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Avisos e Liturgia do II Domingo do Advento- ano C

 

João Baptista proclama a salvação para toda a humanidade: “toda a criatura verá a salvação de Deus”. Trata-se de uma jubilosa mensagem que os cristãos não deveriam esquecer. Nos meios de comunicação social, as notícias relatam maus tractos físicos, falam da corrupção mais ou menos generalizada, dos cristãos perseguidos por causa da fé, da morte de tantos imigrantes que procuram chegar à Europa para terem uma vida melhor, de tantas agressões à dignidade humana… Não estamos muito bem, poderíamos estar melhor. Nesta complexidade da vida das pessoas e do mundo, não é fácil encontrar caminhos de saída, soluções para estas realidades e também vislumbrar um futuro melhor para todos. Estas realidades negativas são causa de tristeza, de desânimo, de injustiças e fazem sofrer muitas pessoas. Por isso, é importante dar ouvidos às pessoas, escutarmo-nos mais vezes, dar mais atenção aos outros, apostar num diálogo sincero procurando não alimentar e diminuir o egoísmo para que cresça a cooperação no bem comum. É necessário rasgar caminhos que conduzam à paz, à justiça, à erradicação da pobreza, à defesa dos direitos humanos, à valorização da dignidade da pessoa humana e, acima de tudo, à vontade de assumir cada vez os nossos deveres sociais. O profeta Baruc dirige-se à cidade de Jerusalém, deprimida como uma mãe viúva que chora a desgraça dos seus filhos: “deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus… Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente… Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus” (1ª leitura). É desejo do profeta animar os exilados com a esperança do regresso à terra. Neste domingo, S. Lucas apresenta-nos João Batista, o maior do grupo dos profetas. Num determinado momento, bem situado na história, depois de uns anos de solidão no deserto onde experimentou a Palavra de Deus, João dirige-se para o rio Jordão, nos limites do deserto, como “voz” que convida o povo à conversão, a uma mudança radical de vida, a reconhecer os seus erros e pecados que os conduziu para um caminho sem saída. Agora, são convidados a percorrer novos caminhos que tornem possível o encontro com Deus que se aproxima e quer trazer a salvação para todos. “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas… toda a criatura verá a salvação de Deus”. Como poderemos aplanar ou endireitar novos caminhos? Aplanar quer dizer rebaixar as colinas e as proeminências da prepotência, do orgulho, do egoísmo, do poder, do mercantilismo que impedem a chegada de um mundo verdadeiramente humano, segundo o projecto de Deus. Por isso João Batista convida o povo a abrir caminhos para encontrar o Salvador. Através das mediações, Deus revela os seus mais nobres desejos para cada um de nós. A nível pessoal, será através de uma mão amiga, uma palavra de ânimo, uma proximidade discreta que nos oferece compreensão e afecto. A nível colectivo, temos o grupo dos profetas do mundo de hoje, mesmo que não conhecidos nem escutados. Alguém disse: “Se não houver vozes proféticas morrerão muitas esperanças dos povos”. Na segunda leitura, S. Paulo exorta os cristãos de Filipos, e a nós também, a viver com coerência: “a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo, na plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus”. Os verdadeiros caminhos são abertos e construídos com a ternura, a razão, a verdade, a sabedoria e a justiça. São os caminhos das pessoas íntegras que preparam o caminho do Senhor. Se desejas encontrar-te com o Senhor, rasga e percorre o caminho da tua vida na integridade e com coerência no que dizes, no que pensas e no que fazes.

 

 

Sugestão de cânticos: Entrada: O Senhor é a minha luz, F. Santos, NCT 224; Chegue até Vós, Senhor, F. Santos, NCT 213; Vamos confiantes (C. Silva) – CT 50; Eu vos invoco, Senhor (A. Cartageno) – CEC II 129; Apresentação dos Dons: Quem quiser ser grande (M. Luís) – NCT 555; A messe é grande (C. Silva) – OC 14; Comunhão: Elevarei o cálice da Salvação, M. Faria, NCT 259; O Senhor alimenta, F. Silva, NCT 267; Beberam o cálice do Senhor (C. Silva) – OC 54; O Filho do Homem (F. Santos) – CEC I 116; Final: Ide por todo o mundo (M. Luís) – NCT 355; Ó Maria, Rainha das Missões (Popular) – CT 567.

 

Sugestão de Cânticos: Entrada – Maranatha, Aleluia (F. Santos) – CEC I 32; Ó Povo de Sião (M. Luís) – CEC I 32; Povo de Sião, NCT 26; O Senhor vem e não tardará, NCT 24; Sobre Jerusalém, NCT 35. Ofertório: Preparai os caminhos do Senhor (F. Santos) – CEC I 31; Povo de Deus, eis o teu Senhor (M. Luís) CAC 53; Comunhão – Levanta-te, Jerusalém (F. Silva) – CEC I 18; Senhor, descei a nós (M. Luís) – CEC I 34; Levanta-te, Jerusalém, BML 48,15; ou NCT 43; O Senhor nosso Deus virá, NCT 45. Final – Abri as portas (C. Silva) – OC 24; Maria, fonte de esperança (M. Luís) – NCT 53; Vinde, vinde, NCT 51

 

05-12-2021

LEITURA ESPIRITUAL

«O deserto e a terra árida vão alegrar-se, a estepe exultará e dará flores» (Is 35,1) «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor’». Irmãos, reflictamos antes de mais na graça da solidão, na beatitude do deserto, que mereceu ser consagrado ao repouso dos santos desde o começo da era da salvação. É verdade que o deserto foi santificado para nós pela «voz [que] clama no deserto», João Batista, que pregava e administrava um baptismo de penitência; mas já antes dele os profetas mais santos tinham amado a solidão enquanto local favorável ao Espírito. Porém, este local recebeu uma graça de santificação incomparavelmente maior quando Jesus tomou o lugar de João (Mt 4,1). Ele permaneceu no deserto durante quarenta dias, como que para purificar e consagrar este local a uma vida nova; venceu o déspota que o assombrava, não tanto por si, mas por aqueles que, no futuro, aí habitariam. Portanto, espera no deserto Aquele que te salvará do medo e das tempestades; quaisquer que sejam os combates que sobre ti se abatam, quaisquer que sejam as privações que venhas a sofrer, não regresses ao Egipto, pois o deserto há de alimentar-te melhor com o maná. Jesus jejuou no deserto, mas muitas vezes alimentou a multidão que O seguia, e fê-lo de forma maravilhosa. Quando pensares que Ele te abandonou há muito, nessa altura Ele virá, recordado da sua bondade, para te consolar e te dizer: «Recordo-me da tua fidelidade no tempo da tua juventude, dos amores do tempo do teu noivado, quando me seguias no deserto» (Jer 2,1). Nessa altura, Ele fará do teu deserto um paraíso de delícias, e tu proclamarás, como o profeta, que «tem a glória do Líbano, a formosura do monte Carmelo e da planície de Saron» (Is 35,2). Então, da tua alma saciada brotará um hino de louvor: «Dêem graças ao Senhor, pelo seu amor e pelas suas maravilhas em favor dos homens. Pois Ele deu de beber aos que tinham sede, e matou a fome aos famintos» (Sl 106,8-9). (Beato Guerric de Igny, c. 1080-1157, abade cisterciense, 4.º Sermão do Advento)

Que necessidade havia de que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma grande necessidade, que podemos resumir em dois pontos: necessidade de remediar os nossos pecados e necessidade de dar o exemplo para a nossa conduta. A Paixão de Cristo dá-nos um modelo válido para toda a vida. Se procuras um exemplo de caridade: «Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13). Se buscas paciência, é na cruz que a encontramos no grau máximo: Na cruz, Cristo sofreu grandes tormentos com paciência porque «ao ser insultado não ameaçava» (1Pd 2,23), «não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro» (Is 53,7). «Corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé. Ele, renunciando à alegria que lhe fora proposta, sofreu a cruz, desprezando a ignomínia» (Hb 12,1-2).

Se procuras um exemplo de humildade, olha para o Crucificado. Porque Deus quis ser julgado por Pôncio Pilatos e morrer. Se procuras um exemplo de obediência, basta que sigas Aquele que Se fez obediente ao Pai «até à morte» (Fl 2,8). «De fato, tal como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim também pela obediência de um só todos se tornarão justos» (Rm 5,19). Se buscas um exemplo de desapego dos bens terrenos, simplesmente segue Aquele que é o «Rei dos reis e Senhor dos senhores», «em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento» (1Tm 6,15; Cl 2,3); Ele está nu na cruz, tornado motivo de escárnio, coberto de escarros, maltratado, coroado de espinhos e, por fim, dessedentado com fel vinagre. (São Tomás de Aquino, 1225-1274, teólogo dominicano, doutor da Igreja, Conferência sobre o Credo, 6).

 

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Avisos e Liturgia do I Domingo do Advento- ano C

a)         Iniciamos, hoje, um novo Ano Litúrgico, muito antes do início de mais um ano civil. O ambiente social, através do comércio, da publicidade, já respira um “ar natalício”. Vale a pena aproveitar esta antecipação e valorizar aquilo que é interessante. Para nós, cristãos, o tempo tem outro sentido. O centro, a plenitude dos tempos, o núcleo do ano é a Páscoa do Senhor, o Tríduo Pascal no qual celebramos o mistério salvador da morte e da ressurreição de Jesus Cristo que nos convoca em cada domingo à eucaristia. Porém, há que preparar o Advento e as festas do Natal. Iremos preparar, novamente, o nosso interior para receber de novo, no hoje da nossa vida, o nascimento Daquele que dá sentido ao tempo, à história e à nossa vida. É importante que se note que estamos a iniciar um novo tempo que é forte e importante. Ao começar o Advento, coloquemos já o nosso olhar na celebração do Natal – Epifania, como fazemos quando iniciamos a Quaresma que só tem sentido a partir da Páscoa. Na nossa celebração e na pastoral da comunidade, tudo tem que expressar que estamos a começar de novo: a coroa do Advento, cartazes com frases alusivas ao tempo, cânticos adequados, a programação de uma celebração penitencial, vigílias de oração, actividades formativas e catequéticas, etc.

 

b)        O Advento situa-nos entre as duas vindas do Filho do Homem. O Prefácio do Advento I diz-nos claramente: “Ele veio a primeira vez … de novo há-de vir”. O primeiro domingo do ano litúrgico põe-nos sempre à nossa reflexão esta segunda vinda do Filho do Homem. Para esta segunda vinda, na celebração tudo nos convida a estar preparados e vigilantes, mesmo a recordação da primeira vinda. Aguardaremos pela segunda vinda do Senhor em vigilância e oração. Mas hoje, o Senhor também está presente, porque vem assiduamente ao encontro de cada um e da história. É preciso saber descobrir o Senhor, é necessário estar atento para que Ele não passe despercebido. O momento presente não é só preparação para a vinda definitiva, mas também acolher hoje a vinda do Senhor que é salvadora.

28-11-2021

c)         Jesus diz-nos no evangelho: “Erguei-vos, levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. Libertação de quê? Jesus dá a resposta: de todas as coisas que escurecem e preocupam demasiado o nosso coração. Que programa mais belo para o Advento: o contraste com tudo aquilo que nestes dias que antecedem o Natal nos preocupa demasiado; quantos negócios e compras nos preocupam demasiado! Tudo isto pode criar em nós uma insensibilidade a Deus que vem para nos libertar de todas as escravidões da vida. A livre pobreza do Natal recordar-nos-á de tudo isto. A nossa pregação deverá ajudar a que todos “compareçam de pé diante do Filho do Homem” que vem amorosamente à vida humana. Como São Paulo nos diz, há que valorizar o esforço que cada um faz na sua caminhada de fé. Não vale a pena ter sempre um discurso negativo e deprimente. “Deveis proceder para agradar a Deus e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais” (2ª leitura). Só assim tem sentido o Advento. A Oração Colecta deste domingo faz-nos pedir a Deus que despertemos em nós “a vontade firme, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo”.

 

d)        “Para Vós, Senhor, elevo a minha alma”, cantaremos no Salmo Responsorial. É também o texto da Antífona de Entrada. Quando nos preparamos para viver de novo a “humilhação” de Deus que assumiu a nossa condição humana, excepto o pecado, deveremos corresponder com a nossa “elevação”. “Corações ao alto! O nosso coração está em Deus”, proclamaremos no início da Oração Eucarística. “Ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos”, diremos na Oração Depois da Comunhão. Este “subir” e “descer” que vivemos na Eucaristia tem de estar bem firme nos nossos corações “para nos apresentarmos santos e irrepreensíveis” diante de Deus. Esta é a nossa esperança, é a esperança do Advento.

 

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Ano C - Advento - 1º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do Domingo 34º do Tempo Comum – ano B CRISTO – REI

O título de rei é um dos que mais aparece no Antigo Testamento aplicado a Deus. Além de outros livros, no livro dos Salmos encontramos muitos exemplos, como o salmo 92 (93) que cantamos neste domingo: “O Senhor é rei, revestiu-Se de majestade”. A tradição da Igreja leu o Antigo Testamento a partir da experiência de Jesus Cristo ressuscitado. Nos Cânticos do Servo de Javé, em Isaías, os cristãos contemplam Jesus Cristo como “Servo sofredor”. Esta tradição também o viu como rei entrando na sua glória, como diz o salmo 24 (23): “Ó portas, levantai os vossos umbrais! Alteai-vos, pórticos eternos, que vai entrar o rei glorioso. Quem é Ele, esse rei glorioso? É o Senhor do universo! É Ele o rei glorioso”. A história de Israel é ambígua sobre a realeza, como se pode comprovar com o profeta Elias que resiste dar ao povo o rei que reclama: “Dá-nos um rei que nos governe, como têm todas as nações” (1Sm 8,5). Porém, Deus avisa Elias que se o povo quer um rei é porque rejeita a sua realeza: “Ouve a voz do povo em tudo o que te disser, pois não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, para que Eu não reine mais sobre eles” (1Sm 8,7). E diz a Elias que lhes conceda o que pedem, mas que lhes explique como irão sofrer com os abusos do rei. Jesus retoma esta ideia quando fala do serviço e do poder: “Os reis das nações imperam sobre elas…Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,25.27). O texto que colocaram na cruz de Cristo dizia: “Este é Jesus, o rei dos Judeus” (Mt 27,37), e nos diversos relatos da paixão, começando pela entrada solene em Jerusalém, vai-se afirmando frequentemente que Jesus é o rei dos judeus. O texto evangélico deste domingo centra-se no interrogatório de Pilatos sobre que classe de rei é Jesus e qual é a sua realeza: “Tu és o rei dos Judeus?”. Jesus sempre guardou silêncio sobre se Ele era o Messias, com receio que o Messias que Ele é fosse confundido com o Messias que os seus conterrâneos esperavam. Isto também acontece sobre a sua realeza. Recordemos o que aconteceu depois da multiplicação dos pães e dos peixes: “Jesus, sabendo que viriam arrebatá-lo para o fazerem rei, retirou-se de novo, sozinho, para o monte” (Jo 6,15). Não quer ser o rei que eles querem coroar. Jesus é rei, mas entra em Jerusalém humildemente: “Dizei à filha de Sião: Aí vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho, filho de uma jumenta” (Mt 21,5). É um rei que vem em nome de Deus: “E diziam: Bendito seja o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no Céu e glória nas Alturas” (Lc 19,38). Finalmente, é um rei mestre e Filho de Deus: “Respondeu Natanael: Rabi, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel” (Jo 1,49). É Rei dos Judeus, mas não o rei que eles querem que seja, mas o rei que Ele quer ser. Jesus respondeu a Pilatos: “O meu reino não é deste mundo”. E diz mais: “Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade”, da Verdade, com letra maiúscula, ou seja, de Deus. Nasceu e está no mundo com esta finalidade. O Seu Reino propõe outro mundo, nada sublime, mas concreto, humano, embutido no mundo para o qual foi enviado para o salvar. São Paulo fala deste Reino como do Reino de “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rom 14,17). Não é um Reino de poder excessivo, mas é um Reino de vida plena para todos os que O acolhem de coração: “porque deles é o Reino do Céu” (Mt 5,10). O prefácio da solenidade deste domingo é muito claro: “reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz”. Que este Reino venha até nós, como pedimos na oração do Pai Nosso.

21-11-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Pois, que é isto, Senhor meu?… Que é isto, meu Imperador? Como se pode sofrer isto? Sois Rei, Deus meu, para sempre, e não é emprestado o reino que tendes. Quando se diz no Credo: «Vosso Reino não terá fim», isto dá-me quase sempre particular consolação. Louvo-Vos, Senhor, e bendigo-Vos para sempre; enfim, o Vosso reino durará para sempre. Nunca permitais, Senhor, que se tenha por bom que, quem for a falar convosco, o faça só com a boca. Sim, não nos devemos aproximar para falar a um príncipe com o mesmo descuido que a um lavrador ou como a uma pobre como nós, pois, como quer que seja que nos falem, está bem. E assim, já que por humildade deste Rei, se eu por grosseira não Lhe sei falar, Ele nem por isso deixa de me ouvir, nem de me chegar a Si, nem me lançam fora Seus guardas; porque bem sabem os anjos que ali estão a índole do seu Rei, que gosta mais desta rudeza dum pastorzinho humilde pois vê que, se mais soubera mais diria, que dos mui sábios e letrados por elegantes arrazoados que façam, se não vão acompanhados de humildade, não é razão que, por Ele ser bom, sejamos nós descomedidos. Sequer ao menos para Lhe agradecer o que Ele sofre da vizinhança, consentindo a uma como eu ao pé de Si, é bem que procuremos conhecer a Sua limpeza e quem é. É verdade que, logo em chegando, se conhece, não como a senhores de cá que, em nos dizendo quem foi seu pai e os contos que tem de renda e o título, nada mais há a saber. Aproximai-vos pensando e entendendo, ao chegar, com quem ides falar ou com quem estais falando. Em mil vidas das nossas não acabaremos de entender como merece ser tratado este Senhor, diante de quem tremem os anjos. Em tudo manda, tudo pode; Seu querer é operar. Pois, razão será, filhas, que procuremos deleitar-nos nestas grandezas que tem o nosso Esposo e entendamos com quem estamos casadas e que vida havemos de ter. (Santa Teresa de Jesus, Caminho da Perfeição, cap. 22).

 

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Ano B - Tempo Comum - 34º Domingo - Boletim Dominical II

Padre Pelágio Tomás novo pároco das Paróquias de Figueiró da Granja, Fuinhas, Maceira, Muxagata e Sobral Pichorro

Em comunicado, a Diocese de Viseu anuncia as seguintes nomeações: Saí o Padre Jorge Carvalhal Pinto, Administrador Paroquial,  nas Paróquias de Canas de Senhorim e Santar e entra para Pároco das Paróquias de Santíssimo Salvador de Canas de Senhorim e de São Pedro de Santar, Arciprestado de Beira Alta, o Padre Marco  Cabral.

Depois saí o Padre Marco  Cabral das Paróquias de Figueiró da Granja, Fuinhas, Maceira, Muxagata e Sobral Pichorro e entra o Pároco das Paróquias de Nossa Senhora da Graça de Figueiró da Granja, de Nossa Senhora da Graça de Fuinhas, de São Sebastião de Maceira, de São Miguel Arcanjo de Muxagata e de Nossa Senhora da Graça de Sobral Pichorro, Arciprestado de Beira Alta, o Padre Pelágio Faz Tomás. Para Assistente Espiritual do Agrupamento 1393 do CNE de Fornos de Algodres irá o Padre Pelágio Faz Tomás. O Padre Pelágio é angolano, nasceu a 25-09-1966 e foi ordenado sacerdote a 6-8-2000.

Está em Portugal desde 2004 e que já esteve nas Dioceses de Aveiro e Porto. Veio para a Diocese de Viseu ao abrigo de um acordo entre o Bispo de Benguela e o Bispo de Viseu, assim como outros 3 que já cá trabalham há vários anos.

 

Avisos e Liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum- ano B

 

O próximo Domingo será o último do ano litúrgico antes de iniciar o Advento. Nestes últimos Domingos encontramos textos que, segundo os especialistas em Sagrada Escritura, pertencem à literatura apocalíptica, porque falam-nos de um futuro um pouco perturbador, descrevendo visões referentes ao momento em que as forças do mal se enfrentam com o poder de Deus, em que os idólatras e os que praticam o mal serão castigados, enquanto os fiéis a Deus serão recompensados. Por causa destes prenúncios tão espantosos, muitas pessoas atribuíram à palavra “apocalipse” o significado erróneo de um tempo de catástrofe, de tragédia, de desgraça. A palavra Apocalipse, em grego, significa “revelação”. É a revelação de uma realidade que bem conhecemos: que o mundo nem sempre se rege segundo os planos de Deus, porque existe o mal, a injustiça, a tristeza. Em todas as épocas da história, as pessoas lamentaram-se que o tempo “presente” de cada momento histórico foi o pior tempo de toda a história. Ouvia-se dizer: “Onde é que isto vai parar?”, “Estamos no fim do mundo!”. Apocalipse é também a revelação de uma esperança: que Deus cuida e salva o seu povo, julga-o com justiça, que todos aqueles que forem fiéis ao Senhor serão recompensados. Na primeira leitura, pode ler-se: “Os sábios resplandecerão como a luz do firmamento, e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão como estrelas por toda a eternidade”. Assim, podemos concluir o seguinte: há que olhar o futuro sem medo, porque o futuro a Deus pertence. Neste Domingo lemos os últimos versículos do capítulo 13 do evangelho de S. Marcos. Este capítulo começa com palavras de admiração, ditas por Pedro, André, Tiago e João (os quatro primeiros discípulos de Jesus) sobre a imponência do edifício do templo. Sentem-se orgulhosos do seu templo, que tinham como residência de Deus e o centro do mundo. Porém, este templo de pedras será destruído para que apareça o templo dos fiéis do Senhor, criado à volta do Ressuscitado. O Filho do homem, vitorioso sobre a morte, será contemplado como Deus era contemplado no Antigo Testamento, na nuvem, anunciando e propondo um futuro em que o mundo já não será dominado pelo mal e pelo pecado, mas um mundo que será transformado. Todos temos a tentação de dar mais atenção àquilo que corre mal do que àquilo que corre bem. Muitas vezes somos pessimistas, negativos, mesquinhos para reconhecer as manifestações e as sementes do Reino que já estão a acontecer. Recordemos o gesto da viúva pobre do texto do evangelho do domingo passado. Jesus soube ver aquilo que era positivo naquele gesto, irrelevante aos olhos dos outros. Neste domingo, o texto do evangelho diz-nos que o Filho do homem “mandará os Anjos, para reunir todos os seus eleitos dos quatro pontos cardiais”. Quem são os eleitos? Aqueles que puseram em prática a Palavra de Deus, aqueles que tiveram o mesmo espirito de Simeão que acolheu Jesus no templo: “era justo e piedoso e esperava a consolação de Israel. O Espírito Santo estava nele”. O eleito do Senhor é todo aquele que espera e acredita que o mundo será confortado pelo Filho de Deus. Neste Domingo, o que deve ficar gravado no meu coração? Que Jesus está sempre próximo de nós, que está sempre à porta. Não temos de O esperar num futuro incerto, porque Ele está no meio de nós. A semente de Deus está já em ti, em mim, no seio do povo de Deus. Para este povo, que é de Deus, somos enviados para anunciar a esperança, a alegria, a proximidade divinas, missão sempre difícil mas sempre pertinente. Estas dificuldades não são novas. Recordemos o medo e a desilusão de S. Paulo em Corinto e o apoio do Senhor: “Certa noite, o Senhor disse a Paulo, numa visão: Nada temas, continua a falar e não te cales, porque Eu estou contigo e ninguém porá as mãos em ti para te fazer mal, pois tenho um povo numeroso nesta cidade” (Act 18, 9-10). Temos de estar atentos na vida para reencontrarmos Jesus ressuscitado no meio de nós, em tantas pessoas e acontecimentos. Jesus nunca desistiu e nunca se foi embora. Está aqui e pede-nos que continuemos a fazer o que Ele fez e anunciou. Para esta missão, contamos com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, o Deus que é, que era e que vem, pelos séculos dos séculos. Amen.

14-11-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Para impedir qualquer pergunta indiscreta acerca do momento da sua segunda vinda, Jesus declarou: «Essa hora, ninguém a conhece, nem mesmo o Filho» (Mt 24,36); e, noutro momento: «Não vos pertence conhecer os dias e os tempos» (Act 1,7). Escondeu-nos esse conhecimento para que vigiemos, e cada um possa pensar que tal vinda se produzirá durante a sua vida. Se o tempo da sua vinda tivesse sido revelado, o seu advento seria em vão, pois as nações e os séculos em que se produzisse não o teriam desejado. Ele bem disse que viria, mas não precisou em que momento; dessa forma, todas as gerações e todos os séculos têm sede dele. É certo que fez conhecer os sinais da sua vinda; mas não revelou o seu termo. Na mudança constante em que vivemos, alguns desses sinais já tiveram lugar, outros já passaram, outros duram sempre. Com efeito, a sua última vinda será semelhante à primeira: os justos e os profetas desejavam-na e pensavam que teria lugar no tempo deles. Também hoje, cada um dos fiéis de Cristo deseja acolhê-Lo no seu próprio tempo, tanto mais que Jesus não disse claramente quando apareceria. Assim, ninguém poderá imaginar que Cristo esteja submetido a uma lei do tempo, a uma hora qualquer, Ele que domina os números e o tempo. (Santo Efrém, c. 306-373, diácono da Síria, doutor da Igreja, Comentário do Evangelho ou Diatessaron).

 

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Ano B - Tempo Comum - 33º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum – Ano B

 

a)         Se no Domingo passado acompanhava-mos aquele verdadeiro discípulo que, depois de descobrir a fé em Jesus, O seguiu até Jerusalém, e ali vimos que o mais importante para quem segue Jesus é amar, hoje entramos com Jesus no coração da manifestação da fé em Deus: entramos no templo. Ali encontramos aqueles que se exibem com a sua religião, mas incapazes de comprometer a sua vida com os que mais precisam, enquanto que Jesus salienta e valoriza a atitude da viúva que dá tudo o que tem. O contraste é enorme. Aquele que verdadeiramente acredita em Deus dá tudo. Já a Oração Colecta deste domingo convida-nos a pedir a Deus que “nos afaste de toda a adversidade, para que, sem obstáculos do corpo ou do espírito, possamos livremente cumprir a vossa vontade”. Quando vivemos a fé, a nossa vida não pode ser dupla, ou seja, exibicionista da própria fé e ao mesmo tempo escassez de generosidade e doação.

 

b)        Tanto na primeira leitura como no Evangelho encontramos duas pessoas que são a expressão da pobreza na Bíblia. As duas pessoas são viúvas e pobres. Não têm ninguém nem qualquer amparo. Só podem entregar-se e confiar em Deus. No aspecto social, vivem na solidão. A viúva de Sarepta ainda tem a seu cuidado criar um filho e vive uma situação de desespero. Todavia, a mulher escuta o homem de Deus, o profeta, e através dele escuta a vontade de Deus que lhe pede um acto de generosidade que ultrapassa a sua situação humana. Porém, ela cumpre o que lhe pede a voz da sua fé e prepara tudo aquilo que o profeta lhe pede. Diz-lhe o que tem e dá-lhe o que tem. No evangelho, a pobre viúva deu tudo o que tinha (condição para ser um verdadeiro discípulo). Para Deus, o mais importante não é a eficácia das coisas materiais, mas a intenção e a generosidade do coração. Aquele que deseja seguir Jesus terá que libertar o seu corpo e o seu espírito de qualquer obstáculo para cumprir a vontade do Deus Misericordioso.

 

c)         No evangelho encontramos o contraste entre a atitude discreta da mulher e a descrição que Jesus faz da exibição dos escribas. Jesus denuncia e condena a tentação de estar sempre no centro das atenções, dos aplausos, das decisões. Todos aqueles que caem nesta tentação não são sensíveis às necessidades dos outros nem a auxiliar o próximo: “devoram as casas das viúvas com pretexto de fazeres longas rezas”.

 

d)        A segunda leitura da Carta aos Hebreus diz-nos que o sacerdócio de Cristo é superior ao sacerdócio do Antigo Testamento, porque Ele é o Mediador da Nova Aliança. A entrada de Cristo no Santos dos Santos é diferente da entrada do Sumo Sacerdote: este tem que entrar cada ano e em todas as festas; Cristo entrou num agora eterno “no próprio céu, …manifestou-se uma só vez”. O Santo dos Santos onde Cristo entrou é muito mais autêntico que o templo; não entrou por uns momentos, mas para sempre. As orações e as ofertas dos homens encontram em Cristo um mediador atento que está sempre diante de Deus. Cristo está revestido da soberania universal de tal modo que exerce sobre os homens uma realeza definitiva: “para dar a salvação àqueles que O esperam”. Aquilo que dá autoridade a Cristo para exercer a expiação definitiva não é o facto de ter derramado o seu sangue, mas o ter oferecido a sua própria vida. A doação de Cristo tem um valor duplo: enquanto Filho de Deus, o seu sacrifício tem um valor superior aos sacrifícios antigos; enquanto Homem perfeito, dá à sua oblação um carácter espiritual que nenhum ritualismo antigo possuía. Cristo pode perdoar os pecados porque foi o primeiro homem que viveu sem pecado e foi o primeiro Senhor que aboliu o reino do mal.

 

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07-11-2021

Ano B - Tempo Comum - 32º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 31º Domingo do Tempo Comum- Ano B

No Domingo passado, no texto evangélico, vimos como os apóstolos Tiago e João, perante a pergunta “Que quereis que Eu vos faça?”, responderam que queriam poder, sentar-se à direita e à esquerda do Mestre. A pergunta repete-se no evangelho deste Domingo dirigida ao cego Bartimeu, mas também dirigida a cada um de nós. Também o Senhor me pergunta: “Que queres que Eu te faça?”. Cada um responderá partindo das suas necessidades, como o cego, que vive de pedir caridade, que suporta a suspeita sobre os pecados que terá cometido, ele ou os seus pais, e que provocaram a sua cegueira. Recordemos que no mundo judeu a doença era tida como consequência de algum pecado. Este homem tem fé, porque, aos gritos, dirige-se a Jesus dando-lhe o título de Filho de David e faz o seu pedido: “Tem piedade de mim”. Que oração tão simples e tão sincera! Por vezes, as súplicas e as justas reclamações dos pobres são reprimidas. O texto diz que “muitos repreendiam-no para que se calasse”. Não era a preocupação de não aborrecer o Mestre que os fazia ter este comportamento. Os ouvidos de Jesus estavam sempre atentos para escutar e acolher as súplicas e reclamações dos pobres. “Jesus parou e disse: Chamai-o”. Não te esqueças que Jesus também escuta o teu pedido! Este texto evangélico permite-nos apreciar o valor da comunidade que também se sente interpelada, e convertida, pela decisão de Jesus de chamar aquele pobre cego que estava aos gritos. As pessoas rejeitavam o cego, pecador e pobre, porque estava a incomodar, porque não tinha o direito de se manifestar e porque, sendo considerado pecador, não tinha direito a Deus. Contudo, a voz do cego expressa a sua fé enraizada na convicção de que Jesus é o Filho de David, o Messias. É isto que lhe dá força para insistir. O seu pedido é escutado por Jesus, que o manda chamar, dizendo, assim, às pessoas que todos têm o direito a ser escutados e acolhidos por Ele. Com esta acção educa e repreende todos aqueles que queriam excluir aquele pobre. Então, as pessoas dizem ao cego: “Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te”. E qual é o pedido daquele homem a Jesus? “Mestre, que eu veja”. Desejamos sempre que Deus atenda e realize os nossos pedidos pessoais e das pessoas que mais gostamos. Recordemos o argumento dos responsáveis da sinagoga de Cafarnaum para que Jesus curasse o servo do centurião: “Satisfaz o seu pedido, porque ele gosta muito de nós e até nos construiu a sinagoga”. Tantas vezes, usamos o mesmo argumento para sermos escutados com as seguintes palavras: “até é boa pessoa”, “está sozinha, coitada”, “ajuda toda a gente”, “é muito simples”, “tem os filhos no desemprego”, “está doente”, “é um miserável, não tem nada”! “Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho”. Através de uma narração tão simples esconde-se uma breve explicação do caminho a fazer para cada um se encontrar com Jesus Cristo e seguir os seus passos. É cego quem não descobriu Jesus Cristo como Mestre e como Senhor. Em primeiro lugar, o cego Bartimeu só reconhece Jesus como Filho de David, como Messias. Mas Jesus está atento e disponível a deixar-se encontrar pelos que O procuram, como fez com Zaqueu. Depois, chamou o cego que atirou fora a capa, ou seja, desprendeu-se de tudo o que lhe pudesse impedir de ir ao encontro de Jesus. Deu um salto, libertado da miséria e respondeu a Jesus dando-lhe o título de Rabbuni, mestre, senhor, pedindo-lhe a fé: “Que eu veja”, ou que eu tenha fé. De imediato, Jesus percebeu o cego, como também me percebe a mim com prontidão: “Vai: a tua fé te salvou”. Assim, temos um final feliz: o cego recuperou a vista, abriram-se-lhe os olhos da fé, e seguiu Jesus como solução para a sua pobreza. E qual era o caminho que o cego percorria para seguir Jesus? Era o caminho para Jerusalém, para viver com Jesus a sua paixão, morte e ressurreição. No seu texto evangélico, a seguir à cura do cego Bartimeu, S. Marcos narra a entrada de Jesus em Jerusalém, recordada todos os anos no Domingo de Ramos. Também Jesus me chama a segui-Lo por este caminho.

31-10-2021

LEITURA ESPIRITUAL

No Monte Sinai, Moisés disse ao Senhor: «Mostra-me a tua glória». Deus respondeu-lhe: «Farei passar diante de ti toda a minha bondade, mas tu não poderás ver a minha face» (Ex 33,18ss).] Experimentar este desejo parece-me porvir de uma alma animada pelo amor à beleza essencial, uma alma a quem a esperança não para de conduzir da beleza que já viu para aquela que está para além. Este pedido audacioso, que ultrapassa os limites do desejo, almeja pela beleza que está para além do espelho, do reflexo, para a ver face a face. A voz divina satisfaz o pedido, recusando-o simultaneamente: a magnanimidade de Deus concede-lhe a satisfação do desejo mas, ao mesmo tempo, não lhe promete repouso nem saciedade. É nisto que consiste a verdadeira visão de Deus: quem para Ele eleva os olhos nunca mais cessa de O desejar. É por isso que Ele diz: «não poderás ver a minha face». O Senhor que tinha respondido a Moisés exprime-Se da mesma forma aos seus discípulos, clarificando o sentido desta simbologia. Ele diz «Se alguém quiser vir após Mim», (Lc 9,23) e não: «Se alguém quiser ir à minha frente». Ao que Lhe faz um pedido a respeito da vida eterna, propõe o mesmo: «Vem e segue-Me» (Lc 18,22). Ora, aquele que segue caminha virado para as costas daquele que o guia. Portanto, o ensinamento que Moisés recebe sobre a maneira pela qual é possível ver a Deus é este: ver a Deus é segui-Lo para onde Ele conduzir. Com efeito, aquele que não conhece o caminho não pode viajar em segurança se não seguir o guia. Este precede-o, mostrando-lhe o caminho; por isso, quem o segue não se desviará do caminho se se mantiver virado para as costas daquele que o conduz. Com efeito, se se deixar ir ao lado ou de frente para o guia tomará uma via diferente da indicada. Por isso, Deus diz àquele a quem conduz: «Não poderás ver a minha face», o que significa: «Não olhes de frente o teu guia» porque, se assim fizesses, correrias num sentido que Lhe é contrário. Como vês, é importante aprender a seguir a Deus: para aquele que assim O segue nenhuma contradição do mal se poderá opor ao seu caminhar. (São Gregório de Nissa, c. 335-395, monge, bispo, A Vida de Moisés, II, 231-233, 251-253 (a partir da trad. de cf. SC Iter, pp. 265ss.).

 

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Ano B - Tempo Comum - 31º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 30ºdomingo do Tempo Comum- ano B

a)         Nos últimos Domingos, fomos reflectindo sobre alguns requisitos dados por Jesus Cristo a quem O quiser seguir, ou seja, ser seu discípulo. Neste Domingo, encontramos a figura do cego Bartimeu que é um exemplo-tipo do verdadeiro discípulo. Ele está em boas condições para compreender tudo o que sucederá a Jesus em Jerusalém. Depois de uma purificação progressiva, está em condições de “ver” o mistério de Jesus como salvador e redentor que com a sua vida e a sua morte revela o Pai.

 

b)        Quais são as condições para ser um discípulo perfeito? Bartimeu pede esmola: é pobre, não se pode mexer, está sozinho à beira do caminho, é cego, vive nas trevas. No caminho, junto dele, passa Jesus e os seus discípulos e muita gente para Jerusalém a fim de celebrarem a Páscoa. Bartimeu é o exemplo do homem que necessita da salvação, tendo consciência das suas limitações; não é como um rico que pode usar das suas coisas e das pessoas em função dos seus interesses. Ele faz aquilo que aprendeu toda a vida: mendiga, pede que alguém lhe resolva a sua situação para poder continuar a viver. Quando Bartimeu se apercebe que Jesus se aproxima, começa a fazer a sua profissão de fé. Chama por Jesus com um dos títulos messiânicos: “Filho de David”. Para ele, Jesus não é uma pessoa qualquer, mas Aquele por quem todos ansiavam: o Messias, o Salvador. Ao entrar na cidade de Jerusalém, Jesus também será reconhecido como Filho de David. A este título, Bartimeu acrescenta: “tem piedade de mim”. A partir da fé, implora misericórdia. Como já tinha acontecido com as crianças, todos aqueles que rodeavam Jesus “repreendiam-no para que se calasse”, ou seja, todos estes ainda não tinham aberto os olhos da fé como Bartimeu estava a fazer naquele momento. Encorajado pela fé, “gritava cada vez mais” o seu pedido. A resposta de Bartimeu ao chamamento de Jesus é imediata: a resposta à vocação cristã tem de ser pronta. De seguida, tem uma atitude de discípulo, quando reconhece Jesus como mestre e lhe pede o que nenhum outro, poderoso ou rico, lhe podia dar: ver. Quando Jesus o cura, salienta que foi a sua fé que lhe abriu os olhos, o que lhe permitirá compreender o mistério pascal em Jerusalém e assim salvar-se. Mas, para isto é necessário que o discípulo siga Jesus até ao fim, como nos diz o evangelista S. Marcos: “Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho”.

 

c)         O episódio que é narrado no evangelho deste domingo é anunciado profeticamente na primeira leitura. O Senhor é o libertador de todos aqueles que se encontram em necessidade e que, por isso, são vulneráveis: o Senhor reúne cegos, coxos, mulheres que vão ser mães e que simbolizam a dor e a fecundidade, ou seja, são o símbolo do futuro e da esperança; todos estes caminham com dificuldade, mas pela acção do Senhor, todos podem avançar, como nos anuncia o Profeta Jeremias, “por um caminho plano em que não tropecem”. Tudo isto se concretiza em Jesus. Ele dirige-se para Jerusalém onde experimentará a dor e a morte, mas será o lugar onde se manifestará a redenção. Jesus fará, com a sua vida, a experiência do homem. Quem quiser seguir Jesus Cristo deve reconhecer a dor e a morte. Neste percurso para Jerusalém, Jesus para e interessa-se por uma situação de dor, ou seja, não é indiferente a quem tem necessidade e está vulnerável (“Chamai-o”, “Que queres que Eu te faça?”). Assim, ensina aos que O seguem que não se pode passar indiferente diante destas situações. Finalmente, mostra que a verdadeira libertação, aquela que dá sentido à vida, é a fé: “a tua fé te salvou”. Por isso, Jesus é o modelo para todos aqueles que têm a responsabilidade de conduzir as comunidades, para as pessoas que querem ser seus discípulos, os quais têm de saber orientar, dizer uma palavra de esperança e fazer sempre o gesto oportuno.

 

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24-10-2021

Ano B - Tempo Comum - 30º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum- ano B

 

Os textos, propostos pela Liturgia da Igreja para este Domingo, convidam-nos a contemplar Jesus Cristo na sua entrega por amor. Por isso, na nossa oração deveríamos pedir força e coragem para seguir Jesus Cristo na sua entrega. A resposta de Jesus às pretensões de Tiago e de João, “Não sabeis o que pedis”, revela que eles têm de purificar as suas súplicas e dedicarem-se a compreender quem Ele é, alertando-os para a certeza de que o Pai já sabe aquilo que nos faz falta antes de lho pedirmos (cf. Mt 6,8.32). A Deus temos de lhe pedir coisas boas (cf. Mt 7,11), temos de lhe pedir o Espírito Santo (cf. Lc11,13), mas não o poder e a riqueza, como fazem Tiago e João. Que diferença entre o pedido destes irmãos e o pedido do cego Bartimeu que, perante a mesma pergunta de Jesus (“Que quereis que vos faça”), responde: “Mestre, que eu veja!” (Mc 10,51), como veremos no próximo Domingo! Os outros discípulos, como Tiago e João, também não tinha entendido o Mestre, mas “começaram a indignar-se contra eles”, porque se tinham antecipado nos seus desejos e ambições. Escutemos, pois, a advertência de Jesus e peçamos ao Pai o Espírito Santo, na certeza que Ele conhece suficientemente as nossas necessidades.

Jesus faz a seguinte pergunta a Tiago e João: “Podeis beber o cálice que eu vou beber?”. Beber o cálice de Jesus certifica-nos como seus discípulos. Seguir Jesus não é fácil, porque Ele próprio pediu ao Pai para não beber o cálice da cruz, mas obedeceu: “Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres” (Mc 14,36). Beber o cálice significa passar pelo sofrimento, e o sofrimento gera em nós medo. Na primeira leitura, de Isaías, escutamos um excerto do quarto cântico do Servo de Javé, onde se diz que toda a libertação supõe um sofrimento prévio: “O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades”. Beber o cálice, o nosso cálice pessoal de cada dia, é a condição para nos convertermos em discípulos e para nos unirmos à missão salvífica de Jesus. São Paulo sente-se tão unido a Jesus Cristo que afirma claramente: “Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja” (Col 1,24). Será que S. Paulo gosta de sofrer? Será que nós gostamos de sofrer? Será que os pais gostam de sofrer pelos filhos? Será que os professores gostam de sofrer por causa do mau aproveitamento dos seus alunos mais desleixados? Será que gostamos de sofrer o desemprego ou uma grave doença? Na primeira carta de Pedro é dito: “alegrai-vos, pois assim participais dos padecimentos de Cristo” (1Pe 4,13). Fica bem claro que o discípulo tem de aprender a seguir os passos do Mestre. Quando Pedro lhe pergunta pelo prémio, porque deixaram tudo para O seguir, Jesus promete-lhes cem vezes mais, mas com perseguições (cf. Mt 10,30).

Assim, nada de querer ser dos primeiros, como pretendiam Tiago e João. Se Jesus veio para servir, os seus discípulos também têm de servir. Jesus tinha uma grande experiência de vida e uma consciência política muito clara: “os chefes das nações exercem domínio sobre elas, e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder”. Palavras sempre actuais em todos os tempos, também agora! Ninguém se atreva a contradizer Jesus ou a dizer que Ele se mete na política! Está bem visível aos nossos olhos! Contudo, Jesus diz-nos: “Não deve ser assim entre vós”. Ele chama-nos para servir, como Ele o fez no lava-pés. Recordemos as suas palavras proferidas nesse momento: “dei-vos o exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também” (Jo 13,15). Que alegria imitar Jesus, viver o serviço como “o Filho do homem”, que oferece a sua vida e se compadece das nossas fragilidades, como nos diz a carta aos Hebreus. Demos graças a Deus pelo seu amor, perdão, paciência e misericórdia.

17-10-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Que necessidade havia de que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma grande necessidade, que podemos resumir em dois pontos: necessidade de remediar os nossos pecados e necessidade de dar o exemplo para a nossa conduta. A Paixão de Cristo dá-nos um modelo válido para toda a vida. Se procuras um exemplo de caridade: «Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13). Se buscas paciência, é na cruz que a encontramos no grau máximo: Na cruz, Cristo sofreu grandes tormentos com paciência porque «ao ser insultado não ameaçava» (1Pd 2,23), «não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro» (Is 53,7). «Corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé. Ele, renunciando à alegria que lhe fora proposta, sofreu a cruz, desprezando a ignomínia» (Hb 12,1-2).

Se procuras um exemplo de humildade, olha para o Crucificado. Porque Deus quis ser julgado por Pôncio Pilatos e morrer. Se procuras um exemplo de obediência, basta que sigas Aquele que Se fez obediente ao Pai «até à morte» (Fl 2,8). «De fato, tal como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim também pela obediência de um só todos se tornarão justos» (Rm 5,19). Se buscas um exemplo de desapego dos bens terrenos, simplesmente segue Aquele que é o «Rei dos reis e Senhor dos senhores», «em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento» (1Tm 6,15; Cl 2,3); Ele está nu na cruz, tornado motivo de escárnio, coberto de escarros, maltratado, coroado de espinhos e, por fim, dessedentado com fel vinagre. (São Tomás de Aquino, 1225-1274, teólogo dominicano, doutor da Igreja, Conferência sobre o Credo, 6).

 

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Ano B - Tempo Comum - 29º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum – ano B

 

As leituras deste Domingo podem ser apresentadas como um guião para uma melhor compreensão de Deus. Em primeiro lugar, o belíssimo texto evangélico salienta o desejo que todos temos de sermos fiéis ao amor de Deus. “Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?”, ou seja, para viver o amor de Deus. A resposta de Jesus é muito clara e perspicaz: vive a vida que Deus te propõe, procura ser imagem viva de Deus. O que fazer? Pois, ama os outros. Respeita a sua vida, a sua dignidade, a sua integridade e cuida dos teus pais e de todos que te são mais próximos. Porém, Jesus diz ainda o seguinte: não dependas das tuas próprias seguranças, não sonhes ser rico para te sentires seguro e robusto, não permitas que a riqueza seja o mais importante para ti. Confia em Deus e Deus será o teu tesouro: “terás um tesouro no Céu”. Também não podemos esquecer dois gestos de Jesus: “Jesus olhou para ele (o jovem rico) com simpatia”, ou seja, com afecto. Jesus olha-me, com afecto, com amor. Como é bom sentir-me amado por Jesus, por um Jesus que me fala pessoalmente. O segundo gesto é o chamamento: “Depois, vem e segue-me”. É verdade, Jesus diz-me: “Segue-me”. Jesus faz-nos um convite pessoal para ir com Ele. É um convite amável, quase íntimo, que me convida a segui-Lo com plena confiança. Ele ensinar-nos-á que não ninguém melhor que Deus.

Este Deus ama-me tanto que escutará a minha súplica de querer ser sua imagem. Recordemos aquela frase de Jesus: “quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!” (Mt 7,11). A primeira leitura diz-nos claramente o que devemos pedir a Deus: prudência e Espírito de sabedoria. Foi bom Jesus ter-nos convidado a deixar as nossas seguranças para obter a Sabedoria, o próprio Deus; diante Dele as riquezas não são nada. A Sabedoria é mais valiosa do que as pedras preciosas e do que todo o ouro e a prata do mundo. É mais valiosa do que a saúde e a beleza. Como é bom ter esta sabedoria! A segunda leitura convida-nos a acolher a Palavra de Deus que é viva e eficaz, “e é capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração”, é uma palavra que me conhece melhor do que eu mesmo, uma palavra que toma uma forma humana na pessoa de Jesus de Nazaré. Através da sabedoria, através da Palavra, Deus chama-me pelo meu nome, mas, muitas vezes, nada respondo, ou seja, não quero ser sábio, faço-me surdo a tudo o que Deus me quer dizer. Cada um bem sabe as resistências que coloca ao chamamento de Deus! Deus chama-me pelo meu nome, porque me conhece, mas muitas vezes não o quero ouvir.

A resposta de Jesus ao jovem rico deixou-o desconcertado. Aquele jovem queria seguir Jesus! Os discípulos também ficaram surpreendidos, porque tinham deixado tudo para seguir o Mestre. Por isso, comentavam entre si: “Quem pode então salvar-se?”. Eles falavam em nosso nome, porque pensamos como eles, e também nos perguntamos como se pode viver com o desprendimento que Jesus propõe. Sentimos que somos incapazes de sermos tão santos! Talvez tenhamos esquecido que Deus, que tudo pode, também me pode libertar do desejo de seguranças e de ter dinheiro. Ama-me tanto que me leva como água ao seu moinho. Mas Pedro insiste: “Vê como nós deixámos tudo para Te seguir”. Na nossa vida, está bem presente a resposta de Jesus a Pedro: recebemos muito mais do que damos, deixámos de ter muitas coisas para seguir Jesus, espera-nos a perseguição e a incompreensão por causa da nossa opção de viver o que nos é proposto pelo Evangelho. Se Deus tudo pode, também me pode converter para estar disponível a escutar as palavras de Jesus: “Falta-te uma coisa: vai vender tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me”. Na minha vida, o que devo vender? O que tenho de dar aos pobres? Onde está o meu tesouro?

10-10-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Há uma riqueza que semeia a morte por onde quer que domine: libertai-vos dela e sereis salvos. Purificai a vossa alma, tornai-a pobre para poder escutar o apelo do Salvador que vos repete: «Vem e segue-me!» Ele é o caminho por onde segue quem tem o coração puro: a graça de Deus não penetra numa alma cheia de empecilhos e atormentada por uma multidão de posses.

O que olha a fortuna, o ouro e a prata ou as casas, como dons de Deus, esse testemunha a Deus o seu reconhecimento, indo em auxílio dos pobres com os seus bens, pois sabe que os possui mais para os seus irmãos do que para si mesmo, tornando-se, assim, mestre das suas riquezas, em vez de seu escravo. Não as guarda em sua alma, nem encerra nelas a sua vida, mas prossegue sem se cansar numa obra tão divina. E, se algum dia a sua fortuna vier a desaparecer, aceita essa ruína com um coração livre. A esse homem, Deus declara-o bem-aventurado, «pobre em espírito», herdeiro do Reino dos Céus (Mt 5, 3).

Em contrapartida, há o que esconde a riqueza em seu coração, em vez do Espírito Santo. Esse, guarda para si as terras; acumula sem fim a fortuna e não se preocupa senão com ajuntar sempre mais; nunca levanta os olhos para o céu; preocupa-se com as coisas temporais, porque ele não é senão pó e em pó se tornará (Gn 3, 19). Como é que pode experimentar o desejo do Reino aquele que, em vez do coração, leva em si um campo ou uma mina, e a quem a morte o surpreenderá no meio das suas paixões? «Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração». (Mt 6, 21). (São Clemente de Alexandria, 150-c.215, teólogo Kephas III, p. 753-754).

 

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Ano B - Tempo Comum - 28º Domingo - Boletim Dominical II