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Avisos e Liturgia do I Domingo da QUARESMA – ano B

L I T U R G I A   E   V I D A

Ver: https://liturgia.diocesedeviseu.pt/LITURGIAEVIDA/index.html

Estamos na primeira etapa da Quaresma. É importante termos consciência de que, neste trajecto que termina na Páscoa, Cristo precede-nos. A Quaresma não nos pertence. Nem somos o seu centro. É crucial não cair na tentação de elaborar um itinerário quaresmal exclusivo e individual, congregando, de uma maneira arbitrária, alguns exercícios piedosos, com ou sem Eucaristia. Tratar-se-ia de um apêndice adicional ao caminho do Senhor. A todos nós, é pedida uma disposição interior-espiritual, caracterizada pela abertura e pelo acolhimento dócil e sincero. Com esta atitude, devemos assumir e percorrer este tempo litúrgico na sua unidade, para que não se transforme numa sucessão rotineira de domingos e de semanas. Coloquemo-nos numa atitude de escuta para acolher a Palavra de Deus, alimentemo-nos do Pão Vivo, descido do Céu. Se não nos saciarmos destas duas mesas, podemos até iniciar esta caminhada com energia, mas acabaremos debilitados às portas da Páscoa. O texto evangélico deste Domingo situa-nos Jesus no deserto. O deserto é uma realidade espiritual e existencial: pode indicar o estado de abandono e de solidão, sem apoios nem seguranças, em que alguém se encontra. Esta experiência possui tal poder que pode conduzir-nos a sofrer a tentação de desaparecer, de renunciar ao futuro, de nos deixarmos morrer espiritual ou fisicamente. Também podemos ter a tentação de viver como se Deus não existisse, como se Deus não fosse o nosso refúgio e amparo. Porém, o deserto pode ser uma realidade que nos conduz a uma situação oposta a anterior. O povo de Israel passou muitas tormentas na sua travessia pelo deserto. Caiu na tentação de virar as costas a Deus que o tinha libertado do Egipto e, em desespero, prestou culto a um bezerro de ouro. Contudo, Israel nunca sentiu Deus tão próximo como no deserto. Em nenhuma outra ocasião compreendeu e experimentou verdadeiramente a sua protecção e o seu auxílio. Assim, neste domingo, somos convidados a interrogarmo-nos: que desertos pessoais tenho? Que desertos sufocam a fé ou, pelo contrário, a fortalecem? Não esqueçamos o que Jesus diz no texto do evangelho deste Domingo: “Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. Hoje, existe uma possibilidade real de conversão para todos. Há sempre uma ocasião para regressar à casa de Deus. Não importa há quanto tempo voltámos as costas a Deus ou os pecados que cometemos. O nosso pior inimigo somos nós próprios, pensando que não somos dignos da vida que Deus nos quer conceder, que já não vamos a tempo! Seja qual for a nossa história de pecado, nunca será suficiente para evitar que Deus nos abrace novamente com a sua misericórdia e revivifique a nossa vida. No sacramento da Reconciliação encontramos a misericórdia de Deus Pai que nos aguarda. A Páscoa é “transitus”, passagem. Mas não consiste somente em glória ou Ressurreição, é a passagem da Morte à Vida, é a travessia pelas profundezas sombrias e tenebrosas da Morte e da Cruz. Por isso, no caminho quaresmal até à Páscoa, devemos colocar em destaque a Cruz de Cristo. Diante dela, façamos memória de Cristo, em silêncio. Recordemos a sua passagem por este mundo, sendo próximo dos pobres, abrindo os olhos aos cegos, anunciando o amor sem medida de Deus Pai. Recordemos a sua fidelidade até ao fim, a sua entrega sem reservas. Depois de contemplar tudo isto na intimidade do coração, sigamos os seus passos, convencidos de que o seu caminho é o caminho da vida, da Páscoa. Na Cruz está a vida, o conforto, o caminho para o céu.

18-02-2024 (1)

paroquiasagb

Leitura Espiritual

«Cumpriu-se o tempo e está próximo o Reino de Deus»

A nossa vida de seres mortais está cheia de armadilhas que nos fazem tropeçar, está cheia de redes de enganos. E, como o inimigo espalhou essas redes por todo o lado, e nelas apanhou quase todos os homens, era necessário que aparecesse Alguém mais forte para as dominar e as romper, e para trilhar o rumo àqueles que O seguissem. Foi por isso que, antes de Se unir à Igreja, sua esposa, também o Salvador foi tentado pelo diabo. Ensinou assim à Igreja que não seria através da ociosidade e do prazer, mas através de provações e tentações, que ela haveria de chegar a Cristo. Mais ninguém poderia, de facto, triunfar daquelas teias. Porque «todos pecaram», como está escrito (Rm 3,23); o nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, foi o único que «não cometeu pecado» (1Pd 2,22). Mas o Pai «fê-lo pecado por nós» (2Cor 5,21). «De facto, Deus fez o que era impossível à Lei, por estar sujeita à fraqueza da carne: ao enviar o seu próprio Filho, em carne idêntica à do pecado e como sacrifício de expiação pelo pecado, condenou o pecado na carne» (Rm 8,3). Jesus entrou, pois, naquelas teias, mas não ficou enlaçado nelas. Mais ainda, tendo-as rompido e rasgado, deu confiança à Igreja, de tal forma que ela ousou, a partir de então, calcar aos pés as armadilhas, libertar-se das teias, e dizer cheia de alegria: «A nossa vida escapou como um pássaro do laço de caçadores; rompeu-se o laço e nós libertámo-nos» (Sl 123,7). Também Ele sucumbiu à morte, mas voluntariamente e não, como nós, pela sujeição do pecado. Porque Ele foi o único a ser libertado de «entre os mortos» (Sl 87,6). E, porque estava livre entre os mortos, venceu «aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo» (Hb 2,14) e arrancou-lhe os «cativos em cativeiro» (Ef 4,8) que estavam prisioneiros da morte. Não só Ele próprio ressuscitou dos mortos, como, simultaneamente, «nos ressuscitou e nos sentou no alto do Céu, em Cristo» (Ef 2,6); «ao subir às alturas, sujeitou um grupo de cativos» (Ef 4,8). (Orígenes, c. 185-253, presbítero, teólogo, Comentário sobre o Cântico dos Cânticos, III, 27-33).

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Programação de Celebrações e Missas da Semana, de 20 a 25 de Fevereiro da Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa.

Avisos e Liturgia do VI Domingo do Tempo Comum – ano B

O texto do evangelho deste Domingo conta-nos a cura de um leproso. O leproso não é um doente como os outros, que foram curados por Jesus: o paralítico, a mulher com fluxo de sangue, o cego de nascença. A lepra destruiu a sua vida pessoal, como as outras doenças, mas a lepra tem um efeito peculiar: destruiu a sua relação social, condenando-o a afastar-se das pessoas, vivendo sozinho e gritando: “impuro, impuro”, para que todos se afastem, como podemos ver na primeira leitura. A lepra era considerada um castigo de Deus pelos pecados do leproso; se se aproximasse de alguma povoação, era, de imediato, afugentado à pedrada. Por isso, a atitude de Jesus com os leprosos tem um significado especial, o qual devemos aprender e assimilar. O evangelho diz-nos: “veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe”. Isto já era inacreditável. Um leproso não podia aproximar-se de ninguém. Porém, Jesus não o rejeita: “compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe”. Isto não é só inacreditável, mas vai contra os costumes e contra a lei. Jesus transgrediu à lei, toca o leproso e cura-o. Um milagre de Jesus é sempre sinal exterior de uma realidade interior, invisível, mais importante, que revela o mistério de Jesus e da sua obra salvífica. O leproso simboliza toda a humanidade perdida: egoísta, obcecada com as riquezas, incapaz de perdoar, sensual, subjugada ao sofrimento, vingativa, mortal. O leproso representa um aspecto importante: o pecado da humanidade gera grupos injustos, dominadores, que abusam dos mais fracos, excluem os pobres; o pecado gera inimigos, violentos, agressivos, destrói a comunhão humana. O leproso aproxima-se de Jesus e diz-lhe: “se quiseres, podes curar-me”. Este leproso não aceita a sua condição, deseja a cura, e aproxima-se de Jesus, implorando a vida. Jesus compadece-se; a compaixão de Jesus manifesta a compaixão de Deus pelo homem perdido. Jesus diz-lhe: “Quero”. A vontade de Deus, dadora de saúde, é sinal da vontade salvadora de Deus que, à humanidade, diz todos os dias: quero, fica limpo. O gesto de Jesus (curar) pode ser encarado de duas formas. Por um lado, pode ser considerado como um de muitos milagres. O gesto de Jesus é sinal da sua Palavra e do seu Espírito, através dos quais vem restabelecer a vida e a alegria da humanidade pecadora. A mensagem sobre o amor do Pai e sobre o amor generoso entre nós devolve ao homem a sua dignidade humana, dá-lhe capacidade de sair do seu casulo e abrir-se ao amor e à comunhão. Por outro lado, o carácter especial da cura de um leproso tem um peculiar significado. O leproso torna visível uma realidade terrível: o doente não é só ele, mas é toda a sociedade que está doente. Quando lemos a primeira leitura deste Domingo, o nosso coração fica apertado. A necessidade de segurança para todo o povo exigia um tratamento desumano e cruel, exigido a todos: afastar, excluir os leprosos, marginalizá-los a um nível desumano de vida. Jesus, acolhendo o leproso, tocando-o e curando-o, significa que a sua Palavra e o seu Espírito de justiça, de acolhimento e de amor, cura também a sociedade humana, tão doente pelo racismo, pelo egoísmo e pela violência. Agora, já não é a lepra, doença curável, mas tantos casos de exclusão e de condenação. As vítimas de sempre são as que têm uma vida carente dos direitos fundamentais: refugiados, sem-abrigo, vítimas da prostituição e de tráfico humano, crianças abusadas e exploradas. O espírito fundacional da nossa vivência cristã encontra-se no gesto de Jesus: estender a mão, tocar. Fixemos o conselho de São Paulo: “fazei como eu…não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se”. Isto deve ser o ponto de referência de toda a pastoral da Igreja, não o que eu penso, mas os outros, o que cada pessoa necessita. O orgulho na comunidade cristã rejeita o necessitado e não o faz experimentar o acolhimento de Jesus.

Ver: https://liturgia.diocesedeviseu.pt/LITURGIAEVIDA/index.html

 

11-02-2024

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Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2024

paroquiasagb

Leitura Espiritual

«Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera»

Ergui os braços ao céu, para a graça do Senhor. Ele me libertou das minhas cadeias, o meu protector elevou-me pela sua graça e a sua salvação. Libertou-me da obscuridade e revestiu-me da luz; os meus membros já não sentem aflição, nem angústia, nem dor. O pensamento do Senhor socorreu-me, a sua luz exaltou-me, caminho na sua presença, aproximar-me-ei dele louvando-O e glorificando-O. O meu coração transbordou, invadindo-me a boca e cumulando-me os lábios. A alegria do Senhor e o seu louvor enchem-me o rosto. Aleluia! Escapei às minhas cadeias e fugi para junto de Ti, ó meu Deus! Tu foste o meu caminho, a minha salvação e o meu auxílio. Detiveste os que se erguiam contra mim e eles desapareceram, o teu rosto estava comigo e a tua graça me salvou. Fui desprezado e rejeitado pela multidão, mas Tu deste-me força e ajudaste-me, iluminaste a minha direita e a minha esquerda. Que tudo em mim seja apenas luz! Vesti as vestes do teu Espírito, e Tu removeste de mim as vestes de pele (cf Gn 3,21). A tua direita me elevou, afastando a doença, a tua verdade me robusteceu e a tua justiça me santificou. Fui justificado pelo teu suave amor, em Ti repousarei pelos séculos dos séculos. Aleluia! (Odes de Salomão, texto cristão hebraico do início do século II, nn. 21 e 25).

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Programação de Celebrações e Missas da Semana de 14 a 18 de Fevereiro da Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa.

                                                                                                                       Fonte: P. Fornos de Algodres

 

Fonte: Paróquia de Fuinhas

Avisos e Liturgia do V Domingo do Tempo Comum – ano B

O texto do evangelho deste Domingo mostra-nos Jesus a fazer milagres. Porém, a primeira leitura, descreve-nos a angústia e o desespero de Job: “os meus dias passam mais velozes que uma lançadeira de tear…os meus olhos nunca mais verão a felicidade”. Estes dois textos colocam-nos diante do sofrimento e da dor dos homens e das mulheres de todos os tempos. Recordemos sempre aquilo que Jesus disse e fez aos que sofrem, porque o jugo pesado, o medo e o sofrimento fazem parte da humanidade que Ele quer salvar. Quando Jesus cura os doentes e os possessos revela, pouco a pouco, o grande mistério que Ele vem anunciar: o amor misericordioso do Pai que concede ao homem débil e mortal o Espírito do Amor e da Vida, que nos dá coragem para enfrentar a nossa debilidade e aprender a amar até ao perdão, a sofrer sem nunca perder a esperança, e a morrer para ressuscitar. A leitura evangélica descreve-nos um dia de Jesus, em que cumpre as palavras que São Pedro pronunciou diante da multidão no dia de Pentecostes, referindo-se a Jesus: “passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo Maligno” (Act 10,38). Curou a sogra de Simão e “todos os que Lhe trouxeram ao cair da tarde, já depois do sol posto”, reconhecendo, assim, que Jesus é, verdadeiramente, “o sol nascente que das alturas nos visita, para iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte” (Lc 1,78-79); e é sinal de que o Reino de Deus já chegou. Jesus faz estas coisas, porque sabe que está nas mãos do Pai, conduzido por Ele que O enviou, porque “tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que crê nele não se perca, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16-17). Os milagres de Jesus convertem-se em símbolos da salvação. Esta relação de Jesus com o Pai é visível naquele dia, em que não se esperava que acontecesse algo de extraordinário. De facto, “de manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar”. A oração frequente e intensa de Jesus mantém este vínculo íntimo de Filho com o Pai. A oração é a fonte onde Jesus bebe para anunciar o Reino, e para passar pelo mundo fazendo o bem, através da sua acção curadora e libertadora com os milagres. Este anúncio será sem exclusivismos, sem se fechar somente aos habitantes de Cafarnaum, tal como lhe pediam os discípulos: “Todos Te procuram”. Jesus atende a todos, porque a sua missão é universal: “vamos aos outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim”. São Paulo, vivendo a sua vocação de anunciar o Evangelho, compreendeu perfeitamente qual é a sua missão primordial: o anúncio do Evangelho. É importante salientar um aspecto essencial da evangelização: “sendo livre, de todos me fiz escravo, com os fracos tornei-me fraco, fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo”. Esta é a “arte do acompanhamento”, da qual nos falava o Papa Francisco (Evangelii Gaudium 169), sem ditaduras, mas com simplicidade, proximidade, respeito, diálogo, tolerância e humildade. Hoje, a Igreja, ou seja, todos nós, tem a mesma missão: passar fazendo o bem. É o grande milagre que cada um pode fazer, estando nesta sociedade como “especialistas em humanidade”, como afirmava o Papa São Paulo VI. Também são necessários momentos de silêncio e de serenidade para elevar ao Pai uma oração que brota do coração, porque a oração brota sempre de um coração agradecido, arrependido ou necessitado. Tiago e João, Simão e André são testemunhas de um dia de Jesus em Cafarnaum. Nós somos testemunhas do dom que o Senhor nos concede em cada dia.

Ver: https://liturgia.diocesedeviseu.pt/LITURGIAEVIDA/index.html

 

04-02-2024

paroquiasagb

Leitura Espiritual

«Jesus retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar»

Porque nos dispersamos à procura do que devemos pedir na oração? Digamos com o salmo: «Uma só coisa peço ao Senhor, por ela anseio, habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para saborear a doçura do Senhor e frequentar o seu Templo» (Sl 26,4). Esse Templo onde os dias não se sucedem, começando um quando o outro acaba, mas existem como unidade que não tem fim, pois a própria vida não tem fim. Para obtermos esta vida feliz, Aquele que é a verdadeira vida ensinou-nos a rezar. Mas não quer que rezemos com uma sucessão de palavras, para ficarmos satisfeitos connosco; de facto, como o próprio Senhor diz, nós rezamos Àquele que sabe do que necessitamos mesmo antes de Lho pedirmos (Mt 6,8). Ele sabe do que necessitamos antes mesmo do Lho pedirmos? Então porque nos exorta à oração contínua (cf Lc 18,1)? Compreendamos que Deus nosso Senhor não quer ser informado dos nossos desejos, que não ignora; o que Ele quer é que os nossos desejos sejam excitados pela oração, para sermos capazes de acolher o que Ele Se dispõe a dar-nos. Pois esse dom é grande, enquanto nós somos pequenos e de reduzida capacidade! Por isso, está escrito: «Abri por completo o vosso coração» (2Cor 6, 13). É um dom muito grande; e seremos tanto mais capazes de o receber com quanta mais fé crermos, com quanta mais segurança esperarmos, com quanto mais ardor o desejarmos. É, pois, na fé, na esperança e no amor, pela continuidade do desejo, que rezamos continuamente. (Santo Agostinho, 354-430, bispo de Hipona, norte de África, doutor da Igreja, «Carta a Proba sobre a oração», 8-9; CSEL 44, 56 ss.).

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Programação de Celebrações e Missas da Semana, 10 e 11 de fevereiro na Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa.

Avisos e Liturgia do IV Domingo do Tempo Comum – ano B

 

a)       São Paulo foi o Apóstolo dos gentios, aquele que levou o evangelho aos pagãos, ou seja, directa ou indirectamente a nós. O apóstolo de adopção, Paulo ou nós, é aquele que Deus escolhe para fazer chegar a sua palavra ao mundo, até aos confins da terra. Na história do povo de Israel, Deus já tinha escolhido homens para realizar esta função. Hoje, na primeira leitura, temos a instituição dos profetas. Encontra-se no livro do Deuteronómio, na parte que poderemos chamar o “testamento de Moisés”, porque ele era considerado quase como o primeiro dos profetas, o primeiro que revelou Deus ao seu povo. Como diz a primeira leitura, um profeta ou um apóstolo não falam em nome próprio nem segundo as suas ideias ou preferências, mas falam e transmitem somente aquilo que vem da parte de Deus. A experiência com Israel não foi muito positiva. O povo nem sempre escutou os profetas como mensageiros de Deus. Tantas vezes foram ignorados. Por isso Deus anuncia “que fará surgir no meio de ti, de entre os teus irmãos, um profeta como eu”. Não será Jesus? Deus feito homem, a Palavra de Deus que veio habitar entre nós.

 

b)       Todavia, nem todos reconheceram Jesus como tal; mesmo hoje isto acontece. As pessoas de Cafarnaum (evangelho) podem ser uma expressão daquilo que hoje vivemos. Também nós aceitamos a autoridade de Jesus e que Ele seja mais um profeta, mas interrogamo-nos: “Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda os espírito impuros e eles obedecem-Lhe!”. Deixemos as aparências e valorizemos este detalhe: como é que o espírito impuro daquele homem reconhece Jesus? Ou seja, enquanto as pessoas não se apercebiam e interrogavam-se sobre quem era Jesus, os espíritos (ainda que fossem maus) reconheciam facilmente o Espírito de Deus, em Jesus: “Sei quem Tu és: o Santo de Deus”. Podemos concluir que só podemos conhecer profundamente Jesus Cristo a partir da nossa espiritualidade. As palavras de Jesus não são externas, são Palavra de Deus, são palavras interiores, são palavras que nos libertam por dentro. Foi isto que se passou com aquele homem em Cafarnaum. Muitos séculos depois, a palavra de Jesus não é somente uma palavra de um profeta que existiu na história, mas é uma Palavra viva que chega ao coração, que nos transforma e que nos liberta. É tão importante que também esta Palavra e a força de Jesus cheguem ao coração de muitos e os liberte.

 

c)       Foi esta tarefa que Paulo teve com a comunidade de Corinto, muito influenciada pelas correntes pagãs e por muitas tendências libertinas e dissolutas daquela época (segunda leitura). Fora dos exemplos concretos da leitura, os quais não os devemos valorizar devido à mudança antropológica e cultural que existe entre S. Paulo e nós, podemos destacar os seus conselhos, pois ele, como os profetas de Israel, recebeu na primeira pessoa a revelação de Deus e entende que esta palavra merece uma total dedicação. Paulo reconhece que a sua missão é uma vocação excepcional. Paulo convida-nos a viver com uma certa serenidade, a viver dispostos a servir o Senhor da melhor maneira e a não cair numa angústia excessiva por causa da realidade que nos envolve. Uma vida um pouco mais sóbria sempre nos dará mais liberdade de espírito. Foi esta liberdade que Jesus concedeu àquele homem possuído por um espírito impuro em Cafarnaum.

 

28-01-2024 (1)
 

paroquiasagb

Leitura Espiritual

«Vieste para nos perder?»

 

«Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro». Esse espírito não podia suportar a presença do Senhor; tratava-se do espírito impuro que tinha conduzido os homens à idolatria. […] «Que acordo pode existir entre Cristo e Satanás» (2Cor 6,15); Cristo e Satanás não podem estar associados um ao outro. «Começou a gritar: “Que tens Tu a ver connosco?”» Aquele que assim grita é um indivíduo que se exprime em nome de várias pessoas; isto prova que tem consciência de ter sido vencido, ele e os seus.

«Começou a gritar: “Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus”». Em pleno tormento, e apesar da intensidade do sofrimento que o faz gritar, não abandona a hipocrisia: é forçado a dizer a verdade, o sofrimento a isso o obriga, mas a malícia impede-o de dizer toda a verdade: «Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno?». Porque não reconheces o Filho de Deus? Será de facto o Nazareno quem te tortura, e não o Filho de Deus? […]

Moisés era um santo de Deus. E Isaías e Jeremias também o foram. […] Porque não lhes dizes: «Sei quem tu és: o santo de Deus»? […] Não digas, pois: «Santo de Deus», mas «Deus Santo». Pensas que sabes, mas não sabes; ou, se sabes, calas-te por duplicidade. Porque Ele não é apenas o Santo de Deus, mas o Deus Santo. (São Jerónimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja, Comentário sobre o Evangelho de São Marcos, 2).

 

 

Programação de Celebrações e Missas da Semana, de 31 de Janeiro a 04 de fevereiro da Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa.

Avisos e Liturgia do II Domingo do Tempo Comum – ano B

 

 

Depois de termos celebrado, com alegria, as festas natalícias, que terminaram com a Festa do Baptismo do Senhor, iniciamos o Tempo Comum com um princípio fundamental para a nossa vida: a disponibilidade para seguir o Senhor, ilustrada com a resposta de Samuel a Deus, que encontramos na primeira leitura: “falai, Senhor, que o vosso servo escuta”. Samuel era uma criança, que é fruto da oração, da oração insistente e corajosa da sua mãe, que era estéril. Antes desta passagem, o primeiro livro de Samuel narra-nos que a sua mãe, Ana, tinha prometido ao Senhor que, se lhe concedesse um filho, o oferecia a Ele, entregando-o para o serviço do templo. Deus concedeu-lhe um filho e ela, fiel à promessa, deixou o menino no santuário, às mãos dos sacerdotes. Samuel, acompanhado pelo sacerdote Heli, respondeu ao chamamento de Deus, ocorrido durante a noite, convertendo-se num grande profeta de Israel. O texto evangélico narra-nos outro chamamento: André e o seu companheiro são discípulos de João Baptista. As palavras do precursor “Eis o Cordeiro de Deus”, não os deixou indiferentes. João Baptista conduziu-os a Jesus, e André conduziu o seu irmão Pedro ao S

enhor, comunicando-lhe que tinha encontrado Aquele que leva a esperança de Israel à sua plenitude: “Encontrámos o Messias (que quer dizer ‘Cristo’)”. Antes de Jesus enviar os seus discípulos, o anúncio da Boa Nova tinha começado, pois André tinha ido ao encontro do seu irmão Simão para lhe comunicar a novidade. Mais tarde, Pedro confessará que Jesus é o Messias, afirmando: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. É de notar que, no evangelho de João, Jesus, logo no início, concede a Pedro a missão de ser pedra basilar e de referência, dizendo-lhe: “chamar-te-ás Cefas – que quer dizer Pedro”. Na segunda leitura, São Paulo salienta a importância da disponibilidade em toda a vida, afirmando que o corpo é do Senhor: “não pertenceis a vós mesmos, porque fostes resgatados por grande preço: glorificai a Deus no vosso corpo”. Assim, fica bem claro que as características do chamamento são a disponibilidade e a decisão. Reconhecendo que é Deus que chama, qual é a nossa disponibilidade? Em cada estado de vida, é-nos pedida uma decisão. No sacramento do matrimónio, há uma terceira pergunta no interrogatório, antes do consentimento: “estais dispostos a receber amorosamente os filhos como dom de Deus e a educá-los segundo a lei de Cristo e da sua Igreja”? Na ordenação sacerdotal, o candidato deve também responder afirmativamente e com convicção ao dever de conduzir o seu povo com caridade pastoral, à oração e à obediência ao bispo e aos seus sucessores. Os votos religiosos fortalecem a disponibilidade para a colher a pobreza, a castidade e a obediência. Hoje, como respondemos ao chamamento de Deus? Bem sabemos que a sociedade reclama pessoas bem formadas e preparadas para diversos campos de acção. Será que nos deixamos formar e preparar, pela acção do Espírito Santo, para sermos anunciadores da Boa Nova ao mundo de hoje? Como catequistas, ajudamos as crianças e os jovens a ver que, acima de tudo e de todos, há uma Palavra de Deus que fala a cada um de nós? Ajudamos a discernir o chamamento de Deus entre tantos outros chamamentos? Como presbíteros, tornamos a Palavra de Deus acessível e compreensível às nossas comunidades? O salmo, com o qual respondemos à primeira leitura, é a oração da disponibilidade: “Eu venho Senhor, para fazer a vossa vontade”. Iniciamos o Tempo Comum com uma mensagem fundamental e um compromisso definitivo: somos chamados pelo Senhor a realizar um serviço ao mundo. A nossa disponibilidade, que será sempre fruto da oração e de um bom acompanhamento espiritual, envolve toda a vida, porque, pelo baptismo, somos enxertados em Cristo e somos uma nova criatura que vive a Boa Nova e canta um cântico novo.

 

 

LEITURA ESPIRITUAL

«Eis o Cordeiro de Deus»

 

«[João], ao ver Jesus, que Se dirigia para ele, exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”» (Jo 1,29). Já não é tempo de dizer: «Preparai o caminho do Senhor» (Mt 3,3), pois Aquele para quem o caminho estava a ser preparado já Se deixou ver, ofereceu-Se ao nosso olhar. A natureza do acontecimento pede outra expressão; é preciso dar a conhecer Aquele que já aqui está, explicar porque foi que Ele desceu dos Céus e veio até nós. É por isso que João declara: «Eis o Cordeiro de Deus». O profeta Isaías já no-lo tinha anunciado, ao dizer que Ele era «como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53,7). A lei de Moisés tinha-O prefigurado, mas previa uma salvação incompleta e a sua misericórdia não se estendia a todos os homens. Ora, hoje, o verdadeiro Cordeiro, representado outrora pelos símbolos, a vítima sem culpa, é levada ao matadouro. Fá-lo para banir o pecado do mundo, expulsar o exterminador da Terra, destruir a morte, morrendo por todos, quebrar a maldição que nos afligia e pôr fim a estas palavras: «Tu és pó e ao pó voltarás» (Gn 3,19).Tornando-Se o segundo Adão, de origem celeste e não terrena (cf 1Cor 15,47), Ele é a fonte de todo o bem para a humanidade, o caminho que leva ao Reino dos Céus. Pois um só Cordeiro morreu por todos, recuperando para Deus Pai o rebanho de todos os que habitam neste mundo. «Um só morreu por todos», para a todos submeter a Deus; «um só morreu por todos», para ganhar a todos, para que, desde então, «os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou» (2Cor 5,14-15). (São Cirilo de Alexandria, 380-444, bispo, doutor da Igreja, Comentário sobre o Evangelho de João).

Paroquiasagb

 

Programação de Missas e Celebrações da Semana, de 15 a 21 de janeiro na Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa.

 

Avisos e Liturgia do Domingo EPIFANIA DO SENHOR – ano B

“Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O”. A estrela guiou os Magos ao Menino e iluminou o seu caminho. Mas a estrela da humanidade é este Menino. Ele é o caminho, que nos conduz à vida; é o caminho da verdadeira vida. Talvez os Magos do Oriente tivessem conhecimento da profecia: “uma estrela surge de Jacob e um ceptro se ergue de Israel” (Nm 24,17), mas faltava-lhes informação. Apesar de desconhecerem onde tinha de nascer o Rei dos judeus, foram à sua procura; foram à procura de Deus. Ao ver a estrela, puseram-se a caminho. Eram homens aventureiros e de esperança. Apesar das dificuldades próprias da viagem, souberam dialogar entre eles, respeitaram-se, perdoaram-se. Certamente que, ao longo do ano passado, enfrentámos muitas dificuldades, mas também tivemos momentos em que Deus fez brilhar a sua presença: uma conversa com alguém, uma leitura, um momento de oração, uma pessoa…tudo isto são convites a pormo-nos a caminho para não ficarmos instalados no nosso eu, fechados nos nossos palácios do egoísmo, do orgulho…nas jaulas de ouro do lucro injusto, do consumo excessivo, da indiferença para com o “pobre que pede auxílio e o miserável que não tem amparo”, como nos diz o salmo. Os Magos chegaram a Jerusalém guiados pela lógica da razão: se nasceu o Rei dos judeus, encontrá-lo-emos na capital e no palácio principal (de Herodes). Como reagiram as autoridades civis e religiosas? “Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém”. Deus coloca em sobressalto o nosso comodismo e conformismo. Para procurar e ir ao encontro de Deus, é preciso seguir a estrela da fé, que da pequenez faz tudo grande: “Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo”. A pura razão sem a luz da fé não nos deixa ver nem a estrela nem o cumprimento das profecias. É interessante notar que os Magos foram bem orientados por aqueles que se perturbaram e que tinham más intenções: “Herodes enviou-os a Belém”. Quando lá chegaram, a procura converte-se em encontro; procuravam um Rei na capital, mas encontraram-se na periferia com o Filho de Deus e, ao vê-lo, “prostraram-se diante d’Ele, e adoraram-n’O”. Ofereceram-Lhe o melhor que tinham: ouro, sinal da sua realeza; incenso, sinal da sua divindade; mirra, sinal da sua humanidade. “E, avisados em sonhos, regressaram à sua terra por outro caminho”. Já não precisavam de olhar para as estrelas, porque olhando para a terra foi-lhes revelado o “mistério”, como nos diz a segunda leitura: um Deus menino, do qual se convertem em suas testemunhas, como os pastores na noite de Natal, porque “os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho”. Jesus é o Rei, é Aquele que vem trazer a todos os povos a revelação do amor do Pai. Hoje, que “Herodes” andam por aí a reinar? Será que eu sou um “Herodes”? Estas são as palavras dos “Herodes” de hoje: “isto é meu, é só para mim”; “não quero saber dos outros”, “cada um que se governe”, “eu é que sei e só eu tenho razão”, “eu sou o maior, não quero saber dos outros”, “não tens poder nem influência, não prestas e não serves para mim”, etc. “Levanta-te, porque já chegou a tua luz”, como diz Isaías. Levanta o teu olhar, como os três Magos, e descobre a prenda da graça de Deus e da luz do Seu Espírito. Que prendas podemos pedir a Jesus? A Sabedoria da Esperança para as dificuldades que iremos enfrentar neste ano; a Sabedoria da Caridade para não perder de vista a solidariedade; a Sabedoria da Fé para que sempre nos sintamos acompanhados por Jesus, a Sabedoria de Deus encarnada.

 

 

LEITURA ESPIRITUAL

«E, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O».

 

(Na festa da Epifania), estimulada pelo exemplo dos bem-aventurados magos, Gertrudes elevou-se com fervor e prostrou-se com humilde devoção aos santíssimos pés do Senhor, adorando-O em nome de tudo quanto existe no Céu, na Terra e nos infernos (cf Fl 2,10). Não encontrando presente digno que pudesse oferecer-Lhe, percorreu todo o Universo com desejo ansioso, procurando entre as criaturas alguma que fosse digna de ser oferecida ao seu bem-amado. Correndo desta maneira, queimada pela sede do seu fervor ardente, descobriu coisas desprezíveis que qualquer criatura teria rejeitado, considerando-as indignas de serem oferecidas ao louvor e à glória do Salvador. E, apoderando-se delas com avidez, entregou-as ao único que todas as criaturas deveriam servir. Graças ao seu fervoroso desejo, atraiu ao seu coração toda a dor, o temor e a angústia que todas as criaturas suportaram desde sempre, não para glória do Criador, mas por sua culpa e enfermidade, e ofereceu-as ao Senhor como mirra de selecção. Em seguida, atraiu a si a santidade fingida e a devoção afectada dos hipócritas, dos fariseus, dos hereges e outros parecidos, e também a ofereceu a Deus, como sacrifício de incenso suavíssimo. Por fim, procurou atrair ao seu coração toda a ternura humana e o amor adulterado e impuro de todas as criaturas, e ofereceu-os ao Senhor como ouro precioso. Todas estas coisas estavam reunidas no seu coração, e o amoroso desejo com que se esforçou por fazer delas uma homenagem perfeita ao seu bem-amado, qual fogo ardente, livrou-as de todas as escórias, como o ouro é purificado na fornalha, e elas apareceram como nobre e maravilhoso presente para o Senhor. O desejo de Lhe agradar de todas as maneiras, testemunhado por estas oferendas, suscitou no Senhor inestimáveis delícias, qual obséquio de rara beleza. (Santa Gertrudes de Helfta, 1256-1301, monja beneditina, O Arauto, Livro IV, SC 255).

Paroquiasagb

 

Programação de Missas e Celebrações da Semana, de 10 a 14 de janeiro na Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa.

Avisos e Liturgia do IV Domingo do ADVENTO – ano B

O quarto Domingo do Advento podia ser designado como “o Domingo das anunciações”. No Ano A, ouvimos a anunciação do anjo, em sonhos, a José; no Ano C, o anúncio de Maria a Isabel, quando a visita; e neste ano – o Ciclo B – é proclamado a anunciação do anjo a Maria. Imitando a Virgem Maria, deixemos que “a força do Altíssimo nos cubra com a sua sombra”, para que sejamos fecundos na vida, confiantes de que para “Deus nada é impossível”. A primeira leitura diz-nos que o rei David desejava construir um templo luxuoso e de requinte para Deus: “eu moro numa casa de cedro e a arca de Deus está debaixo de uma tenda”. Deus coloca nos lábios do profeta Natã a resposta a este desejo de David. Através do profeta, corrige o rei David, porque não quer estar longe do seu povo. Estaria num templo luxuoso, como um rei, mas não como o seu povo; a maior parte das pessoas vivia em tendas. Não é um Deus que se sinta bem entre as frias paredes de uma luxuosa construção, ornamentada de ouro e de prata. Deus quer sempre estar com e entre o seu povo, não quer estar “aferrolhado” na riqueza, no luxo, no despotismo, mas no meio das pessoas. É tão forte o seu desejo que se torna realidade, que se torna carne, graças a Maria de Nazaré, em Jesus. Enquanto o rei David oferece a Deus uma “casa-templo”, Deus oferece-lhe uma “casa-descendência”. Jesus pertence à dinastia de David através de José, seu pai adoptivo. Maria e José tornam possível a realização da promessa. “O Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria”. O plano de salvação passa por uma cidade da montanha e é confiado a uma mulher. Deus continua a surpreender. Não escolheu os centros do poder, nem o centro religioso, o templo de Jerusalém. A presença – “a tenda de Deus” – volta a estar no seu lugar: no meio do povo humilde, simples, mas cheio de fé…Maria torna-se a arca da nova aliança, onde Deus revela “o mistério”, “que estava encoberto desde os tempos eternos, mas agora manifestado e dado a conhecer a todos os povos…para que sejam conduzidos à obediência da fé” (2ª leitura). Deus prepara uma digna morada para o seu Filho. Somente pede uma resposta de fé, um “sim”. Maria é a expressão da humanidade aberta ao plano salvífico de Deus. Ela é cheia de graça, porque deixou entrar na sua vida a vontade de Deus. Sendo “a escrava do Senhor”, converte-se em Mãe de Deus e Mãe da Humanidade. Com três verbos o mistério ganhou carne no seio de Maria: “Crê, consente e recebe” (São Bernardo). José era um jovem operário com o sonho de formar família, apaixonado por Maria. Ela diz-lhe que está grávida por obra do Espírito Santo. José tem dúvidas do seu papel neste plano divino, mas, como Maria, aceita o convite de Deus de exercer a missão de pai do Messias. José e Maria exerceram dignamente a paternidade e a maternidade de Jesus, de o terem nos braços, porque foram obedientes à fé. Seremos dignos de receber o Senhor neste Natal, se formos homens e mulheres de fé, dando testemunho de Deus que vem ao nosso encontro para nos salvar, porque também encontrámos “graça diante de Deus”. Peçamos a José e a Maria que nos ajudem a descobrir a presença do Seu Filho Jesus entre nós. Sejamos capazes de crer, consentir e receber Jesus, imitando Maria. 

24-12-2023

LEITURA ESPIRITUAL

«O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim»

 

«O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria». O que é dito da casa de David não diz respeito apenas a José, mas também a Maria. Porque a Lei prescrevia que um homem se casasse com uma mulher da sua tribo e da sua estirpe, segundo o testemunho do apóstolo Paulo, que escreve a Timóteo: «Lembra-te de Jesus Cristo, saído da estirpe de David, e ressuscitado dos mortos, segundo o meu Evangelho» (2Tim 2,8). «Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David». O trono de David significa aqui o poder sobre o povo de Israel, que David governou, no seu tempo, com um zelo pleno de fé. A este povo, que David dirigiu com o seu poder temporal, vai Cristo conduzir por meio de uma graça espiritual para o reino eterno. «Reinará eternamente sobre a casa de Jacob». A casa de Jacob designa a Igreja universal, que, pela fé e pelo testemunho, une-se ao destino dos patriarcas, quer dos que tiram a sua origem carnal da sua cepa, quer dos que, nascidos pela carne de outra nação, são reunidos em Cristo, pelo baptismo no Espírito. É sobre esta casa de Jacob que Ele reinará eternamente: «e o seu reinado não terá fim». Sim, Ele reina sobre ela na vida presente, quando governa o coração dos eleitos, onde habita, pela fé e o amor que Lhe têm; e governa-os com a sua contínua protecção, para lhes fazer chegar os dons da recompensa celeste. Ele reinará no futuro, quando, uma vez terminado o estado de exílio temporal, os introduzir na pátria celeste, onde se regozijarão na sua presença visível, que continuamente lhes lembrará que nada mais têm de fazer do que cantar os seus louvores. (São Beda o Venerável, c. 673-735, monge beneditino, doutor da Igreja, Homilias para o Advento, nº 3; CCL 122, 14-17 – a partir da trad. Delhougne, Les Pères commentent, p. 170).

 

Avisos e Liturgia do III domingo do ADVENTO – ano B

“Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto” (cf. Fl 4,4.5). Este é o convite do 3º Domingo do Advento, conhecido pelo nome de “Gaudete”, porque antecipa já a alegria das festas natalícias que se aproximam. O Advento convida-nos a viver e a espalhar a alegria do encontro com Senhor, servindo e sendo missionários. “Vivei sempre alegres”. A alegria cristã – “exulto de alegria no Senhor” – não é superficial nem provocada, mas é um dom divino que procede da fé e se manifesta na nossa vida, com a certeza de que ninguém no-la poderá tirar. O mundo necessita de ouvir um anúncio de esperança e de ver testemunhos de verdadeira alegria. Este é um dos compromissos da Igreja – de cada cristão – nestes tempos tão conturbados que nos toca viver, devido à situação actual. “A minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação” (1ª Leitura). A alegria de quem acredita em Jesus é uma alegria interior que dá serenidade e que é capaz de subsistir entre as diversas dificuldades presentes na vida, porque também gera laços de solidariedade. Como renovar esta alegria que vem de Deus? Em primeiro lugar, temos de tomar consciência de que é uma graça que temos de Lhe pedir: “orai sem cessar”, “não apagueis o Espírito”, como afirma a segunda leitura. A oração coloca-nos em contacto com Deus e faz-nos encarar a realidade com os olhos do Espírito. Assim, descobriremos a presença de um Messias consolador e libertador, que actua nas nossas vidas e nas vidas das pessoas que nos rodeiam; por isso, é também uma oração de gratidão, porque, como rezamos no “Magnificat”, “a sua misericórdia se estende de geração em geração”. No evangelho, João Baptista apresenta-se como “a voz que clama no deserto”. O grito é a maneira mais eficaz para nos fazermos ouvir numa situação limite: gritamos quando estamos alegres ou quando estamos irritados, quando estamos nos limites da alegria ou do desespero. Em cada celebração eucarística, a Palavra de Deus grita aos nossos “corações atribulados” quando nos sentimos “cativos”, como diz a primeira leitura, para nos abrirmos à fecundidade da esperança de que o “Senhor Deus fará brotar a justiça”, juntamente com a alegria, fruto da nossa coerência. Mas, alerta, porque “no meio de vós está Alguém que não conheceis”! João Baptista pronuncia estas palavras, referindo-se a Jesus. Para nós, são um aviso. Será que já conhecemos Jesus? Comungamos a sua mensagem? A Igreja, que somos todos nós, é, ou não, uma voz de esperança; é, ou não, um farol transparente e límpido que ilumina as pessoas para Jesus? Há que aprender a ser humildes como Maria que colocou toda a sua força e confiança em Deus que salva. O Advento é o tempo para responder a esta pergunta: “Quem és tu…que dizes de ti mesmo”? Para tal, temos de ter em conta os conselhos paulinos: “avaliai tudo, conservai o que for bom. Afastai-vos de toda a espécie de mal”. Rezemos para que a Igreja – que somos todos nós – estimule o convite de Deus de ser “testemunha da luz”, da alegria do evangelho. A missão de um cristão é ser uma voz que anuncie a Boa Nova aos pobres de todo o tipo com as suas palavras e as suas obras. Façamos nosso o desejo de Paulo: “O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser – espírito, alma e corpo – se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

 

 

LEITURA ESPIRITUAL

«Ele veio para dar testemunho da luz»

 

Como foi que Cristo veio? Apareceu como homem. E, porque era homem quase ao ponto de Deus estar escondido nele, foi enviado à sua frente um homem notável, para revelar que Ele, Cristo, era mais do que um homem. Quem era ele, esse que havia de dar testemunho da luz? Era um ser notável, este João, um homem de alto mérito, de graça eminente, de grande elevação. Admira-o, mas como se admira uma montanha, que permanece nas trevas enquanto não é envolvida pela luz, pois «ele não era a luz». Não tomes a montanha pela luz. O que devemos, então, admirar? A montanha, mas como montanha. Eleva-te até Àquele que ilumina esta montanha, que é a primeira a receber os raios do sol, a fim de os reenviar para os teus olhos. Dos nossos olhos se diz também que são luz; e contudo, se não se acender a lâmpada à noite, se o sol não nascer durante o dia, os nossos olhos abrem-se em vão. João também foi trevas antes de ser iluminado e só se tornou luz por essa iluminação. Se não tivesse recebido os raios da luz, teria ficado nas trevas como os outros. E onde está a própria luz, essa luz verdadeira «que ilumina todo o homem que vem a este mundo» (Jo 1,9)? Se ilumina todo o homem, também iluminava João, através de quem se queria manifestar. Ela vinha para inteligências enfermas, para corações feridos, para almas com olhos doentes, para gente incapaz de a ver directamente. Ela cobriu João com os seus raios e, proclamando que ele próprio fora iluminado, João deu a conhecer Aquele que ilumina, Aquele que alumia, Aquele que é a fonte de todos os dons. (Santo Agostinho, 354-430, bispo de Hipona, norte de África, doutor da Igreja, Sermões sobre o Evangelho de S. João, nº 2, 5-7).

 

 Paroquiasagb

 

Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa

Programação de Missas e Celebrações de 20 a 24 de dezembro.

Avisos e Liturgia do II Domingo do ADVENTO – ano B

 

Iniciamos a segunda semana do Advento com as palavras do profeta Isaías: “Consolai o meu povo”. Neste itinerário pessoal e comunitário, Deus revela-se como Consolador, como alento para ultrapassar todas as crises da vida. Deus não quer conceder-nos uma consolação superficial, mas deseja entrar no mais íntimo de nós, de tal maneira que o Filho de Deus se fará carne da nossa carne. Porquê? Porque nos ama, porque quer levar-nos à plenitude, porque quer cumprir a profecia de que a sua glória será contemplada por todos, através do Verbo de Deus feito homem, Jesus. Por isso, o Advento é um anúncio de consolação de amor, anunciado pelo profeta Isaías, e um tempo de conversão, proclamado pela boca de João Batista, o precursor do Messias que, agora, nos anima a construir os novos céus e uma nova terra, como afirma a segunda leitura. “Preparai no deserto o caminho do Senhor”. O deserto é um tempo de aprendizagem, de revelação no silêncio, um tempo para voltar a escutar a mensagem da Boa Nova (evangelho), dada por Deus, para, novamente, podermos preparar o caminho do Senhor, como diz a primeira leitura. O Advento é, também, um tempo de deserto. Um tempo para, novamente, escutar Jesus que “grita com voz forte”, proclamando: “Eis o vosso Deus”. Na vida, temos momentos difíceis – de deserto – mas o cristão não entra em desespero, mas mantem a esperança, que não é a resignação; por isso, não nos é permitido cair na tentação da acomodação: “abri na estepe uma estrada para o nosso Deus”. “Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas”. Talvez os montes que deveremos abater consistam em tudo aquilo que em nós faça querer sermos mais do que realmente somos: a azáfama de ser mais do que os outros, de ter mais do que os outros, de impor a nossa vontade, os nossos gostos, ou os nossos interesses e conveniências. Talvez os vales que devam ser alteados sejam os nossos medos, desânimos, pessimismos…Este é o caminho que devemos preparar para o Senhor no deserto e no terreno da nossa vida: o caminho de uma confiança humilde e generosa em Deus, que Jesus já percorreu e que, agora, acompanha-nos neste percurso. Porque “a sua salvação está perto dos que O temem” (salmo), o Advento é, também, um tempo de conversão pessoal e eclesial: “como deve ser santa a vossa vida e grande a vossa piedade, esperando e apressando a vinda do dia de Deus”, como nos diz a segunda leitura. Convida-nos a fazer o nosso caminho com humilde confiança, na certeza de que se pode recomeçar de novo, porque o Senhor “usa de paciência” para connosco. Porém, sabemos que não é fácil recomeçar de novo; por isso, Deus, como afirma Isaías, “fala ao coração de Jerusalém”, à Igreja – que somos nós, os baptizados – para renovar a nossa fidelidade ao projecto salvífico de Deus, continuando a anunciar que “a salvação está perto dos que O temem” no aqui e agora da vida. Nesta segunda semana do Advento, rezemos para que nos convertamos à Boa Nova de Deus. Assim, continuaremos a anunciar que toda “a criatura verá a salvação de Deus”, porque em Seu Filho Jesus se encontrarão a misericórdia e a fidelidade, abraçar-se-ão a paz e a justiça, como rezamos no salmo. A Eucaristia é o memorial onde se torna presente o nosso futuro; por isso, façamos nossa a oração colecta deste segundo Domingo do Advento: “Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória”.

10-12-2023

LEITURA ESPIRITUAL

«Não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias»

 

«Então veio Jesus da Galileia ter com João ao Jordão para ser baptizado por ele. João opunha-se, dizendo: “Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por Ti”» (Mt 3,13-14). Na tua presença, Senhor Jesus, não posso calar-me, porque sou a voz, a voz que clama no deserto: «Preparai o caminho do Senhor». Sou eu que tenho necessidade de ser baptizado por Ti e Tu vens a mim? Tu, que eras no princípio, Tu, que estavas em Deus e eras Deus (cf Jo 1,1); Tu, que és o resplendor da glória do Pai e a imagem da sua substância (cf Hb 1,3); Tu, que, quando estaio o Taumaturgo, c. 213-c. 270, bispo, Homilias sobre a sagrada Teofania, 4; PG 10, 1181).

 

 

Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa

Programação de Missas e Celebrações da Semana, de 12 a 17 de dezembro.

Avisos e Liturgia do Domingo I do Advento – ano B

A Igreja inicia um novo Ano Litúrgico (ciclo B), com o tempo do Advento. Serão quatro semanas para ir ao encontro de Jesus, nosso Redentor, que nascerá entre nós para salvar a humanidade. Por isso o Advento – a quaresma do Inverno – como caminho que é, deve ser percorrido com o objectivo da nossa conversão, como diz o profeta Isaías: “Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração? Voltai, por amor dos vossos servos”; e como nos diz o salmo: “fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome”. O Advento é um duplo caminho: aquele que fazemos ao encontro de Jesus e aquele que Deus faz ao nosso encontro. Para Jesus, é um caminho de vinda; daqui vem o significado mais original do advento: chegada. Deus torna realidade o pedido do profeta Isaías: “Oh se rasgásseis os céus e descêsseis!”. E qual é o único caminho possível para isto? Fazendo-se homem, fazendo-se carne. Deus faz-se homem para que a humanidade chegue à sua plenitude: ser também filhos de Deus graças ao Filho, como diz a segunda leitura: “fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor”. “Nós somos o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos” diz-nos Isaías. Deus arregaça as mangas e põe mãos à obra, umas mãos de pai e de mãe. Todos somos obra da mão amorosa de Deus. Mas, para que o barro possa ser modelado, é necessário que esteja em constante movimento, em constante acção caritativa. O Advento é um convite exigente a não nos instalarmos a nível pessoal e eclesial, à vigilância para não ficarmos inactivos; é-nos dada mais uma nova oportunidade para nos deixarmos modelar, para que “a graça de Deus que nos foi dada” nos vá configurando e confirmando o nosso testemunho, enquanto esperamos “a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo”, como afirma São Paulo na segunda leitura. “Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento”. O “momento” é qualquer ocasião da nossa vida. Não podemos predefinir totalmente o nosso futuro, mas não esqueçamos que, segundo as decisões que agora tomamos, a nossa vida orientar-se-á numa ou noutra direcção. O Advento é um tempo, como diz o evangelho, para estarmos atentos, para rever o caminho que estamos a percorrer; se estamos a fazer o caminho certo para Belém, se estamos a preparar os nossos corações para acolher jubilosamente o dom do nascimento de Jesus, o Messias. Preparemo-nos, pois, para celebrar o Natal de Jesus e para seguir com Ele e por Ele, crescendo com fiel perseverança e conversão na nossa vida, porque em Cristo Jesus “fomos enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento”, como afirma a segunda leitura. “Senhor, nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos”. O Advento é como um despertar – “não vos encontre a dormir” – para podermos caminhar pela via da nova aurora, que vem ao nosso encontro e nos guia. Depois da noite, por mais longa que seja e cheia de sonhos maus, virá sempre o dia e a luz que nos ajuda a encarar a vida de outra maneira. A luz é Jesus que nos ilumina e nos convida a caminhar com Ele. Acolhamos Jesus com alegria, como “o porteiro que está de vigia”. Sigamos Jesus com fé, com firme esperança. Sejamos solidários com todos os que sofrem e Ele abrir-nos-á as portas da vida. Assim, rezemos esta oração, com a qual iniciamos este tempo do Advento: “Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus”.

 

03-12-2023

LEITURA ESPIRITUAL

As duas vindas de Cristo

 

Aquando da sua primeira vinda, Deus veio sem brilho, desconhecido da maioria, prolongando durante longos anos o mistério da sua vida oculta. Quando desceu do monte da Transfiguração, Jesus pediu aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Cristo. Vinha como pastor à procura da ovelha perdida e, para recuperar esse animal rebelde, tinha de permanecer oculto. Tal como um médico que tenta não assustar o seu doente na primeira consulta, também o Salvador evitou dar-Se a conhecer logo no início da sua missão, só o fazendo pouco a pouco. O profeta tinha predito esta vinda sem brilho nestes termos: «Descerá como a chuva sobre um velo e como a água que corre gota a gota sobre a terra» (Sl 71,6). Ele não rasgou o firmamento para vir sobre as nuvens, mas veio em silêncio, permanecendo nove meses oculto no seio de uma Virgem. Nasceu num presépio, como filho de um humilde operário. Andou dum lado para o outro como um homem normal; as suas vestes eram simples, a sua mesa frugal. Caminhava sem parar, a ponto de ficar cansado. Mas a segunda vinda não será assim. Ele virá com tanto brilho que nem terá de anunciar a sua chegada: «Como o relâmpago que parte do Ocidente e aparece no Oriente, assim será a vinda do Filho do homem» (Mt 24,27). Este será o tempo do julgamento e da sentença, em que o Senhor não aparecerá como médico, mas como juiz. David, o rei-profeta, fala de um esplendor, de um brilho e de um fogo irradiando em todas as direcções: «Um fogo caminhará diante dele e à sua volta rugirá violenta tempestade» (Sl 49,3). Todas estas comparações pretendem fazer-nos compreender a soberania de Deus, a luz intensa que O rodeia e a sua natureza inacessível. (São João Crisóstomo, c. 345-407, presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja Homilia sobre o Salmo 49).

ParóquiasAGB

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Programação de Missas e Celebrações da Semana, de 06 a 10 de dezembro da Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa