Início » Tag Archives: alterações climáticas

Tag Archives: alterações climáticas

Estudo revela que as alterações climáticas podem tornar-se a principal causa da perda de biodiversidade até 2050

De acordo com um estudo publicado hoje (sexta-feira, 26) na prestigiada revista Science, a biodiversidade global diminuiu entre 2 e 11% ao longo do século XX, diminuição resultante exclusivamente das alterações na utilização dos solos. As projeções apresentadas nesta investigação sugerem que, até meados do século XXI, as alterações climáticas podem vir a tornar-se a principal causa da perda da biodiversidade.

O artigo científico Global trends and scenarios for terrestrial biodiversity and ecosystem services from 1900 to 2050 – o maior estudo com recurso a modelos climáticos realizado até à data – foi liderado pelo Centro Alemão de Investigação Integrativa da Biodiversidade (iDiv) e pela Universidade Martin Luther de Halle-Wittenberg (MLU), e contou com a participação de vários investigadores portugueses, entre eles o docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), Carlos Guerra.

A Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre a Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) considera que as mudanças no uso do solo são uma das principais causas para a perda de biodiversidade. No entanto, os cientistas dividem-se quanto à dimensão desse declínio nas últimas décadas.

Para melhor responder à questão, a equipa de investigação utilizou modelos climáticos para calcular os impactos das alterações da utilização dos solos na biodiversidade global ao longo do século XX, concluindo que terá havido um declínio entre 2 e 11%, intervalo que abrange quatro indicadores de biodiversidade calculados por sete modelos diferentes. Os cientistas compararam treze modelos para calcularem o impacto das mudanças na utilização dos solos e das alterações climáticas em quatro indicadores de biodiversidade diferentes, e em nove serviços de ecossistemas.

“A inclusão de todas as regiões do mundo no nosso modelo permitiu preencher diversas lacunas e rebater as críticas de outras abordagens que trabalham com dados parciais e potencialmente enviesados”, refere o primeiro autor do estudo, responsável pelo grupo de investigação do iDiv e do MLU e investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, Henrique Pereira. “Todas as abordagens têm os seus prós e contras, mas achamos que a nossa metodologia de modelação apresenta uma estimativa mais exaustiva das tendências globais da biodiversidade”, acrescenta.

Recorrendo a outro conjunto de cinco modelos, os investigadores calcularam também o impacto simultâneo das alterações do uso do solo nos chamados serviços dos ecossistemas, ou seja, os benefícios que a natureza disponibiliza aos seres humanos. No século passado, verificou-se um aumento massivo dos serviços de aprovisionamento, como a produção de alimentos e de madeira. Em contrapartida, os serviços de regulação, como a polinização, a fixação de azoto ou o sequestro de carbono, tiveram uma diminuição moderada. Os investigadores analisaram também a potencial dinâmica de evolução da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas. Para estas projeções, integraram nos seus cálculos as alterações climáticas como um fator crescente e determinante das alterações na biodiversidade.

Os resultados do estudo indicam que as alterações climáticas vão ter um impacto negativo acrescido tanto na biodiversidade, como nos serviços dos ecossistemas. Embora as mudanças na utilização dos solos continuem a assumir um papel relevante, as alterações climáticas tenderão a tornar-se na principal causa da perda de biodiversidade até à primeira metade deste século.

A equipa avaliou três cenários amplamente utilizados, desde um cenário de desenvolvimento sustentável até um de emissões elevadas de gases com efeito de estufa. Em todos os cenários, a conjugação do impacto das alterações do uso do solo e das alterações climáticas resulta numa perda de biodiversidade em todas as regiões do mundo, existindo, no entanto, variantes significativas entre regiões, modelos e cenários. Para o docente da UC, Carlos Guerra, “este estudo ilustra de forma muito clara os impactos que resultam das ações humanas sobre o planeta e sobre a biodiversidade da qual nós dependemos e a dimensão das alterações que estão a ocorrer um pouco por todo o mundo”.

“O objetivo dos cenários a longo prazo não é prever o que vai acontecer, mas sim identificar alternativas para conseguirmos evitar os cenários menos desejáveis, e sabermos escolher aqueles que tenham impactos positivos”, avança a investigadora da Universidade de York e coautora do artigo, Inês Martins. “São processos que dependem das decisões que tomamos diariamente”, acrescenta.

Os autores salientam ainda que mesmo o cenário de “desenvolvimento sustentável” avaliado não recorre a todas as medidas passíveis de serem implementadas para a proteção da biodiversidade nas próximas décadas, como por exemplo, a produção de bioenergia. Apesar de a produção de bioenergia ser uma componente fundamental no cenário de sustentabilidade, podendo ajudar a mitigar o impacto das alterações climáticas, pode, no entanto, levar também à redução da diversidade de habitats. Nenhum dos cenários avaliados considerou medidas para aumentar a eficácia e a cobertura das áreas protegidas ou o rewilding [‘renaturalização’] em larga escala.

“A avaliação do impacto de políticas concretas para a biodiversidade ajuda a identificar medidas mais eficazes para salvaguardar e promover a biodiversidade e os serviços dos ecossistemas”, afirmam os investigadores. “Haverá certamente imprecisões de modelação”, acrescentam. “Ainda assim, os nossos resultados mostram claramente que as políticas atuais são insuficientes para atingir os objetivos internacionais em matéria de biodiversidade. Precisamos de esforços renovados para fazer progressos contra um dos maiores problemas do mundo, que é a perda da biodiversidade provocada pela ação humana”, rematam os cientistas.

Foto:DR

Estudo-Alterações climáticas na reciclagem de detritos vegetais em ribeiros.

No âmbito do programa “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.

Estudo internacional alerta para o impacto das alterações climáticas na reciclagem de detritos vegetais em ribeiros.

O eventual desaparecimento dos pequenos animais que vivem associados às areias, pedras e plantas aquáticas dos ribeiros, em resultado de alterações ambientais induzidas pelas atividades humanas ou alterações climáticas, terá um grande impacto na decomposição das folhadas, com efeitos nos ciclos dos nutrientes e do carbono.

O alerta é de um estudo internacional, no qual participou Verónica Ferreira, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que avaliou os efeitos dos invertebrados na decomposição de detritos vegetais em ribeiros a nível global.

Neste estudo, publicado na Biological Reviews, uma equipa de 13 investigadores de 7 países, liderada por Kay Yue e Fuzhong Wu (Fujian Normal University, China), efetuou uma meta-análise para avaliar quais os fatores que controlam o papel dos invertebrados no processo de decomposição de detritos vegetais em ribeiros. A técnica utilizada – meta-análise – permite a «integração de evidência científica publicada para abordar questões a larga escala e até mesmo novas questões que ainda não tenham sido abordadas empiricamente», explica Verónica Ferreira. Foram considerados 141 estudos que cumpriam critérios específicos, que contribuíram com 2707 observações em ribeiros não poluídos distribuídos principalmente pela América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia Oriental e Oceânia.

Sobre a importância de estudar estes processos, a investigadora da FCTUC realça que os ribeiros, que constituem a maioria das linhas de água numa bacia hidrográfica, «recebem grande quantidade de detritos vegetais produzidos pela vegetação circundante e são estes detritos que vão sustentar em grande parte as cadeias alimentares nestes ecossistemas e também a jusante, incluindo grandes rios e zonas costeiras».

A decomposição de detritos vegetais, prossegue, é assim um «processo fundamental em ribeiros porque sustenta as cadeias alimentares aquáticas e é parte integrante dos ciclos de nutrientes e de carbono a nível global. É especialmente importante compreender quem são os organismos intervenientes neste processo e como é que estes organismos reagem a alterações ambientais, porque alterações na decomposição de detritos vegetais têm implicações nas cadeias alimentares e nos ciclos de nutrientes e de carbono».

Neste estudo, verificou-se que, a nível global, a presença de invertebrados estimula a decomposição de folhadas em média em 74%, sendo o efeito mais forte quanto maior a densidade, biomassa e diversidade de invertebrados. Este resultado sugere que o eventual desaparecimento dos invertebrados dos ribeiros, em resultado de alterações ambientais induzidas pelas atividades humanas ou alterações climáticas, terá um grande impacto na decomposição das folhadas, com efeitos nos ciclos dos nutrientes e do carbono.

Mas a maior surpresa para os investigadores foi o facto de verificarem que o papel dos invertebrados na decomposição de folhadas é maior na fase inicial do que nas fases intermédias ou avançadas do processo de decomposição, ao contrário do que se pensava até agora. «Isto é surpreendente porque tem sido demonstrado que os invertebrados trituradores preferem consumir folhada que já foi colonizada pelos decompositores microbianos que enriquecem a folhada em nutrientes e a tornam mais palatável. No entanto, o maior papel dos invertebrados durante a fase inicial do processo sugere que os invertebrados podem estar menos dependentes da pré-colonização microbiana da folhada do que se pensava», afirma Verónica Ferreira.

O estudo mostrou ainda que, à escala global, «caraterísticas ambientais, como acidez da água, concentração de oxigénio e temperatura, e caraterísticas da folha são igualmente importantes para regular o papel dos invertebrados na decomposição».

Face aos resultados obtidos, os investigadores destacam a importância de se considerar os invertebrados em modelos globais de decomposição de detritos vegetais em ribeiros, para melhor descrever e antecipar os fluxos de carbono a nível global.

Foto:DR

Cristina Pinto

Assessora de Imprensa – Universidade de Coimbra – Faculdade de Ciências e Tecnologia

ESTUDO:Aves migradoras podem ajudar as plantas

Estudo conclui que aves migradoras podem não conseguir ajudar as plantas a fugir das alterações climáticas

Um estudo publicado ontem na revista Nature, com a participação de investigadores de 13 instituições europeias, incluindo a Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade do Porto (UP), concluiu que as aves migradoras dispersam sementes principalmente na direção contrária ao que seria necessário para ajudar as plantas a escapar às alterações climáticas.

As aves migradoras podem ajudar as plantas a adaptarem-se às alterações climáticas comendo os seus frutos e dispersando as suas sementes para locais mais favoráveis. No entanto, este novo estudo mostra que a grande maioria das espécies de sementes de florestas europeias é dispersada por aves durante a sua migração em direção a latitudes mais quentes, no sul, e apenas uma minoria para latitudes mais frias, a norte – ao contrário do que as plantas precisariam para se adaptarem ao aquecimento global.

Os resultados desta investigação são fundamentais para compreender, travar e mitigar os efeitos das alterações climáticas na biodiversidade.

Em consequência do aquecimento global, as condições climáticas ideais para as espécies estão a deslocar-se para latitudes mais frias, levando a uma redistribuição da biodiversidade a nível planetário. Na Europa, este movimento acontece no sentido Sul-Norte. No entanto, enquanto os animais se podem deslocar de forma independente, as plantas dependem, em grande medida, dos animais frugívoros e em especial das aves migradoras, para dispersarem as suas sementes para locais com condições mais favoráveis.

«Sabemos que o clima está, e vai continuar a aquecer, e em resultado disso, muitas espécies na Europa estão a deslocar-se de áreas que se estão a tornar demasiado áridas e quentes – a sul – e a expandir-se para novas áreas onde as condições se estão a tornar mais favoráveis – a norte. Para os animais, incluindo para nós, este movimento é mais fácil, mas muitas plantas precisam da ajuda dos animais, que ao consumirem os seus frutos acabam depois por depositar as sementes em novos locais onde as plantas podem crescer. As aves migradoras, muitas delas deslocando-se centenas de quilómetros em poucas horas, têm um papel muito importante na prestação deste serviço de boleias gratuitas à escala global», explica Ruben Heleno, investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), coautor do estudo.

A investigação baseou-se no estudo das interações entre plantas e aves frugívoras em 13 florestas de 6 países europeus, incluindo uma floresta em Souselas – Coimbra, onde durante 6 anos os investigadores portugueses estudaram quais as espécies de aves que dispersam cada espécie de planta e em que fase da migração. No total, o estudo envolveu 949 interações entre 46 espécies de aves e 81 espécies de plantas com fruto.

O estudo mostra que apenas 35% das espécies de plantas são dispersadas por aves quando estas estão a migrar em direção ao norte, enquanto que 86%, a grande maioria das espécies, são dispersadas quando as aves que consomem os seus frutos estão a voar em direção a latitudes mais quentes a sul.

«As aves migradoras são o veículo perfeito para levar plantas que produzam bagas para novos sítios, e podem ajudá-las a mudar a sua distribuição face às atuais alterações climáticas. Contudo, demonstrámos que somente um terço das plantas pode contar com as aves migradoras para se expandir para norte, de forma a conseguirem manter os seus nichos ecológicos atuais», salienta Luís da Silva, investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO) da Universidade do Porto, coautor do estudo.

 

Algumas aves são especialmente importantes a dispersar as plantas para norte

Na Europa, as aves migram de sul para norte na primavera, e de norte para sul no outono. Este estudo mostra que as aves que passam o inverno no sul da Europa e no norte de África são especialmente importantes para ajudar as plantas a deslocarem-se para latitudes tendencialmente mais favoráveis a norte.

Este importante serviço é providenciado por poucas espécies, entre as quais o Pisco-de-peito-ruivo, a Toutinegra-de-barrete-preto e várias espécies de tordos, todas elas ainda relativamente comuns na Europa. No entanto, algumas delas são caçadas de forma legal e ilegal em vários países da bacia do Mediterrâneo, apesar do seu importante papel ecológico.

Os autores do estudo sugerem que esta dificuldade em encontrar dispersores adequados pode condicionar a composição específica das florestas europeias no futuro, uma vez que muitas plantas podem ficar para trás. As espécies de plantas que não conseguirem acompanhar a deslocação das suas condições preferenciais de sobrevivência terão que enfrentar climas mais áridos, secos e quentes no sul.

O artigo científico está disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-021-03665-2

Universidade de Coimbra

Exposição sobre a problemática das alterações climáticas percorre toda a Comunidade CIM Viseu Dão Lafões

A Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões vai promover uma exposição itinerante sobre a problemática das alterações climáticas.

Sob o lema “O Futuro é Amanhã!” esta mostra vai percorrer os 14 concelhos desta Comunidade Intermunicipal, começando no Centro Cultural de Carregal do Sal.

A questão das alterações climáticas é – a par do Sucesso Educativo – uma das grandes prioridades da CIM Viseu Dão Lafões, sendo objetivo a sensibilização e a criação de estratégias que conduzam a um conhecimento sustentado sobre estas matérias.

Esta exposição está integrada num projeto lançado no início de outubro – “O Futuro é Amanhã!” – que já se encontra a decorrer e vai intervir, de forma direta, mais de quatro milhares de estudantes dos 1.º, 2.º e 3.º ciclos de escolaridade e secundário.

De acordo com o Secretário Executivo da Comunidade Intermunicipal, Nuno Martinho, “esta exposição itinerante é uma mais valia para a promoção do sucesso educativo e para a sensibilização sobre a adaptação às alterações climáticas na Região Viseu Dão Lafões”. “Através de experiências variadas os alunos poderão observar fenómenos e processos de adaptação possíveis, nos mais variados setores”, diz Nuno Martinho, acrescentando que esta “exposição está preparada para receber os alunos de todos os ciclos de ensino, mas também a população em geral”.

É importante que esta mensagem chegue ao maior número de pessoas possível, para conhecermos bem a temática e para que todos possamos ter um papel ativo na mudança de hábitos”, refere Nuno Martinho.

A exposição ficará sete dias em cada município e a itinerância começou no dia 4 de novembro, no Município de Carregal do Sal.

Datas e locais da exposição:

Carregal do Sal Centro Cultural de Carregal do Sal 4 a 10 novembro
Vila Nova de Paiva Auditório Municipal Carlos Paredes 12 a 18 de novembro
Nelas Biblioteca Municipal 20 a 26 de novembro
Penalva do Castelo Salão Multiusos da Loja do Cidadão 28 novembro a 4 dezembro
Vouzela Museu Municipal de Vouzela 6 a 12 janeiro
Mangualde Biblioteca Municipal 14 a 20 janeiro
Castro Daire Biblioteca Municipal 22 a 28 janeiro
Tondela Biblioteca Municipal 30 janeiro a 5 fevereiro
São Pedro do Sul Pavilhão Gimnodesportivo 7 a 13 fevereiro
Sátão Casa da Cultura 17 a 23 fevereiro
Oliveira de Frades Museu Municipal 2 a 8 março
Aguiar da Beira Biblioteca Municipal 10 a 16 março
Viseu CMIA – Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental 23 a 29 março
Santa Comba Dão local ainda a confirmar  

 

Artigo de opinião – Alterações Climáticas – As peças de xadrez

climate-change_650x488_61439352812-650x450O meio ambiente tem no poder decisivo e regulatório as suas figuras principais, ficando para segundo plano o cidadão comum que, sendo fundamental, é colocado em grande medida de lado.

Tenho por hábito comparar o meio ambiente a um jogo de xadrez – muito estratégico, muito tático, imprevisível e acima de tudo a não depender do fator sorte.

Num tabuleiro de xadrez para além das figuras principais e teoricamente mais fortes – torre, cavalo, bispo, rei e rainha – existem as figuras secundárias mais frágeis e por vezes desprotegidas – os peões. O meio ambiente tem no poder decisivo e regulatório as suas figuras principais, ficando para segundo plano o cidadão comum que, sendo fundamental, é colocado em grande medida de lado.

No peão, ou melhor, no cidadão comum existe uma faixa geracional importante que poderá ajudar a alterar o rumo das alterações climáticas, para isso, basta não ser derrubado às primeiras jogadas. Para evitar tal acontecimento trágico é essencial que o poder decisivo, local e/ou nacional, os insira na discussão e na decisão final.

Na minha ótica, não basta o poder decisivo expelir no seu discurso diário os chavões já conhecidos, como são exemplos; 1) “prefiram os transportes públicos”; 2) “andem mais a pé e evitem o transporte pessoal”; 3) “consumam produtos biológicos”; 4) “comprem produtos amigos do ambiente”; 5) “façam a separação dos resíduos em casa”; 6) “plantem árvores”, 7) “poupem energia” mas, para além destes “chavões” importantes, é necessário incentivar as novas gerações a não emigrarem e proporcionar-lhes condições de inserção na discussão pública para que, todos juntos, possamos contribuir para um ambiente mais saudável e, consequentemente, mitigar as causas das alterações climáticas.

Desafio: Porque não criar grupos de trabalho, com os “peões”, em juntas de freguesias, câmaras municipais, associações ambientais, escolas secundárias, universidades e empresas com o objetivo de permutar ideias sobre as alterações climáticas?

Como já constataram, uma das minhas preocupações para o ano de 2017 – ao contrário de Trump – são as alterações climáticas, uma das maiores ameaças ambientais, sociais e económicas que o planeta e a humanidade enfrenta nos dias de hoje. Tenho consciência que a adaptação far-se-á de forma lenta e ao ritmo das necessidades, mas o ser humano tem uma enorme capacidade de adaptação e, à medida que as alterações climáticas a isso o obriguem, ele adaptar-se-á.

Tive a sorte que a minha namorada, neste Natal, brindou-me com o novo livro da Luísa Schmidt, intitulado “Portugal: Ambientes de Mudança”, que faz um retrato ambiental do nosso país nos últimos 25 anos. Das páginas que já tive o prazer de ler, congratulo-me que as ideias principais da autora vão ao encontro das diferentes ideias que tenho vindo a arrumar e a aperfeiçoar ao longo dos últimos anos: Preocupação, Educação, Interesses e Políticas.

A nível mundial, o novo secretário-geral da ONU, o nosso António Guterres, no seu discurso de tomada de posse, no dia 12/12/2016, afirmou que o combate das alterações climáticas irá ser “imparável”, o que, para alterar mentalidades despreocupadas, é certamente uma boa jogada de uma figura principal no nosso tabuleiro de xadrez.

Por cá, Portugal, num passado não muito longínquo, deu sinais da sua preocupação ao querer minimizar as emissões de CO2, como foram algumas das medidas já implementados de elevado efeito prático, das quais destaco 1) a aposta nas energias renováveis – em 2016, foram responsáveis por cerca de 57% do consumo de eletricidade e ainda houve exportações e 2) a aposta na diminuição da produção de resíduos, através da educação e sensibilização ambiental – aqui destaco o papel das escolas e da sociedade ponto verde.

Mas isto não chega. Para complemento das boas práticas, está na altura de melhorarmos ainda mais a temática, dando voz ativa às novas gerações preocupadas. É importante elas deixarem de ser meros peões num tabuleiro gasto de xadrez.

Jorge Palma, na música “A Gente Vai Continuar” afirma; “o sistema é antigo e não poupa ninguém” … será mesmo assim?
Se temos dos jovens mais bem qualificados da Europa, com conhecimentos acima da média e sem vícios do “sistema”, porque não começar a ouvi-los? Porque não renovar as peças de xadrez desse tabuleiro gasto pelo tempo?

Num jog1525594_715250398500024_1212269316_no de xadrez, por vezes, o peão faz xeque-mate ao rei.

Por:Bruno Costa

Foto:CEO Lusófono