A PRESENÇA SOB AS “ESPÉCIES” DE POBRE, DE PÃO E DE VINHO
Avisos:11-08-2024
Vivemos rodeados de coisas boas, apesar de, muitas vezes, darmos importância somente aos momentos complicados. Vivemos rodeados de pessoas; cada uma com a sua história de vida, com as suas alegrias e capacidades, com as suas fraquezas e dificuldades. Porém, toda esta realidade, por vezes, passa despercebida aos nossos olhos, porque não os colocamos nas capacidades, alegrias e preocupações daqueles que nos rodeiam.
Assim acontecia com os judeus, em relação a Jesus. Murmuravam entre eles, porque Jesus tinha afirmado que era o pão descido do céu. Olhavam para Ele com desconfiança, porque consideravam-no um homem normal, filho de uma pobre e humilde família de Nazaré. Até O podiam aceitar como profeta escolhido por Deus com o poder de fazer milagres! Mas ter descido do céu, isso é que não! Era difícil, para os judeus, aceitar que um homem como eles, que nem sequer tinha sido reconhecido pelas autoridades, viesse de Deus; assim como é, para nós, aceitar que um bocado de pão, tão minúsculo, seja o Corpo de Cristo.
“Quem comer deste pão viverá eternamente”. Não há nenhum alimento neste mundo que tenha este efeito permanente. Todas as vezes que tomamos uma refeição, sabemos que, depois de algumas horas, temos de voltar a comer. Isto é uma necessidade para suster as forças e a vida. Consumimos alimentos, mas também consumimos relações, experiências, alegrias…, mas nada nos satisfaz para sempre. O sistema económico actual descobriu que a nossa necessidade de consumir é uma mina de ouro e, por isso, procura excitar a nossa vontade de satisfazer os nossos apetites e vícios. Por isso, já há muitos anos, se utiliza o termo “sociedade de consumo”. Infelizmente, continua actual.
Quando falamos de fé cristã, não estamos a falar de um simples consentimento intelectual a uma doutrina, mas de um olhar novo que nos permite perceber a presença de Deus, tão perto de nós. Uma presença palpável em todo o ser humano, que sempre guarda a marca original de Deus, por muito que tenha sido manchada e obscurecida pelo pecado. Uma presença que se manifesta, especialmente, nos pobres, com quem Jesus se identifica: o indigente, o sem-abrigo, o estrangeiro, o doente, o preso, o explorado, o descartado. No Evangelho, Jesus torna-se presente sob as “espécies” de pobre e sobre as espécies do pão e do vinho. Saber descobrir Jesus nestes dois lugares é um critério de autenticidade da fé cristã. Adorar a Eucaristia e permanecer indiferente aos pobres e famintos revela que não adoramos Jesus, mas uma fantasia piedosa.
Vemos Jesus, sentimos Jesus nos olhos de uma criança, de um doente, de um necessitado, de um idoso abandonado pela família e esquecido pela sociedade. Mas também vemos e sentimos Jesus na Eucaristia, quando, olhos nos olhos, escutamos a sua palavra e deixamos que ela nos transforme. Só assim entenderemos o que significa comungar. “A Eucaristia, presença salvífica de Jesus na comunidade dos fiéis e seu alimento espiritual, é o que de mais precioso pode ter a Igreja no seu caminho ao longo da história” (João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, 9). Comer o pão da vida, a sua carne, é permitir que Jesus viva em nós, para que continue a sua missão de que nos fala o texto do Evangelho deste Domingo: dar a vida ao mundo, para que o Reino de Deus esteja cada vez mais próximo de todos.
Leitura Espiritual
«O pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo»
«O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue» (1Cor 11,23), instituiu o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue. A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom dele mesmo, da sua Pessoa na sua humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação. Esta não fica circunscrita no passado, pois «tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente» (CIC, 1085).
Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e «realiza-se também a obra da nossa redenção» (Vaticano II, «Lumen Gentium», 3) Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo o realizou e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes.
Assim, cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável. É esta verdade que desejo recordar mais uma vez, colocando-me convosco, meus queridos irmãos e irmãs, em adoração diante deste mistério: mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia, Ele demonstra-nos um amor levado até «ao extremo» (Jo 13,1), um amor sem medida. (São João Paulo II, 1920-2005, Encíclica «Ecclesia de Eucharistia», 11).
Magazine Serrano A Voz Serrana para o Mundo
O ritmo de vida actual faz com que seja difícil formar uma família, porque os casais estão privados de oportunidades com futuro, devido aos problemas económicos e de habitação digna; isto origina uma grande variedade de situações familiares e, portanto, há que evitar certos juízos que não têm em conta a complexidade e a dificuldade das diversas circunstâncias. Nestes dias de Natal e de Ano Novo, as famílias, mesmo em reduzido número de pessoas, juntam-se à volta de uma mesa, onde se sentem amados, acolhidos, tranquilos, notando que alguns vão crescendo de ano para ano, outros vão envelhecendo e outros já partiram para o lugar e descanso eternos. Também ao redor da mesa da comunhão, pedimos à Sagrada Família que as famílias – Igrejas domésticas – imitem a suas virtudes. Todos formamos a grande família dos filhos de Deus, que é a Igreja, formada de Igrejas domésticas que são as famílias cristãs, onde cada um dos seus membros tem a missão de seguir o exemplo da Família de Nazaré. A comunhão familiar não é fácil. Cada membro da família tem a sua responsabilidade, a sua liberdade, a sua maneira de entender e de se situar na vida e no mundo. São, pois, diversos e diferentes os membros de uma família. A comunhão, que deve existir entre eles, não anula estas diferenças; por isso, a família não pode ser uma ditadura, nem uma democracia, nem uma anarquia. Não é o mais forte quem manda, nem é a maioria quem impõe. Temos de entender que a família é, por sua natureza, uma comunhão em que todos e cada um se respeitem, se ajudem, se falem e se escutem com atenção. Ou seja, que se amem de verdade, porque o amor autêntico é primordial na família. A família é o lugar, por excelência, onde vivemos juntos todos os dias, experimentando os limites próprios e dos outros, os nossos defeitos, erros, os pequenos e grandes problemas que se geram com o convívio e para haver acordo entre todos. Não existe a família perfeita, mas não há que ter medo da imperfeição, da fragilidade, nem dos conflitos, mas temos de aprender a enfrentá-los de uma forma construtiva. Por isso, a família, onde todos se amam, apesar dos defeitos e pecados de cada um, converte-se numa escola privilegiada do perdão. A mesa mais familiar e mais natalícia que podemos ter é a mesa da Eucaristia. É nesta mesa que recordamos a aliança de Deus com Abraão, o juramento feito a Isaac, que culmina no nascimento do Filho de Deus. Peçamos a Deus que, por intercessão da Santa Maria, a Mãe de Deus, e de São José, seu esposo, mantenha as nossas famílias na sua paz e na sua graça.
As leituras deste Domingo convidam-nos a reflectir o tema da
a elaboradas orientações da Conferência Episcopal Portuguesa para a celebração do Culto público católico no contexto da pandemia COVID-19.




Em ambiente festivo
terminou com um lanche convívio no salão multiusos da localidade.


