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Artigo de opinião “Enfrentar o futuro com coragem e solidariedade

Artigo de opinião “Enfrentar o futuro com coragem e solidariedade”, da autoria da Representante da Comissão Europeia em Portugal, Sofia Moreira de Sousa

Enfrentar o futuro com coragem e solidariedade

Sofia Moreira de Sousa, diplomata e representante da Comissão Europeia em Portugal | ©REINALDO RODRIGUES

Este ano, pela primeira vez, os europeus debateram o Estado da União com uma guerra a devastar solo europeu. Desencadeada pela agressão russa à Ucrânia, a invasão representou um momento de viragem, a partir do qual todo o continente se mobilizou, solidário. Os europeus não viraram a cara nem hesitaram e, a partir desse momento, toda a União esteve à altura dos acontecimentos.

O discurso sobre o Estado da União, proferido pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, perante o Parlamento Europeu, no dia 14 de setembro, capturou e resumiu o momento que vivemos: “Despertámos a força interior de que é feita a Europa”.

E vamos precisar de toda essa força, pois os meses que se avizinham não serão fáceis. Está muita coisa em jogo, para a Ucrânia, mas também para toda a Europa e para o mundo em geral. Esta é uma guerra contra a nossa energia, contra a nossa economia, contra os nossos valores, enfim, como disse a Presidente, uma guerra contra o nosso futuro.

Com a mesma solidariedade e coragem com que apoiámos os ucranianos que enfrentam os tanques russos, vamos preparar-nos para fazer face às consequências sócio-económicas da guerra. Pagar as contas ao fim do mês está a tornar-se uma fonte de ansiedade para milhões de famílias e empresas.

Por este motivo, estamos a avançar com medidas para reduzir o consumo global de eletricidade, mas também com apoios mais específicos para as indústrias e para as famílias. Os países da União já investiram milhares de milhões de euros em apoios às famílias vulneráveis, mas sabemos que isto não será suficiente. Por isso, a Comissão Europeia vai propor um limite máximo para as receitas das empresas que produzem eletricidade a baixo custo e também a indústria dos combustíveis fósseis será chamada a contribuir.

Mas enquanto aplicamos soluções rápidas, temos que nos preparar para uma mudança de paradigma e construir a economia do futuro com o Pacto Ecológico Europeu como pilar desta transformação. O verão de 2022, com leitos de rios secos, florestas em chamas e calor extremo, mostrou como a situação é grave. Nenhum país pode lutar sozinho contra estes fenómenos meteorológicos extremos e a sua força devastadora.

E porque também é aqui que se vê a solidariedade europeia em ação, a Comissão vai duplicar a sua capacidade de combate a incêndios com a aquisição de novos meios aéreos para acrescentar à nossa frota, que já ajudou Portugal em momentos críticos.

Nos últimos anos, a Europa tem demonstrado o que é capaz de fazer quando se une. Passámos de uma situação em que não tínhamos qualquer vacina para outra em que garantimos mais de 4 mil milhões de doses para os cidadãos da Europa e do mundo. Após uma pandemia sem precedentes, a nossa produção económica ultrapassou os níveis anteriores à crise em tempo recorde.

Isso foi possível porque todos nos unimos em torno de um plano de recuperação comum, o NextGenerationEU, que apoia o Plano de Recuperação e Resiliência português, cujo contributo está apenas no início: ao nível europeu foram desembolsados 100 mil milhões de euros, mas falta ainda injetar 700 mil milhões de euros na nossa economia. Vamos aplicar o dinheiro onde ele é preciso.

O discurso do Estado da União é também um momento para olhar para o mundo à nossa volta. Vivemos um momento crítico na política mundial que exige repensar a nossa agenda de política externa. Está na hora de investir no poder das democracias. Temos que trabalhar de forma ainda mais estreita com os parceiros que partilham as mesmas ideias, mas não devemos perder de vista a forma como autocratas estrangeiros estão a visar os nossos países. Temos de nos proteger melhor de interferências nefastas e por isso apresentaremos um pacote de Defesa da Democracia que permitirá detetar influências estrangeiras dissimuladas e financiamentos duvidosos.

A ideia dos fundadores da nossa União foi apenas assentar a primeira pedra da nossa democracia, cientes de que seriam as gerações futuras a acabar o seu trabalho. E o exemplo a que assistimos na resposta solidária com a Ucrânia e entre europeus é o que a nossa União representa e o que se esforça por alcançar, quando mostrámos o que os europeus são capazes de fazer quando se unem em torno de uma missão comum.  É esse o espírito da Europa: uma União que se mantém forte e unida e que assim prevalecerá.

Artigo de Luís Condeço—Deitar cedo e cedo erguer, dá Saúde e faz crescer!

Autor

Luís Miguel Condeço

Enfermeiro Especialista de Saúde Infantil e Pediátrica do Centro Hospitalar Tondela-Viseu

Professor Convidado do Instituto Politécnico de Viseu

Com o verão a terminar regressa às nossas casas a habitual rotina escolar. Para muitas das crianças e adolescentes é um período do ano aborrecido, habituados à liberdade do deitar tarde e levantar tarde, próprio de tempo de férias, terão agora de regularizar novamente o seu sono.

Dormir bem é fundamental para um futuro saudável, pois o sono enquanto processo fisiológico e dinâmico de consolidação de memórias, regulação endócrina e metabólica, regulação cardiovascular, regulação do estado de humor e controlo da inflamação, ultrapassa em muito a ideia preconcebida de que apenas serve para o descanso físico.

Aconselha-se à população infantil e juvenil alguns comportamentos facilitadores de um sono repousante e revigorante:

  • Manter uma regularidade na hora de deitar e levantar, e das refeições, criando uma rotina positiva;
  • As sestas (quando realizadas, em função da idade) devem ter hora e duração certa;
  • Os pais devem criar um ambiente propício ao sono no quarto da criança e adolescente, com temperatura amena, escuro ou luz de presença mínima, e silencioso;
  • Deve ser evitada a luz intensa na hora de dormir e durante a noite, permitindo a entrada de luz natural pela manhã no quarto;
  • Estão completamente desaconselhados o exercício físico excessivo e a ingesta de refeições pesadas próximos da hora de deitar;
  • O consumo de alimentos ricos em cafeína (estimulante) deve ser restrito, como é o caso do café, chá, refrigerantes (cola, ice tea) e chocolates;
  • E como não podia deixar de ser – os ecrãs, remover do quarto e não permitir antes de dormir a utilização de televisão, tablets, telemóveis e videojogos.

A qualidade do sono é influenciada pela sua duração, continuidade e profundidade, e cabe aos pais, cuidadores e família garantir estas três dimensões dentro do recomendado. Lembro que uma criança em idade escolar deve ter um tempo de sono diário de 9 a 11 horas, enquanto os adolescentes devem dormir entre 8,5 a 10 horas por noite. Um bom sono é fundamental para uma vida saudável!

 

Artigo-Regresso às aulas e prevenção do bullying

Milhares de crianças em todo o país estão a começar um novo ano letivo. Para muitas, o infantário e a sala de aula são uma novidade, a que se junta todo um novo ajuste familiar que pode gerar alguma ansiedade em adultos e crianças. Mas, de acordo com a psicóloga Filipa Santos, há um elemento essencial que é preciso não esquecer: a saúde emocional dos mais pequenos. “As salas de aula são um local onde as crianças se desenvolvem socialmente e temos de as ajudar a encontrar ferramentas que lhes permitam fazê-lo com segurança e confiança, ajudando a criar espaços onde se sintam integradas e evitem comportamentos de bullying entre pares”, explica.

A psicóloga do IVI Lisboa, salienta que “havendo cada vez mais modelos familiares diferentes, como o homoparental ou os formados por mães solteiras por opção, é preciso pensar que as crianças vão encontrar algumas diferenças com outros colegas, pelo que é importante dotá-las de ferramentas para enfrentar esta situação”.

 

Dra. Filipa Santos | Psicóloga na Clínica IVI Lisboa

Filipa Santos alerta que a estigmatização das famílias na nossa sociedade tem um impacto negativo no bem-estar emocional das crianças. Por essa razão, sublinha que “todos somos responsáveis e potenciais agentes dessa mudança social que precisa de ter continuidade e de ser consolidada, por forma a que seja possível criar ambientes seguros e construtivos para as nossas crianças se desenvolverem de forma harmoniosa numa sociedade que é plural”.

Para ajudar as famílias, os educadores e professores a incorporar estas mensagens e realidades nas crianças, há uma série de dinâmicas de jogo que podem ser feitas desde cedo e assim prevenir possíveis problemas emocionais no futuro devido à falta de compreensão da realidade familiar da criança. Por isso, para ajudar todos neste processo, Filipa Santos deixa algumas dicas para a construção de famílias de todos os tipos. “Através da criatividade e da imaginação, com estes jogos podemos ajudar a normalizar novos modelos familiares para que as crianças construam e compreendam pouco a pouco a realidade que as rodeia”, explica a psicóloga.

FERRAMENTAS SOCIAIS PARA OS MAIS PEQUENOS

Criar famílias

O jogo consiste em imaginar como é a família da criança com um desenho onde todos os membros aparecem e, em seguida, explicar quem são cada um deles no núcleo familiar. Desta forma, as crianças vão estar mais preparadas para explicar a sua família na escola quando questionadas sobre a família. Também podem ser usadas bonecas para construir famílias de todos os tipos e explicar outros núcleos familiares diferentes dos seus, como famílias divorciadas, crianças adotadas ou famílias com pai e mãe.

Procurar outras referências

Nos filmes e desenhos animados podemos encontrar muitas famílias diferentes que ajudam a refletir sobre diferentes realidades. É comum que apenas um dos pais apareça, ou, nos mais recentes, um par de mães, por exemplo. Estas explicações devem ser sempre dadas de forma natural e com exemplos e realidades próximas do dia a dia que as ajudam a ver que estas famílias se amam da mesma forma que as suas, independentemente dos membros que as integram. Este mês, e pela primeira vez, a famosa porquinha PeppaPig, apresentou um episódio no Reino Unido com uma família com duas mães.

A hora do conto

Nas escolas é comum haver momentos dedicados à leitura de livros. Muitas vezes até são os pais que vão à sala de aula contar uma história. Sendo a nossa sociedade plural, essa pluralidade também está retratada nos livros. Um livro é sempre uma boa escolha para ajudar a explicar que existem modelos de família diferentes, seja com casais do mesmo sexo ou com mães sozinhas que recorreram a clínicas de fertilidade.

Artigo de Paula Miranda—Aceitar ≠ Concordar

Aceitar algo é muito diferente de concordar com algo.

A maioria das pessoas tem estes dois conceitos confundidos nas suas cabeças e na sua forma de agir.

Nós efetivamente podemos aceitar algo, sem concordar com esse algo.

Quando aceito o que alguém me fez, não quer dizer que concorde com a atitude da pessoa. Apenas estou a permitir-me perceber que aquilo que aconteceu não é meu. Que aquela pessoa agiu assim por alguma razão.

O mesmo podemos trabalhar em nós, em relação a qualquer tema que queremos compreender a toda a força e que maior parte das vezes, não existe mesmo forma de conseguirmos chegar à compreensão, pois ou está fora do nosso controle, ou pode até ser algo que não tem mesmo explicação…

Isto também é muito em relação ao nosso passado…

ACEITA o passado e EVOLUI para o futuro!

Quando não aceitamos o passado, ficamos bloqueados, sem rumo, estagnados no mesmo sítio.

E isso acontece, porque, ao não aceitarmos alguma coisa do passado, isso mantém-se dentro de nós, logo vivemos no passado e estamos a construir um futuro igual ao passado.

Quantas vezes ouvimos frases do género:

  • Outra vez?!
  • Lá vem mais do mesmo…
  • Porque é que isto só se passa comigo?

Enquanto não aceitarmos o que há para aceitar do nosso passado, iremos recriar tudo até percebermos o que deveremos escolher fazer com o que nos está repetidamente a acontecer. Normalmente o mantermo-nos neste estado, no passado, ficarmos presos a ele, é porque maior parte das vezes existem de alguma forma ganhos para nós. Ganhamos algo com isso…

SIM Ganhos, e isto é inconsciente!

 

ACEITAR É PERMITIR QUE O NOSSO SER POSSA VIVER COISAS NOVAS.

 

O Não Aceitar pode trazer-nos variados bloqueios, emocionais, físicos, psicológicos…

Quando nós aceitamos algo, o nosso estado emocional altera-se alterando os nossos resultados e por consequência também altera o nosso mundo exterior.

Este é um tema muito importante no desenvolvimento humano, pois passamos para outro patamar da consciência, permitimo-nos ver as coisas de perspetivas diferentes, trabalhamos o NÃO JULGAMENTO e tudo, mas tudo mesmo, ganha um novo sentido.

A aceitação está diretamente ligada ao nosso estado emocional, e o nosso estado emocional influência diretamente a nossa comunicação e os nossos resultados.

Precisamos então, de escolher ser exemplo. Ao alterarmos as nossas atitudes, estamos a mostrar a quem nos rodeia outras formas de atuar e ser.

Agora, proponho que coloquem este tema, na interação com as crianças. Se conseguirmos aceitar e respeitar as atitudes e vontades de uma criança, como poderemos evoluir? Como estaremos a ajudar essa criança a evoluir também?

No Método CoRE KidCoaching, trabalhamos sobre este tema diariamente.

Eu, por exemplo, como terapeuta especializada no atendimento familiar, parental e escolar, não posso, de forma nenhuma entrar em modo julgamento e não aceitar os valores, atitudes e formas de educar de cada um, logo ao aceitar aquela família que chega até mim, passo a ver a perspetiva deles e a entrar num modo de consciência e clareza que me leva a que o processo seja de sucesso e os resultados alcançados pelas famílias sejam também eles um sucesso.

Neste novo início de ano letivo, convido todos a sentirem curiosidade de perceberem um bocadinho mais deste e de outros temas, para que, em conjunto com as escolas, pais e crianças possamos chegar a um resultado de melhoria constante.

Estou neste momento em trabalho intenso de construção de palestras e workshops sobre variados temas da área do Kids Coaching.

Estejam atentos ao que vai surgir.

 

O KidsCoaching e o Metodo CoRE não são para fazer da criança a melhor na escola ou no seu desporto favorito, mas sim para a desafiar a ser melhor que ela própria todos os dias alcançando sempre mais:

  • Alegria
  • Sentido de brincadeira
  • Amor por ela e pelos outros
  • Confiança
  • Aprendizagem
  • Superação
  • Liberdade
  • Felicidade

 

O que ganham as crianças com este método?

  • Maior Autoconfiança
  • Grande senso de conquista e bem-estar
  • Senso de pertencimento
  • Melhor relacionamento familiar e com amigos
  • Aceitação
  • Tolerância
  • Compreensão
  • Conexão
  • Melhor gestão das emoções
  • Melhor expressão das suas emoções
  • Respeito por elas e pelos outros

 

Estamos disponíveis para marcação de processos:

  • Atendimento Parental
  • Atendimento Familiar
  • Atendimento Escolar
  • Atendimento de Crianças através do método CoRE KidCoaching
  • Analista comportamental

Sempre por perto … treecoach9@gmail.com

Com Amor e Gratidão

Paula Miranda

 

 

 

 

Coach Profissional & Kid Coach

Especialista em Comunicação e PNL

Atendimento Parental e Escolar

Analista Comportamental

 Somos Criadores / Acredita em Ti

Tlm 932 688 567

treecoach9@gmail.com

Artigo de Sara Morais—A Mente, as emoções e a Hipnose Clínica

A Mente, as emoções e a Hipnose Clínica

O ditado magistral “O tempo é dinheiro” vinculou o foco social e individual no investimento do tempo para a realização monetária e material. Num segundo plano, ficou retida a expressividade emocional que se tornou num garante desafio da nossa atualidade. Embora, atualmente, exista uma maior acessibilidade à informação sobre o contexto emocional, a verdade é que há, ainda, um parco conhecimento e a vontade para falar sobre as emoções e o respetivo processamento.

O facto de usarmos o nosso raciocínio lógico e linear na vanguarda do desenvolvimento tecnológico e nas várias dimensões da vida diária, leva-nos à tendência natural de desvalorizar o conteúdo interior e emocional. Contudo, o uso da razão sobre o domínio das emoções não quer, por si só, inferir um processamento pleno destas mesmas respostas. Por este motivo, fica deprimido sem uma razão aparente para o estar ou deixa de dormir inexplicavelmente, ou simplesmente, o leitor tem consciência de uma determinada mágoa interior que a leva agir, espontaneamente, e de forma paradoxal à razão.

Isto acontece porque a emoção – reação a um estímulo ambiental e cognitivo – fica, muitas vezes acomodada na mente subconsciente, caprichosamente, sem o devido reconhecimento, porque é algo, sobriamente, doloroso, traumático ou incompreensível aos olhos da razão, e por esse motivo a troca de informação realizada entre a mente subconsciente e consciente sustenta a ação espontânea que faz perder o controlo consciente do comportamento. Assim, surge os sentimentos, que permitem determinar qualitativamente a emoção o que possibilita a mudança da emoção e por conseguinte a ação.

É nesta viagem de profundidade interior que a Hipnose Clínica assume um papel preponderante, não só enquanto terapêutica, mas, também, enquanto instrumento de desenvolvimento pessoal. Esta ferramenta permite ao sujeito conhecer a si mesmo seguindo vários encadeamentos e técnicas que o possibilitam. Inicia-se logo, de imediato, no processo de indução – ao passar de o estado de consciência vígil para o afunilamento da atenção concentrada – o leitor vai abarcar o conhecimento dos processos indutivos compreender como o seu pensamento e o corpo reagem de forma natural.

Neste processo fisiológico natural, terá a oportunidade de gerir o senso crítico sustentado pela mente consciente e, consequentemente, entrar em contacto com as suas emoções. Esta acessibilidade, permite uma aprendizagem sobre o espectro emocional através de uma maior compreensão e trabalho de alteração simbólica, no que diz respeito aos sentimentos, experiências e sensações que contribuem ativamente para uma gestão emocional e comportamental aumentada e eficaz.

A este quociente positivo junta-se aceitação sobre si mesmo fomentado pelo conhecimento das próprias capacidades e limitações diluídas, ao longo do tempo, pelos grilhões das crenças limitadoras. Este processo compreende a capacidade do desenvolvimento comportamental e emocional, como também promove a concretização das diversas metas e objetivos.

Para concluir, a Hipnose Clínica vincula-se, assim, como a coluna dorsal de um novo mapa mental, uma nova configuração do “eu” nesta alexitimia atemporal, em que as várias exigências, beliscam diariamente o bem-estar e o equilíbrio da saúde mental.

No próximo boletim de saúde, em setembro, poderá verificar mais sobre o misterioso segredo da felicidade e as emoções negativas.

Sara Morais

Hipnoterapeuta

Consultas 91 63 54 106

sfilipa.morais@gmail.com

Artigo de Sandra Correia—Preparados, para mais um ano?

Com o mês de setembro, regressam as rotinas: para os pais, o emprego, para os filhos, a Escola. O primeiro dia é, sempre, para as crianças e jovens, um dia de emoções: o reencontro com os amigos, o relato das aventuras vividas ao longo das férias, a curiosidade pelo novo horário, pelos novos professores. E os restantes longos dias do ano escolar? A Escola é o lugar para aprender e desenvolver competências, importarão as emoções? A empatia? Os afetos?

Neste contexto, falar de inteligência emocional pareceu-me um tema pertinente. Num mundo em constante movimento, cada vez mais global, as redes sociais dominam o nosso dia-a-dia, as nossas relações e as nossas profissões, o que é valorizado é parecer sempre perfeito, realizado e feliz, mesmo que essa não seja a realidade. Desde tenra idade, os desafios são crescentes. Não interessa quanto uma pessoa é inteligente, se não souber agir quando os obstáculos, as tristezas, as frustrações surgirem no seu caminho. Como diria o pai da inteligência emocional, Daniel Goleman, se não possuirmos competências emocionais e não soubermos gerir as nossas emoções não vamos muito longe, não conseguimos seguir em frente.

O papel da Escola é formar cidadãos livres, criativos, competentes e autónomos, capazes de enfrentar os desafios da sociedade do século XXI. Um século cada vez mais preocupante. O futuro parece-nos cada vez mais incerto, mais nebuloso para os nossos filhos e netos. A questão tão explorada, há anos, das alterações climáticas, veio provar a necessidade premente de tomar medidas face à escassez de água. A guerra trouxe para o mundo imagens de atrocidade, desespero e morte, mas também o aumento do valor dos bens essenciais, da energia e a diminuição do dinheiro, nas carteiras. Esta é a nossa realidade.

É crucial revelar às nossas crianças e jovens, que vivem num mundo onde mostrar aos outros que estamos sempre felizes, nas redes sociais, é regra, que, afinal, o mundo nem sempre é cor-de-rosa. É essencial encurtar a distância que os envolve. O tempo dos telefonemas, dos encontros deu lugar à falta de tempo, às mensagens por WhatsApp, à falta de comunicação vivida e sentida, aos desabafos e pedidos de ajuda, à solidão no quarto. Quantas vezes, percorro o corredor da Escola e encontro um grupo de jovens, em silêncio, cada um no seu telemóvel. Ainda que a época pandémica que vivemos (e ainda existe), com os vários confinamentos, tenha contribuído para o vício das tecnologias, o levantamento das restrições deveria ter aproximado mais os jovens no que concerne a comunicação presencial. O mês de agosto espelhou, nas festas, uma necessidade real de estar com os amigos, de abraçá-los e aproveitar o momento. Não houve concerto, baile ou outro qualquer evento que não estivesse lotado. No entanto, quantos e quantos jovens continuavam agarrados ao telemóvel.

Sinto que o poder da vida escorre pelos dedos das nossas crianças. É importante aprenderem os variadíssimos currículos das disciplinas, mas mais crucial, ainda, é ensinar-lhes a conciliar a inteligência com as emoções, é permitir-lhes alcançar uma vida mais rica, com menos níveis de ansiedade, maior equilíbrio emocional, maior capacidade de tomar decisões, maior autocontrolo e maior autoestima.
                          Aumento significativo da depressão nos jovens

Faço aqui um parêntese, para chamar a atenção para um aumento significativo da depressão nos jovens, que têm uma vida pela frente, mas vivem presos à ansiedade, ao stress, à pressão. A saúde mental dos adolescentes e jovens adultos vive a reboque da precariedade e da inexistência de um futuro promissor e a fatura já se começa a pagar: quase um quarto dos portugueses entre os 15 e os 34 anos já pensou ou tentou suicidar-se e 26% já tomou medicamentos para a ansiedade – dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, no retrato Os jovens em Portugal, hoje: Quem são, que hábitos têm, o que pensam e o que sentem.

Assim, e apesar de toda a controvérsia que caracteriza a classe docente, o professor tem a maior missão do mundo. Assim, sou, assim acredito. O professor tem a função de mostrar o caminho, aos seus alunos. de fornecer uma mochila repleta de valores, regras, sentimentos, resiliência e persistência para enfrentar as dificuldades que surgirem mais tarde. Na sala de aula, o professor, de mãos dadas com os seus alunos, ensina o currículo, mas também lhe cabe a tarefa de estar atento, de dialogar, de compreender um gesto, uma reação, de ler o olhar, de parar, se preciso for. Ao professor cabe sentir e fazer sentir, cabe gerir emoções e compreendê-las para agir.

Urge fazer da Escola um lugar feliz, um lugar seguro, onde os alunos sintam que estão a crescer para serem bons cidadãos, para que compreendam que o caminho da vida contém pedras, rochedos e dar-lhes as ferramentas para o enfrentar, sem medo de falhar, sem ansiedade, sem frustração, sem pressão, com espírito empreendedor, com a crença de que o sucesso virá.  Aos pais, é urgente ter tempo, consagrar tempo à família, no meio da rotina, do stress imposto pelo relógio, parar, falar com o coração, curar feridas, ouvir, estar atento, encorajar, abraçar.

O sucesso deste processo só pode ser a formação de cidadãos mais felizes, mais resilientes, mais seguros, mais ativos, mais participativos. Compreender o outro, pôr-se no lugar do outro, intervir para agir são resultados positivos para quem possui inteligência emocional. Aceitar a diferença, lutar a favor da igualdade de género, contra a violência doméstica, proteger o ambiente, compreender o outro e pôr-se no lugar do outro fazem, reconhecer o erro, pedir perdão, cuidar são parte dos objetivos da missão da Escola, do professor, na sua sala de aula, de coração aberto e olhos iluminados. Alunos felizes serão cidadãos felizes que darão voz às suas convicções, às suas ideias, porque é assim que serão proativos, por eles e em prol dos outros.

Acredito que a Escola contribui para o estímulo e o treino da inteligência emocional, junto das nossas crianças e jovens, mas também junto das famílias. Professores motivados cumprem a sua missão, dão de si mais do que o exigido e do que é valorizado. Os professores e as famílias fazem parte de uma adição cujo resultado só pode ser positivo.

A Educação é um dos pilares que sustém a sociedade. Não reconhecer esta premissa é não querer um melhor futuro para os nossos filhos, para nós, pais, para os avós, para quem precisa de ser cuidado, para todos e todas, para Portugal e para o mundo.

Professores felizes, alunos felizes, pais felizes. Juntos com a mesma visão: a promoção do sucesso escolar aliado à promoção de ferramentas que permitam gerir os desafios do mundo, do século XXI.

Um bom regresso para todos!

 

Sandra Correia

sandrampcorreia@gmail.com

 

 

Artigo de Madalena Fonseca—-Arte como conforto

A pandemia veio mostrar-nos que para além de comer, dormir e ir à casa de banho, precisamos de algo mais – as necessidades básicas podem ser importantes para a nossa saúde física, mas não nos podemos esquecer da nossa saúde mental. São muitas as vertentes da nossa vida que contribuem ou não para a nossa saúde mental – fazer exercício, sair com amigos, sexo – mas as artes são algo tão necessário como tudo isso. Aliás, elas estão tão presentes no nosso dia a dia que nem damos pela sua falta e a sua importância.

Retomo à pandemia covid-19, e ao consequente confinamento de milhões de seres humanos no mundo – o que faziam todos eles fechados em casa? Necessidades básicas, sim. Mas, o que salvou alguns de um possível distúrbio mental foram os livros, os filmes e séries, os livros de colorir, a música, a televisão, o handcraft, ou seja, o universo artístico presente em cada um de nós. Será por isto importante mencionar como algo tão comum, ou que pode até parecer vulgar e pré-adquirido, é algo a que não atribuímos a sua real importância e significado no nosso bem-estar. Todos nós nos relacionamos com o mundo artístico de algum modo, com aquela personagem com que nos identificamos, com aquela música que nos faz vibrar, com aquele verso que se torna um mantra…. É intrínseco ao ser humano este conforto e “cheiro a casa” que as artes nos oferecem. É um mundo onde estamos realmente seguros, absorvidos e em paz connosco e o mundo exterior.

 

Madalena Fonseca

Artigo de Madalena Fonseca–Música – Uma conexão multicultural

A música conecta – e podemos relacioná-la com o momento a que os espanhóis chamam de “sobremesa”, a partilha mútua entre pessoas de que gostamos naquele momento presente (depois de uma refeição). O que interessa nesta relação é exatamente o momento e o ambiente criado, a música tem esse poder, consegue juntar um grupo de pessoas e colocá-las todas presentes naquela partilha. Nesse local, “não palpável”, somos todos iguais e fazemos todos parte daquele espaço, não existem rótulos ou julgamentos. A música tem assim esta magia sobre os humanos, por um lado alguém a produz, e do outro lado temos alguém a recebê-la, é uma relação de simbiose, onde precisamos uns dos outros para fazer sentido.

Existem músicas que todos conhecemos, assim como existem estilos e géneros muito diferentes para o nosso ouvido, mas que são compreensíveis e fáceis de interpretar, mesmo estando num idioma diferente e desconhecido, o que está aqui implicado é a musicalidade e o sentimento que a música transmite, apesar de que uma letra poderá dizer muito. Este pensamento poderia ajudar o ser humano a compreender que a música é universal, é uma linguagem que todos compreendem e sentem, e que junta pessoas com o mesmo propósito de viver o momento presente. Conseguimos imaginar nestes momentos o que poderia ser um mundo perfeito, onde humanos se relacionam numa perfeita partilha sem barreiras ou diferenças, um mundo multicultural, assim como é a música.

Madalena Fonseca

Artigo de Sara Morais- Depressão, a Fadiga e a Hipnose Clínica

Uma das características, frequentemente, associadas à depressão é a falta de energia e vitalidade tanto a um nível físico como psicológico. Esta fadiga condiciona a capacidade de trabalhar ou, até mesmo, realizar tarefas simples do quotidiano mesmo quando estas na realidade não representam um esforço, propriamente dito, mas são percecionadas pelo sujeito depressivo como depauperantes.

Na verdade, o cérebro humano evoluiu ao longo do tempo para adaptar e proteger a espécie Humana a um mundo cada vez mais exigente. O cérebro tem a capacidade de transformar o mundo real, de injetar a felicidade, de inventar o prazer e de potenciar a sensação de apego e pertença através dos vários neurotransmissores: dopamina, serotonina, endorfinas e adrenalina. Por exemplo, quando o leitor come um determinado alimento calórico, sente prazer ou, simplesmente, quando concretiza algo que sempre desejou sente uma maior sensação de energia e vitalidade.

Contudo, na depressão este sistema de recompensa e de construção do mundo real fica desregulado, o mundo perde a cor, a vida fica empobrecida e tudo o que acontece ao seu redor é percecionado como um chorrilho de eventos sem qualquer razão ou expressão. O leitor experiência, então, o que Augusto Cury advogada como o último estágio da dor Humana – a depressão. A realidade fica cinzenta, as capacidades cognitivas e físicas são lentificadas e instala-se o desinteresse pela procura do prazer e da felicidade.

É neste enquadramento que surge a Hipnose Clínica enquanto ferramenta terapêutica não convencional mas complementar e natural. O estado de Hipnose, por si só, caracteriza-se por um estado neurofisiológico natural que altera a perceção cognitiva, do exterior para o interior, permitindo a libertação natural dos neurotransmissores: dopamina e serotonina e por conseguinte, restabelece um equilíbrio neuro-químico. Neste seguimento, o leitor começa a sentir mais energia e o pensamento fica menos disperso. Numa fase posterior, o leitor vai desenvolver uma maior consciência sobre o seu “eu” interior e sobre as suas emoções, compreendendo um reajuste nos vários comportamentos e hábitos no roleplay do quotidiano, devolvendo assim o bem-estar e a qualidade de vida ao leitor.

Sara Morais

Hipnoterapeuta

Consultas 91 63 54 106

sfilipa.morais@gmail.com

 

Artigo de Música – Política -Madalena Fonseca

O single “Triste, Louca ou Má”, de “Francisco, el Hombre”, é o exemplo de como a música pode não ser apenas um entretenimento, mas também uma melodia de revolta, atual e intemporal, com uma mensagem por trás.

“Triste, Louca ou Má” engloba toda uma série de mensagens subliminares e também diretas, através do som, letra e videoclipe, conjugados de forma a provocar a rutura de várias construções sociais. O single foi executado de maneira excecional, com a assertividade da mensagem transmitida, combinada com a leveza dos instrumentos que vão ganhando cada vez mais força, criando este chamamento arrojado, para o que é o lugar da mulher na sociedade e a necessidade de uma mudança. Uma característica unitária desta revolução pelas mulheres, é o facto de a música ser cantada por uma mulher e um coro de mulheres, assim como o videoclipe é executado por um grupo de dançarinas também do sexo feminino. A voz da vocalista começa com toda uma suavidade, para se vir a transformar numa voz revoltada, arranhada e sedenta de libertação. É um importante objeto cultural, com o poder de influenciar a sociedade através de algo belo de ouvir, para chegar a cada um, fazendo-nos interiorizar e compreender coisas que de outra forma não seriam tão interessantes e profundas.  A música é visceral, quase como se explodisse algo das profundezas das cantoras, com vocalizos que têm tanto de belo, emotivo e doloroso.

 

Madalena Fonseca