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Artigo de Luís Condeço— Chapéus há muitos!

Chapéus há muitos!

 

Autor

Luís Miguel Condeço

Docente da Escola Superior de Saúde da Guarda

 

Todas as crianças, em particular as crianças portadoras de doenças crónicas complexas, limitantes ou ameaçadoras da vida, e suas famílias, devem ter fácil e rápido acesso a Cuidados Paliativos Pediátricos (CPP). Estes cuidados diferenciados devem ir de encontro às suas necessidades, desejos e preferências, em qualquer período da sua vida.

Os princípios orientadores para a prestação de Cuidados Paliativos Pediátricos de qualidade devem ter em conta:

  1. a) a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) – intervenção multidisciplinar que melhora a qualidade de vida das crianças e famílias, permitindo enfrentar as dificuldades associadas à doença, através da prevenção e alívio do sofrimento por meio de identificação precoce, avaliação e tratamento de problemas, físicos, psicossociais e espirituais;
  2. b) cuidados centrados na criança-família;
  3. c) prestação dos cuidados no local preferido;
  4. d) prestação baseada nas necessidades (desde o diagnóstico até depois da morte);
  5. e) decisão partilhada entre a criança, família e profissionais;
  6. f) profissionais de saúde pediátricos com formação, treino e experiência;
  7. g) equipas interdisciplinares;
  8. h) serviços de saúde integrados em redes interinstitucionais;
  9. i) a presença de um gestor de caso;
  10. j) o descanso do cuidador;
  11. k) o suporte permanente dos profissionais de saúde à criança e família.

Durante o mês de outubro comemora-se o Dia Internacional para a Consciencialização dos Cuidados Paliativos Pediátricos, sempre na segunda sexta-feira do mês. Esta iniciativa que decorre desde 2016, promovida pela International Children’s Paliative Care Network (Plataforma Internacional de Cuidados Paliativos Pediátricos), tem como objetivo consciencializar toda a sociedade sobre os direitos das crianças com necessidade de intervenção de equipas de cuidados paliativos. Esta ação de sensibilização denominada #HatsOn4CPC (Chapéus para Cuidados Paliativos Pediátricos) procura desafiar todas as pessoas a usar um chapéu nesse dia, sensibilizando todos para os milhões de crianças e jovens com necessidades de cuidados paliativos.

Portugal é segundo a OMS, o país menos desenvolvido da Europa Ocidental na disponibilização de CPP. Apontando-se como fatores predisponentes para a dispersão das crianças e fraca visibilidade destes cuidados nos serviços de saúde: a baixa prevalência; a diversidade de diagnósticos; o estado clínico longo, estacionário e de prognóstico incerto; as diferenças no desenvolvimento de cada criança (físico, fisiológico, cognitivo e emocional); o sofrimento familiar na morte; os dilemas éticos; e o elevado impacto social.

Não podemos também esquecer, o elevado “consumo” de recursos de saúde destas crianças e seus familiares, como os múltiplos episódios de urgência, as dezenas de exames complementares de diagnóstico realizados, os incontáveis internamentos hospitalares, as várias intervenções cirúrgicas e as diversas observações por múltiplas especialidades médicas.

Mas nem tudo fica aquém do esperado, a publicação da Lei n.º 52/2012 de 5 de setembro (Lei de Bases dos Cuidados Paliativos) vem consagrar e regulamentar o direito dos cidadãos aos cuidados paliativos e define a responsabilidade do Estado em matéria de cuidados paliativos, criando a Rede Nacional de Cuidados Paliativos.

A perceção de que os CPP são exclusivos do fim de vida, a busca incessante por uma cura, a má coordenação e comunicação, a falta de informação, treino e recursos, são as principais barreiras à prestação destes cuidados.

É uma responsabilidade de todos nós, divulgar e promover o reforço do papel dos cuidados paliativos, em particular os Pediátricos, como recomenda a OMS, na prestação global de cuidados de saúde ao longo da vida.

Coloquemos um chapéu por esta causa, em outubro e ao longo do ano. Chapéus há muitos (como diria Vasco Santana), mas a necessidade de intervenção paliativa pediátrica é real e urgente. Ousemos todos colocar este chapéu.

 

Médica da ULSG foi a 1ªclassificada, no 3ºCongresso Nacional de Médicos de Saúde Pública

No 3º Congresso Nacional de Médicos de Saúde Pública, realizado no passado dia 4, a Dr.ª Helena Nunes, médica de formação específica de Saúde Pública da Unidade de Saúde Pública da Guarda, foi a 1ª classificada, com a melhor comunicação oral, formato investigação, com o trabalho ”Efeito da pandemia COVID – 19 no rastreio de cancro do colo do útero.”
O prémio atribuído consiste na frequência de um curso, à escolha da premiada, no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).
Muitos parabéns e continuação de muito sucesso!
Foto:ULSG

I Encontro Pneumologia e Medicina Geral e Familiar

A Associação de Pneumologia da Guarda leva a efeito o I Encontro Pneumologia e Medicina Geral e Familiar que se realizará no próximo dia 18 de novembro , na Guarda, no Grande Auditório do Teatro Municipal, a partir das 09:00 horas.

A primeira edição do Encontro Pneumologia e Medicina Geral e Familiar é realizada com o patrocínio científico da Ordem dos Médicos, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia e da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior.

Atendendo à crescente prevalência das doenças respiratórias, são propósitos deste Encontro, para além da atualização científica, estreitar as ligações entre os profissionais dos Cuidados de Saúde Primários e Cuidados Hospitalares e encontrar as melhores formas de articulação entre os mesmos.

A partilha de conhecimentos e experiências promove a saúde e o processo educativo produz um quotidiano permeado pela humanização de cuidados, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e a expansão de comunidades mais saudáveis.

Em Portugal o cancro do pulmão detém a taxa de mortalidade mais elevada. Em 2020 foram diagnosticados 5415 novos casos, 65% deles em estádio avançado.
A asma é uma doença que afeta cerca de 700 mil portugueses. Cerca de metade dos doentes asmáticos em Portugal não têm a sua asma controlada.

Dormir mal está associado a problemas de saúde como doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, deficiências imunitárias, depressão e ansiedade sendo fundamental uma boa qualidade de sono para garantir saúde e bem-estar geral.

Com esta base, serão abordados temas com elevada relevância na prática clínica diária de Pneumologia nomeadamente Cancro do Pulmão, Asma e Patologia do Sono e realizados também cursos/workshops práticos.

Espera-se um evento regional de sucesso congregando centenas de profissionais da área entre médicos, enfermeiros, técnicos e outros profissionais de saúde.

Artigo de Opinião de Sara Morais-Outubro Rosa e a Hipnose Clínica

A vida corre sôfrega, é hora de viver de concretizar aqueles sonhos guardados na algibeira da esperança, e ao longo dessa correria caiem, vagarosa e implacavelmente, como folhas secas aquelas pequenas coisas, como o simples respirar o aroma da terra molhada ou, até mesmo, alegria do sorriso de quem se ama, até que se tornam gigantes quando diagnosticado o Cancro.

Durante este mês, a cor rosa vem alertar, sensibilizar e consciencializar sobre a doença oncológica feminina. A jornada evidencia vários fatores físicos e emocionais, desde o conceito de autoimagem, à intimidade e satisfação sexual da mulher e, designadamente, à pressão que tal processo exerce tanto na própria estrutura emocional da doente como na relação familiar.

A mente é, de imediato, ocupada por um turbilhão de emoções, o medo da morte, comum e transversal a todos os seres humanos, a revolta, a ansiedade tomam conta dos comandos da mente e, tudo parece girar naquela frequência de auto sobrevivência.

Nesta roda gigante cor-de-rosa, a Hipnose Clínica surge como uma paragem multifacetada contra o cancro. Numa fase inicial, o estado fisiológico natural da alteração da consciência induzida, como ferramenta, possibilita gerir os efeitos colaterais da quimioterapia, como por exemplo: as náuseas, fadiga e dores, que são sintomas / respostas criadas pela interpretação da mente. Posteriormente, ao aceder à mente subconsciente, são trabalhados os sentimentos negativos associados ao diagnóstico, à perda, às várias mudanças tanto no foro emocional como na sua própria imagem, o que proporciona gerir o impacto dessas mesmas transformações na autoestima, sexualidade e no restante quotidiano da mulher.

Para concluir, esta ferramenta terapêutica é, também, utilizada para desenvolver um novo mindset capaz de combater os muitos fatores de risco que provocam o aparecimento do cancro, como o Tabagismo, o alcoolismo, a obesidade e, assim, alicerçar uma nova forma de ser e de estar mais equilibrada e saudável física e emocionalmente.

No próximo boletim saúde poderá verificar mais sobre o perfeccionismo e o papel da Hipnose Clínica.

 

Sara Morais

Hipnoterapeuta

Infertilidade masculina e feminina como fazer?

A infertilidade é um problema mais comum do que se pensa, embora nem sempre se fale dele abertamente. De acordo com o Dr. Sérgio Soares, especialista em Medicina da Reprodução, cerca de 300 mil casais em Portugal são inférteis e uma tendência de crescimento destes números, que atingem mulheres e homens em percentagens muito semelhantes. Em vésperas de mais de uma Semana Europeia da Fertilidade, que se assinala entre os dias 7 e 13 de novembro, o médico alerta que o stress, o sedentarismo e a procura de uma gravidez numa idade mais avançada da mulher são alguns dos fatores que podem ajudar a explicar esta tendência.

“Nem sempre a Medicina encontra uma explicação para a infertilidade. O que sabemos, pela investigação feita nesta área, é que há fatores que prejudicam a fertilidade em ambos os sexos, como o consumo de álcool e tabaco, o excesso de peso e obesidade, a ausência de atividade física, a alimentação pouco variada e equilibrada, muito ancorada no fast-food, por exemplo”, salienta o Dr. Sérgio Soares. O especialista e diretor do IVI Lisboa, acrescenta ainda outro fator fundamental: a idade da mulher. “Por razões económicas ou profissionais, as mulheres tentam ser mães cada vez mais tarde o que traz consequências para quem anseia por uma gravidez. A quantidade e a qualidade dos ovócitos diminuem muito a partir dos 35 anos, explica.

Segundo o médico a infertilidade estará relacionada com causas femininas em 30% dos casos, outros 30% com causas masculinas, 20% com causas mistas e outros 20% inexplicados. “Alguns conselhos de alteração de estilos em vida, associados à Ciência – que tem permitido intervir com sucesso mesmo nos casos em que há patologia – têm ajudado muitos casais a ultrapassar problemas de infertilidade, mas convém sublinhar que o casal tem aqui um papel importante na gestão da saúde reprodutiva”, afirma.

O médico salienta, por exemplo, que a infertilidade masculina já representa metade dos casos atendidos atualmente nas clínicas de procriação medicamente assistida. “Alguns estudos mostram-nos, por exemplo, que há uma relação entre as substâncias químicas presentes em pesticidas, os solventes e recipientes de plástico que utilizamos diariamente e a redução da qualidade do sémen”.

Quando procurar ajuda médica 

Sérgio Soares explica que a infertilidade pode ser definida como a incapacidade de os casais engravidarem após 12 meses de tentativas de conceção sem recurso a qualquer meio anticoncecional. Apesar de afetar homens e mulheres, como a fertilidade nas mulheres baixa com a idade, a partir dos 35 anos, consideram-se antes os seis meses. Assim uma consulta de fertilidade pode ser recomendada após um ano de tentativas para conceber no caso das mulheres com menos de 35 anos. Para as mulheres com idade superior a 35 anos, este período baixa para os seis meses.

Limite de idade da mulher para aceder a tratamentos 

Em Portugal, as mulheres podem aceder aos tratamentos de Procriação Medicamente Assistida (PMA) até aos 50 anos. Não é permitido fazê-lo após os 49 anos e 365 dias (366 dias, no caso dos anos bissextos), seja no SNS ou em clínicas privadas. O limite fixado teve em conta o facto de, a partir dos 35 anos, a probabilidade de se engravidar de forma natural diminuir, caindo a pique a partir dos 40 anos, passando para 1% ou menos quando a mulher atinge os 48 anos.

IPO de Coimbra – 17.º Simulacro no âmbito da prevenção de incêndios

O IPO de Coimbra levou, ontem, a cabo, pelas 11h00, o seu 17.º exercício no âmbito da prevenção de incêndios.

O “incêndio” deflagrou no serviço de especialidades cirúrgicas 2, situado no Piso 2 do Edifício de Radioterapia, tendo se testado a eficácia das Medidas de Autoproteção – Plano de Emergência e a articulação entre as entidades internas e externas.

O simulacro consistiu no combate ao incêndio que deflagrou no secretariado clínico do serviço, obrigando à evacuação de um ferido inanimado e quatro doentes acamados.

Neste exercício de simulação de incêndio, para além das equipas internas, estiverem presentes as seguintes entidades: Bombeiros Sapadores de Coimbra, Bombeiros Voluntários de Coimbra, Bombeiros Voluntários de Brasfemes, Polícia de Segurança Pública e INEM. O exercício contou, ainda, no papel de observadores com o serviço municipal de proteção civil de Coimbra e a Administração Regional de Saúde do Centro.

O IPO de Coimbra reconhece a mais valia destes exercícios de simulacro na formação e treino dos profissionais da instituição, bem como, na articulação entre as equipas internas e as entidades externas.

O sucesso do simulacro realizado deve-se ao envolvimento das equipas e das entidades referidas às quais o IPO de Coimbra agradece.Um agradecimento, ainda, muito especial às duas doentes que participaram no simulacro.

Fotos:IPO Coimbra

Estudo-Cientistas comprovam eficácia de técnicas óticas no diagnóstico precoce de cancro

Um estudo desenvolvido por uma equipa multidisciplinar da Universidade de Coimbra (UC) demonstrou que métodos de espectroscopia vibracional, técnicas não invasivas e altamente sensíveis, são eficazes na deteção precoce de cancro, a segunda causa de morte a nível mundial.

O estudo, designado “VIBSonCANCER – Diagnóstico de Cancro a Nível Molecular por Espectroscopia Vibracional”, é liderado por Luís Batista de Carvalho e Maria Paula Marques, da Unidade de I&D “Química-Física Molecular” da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). Financiado pelo Programa Operacional do Centro, Portugal 2020 e União Europeia, através do FEDER, com 240 mil euros, o projeto tem a colaboração dos polos de Coimbra (IPO Coimbra) e do Porto (IPO Porto) do Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil.

De uma forma geral, o projeto focou-se no desenvolvimento de métodos óticos de diagnóstico que podem usar radiação de laser ou de infravermelho (as chamadas espectroscopias de Raman e de infravermelho), com o objetivo de auxiliar os médicos na deteção precoce de cancro e avaliação de margens cirúrgicas.

Isto porque as atuais técnicas de diagnóstico, as designadas técnicas histopatológicas, se baseiam em alterações morfológicas, ou seja, na forma das células e no seu ambiente, o que permite ao patologista determinar se elas estão normais, displásicas (alteradas) ou neoplásicas (cancerígenas). As técnicas propostas no VIBSonCANCER, além de não serem invasivas, permitem obter informação química para além da morfológica, sendo que as alterações a nível químico podem preceder as variações da forma celular. Esta informação adicional pode ser essencial para o médico poder efetuar um diagnóstico rigoroso e precoce da doença.

«As nossas técnicas não substituem as atuais, nem o pretendem fazer. O que nós queremos é fornecer informação que não é possível obter por outros métodos. Com as técnicas espectroscópicas nós analisamos a composição química, ou seja, utilizamos na mesma um microscópio ótico, mas também outro tipo de equipamento que permite visualizar, mais do que a morfologia, a composição química. Ora, quando há alterações celulares, esta composição química varia primeiro do que a forma, por isso, facilita o diagnóstico precoce», afirma Maria Paula Marques.

Enquanto atualmente só é possível avaliar a um nível morfológico, a técnica proposta pela equipa da FCTUC permite ver e analisar «alterações de composição química, por exemplo, de proteínas ou de lípidos. Trata-se de uma técnica que já entrou na clínica de alguns hospitais em países como os Países Baixos, a Inglaterra e o Canadá, em estudos piloto», esclarece a docente da FCTUC.

Para avaliar a eficácia da espectroscopia vibracional, a equipa testou várias amostras de tecidos, as designadas amostras cirúrgicas que são retiradas a doentes com o seu consentimento, e também amostras de margens cirúrgicas, ou seja, tecido em torno dos tumores que já não será maligno. Os resultados foram muito positivos, demonstrando o elevado potencial destes métodos. «Conseguimos detetar diferenças de composição química entre o tecido maligno e não maligno. E dentro dessas diferenças, há alguns constituintes celulares e do tecido que variam mais, os chamados marcadores. Testámos vários tipos de tecido maligno e não maligno, como, por exemplo, de cancro de mama, de língua, de próstata e de colo do útero», frisa a cientista.

Com os biomarcadores, a equipa vai poder apurar as técnicas, de modo a que sejam facilmente analisadas por qualquer clínico, mesmo que não seja espectroscopista, e poderem ser usadas no bloco operatório, por exemplo, para avaliar margens cirúrgicas intraoperativamente, ou quando se retiram biópsias fora do bloco, para distinguir se um tumor é maligno ou não. As margens cirúrgicas, explica Maria Paula Marques, representam um «grande problema para os cirurgiões. Quando retiram um tumor, os cirurgiões nunca podem ter a certeza absoluta da margem cirúrgica, sendo passível de erro. Atualmente, a percentagem de erro nessas margens tem valores ainda demasiado elevados».

Em suma, conclui a cientista, este projeto pretende contribuir para o «desenvolvimento de técnicas de espectroscopia vibracional de vanguarda. A nossa abordagem aplica métodos mais sensíveis e não invasivos para detetar cancro precocemente de uma forma rápida, uma vez que a deteção precoce permite um maior sucesso da quimioterapia ou de outro tratamento, uma maior sobrevida e um melhor prognóstico de tipos de cancro que são muitas vezes difíceis de diagnosticar em fases muito iniciais, como é o caso do cancro do pulmão».

Tendo em vista a translação da tecnologia para a clínica, os cientistas estão já a desenvolver um protótipo, esperando que estes métodos de diagnóstico mais rigorosos e não invasivos tenham um impacto importante no sucesso da quimioterapia e contribuam para o desenvolvimento de tratamentos personalizados com melhores prognósticos.

Para além de Luís Batista de Carvalho e Maria Paula Marques, a equipa inclui as investigadoras Ana Batista de Carvalho, Inês Pereira dos Santos, Adriana Mamede, Mariana Vide Tavares e o Dr. Paulo Figueiredo (IPO Coimbra).

Artigo de Saúde de Luís Condeço—Vacine-se

A história da vacinação está indelevelmente ligada à varíola, doença de causa viral e altamente contagiosa que no século XVIII se encontrava propagada um pouco por todo o mundo, considerada por muitos historiadores como o “maior flagelo de toda a história da humanidade”. Caraterizada pelas “bexigas” ou vesículas purulentas, atingia uma taxa de mortalidade de cerca de 30%.

Em 1796, um médico inglês – Edward Jenner, verificou que as mulheres agricultoras que retiravam o leite às vacas não eram infetadas com esta doença, uma vez que adquiriam previamente a varíola bovina. Esta descoberta foi precursora de estudos e investigações que levaram à inoculação de humanos com material retirado de vesículas de doentes humanos com varíola (Jenner inoculou o próprio filho). Muitos apontam este acontecimento como o marco inicial da vacinação em humanos, e que possibilitou em 8 de maio de 1980, à Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar a doença erradicada.

Em Portugal, e no decurso do movimento vacinal iniciado por Jenner, foi criada em 1812 a Instituição Vacínica pela Real Academia das Ciências de Lisboa, para servir de principal aliada na luta contra a varíola em território nacional.

Ontem, tal como hoje, entendia-se a vacinação como uma das principais medidas de saúde pública, na prevenção de doenças, redução das taxas de mortalidade e morbilidade, e diminuição de doenças infetocontagiosas como a tuberculose, o tétano, a tosse convulsa, a difteria, a poliomielite ou a varíola. De tal forma, que em 1965 o então Ministério da Saúde e Assistência, em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian criaram o Plano Nacional de Vacinação, à época diferente de como o conhecemos atualmente.

As vacinas impedem que 2 a 3 milhões de pessoas morram anualmente em todo o mundo, segundo a OMS, que na comemoração da Semana Mundial da Vacinação (no final de abril deste ano) defendeu mais investimento nesta intervenção clínica. A diretora da OMS para Angola considera as imunizações como uma das “inovações científicas com maior impacto na saúde de todos os tempos, ajudando a proteger gerações de pessoas contra doenças infeciosas ao longo das suas vidas”, e é notória essa proteção na vacinação da COVID-19, reduzindo drasticamente as formas de doença grave passíveis de internamento hospitalar e a mortalidade.

Em Portugal, de 22 de agosto a 22 de setembro, foram registados pela Direção-Geral da Saúde 167.710 casos de COVID-19 e 449 óbitos de pessoas infetadas pelo vírus. Estes dados não nos podem deixar descansados, pelo contrário, devemos agora mais do que nunca apelar, incentivar e participar na Campanha de Vacinação Outono-Inverno contra a COVID-19 e Gripe que decorre desde o dia 7 de setembro.

Esta campanha de vacinação sazonal, está a decorrer de forma escalonada por faixas etárias (da mais elevadas para as mais jovens), com o objetivo de proteger em primeiro lugar as pessoas mais vulneráveis.

Podem ser vacinados contra a COVID-19, as pessoas que:

  • Tenham 60 ou mais anos de idade;
  • Residam ou trabalhem em Estabelecimentos Residenciais Para Idosos e na Rede Nacional de Cuidados Continuados;
  • Tenham mais de 12 anos de idade com doenças de risco;
  • Estejam grávidas com mais de 18 anos de idade e doenças definidas pela Direção-Geral da Saúde;
  • Sejam profissionais de saúde ou outros prestadores de cuidados.

Podem ser vacinados contra a Gripe, as pessoas que:

  • Tenham 65 ou mais anos de idade;
  • Residam em Estabelecimentos Residenciais Para Idosos e na Rede Nacional de Cuidados Continuados;
  • Tenham mais de 6 meses de idade com doenças de risco;
  • Tenham doenças crónicas e estejam imunodeprimidos;
  • Estejam grávidas;
  • Sejam profissionais de saúde ou outros prestadores de cuidados.

Há vários postos de vacinação disponíveis pelo país, e pode encontrá-los facilmente em https://covid19.min-saude.pt/lista-de-centros-de-vacinacao/.

Autor

Luís Miguel Condeço

Enfermeiro Especialista de Saúde Infantil e Pediátrica do Centro Hospitalar Tondela-Viseu

Professor Convidado do Instituto Politécnico de Viseu

Artigo de Sara Morais—O regresso às aulas e a hipnose clínica

O regresso às aulas marca o voltar ao ritmo agitado da disciplina à exigência da organização e orientação familiar e, para muitos, ainda, acresce a preocupação face ao desempenho escolar.

A atenção é, efetivamente, um dos aspetos fundamentais apreendidos pelos pais como uma das ferramentas essenciais que determinam o sucesso ou insucesso académico. Na verdade, a capacidade de direcionar o foco da atenção num assunto ou tarefa específica, mesmo quando os estímulos envolventes criam e fomentam a distração – atenção sustentada, é fundamental para a retenção da informação como coluna dorsal do conhecimento. Não obstante, a qualidade deste pilar estrutural é, facilmente, posta em causa por diversos fatores como transtornos neurobiológicos (PHDA – Perturbação de Hiperatividade / Déficit de Atenção), as emoções e perturbações do sono.

No que diz respeito ao deficit de atenção / Hiperatividade, é importante referir a constante agitação e dificuldade que a criança encontra em permanecer quieta. Embora atenção seja multidirecional, o foco destas crianças é facilmente atraído por outros estímulos do ambiente ou até, mesmo, do próprio pensamento. A inquietação, o esquecimento, a impulsividade, a dificuldade em organizar e definir prioridades são alguns dos sintomas mais comuns que premiam o insucesso escolar.

Porém, nem tudo é neurobiológico, as emoções, positivas ou negativas, desempenham um papel preponderante durante a vida e, de facto, na aprendizagem não é diferente. Tente recordar de um momento em que esteve triste ou ansioso, nesse momento conseguiu manter a sua atenção? Certamente que sua concentração ficou reduzida. Imagine, agora, uma criança com dificuldades de aprendizagem, que não tem um conhecimento sobre si mesma capaz de lhe permitir compreender e gerir as suas dificuldades e emoções. Esta inaptidão vai criar um solo fértil para germinar o sentimento de insegurança e, consecutivamente, desenvolver a crença limitante que não possui capacidade intelectual suficiente para resolver as tarefas escolares que lhe são apresentadas.

Em adição, a higiene do sono é fundamental para um desenvolvimento físico, mental e intelectual saudável. O sono caracteriza-se por um período da diminuição do estado de consciência e, simultaneamente, da atividade física motora. Tem como principal função regenerar e recuperar os vários sistemas orgânicos do qual o nosso corpo e psique se regem. Neste ato reparatório, é importante referir que é durante o sono que existe a libertação da Hormona GH, responsável pelo crescimento, memória, manutenção e consolidação das capacidades de aprendizagem. No caso de existir inibição ou diminuição desta secreção hormonal o desempenho escolar fica, automaticamente, tolhido.

A Hipnose Clínica contém uma vasta área de intervenção no que diz respeito ao desempenho escolar. O estado de transe hipnótico é um estado psicofisiológico natural que altera a perceção cognitiva do exterior para o interior o que vai permitir à criança ou ao leitor desenvolver atenção concentrada. A diminuição do senso crítico proporciona um acesso privilegiado às emoções o que cria a oportunidade de trabalhar o “eu” interior e reajustar os vários comportamentos, vícios e sentimentos de forma a promover uma maior gestão emocional capaz de sustentar um maior desempenho escolar.

No próximo Boletim poderá vir a saber mais sobre o papel da Hipnose Clínica na intervenção oncológica.

 

Sara Morais

Hipnoterapeuta

Consultas 91 63 54 106

sfilipa.morais@gmail.com

Foram operados às cataratas 90 munícipes em menos de um ano em Figueira de Castelo Rodrigo

Há menos de um ano foi feita ,a assinatura do protocolo de oftalmologia “Dar Visão ao Interior, Dar Visão a Figueira de Castelo Rodrigo”, levado a cabo pela Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo, a Fundação Álvaro Carvalho e a The Claude and Sofia Marion Foundation, já foi possível operar gratuitamente às cataratas 90 cidadãos do concelho Figueirense.

Conscientes dos problemas oftalmológicos existentes na população do concelho, a Câmara Municipal iniciou, há quase um ano, a proporcionar operações gratuitas aos munícipes que sofrem com cataratas e a necessitar de intervenção cirúrgica, desde que cumpram os critérios de acesso, critérios esses que obedecem a prioridades clínicas e sociais.

O processo, realizado em estreita colaboração com o Centro de Saúde local, que faz a triagem dos doentes, tem vindo a obter resultados extremamente positivos, dando melhor qualidade de vida no dia a dia dos munícipes que tinham problemas de visão.

No dia em que se realizam as operações, os cidadãos são sempre acompanhados por técnicos da Câmara Municipal, deslocando-se depois a uma consulta de pós-operatório, por forma a aferir o estado de evolução de cada paciente.

A Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo vai continuar no futuro com este programa, visto que uma grande parte da população ainda sofre do problema de cataratas e a resposta do Serviço Nacional de Saúde é muito morosa e não é compatível com as necessidades da população.