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Tag Archives: Unidade Pastoral de Fornos de Algodres

Avisos e Liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum- ano B

 

Os textos, propostos pela Liturgia da Igreja para este Domingo, convidam-nos a contemplar Jesus Cristo na sua entrega por amor. Por isso, na nossa oração deveríamos pedir força e coragem para seguir Jesus Cristo na sua entrega. A resposta de Jesus às pretensões de Tiago e de João, “Não sabeis o que pedis”, revela que eles têm de purificar as suas súplicas e dedicarem-se a compreender quem Ele é, alertando-os para a certeza de que o Pai já sabe aquilo que nos faz falta antes de lho pedirmos (cf. Mt 6,8.32). A Deus temos de lhe pedir coisas boas (cf. Mt 7,11), temos de lhe pedir o Espírito Santo (cf. Lc11,13), mas não o poder e a riqueza, como fazem Tiago e João. Que diferença entre o pedido destes irmãos e o pedido do cego Bartimeu que, perante a mesma pergunta de Jesus (“Que quereis que vos faça”), responde: “Mestre, que eu veja!” (Mc 10,51), como veremos no próximo Domingo! Os outros discípulos, como Tiago e João, também não tinha entendido o Mestre, mas “começaram a indignar-se contra eles”, porque se tinham antecipado nos seus desejos e ambições. Escutemos, pois, a advertência de Jesus e peçamos ao Pai o Espírito Santo, na certeza que Ele conhece suficientemente as nossas necessidades.

Jesus faz a seguinte pergunta a Tiago e João: “Podeis beber o cálice que eu vou beber?”. Beber o cálice de Jesus certifica-nos como seus discípulos. Seguir Jesus não é fácil, porque Ele próprio pediu ao Pai para não beber o cálice da cruz, mas obedeceu: “Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres” (Mc 14,36). Beber o cálice significa passar pelo sofrimento, e o sofrimento gera em nós medo. Na primeira leitura, de Isaías, escutamos um excerto do quarto cântico do Servo de Javé, onde se diz que toda a libertação supõe um sofrimento prévio: “O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades”. Beber o cálice, o nosso cálice pessoal de cada dia, é a condição para nos convertermos em discípulos e para nos unirmos à missão salvífica de Jesus. São Paulo sente-se tão unido a Jesus Cristo que afirma claramente: “Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja” (Col 1,24). Será que S. Paulo gosta de sofrer? Será que nós gostamos de sofrer? Será que os pais gostam de sofrer pelos filhos? Será que os professores gostam de sofrer por causa do mau aproveitamento dos seus alunos mais desleixados? Será que gostamos de sofrer o desemprego ou uma grave doença? Na primeira carta de Pedro é dito: “alegrai-vos, pois assim participais dos padecimentos de Cristo” (1Pe 4,13). Fica bem claro que o discípulo tem de aprender a seguir os passos do Mestre. Quando Pedro lhe pergunta pelo prémio, porque deixaram tudo para O seguir, Jesus promete-lhes cem vezes mais, mas com perseguições (cf. Mt 10,30).

Assim, nada de querer ser dos primeiros, como pretendiam Tiago e João. Se Jesus veio para servir, os seus discípulos também têm de servir. Jesus tinha uma grande experiência de vida e uma consciência política muito clara: “os chefes das nações exercem domínio sobre elas, e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder”. Palavras sempre actuais em todos os tempos, também agora! Ninguém se atreva a contradizer Jesus ou a dizer que Ele se mete na política! Está bem visível aos nossos olhos! Contudo, Jesus diz-nos: “Não deve ser assim entre vós”. Ele chama-nos para servir, como Ele o fez no lava-pés. Recordemos as suas palavras proferidas nesse momento: “dei-vos o exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também” (Jo 13,15). Que alegria imitar Jesus, viver o serviço como “o Filho do homem”, que oferece a sua vida e se compadece das nossas fragilidades, como nos diz a carta aos Hebreus. Demos graças a Deus pelo seu amor, perdão, paciência e misericórdia.

17-10-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Que necessidade havia de que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma grande necessidade, que podemos resumir em dois pontos: necessidade de remediar os nossos pecados e necessidade de dar o exemplo para a nossa conduta. A Paixão de Cristo dá-nos um modelo válido para toda a vida. Se procuras um exemplo de caridade: «Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13). Se buscas paciência, é na cruz que a encontramos no grau máximo: Na cruz, Cristo sofreu grandes tormentos com paciência porque «ao ser insultado não ameaçava» (1Pd 2,23), «não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro» (Is 53,7). «Corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé. Ele, renunciando à alegria que lhe fora proposta, sofreu a cruz, desprezando a ignomínia» (Hb 12,1-2).

Se procuras um exemplo de humildade, olha para o Crucificado. Porque Deus quis ser julgado por Pôncio Pilatos e morrer. Se procuras um exemplo de obediência, basta que sigas Aquele que Se fez obediente ao Pai «até à morte» (Fl 2,8). «De fato, tal como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim também pela obediência de um só todos se tornarão justos» (Rm 5,19). Se buscas um exemplo de desapego dos bens terrenos, simplesmente segue Aquele que é o «Rei dos reis e Senhor dos senhores», «em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento» (1Tm 6,15; Cl 2,3); Ele está nu na cruz, tornado motivo de escárnio, coberto de escarros, maltratado, coroado de espinhos e, por fim, dessedentado com fel vinagre. (São Tomás de Aquino, 1225-1274, teólogo dominicano, doutor da Igreja, Conferência sobre o Credo, 6).

 

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Ano B - Tempo Comum - 29º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum – ano B

 

As leituras deste Domingo podem ser apresentadas como um guião para uma melhor compreensão de Deus. Em primeiro lugar, o belíssimo texto evangélico salienta o desejo que todos temos de sermos fiéis ao amor de Deus. “Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?”, ou seja, para viver o amor de Deus. A resposta de Jesus é muito clara e perspicaz: vive a vida que Deus te propõe, procura ser imagem viva de Deus. O que fazer? Pois, ama os outros. Respeita a sua vida, a sua dignidade, a sua integridade e cuida dos teus pais e de todos que te são mais próximos. Porém, Jesus diz ainda o seguinte: não dependas das tuas próprias seguranças, não sonhes ser rico para te sentires seguro e robusto, não permitas que a riqueza seja o mais importante para ti. Confia em Deus e Deus será o teu tesouro: “terás um tesouro no Céu”. Também não podemos esquecer dois gestos de Jesus: “Jesus olhou para ele (o jovem rico) com simpatia”, ou seja, com afecto. Jesus olha-me, com afecto, com amor. Como é bom sentir-me amado por Jesus, por um Jesus que me fala pessoalmente. O segundo gesto é o chamamento: “Depois, vem e segue-me”. É verdade, Jesus diz-me: “Segue-me”. Jesus faz-nos um convite pessoal para ir com Ele. É um convite amável, quase íntimo, que me convida a segui-Lo com plena confiança. Ele ensinar-nos-á que não ninguém melhor que Deus.

Este Deus ama-me tanto que escutará a minha súplica de querer ser sua imagem. Recordemos aquela frase de Jesus: “quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!” (Mt 7,11). A primeira leitura diz-nos claramente o que devemos pedir a Deus: prudência e Espírito de sabedoria. Foi bom Jesus ter-nos convidado a deixar as nossas seguranças para obter a Sabedoria, o próprio Deus; diante Dele as riquezas não são nada. A Sabedoria é mais valiosa do que as pedras preciosas e do que todo o ouro e a prata do mundo. É mais valiosa do que a saúde e a beleza. Como é bom ter esta sabedoria! A segunda leitura convida-nos a acolher a Palavra de Deus que é viva e eficaz, “e é capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração”, é uma palavra que me conhece melhor do que eu mesmo, uma palavra que toma uma forma humana na pessoa de Jesus de Nazaré. Através da sabedoria, através da Palavra, Deus chama-me pelo meu nome, mas, muitas vezes, nada respondo, ou seja, não quero ser sábio, faço-me surdo a tudo o que Deus me quer dizer. Cada um bem sabe as resistências que coloca ao chamamento de Deus! Deus chama-me pelo meu nome, porque me conhece, mas muitas vezes não o quero ouvir.

A resposta de Jesus ao jovem rico deixou-o desconcertado. Aquele jovem queria seguir Jesus! Os discípulos também ficaram surpreendidos, porque tinham deixado tudo para seguir o Mestre. Por isso, comentavam entre si: “Quem pode então salvar-se?”. Eles falavam em nosso nome, porque pensamos como eles, e também nos perguntamos como se pode viver com o desprendimento que Jesus propõe. Sentimos que somos incapazes de sermos tão santos! Talvez tenhamos esquecido que Deus, que tudo pode, também me pode libertar do desejo de seguranças e de ter dinheiro. Ama-me tanto que me leva como água ao seu moinho. Mas Pedro insiste: “Vê como nós deixámos tudo para Te seguir”. Na nossa vida, está bem presente a resposta de Jesus a Pedro: recebemos muito mais do que damos, deixámos de ter muitas coisas para seguir Jesus, espera-nos a perseguição e a incompreensão por causa da nossa opção de viver o que nos é proposto pelo Evangelho. Se Deus tudo pode, também me pode converter para estar disponível a escutar as palavras de Jesus: “Falta-te uma coisa: vai vender tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me”. Na minha vida, o que devo vender? O que tenho de dar aos pobres? Onde está o meu tesouro?

10-10-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Há uma riqueza que semeia a morte por onde quer que domine: libertai-vos dela e sereis salvos. Purificai a vossa alma, tornai-a pobre para poder escutar o apelo do Salvador que vos repete: «Vem e segue-me!» Ele é o caminho por onde segue quem tem o coração puro: a graça de Deus não penetra numa alma cheia de empecilhos e atormentada por uma multidão de posses.

O que olha a fortuna, o ouro e a prata ou as casas, como dons de Deus, esse testemunha a Deus o seu reconhecimento, indo em auxílio dos pobres com os seus bens, pois sabe que os possui mais para os seus irmãos do que para si mesmo, tornando-se, assim, mestre das suas riquezas, em vez de seu escravo. Não as guarda em sua alma, nem encerra nelas a sua vida, mas prossegue sem se cansar numa obra tão divina. E, se algum dia a sua fortuna vier a desaparecer, aceita essa ruína com um coração livre. A esse homem, Deus declara-o bem-aventurado, «pobre em espírito», herdeiro do Reino dos Céus (Mt 5, 3).

Em contrapartida, há o que esconde a riqueza em seu coração, em vez do Espírito Santo. Esse, guarda para si as terras; acumula sem fim a fortuna e não se preocupa senão com ajuntar sempre mais; nunca levanta os olhos para o céu; preocupa-se com as coisas temporais, porque ele não é senão pó e em pó se tornará (Gn 3, 19). Como é que pode experimentar o desejo do Reino aquele que, em vez do coração, leva em si um campo ou uma mina, e a quem a morte o surpreenderá no meio das suas paixões? «Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração». (Mt 6, 21). (São Clemente de Alexandria, 150-c.215, teólogo Kephas III, p. 753-754).

 

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Ano B - Tempo Comum - 28º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 27º Domingo do Tempo Comum- ano B

A mulher e o homem são chamados a viver em harmonia, em mútua companhia. Sim, é verdade, são chamados. A Bíblia não é um livro de ciência, mas um livro religioso, o qual faz uma interpretação religiosa da realidade, sempre complexa, da relação entre o homem e a mulher. Diz-nos como devem ser as nossas relações: entre vizinhos, entre amigos, entre os esposos. E em todas as relações temos de ter bem presente os seguintes verbos: amar, respeitar, acolher, perdoar. Em primeiro lugar, temos de constatar o seguinte: é importante viver em relação porque isto enriquece-nos. A primeira leitura deste domingo é muito clara: “não é bom que o homem esteja só”. Em segundo lugar, é importante não esquecer que todos temos a mesma dignidade, que todos somos da mesma espécie, porque todos fomos criados à imagem e semelhança de Deus: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou-os homem e mulher”. Temos a mesma dignidade, completamo-nos uns aos outros. A primeira leitura recorda-nos isto da seguinte forma: “Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne”. O homem e a mulher unem-se para serem uma só carne, ou seja, um só eu, um só tu, uma só família, uma só comunidade.

Todavia, bem sabemos que este chamamento à harmonia, a “uma só carne”, não é fácil, porque muitas vezes nos esquecemos que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, ou seja, deixamos dominar a “dureza do nosso coração”, como Jesus nos diz no Evangelho. A “dureza do coração” são as nossas resistências que prejudicam as nossas relações, mesmo no casamento. Portanto, é fundamental que todos tenhamos uma ideia clara de como somos. Recordemos a célebre sentença grega do templo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”. É importante saber como posso enriquecer a minha relação com o outro, no casamento ou noutra forma ou situação da vida. É importante saber de que maneira estou a ser causa de conflitos e obstáculos no relacionamento com os outros. Tantas vezes ouvimos estas frases: “eu sou assim”, “já sabes que sou assim”, “comigo é assim”, “quem quer que se mude”, “quem não está bem que se mude”. Isto é o mesmo que dizer “não esperes que abandone o meu comodismo, o meu conforto, o meu sofá, o meu mundo, as minhas ideias”. Se não quero mudar para melhorar, se não quero crescer como pessoa para ser mais semelhante a Deus, estou a revelar a dureza do meu coração. Desta forma estou a resistir viver o espírito das bem-aventurança, que é a “selfie” que Jesus faz de si mesmo: simplicidade de coração, construtor da paz, aceitação da minha fraqueza e pobreza e de tudo o que me falta para ser um digno filho de Deus.

Nas suas palavras, Jesus recorda o que foi dito no princípio da criação: “Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu”. Temos de realçar este aspecto: “o que Deus uniu”. Se não houver uma sinceridade inicial absoluta, uma entrega total, uma vontade de ser melhor e de ajudar o outro a ser melhor, uma vontade de viver o casamento com critérios evangélicos, não sei se podemos dizer que foi unido por Deus! Se não acolho o outro como um dom que Deus me concede, com a simplicidade de uma criança que acolhe o Reino de Deus, não viverei uma relação própria de alguém que foi criado à imagem e semelhança de Deus.

Será que estamos a colocar a fasquia muito alta? Bem, Deus é que nos chama a ser perfeitos e santos! Todavia, temos consciência das nossas limitações. Para viver o amor, precisamos, muitas vezes, de rever e de recomeçar. Peçamos a Deus que nos acompanhe nesta aventura de amar como o Seu Filho Jesus Cristo nos amou.

03-10-2021

Orientações CEP 30.09.2021_1

LEITURA ESPIRITUAL

Na Bíblia encontrarmos uma imagem estritamente metafísica de Deus: Deus é absolutamente a fonte originária de todo o ser; mas este princípio criador de todas as coisas — o Logos, a razão primordial — é, ao mesmo tempo, um amante com toda a paixão de um verdadeiro amor. Deste modo, o eros é enobrecido ao máximo, mas simultaneamente tão purificado que se funde com a agape.

A primeira novidade da fé bíblica consiste na imagem de Deus; a segunda, essencialmente ligada a ela, encontramo-la na imagem do homem. A narração bíblica da criação fala da solidão do primeiro homem, Adão, querendo Deus pôr a seu lado um auxílio. Dentre todas as criaturas, nenhuma pôde ser para o homem aquela ajuda de que necessita, apesar de ter dado um nome a todos os animais selvagens e a todas as aves, integrando-os assim no contexto da sua vida. Então, de uma costela do homem, Deus plasma a mulher. Agora Adão encontra a ajuda de que necessita: «Esta é, realmente, osso dos meus ossos e carne da minha carne» (Gn 2, 23). Na base desta narração, é possível entrever concepções semelhantes às que aparecem, por exemplo, no mito referido por Platão, segundo o qual o homem originariamente era esférico, porque completo em si mesmo e auto-suficiente. Mas, como punição pela sua soberba, foi dividido ao meio por Zeus, de tal modo que agora sempre anseia pela outra sua metade e caminha para ela a fim de reencontrar a sua globalidade. Na narração bíblica, não se fala de punição; porém, a ideia de que o homem de algum modo esteja incompleto, constitutivamente a caminho a fim de encontrar no outro a parte que falta para a sua totalidade, isto é, a ideia de que, só na comunhão com o outro sexo, possa tornar-se «completo», está sem dúvida presente. E, deste modo, a narração bíblica conclui com uma profecia sobre Adão: «Por este motivo, o homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2, 24). (Bento XVI, encíclica Deus Caritas Est, 9-11).

 

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Ano B - Tempo Comum - 27º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 26º domingo do Tempo Comum- ano B

 

Neste Domingo, se alguém, que desconheça a Bíblia, for atrasado para a celebração da Eucaristia e chegar no momento em que se estiver a proclamar a segunda leitura, poderá pensar que está num comício político ou numa manifestação sindical! Como foi recordado no domingo passado, muitas partes da carta de S. Tiago, que são proclamadas nestes domingos, são uma radiografia de realidades muito presentes nos nossos dias; parece que são textos escritos há pouco tempo. O texto da carta de S. Tiago deste domingo fala, em tom duro e exigente para os ricos: “Agora, vós, ó ricos, chorai e lamentai-vos. As vossas riquezas estão apodrecidas e as vossas vestes estão comidas pela traça. O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se, e a sua ferrugem vai dar testemunho contra vós e devorar a vossa carne como fogo. Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras (os operários das vossas fábricas, os profissionais e auxiliares na área da educação, da saúde, e em tantos outros lugares). O seu salário clama; e os brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo”. É evidente que não se trata de fazer demagogia nem de generalizar as denúncias, mas é um convite para nos afastarmos da cobiça e da inveja, que são das perversões mais graves existentes entre os homens e mulheres.

Se a carta de S. Tiago nos alerta sobre algumas atitudes contrárias aos valores do Evangelho, como a cobiça e a inveja, o texto evangélico de S. Marcos fala-nos de outras coisas que nos fazem afastar de Jesus, como a intolerância. O apóstolo João teve a mesma atitude do jovem que interpelou Moisés, como nos narra a primeira leitura: queria impor condições e fazer discriminação de pessoas, “porque ele não anda connosco”. Hoje, nós dizemos: “não é dos nossos” e neste “dos nossos” estão todos aqueles que não têm as nossas ideias sobre a política, sobre questões religiosas e sociais. Mas Jesus afirma claramente que “quem não é contra nós é por nós”. Quem luta pelo bem-estar de todos está em sintonia com Jesus. Uma coisa são as discordâncias e outra são as intolerâncias. É necessário sempre somar e multiplicar em vez de dividir.

Nas leituras bíblicas deste domingo ainda há um terceiro aspecto que não pode ficar esquecido. Além da denúncia do mau uso dos bens materiais como a inveja, e das intolerâncias na relação com os que não alinham com as nossas ideias, há outra coisa que é preciso evitar, que é o escândalo. Novamente Jesus refere-se aos mais pequenos, como no domingo passado, ou seja, às pessoas mais frágeis e necessitadas, e alerta contra qualquer acção que os escandalize e que os possa afastar do Senhor. Podemos falar de três tipos de escândalos: aqueles que, em si, não são, mas somente no coração e na mente dos que se dizem escandalizados; escândalos que são somente pequenas imperfeições em pessoas mal preparadas; e os verdadeiros escândalos que são as grandes contradições e incoerências das pessoas que dizem pensar de uma maneira e comportam-se de uma forma contrária ao que dizem. É esta atitude que Jesus denuncia com palavras duríssimas.

As leituras deste domingo oferecem-nos três pontos para a nossa reflexão: 1) alerta-nos sobre a cobiça e a inveja dos bens materiais; 2) avisa-nos sobre as nossas intolerâncias de qualquer género; 3) e sobre os escândalos por causas das nossas imprudências e ingenuidades.

26-09-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Hoje gostaria de meditar brevemente sobre outra expressão com a qual o Concílio Vaticano II definiu a Igreja: «Povo de Deus» (cf. Constituição dogmática Lumen Gentium, nº 9; Catecismo da Igreja Católica, n. 782). E faço-o mediante algumas perguntas, acerca das quais cada um poderá reflectir.

O que quer dizer ser «Povo de Deus»? Antes de tudo, significa que Deus não pertence de modo próprio a qualquer povo, pois é Ele que nos chama, que nos convoca, que nos convida a fazer parte do seu povo, e este convite é dirigido a todos, sem distinção, porque a misericórdia de Deus «deseja que todos os homens se salvem» (1 Tm 2, 4). Jesus não diz aos Apóstolos e a nós que formemos um grupo exclusivo, um grupo de elite. Jesus diz: ide e ensinai todas as nações (cf. Mt 28, 19). São Paulo afirma que no povo de Deus, na Igreja, «Já não há judeu nem grego… pois todos vós sois um só em Cristo Jesus» (Gl 3, 28). Gostaria de dizer inclusive àqueles que se sentem distantes de Deus e da Igreja, a quem é medroso ou indiferente, a quantos pensam que já não podem mudar: o Senhor chama-te, também a ti, a fazer parte do seu povo, e fá-lo com grande respeito e amor! Ele convida-nos a fazer parte deste povo, do povo de Deus.

Como nos tornamos membros deste povo? Não é através do nascimento físico, mas mediante um novo nascimento. No Evangelho, Jesus diz a Nicodemos que é preciso nascer do alto, da água e do Espírito para entrar no Reino de Deus (cf. Jo 3, 3-5). É através do Baptismo que nós somos introduzidos neste povo, mediante a fé em Cristo, dom de Deus que deve ser alimentado e desenvolver-se em toda a nossa vida. Perguntemo-nos: como faço crescer a fé que recebi no meu Baptismo? Como faço crescer esta fé que recebi e que o povo de Deus possui? (Francisco, Audiência Geral, 12-06-2013).

 

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Ano B - Tempo Comum - 26º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum- ano B

 

Na segunda leitura deste Domingo é proclamado mais um excerto da carta de S. Tiago que nos oferece uma radiografia de muitas situações que são hoje actuais entre nós: “De onde procedem os conflitos entre vós? Não é precisamente das paixões que lutam nos vossos membros? Cobiçais e nada conseguis: então assassinais. Sois invejosos e não podeis obter nada: então entrais em conflitos e guerras”. Será que estas palavras não continuam a expressar muitas situações da nossa sociedade, desumanizada e anestesiada pelo consumismo das coisas materiais?

No texto do evangelho Jesus volta a insistir sobre o seu futuro, ou seja, na sua paixão e morte. Todavia os discípulos não O escutam ou não O querem escutar. Eles esperavam um reino de poder, triunfo e glória, e Jesus falava-lhes de crucifixão e de morte, mas também no desfecho com a ressurreição. O Servo sofrerá muito, será a pedra que os construtores irão rejeitar, e os discípulos do Servo terão o mesmo destino. Por isso, aos discípulos do Servo se pede disponibilidade e entrega.

Jesus anuncia a sua paixão e morte aos seus discípulos mas eles não O escutam, porque continuam a disputar entre eles os melhores lugares e a melhor forma de serem importantes no Reino que imaginam. Então Jesus apresenta os requisitos para quem O quiser seguir: 1) “Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos”. Nada de ambições, honras e vaidades. No grupo ninguém deve pretender estar acima dos outros; 2) o segundo requisito é dito através de um gesto simbólico: colocou uma criança no meio deles e disse-lhes: “Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que me enviou”. Nesta criança tomada e abraçada por Jesus encontramos um símbolo de tantas pessoas débeis e abandonadas que necessitam de atenção e de acolhimento.

Tudo isto que Jesus diz aos seus discípulos é também para a Igreja. Hoje precisamos de uma Igreja servidora, acolhedora e próxima dos mais fracos e abandonados. Ao olhar para o texto evangélico deste domingo podemos concluir o seguinte: muitas vezes os critérios de Jesus não coincidem com os critérios de muitos que nos rodeiam. Quem pensa hoje, por exemplo, que os homens e mulheres mais importantes são aqueles que vivem ao serviço dos outros? Quem valoriza como importantes os milhares de homens e mulheres anónimas, de rosto desconhecido, que nunca serão homenageados ou condecorados, mas que gastam as suas forças e vidas no serviço desinteressado aos irmãos mais necessitados?

Não caiamos na tentação de pertencer ao grupo daqueles e daquelas que passam a vida somente a lamentarem as coisas negativas. Tenhamos a coragem de pertencer ao grupo daqueles e daquelas que passam a vida a fazer caminho à luz dos critérios e valores propostos por Jesus.

19-09-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Lembra-te deste provérbio: «Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes» (Jo 4,6). Tem presente a palavra do Senhor: «Quem se exaltar será humilhado e quem se humilhar será exaltado» (Mt 23,12). Se achas que tens alguma coisa boa, reconhece-a, mas sem esquecer as tuas faltas; não te engrandeças com o bem que hoje fizeste, nem esqueças o mal recente ou passado; se o presente é para ti motivo de glória, lembra-te do passado e assim destruirás esse estúpido abcesso!

Se vês o teu próximo pecar, não consideres mais do que a falta cometida e pensa também no bem que ele faz ou fez; muitas vezes descobrirás que é melhor do que tu, se examinares o conjunto da tua vida e não te prenderes a coisas fragmentárias, porque Deus não examina assim o homem. Lembremo-nos disso muitas vezes, para nos preservarmos do orgulho, abaixando-nos, para sermos elevados.

Imitemos o Senhor, que desceu do céu até ao aniquilamento total. Mas, depois de tal aniquilamento, fez resplandecer a sua glória, glorificando com Ele aqueles que com Ele tinham sido desprezados. Tais eram, com efeito, os primeiros discípulos que, pobres e nus, percorreram o universo sem palavras de sabedoria nem séquitos faustosos, mas sós, errantes e sofredores, vagabundos por terra e por mar, vergastados, apedrejados, perseguidos e, finalmente, levados à morte. Tais são os divinos ensinamentos do nosso Pai. Imitemo-los para chegarmos também à glória eterna, ao perfeito e verdadeiro dom de Cristo. (São Basílio, c. 330-379, monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja, Homilia sobre a humildade, 5-6).

 

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Ano B - Tempo Comum - 25º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum- ano B

 

Com alegria e esperança, ressoa nos nossos ouvidos as palavras do profeta Isaías, que se encontram na primeira leitura deste domingo: “o Senhor Deus veio em meu auxílio e por isso não fiquei envergonhado”. Mas poderemos olhar, em primeiro lugar, para o trecho da carta de S. Tiago, na segunda leitura. São palavras que não precisam de grande explicação, porque claramente afirmam que “a fé sem obras está completamente morta”, “Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé”. São palavras para sempre refletir e sempre colocar em prática. São palavras que não nos deixam viver somente de boas intenções. Somos e seremos julgados pelas nossas obras. Quando perguntaram a Jesus como será o julgamento da nossa vida, afirmou claramente que as nossas ações com os outros dão, ou não, sentido à nossa biografia cristã: tive fome e deste-me de comer, era peregrino e recolheste-me, estava doente e foste visitar-me.

A partir do texto da carta de S. Tiago, debrucemo-nos sobre o texto do evangelho deste domingo que tem duas partes bem distintas, mas muito importantes. A pergunta que Jesus faz aos seus discípulos é feita também a todos nós. “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Não se exige respostas académicas, bem fundamentadas nos tratados de Teologia, mas pede-se uma resposta nascida do encontro e da experiência com Jesus. Do conhecimento histórico de Jesus não sabemos grande coisa; sobre o conhecimento bíblico e teológico já foram escritos milhares de livros; mas o conhecimento que aqui nos é pedido é o conhecimento nascido da experiência, do interior de cada um e do encontro e da relação com Jesus. Mas, respostas precipitadas também não servem. Pedro respondeu: “Tu és o Messias”, mas ainda não sabia muito bem o que isto significava, como Jesus confirmou ao dizer: “Tu não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens”. Pedro pensava num Messias triunfante, entendendo o triunfo de uma forma humana, não como o entende Deus. Na segunda parte do texto encontramos, em certo sentido, o cumprimento da primeira. Conhecer Cristo supõe saber segui-Lo, é levar a cruz de todos os dias. Seguir Jesus é perder a vida, se for necessário, por Ele e pelo Evangelho. Por isso, “se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”.

Tomar a cruz e perder a vida não é um convite ao “pietismo” ou ao “devocionismo”. Jesus experimentou as alegrias e as esperanças dos homens e mulheres do seu tempo, mas também assumiu as responsabilidades e as exigências da vida. É a própria vida que nos traz a cruz. Quando Jesus fala em “salvar a vida” convida-nos a aceitar as nossas debilidades que nascem tantas vezes da própria condição humana e, sobretudo, das incompreensões perante a nossa fidelidade a uma conduta ética e comprometida. “Renunciar a si mesmo” não é cair em depressão e angústia, mas colocar a nossa coerência e as nossas responsabilidades acima dos nossos interesses, e isto supõe muitas vezes a cruz!

Aceitar Jesus Cristo na nossa vida é aceitar a sua doutrina e o seu estilo de vida. Serão muitas as dificuldades e sofrimentos que teremos, simplesmente porque nos afirmamos como cristãos. Mas sabemos que a cruz acabará na ressurreição e que este mundo injusto e inseguro se converterá num “novo céu e numa nova terra”.

12-09-2021

LEITURA ESPIRITUAL

A união com o Crucificado faz nascer a força apostólica do amor misericordioso, que se torna presente em todas as partes onde Cristo sofre qualquer necessidade material ou espiritual nos mais pequenos deste mundo.

«O mundo está em chamas! Urge-te extingui-las? Contempla a Cruz. Desde o coração aberto brota o sangue do Salvador. Ele apaga as chamas do inferno. Liberta o teu coração pelo cumprimento fiel dos teus votos e então derramar-se-á nele o caudal do Amor divino até inundar todos os confins da terra. Ouves os gemidos dos feridos nos campos de batalha do Este e do Oeste? Tu não és médico, nem mesmo enfermeira, nem podes vendar as feridas. Estás recolhida na tua cela e não lhes podes acudir. Ouves o grito agónico dos moribundos e quererias ser sacerdote e estar ao seu lado. Comove-te a aflição das viúvas e dos órfãos e quererias ser o Anjo da Consolação e ajudá-los. Olha para o Crucificado. Se estás unida a Ele, como uma noiva no cumprimento fiel dos teus santos votos, és tu / seu sangue precioso que se derrama. Unida a Ele, és como o omnipresente. Não podes ajudar aqui ou ali como o médico, a enfermeira, ou o sacerdote; mas com a força da Cruz podes estar em todas as frentes, em todos os lugares de aflição. O teu Amor misericordioso, Amor do coração divino, leva-te a todas as partes onde se derrama o seu precioso sangue, suavizante, santificante, salvador».

A união com Cristo é necessária para participarmos na obra da expiação e da redenção nossa e de toda a humanidade: «No fundo não há nenhuma separação entre a  santificação própria e o apostolado. Quem busca a perfeição segundo a vontade de Deus, busca-a não para si, mas para os outros».

A união com Cristo Crucificado alcança assim uma dimensão de santificação pessoal e uma dimensão apostólica de salvação universal.

«Desta forma encontram-se indissoluvelmente unidos a própria perfeição, a união com Deus, o trabalho para que o próximo alcance a união com Deus e a perfeição. E o caminho para tudo isto é a Cruz. E a pregação da cruz seria vã se não fosse a expressão de uma vida unida a Cristo Crucificado».

O caminho de seguimento do Crucificado é animado pela certeza da vitória de Cristo: «No sinal da cruz venceremos… vejam-se ou não os frutos». «Vitória, Tu reinarás; ó Cruz, Tu nos salvarás». (S. Teresa Benedita da Cruz, A expiação mística. Amor à Cruz, 24-11-1934)

 

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12-09-2021

Avisos e Liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum- ano B

Habitualmente na liturgia da Palavra dá-se muito relevo ao texto do evangelho, mas é sempre oportuno passar os olhos e o pensamento pelas três leituras. Isaías, na primeira leitura, lança-nos um apelo e dá-nos um conselho muito importante: “Tende coragem, não temais”. Como é necessário ouvir hoje estas palavras reconfortantes e encorajadoras! Diante do quadro social e religioso que estamos a viver, a tentação do desânimo e da tristeza pode surgir. Por isso o profeta Isaías insiste: “Tende coragem, não temais. Aí está o vosso Deus; vem para fazer justiça e dar a recompensa; Ele próprio vem salvar-nos”. Na segunda leitura, o conselho da carta de S. Tiago também é muito importante: “a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo não deve admitir acepção de pessoas. Não estareis a estabelecer distinções entre vós e a tornar-vos juízes com maus critérios?”. Isto é fundamental numa comunidade cristã. Promover a igualdade é oferecer os meios materiais e espirituais para que todos possam viver a vida dignamente. Nunca deixemos de trabalhar na construção de uma comunidade sem acepção de pessoas. No evangelho, que é um texto exclusivo de S. Marcos, encontramos a narração de um momento da vida de Jesus: Ele sai do território judeu, dirige-se para terras pagãs, onde cura um surdo com dificuldade em falar, símbolo da humanidade fechada à voz de Deus. Também cada um de nós deve sair do seu “território confortável” e ir às periferias territoriais e existenciais das pessoas, procurando aqueles que desejam encontrar Deus e escutar a sua voz.

A sorte daquele surdo com dificuldade em falar foi encontrar pessoas que o levaram a Jesus que O curou e O enviou para o meio do seu povo. Hoje existem muitas pessoas que precisam de alguém que lhe ofereça meios para recuperar a fé. Uma comunidade evangelizadora deve assumir esta missão. Todos somos enviados a evangelizar, porque todos somos chamados a percorrer o caminho do Senhor que, como o salmo nos diz, “dá pão aos que têm fome” e “entrava o caminho aos pecadores”.

Por outro lado, a cura do surdo com dificuldade em falar é um alerta para escutarmos os outros. Ser cristão é ser portador de uma palavra de esperança e não cair no pessimismo que inunda a sociedade de hoje. É importante falar, mas também escutar, o que nem sempre fazemos. Falamos muitas vezes com Deus, mas não o escutamos suficientemente; falamos com os outros, mas nem sempre os escutamos. Temos de aprender a lição: o Senhor “faz ouvir os surdos e falar os mudos”. Habitualmente, Deus fala pela boca dos outros. Então peçamos ao Senhor: pela Tua Palavra e pelo clamor dos nossos irmãos necessitados, fala, Senhor, que o teu servo escuta.

05-09-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Como podemos discernir a voz de Deus entre as mil vozes que ouvimos todos os dias neste nosso mundo. Diria: Deus fala connosco de modos muito diferentes. Fala através de outras pessoas, através de amigos, dos pais, do pároco, dos sacerdotes. Aqui, os sacerdotes aos quais estais confiados, que vos guiam. Fala por meio dos acontecimentos da nossa vida, nos quais podemos discernir um gesto de Deus; fala também através da natureza, da criação, e fala, naturalmente e sobretudo, na Sua Palavra, na Sagrada Escritura, lida na comunhão da Igreja e pessoalmente em diálogo com Deus.

É importante ler a Sagrada Escritura, por um lado de modo muito pessoal, e realmente, como diz São Paulo, não como palavra de um homem ou como um documento do passado, como lemos Homero, Virgílio, mas como uma Palavra de Deus que é sempre actual e fala comigo. Aprender a ouvir um texto, historicamente do passado, a Palavra viva de Deus, ou seja, entrar em oração, e assim fazer da leitura da Sagrada Escritura um diálogo com Deus.

Santo Agostinho nas suas homilias diz com frequência: Bati várias vezes à porta desta Palavra, até que pude compreender o que o próprio Deus me dizia; por um lado, esta leitura muito pessoal, este diálogo pessoal com Deus, no qual procuro o que o Senhor me diz, e juntamente com esta leitura pessoal é muito importante a leitura comunitária, porque o sujeito vivo da Sagrada Escritura é o Povo de Deus, é a Igreja. (Bento XVI, Discurso aos seminaristas, 17-02-2007).

 

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Ano B - Tempo Comum - 23º Domingo - Boletim Dominical II (1)

Avisos e Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum- ano B

 

Depois de dedicar cinco Domingos ao tema do pão da vida que se encontra no capítulo 6 do Evangelho de S. João, regressamos neste domingo ao Evangelho de S. Marcos, ao capítulo 7, onde o evangelista apresenta uma oposição entre a maneira de pensar e de agir dos “fariseus e de alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém” e o pensamento e as acções dos discípulos de Jesus no que se refere ao tema das leis e das normas. Jesus critica os fariseus que convertem em principais e importantes alguns mandamentos que, na realidade, são secundários, formando um conjunto de práticas e ritos externos que a tradição criou. Valorizam tanto alguns preceitos de somenos importância e voltam as costas ao projecto de Deus quando se relacionam com o próximo. Para Jesus, o mais importante é o comportamento e as atitudes das pessoas, ou seja, a maneira de viver e de proceder e não o simples cumprimento de algumas normas. Na atitude dos fariseus, Jesus resume a atitude de todas as pessoas que, ao longo da história, caiem na tentação de os imitar com uma citação do profeta Isaías: “Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos”.

É evidente que um ritual (religioso, militar, político, etc.), por si mesmo, não muda uma pessoa. Um ritual não se pode impor nem abafar as atitudes éticas da pessoa. Para além do legalismo, está a atitude interior. A norma, a lei, é necessária mas terá de ser sempre um caminho de libertação e não de angústia e de ameaça. Por isso na liturgia deste domingo é importante destacar o salmo: “Quem habitará, Senhor, na vossa casa? O que vive sem mancha e pratica a justiça, e diz a verdade que tem no seu coração e guarda a sua língua da calúnia. O que não faz o mal ao seu próximo nem ultraja o seu semelhante…o que não empresta dinheiro com usura, nem aceita presentes para condenar o inocente”. Para a sociedade dos nossos tempos, estas palavras são pertinentes. Vivemos num mundo onde a subversão dos valores é frequente e esta realidade leva-nos a não deixar de trabalhar pelas exigências éticas que supõe a vontade de seguir Jesus. O farisaísmo no tempo de Jesus, como também hoje no nosso tempo, pretendia tapar com uma imagem exterior a sujidade que existia no seu interior. Por isso, Jesus é muito claro: “O que sai do homem é que o torna impuro”.

A denúncia de Jesus contra a maneira que tinham os fariseus de subverter os valores tem plena actualidade nos nossos dias. A tentação do farisaísmo centrada em manter uma imagem que não corresponde à realidade tem plena validade e é uma das tentações mais presentes à nossa volta. Por isso, a liturgia deste domingo é um forte apelo à sinceridade. Nem sempre somos o que parecemos e podemos cair na tentação de colocar máscaras que não deixam revelar a verdade do nosso interior e da nossa vida. Rezemos todos os dias: Livrai-nos, Senhor, de cair nesta tentação…

29-08-2021

LEITURA ESPIRITUAL

É, portanto, claro, que nos devemos esforçar por todos os meios por preparar os tempos em que, por comum acordo das nações, se possa interditar absolutamente qualquer espécie de guerra. Isto exige, certamente, a criação duma autoridade pública mundial, por todos reconhecida e com poder suficiente para que fiquem garantidos a todos a segurança, o cumprimento da justiça e o respeito dos direitos. Porém, antes que esta desejável autoridade possa ser instituída, é necessário que os supremos organismos internacionais se dediquem com toda a energia a buscar os meios mais aptos para conseguir a segurança comum. Já que a paz deve antes nascer da confiança mútua do que ser imposta pelo terror das armas, todos devem trabalhar por que se ponha, finalmente, um termo à corrida aos armamentos e por que se inicie progressivamente e com garantias reais e eficazes, a redução dos mesmos armamentos, não unilateral evidentemente, mas simultânea e segundo o que for estatuído.

Entretanto, não se devem subestimar as tentativas já feitas ou ainda em curso para afastar o perigo da guerra. Procure-se antes ajudar a boa vontade de muitos que, carregados com as ingentes preocupações dos seus altos ofícios, mas movidos do seriíssimo dever que os obriga, se esforçam por eliminar a guerra de que têm horror, embora não possam prescindir da complexidade objectiva das situações. E dirijam-se a Deus instantes preces, para que lhes dê a força necessária para empreender com perseverança e levar a cabo com fortaleza esta obra de imenso amor dos homens, de construir virilmente a paz. Hoje em dia, isto exige certamente deles que alarguem o espírito mais além das fronteiras da própria nação, deponham o egoísmo nacional e a ambição de dominar sobre os outros países, fomentem um grande respeito por toda a humanidade, que já avança tão laboriosamente para uma maior unidade.

As sondagens até agora diligente e incansavelmente levadas a cabo acerca dos problemas da paz e desarmamento, e as reuniões internacionais que trataram deste assunto, devem ser consideradas como os primeiros passos para a solução de tão graves problemas e devem no futuro promover-se ainda com mais empenho, para obter resultados práticos. No entanto, evitem os homens entregar-se apenas aos esforços de alguns, sem se preocuparem com a própria mentalidade. Pois os governantes, responsáveis pelo bem comum da própria nação e ao mesmo tempo promotores do bem de todo o mundo, dependem muito das opiniões e sentimentos das populações. Nada aproveitarão com dedicar-se à edificação da paz, enquanto os sentimentos de hostilidade, desprezo e desconfiança, os ódios raciais e os preconceitos ideológicos dividirem os homens e os opuserem uns aos outros. Daqui a enorme necessidade duma renovação na educação das mentalidades e na orientação da opinião pública. Aqueles que se consagram à obra de educação, sobretudo da juventude, ou que formam a opinião pública, considerem como gravíssimo dever o procurar formar as mentalidades de todos para novos sentimentos pacíficos. Todos nós temos, com efeito, de reformar o nosso coração, com os olhos postos no mundo inteiro e naquelas tarefas que podemos realizar juntos para o progresso da humanidade.

Não nos engane uma falsa esperança. A não ser que, pondo de parte inimizades e ódios, se celebrem no futuro pactos sólidos e honestos acerca dá paz universal, a humanidade, que já agora corre grave risco, chegará talvez desgraçadamente, apesar da sua admirável ciência, àquela hora em que não conhecerá outra paz além da horrível tranquilidade da morte. Mas, ao mesmo tempo que isto afirma, a Igreja de Cristo, no meio das angústias do tempo actual, não deixa de esperar firmemente. A nossa época quer ela propor, uma e outra vez, oportuna e importunamente, a mensagem do Apóstolo: «eis agora o tempo favorável» para a conversão dos corações, «eis agora os dias da salvação. (Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral Gaudium et spes, 82).

 

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Ano B - Tempo Comum - 22º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum- ano B

 

Foram cinco as semanas que a liturgia dedicou ao capítulo 6 do Evangelho de S. João, conhecido como o discurso do pão da vida. O texto do evangelho deste Domingo é a parte final deste discurso. Perante estas palavras, surgiu a reacção das pessoas: umas a favor e outras contra Jesus. “A partir de então, muitos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele”. Todavia, Pedro, em nome dos outros discípulos, responde à pergunta de Jesus, “Também vós quereis ir embora?”, com as seguintes palavras: “Para quem iremos, Senhor? Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus”. Esta profissão de fé de Pedro, em nome dos Doze, tem a mesma convicção da decisão que tomaram os israelitas perante a proposta de Josué, como nos relata a primeira leitura: “Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses!”. Realidades semelhantes aconteceram e acontecem no decorrer da história: algumas pessoas não aceitam a fé, outras acreditam em Cristo, Filho de Deus, com uma adesão incondicional. Quanto à Eucaristia, como já foi reflectido no Domingo passado, há pessoas que a desprezam, e outras que encontram nela o alimento mais importante da fé.

Ao longo destes cinco Domingos dedicados ao discurso do pão da vida, apercebemo-nos que o grande erro de muitos que escutavam Jesus foi pensarem somente num pão material, enquanto Ele falava de um pão que sacia outras fomes e necessidades das pessoas. É isto que acontece hoje: crentes e não crentes falamos linguagens diferentes, e quando a vida se reduz somente à satisfação dos bens materiais é muito difícil acreditar e trabalhar por outros valores que não terminam neste mundo. Hoje encontramo-nos imersos num supermercado de ofertas sobre diversas maneiras de entender a vida e os valores. Pedro, na sua intervenção, dizendo que Jesus tem “palavras de vida eterna”, faz uma proposta que hoje, numa sociedade repleta de palavras vazias de significado e descontextualizadas, é uma ousadia e atrevimento…por isso, muitos não o ouvem! A segunda leitura deste Domingo, da carta de S. Paulo aos Efésios, leva-nos a pensar sobre o matrimónio. Não vamos discutir o aspecto literário e o vocabulário da mesma…será para outros momentos! Mas pensemos somente neste ponto: quantas promessas de matrimónio para toda a vida, diante do altar do Senhor, se desfizeram e diluíram? Há tantas palavras mentirosas, conformistas, enganosas e falsas…

Que conclusão tirar desta reflexão que se prolongou durante cinco Domingos sobre o discurso do pão da vida, contido no capítulo 6 do Evangelho de S. João? É importante e urgente sentir e fazer sentir a Eucaristia como sacramento e celebração, e como identificação com Cristo morto, ressuscitado e vivo no meio de nós, porque esta é a nossa identidade cristã. Participar na Eucaristia é interiorizar e assimilar a maneira de pensar e de agir de Jesus. “Comer a carne e beber o sangue de Cristo” é uma expressão simbólica da união e da fusão com a sua vida. Assim como os alimentos se fazem carne e sangue do nosso corpo, a Eucaristia nutre de Cristo a nossa vida espiritual. A Eucaristia é uma experiência muito íntima e um encontro pessoal, ao mesmo tempo comunitário, com Cristo ressuscitado e presente no meio de nós.

22-08-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Voltemos de novo à Última Ceia. A novidade que ali se verificou, estava na nova profundidade da antiga oração de bênção de Israel, que desde então se torna a palavra da transformação e nos concede a participação na “hora” de Cristo. Jesus não nos deixou a tarefa de repetir a Ceia pascal que, de resto, como aniversário, não é repetível a nosso bel-prazer. Deixou-nos a tarefa de entrar na sua “hora”. Entramos nela mediante a palavra do poder sagrado da consagração uma transformação que se realiza mediante a oração de louvor, que nos coloca em continuidade com Israel e com toda a sua história da salvação, e ao mesmo tempo nos dá a novidade para a qual tendia por sua íntima natureza aquela oração. Esta oração chamada pela igreja “oração eucarística” realiza a Eucaristia. Ela é palavra de poder, que transforma os dons da terra de maneira totalmente nova na doação de si da parte de Deus e envolve-nos neste processo de transformação. Eis por que chamamos a este acontecimento Eucaristia, que é a tradução da palavra hebraica beracha agradecimento, louvor, bênção, e assim transformação a partir do Senhor: presença da sua “hora”.

A hora de Jesus é a hora em que o amor vence. Por outras palavras: foi Deus que venceu, porque Ele é Amor. A hora de Jesus quer tornar-se a nossa hora e tornar-se-á a nossa hora se nós, mediante a celebração da Eucaristia, nos deixarmos envolver por aquele processo de transformações que o Senhor tem por finalidade. A Eucaristia deve tornar-se o centro da nossa vida. (Bento XVI, Homilia da celebração eucarística da XX Jornada Mundial da Juventude, 2005).

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Ano B - Tempo Comum - 21º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum – ano B

 

Este é já o terceiro Domingo a proclamar o capítulo 6 do evangelista S. João, conhecido como o discurso do pão da vida. Nos últimos Domingos escutámos a narração da multiplicação dos pães e dos peixes, apresentada como uma grande lição de partilha, e o próprio Jesus a dizer que é o pão da vida, ou seja, que Ele se oferece como o pão que dá vida. Neste Domingo continuamos o discurso na parte em que os judeus confrontaram Jesus, porque desconfiavam que Ele fosse “o pão que desceu do Céu”. Os judeus murmuravam de Jesus, porque os seus olhos só O viam como filho de José e de Maria. Não podemos esquecer que o evangelho de S. João foi escrito numa altura em que proliferava a literatura gnóstica, segundo a qual a humanidade de Jesus não era real, mas só aparente. Por isso o evangelista procura apresentar Jesus em situações normais na vida de um ser humano, proclamando nesses momentos a sua divindade. O Jesus da fé é o Jesus de Nazaré, humano e sensível, mas também é o Filho de Deus, ou seja, o único que viu Deus e que dá a vida eterna a todos os que Nele acreditam. Ele é o Pão que alimenta o espírito e dá vida ao mundo.

Ao reflectirmos este discurso do pão da vida temos de referir, por um lado, a Eucaristia, mas por outro lado, pensar como aplicar hoje estas palavras à realidade das nossas comunidades e do nosso mundo. É evidente que, a partir deste discurso, o evangelista convida as comunidades cristãs a promoverem a ceia eucarística. Se para o mundo judeu, tal como se ensinava nas sinagogas, a lei era a vida, as comunidades cristãs têm de encontrar a vida na Eucaristia. Isto continua actual para os nossos dias. Hoje, como ontem, as nossas comunidades cristãs, se não querem cair na fraqueza, terão de centrar a sua vitalidade na celebração litúrgica como fonte que alimenta e dá vida, acolhendo, evangelizando, catequizando, partilhando. Só assim será uma comunidade que caminha, alimentada por um pão que dá vida. Tantas pessoas abandonaram a sua comunidade e as celebrações, porque regressavam a casa e à vida com fome, vazios, desconsolados porque não foram acolhidos, incomodados com maus testemunhos que viram, desiludidos com a indiferença reinante e o “apontar do dedo” atrevido! Todavia, também é verdade que algumas comunidades cristãs estão a sofrer a mesma situação de desânimo do profeta Elias, como nos diz a primeira leitura. É importante continuar a ouvir as palavras do anjo: “Levante e come, porque ainda tens um longo caminho a percorrer”. Não precisamos de comunidades acomodadas, satisfeitas somente em cumprir tradições e costumes piedosos, e sem sabor. Precisamos de comunidades cristãs revitalizadas, entusiasmadas, motivadas com o alimento que dá vida e força para continuar a caminhar.

Vivemos numa sociedade que tem aspectos bons e aspectos mais preocupantes. Teremos sempre de ter presente esta pergunta: como devo contribuir para melhorar o pedaço de mundo em que vivo. Por isso, é importante a afirmação de Jesus que termina o texto do evangelho deste Domingo: “o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo”. Assim, se quisermos colaborar para dar um novo sentido à vida da sociedade em que vivemos, teremos de, imitando Jesus Cristo, gastar as nossas forças em tudo o que ajude a construir um mundo mais humano, mais justo e mais fraterno. Todas as celebrações da Eucaristia continuam quando saímos da igreja. O mandato no final de cada celebração é claro: “Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe”, ou seja, continuemos a grande e difícil missão de levar paz, que é vida, aos corações oprimidos e sofredores.

08-08-2021

LEITURA ESPIRITUAL

“O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue” (1 Cor 11, 23), instituiu o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue. As palavras do apóstolo Paulo recordam-nos as circunstâncias dramáticas em que nasceu a Eucaristia. Esta tem indelevelmente inscrito nela o evento da paixão e morte do Senhor. Não é só a sua evocação, mas presença sacramental. É o sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos. Esta verdade está claramente expressa nas palavras com que o povo, no rito latino, responde à proclamação “mistério da fé” feita pelo sacerdote: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte”.

A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação. Esta não fica circunscrita no passado, pois “tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente”.

Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e “realiza-se também a obra da nossa redenção”. Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável. É esta verdade que desejo recordar mais uma vez, colocando-me convosco, meus queridos irmãos e irmãs, em adoração diante deste Mistério: mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao “extremo” (cf. Jo 13, 1), um amor sem medida. (S. João Paulo II, Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, 11.

 

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Ano B - Tempo Comum - 19º Domingo - Boletim Dominical II