Templates by BIGtheme NET
Início » Tag Archives: terapia da fala

Tag Archives: terapia da fala

Artigo de Ana Carolina Marques—Qual a relação que existe entre o aleitamento materno com a Terapia da Fala? 

O aleitamento materno tem sido mais abordado nos últimos tempos devido aos aspetos relacionados com o crescimento e desenvolvimento da criança, nomeadamente os nutricionais, imunológicos e psicoafectivos. Os benefícios para a criança e para a mãe são múltiplos e já bastante conhecidos.

A amamentação tem uma grande importância no crescimento e desenvolvimento harmonioso das estruturas da face (o sistema estomatognático) e respetivas funções (sucção, respiração, mastigação, deglutição e fala). Uma amamentação adequada promove uma sensação de bem-estar e conforto mas também aprimora a mobilidade, postura e tonicidade dos músculos envolvidos, contribuindo para uma respiração nasal e um crescimento harmonioso da face, além de prevenir hábitos orais (chupeta ou dedo) e más oclusões dentárias.

Atualmente, o aleitamento materno é visto como um ato natural no entanto, pode não ser simples visto que depende de vários fatores clínicos e anatómicos da mãe e do recém-nascido. É comum a mãe não ter leite ou a componente nutricional/energética do mesmo sendo inferior à necessária. Por outro lado, existem mães, que apesar do desejo e condições não o fazem, porque o seu bebé pode apresentar cansaço extremo (bebés prematuros), lesões orgânicas (fendas lábiopalatinas), alterações na força de sucção ou descoordenação na respiração-sucção-deglutição.

A Terapia da Fala pode ter um papel fundamental na adequação do processo da amamentação e consequentemente na promoção de um bom desenvolvimento das estruturas orofaciais e suas funções. O Terapeuta da Fala pode ser um facilitador neste processo, intervindo na vertente muscular com o intuito de facilitar a sucção, coordenando os períodos de pausa, aumentando a oxigenação durante e após as mamadas, auxiliando na transição alimentar por sonda para via oral, entre outros objetivos.

 

 

Vantagens para o bebé:

  • Reduz o risco de otites médias comparativamente ao uso do biberão;
  • Reduz o risco de se tornar um respirador oral e de desenvolver problemas de fala;
  • Proporciona um desenvolvimento cranio-facial harmonioso ;
  • O leite materno tem os nutrientes necessários, não sendo necessário recorrer a suplementos;
  • Reduz o risco de infeções bacterianas.

Vantagens para a mãe:

  • Aumenta do vínculo afetivo mãe-bebé;
  • Reduz o risco de anemia pós-parto;
  • Evita hemorragias pós-parto;
  • Reduz o volume do útero de forma mais rápida.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

Artigo de Ana Carolina Marques: O seu filho tem dificuldades na mastigação? Saiba como as identificar!

Cada vez mais os cuidadores se deparam com as dificuldades que as crianças apresentam nas transições alimentares, podendo estas estar associadas aos hábitos orais tardios (eg. uso do biberão até à idade escolar) ou a alterações na integração sensorial oral. A necessidade de procurar o Terapeuta da Fala é cada vez maior, para que o treino específico e individualizado seja iniciado com a criança.

As alterações na mastigação podem aparecer devido à introdução tardia da variação alimentar, no que diz respeito à consistência, textura e até mesmo ao sabor. Quanto mais tardias forem as transições alimentares, maiores serão as dificuldades dos cuidadores em passar de consistências mais líquidas para as mais sólidas.

Os cuidadores devem estar atentos quando percebem que a criança não está a progredir no processo da mastigação. Aprender precocemente a mastigar, é a peça chave para fortalecer a língua, lábios e bochechas, que posteriormente são utilizadas na fala.

Para saber se está perante dificuldades na introdução de novas texturas e consistências, deve estar alerta para alguns sinais, nomeadamente:

  • Reflexo de vómito exagerado                                                                                                                                                                     –  Não gostar de ter as mãos sujas                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              – Evitar tocar nos alimentos
  • Engasgos constantes
  • Manter o alimento muito tempo na boca (bocheca)                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   – Limpar constantemente a boca
  • Lamber o alimento ou cuspi-lo.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       – Rejeitar novos alimentos

 Nível Oral                                                                                                                                                                                                        Nível Tátil

 

Algumas crianças já apresentam estes comportamentos orais e/ou sensoriais por existir uma maior predisposição para estas dificuldades, podendo estar relacionadas com algum tipo de sensibilidade oral ou freio lingual curto. Outras crianças têm estas dificuldades porque são privadas da estimulação sensorial (passam grande parte do tempo em frente à televisão ou a jogar no Tablet ou Playstation), que a nível do desenvolvimento vão influenciar as capacidades orais mas também as motoras para a fala.

A sensibilidade oral, as dificuldades na perceção do sabor, a dificuldade na organização do bolo alimentar, a alteração na mobilidade da língua, a privação de vivências táteis e orais podem ser possíveis causas mas é preciso identificá-las precocemente. É crucial que os cuidadores estejam conscientes da importância da mastigação para o desenvolvimento de uma alimentação eficaz.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Ana Carolina Marques- Dicas para aplicar em casa – Terapia da Fala em contexto natural

Dicas para aplicar em casa – Terapia da Fala em contexto natural

 

Considerando os tempos em que vivemos com várias restrições a nível social, é necessário estimular ainda mais as crianças em casa. Apesar de ser esta a nossa realidade há algum tempo, nem sempre é fácil nos habituarmos a tantas mudanças.

No dia-a-dia podemos estimular a linguagem oral e escrita, memória auditiva e a comunicação em tarefas que realizamos com frequência e no nosso ambiente natural.

  1. No quarto das crianças

– Leitura de livros antes de deitar: podem ler os pais, as crianças, ambos e no fim recontarem as histórias.

– Ouvir músicas: seleção de algumas mais calmas para ouvir antes de deitar e mais mexidas para durante o dia. Deve manter-se o foco na letra e ritmo, por exemplo.

– Vestir/Despir: podem aproveitar estes momentos para nomear as peças de roupa ou abordar a sequência de roupas a vestir.

 

  1. Na cozinha de casa

– Na hora das refeições podem definir a ementa juntos, nomear os ingredientes, distribuir tarefas (nomeando as ações), entre outros exemplos.

– Pôr/Levantar a mesa: nesta tarefa podemos identificar os objetos e abordar as quantidades conforme os elementos incluídos no agregado familiar.

– Listagem de compras: elaborar lista de compras e conjunto pode ser divertido. Podem aproveitar esta atividade para categorizar os alimentos (ex: frutas, legumes, doces, bebidas…).

 

  1. Na sala de casa

– Jogo do stop: os pais podem ajudar a construir grelhas e decidir as categorias conforme a idade e posteriormente evocar o respetivo vocabulário.

– Jogo do telefone: podem escolher um segredo para ir dizendo ao ouvido de quem estiver ao lado. Quando o segredo chegar à última pessoa, esta deve dizer em voz alta e ver se foi o que a primeira pessoa disse.

– Jogos de mímica: cada pessoa escolha uma coisa e tentar imitar com gestos para as restantes adivinharem.

– Visualização de filmes ou séries com discussão final das mesmas (ex: o que gostaram mais, resumir o que foi visto, adivinhar o que virá num próximo episódio…).

 

– Desenhar ou pintar com ou sem ajuda dos pais.

– Construir “quantos queres”: os pais ajudam a elaborar o jogo e a decidir que questões colocar nas faces (ex: categorias para evocação de conceitos, letras para evocação de palavras…).

 

  1. No WC de casa

– Hora do banho: podem ser identificadas ou nomeadas as diferentes partes do corpo. Caso a criança seja maior, os pais podem treinar o cumprimento de ordens.

. Brincar ao espelho: esta pista visual pode ajudar a fazer alguns exercícios com a língua, bochechas (úteis ao nível da motricidade orofacial).

 

As ideias mencionadas são algumas das atividades para desenvolver com as crianças, tenham elas ou não necessidades de intervenção em terapia da fala. É só adaptar à faixa etária, dar asas à imaginação e envolver toda a família.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Ana Carolina Marques—-Rastreios Auditivos – Importância destes no desenvolvimento das crianças

Quando fechamos os olhos, são vários os sons que nos rodeiam e imensos os que têm importância na nossa vida. Como seria se tivéssemos de viver sem acesso aos sons? E se esta realidade afetasse o seu filho ou alguém que lhe é querido?

A audição é um dos sentidos mais importantes. É considerada a chave para a linguagem oral e um motor para se sentir o mundo. Quando não existe exposição à linguagem nos primeiros anos de vida, a criança vai apresentar discrepâncias ao nível do desenvolvimento linguístico. A prevenção da perda auditiva é uma das medidas a adotar e consequentemente impedir que a falta de estimulação auditiva influencie a linguagem.

Os primeiros dois/três anos de vida são cruciais para o desenvolvimento da audição e da linguagem e por isso são denominados como “período crítico” devido à maior plasticidade neuronal. Nesta fase, podemos efetuar modificações (positivas ou não) que variam com a quantidade e qualidade dos estímulos fornecidos. Uma audição normal é essencial para uma correta aquisição e desenvolvimento da linguagem, daí a importância da deteção precoce da perda auditiva e consequente reabilitação (antes dos seis meses de idade).

Atualmente já são conhecidos alguns fatores de risco que podem levar a perdas auditivas/surdez, nomeadamente os antecedentes familiares com surdez, as infeções congénitas (eg. citomegalovírus e rubéola), as malformações craniofaciais, a meningite bacteriana, as síndromes, as convulsões neonatais, as otites médias recorrentes e o APGAR de 0 a 4 no 1º minuto ou de 0 a 6 no 5º minuto.

A deteção e intervenção precoce na perda auditiva permite que melhores resultados sejam obtidos e que a criança aproveite o seu potencial ao nível da fala, linguagem mas também das competências sociais. Esta deteção precoce é possível através do Rastreio Auditivo Neonatal Universal (nas primeiras 12 horas de vida) que pretende identificar eventuais perdas auditivas nos recém-nascidos através das Otoemissões Acústicas. Estas emissões testam a reação do ouvido interno ao som, sem implicar uma resposta por parte do bebé que está a ser rastreado. É um teste simples, rápido, não invasivo, de grande sensibilidade e especificidade.

A perda auditiva é responsável pelo atraso no desenvolvimento da linguagem e tem graves consequências no desempenho académico da criança. Com o diagnóstico efetuado precocemente, as consequências podem ser minimizadas com intervenção precoce e com a utilização das ajudas técnicas disponíveis. Portanto, a deteção precoce, imediatamente após o nascimento tem grandes possibilidades de melhorar a qualidade de vida dos bebés e respetivas famílias.

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Ana Carolina Marques- Terapia da Fala nas Escolas

Todas as fases escolares apresentam desafios tanto para as crianças como para os pais. No pré-escolar, dá-se um salto no desenvolvimento da linguagem, através da interação com os pares e com os jogos simbólicos e de grupo; no 1º ciclo inicia a aprendizagem da leitura e escrita; no 2º e 3º ciclos surgem novas disciplinas e novas matérias, cada vez mais exigentes. Em todas as etapas o Terapeuta da Fala pode ajudar, embora o mais comum seja a intervenção direta e indireta em fases mais precoces, nomeadamente na creche, pré-escolar e 1º ciclo.

A nível pré-escolar são detetadas dificuldades ao nível da fala, linguagem e/ou comunicação. Conforme a área, o foco da intervenção varia e é personalizado de acordo com a criança e as suas rotinas. Aprender a brincar ajuda a criança a adquirir competências de forma mais fácil. No pré-escolar, a intervenção pode ser direta com a criança em contexto jardim-de-infância com tarefas planeadas pela TF ou indireta através da observação e aplicação de estratégias através das Educadoras e auxiliares. O TF é responsável por decidir a melhor abordagem de intervenção e o feedback dos pais e educadoras também ajuda a avaliar a eficácia da intervenção. O trabalho em equipa é fundamental para o sucesso da intervenção. A intervenção em sala de aula, em parceria com as Educadoras, normalmente é mais eficaz e lúdica. Além de ser contextualizada na rotina da criança, permite o envolvimento dos parceiros comunicativos da criança que facilita a generalização das aprendizagens. Exemplificando com situações comuns na prática profissional do TF:

– Crianças com dificuldades articulatórias beneficiam de uma intervenção que envolve as Educadoras;

– Crianças com Perturbação do Espetro do Autismo podem ter necessidade de usar símbolos para comunicar ou ter um quadro de rotinas na sala de aula, onde mais uma vez a colaboração das Educadoras é uma mais-valia;

– Crianças com dificuldades na alimentação (seletividade ou alterações na sensibilidade) podem beneficiar de dinâmicas com os pares em sala de aula.

Quando ingressam no 1º ciclo, a mudança na rotina das crianças é muito significativa, desde a introdução de mais e novas disciplinas, a carga horária e a redução do tempo dedicado ao brincar. Esta mudança implica uma alteração no contexto e um aumento das exigências na aprendizagem no entanto, a articulação entre os intervenientes deve ser mantida. Nesta etapa, as crianças podem ser retiradas da sala de aula para usufruir das sessões de terapia ou o papel do TF pode passar pela sua atuação em sala de aula, ajudando na adaptação dos conteúdos escolares e aplicação de estratégias facilitadoras da aprendizagem da leitura e escrita e mais tardiamente de outras matérias. Resumidamente, em qualquer fase da vida escolar, o TF pode fazer a diferença seja qual for o diagnóstico e dificuldades da criança.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

 

Artigo de Opinião de Ana Carolina Marques- Brincar na Terapia da Fala – Vamos desmistificar o conceito do “brincar”

Quando questionamos as crianças sobre o que mais gostam de fazer, a resposta típica é: brincar. Brincar é descrito como o entrar num estado de faz de conta e por isso criar, imaginar e interagir com o outro. As crianças brincam para descobrir o mundo à sua volta e as próprias pessoas e acabam por se expressar e ampliar conhecimentos através desta ação.

É o dito “brincar” que é classificado como uma das tarefas infantis com maior responsabilidade no desenvolvimento cognitivo, emocional, social e motor. A criança desenvolve a atenção, memória, imitação e explora a realidade em que está inserida.

 O brincar estimula a curiosidade e promove o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da imaginação e por esta razão constitui uma ferramenta indispensável no crescimento das crianças. Através do brincar a criança desenvolve pré-requisitos para o desenvolvimento da linguagem, como o ouvir, observar, imitar, compreender símbolos e respeitar os turnos das conversas.

 Segundo especialistas, a linguagem desenvolve-se mais facilmente quando a sua aquisição é realizada de forma lúdica (ex: nomear objetos, compreender conceitos opostos, construir frases simples…).

 Brincar nas sessões de terapia é muito diferente do brincar tradicional. A grande diferença foca-se na intencionalidade e por isso quando se diz que na terapia só se brinca e por essa razão as crianças gostam das sessões não é assim tão linear. Brincar na terapia é uma ação pensada ao pormenor. O contexto de brincadeira entre o Terapeuta e a criança é bastante vantajoso porque permite desenvolver novo vocabulário, desenvolver competências sociais e comunicativas, aprender a articular fonemas (sons) com alterações ou até a contar/inventar histórias.

  Os jogos realizados nas sessões respeitam os objetivos delineados para cada criança, de acordo com as suas necessidades. Concomitantemente, o Terapeuta consegue obter da criança toda a motivação e envolvimento necessários ao desenvolvimento das competências mais fracas que, sem a componente lúdica, seria certamente mais difícil.

  Um sessão com uma criança com autismo, onde por exemplo se recorre a cócegas (por ser algo que ela gosta), pode usar essa estratégia em brincadeira e a finalidade ser trabalhar o contacto ocular. Se por exemplo estivermos perante uma criança com dificuldades na articulação, podemos fazer colagens ou puzzles com o intuito de intervir nos fonemas alvo e simultaneamente promover o aumento do tempo de atenção, o planeamento motor e até a motricidade fina. Se recorremos ao jogo simbólico (simular uma ida às compras, jogar às casinhas…), podemos estar a potenciar o desenvolvimento da linguagem numa criança que apresente um atraso no desenvolvimento a este nível.

  Quem assiste às sessões pode realmente pensar que só estamos a brincar com a criança, pois na verdade parece. Mas não está a acontecer apenas e somente isso! O recurso a jogos, brinquedos e todo o material lúdico que se possa imaginar tem como estratégia trabalhar determinadas dificuldades na criança sem que ela desmotive.

 

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Opinião (Ana Carolina)- Mitos associados à Terapia da Fala impedem intervenções precoces

Atualmente o Terapeuta da Fala é associado a crianças e a problemas de dicção ou gaguez, contudo são várias as áreas de atuação assim como as faixas etárias da intervenção.

O Terapeuta da Fala é um profissional de saúde com competências para intervir desde o nascimento. Intervém em recém-nascidos, na área da alimentação e no desenvolvimento de competências comunicativas, junto dos pais e equipa multidisciplinar nas Unidades de Cuidados Neonatais. Também efetua uma intervenção junto de crianças em idade pré-escolar, centrando-se na prevenção, diagnostico e intervenção na promoção das competências linguísticas, vocais e de comunicação assim como na intervenção das suas perturbações. Em crianças e jovens em idade escolar a intervenção centra-se nas perturbações da leitura e da escrita, patologia vocal, na potencialização da comunicação e na gaguez. Sendo que nos dois últimos grupos etários é essencial desenvolver todo o trabalho junto dos educadores, professores e família.

Na idade adulta, o campo  de atuação é maioritariamente em perturbações da linguagem adquiridas, após acidente vascular cerebral (AVC), demências, tumores, Parkinson ou traumatismo crânio encefálico (TCE), patologias vocais e da deglutição (dificuldade a beber e/ou engolir líquidos), sendo que mais uma vez o trabalho em equipa multidisciplinar é essencial.

Existem algumas ideias preconcebidas que levam a que o diagnóstico seja feito tardiamente e que inviabilize o sucesso da intervenção. Ou seja, a intervenção precoce ajuda a prevenir problemas que podem comprometer uma aprendizagem saudável, um normal desenvolvimento, uma comunicação eficaz assim como a qualidade de vida da pessoa. É importante que as pessoas estejam atentas a vários sinais de alerta, para que seja possível, ao Terapeuta da Fala, avaliar e diagnosticar precocemente possíveis patologias e intervir adequadamente.

Ao contrário do que muitas vezes é mencionado, podemos recorrer a um Terapeuta da Fala mesmo quando ainda as crianças não sabem falar. Se, por exemplo, a criança tem dificuldades em mastigar ou fazer uma boa sucção devemos pedir uma avaliação por um Terapeuta da Fala ou se trocar sons ao falar ou se apontar para fazer pedidos, junto da família ou dos seus pares na escola, não se deve rotular como “preguiçosa” e uma avaliação atempada é essencial.

Há ainda a ideia de que antes dos 5 anos não vale a pena pedir uma avaliação contudo, se esta ideia não é aceitável aos 3 anos, está completamente errada aos 5 anos. Se a criança não se faz entender com os seus pares ou se os pais não percebem o que ela diz com 3 anos é um sinal de alerta importante, assim como ter dificuldade em ter interesse pelos sons do ambiente, por exemplo.

Nem todas as crianças usufruem de intervenção direta precisamente porque há conhecimentos técnicos que nos permitem realizar uma prevenção primária e secundária para cada caso. Muitas vezes não irá ser trabalhada logo a fala, mas sim um conjunto de competências essenciais ao desenvolvimento da comunicação e da linguagem, que irão preparar a criança para produzir sons e usar as palavras. Pedir ajuda quando uma gaguez que já dura há mais de um ano também não é aconselhado. Uma rouquidão que dura há mais de 15 dias não é normal, e aqui também devemos pedir uma avaliação por um Otorrinolaringologista.

Como se verificou, a idade não é o fator determinante para procurar ou não a opinião de um Terapeuta da Fala, mas sim as dificuldades que a criança ou o adulto poderá apresentar.

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Opinião: Terapia da Fala vs Utilização da Internet

Atualmente o mundo virtual está cada vez mais enraizado na nossa sociedade. Toda esta alteração comportamental massificou as novas formas de comunicar. A voz  e a imagem virtual fazem parte de uma realidade onde o ser humano deixou de se deslocar para “estar presente”. Quando comunicamos temos de ter alguns cuidados, tem de existir rigor, e é aqui que a Terapia da Fala assume um papel importante.

A Terapia da Fala é uma profissão ligada à área da saúde que abrange a prevenção, avaliação e intervenção de todas as situações de patologia da comunicação humana – fala, voz e linguagem oral e escrita, qualquer que seja a sua origem, na criança, no adolescente, no adulto ou no idoso.

Considerando o vasto leque de patologias onde o terapeuta da fala pode intervir, a internet é muitas vezes um recurso para se encontrar material e até adquirir novos conhecimentos. Quando a intervenção é a nível vocal, a internet é bastante útil e principalmente quando pensamos em profissionais da voz.

A voz é uma caraterística humana intimamente relacionada com a necessidade do homem se agrupar e comunicar. É produzida devido à vibração das pregas vocais, sendo modificada pela boca, lábios e a língua. A voz está associada à fala, podendo variar quanto ao volume, tom, inflexões, ressonância e muitas outras caraterísticas. Para avaliar corretamente uma pessoa, o terapeuta faz inicialmente uma análise percetiva – interpretação subjetiva da amostra de voz, de acordo com os vários parâmetros da qualidade vocal. Quando é necessária uma avaliação mais rigorosa, recorre-se à análise acústica – permite quantificar os parâmetros acústicos que compõem o sinal sonoro.

A análise acústica é feita, entre outros métodos, através de programas que permitem a gravação, a edição e a análise dos sinais acústicos (ex: AudacityPRAAT AnalyserSFS (Speech System File), entre outros).

Na intervenção direta, o terapeuta realiza algumas sessões de aconselhamento e técnica vocal para modificar hábitos errados, assim como a aquisição de novos hábitos de saúde vocal. Ficam alguns exemplos de como pode manter uma boa saúde vocal:

 

  • Hidratar bem o organismo – beber 1,5l a 2l de água por dia;
  • Evitar ambientes com ar condicionado – seca as mucosas;
  • Não gritar, principalmente sem suporte respiratório;
  • Não tossir ou pigarrear excessivamente;
  • Não fumar e evitar o álcool – irrita as mucosas do trato vocal;
  • Evitar uma alimentação com excesso de condimentos – provoca azia e refluxo de secreções gástricas.

 

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Opinião- Motricidade Orofacial – Uma área de intervenção desconhecida por muitos

A Motricidade Orofacial é uma das áreas de intervenção da Terapia da Fala, responsável pelo estudo, avaliação, diagnóstico, reabilitação e/ou aperfeiçoamento das alterações ao nível do sistema miofuncional oral e cervical, assim como das funções a este associadas, como a sucção, a mastigação, a deglutição, a respiração e a fala, desde o nascimento e ao longo de toda a vida.

Desde o desenvolvimento embrionário, observa-se o crescimento craniofacial que, em muito, irá influenciar as funções motoras orais, juntamente com os músculos e a sua maturação. Ao longo dos primeiros meses de vida, estas funções vão evoluindo e se maturando, iniciando com reflexos fortes, com a sucção, coordenação sucção/respiração/deglutição, passando pela dissociação de movimentos de lábios, língua e mandíbula, pela alimentação de colher, uso de copo e, posteriormente, a mastigação e movimentos cada vez mais precisos.

A fala diz respeito ao ato motor que é capaz de transmitir sons, palavras e frases. Sendo assim, podemos observar que esta função é diferente de linguagem, porém, não independente, uma vez que a criança para falar, deverá já possuir boas bases linguísticas. O desenvolvimento da fala exige condições estruturais, a nível da laringe, dos lábios, língua e palato, assim como condições sensoriais, ou seja, a criança deverá ser capaz de ver e escutar os sons da fala de forma a que esta os aprenda e os produza corretamente. Ao longo da aprendizagem de todos os sons do Português, com ordem de aquisição específica, a criança vai adquirido competências para juntá-los, formando sílabas, palavras e, por fim, frases. Importa referir que, por volta dos 2 anos, a criança já deve ser compreendida pelos seus familiares e, com cerca de 3/4 anos por estranhos, já aos 6, anteriormente ao ingresso para o 1º ciclo, idealmente a criança já deve ser capaz de produzir todos os sons corretamente. Todavia, cada criança tem o seu desenvolvimento e é importante respeitá-lo.

Alterações ao nível das funções motoras orais (sucção, mastigação, respiração e deglutição) poderão acarretar variações de fala, uma vez que acarretarão alterações no desenvolvimento da musculatura orofacial e cervical, influenciando todas as funções anteriormente referidas. No entanto, importa referir que funções, como a alimentação, mesmo que possam influenciar esta aquisição, têm uma aquisição distinta e, não podemos afirmar que, uma perturbação da alimentação, por exemplo, originará um problema de fala. As alterações de fala também poderão ser provocadas por alterações estruturais ou/e por maus hábitos recorrentes (uso de chupeta, respiração oral, “chuchar no dedo”, roer as unhas, etc.).

Cabe a nós, adultos, estimular a aquisição e desenvolvimento das funções motoras orais e, posteriormente, a fala. Para tal deixamos, de seguida, algumas dicas para esta estimulação:

– Incentivar a produção de sons (do carro, dos animais, do avião, da buzina, etc.);

– Fazer, em modo de brincadeira, movimentos de língua e de lábios;

– Fazer repetições de sílabas (“papapa”, “tatata”, “cacaca”);

– Exagerar na articulação dos sons e incentivar a criança a olhar para si enquanto o faz, de forma a que consiga perceber a forma de produzir o som;

– Utilizar a divisão silábica de forma a corrigir a produção incorreta de palavras.

Cada criança segue o seu ritmo de desenvolvimento, porém, quando surgir dúvidas no que diz respeito às funções referidas, torna-se fulcral procurar um profissional capacitado para o orientar e aconselhar e, neste caso, recorra a um Terapeuta da Fala.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu