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Artigo de Ana Carolina Marques—Dúvidas mais comuns na área da Terapia da Fala Não custa nada ficar informado!

·         Como inicia o acompanhamento na terapia da fala?

O trabalho do terapeuta da fala divide-se em três fases: entrevista (anamnese), avaliação e tratamento. Na entrevista é feita uma recolha dos dados do paciente e do historial clínico, e em seguida é feita a avaliação de acordo com a queixa apresentada. Com base nos resultados obtidos, traça-se o plano terapêutico a ser implementado nas consultas seguintes e estabelece-se a periodicidade das mesmas.

·         O terapeuta da fala intervém com crianças?

A atuação do terapeuta da fala é muito abrangente, estendendo-se a todas as faixas etárias, desde o bebé recém-nascido ao adulto idoso.

·         Quando devo procurar o terapeuta da fala?

A procura de um terapeuta da fala deve obedecer à deteção de alguns sinais de alerta: atraso ou dificuldades no desenvolvimento da linguagem (comparativamente a outras crianças), gaguez, trocas e/ou omissões de sons, rouquidão, alterações no desenvolvimento motor (começou a segurar a cabeça, a andar ou a falar tardiamente), uso de chupeta, biberão, sucção do dedo, respiração oral, alteração na mastigação, na deglutição, dificuldades na leitura/escrita, dificuldades de compreensão, entre outros.

 

·         O uso da chupeta até idades tardias atrasa a fala?

O uso de chupeta, como também outros hábitos orais nocivos, tais como o uso do biberão, sugar o dedo, roer as unhas, morder os lábios, língua, bochechas e outros objetos (lápis, brinquedos, etc.), apertar e ranger os dentes, respiração oral, posição de repouso da língua alterada, entre outros, irão alterar a musculatura da boca e da face, imprescindível à produção dos sons da fala e às funções de mastigação e de deglutição, logo pode causar impactos significativos.

 

·         Qual é a diferença entre respirar pelo nariz e pela boca?

Na respiração nasal, o ar é humedecido, aquecido e filtrado de impurezas, enquanto o ar respirado pela boca chega ao organismo como se encontra no ambiente, ou seja, seco, frio e com impurezas, podendo causar problemas respiratórios. Além disso, sendo esta função responsável pelo desenvolvimento craniofacial, o padrão respiratório oral pode causar alterações no desenvolvimento dos dentes (oclusão dentária) e da musculatura da face (lábios, língua, bochechas, etc.), podendo gerar alterações na articulação, na voz, na mastigação e na deglutição, bem como alterações de sono e dificuldades de atenção e de concentração.

 

·          É possível “curar” a gaguez, mesmo em idade adulta?

Existem muitas abordagens, tanto em crianças, como em adultos, e todas elas visam minimizar os efeitos da disfluência (gaguez) e melhorar a experiência comunicacional da pessoa com os seus vários interlocutores, nos diferentes contextos, pois, uma vez que se trata de um problema de etiologia multifatorial e com diversos níveis de gravidade, não se pode falar em “reverter o processo” mas sim modificá-lo.

·         Comecei a usar aparelho ortodôntico e o meu médico dentista encaminhou-me para a terapia da fala. O que vou fazer à terapia?

As alterações dentárias e ósseas podem interferir nas funções de mastigar, deglutir, falar e respirar, assim como estas mesmas funções, quando realizadas de forma inadequada, podem causar ou contribuir para o surgimento ou reaparecimento de alterações dentárias. Assim, para além de corrigir estruturas dentárias e ósseas, é necessário avaliar e adequar as estruturas estomatognáticas (lábios, língua, bochechas, palato mole) e respetivas funções que as mantêm, a fim de proporcionar o equilíbrio, estabilidade e harmonia orofaciais.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Ana Carolina Marques—- A Terapia da Fala na 3ª Idade

 

O Terapeuta da Fala pode intervir na população mais idosa?

 

O envelhecimento não tem uma data de início estabelecida. Sem nos apercebermos os cabelos ficam esbranquiçados, a pele enrugada e o tempo parece que voa. Com o envelhecimento surgem as dificuldades em funções e atividades que antes nos pareciam tão simples, como é o caso do falar, do comer ou do escrever. É aqui, que começamos a ter consciência que nem sempre as coisas mais simples estão garantidas. Com todas as alterações na vida da pessoa, muitas das vezes surge a ideia de incapacidade porque se perdeu o seu lugar na sociedade, o que pode desencadear frustrações, alterações emocionais e isolamento (porque reduzem drasticamente as interações).

À medida que as pessoas envelhecem, ficam mais propícias a desenvolver patologias que têm repercussões negativas na comunicação e na deglutição, como é o caso do AVC, Parkinson, Alzheimer, entre outros. A capacidade de articular com precisão as palavras, compreender e expressar mensagens verbais pode também estar alterada nestas patologias.

Se quisesse dizer obrigada ao seu filho ou parabéns ao seu neto e as palavras não saíssem? Como se sentia? O que ponderava fazer? E se não conseguisse comer porque se engasgava com frequência ou porque não conseguia engolir? Como ficava? Onde ia procurar ajuda? Qualquer pessoa pode vir a ter problemas ao nível da comunicação e/ou da deglutição ao longo do processo de envelhecimento, quer este seja fisiológico (natural) ou patológico.

As alterações na comunicação são das mudanças mais evidentes e que por vezes advêm da presbiacúsia (envelhecimento do aparelho auditivo) porque a pessoa não compreende o que lhe é dito. Estas condições influenciam negativamente a pessoa, levando-a à solidão e à deterioração da imagem a nível social. Deste modo, podemos concluir que as alterações comunicativas podem também advir de condições patológicas.

As alterações na voz e na fala dizem muito sobre a nossa saúde. A presbifonia (envelhecimento da voz) pode surgir em qualquer momento e depende da saúde física/psicológica da pessoa, da alimentação, estilo de vida ou mesmo fatores ambientais. Assim, é necessário estar atento aos sinais porque podem ser indicativos de problemas neurológicos, funcionais ou orgânicos que não podemos ignorar.

As dificuldades na alimentação (disfagia), nomeadamente em engolir os alimentos de forma segura, são muito comuns e podem ter como causa os problemas neurológicos (AVC, TCE, Parkinson, Alzheimer, Paralisia Cerebral…). As dificuldades podem evidenciar-se na mastigação, manipulação do alimento ou mesmo no transporte deste. Este tipo de perturbação pode implicar consequências assoladoras na qualidade de vida da pessoa, desde desidratação, subnutrição, depressão, asfixia, até, eventualmente, a morte.

A intervenção direta do Terapeuta da Fala abrange o envelhecimento fisiológico mas também o patológico, onde, de forma geral, se promove sempre a autonomia, qualidade de vida e realização pessoal. É também efetuada uma intervenção indireta, onde os cuidadores fazem parte de todo o processo de reabilitação, já que a comunicação com estes são requisitos fundamentais para manter a qualidade de vida.

A formação do Terapeuta da Fala qualifica-o para dar resposta às necessidades da pessoa idosa considerando os fatores biopsicossociais, aconselhando-a e reabilitando algumas das funções. Deste modo, o tratamento adequado e o envolvimento dos cuidadores permite atuar não só no foco da patologia mas também no contexto da pessoa, tentando ultrapassar as barreiras e superando as suas dificuldades.

Em caso de dúvidas, consulte um Terapeuta da Fala.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Ana Carolina Marques—“As crianças que têm dificuldade em aprender têm dificuldades intelectuais.”Será esta afirmação, ainda ouvida várias vezes, verdadeira?

“As crianças que têm dificuldade em aprender têm dificuldades intelectuais.”

Será esta afirmação, ainda ouvida várias vezes, verdadeira?

As dificuldades de aprendizagem são bastante frequentes em idade escolar, podendo a criança evidenciar dificuldades em todas as áreas ou apenas na leitura, na escrita ou na matemática. Muitas vezes estas dificuldades surgem associadas a uma baixa autoestima, desmotivação, ansiedade, défice de atenção, problemas emocionais ou de comportamento e é importante compreender a interação entre os vários fatores, para proceder a uma intervenção adequada e eficaz.

Os problemas de aprendizagem manifestam-se fundamentalmente na entrada para o 1º ciclo e refletem-se na diminuição do desempenho escolar, principalmente quando se apresentam tarefas que requerem linguagem escrita. Podem ser inúmeras as razões para essas dificuldades:

  • Incapacidade geral para aprender. Uma criança que tenha um baixo quociente intelectual terá dificuldades na aprendizagem de todas as matérias escolares, e consequentemente também terá dificuldades na aprendizagem da leitura e escrita.
  • Imaturidade na iniciação da aprendizagem da leitura. A aprendizagem da leitura e escrita deverá ter início quando a criança apresenta um nível de maturidade suficiente. Normalmente, as crianças atingem esta maturidade por volta dos seis anos e meio, período que coincide com a idade de entrada para o ensino primário. No entanto, nem todas as crianças atingem essa maturidade ao mesmo tempo. Acontece frequentemente que, quando a aprendizagem da leitura tem início precocemente, as crianças podem fracassar nesta tarefa, o que pode posteriormente determinar a instalação de uma atitude negativa em relação à leitura.
  • Alterações no estado sensorial e físico. Perturbações mais globais de desenvolvimento, como é o caso de deficiências intelectuais, défices neurológicos, síndromes, autismo, deficiências auditivas e/ou visuais, ou outros, podem afetar aspetos cognitivos, comunicativos, motores e sociais e tendem a afetar a aprendizagem.
  • Alterações no estado emocional e comportamental. O bloqueio intelectual causado por níveis de ansiedade muito elevados ou uma Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção comprometem a qualidade das aquisições escolares.
  • Meio cultural da criança. Vários estudos têm demonstrado a importância de uma estimulação adequada do meio para o desenvolvimento da criança. Uma criança que vive num ambiente que lhe possa fornecer diversas experiências (através da utilização de uma linguagem adequada, utilização de livros, jogos educativos ou viagens/experiências reais) tem muito mais oportunidade para adquirir conhecimentos, do que crianças que não tenham esta oportunidade. Desta forma, o meio pode afetar tanto a motivação como o incentivo para aprender.

Os défices de aprendizagem são bastante diferentes da Perturbação do Desenvolvimento Intelectual e ocorrem em crianças com desempenho intelectual normal ou até elevado. Estes défices afetam somente certas funções, enquanto que nas crianças com Perturbação do Desenvolvimento Intelectual as dificuldades afetam de maneira ampla as funções cognitivas.

Conclusão: a afirmação citada é falsa.

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Ana Carolina Marques—“Não é importante as crianças frequentarem o pré-escolar.” Será esta afirmação, ainda ouvida várias vezes, verdadeira?

O cérebro da criança evolui a uma velocidade incrível nos primeiros anos de vida, embora cada criança tenha um ritmo de aprendizagem diferente, de acordo com as suas capacidades.

Uma educação pré-escolar de qualidade tem aspetos muito positivos que levam a um bom desenvolvimento pessoal e social da criança. O ingresso no jardim-de-infância é um marco importante na vida e no seu desenvolvimento saudável. É um iniciar de um ciclo com rotinas, o que não sucedia até ao momento, um iniciar de novos contatos (educadores e pares) e de novas brincadeiras que vão oferecer aprendizagens constantes.

A educação pré-escolar deve ser considerada como a primeira etapa do processo educativo, complementar ao familiar e neste seguimento potencia um desenvolvimento pessoal equilibrado e uma inserção contextualizada na sociedade.

A bibliografia na temática tem evidenciado vários benefícios na frequência do Jardim, nomeadamente: o desenvolvimento social da criança visto que fomenta a inserção em grupos heterogéneos (social e culturalmente), a promoção do respeito pelas diferentes características individuais, a estimulação das relações interpessoais, a promoção de competências comunicativas e a possibilidade de despistar/rastrear possíveis dificuldades precocemente sem que mais tarde a criança registe dificuldades na aprendizagem da linguagem escrita (por exemplo).

O pré-escolar é caracterizado como um contexto educativo facilitador do desenvolvimento de competências fundamentais para uma integração plena e de sucesso das crianças no 1º ciclo. É ainda um espaço único de novas vivências e diferentes experiências. No jardim-de-infância, a criança cresce e aprende sem pressões curriculares. O ambiente educativo é motivador e facilitador de experiências que permitem aprendizagens diversificadas de comunicação, de criatividade, de interação, de resolução de problemas, de pensamento mais abstrato, entre outros exemplos.

Os estudos mais recentes confirmam que a frequência do pré-escolar promove uma inserção positiva no 1º ciclo, ao contribuir para oportunidades de sucesso escolar, especialmente, nas aprendizagens de leitura, escrita e contagem (devido ao contacto anterior com o folhear livros, revistas ou jornais, realizar jogos de letras e palavras, jogos com figuras geométricas e números, entre outros de estímulo cognitivo, fundamentais para incutir futuros hábitos de leitura e de cálculo mental).

As vantagens de frequentar o ensino pré-escolar são imensas, registando-se uma promoção do desenvolvimento cognitivo e comportamental. As crianças desenvolvem competências sociais de cooperação, através da realização de atividades de grupo. A autoestima é tida em conta com a criação de situações que possibilitam o reforço da concentração numa tarefa e o contacto/exploração sensorial, desenvolvendo o autocontrolo e a autoconfiança. A capacidade de resiliência também é estimulada através da realização de atividades que permitem dinâmicas criativas face às contrariedades. Assim é possível promover a imaginação e o sentido crítico da criança, reforçando o otimismo face às adversidades e aceitação positiva de novos desafios.

Conclusão: a afirmação citada é falsa.

 

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

 

Artigo de Ana Carolina Marques—–Desenvolvimento da Fala  

A fala é uma função complexa que engloba a articulação dos sons da nossa língua, bem como, o seu conhecimento fonológico, através da coordenação de movimentos estruturais e funcionais.

A criança desenvolve a fala desde cedo, muito antes de começar a falar. Utiliza o olhar, a expressão facial e o gesto para comunicar, a partir da interação com os outros. Começa por desenvolver a capacidade da compreensão, incluindo a de discriminar os sons da fala. À medida que isso acontece, desenvolve a expressão que contempla, posteriormente, a fala.

A fala tem duas dimensões: a fonética e a fonologia. A fonética relacionada com os movimentos físicos ao nível da produção e da perceção (independentemente do seu significado) e a fonologia relacionada com a organização do sistema de sons da língua. A sua produção passa necessariamente pela produção da voz (através da vibração das cordas vocais), a qual, para além de controlada pelo sistema nervoso central, envolve três etapas: respiração, fonação e articulação.

Assim, ao longo do processo de aquisição da linguagem, a criança vai reconhecendo progressivamente, os sons com que, na sua língua materna se constroem as palavras que servem para comunicar com os outros. As crianças tentam adaptar a forma de dizer as palavras, de modo a que consigam produzi-las o mais corretamente possível recorrendo ao uso de processos fonológicos, para facilitar a sua produção. A aquisição do sistema fonológico da nossa língua acontece, de forma contínua até aos sete anos de idade. Desta forma, o desenvolvimento fonológico inicia-se através da aquisição de sons simples e com o decorrer dos anos há uma expansão desse sistema fonológico, adquirindo os sons mais complexos.

Atualmente, as alterações da fala e da linguagem constituem o problema mais frequente no desenvolvimento infantil com incidências que variam entre 2 a 19%.

A dificuldade na produção dos sons da fala é diagnosticada quando a criança não articula esse mesmo som, tendo em conta a idade esperada e não são resultado de uma incapacidade física, estrutural, neurológica ou auditiva.

Existem vários sinais de alerta que nos permitem perceber se a criança poderá a vir ter dificuldades na produção dos sons da fala. Entre os quais, se destacam:

  • Aos três anos não se faz entender fora do contexto familiar;
  • Aos quatro anos apresenta uma fala pouco percetível;
  • Aos cinco anos omite ou troca sons nas palavras;
  • Aos seis anos não articula corretamente todos os fonemas do português;
  • Usa gestos em vez de palavras para comunicar.

As alterações no desenvolvimento da fala necessitam de uma avaliação, por parte de um Terapeuta da Fala, quer irá determinar a necessidade ou não de um acompanhamento individualizado, assim como, orientar e acompanhar a família através do fornecimento de estratégias facilitadoras, para melhorar as competências da criança.

Algumas das orientações às famílias deverão ser:

  • Dizer a palavra corretamente, logo após a palavra que a criança tem dificuldade;
  • Quando a dificuldade é num som específico devemos dizer a palavra dando maior entoação a esse som;
  • Evitar o “não é assim que se diz” e usar expressões como “faz como eu”;
  • Não pedir à criança para repetir a palavra em que teve dificuldade para evitar frustração;
  • Elogiar a criança depois desta repetir a palavra, mesmo quando não articula de forma correta;
  • Não infantilizar as palavras através de diminutivos (ex: “cadeirinha”);
  • Usar jogos como “loto”, “dominó”, “puzzles” para promover os sons que a criança tem dificuldade.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

Artigo de Ana Carolina Marques—Qual a relação que existe entre o aleitamento materno com a Terapia da Fala? 

O aleitamento materno tem sido mais abordado nos últimos tempos devido aos aspetos relacionados com o crescimento e desenvolvimento da criança, nomeadamente os nutricionais, imunológicos e psicoafectivos. Os benefícios para a criança e para a mãe são múltiplos e já bastante conhecidos.

A amamentação tem uma grande importância no crescimento e desenvolvimento harmonioso das estruturas da face (o sistema estomatognático) e respetivas funções (sucção, respiração, mastigação, deglutição e fala). Uma amamentação adequada promove uma sensação de bem-estar e conforto mas também aprimora a mobilidade, postura e tonicidade dos músculos envolvidos, contribuindo para uma respiração nasal e um crescimento harmonioso da face, além de prevenir hábitos orais (chupeta ou dedo) e más oclusões dentárias.

Atualmente, o aleitamento materno é visto como um ato natural no entanto, pode não ser simples visto que depende de vários fatores clínicos e anatómicos da mãe e do recém-nascido. É comum a mãe não ter leite ou a componente nutricional/energética do mesmo sendo inferior à necessária. Por outro lado, existem mães, que apesar do desejo e condições não o fazem, porque o seu bebé pode apresentar cansaço extremo (bebés prematuros), lesões orgânicas (fendas lábiopalatinas), alterações na força de sucção ou descoordenação na respiração-sucção-deglutição.

A Terapia da Fala pode ter um papel fundamental na adequação do processo da amamentação e consequentemente na promoção de um bom desenvolvimento das estruturas orofaciais e suas funções. O Terapeuta da Fala pode ser um facilitador neste processo, intervindo na vertente muscular com o intuito de facilitar a sucção, coordenando os períodos de pausa, aumentando a oxigenação durante e após as mamadas, auxiliando na transição alimentar por sonda para via oral, entre outros objetivos.

 

 

Vantagens para o bebé:

  • Reduz o risco de otites médias comparativamente ao uso do biberão;
  • Reduz o risco de se tornar um respirador oral e de desenvolver problemas de fala;
  • Proporciona um desenvolvimento cranio-facial harmonioso ;
  • O leite materno tem os nutrientes necessários, não sendo necessário recorrer a suplementos;
  • Reduz o risco de infeções bacterianas.

Vantagens para a mãe:

  • Aumenta do vínculo afetivo mãe-bebé;
  • Reduz o risco de anemia pós-parto;
  • Evita hemorragias pós-parto;
  • Reduz o volume do útero de forma mais rápida.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

Artigo de Ana Carolina Marques: O seu filho tem dificuldades na mastigação? Saiba como as identificar!

Cada vez mais os cuidadores se deparam com as dificuldades que as crianças apresentam nas transições alimentares, podendo estas estar associadas aos hábitos orais tardios (eg. uso do biberão até à idade escolar) ou a alterações na integração sensorial oral. A necessidade de procurar o Terapeuta da Fala é cada vez maior, para que o treino específico e individualizado seja iniciado com a criança.

As alterações na mastigação podem aparecer devido à introdução tardia da variação alimentar, no que diz respeito à consistência, textura e até mesmo ao sabor. Quanto mais tardias forem as transições alimentares, maiores serão as dificuldades dos cuidadores em passar de consistências mais líquidas para as mais sólidas.

Os cuidadores devem estar atentos quando percebem que a criança não está a progredir no processo da mastigação. Aprender precocemente a mastigar, é a peça chave para fortalecer a língua, lábios e bochechas, que posteriormente são utilizadas na fala.

Para saber se está perante dificuldades na introdução de novas texturas e consistências, deve estar alerta para alguns sinais, nomeadamente:

  • Reflexo de vómito exagerado                                                                                                                                                                     –  Não gostar de ter as mãos sujas                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              – Evitar tocar nos alimentos
  • Engasgos constantes
  • Manter o alimento muito tempo na boca (bocheca)                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   – Limpar constantemente a boca
  • Lamber o alimento ou cuspi-lo.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       – Rejeitar novos alimentos

 Nível Oral                                                                                                                                                                                                        Nível Tátil

 

Algumas crianças já apresentam estes comportamentos orais e/ou sensoriais por existir uma maior predisposição para estas dificuldades, podendo estar relacionadas com algum tipo de sensibilidade oral ou freio lingual curto. Outras crianças têm estas dificuldades porque são privadas da estimulação sensorial (passam grande parte do tempo em frente à televisão ou a jogar no Tablet ou Playstation), que a nível do desenvolvimento vão influenciar as capacidades orais mas também as motoras para a fala.

A sensibilidade oral, as dificuldades na perceção do sabor, a dificuldade na organização do bolo alimentar, a alteração na mobilidade da língua, a privação de vivências táteis e orais podem ser possíveis causas mas é preciso identificá-las precocemente. É crucial que os cuidadores estejam conscientes da importância da mastigação para o desenvolvimento de uma alimentação eficaz.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Ana Carolina Marques- Dicas para aplicar em casa – Terapia da Fala em contexto natural

Dicas para aplicar em casa – Terapia da Fala em contexto natural

 

Considerando os tempos em que vivemos com várias restrições a nível social, é necessário estimular ainda mais as crianças em casa. Apesar de ser esta a nossa realidade há algum tempo, nem sempre é fácil nos habituarmos a tantas mudanças.

No dia-a-dia podemos estimular a linguagem oral e escrita, memória auditiva e a comunicação em tarefas que realizamos com frequência e no nosso ambiente natural.

  1. No quarto das crianças

– Leitura de livros antes de deitar: podem ler os pais, as crianças, ambos e no fim recontarem as histórias.

– Ouvir músicas: seleção de algumas mais calmas para ouvir antes de deitar e mais mexidas para durante o dia. Deve manter-se o foco na letra e ritmo, por exemplo.

– Vestir/Despir: podem aproveitar estes momentos para nomear as peças de roupa ou abordar a sequência de roupas a vestir.

 

  1. Na cozinha de casa

– Na hora das refeições podem definir a ementa juntos, nomear os ingredientes, distribuir tarefas (nomeando as ações), entre outros exemplos.

– Pôr/Levantar a mesa: nesta tarefa podemos identificar os objetos e abordar as quantidades conforme os elementos incluídos no agregado familiar.

– Listagem de compras: elaborar lista de compras e conjunto pode ser divertido. Podem aproveitar esta atividade para categorizar os alimentos (ex: frutas, legumes, doces, bebidas…).

 

  1. Na sala de casa

– Jogo do stop: os pais podem ajudar a construir grelhas e decidir as categorias conforme a idade e posteriormente evocar o respetivo vocabulário.

– Jogo do telefone: podem escolher um segredo para ir dizendo ao ouvido de quem estiver ao lado. Quando o segredo chegar à última pessoa, esta deve dizer em voz alta e ver se foi o que a primeira pessoa disse.

– Jogos de mímica: cada pessoa escolha uma coisa e tentar imitar com gestos para as restantes adivinharem.

– Visualização de filmes ou séries com discussão final das mesmas (ex: o que gostaram mais, resumir o que foi visto, adivinhar o que virá num próximo episódio…).

 

– Desenhar ou pintar com ou sem ajuda dos pais.

– Construir “quantos queres”: os pais ajudam a elaborar o jogo e a decidir que questões colocar nas faces (ex: categorias para evocação de conceitos, letras para evocação de palavras…).

 

  1. No WC de casa

– Hora do banho: podem ser identificadas ou nomeadas as diferentes partes do corpo. Caso a criança seja maior, os pais podem treinar o cumprimento de ordens.

. Brincar ao espelho: esta pista visual pode ajudar a fazer alguns exercícios com a língua, bochechas (úteis ao nível da motricidade orofacial).

 

As ideias mencionadas são algumas das atividades para desenvolver com as crianças, tenham elas ou não necessidades de intervenção em terapia da fala. É só adaptar à faixa etária, dar asas à imaginação e envolver toda a família.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Ana Carolina Marques—-Rastreios Auditivos – Importância destes no desenvolvimento das crianças

Quando fechamos os olhos, são vários os sons que nos rodeiam e imensos os que têm importância na nossa vida. Como seria se tivéssemos de viver sem acesso aos sons? E se esta realidade afetasse o seu filho ou alguém que lhe é querido?

A audição é um dos sentidos mais importantes. É considerada a chave para a linguagem oral e um motor para se sentir o mundo. Quando não existe exposição à linguagem nos primeiros anos de vida, a criança vai apresentar discrepâncias ao nível do desenvolvimento linguístico. A prevenção da perda auditiva é uma das medidas a adotar e consequentemente impedir que a falta de estimulação auditiva influencie a linguagem.

Os primeiros dois/três anos de vida são cruciais para o desenvolvimento da audição e da linguagem e por isso são denominados como “período crítico” devido à maior plasticidade neuronal. Nesta fase, podemos efetuar modificações (positivas ou não) que variam com a quantidade e qualidade dos estímulos fornecidos. Uma audição normal é essencial para uma correta aquisição e desenvolvimento da linguagem, daí a importância da deteção precoce da perda auditiva e consequente reabilitação (antes dos seis meses de idade).

Atualmente já são conhecidos alguns fatores de risco que podem levar a perdas auditivas/surdez, nomeadamente os antecedentes familiares com surdez, as infeções congénitas (eg. citomegalovírus e rubéola), as malformações craniofaciais, a meningite bacteriana, as síndromes, as convulsões neonatais, as otites médias recorrentes e o APGAR de 0 a 4 no 1º minuto ou de 0 a 6 no 5º minuto.

A deteção e intervenção precoce na perda auditiva permite que melhores resultados sejam obtidos e que a criança aproveite o seu potencial ao nível da fala, linguagem mas também das competências sociais. Esta deteção precoce é possível através do Rastreio Auditivo Neonatal Universal (nas primeiras 12 horas de vida) que pretende identificar eventuais perdas auditivas nos recém-nascidos através das Otoemissões Acústicas. Estas emissões testam a reação do ouvido interno ao som, sem implicar uma resposta por parte do bebé que está a ser rastreado. É um teste simples, rápido, não invasivo, de grande sensibilidade e especificidade.

A perda auditiva é responsável pelo atraso no desenvolvimento da linguagem e tem graves consequências no desempenho académico da criança. Com o diagnóstico efetuado precocemente, as consequências podem ser minimizadas com intervenção precoce e com a utilização das ajudas técnicas disponíveis. Portanto, a deteção precoce, imediatamente após o nascimento tem grandes possibilidades de melhorar a qualidade de vida dos bebés e respetivas famílias.

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu

 

Artigo de Ana Carolina Marques- Terapia da Fala nas Escolas

Todas as fases escolares apresentam desafios tanto para as crianças como para os pais. No pré-escolar, dá-se um salto no desenvolvimento da linguagem, através da interação com os pares e com os jogos simbólicos e de grupo; no 1º ciclo inicia a aprendizagem da leitura e escrita; no 2º e 3º ciclos surgem novas disciplinas e novas matérias, cada vez mais exigentes. Em todas as etapas o Terapeuta da Fala pode ajudar, embora o mais comum seja a intervenção direta e indireta em fases mais precoces, nomeadamente na creche, pré-escolar e 1º ciclo.

A nível pré-escolar são detetadas dificuldades ao nível da fala, linguagem e/ou comunicação. Conforme a área, o foco da intervenção varia e é personalizado de acordo com a criança e as suas rotinas. Aprender a brincar ajuda a criança a adquirir competências de forma mais fácil. No pré-escolar, a intervenção pode ser direta com a criança em contexto jardim-de-infância com tarefas planeadas pela TF ou indireta através da observação e aplicação de estratégias através das Educadoras e auxiliares. O TF é responsável por decidir a melhor abordagem de intervenção e o feedback dos pais e educadoras também ajuda a avaliar a eficácia da intervenção. O trabalho em equipa é fundamental para o sucesso da intervenção. A intervenção em sala de aula, em parceria com as Educadoras, normalmente é mais eficaz e lúdica. Além de ser contextualizada na rotina da criança, permite o envolvimento dos parceiros comunicativos da criança que facilita a generalização das aprendizagens. Exemplificando com situações comuns na prática profissional do TF:

– Crianças com dificuldades articulatórias beneficiam de uma intervenção que envolve as Educadoras;

– Crianças com Perturbação do Espetro do Autismo podem ter necessidade de usar símbolos para comunicar ou ter um quadro de rotinas na sala de aula, onde mais uma vez a colaboração das Educadoras é uma mais-valia;

– Crianças com dificuldades na alimentação (seletividade ou alterações na sensibilidade) podem beneficiar de dinâmicas com os pares em sala de aula.

Quando ingressam no 1º ciclo, a mudança na rotina das crianças é muito significativa, desde a introdução de mais e novas disciplinas, a carga horária e a redução do tempo dedicado ao brincar. Esta mudança implica uma alteração no contexto e um aumento das exigências na aprendizagem no entanto, a articulação entre os intervenientes deve ser mantida. Nesta etapa, as crianças podem ser retiradas da sala de aula para usufruir das sessões de terapia ou o papel do TF pode passar pela sua atuação em sala de aula, ajudando na adaptação dos conteúdos escolares e aplicação de estratégias facilitadoras da aprendizagem da leitura e escrita e mais tardiamente de outras matérias. Resumidamente, em qualquer fase da vida escolar, o TF pode fazer a diferença seja qual for o diagnóstico e dificuldades da criança.

 

Ana Carolina Melo Marques C-046322175

Terapeuta da Fala na APSCDFA, na Clínica Nossa Srª da Graça e na CliViseu