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Opinião de Sandra Correia —Um curso profissional, um percurso feliz!

A importância da participação ativa dos jovens na sociedade

Partindo das premissas de que a educação é uma ação intencional cuja finalidade é a formação integral do aluno e de que todo o conhecimento é uma construção social e dialógica e não uma imposição, dou por mim a refletir sobre as angústias e frustrações que a Escola proporciona, para além, do sistema de avaliação de desempenho e todos os constrangimentos vindos da tutela. No entanto, o meu espírito revolucionário não vence o meu amor à profissão. Sou profundamente feliz na minha sala de aula, leciono a disciplina de Português.

Se, por um lado, no ensino regular, consigo concretizar variadíssimas atividades “fora da caixa” e chegar ao final do ano, com um “afinal professora, português é fixe”, por outro, no ensino profissional, nem a “fazer o pino”, perdoem a expressão, consigo fazê-los sentir interesse pela disciplina, pelo “aprender a escrever e falar melhor.” A minha experiência de cinco anos, neste percurso formativo, permite tirar algumas ilações. A grande maioria destes alunos, prossegue por causa da escolaridade obrigatória dos 18 anos. A saída profissional raramente é fundamento para a escolha do curso, mas, sim, as dificuldades de aprendizagem, a fixação na mesma escola e a imagem que já levam de um certo “facilitismo”.

Ao desinteresse somam-se o não cumprimento de regras e de perspetivas futuras. Passou pouco mais de um mês do ano letivo, poucas aulas efetivas de português dei. Tenho tido momentos de cem minutos de diálogo, debates, monólogos, discursos desafiadores sobre o assunto. Ao longo dos anos, fui ouvindo: lá fora é diferente, aqui na escola fazemos o que queremos. Será assim? um dos muitos debates que já tive, perguntei o que era a escola para eles. A resposta dada individualmente foi: nada, passar o tempo, ter o décimo segundo ano. Mudei a pergunta para: o que representa, para vós, a escola, o que levam daqui? A resposta dada individualmente foi: uma seca, uma obrigação, um lugar para fazer amigos. Resumindo: pouco ou nada levam… perguntei: são felizes? Todos: sim! Mudei a pergunta: são felizes na escola? sim, no intervalo e quando não tem vigem muito de nós. Comecei a mudar a minha estratégia em sala de aula, sem fugir ao currículo, do qual teria muito que falar -fica para outra altura- e tem sido um estímulo para mim e para eles. Participarem ativamente no Plano Anual de Atividades permite-lhe mostrar à comunidade do que são capazes, ficam orgulhosos e eu também! Se fizer o balanço dos anos em que dei ensino profissional, considero que os cursos profissionais carecem de um planeamento estratégico e visionário, numa escola secundária, devemos remar contra a maré do desinteresse e do negativismo.

Não pode a Escola fazer ouvidos moucos aos interesses dos alunos e às necessidades do mercado de trabalho local, não pode permitir permissividade e falta de exigência. Acredito que há sempre uma solução para um problema, se não correr bem à primeira tentativa, tentamos outra. Fui diretora, já participei na distribuição dos cursos, nem sempre é fácil fazer valer a nossa vontade e a vontade dos nossos alunos e Encarregados de Educação, mas quando a vontade é grande tudo se alcança. Hoje, os municípios, com a delegação de competências, têm uma voz ainda mais poderosa na delineação da oferta formativa. O sucesso da Educação de um concelho não se pode resumir a rankings e a taxas de sucessos do ensino regular. Os cursos profissionais têm cada vez mais relevância, saibamos todos coordenar uma mesma vontade: o sucesso de todos os nossos alunos.