dele ou, ao menos, rezar por ele. A oração sincera pelos inimigos é já uma forma positiva e eficaz de os amar. Quando nos bate e nos rouba, devemos socorrê-lo e ajudá-lo. E porquê? Porque amar a quem nos ama, fazer bem a quem nos faz bem, emprestar a quem nos empresta, também o fazem os pagãos e os pecadores. Não é preciso ser cristão para amar assim. O discípulo de Cristo tem de amar, fazer bem e emprestar sem esperar nenhuma recompensa. É assim que seremos semelhantes a Deus, que faz todo o bem tanto aos justos como aos injustos. É assim o amor – misericórdia. Jesus, em São Mateus, diz-nos: “Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”. Mas diz-nos em São Lucas: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso”. O motivo é o mesmo: para serdes filhos do Pai; para serdes filhos do Altíssimo, que o mesmo é dizer: para serdes cristãos. O amor aos inimigos, que o Senhor nos propõe, não é só um amor – perdão, mas um amor – misericórdia. Não basta não julgar para não ser julgado; não basta não condenar para não ser condenado; não basta perdoar para ser perdoado; é preciso amar com o dom do nosso próprio coração.

Na 2ª Leitura, São Paulo diz-nos que nos devemos comportar não à imagem do primeiro Adão, que é terreno e feito do pó e só entende o amor natural, ou seja, o amor que espera recompensa. Devemos amar como Cristo, o último Adão, que é espiritual e vem do céu. O Seu amor é como o do Pai, “cheio de misericórdia”. A novidade do Cristianismo é “amar como Jesus amou”.

Ano C - Tempo Comum - 7º Domingo - Boletim Dominical