Início » Tag Archives: avisos e liturgia

Tag Archives: avisos e liturgia

Avisos e Liturgia do II Domingo de Páscoa- ano A

“Se não vir, não acredito”. É o critério de Tomé, perante a notícia da Ressurreição. Hoje, este critério ganha terreno na mentalidade actual. Não nos podemos convencer que é verdade tudo o que vemos ou ouvimos. Com os meios técnicos, de imagem e de som, é possível, hoje, publicar vídeos em que se coloca uma pessoa a dizer e a fazer o que nunca disse e fez. É o mundo do “deepfake” e das “fakenews”, tendo como tradução da “falsidade e dos falsos”.

No tempo de São Tomé, nada disto acontecia. Se vias alguma coisa, podias acreditar nela. Ora, a fé de Tomé foi muito além do que viu e tocou. Viu e tocou um corpo humano. Ficou surpreendido ao ouvir que Jesus estava vivo, depois de ter sido pregado na cruz. Contudo, exclamou: “Meu Senhor e meu Deus”. Reconheceu a sua soberania e a sua divindade: este é o acto de fé de Tomé. Por isso, podemos afirmar que Tomé viu, mas também acreditou. Não ficou somente pelo que via, mas descobriu a verdadeira identidade de Jesus, com quem tinha convivido durante algum tempo.

Jesus disse: “felizes os que acreditam sem terem visto”. Refere-se aos cristãos de todos os tempos que acreditaram Nele sem O terem visto. Mas, não podemos acreditar sem ter experimentado, sem nos encontrarmos com Jesus. O texto evangélico deste domingo manifesta-nos a importância da comunidade. Jesus apresentou-Se, quando os discípulos estavam reunidos. Tinham as portas fechadas, com medo dos judeus, e os corações apertados pela ansiedade e pelo desespero…, mas estavam unidos! E Jesus torna-se presente. Oito depois, aconteceu o mesmo: nova reunião e nova aparição. Vale a pena pensarmos nisto, quando custa tanto mantermos a perseverança à missa de cada Domingo. É evidente que as nossas reuniões dominicais nem sempre reúnem as melhores condições, mas desde os tempos apostólicos são a forma desejada de Jesus se tornar presente entre a comunidade reunida. Se não estamos lá, perdemos tudo isto!

Podemos acreditar sem ver, é verdade, mas não podemos acreditar sem experimentar. É oportuno, então, pensar se já experimentámos Deus, se já nos encontrámos com Jesus, se sentimos a presença do Espírito Santo. Mas, será que se sente alguma emoção especial? Deus não se engana, porque enganar-se é próprio dos seres humanos. Não é prudente deixarmo-nos levar por emoções passageiras, mas pela verdadeira experiência de Deus que deixa as marcas que encontramos no evangelho deste domingo. Em Jesus, torna-se presente o Reino de Deus, são vencidos o pecado e a morte, os seres recuperam a sua beleza original, dada por Deus, e caminham para a plenitude, onde Deus será tudo em todos. Neste encontro com Jesus, os discípulos recebem a paz e a alegria, que não são uma euforia momentânea de uma vitória inesperada, mas a descoberta de que as coisas voltam a ser como sempre deveriam ter sido, e que, agora, ninguém pode parar a nova criação que Jesus iniciou.

É esta paz e alegria que Jesus nos envia a espalhar, mediante o seu Espírito. Em Cristo, e somente Nele, o perdão e a reconciliação são oferecidos a todos, abrindo, assim, o caminho do Reino entre nós. Era isto que já começavam a experimentar os primeiros cristãos, que viviam como irmãos e partilhavam os bens e a oração. A Igreja continua a obra de Jesus, quando a comunidade vive em verdadeira comunhão, apoiada no essencial, testemunhando a alegria e a simplicidade de coração que brotam do encontro com Deus. É este rosto que a Igreja, também hoje, deve dar ao mundo.

 

16-04-2023

JMJ_flyer (5)
Flyer Parque do Perdão, Vigilia, Via Sacra e Missa Final (3)

LEITURA ESPIRITUAL

Jesus arde no desejo de ser amado

 

Jesus confia-lhes (aos discípulos receosos e admirados) o dom de perdoar os pecados, dom que brota das feridas das suas mãos, dos seus pés e sobretudo do seu lado trespassado. Dali sai uma vaga de misericórdia para toda a humanidade. Revivemos este momento com grande intensidade espiritual. Também hoje o Senhor nos mostra as suas chagas gloriosas e o seu Coração, fonte ininterrupta de luz e de verdade, de amor e de perdão.

O Coração de Cristo! O seu Sagrado Coração deu tudo aos homens: a redenção, a salvação, a santificação. Através do mistério deste Coração ferido, não cessa de se difundir, também sobre os homens e as mulheres da nossa época, o fluxo reparador do amor misericordioso de Deus. Quem aspira à felicidade autêntica e duradoura, unicamente nele pode encontrar o seu segredo. «Jesus, confio em Ti».

Esta oração, querida a tantos devotos, exprime muito bem a atitude com que também nós desejamos abandonar-nos confiantes nas tuas mãos, ó Senhor, nosso único Salvador. Arde em Ti o desejo de seres amado, e quem se sintoniza com os sentimentos do teu Coração aprende a ser construtor da nova civilização do amor. Um simples acto de abandono basta para superar as barreiras da escuridão e da tristeza, da dúvida e do desespero. Os raios da tua divina misericórdia dão nova esperança, de maneira especial, a quem se sente esmagado pelo peso do pecado. (São João Paulo II, 1920-2005, Homilia do 2º Domingo da Páscoa, Abril de 2001, nn. 4-6).

 

Avisos e Liturgia do 12º Domingo Comum (Ano C)

No texto do evangelho deste Domingo, aparecem dois anúncios muito importantes na vida de Jesus. O primeiro anúncio é feito por Pedro, professando que Jesus é o Messias, o Ungido de Deus. Era uma boa notícia para todos aqueles que esperavam o Messias. Mas no segundo anúncio é dito que o Messias tem de sofrer muito, ser rejeitado, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Como podemos entender esta contradição entre os dois anúncios? O Messias tem de morrer para triunfar neste mundo?

Para entender melhor o texto evangélico deste domingo e todas estas perguntas, há que ter em conta que a fama de Jesus se espalhou por todas as povoações da Galileia. As pessoas começavam a falar dele, maravilhadas por tudo quanto dizia e fazia. De certeza que ficavam surpreendidas ao ver e ouvir contar os milagres que fazia, especialmente ressuscitar os mortos. De certeza que ficavam surpreendidas ao verem que o filho do carpinteiro de Nazaré proclamava o anúncio do Reino de Deus com palavras belas e com autoridade. Começava a despontar a fama de Jesus como o Messias esperado.

Por isso, um dia, Jesus perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem as multidões que Eu sou?”. Esta pergunta pode parecer inocente e ingénua, mas é muito importante para os apóstolos. As outras pessoas podem dizer o que bem entenderem: “Uns que és João Batista; outros, que és Elias; e outros que és um dos antigos profetas que ressuscitou”. Mas o que dizem os apóstolos? “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Melhor que ninguém, os discípulos conheciam Jesus, porque viviam com Ele, escutaram as suas palavras e viram todos os milagres que fez. Sem dúvida, são uns privilegiados ao serem as primeiras testemunhas do anúncio da Boa Nova do Reino de Deus que se começa a concretizar na pessoa de Jesus Cristo. É por tudo isto que a sua resposta é importante, porque depende se entenderam ou não quem é realmente Jesus.

23-06-2019

Em nome de todos, Pedro tomou a palavra e respondeu: “És o Messias de Deus”. Perante as palavras e os milagres de Jesus, só se podia esperar o seu triunfo como Messias. Mas Jesus surpreende os discípulos, afirmando: “O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. Ninguém esperava este anúncio, porque ainda não estavam preparados para entender o verdadeiro messianismo. Não podemos esquecer que a esperança da vinda do Messias estava fundamentada na vinda de alguém muito importante que iria libertar o povo judeu da opressão do império romano. Mas a missão do verdadeiro Messias era libertar todos os povos da opressão do pecado e da morte de uma forma que ninguém estava à espera. Jesus anuncia a sua morte trágica em Jerusalém e este anúncio fica muito longe do esquema ideal do messianismo para o povo judeu e também para os próprios discípulos.

Depois do anúncio da sua paixão, Jesus diz como cada um de nós fica ligado ao mistério da sua paixão: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me”. É fácil acreditar num Messias majestoso, triunfante. Acreditar num Messias pregado na cruz não é fácil, parece um fracasso. É mais fácil ver Jesus no Monte Tabor a transfigurar-se, a pregar às multidões, a fazer milagres, chegar ao sepulcro vazio sem passar pela cruz em Jerusalém! A cruz transforma-se em triunfo, somente à luz da ressurreição.

Diante do texto do evangelho deste Domingo, quem é Jesus para mim? De certeza que responderemos como Pedro. Mas, temos consciência de que aceitar Jesus como Messias quer dizer aceitar as nossas cruzes? Aceitar a cruz é sempre difícil e não podemos escapar dela. E as cruzes chegam à nossa vida sem avisar, quando menos esperamos aí estão! Procuremos que as nossas cruzes não nos façam fracassar na vida, mas fortalecer ainda mais a nossa união a Cristo Crucificado e Ressuscitado, o Messias de Deus.

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Ano C - Tempo Comum - 12º Domingo - Boletim Dominical

Avisos e Liturgia da Ascensão do Senhor (Ano C)

A Ascensão do Senhor é uma festa de despedida. A leitura dos Atos dos Apóstolos e o texto do evangelho de S. Lucas fazem referência a este momento em que Jesus se despede dos seus discípulos. Todos já fizemos a experiência da despedida dos nossos familiares e amigos; uns foram para outras terras, outros já partiram deste mundo. Vamos sentir a falta deles, ou porque durante algum tempo estarão longe de nós, ou porque foram à nossa frente para a casa do Pai. Recordá-los-emos sempre pelos momentos bons que partilhámos na esperança de um dia nos encontrarmos novamente.

Na Ascensão, Jesus despede-se dos seus amigos. Não lhe esconde a realidade que irão enfrentar, não lhes faz um programa simples para concretizar nos próximos tempos, não lhes promete facilidades. É necessário pregar que “o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém”. Apesar da missão ser grandiosa e difícil, nunca estarão sozinhos, porque Jesus enviará Aquele que foi prometido pelo Pai, que lhes concederá uma força interior e um entusiasmo para levar por diante a missão recebida. Jesus sobe aos céus e os Apóstolos iniciam uma nova fase das suas vidas. Mesmo sem a presença física de Jesus, nada acaba, tudo se transforma e a vida continua a ter sentido.

02-06-2019

A Ascensão do Senhor é uma despedida na esperança, ajuda-nos a compreender que a vida continua a ter sentido e a concretizar a nossa missão neste mundo: descobrir Deus nos desprezados e esquecidos da sociedade, ir ao encontro do rosto sofredor do amigo, do irmão, do doente, do esquecido e do desprezado. A Ascensão do Senhor não nos convida a afastarmo-nos dos outros, mas também a “subir”, ou seja, a estarmos presentes junto dos nossos irmãos, fortalecidos e entusiasmados pela força do Espírito Santo. Na nossa vida nunca estamos sozinhos: estamos com os nossos irmãos e irmãs que, no silêncio e na discrição, na sua família e no trabalho, nos seus problemas e dificuldades, nas suas alegrias e esperanças, vivem no amor em Cristo.

Jesus sobe ao céu e também convida-nos a “subir” para Deus sem deixarmos a terra, ou seja, darmos conta que Ele está no meio de nós, nos outros, na natureza, em todos os momentos da nossa vida. Também “subimos”, alargando a perspectiva de ver a vida e a realidade que nos rodeia, não esquecendo que somos filhos de Deus, amados por Deus, que olhamos o céu como a meta da nossa vida, que estamos aqui para servir e para defender a dignidade da pessoa humana. Nesta perspectiva nova de vida, contaremos sempre com a promessa do Pai. Não podemos pensar que o Pai nos resolverá todos os problemas e sofrimentos. Mas ajudar-nos-á a construir um mundo mais justo e solidário, com mais dignidade e fraternidade. Jesus irá à nossa frente a ensinar-nos o caminho que leva ao Pai e aos irmãos.

A Ascensão não é algo que afecte apenas a Jesus! Agora, junto do Pai, no Céu, Ele está acima de todos os Principados e Poderes, mas também é uma presença amante e reconfortante junto de tudo e de todos. A Ascensão é também uma festa da Igreja, uma festa da Igreja missionária: os cristãos não podem cruzar os braços nem ficarem a olhar para o céu. Agora, a nossa missão é anunciar o Evangelho e o Reino de Deus. É a nossa missão cumprir o mandato de Jesus: “Ide por todo o mundo e ensinai todos os povos”, confortados e entusiasmados com a certeza de que Jesus estará sempre connosco até ao fim dos tempos.

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

 Ano C - Tempo Pascal - 7º Domingo - Boletim Dominical

 

Avisos e Liturgia do 4º Domingo da Quaresma (Ano C)

Neste Domingo, já começamos a sentir a proximidade das festas solenes da Páscoa. Por isso, pedimos a Deus que nos conceda “fé viva e espírito generoso, a fim de caminharmos alegremente para as próximas solenidades pascais”. Na segunda leitura, São Paulo continua a recordar o convite à reconciliação, afirmando: “por Cristo, Deus reconciliou-nos consigo. Se alguém está em Cristo é uma nova criatura. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus”.

O texto do evangelho é a parábola do filho pródigo, tão conhecida de todos. É a manifestação do grande amor de Deus Pai por cada homem e por cada mulher. É o próprio Jesus que nos dá a conhecer o Pai misericordioso. Ao fazer esta revelação, escandaliza os fariseus e os escribas, porque acolhe e come com os pecadores. Na parábola, o filho mais velho, a quem chamaríamos bom e recto (sempre serviu o pai), também se escandaliza e indigna-se com o seu pai. Mas também o pai é bom e misericordioso para com ele. Sai da festa para ir ao seu encontro e dizer-lhe: “Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu”. Como é impressionante constatar o seguinte: o filho mais velho estava sempre com o seu pai, mas não o conhecia! Também nós reconhecemos que Deus está sempre connosco. Mas qual a nossa relação com Aquele que invocamos como nosso Pai e que está nos Céus?

Quem abre o seu coração à voz de Deus nunca desanima nem se desorienta, porque sente o amor misericordioso de Deus Pai, disposto a perdoar, lento para ira e rico de misericórdia. Mas também sente que Deus não tem a pretensão de julgar ou excluir aqueles que, segundo a Lei, aparecem como pecadores. Deus facilita-lhes o caminho de regresso e celebra com alegria este retorno. Neste domingo, somos convidados a fazer o nosso caminho de regresso ao Pai, preparando-nos, assim, para as festas da Páscoa. O Pai está ansioso por nos devolver a dignidade e a alegria da nossa filiação divina, da nossa fraternidade em Cristo Jesus, nosso Redentor. Por isso, na parábola, disse aos servos: “trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado”.

31-03-2019

As palavras e as acções de Jesus revelam misericórdia. Como Ele sabia ler o coração de cada um e respondia às suas necessidades! Nas parábolas dedicadas à misericórdia, Jesus revela a natureza de Deus como de um Pai que quer vencer o pecado e a rejeição com compaixão e misericórdia. Nestas parábolas encontramos o núcleo do Evangelho e da nossa fé, porque a misericórdia é a força que tudo vence, que enche de amor o coração e que consola com o perdão. A parábola do filho pródigo ensina-nos tanto! A misericórdia não é somente a acção do Pai, mas converte-se no critério para saber quem são realmente os seus filhos. Somos convidados a viver a misericórdia, porque sobre nós é derramada a misericórdia divina. O perdão das ofensas é a expressão mais evidente do amor misericordioso. Por isso, é algo que nenhum de nós se pode esquecer, porque assim o rezamos: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. O perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para conseguir a serenidade do coração. É isto que Jesus afirma nas Bem-aventuranças: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”.

A parábola do filho pródigo é a parábola do pai misericordioso, é a parábola da festa da reconciliação. A parábola fala-nos de um pecado, mas não fica por aí; fala-nos de um arrependimento, mas não fica por aí; fala-nos de uma conversão, mas não fica por aí; fala-nos do perdão do pai e da confissão do filho, mas não fica por aí! A parábola conta tudo isso para terminar com uma festa e a alegria da reconciliação. Será este sentimento que reinará nos nossos corações, quando nos reconciliarmos com Deus, com os irmãos e connosco próprios.

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

                                                     PREPARAR AS CELEBRAÇÕES PASCAIS

A grande celebração anual dos cristãos é a Páscoa. Foi por causa da Páscoa que entramos em Quaresma. E se a pastoral faz um enorme investimento na Quaresma (e ainda bem, porque uma grande festa requer uma grande preparação!) é por causa da Páscoa. Mal seria, contudo, se esgotássemos as nossas energias na preparação e celebrássemos pobremente a Páscoa. Não estaria bem ter-se a impressão de dar uma excessiva importância à Quaresma, de tal modo que esta aparecesse como a grande celebração anual dos cristãos. Isso seria um grave desvio, pois desvirtuaria todo o sentido cristão da Páscoa, reduzindo-a a uma quaresma. O valor, o sentido, a finalidade e a orientação da Quaresma é a Páscoa, quer do ponto de vista espiritual quer do ponto de vista litúrgico. Se não se chega a celebrar a Páscoa festivamente, exterior e interiormente, então a Quaresma foi inútil, foi vã. Os cristãos, de fato, não celebram a quaresma, mas a Páscoa. Nunca será demasiado insistir nisto.

Neste sentido, convém inculcar nos fiéis a importância e, consequentemente, o dever da celebração do Tríduo pascal, mormente da Vigília pascal, mas também da Cinquentena (o Pentecostes ou os Cinquenta dias).

A Páscoa é tempo de festa. Mas também, para muitos, é tempo de férias. Não será a festa da Páscoa um distintivo dos cristãos? Mesmo que ausentes da sua residência habitual, não deixem de celebrar a Páscoa em Igreja, nos lugares em que se encontrem. Os cristãos celebram a Páscoa em três dias, sexta, sábado e domingo (desde a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, em quinta-feira santa, até ao fim da tarde do domingo da ressurreição) – que se prolongam nos 50 seguintes – como se fosse uma só celebração.

A liturgia do Tríduo exige uma preparação cuidada, particularmente dos ministros: presidente, acólitos, leitores, cantores, salmistas, organistas, etc.. Em muitos casos, requer-se uma preparação remota. Muitos cânticos deverão ter sido já preparados durante a Quaresma. O Coro, por exemplo, precisa de um repertório adequado, entre outros, para o lava-pés (5ª feira santa), para a adoração da cruz (6ª feira santa), para a aspersão (vigília), para a procissão do Santíssimo Sacramento (5ª feira), para a procissão para o baptistério (vigília), etc.; os leitores (em número razoável) deverão ser bem preparados para as leituras, nomeadamente as da vigília; os salmistas (em número notável) terão de cantar vários salmos, nomeadamente na vigília; os acólitos e outros ministros têm muitas coisas a preparar e devem, sobretudo, preparar-se, com repetidos ensaios, para que a celebração decorra com ritmo, nobreza, naturalidade e beleza. Também o Presidente e o Diácono precisam de uma preparação cuidada, não apenas dos ritos, mas também do canto. Cantar o Precónio pascal e o tríplice Aleluia (na vigília), entoar o canto da apresentação da Cruz e a solene oração universal (na 6ª feira), os Prefácios da Oração Eucarística (de 5ª, da vigília e do Domingo), a despedida (na vigília e no Domingo).

 

Todos os domingos do Tempo Pascal (Cinquentena = Pentecostes) são excepcionalmente festivos. Não são, como outrora se dizia, domingos depois da Páscoa, mas domingos de Páscoa. Essa máxima solenidade deve ser não só interior, mas também exterior. Sem dúvida que, para ela, muito contribui o canto e a música, mas não bastam. Importa lançar mão de tudo o que possa contribuir para o máximo brilho do espaço litúrgico e para o carácter festivo da celebração, a iluminação, os arranjos florais, a limpeza e ornamentação da igreja, a disposição dos celebrantes (todos os participantes na celebração) e a sua participação activa. Deverá, sem dúvida, haver um grande esforço (foi a grande actividade quaresmal) para congregar todos os baptizados em celebrações festivas (não necessariamente longas, palavrosas e enfadonhas). A Páscoa implica um investimento espiritual e material de toda uma comunidade (esse foi o objectivo da quaresma) para a Festa. Sem a longa Festa da Páscoa, o cristianismo perde o seu sentido.

Como vamos celebrar a festa da Páscoa: o Tríduo e a Cinquentena? Não se pense que não é preciso, que basta que seja como no ano passado, ou, pior ainda, que o assunto não é importante. A celebração da Páscoa é o núcleo da verdadeira Pastoral, porque o é da vida cristã.

Ano C - Tempo da Quaresma - 4º Domingo - Boletim Dominical

Avisos e Liturgia do 3ºDomingo da Quaresma(Ano C)

Estamos já no terceiro Domingo da Quaresma, na terceira etapa desta caminhada para a Páscoa de Nosso Senhor, Jesus Cristo. Através da parábola da figueira que não dá fruto, Jesus convida-nos à conversão e a dar frutos de conversão. Só assim nos prepararemos para a Páscoa.

Como sempre, Deus encontra-se perto de nós e zeloso com o nosso bem. Não damos conta, mas estamos sempre em terra sagrada, ou seja, Ele está tão perto de nós como estava de Moisés no monte Horeb. A primeira leitura diz-nos que Moisés apascentava o rebanho no monte de Deus, o Horeb. Viu uma sarça que estava a arder e não se consumia. E quando ele se aproximou para ver melhor este assombroso espectáculo, o Senhor disse-lhe: “Moisés, Moisés…não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é terra sagrada. E acrescentou: Eu sou o Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob”. O Senhor do Universo é um Deus próximo, atento, preocupado com o nosso bem, derrama sobre nós a sua graça e ternura; é compassivo e misericordioso, lento para a ira e rico de misericórdia. Vê a opressão do seu povo, ouve os seus clamores provocados pelos opressores. Por isso, decidiu ir ao encontro do seu povo para o libertar da escravidão do Egipto e conduzi-lo para a terra prometida a Abraão e à sua descendência. Também Jesus Cristo, o Filho de Deus, desceu da sua glória, foi enviado e entregue pelo Pai para nos libertar e regressou à glória, depois da sua morte e ressurreição. Deus foi, é e será sempre infinitamente misericordioso com cada um de nós.

24-03-2019

O texto do evangelho faz referência a dois acontecimentos trágicos: a ordem de Pilatos mandar derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam e a derrocada da torre de Siloé que, ao cair, atingiu e matou dezoito homens. E foi muito claro na interpretação que fez destes dois acontecimentos: pouco importa a maneira como, onde e quando se morre; o mais importante é estar irrepreensível nessa hora decisiva da nossa vida. Se não nos convertermos, não nos espera a vitória e a glória do céu, mas a morte eterna. A nossa conversão tem de dar frutos: as nossas boas obras, sermos tolerantes e pacientes com todos, semeadores da esperança, diligentes e generosos na caridade. Mas, por vezes, demoramos a dar fruto! Na parábola, o dono da figueira mandou o seu criado cortá-la, porque já não dava fruto há três anos. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: “Deixa-a ficar ainda este ano, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos”. Isto é um aviso para a nossa missão: mudar a nossa vida e ajudar a mudar a vida dos outros. A conversão do nosso irmão pode demorar mais tempo; é necessário não perdermos a esperança e continuarmos a ser mensageiros da paciência, da misericórdia e do amor de Deus. Tantos homens e mulheres vivem sem sentir a força, a luz e a amizade de Jesus Cristo, porque ninguém se aproxima deles para lhes levar o amor de Deus.

Jesus Cristo é um Rei misericordioso que perdoará todo aquele que confessar humildemente os seus pecados. Abramos os nossos corações à sua misericórdia. Cuidemos bem da vida, não construamos castelos de areia que o mar vai destruir, nem sejamos cabeças de vento que se distraem facilmente. Não nos desleixemos na vida. Não esqueçamos a frase de S. Paulo que se encontra na segunda leitura: “Quem julga estar de pé, tome cuidado para não cair”. Olhemos para nós próprios, façamos a revisão das nossas vidas e estejamos vigilantes ao muito que há a mudar. Numa palavra: aproveitemos bem este tempo para nos convertermos, com a certeza que podemos contar com Deus. Ele vem em nosso auxílio, é o nosso Libertador, tem paciência connosco, é o nosso maior aliado para mudarmos as nossas vidas e nunca deixa de acreditar em nós.

 Ano C - Tempo da Quaresma - 3º Domingo - Boletim Dominical