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Artigo opinião-Paulo Freitas do Amaral-O professor Zé, sempre em pé!

A maioria dos professores das escolas portuguesas como tem sido amplamente divulgado pela comunicação social tem uma média de idades acima dos 50 anos e são obrigados em alguns casos a ficarem de pé nos exames nacionais cerca de três horas e meia…

Nas escolas públicas, ao contrário do privado, eu arriscaria a dizer que esta média de idades dos professores é até, bastante mais elevada do que os 50 anos…

Como os meus leitores mais velhos sabem bem, a saúde vai pregando algumas partidas a partir dos 40 anos…algo que aos nossos governantes parecem desconhecer, devido a obrigarem os professores nas provas de âmbito nacional, na maior parte dos casos, a ficarem em pé, cerca de duas horas e meia sem se poderem sentar na sala de aula.

Se falarmos nas provas de Geometria descritiva ou desenho, a situação piora e este tempo em pé poderá ir parar às 3 horas ao que acresce a este período um tempo extta de mais meia hora de tolerância…

Este exame de Geometria descritiva é o exame de âmbito nacional mais temido no sorteio de vigilância por todos os professores, mesmo os que não padecem de varizes, reumático ou hérnias inguinais…

Entretanto, os radiadores, ar condicionados e pequenos parapeitos das salas de aula vão sofrendo desgaste e “maus tratos” pelos encostos dos professores que fraquejam das pernas e procuram um alívio físico desta obrigatoriedade de carácter quase militar.

Esperemos, pois, que o bom senso deste novo governo seja melhor do que o governo anterior e trate bem os mais “velhos sábios” da nossa sociedade permitindo-lhes ao menos dez minutinhos para descansarem as pernas e as maleitas do seu corpo, muitas vezes também elas adquiridas pelo muito tempo em pé a lecionar…

Paulo Freitas do Amaral
Professor de História

Artigo de opinião-Comemoração do 25 abril” ou “Comemoração dos 50 anos de democracia”?

Comemoração do 25 abril” ou “Comemoração dos 50 anos de democracia”?

Ao longo de 50 anos tivemos uma esquerda que associou o dia da revolução, a imagem do cravo, a cor vermelha com a simbologia partidária…O PCP e PS fizeram-no de forma ardilosa com uma eficaz estratégia de marketing político como se a conquista pela democracia fosse exclusividade da esquerda…

A direita democrática recusou durante o PREC várias abordagens quase diárias da extrema direita de realizar “golpes de estado” e com exceção dos livros de memórias dos protagonistas da altura, este fato foi apagado da História pela esquerda e pela extrema esquerda.

A meu ver, este ano de 2024 comemoramos a mudança de uma ditadura para uma democracia que não se fez apenas no dia da revolução. Todo o processo que durou após o 25 de Abril e que só acabou com a extinção na década de 80 do conselho da revolução composto por militares que governaram em simultâneo com governos eleitos é que confere o término de um processo em que evitou uma ditadura comunista, uma guerra civil permitindo o triunfo das forças moderados mesmo com a dor 8nfligida à direita pelo assassinato dos seus líderes, Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.

Mas a operação de marketing da esquerda continua de boa saúde e constatamos que o slogan da esquerda de “Comemoração do 25 de Abril”, se sobrepõe ao slogan que deveria ser o correto de “Comemoração dos 50 anos de democracia”.

Será curioso verificar quais é que serão as opções das diferentes entidades publicas em Portugal (Assembleia da República, autarquias, Presidência da República, etc…).

Optarão pela “Comemoração do 25 de Abril” ou pela “Comemoração dos 50 anos da Democracia”?

Espero a bem de Portugal que seja pela segunda…

Paulo Freitas do Amaral

Artigo de opinião -Paulo Freitas de Amaral- A final da taça, o very-light e o erro do Presidente

O mês de maio corria, o calor apertava e o Sporting, o meu clube, vinha jogar à minha terra no final da taça de Portugal…
Tal como todos os anos, aquele dia na Cruz Quebrada era um dia de festa, fossem os finalistas da taça da terceira, segunda ou primeira divisão, os cafés e os restantes enchiam-se; a “Nova Marginal”, “o Caçador”, a “Arcada” ou a “Casinha” eram pontos de encontro e de convívio entre os locais e quem vinha de longe, ora comer num restaurante ora fazer um piquenique na mata do estádio nacional, era uma realidade que a todos enchia o coração!
Mas naquele dia, o jogo era entre os rivais Sporting e Benfica e aos meus 18 anos, tinha duas opções para ver o jogo; em casa do meu amigo Paulo Semedo junto do grupo de amigos ou ir ver ao estádio nacional o jogo; optei pela última…
Em 1996, o estádio tinha bancadas de pedra, era um pouco desconfortável, e como cheguei em cima do apito inicial, fiquei junto à claque do Sporting; a “juventude leonina”…
Quando o Benfica marcou golo, passados 30 segundos, vi uma espécie de foguete, vir quase na minha direção…e de repente vi um Homem que tinha sido atingido no pescoço por aquele foguete a morrer à minha frente…o cenário de pânico instalou-se, lembro-me de um rapaz ter tentado retirar o “projétil” do pescoço da vítima, mas de ter-se queimado na mão e de ter desistido…Os berros e os pedidos de ajuda eram ensurdecedores, até que uma maca dos bombeiros apareceu e levou o Homem…De seguida a revolta e a raiva tomou conta dos adeptos e os cânticos para pedir a interrupção do jogo sucederam-se… Alguns membros da claque foram até às redes e arrancaram-nas na tentativa de invadir o campo de futebol…entretanto chegou a polícia de choque evitando tal invasão…
O Presidente Jorge Sampaio presente no estádio nacional nada fez e ignorou o sucedido mandando prosseguir o jogo mesmo com a chegada do intervalo… Formou-se uma cratera sem multidão à volta do local onde se deu a tragédia. A cratera era visível de todo o estádio… o sangue sujava todos os assentos da dita “cratera”… era um cenário dantesco para quem sentiu como eu, que poderia também ter sido a vítima do very-light …
Abandonei o estádio durante o intervalo e durante anos não voltei a entrar num estádio de futebol….aquela morte estúpida e a decisão do presidente da república, indiferente à tragédia e ao choque, causou-me tristeza…penso que nestas situações não se pode “banalizar” a violência de qualquer adepto, ainda para mais tendo existido uma morte…
Desta final da taça de 1996 até aos dias que correm, as coisas melhoraram a nível do controlo da violência nos estádios de futebol mas, no entanto, não se evitou que o senhor que lançou o very-light mortífero em 1996 tivesse sido novamente detido num jogo no ano de 2018 entre o Chaves e o Benfica.
Muito há a fazer no âmbito do desporto para melhorar a segurança nos estádios, pois o espírito da final da taça, de convívio e harmonia no futebol, é o que todos queremos…
Haja no futuro leis e justiça com essa finalidade!

Paulo Freitas do Amaral

Paulo Freitas do Amaral- Artigo de opinião-Chegou o “chegalismo”

Chegou o “chegalismo”

Temos assistido a uma deriva do partido CHEGA para prometer tudo a todos nestes últimos meses…A esta forma de estar tenho vontade de apelidar de “chegalismo”.

No entanto, convém reparar que os partidos políticos que foram escolhidos pelos três diretores de informação das televisões, controlando desta forma a democracia que é de todos os partidos, foram para os debates sem apresentar os programas políticos. Isto revela uma novidade que os comentadores se esqueceram de referir, revela também uma incompetência dos partidos e revela também uma estratégia dos três maiores partidos de prometer “tudo e um par de botas”…

Se já sabíamos de ante mão que o PS e PSD iriam sobrepor-se em inúmeras medidas, temos agora o CHEGA a equiparar-se a um “socialismo”, o “chegalismo”, por ter como objetivo único; prometer tudo a todos, representando desta forma uma desenfreada caça aos votos…

Agradar a certos grupos da população portuguesa como os pensionistas, os professores, etc…torna-se para André Ventura prioritário, prometendo tudo o que tem à mão, como se Portugal vivesse de fundos inesgotáveis ou ficasse à mercê de uma estimativa incerta de um valor que será fruto do combate à evasão fiscal…

O “chegalismo” na prática está muito parecido ao socialismo, com promessas demagogas e impraticáveis.

O novo partido “Nova direita” nesta conjuntura, apresenta-se como um partido responsável que pode “chamar à razão” a megalomania de promessas eleitorais em que caíram os partidos de direita onde as sondagens dizem que os portugueses vão votar.

A responsabilidade de governação e a inexistência de quadros neste “chegalismo” a que assistimos, é de certa forma assustador quanto ao futuro.

Ossanda Liber, líder da “Nova Direita” neste aspeto, a meu ver, tem sabido estar presente nas reivindicações do partido que lidera, aliando a isso, o recrutamento de novos valores da sociedade portuguesa em diferentes áreas profissionais.

O novo “chegalismo” que poderá ser ruinoso para o país, tal como o “socialismo” o foi no passado e será no futuro.

O mais recente partido português “Nova Direita”, nesta conjuntura, foi o primeiro partido a apresentar o seu programa no seu site e tem demonstrado uma coerência programática e uma eficácia comunicativa acima das expetativas…não fosse o condicionamento da democracia por parte das televisões e tudo seria mais democrático em Portugal.

Paulo Freitas do Amaral

Artigo opinião- A queixa da “Nova Direita” contra os debates de Paulo F.Amaral

O partido Nova Direita fez entrar hoje uma queixa contra a SIC, a TVI e a RTP por estarem a bloquear o acesso à televisão dos partidos mais pequenos.

Esta queixa realizada na ERC pretende que os três diretores dos três canais televisivos e que não foram eleitos por ninguém e, em alguns casos, exercem o seu cargo há décadas, tomem consciência que a democracia não é uma coutada exclusiva deles próprios e dos seus canais.

A reclamação feita pela “Nova Direita” poderia até ser mais gravosa, se tivesse sido feita em “modo” de providência cautelar, o que provavelmente pararia a realização dos debates, no entanto, a bem da democracia, o mais recente partido português, tomou uma atitude madura e sábia, de não boicotar os partidos do “sistema” exigindo simultaneamente para si e para os outros partidos excluidoss dos 29 debates e excluídos ao longo dos 5 meses de campanha, se tivermos em conta que se sabe que haverá eleições desde Outubro de 2023.

O partido “Nova Direita” aponta, e a meu ver, muito bem, responsabilidades maiores à RTP que entrou nesta “jogada” tendo responsabilidades públicas e estando obrigada a tratar todos os partidos por igual, uma vez que é paga com impostos de todos os eleitores, incluindo os eleitores que votam nos partidos sem representação parlamentar.

A ERC, entidade que irá analisar esta queixa mas que também ela por vezes sofre de falta de independência, veremos se realmente é uma entidade com poderes ou se continua, como tem demonstrado em alguns casos, a ser uma “entidade fraca com os fortes e forte com os fracos.

Paulo Freitas do Amaral

Artigo de opinião – Paulo Freitas do Amaral – debates televisivos

Os 29 debates com os partidos do sistema e os que ficam de fora…

Ficámos a saber esta semana, a decisão antidemocrática das televisões, em atribuir 29 duelos entre os poucos partidos com representação parlamentar na anterior legislatura, e a atribuição somente de 1 único debate a todos os outros partidos sem representação parlamentar na anterior legislatura.

Esta distribuição além de ser injusta, é ilegal, por ter sido decidida com base numa representação parlamentar de partidos que na altura já não se verificava, devido à Assembleia da República ter sido dissolvida no dia 15 de janeiro de 2024.

Uma vez com a Assembleia da República dissolvida, esta decisão de distribuição de debates não se poderia ter feito com base na diferenciação entre partidos com representação parlamentar ou sem representação parlamentar. Esta decisão televisiva carece de qualquer valor jurídico, sendo a reclamação recente, feita pelo partido “Nova Direita”, totalmente legitima.

Além do mais, é incompreensível que num período eleitoral tão longo como este que o Presidente da República concedeu, em que os partidos do sistema já sabem desde dia 7 de outubro de 2023 que irá haver eleições, e em que irão totalizar quase 5 meses de campanha eleitoral, se dê mais 29 debates aos mesmos de sempre e apenas 1 debate aos outros partidos.

Podia-vos falar aqui também de todo o tempo que o CDS dispôs antes de assinar a coligação, sem qualquer representação parlamentar para nas televisões em período “prime time” expor as vantagens eleitorais de ir coligado com o PSD, ou os convites que este partido teve para telejornais ou programas de comentário político dos seus protagonistas, mas não irei entrar por aí… nem referirei o facto de existirem televisões como a TVI que nem sequer noticiaram a criação de um novo partido no sistema eleitoral português como foi o caso do partido “Nova Direita” em plena campanha eleitoral…Imagine-se se isto seria possível há 50 anos atrás…

Os editores políticos e diretores televisivos, amigos de longa data dos partidos do sistema, atuam de forma parcial, prejudicando a nossa democracia e com a máxima arrogância, acham-se acima de um sistema, como se a velha máxima do “quarto poder” não existisse…

As televisões e os seus decisores, não estão acima dos cidadãos e da democracia…Ainda chegará o dia em que veremos o que está por trás da cortina da velha caixa colorida e auguro que não seja nada de bom, afinal quem ri por último, por vezes, até ri melhor…

Paulo Freitas do Amaral

Artigo opinião-Telemóveis nas escolas? Não, obrigado

Quando na política não se quer resolver um assunto, costuma-se dizer “crie-se uma comissão “ou “peça-se um parecer”.

A indecisão socialista do costume, mais precisamente do ministro da Educação, na questão do uso dos telemóveis nas escolas, teve a intenção deliberada de deixar passar o arranque das aulas até todas as escolas terem as suas regras definidas quanto ao uso dos aparelhos eletrónicos. O ministro da Educação João Costa pretende que este assunto saia da agenda política para nada decidir, fazendo lembrar as indecisões guterristas de outros tempos.

Enquanto a ansiedade, a dependência e vício dos alunos pelos telemóveis é uma realidade nas escolas, o governo andou nos últimos dois anos no sentido contrário, com uma política que pôs os alunos dentro de sala de aula a realizar provas digitais e a aderir em massa aos manuais digitais. O uso dos computadores foi privilegiado, o telemóvel na escola não foi proibido, colocando os alunos do 2º ano e 5º ano de escolaridade, que ainda não têm a caligrafia definida entre outras debilidades no domínio da escrita, a efetuar provas de português no final de ano através do computador.

Devido a esta política do Governo totalmente virada para as novas tecnologias constatamos que hoje em dia os alunos cabo-verdianos, por exemplo, detêm uma caligrafia melhor do que os alunos portugueses, por estarem menos habituados aos computadores e aos telemóveis do que os alunos portugueses.

A regressão cognitiva que os países nórdicos detetaram nos seus alunos é reveladora de que os aparelhos eletrónicos têm um efeito nefasto não só na retenção de conhecimentos pelos alunos, mas também na socialização nos tempos livres na escola entre as nossas crianças e jovens que passam os seus intervalos das aulas agarrados ao telemóvel.

Por outro lado, seria bom o senhor ministro da Educação lembrar-se que muitos alunos manuseiam melhor os aparelhos eletrónicos do que a maioria dos professores com mais de 50 anos, muitos deles avessos à tecnologia, sem saber como controlar o uso de computadores.

Sr. Ministro, veja a escola real e não uma escola virtual. Veja uma escola que tem de ser moderna no ensino tecnológico por parte dos professores, mas mais moderada na aprendizagem pelas novas tecnologias por parte dos alunos.

Sr. Ministro, é salutar a existência de tempo para o uso do computador numa sala de aula, mas também é salutar a existência de tempo numa sala de aula para o trabalho real.

Paulo Freitas do Amaral

Professor de História

Artigo opinião-Adriano Moreira e o desencadear da “Guerra Colonial”

Corria o ano de 1961 quando o ministro do Ultramar Adriano Moreira recebeu, antes de António Salazar, um relatório “ultra secreto” do intendente de distrito Custódio Ramos com cerca de mais de 200 páginas com factos hediondos ocorridos no Uíge, a norte de Angola, no dia 15 de Março desse corrente ano.

O relatório em causa continha fotografias originais de algumas famílias de portugueses assassinados à catanada e de um grande número de corpos de angolanos do movimento UPA que lutava pela autodeterminação de Angola. O número de angolanos mortos pelos portugueses constantes nas fotografias desse relatório é impressionante; apresentavam-se amontoados da forma como nos habituámos a ver nos filmes dos campos de concentração da 2ª guerra mundial e muito provavelmente prontos para serem levados para valas comuns.

O relatório de Custódio Ramos para Adriano Moreira aborda o modo “desprotegido” como alguns portugueses viviam no meio do mato e também a forma “desarmada” com que os angolanos atacavam os portugueses, muitas vezes sob efeito de drogas, o que os levava a pensar que as balas dos “brancos” não lhes causariam a morte.

Este relatório, de que existe uma cópia no Museu Militar em Lisboa, leva-me a pensar se a abordagem que o ministro Adriano Moreira fez a António Salazar foi a mais “Humana” para poder resolver o conflito sem sujar as mãos de sangue, com uma guerra que custou muitas vidas aos portugueses, além dos traumas ainda existentes nos ex-combatentes.

É inestimável o contributo que Adriano Moreira deu para a consolidação da democracia, o contributo ideológico que deu para o CDS, apesar dos 4% obtidos em eleições, e toda a sua visão incomparável da política internacional em tempos de democracia, mas de facto ter estado numa posição “Estado” que desencadeou a célebre frase “Para Angola rapidamente e em força” não me parece ter sido a mais correta para um ministro com espírito tolerante e democrático com aspirações à política ativa posterior.

Este relatório confirma que toda a ação de estratégia da UPA constante no relatório de Custódio Ramos estava a ser feita a partir do “Congo Belga” e não em território angolano. Este relatório continha também panfletos distribuídos pela UPA com referências aos patrocínios das grandes potências protagonistas da “Guerra Fria” e uma carta dirigida ao ministro Adriano Moreira dando conta do árduo trabalho dos poucos portugueses que se iam defendendo com armas de fogo dos ataques da UPA e construindo pistas de aterragem para os aviões poderem largar mantimentos naquela zona inóspita, onde o mau tratamento por parte dos portugueses de alguns trabalhadores angolanos nas plantações de café foi a “gota de água” que fez transbordar o copo de uma colonização agressiva neste género de trabalhos agrícolas.

Este relatório, que parece quase uma “tese de doutoramento” devido à sua extensão e pormenor, não me parece ser facilmente esquecido por alguém que o tenha lido, apesar de ter sido elaborado há mais de 50 anos, o que pelo seu valor histórica já nos dá “liberdade” para o analisar com distanciamento temporal que a História exige.

Paulo Freitas do Amaral

Professor de História

Artigo de opinião-Manuel Alegre, lembra-se de 2004?

Manuel Alegre, lembra-se de 2004?

Ouvindo as palavras de Manuel Alegre dizendo que o Presidente da República fez mal em marcar eleições para o próximo dia 10 de Março vem-me à memória vários episódios da História política portuguesa em que este protagonista esteve ativo politicamente e em que disse precisamente o contrário.

A meu ver, é preciso algum descaramento para quem criticou aos sete ventos o governo de Santana Lopes em 2004 por falta de legitimidade democrática, enquanto fazia uma candidatura à liderança do PS contra João Soares e José Sócrates, vir agora lançar críticas sobre a decisão de Marcelo de dar voz ao povo.

Manuel Alegre aparece agora em praça pública com pergaminhos de defesa da estabilidade contra o tão defendido “espírito de abril” defendido em 2004…

Certamente se fosse um governo de direita com tal proposta de continuidade de governo, Manuel Alegre já estaria a deslumbrar o fascismo no seu horizonte.

Seria bom lembrar a Manuel Alegre que Américo Tomás também defendia a estabilidade mesmo com um regime podre e que nunca quis eleições livres e democráticas, arrastando o antigo regime até às últimas consequências…

É com tristeza que vejo um resistente à antiga ditadura compactuar com uma falta de clarificação democrática pelo voto dos portugueses.

Seria bom lembrar Manuel Alegre que os contestatários não viveram só na sua época, nem os ditadores ficaram perdidos na História…

Os ditadores nos tempos que correm também ocupam poderes políticos por trás de uma capa aparentemente democrática e os contestatários democráticos dos dias de hoje, albergaram-se noutros quadrantes políticos que não são certamente os que Manuel Alegre defende…

Não foi só no passado que alguém resistiu a regimes podres…
Manuel Alegre deveria saber que no presente;
Há sempre quem diga “não”! Há sempre quem resista!

Paulo Freitas do Amaral

Artigo de opinião-Os tiros nos pés dos sindicatos de professores

Assisti na TV ao eterno Mário Nogueira, líder do sindicato Fenprof a atacar o outro presidente André Pestana, líder do STOP, dando uma imagem de desunião perante o governo. Mas o pior de tudo é que ambos os sindicalistas tiveram afirmações totalmente absurdas a propósito das reivindicações dos professores.

Mário Nogueira ficou preso na questão do tempo de serviço e ataca desalmadamente uma nova geração de professores que não usufruiu de profissionalização paga pelo Estado como havia no tempo em que ele se formou e André Pestana faz afirmações em que convoca uma greve de duas semanas dos professores estando com este anúncio a provocar uma viragem da opinião pública contra a sua própria classe profissional que está farta de greves.

Estes dois sindicalistas estão cada vez mais a barricar-se nas suas lutazinhas pessoais dos professores unicamente com mais de 20 anos de serviço e a abdicar das situações de todas as gerações mais novas.

O governo entendeu bem o “calcanhar de Aquiles” dos professores e a melhor forma de os dividir, pondo os sindicatos a falar contra os colegas de profissão mais novos e sobre o seu pouco tempo de serviço.

Os sindicatos caíram na esparrela e atacaram os professores que têm de pagar um mestrado do seu bolso graças ao tratado de Bolonha para serem professores, ao contrário da profissionalização financiada que havia no tempo dos professores que se queixam de terem ficado com as suas carreiras congeladas por Passos Coelho.

Tenho muitas dúvidas que haja novamente uma mobilização de professores como vimos no passado e até posso arriscar dizer que o Governo ganhou a luta de levantar avante as suas decisões.

A divisão numa luta enfraquece e fere de morte. A meu ver, foi o que aconteceu com a luta dos professores com o governo.

Paulo Freitas do Amaral
Professor de História