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XIII Congresso Neurociência e Educação Especial em Viseu

Ana Carolina defendeu as suas ideias num dos temas

Nos dias 25 e 26 de maio decorreu, o XIII Congresso Neurociência e Educação Especial na cidade de Viseu, organizado pela Psicosoma. Na sua génese pretendeu demonstrar a aplicação das neurociências nas várias áreas de atuação profissional, trazendo à região centro o que de melhor se faz em Portugal ao nível das Necessidades Educativas Especiais e da Neurociência Aplicada à Educação.

Ana Carolina esteve lá como preletora num dos painéis.

Artigo de opinião- Terapia da Fala na 3ª Idade

tp 3ªO Terapeuta da Fala pode intervir na população mais idosa?

O envelhecimento não tem uma data de início estabelecida. Sem nos apercebermos os cabelos ficam esbranquiçados, a pele enrugada e o tempo parece que voa. Com o envelhecimento surgem as dificuldades em funções e atividades que antes nos pareciam tão simples, como é o caso do falar, do comer ou do escrever. É aqui, que começamos a ter consciência que nem sempre as coisas mais simples estão garantidas. Com todas as alterações na vida da pessoa, muitas das vezes surge a ideia de incapacidade porque se perdeu o seu lugar na sociedade, o que pode desencadear frustrações, alterações emocionais e isolamento (porque reduzem drasticamente as interações).

À medida que as pessoas envelhecem, ficam mais propícias a desenvolver patologias que têm repercussões negativas na comunicação e na deglutição, como é o caso do AVC, Parkinson, Alzheimer, entre outros. A capacidade de articular com precisão as palavras, compreender e expressar mensagens verbais pode também estar alterada nestas patologias.

Se quisesse dizer obrigada ao seu filho ou parabéns ao seu neto e as palavras não saíssem? Como se sentia? O que ponderava fazer? E se não conseguisse comer porque se engasgava com frequência ou porque não conseguia engolir? Como ficava? Onde ia procurar ajuda? Qualquer pessoa pode vir a ter problemas ao nível da comunicação e/ou da deglutição ao longo do processo de envelhecimento, quer este seja fisiológico (natural) ou patológico.

As alterações na comunicação são das mudanças mais evidentes e que por vezes advêm da presbiacúsia (envelhecimento do aparelho auditivo) porque a pessoa não compreende o que lhe é dito. Estas condições influenciam negativamente a pessoa, levando-a à solidão e à deterioração da imagem a nível social. Deste modo, podemos concluir que as alterações comunicativas podem também advir de condições patológicas.

As alterações na voz e na fala dizem muito sobre a nossa saúde. A presbifonia (envelhecimento da voz) pode surgir em qualquer momento e depende da saúde física/psicológica da pessoa, da alimentação, estilo de vida ou mesmo fatores ambientais. Assim, é necessário estar atento aos sinais porque podem ser indicativos de problemas neurológicos, funcionais ou orgânicos que não podemos ignorar.

As dificuldades na alimentação (disfagia), nomeadamente em engolir os alimentos de forma segura, são muito comuns e podem ter como causa os problemas neurológicos (AVC, TCE, Parkinson, Alzheimer, Paralisia Cerebral…). As dificuldades podem evidenciar-se na mastigação, manipulação do alimento ou mesmo no transporte deste. Este tipo de perturbação pode implicar consequências assoladoras na qualidade de vida da pessoa, desde desidratação, subnutrição, depressão, asfixia, até, eventualmente, a morte.

A intervenção direta do Terapeuta da Fala abrange o envelhecimento fisiológico mas também o patológico, onde, de forma geral, se promove sempre a autonomia, qualidade de vida e realização pessoal. É também efetuada uma intervenção indireta, onde os cuidadores fazem parte de todo o processo de reabilitação, já que a comunicação com estes são requisitos fundamentais para manter a qualidade de vida.

A formação do Terapeuta da Fala qualifica-o para dar resposta às necessidades da pessoa idosa considerando os fatores biopsicossociais, aconselhando-a e reabilitando algumas das funções. Deste modo, o tratamento adequado e o envolvimento dos cuidadores permite atuar não só no foco da patologia mas também no contexto da pessoa, tentando ultrapassar as barreiras e superando as suas dificuldades.

Em caso de dúvidas, consulte um Terapeuta da Fala.

Por:Ana Carolina Melo Marques – Terapeuta da Fala na APSCDFA

 

Artigo de opinião–A Importância da Respiração

aop Será a respiração uma função inata com a qual não precisamos de nos preocupar?

A respiração é um processo fisiológico que se dedica à troca de oxigénio e dióxido de carbono com o meio ambiente, pelo que é uma das funções vitais. A respiração nasal, a par da mastigação, favorece o crescimento craniofacial e portanto mantém saudáveis as estruturas orofaciais.

Fisiologicamente, a via nasal é a principal em todo o processo respiratório. O nariz favorece a filtração, humidificação e o aquecimento do ar. Todas estas características são promotoras de um sono adequado, de menores infeções (otites e/ou amigdalites) e de um crescimento facial harmonioso.

A respiração é uma característica tão inata, que por vezes desvalorizam-se alguns sinais atípicos que só uma equipa multidisciplinar (Terapeuta da Fala, Otorrinolaringologista, Ortodontista, entre outros) consegue detetar, avaliar e intervir corretamente, minimizando os impactos na vida das pessoas.

Quando ocorre uma modificação na função respiratória, pode desencadear-se um padrão de respiração oral, que consequentaopiemente desencadeia alterações miofuncionais e também no sistema estomatognático. Este padrão pode causar diversas alterações ao nível da fala (fonética), da linguagem (fonologia), do processamento auditivo e até nas competências cognitivas (atenção e memória).

Apesar de ser muito mais vantajoso efetuar-se uma respiração nasal, a hipertrofia das amígdalas e/ou adenoides, a flacidez dos músculos faciais, a rinite, as alergias respiratórias e o desvio do septo nasal podem alterar o padrão respiratório e torná-lo oral. É preciso salientar que a respiração oral só se torna um problema quando se torna um hábito. Quando se adota constantemente essa respiração, as consequências variam de acordo com a causa do hábito, a idade da pessoa e o tempo de instalação desta alteração. As repercussões podem relacionar-se com alterações na forma e posicionamento de estruturas rígidas (ossos faciais e dentes), na função e posicionamento dos músculos orofaciais e na postura global. Todas as alterações referidas implicam possíveis dificuldades na fala, mastigação e deglutição.

Os respiradores orais evidenciam alguns sinais que podem ser observados, com alguma facilidade, por um profissional especializado. Deste modo, os sinais mais comuns relacionam-se com alterações na fala, alterações na mastigação (sendo esta unilateral), otites frequentes, olheiras, alterações no sono, alterações na postura corporal, face alongada e assimétrica, má oclusão dentária, palato alto e estreito, alterações no paladar e no olfato, lábios secos, flacidez nos músculos da mastigação, cansaço frequente, baba noturna, reduzido rendimento físico e intelectual e tensão do músculo do queixo.

Quando identificar algum dos sinais apresentados deve consultar o Terapeuta da Fala. Quando mais cedo for identificada a causa deste hábito, melhores serão os resultados obtidos na terapia. Não se esqueça que a intervenção precoce é a chave de um maior sucesso na intervenção!

No próximo mês fique a saber o que deve fazer caso o seu filho apresente uma respiração oral e qual é o papel do Terapeuta da Fala nestas situações!

Um Feliz 2017 a todos os leitores! Que este ano seja tão bom ou melhor que no de 2016 !

Por:Ana Carolina Marques- Terapeuta da Fala na APSCDFA

Artigo de opinião-O seu filho não mastiga bem? Saiba o que pode estar a acontecer!

tfO seu filho não mastiga bem? Saiba o que pode estar a acontecer!

– O Terapeuta da Fala também intervém nestas dificuldades! O seu papel é bastante diversificado e não se centra só na fala, como pode ver! A motricidade Orofacial é outra das valências da responsabilidade da terapia da fala.

Cada vez mais os pais/cuidadores se deparam com as dificuldades que as crianças apresentam nas transições alimentares, podendo estas estar associadas aos hábitos orais tardios (eg. uso do biberão até à idade escolar) ou a alterações na integração sensorial oral. A necessidade de procurar o Terapeuta da Fala é cada vez maior, para que o treino específico e individualizado seja iniciado com a criança.

As alterações na mastigação podem aparecer devido à introdução tardia da variação alimentar, no que diz respeito à consistência, textura e até mesmo ao sabor. Quanto mais tardias forem as transições alimentares, maiores serão as dificuldades dos pais/cuidadores em passar de consistências mais liquidas para as mais sólidas.

Os pais/cuidadores devem estar atentos quando percebem que a criança não está a progredir no processo da mastigação. Aprender precocemente a mastigar, é a peça chave para fortalecer a língua, lábios e bochechas, que posteriormente são utilizadas na fala.

Para saber se está perante dificuldades na introdução de novas texturas e consistências, deve estar alerta para alguns sinais. De seguida são apresentados os mais comuns:

  • A Nível Oral
  • Reflexo de vómito exagerado
  • Engasgos constantes
  • Manter o alimento muito tempo na boca (bochecha)
  • Lamber o alimento ou cuspi-lo.
  • A Nível Tátil
  • Não gosta de ter as mãos sujas
  • Evita tocar nos alimentos
  • Limpa constantemente a boca
  • Rejeita novos alimentos.

Algumas crianças já apresentam estes comportamentos orais e/ou sensoriais por existir uma maior predisposição para estas dificuldades, podendo estar relacionadas com algum tipo de sensibilidade oral ou freio lingual curto. Outras crianças têm estas dificuldades porque são privadas da estimulação sensorial. Na sociedade atual, são estimuladas a passar grande parte do tempo em frente à televisão ou a jogar no Tablet ou Playstation (entre outros jogos), e não lhes proporcionam experiências como o brincar na rua/jardim. Deste modo, são estimuladas as capacidades visuais e auditivas ao invés das áreas sensoriais (tátil, percetiva e vestibular), que a nível do desenvolvimento vão influenciar as capacidades orais mas também as motoras orais para a fala.

Não esquecer que insistir, forçar ou distrair a criança para comer alguns alimentos pode potencializar a recusa alimentar e uma panóplia de comportamentos associados (orais ou táteis), já referidos anteriormente.

Sempre que detete dificuldades, é importante que se efetue a avaliação na Terapia da Fala, na vertente da Motricidade Orofacial, para que sejam identificadas as causas destas dificuldades. A sensibilidade oral, as dificuldades na perceção do sabor, a dificuldade na organização do bolo alimentar, a alteração na mobilidade da língua, a privação de vivências táteis e orais, podem ser possíveis causas mas é preciso identificá-las precocemente.

É crucial que os pais/cuidadores estejam conscientes da importância da mastigação para o desenvolvimento de uma alimentação eficaz. Em caso de alerta, procurem o profissional capacitado para vos ajudar e ensinar a ultrapassar qualquer dificuldade.

Aproveito para desejar um Feliz Natal a todos os que acompanham mensalmente estas publicações.

Por:Ana Carolina Marques – Terapeuta da Fala na APSCDFA

 

Artigo de opinião– O Uso da Chupeta nos Bebés

0chupeO uso da chupeta

A chupeta é muitas vezes vista como um conforto emocional para os bebés e respetivas famílias. Mas será esta ideia correta?

Presa ou solta à roupa, de látex ou silicone! A imagem do bebé está inevitavelmente ligada à chupeta. Mas, há muito a dizer sobre este objeto tão importante para os mais pequenos.

Todos os bebés nascem com reflexos importantes para o seu desenvolvimento. O reflexo de sucção é algo inato, que a partir do 3º mês de vida, passa a ser um ato voluntário. O facto de o bebé usar a chupeta, permite-lhe autocontrolar-se, atingir o estado de acalmia e dar continuidade à sensação de prazer sentida na alimentação.

Quais as vantagens associadas ao uso da chupeta?

A principal vantagem é acalmar o bebé e ajudá-lo a dormir. A sucção ajuda a aliviar a dor, relaxando o bebé e, consequentemente, os batimentos cardíacos tornam-se mais regulares. A chupeta pode ajudar bebés prematuros com dificuldades na sucção nutritiva (biberão/amamentação materna). O seu uso vai estimular o treino da sucção.

Em casos específicos, pode prevenir o desconforto nos ouvidos em viagens, onde se registam mudanças bruscas de altitude.

E quais serão as desvantagens da utilização da chupeta?

Apesar de ser considerada um bom calmante, se for utilizada de forma prolongada pode provocar alterações desenvolvimentais:

Alterações na fala: as modificações no posicionamento dos dentes e da língua podem impedir a articulação correta dos sons e das palavras.0chup

Alterações dentárias: as alterações no crescimento dos dentes podem, futuramente, exigir o uso de aparelhos ortodônticos. A criança pode apresentar mordida aberta ou cruzada, diastemas ou protusão dos incisivos superiores (ver imagem).

Alterações respiratórias: o uso da chupeta causa uma má respiração porque favorece a respiração oral ao invés da nasal. O facto de também causar a flacidez da musculatura da face, faz com que o bebé fique mais tempo com a boca aberta e portanto efetue a respiração oral.

Alterações no desenvolvimento craniofacial: com as alterações na dentição e devido ao uso inadequado da musculatura facial, o crescimento ósseo ocorre de forma desarmoniosa, podendo causar alterações faciais.

Alterações na mastigação e na deglutição: a configuração dentária alterada, associada aos movimentos incorretos da língua, acarreta alterações nestas duas funções e consequentemente uma má educação alimentar.

A decisão cabe sempre aos pais. Informe-se, para decidir qual a melhor atitude a tomar. O mais importante é que pais e o bebé se sintam confortáveis.

No próximo mês fique a saber em que idade se deve retirar a chupeta e que estratégias pode utilizar! Não perca!

Por: Ana Carolina Melo Marques – Terapeuta da Fala na APSDCFA