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Liturgia do 5ºdomingo da Quaresma- ano B

O texto evangélico deste domingo situa-se no final da vida de Jesus, revelando momentos de tensão, dentro ou nas redondezas do Templo de Jerusalém, especialmente depois da entrada triunfal de Jesus na cidade com as violentas abordagens dos sacerdotes, dos escribas e dos fariseus. Alguns gregos chegavam a Jerusalém para adorar a Deus no templo, como fazia um bom judeu. Todavia, também procuravam Jesus, não só para O ver, satisfazendo a sua curiosidade, mas também para O ouvir, para conversarem com Ele. Já tinham dado conta que, a partir de agora, era em Jesus que se encontravam com Deus; já não era no Templo, mas na proximidade do seu Filho. Às portas da paixão, Jesus revela o que é mais importante na vida. Dias antes de Lhe tirarem a vida na cruz, Jesus diz-nos onde se encontra realmente a vida, aquela que não morre. Numa aparente contradição revela-nos um segredo muito importante: a vida mais importante é a vida entregue aos outros, perdida e gasta aos olhos de muitas pessoas: a vida de uma mãe que se desgasta pelo seu filho, a vida daquele que dedica algum tempo a visitar doentes ou pessoas abandonadas…São todas estas vidas doadas aos outros que são fecundas, que dão fruto.

Uma vida doada é a única que dá luz, fazendo que as trevas da pobreza, da solidão, da injustiça, do racismo, da exclusão social, do egoísmo, da violência, sejam eliminadas pela luz da solidariedade, da liberdade, da igualdade, da justiça, do amor e da paz. Este não é o discurso que está na moda na sociedade de hoje. Os tempos difíceis que atravessamos fazem-nos concluir que o discurso de Jesus continua actual e deve ser ouvido e tido em consideração nos nossos dias. Todos devemos ouvir o discurso de Jesus, nomeadamente aqueles que querem obter lucros excessivos, só pensando em si mesmos e esquecendo o mal que podem fazer aos outros, como o consumo exagerado, o convite a uma vida com excessos, o encerrar de fábricas sem querer saber dos trabalhadores ou dos jovens que desesperadamente procuram o seu primeiro emprego, gerando situações de pobreza e de desespero. Como é que Jesus nos convida a viver? Seguindo as Suas palavras, não procuremos o benefício egoísta, não promovamos o “salve-se quem puder”, mas procuremos ir ao encontro dos outros, servindo os outros, sendo solidários, fomentando a partilha, ou seja, sendo luz nas trevas deste mundo. No decorrer da História, as vidas dos santos confirmam que tudo isto não é utopia, um sonho, mas é possível. Desde aquele que gastou a sua vida pelas crianças que não tinham escola, daquela que gastou a sua vida recolhendo moribundos e leprosos das ruas…muitos santos são modelos de uma vida entregue, doada, de grão de trigo que cai à terra para dar muito fruto.

A primeira leitura deste Domingo diz-nos que Deus colocou no nosso coração a lei que descobrimos em e por Jesus. Basta somente deixarmo-nos guiar por este coração, como Jesus se deixou guiar pelo seu coração, um coração aberto totalmente à vontade do Pai. Neste tempo da Quaresma somos convidados a deixarmo-nos tocar por tantas palavras, por tantos eventos que nos rodeiam, através dos quais Deus fala-nos e lança-nos o convite à mudança, à conversão. Preparemos a celebração da Páscoa com um coração mais generoso, um coração repleto de vontade para dar vida, uma vida plena de frutos de amor.

Elo de Comunhão 21-03-2021

LEITURA ESPIRITUAL

A vossa fé reconhece quem é este grão de trigo que cai à terra e que morre antes de dar muito fruto; Ele habita na vossa alma; nenhum cristão duvida de que Cristo falava de Si mesmo. Escutai-me, grãos de trigo sagrados que aqui vos encontrais, ou melhor, escutai através de mim o primeiro grão de trigo, que nos diz: não ameis a vossa vida neste mundo; não a ameis se verdadeiramente a amais, pois é não a amando que a salvareis. «Quem ama a sua vida, perdê-la-á».

Quem assim fala é o grão lançado à terra, Aquele que morreu para dar muito fruto. Escutai-O, porque Ele faz aquilo que diz. Ele instrui-nos e mostra-nos o caminho com o seu exemplo. Com efeito, Cristo não reivindicou a sua vida neste mundo, mas veio para perdê-la, para entregá-la por nós, e para retomá-la quando quis: «Ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente. Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar» (Jo 10,18).

Mas, se tinha esse poder divino, porque foi que disse: «Agora a minha alma está perturbada»? Como se explica que, detendo tal poder, este homem-Deus Se tenha perturbado, a não ser porque carrega a imagem da nossa fraqueza? Quando afirma: «Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar», Cristo mostra-Se tal como é em Si mesmo. Quando Se mostra perturbado com a aproximação da morte, mostra-Se tal como é em ti. (Santo Agostinho, 354-430, bispo de Hipona, norte de África, doutor da Igreja, Sermão 305, 4.º para a festa de S. Lourenço).

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Liturgia do 4º domingo da Quaresma- ano B

4º DOMINGO DA QUARESMA – ano B

Apesar de estarmos habituados a pensar que a libertação do Egipto foi o momento mais importante da história de Israel, é provável que o exílio na Babilónia tivesse sido um momento ainda mais determinante desta história. Somente depois do exílio, os judeus reflectiram mais sobre a sua história. A maior parte dos textos bíblicos foram escritos e compilados depois do exílio. A primeira leitura deste domingo faz-nos um resumo deste exílio: o rei da Babilónia conquista Israel, destrói o Templo de Jerusalém e leva para o exílio muitos israelitas, sobretudo os chefes religiosos e políticos. Na Babilónia, a identidade do povo de Israel corre perigo e também a sua religião. Passados alguns anos, o rei da Pérsia, depois de ter vencido os babilónios, procede de uma forma muito interessante. Prefere que os povos exilados regressem aos seus países: “Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho, e que Deus esteja com ele”. Aos judeus não lhes é fácil digerir que um estrangeiro, um pagão, Ciro, os salvou do exílio. A reflexão que fizeram deste acontecimento ajudou-os a ter um espírito mais aberto para com os outros povos e culturas. O Deus que salva é um Deus universal, que se vale de qualquer pessoa para salvar, quer seja judeu ou pagão. Os anos que se seguiram a este regresso do exílio não foram fáceis. Apesar de estar em casa, o perigo de Israel se afastar da fé dos seus antepassados esteve sempre presente. Descobriram que o exílio não é somente geográfico. Descobriram que a existência humana é sempre, em certo sentido, uma existência em exílio. Facilmente nos afastamos de casa, daquilo em que acreditamos, das nossas convicções. Os babilónios, os romanos ou os gregos exilaram pessoas, afastaram-nas das suas terras e das suas crenças…mas o não podemos esquecer dos nossos exílios, quando cada um quer propositadamente exilar-se!

A conversa de Jesus com Nicodemos enquadra-se neste contexto. Há uma afirmação fundamental: por mais que vivamos num exilio que ofusca o amor, Deus ama o mundo a tal ponto de nos oferecer o seu próprio Filho. “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna”. Mesmo que andemos longe de Deus, mesmo que tudo à nossa volta esteja longe do Seu amor, Deus continua a amar-nos. E o sinal supremo deste exílio do amor foi a cruz, onde o ódio e as trevas se aliaram para matar um inocente. É neste ambiente que se revela mais claramente o amor cintilante de Deus. Esta mensagem não é antiga. É tão actual como naquele tempo. Também nós vivemos no exílio. Exílio pessoal quando damos conta de que a nossa vida não percorre os caminhos que desejávamos; exílio colectivo, social, quando vemos a nossa sociedade com os seus problemas: a pobreza, a violência, o racismo, a injustiça… Entre todos estes exílios, ou sejam, entre todos estes momentos em que se quer apagar a luz do amor, está sempre presente a seguinte mensagem: a Luz, que é Deus, nunca se apagará, porque Deus ama-nos e ama-nos até ao fim.

Este amor incondicional espera respostas e colaboração. Espera por homens e mulheres que acendam pequenas luzes no meio das trevas reinantes. Estas pequenas luzes são os gestos de amor, por mais pequenos ou por mais heróicos que sejam: um copo de água fresca dado a quem tem sede, um sorriso ofertado a quem está triste, uma mão estendida a quem caiu com o peso das dificuldades da vida. Todos os gestos de amor são provas de que estamos a colaborar com Deus que nos ama tanto. Não acreditamos numa salvação que cai do céu, mas numa salvação que se fez carne, que assumiu a nossa condição humana. Esta salvação revela-se em Jesus e em todos que entregam as suas vidas em proveito dos outros. Que o nosso itinerário da Quaresma seja um caminho de regresso dos nossos exílios, no qual fazemos nascer a luz no meio das trevas.

Elo de Comunhão 14-03-2021

LEITURA ESPIRITUAL

O Senhor Jesus diz: «Que a cruz não vos assuste e não vos faça duvidar das palavras que vos digo.» A serpente erguida por Moisés no deserto era eficaz pelo poder daquele que ordenou que fosse levantada. É assim que o Senhor carrega o destino dos homens e sofre as dores da cruz mas, graças ao poder que tem, torna dignos da vida eterna aqueles que nele acreditam. No tempo de Moisés, a serpente de cobre, sem ter vida, graças ao poder de outrem, livrava da morte aqueles que morreriam com as mordidelas venenosas se não olhassem para ela. Da mesma forma Jesus, apesar da sua aparência mortal e dos seus sofrimentos, dá a vida aos que crêem nele, graças ao poder que tem.

Jesus continua: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna.» Também isso era um sinal do amor de Deus, disse. Como pode Ele dizer: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito»? É evidente que a divindade não pode sofrer. Contudo, devido à união da humanidade de Jesus com a sua divindade, elas formam uma unidade. Por isso, embora só o homem sofra, tudo o que toca a sua humanidade é atribuído também à sua divindade.

Para mostrar a grandeza da Paixão, São Paulo diz: «Se O tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória» (1Cor 2,8). Ao dar esse título a Jesus, quer revelar a grandeza da Paixão; do mesmo modo, para mostrar a riqueza do seu amor através dos sofrimentos que suportou, Nosso Senhor diz: «Deus deu o seu Filho único.» (Teodoro de Mopsuestia, ?-428, bispo, teólogo, Comentário de João; CSCO 115,116).

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Ano B - Tempo da Quaresma - 4º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do 3º domingo da Quaresma- Ano B

 

Nesta caminhada para a Páscoa, as leituras bíblicas deste Domingo falam-nos de uma outra caminhada: aquela que o povo de Israel teve de percorrer para conseguir a liberdade. Os israelitas queriam ficar livres da escravidão dos egípcios, uma escravidão exterior, uma escravidão não desejada, sofrida. Mas na travessia do deserto, uma vez libertados desta escravidão, conduzidos por Moisés, descobrem novas escravidões, mas desta vez são mais interiores e, de alguma maneira, queridas e desejadas. Vivendo a sua liberdade, caem em novas escravidões mais subtis: a escravidão da riqueza, da cobiça e do ódio ao irmão. O decálogo, os dez mandamentos, começam por recordar que Deus os libertou da escravidão do Egipto. Deus faz uma proposta de vida que lhes permite gozar desta liberdade sem cair em outras escravidões. O primeiro mandamento afirma que somente se deve adorar a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas. Nada de divinizar realidades humanas, ou coisas materiais, nem sequer o dinheiro, nem o bem- estar material, nem o poder sobre os outros. Quando endeusamos todas estas realidades convertemo-nos em seus escravos. Como conservamos a nossa liberdade? Respeitando e amando os outros na nossa vida.

É neste contexto que Jesus entra no Templo de Jerusalém e purifica-o. Aquele sítio tinha-se convertido num ídolo, numa “casa de comércio”, deixando de ser um sinal da presença de Deus. Com esta purificação, e com toda a sua vida, Jesus revela que, a partir da sua humanidade, Deus torna-se presente. E isto acontece porquê? Ele viveu numa atitude de serviço, de acolhimento, de proximidade aos débeis, de perdão, de solidariedade, de amor. É somente com esta maneira de viver que Deus se torna presente. As mesquitas, as sinagogas, os templos budistas e as igrejas nunca serão lugares da presença de Deus se não forem lugares onde se ajuda a crescer na humanidade. Quantas vezes estes lugares religiosos foram lugares de ausência de Deus porque lhes faltou humanidade!

O critério de verificação desta presença de Deus não se encontra na beleza, nem no incenso, nem na sumptuosidade, nem nos cânticos bem cantados, nem em palavras muito complicadas e numa linguagem erudita. O critério de verificação encontra-se no facto de que aqueles que se reúnam nesses lugares religiosos cresçam em humanidade com o que lá se diz e se faz. Caso contrário, se Jesus entrasse nesses lugares, voltaria a fazer o que fez no Templo de Jerusalém, aquele Templo do qual os judeus se sentiam tão orgulhosos pela sua grandiosidade, pelas suas colunas, pelo seu ouro.

Neste tempo da Quaresma, deixemos entrar Jesus no nosso coração, na nossa vida, para que também nos purifique, nos limpe, expulse os nossos ídolos, tudo o que nos impede de amar e que nos escraviza, tudo aquilo que nos afasta de Deus, de Jesus, de um Deus que é “escândalo para os judeus e loucura para os gentios”; e que também pode ser um absurdo ou um escândalo para nós quando nos convida a falar menos e a agir mais em favor dos seus preferidos: os pobres, os refugiados, os sem-abrigo, os doentes, os que vivem na solidão e no desespero, os que perderam o trabalho, os que sofrem violência e os que morrem por causa das suas convicções ou crenças. Todos estes são, hoje, a encarnação do Messias crucificado, escândalo para uns e loucura para outros. Ao celebrarmos a Eucaristia, oxalá Jesus encontre em cada um de nós, homens e mulheres, a abertura e a vontade de crescer na humanidade.

Elo de Comunhão 07-03-2021

LEITURA ESPIRITUAL

«Destruí este templo e em três dias Eu o levantarei!». Tanto um como outro, tanto o templo como o corpo de Jesus, são, a meu ver, símbolos da Igreja. O templo será restaurado e o corpo ressuscitará ao terceiro dia. Porque ao terceiro dia surgirá um novo céu e uma nova terra (2Ped 3,13), quando os ossos ressequidos, quer dizer, toda a casa de Israel (Ez 37,11), voltarem a ser revestidos no grande dia do Senhor, e a morte for vencida.

Da mesma maneira que o corpo de Jesus, sujeito à condição humana vulnerável, foi pregado na cruz e sepultado, e depois foi novamente erguido, assim também o corpo total dos fiéis foi «crucificado com Cristo» e agora «já não é ele que vive» (Gal 2,19). Com efeito, tal como Paulo, nenhum dos fiéis se gloria de nada senão da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, que fez de cada um deles um crucificado para o mundo e do mundo um crucificado para ele (Gal 6,14). «Porque nós fomos sepultados com Cristo» diz Paulo; e acrescenta, como se tivesse recebido um penhor de ressurreição: «Ressuscitaremos com Ele» (Rom 6,4-9). Todos nós temos, pois, uma vida nova, mas que ainda não é a ressurreição bem-aventurada e perfeita. Quem é hoje sepultado, um dia ressuscitará. (Orígenes, c. 185-253, presbítero, teólogo, Comentário sobre São João 10,20).

 

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Ano B - Tempo da Quaresma - 3º Domingo - Boletim Dominical II
Ano B - Tempo da Quaresma - 3º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do 2º domingo da Quaresma – ano B

As leituras deste Domingo apresentam-nos alguns amigos de Deus: Abraão, Moisés e Elias; e alguns amigos de Jesus: Pedro, Tiago e João. As relações de amizade, tão presentes em todos os escritos da Bíblia e na vida e no ministério de Jesus, ajudam-nos a abeirar-nos da liturgia deste domingo, que nos apresenta a experiência da Transfiguração, neste ciclo litúrgico, segundo o relato do evangelista Marcos. É um ponto muito importante na nossa caminhada quaresmal. Deus, especialmente em Jesus, revela a sua vontade de ser amigo da humanidade, de todos e de cada um em particular, mesmo daquele a quem nos custa ou não temos vontade de amar. Esta amizade de Deus para com todos e cada um pede que seja correspondida.

Seguindo o caminho da apresentação de alguns dos grandes personagens e momentos marcantes da história da salvação realizada por Deus com Israel (recordemos a aliança de Deus com Noé que foi proclamada no domingo passado), a primeira leitura apresenta-nos a experiência radical de fé de Abraão com a prova do pedido de sacrificar o seu filho Isaac. Esta é uma página bíblica que choca violentamente com a nossa mentalidade contemporânea. Não podemos esquecer o contexto cultural em que se situa esta prática sacrificial e, sobretudo, destacar o seu significado profundo de fé que ultrapassa a contingência dos factos que refere. Não podemos esquecer que Deus revelou a sua amizade a Abraão através do seu chamamento e da sua promessa. Abraão mostra que é amigo de Deus através da confiança que Nele deposita. Mas este texto, apresentado pela liturgia deste domingo, deixa bem claro que esta amizade não está isenta de dificuldades, sofrimento e problemas…A experiência de Abraão confirma que ser amigo de Deus, naquele tempo e hoje, não está isento de dificuldades, de momentos problemáticos, de sofrimento que também existiram na relação de Moisés e de Elias com Deus. Porém, a sua experiência também nos mostra como, apesar das dificuldades, eles fizeram suas as palavras que constituem o refrão do salmo deste domingo: “Caminharei na terra dos vivos, na presença do Senhor”.

A experiência de Pedro, Tiago e João é única e bela. Num alto monte têm a possibilidade de ver o seu amigo Jesus de outra forma a que estavam habituados: contemplam-No em glória (com uma serie de elementos comuns na tradição de Israel: o monte, as vestes resplandecentes e brancas, a nuvem, a voz vinda da nuvem, a mensagem transmitida pela voz), acompanhado por Moisés e Elias, duas figuras que simbolizam a Lei e os Profetas, os dois amigos de Deus. Pela voz que se fez ouvir da nuvem, Jesus é proclamado como o Filho muito amado e todos são convidados a escutá-lo. Este momento termina fazendo referência ao resultado final da Paixão e da Morte de Jesus, ou seja, a sua Ressurreição: “Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhe que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do Homem não ressuscitasse dos mortos”.

Elo de Comunhão 28-02-2021

A experiência destes apóstolos convida-nos a ter um olhar sempre novo e diferente sobre Jesus, a não ficarmos nos clichés (chavões) que, mais ou menos, todos temos assumidos. Convida-nos a ter um olhar sempre aberto para descobrir a novidade que Jesus traz à nossa porta, sobretudo neste tempo da Quaresma. Nas portas da nossa vida, encontramos aquela palavra, aquele gesto, aquele convite, aquela pessoa que, apesar de termos visto e ouvido, até agora não nos tinha dito nada de especial, mas que, através da experiência íntima, pessoal e comunitária, com Deus adquirem um novo sentido e importância e tira-nos da indiferença. O texto do evangelho deste Domingo convida-nos a olhar Jesus de uma forma diferente e nova. Mas também nos convida a olhar os amigos e todos os outros de uma forma diferente e nova, superando os clichés com os quais os fomos rotulando, abertos à novidade que esta relação, que esta amizade pode dar à nossa vida e, quem sabe, à nossa experiência de fé. Com a certeza de que “se Deus está por nós, quem estará contra nós?”, perceberemos que não caminhamos sozinhos; assim, a “descida do monte” será feita sem receios de qualquer fracasso.

 

LEITURA ESPIRITUAL

Jesus queria armar os seus apóstolos com uma grande força de alma e uma constância que lhes permitissem carregar sem temor a sua própria cruz, a despeito da sua dureza. Queria também que eles não corassem com o seu suplício, que não considerassem uma vergonha a paciência com que Ele haveria de suportar uma Paixão tão cruel, sem nada perder da glória do seu poder. Por isso, Jesus «tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os a um monte elevado» e ali lhes mostrou o esplendor da sua glória. Embora tivessem compreendido que a majestade divina estava nele, eles ignoravam ainda o poder contido naquele corpo que encobria a divindade.

O Senhor revela a sua glória na presença das testemunhas que escolhera; e o seu corpo, semelhante a todos os outros corpos, difunde um esplendor tal, «que o seu rosto brilhava como o sol e as suas vestes estavam brancas como a neve». O objectivo desta transfiguração era indubitavelmente retirar do coração dos seus discípulos o escândalo da cruz, não permitir que a humildade da sua Paixão voluntária lhes abalasse a fé; mas esta revelação também fundava na sua Igreja a esperança que haveria de sustentá-la. Deste modo, todos os membros da Igreja, que é o seu Corpo, compreenderiam que um dia esta transformação também haveria de operar-se neles, pois fora prometido aos membros que participariam na honra que resplandeceu na Cabeça. O próprio Senhor dissera ao falar da majestade do seu advento: «Então os justos resplandecerão como o sol no reino de seu Pai» (Mt 13,43). Por seu turno, o apóstolo Paulo afirma: «Tenho como coisa certa que os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a glória que se revelará em nós» (Rm 8,18). E também: «Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com Ele, revestidos de glória» (Cl 3,3-4). (São Leão Magno,?-c. 461, papa, doutor da Igreja, Homilia 51, sobre a Transfiguração; SC 74 bis).

 

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Ano B - Tempo da Quaresma - 2º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do 1ºdomingo da Quaresma – ano B

Antes do relato do evangelho deste Domingo, o autor sagrado narra o baptismo de Jesus Cristo no rio Jordão. Quando saiu da água, o Espírito Santo desceu sobre Ele e uma voz vinda do céu disse: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”. É este Espírito de Deus que “impeliu Jesus para o deserto”. Antes de iniciar a sua vida pública e missão, Jesus passou quarenta dias no deserto. Realmente o deserto existe mesmo perto do rio Jordão, onde João baptizava. Os israelitas fizeram a travessia do deserto em quarenta anos antes de entrar na terra prometida. Mas o deserto é, sobretudo, um lugar simbólico. Muitos homens e mulheres fizeram grandes experiências no deserto. Antoine de Saint-Éxupery, que tinha conhecido bem o deserto do Sara, no seu livro “Carta a um Refém” escreveu que, no deserto, o homem é governado pelo espírito; e também disse: “O deserto não está onde nós pensamos que esteja. O Sara está mais vivo do que uma capital, e a cidade mais ruidosa do mundo está vazia se os polos essenciais da vida se desmagnetizarem”. O deserto é um lugar despido, onde não há distracções e te confrontas directamente contigo próprio e com Deus. Todavia é também um lugar de perigos, onde te podes sentir desprotegido e sem forças.

Estar no deserto foi a experiência de Jesus durante quarenta dias, mas também ao longo de toda a sua vida. No deserto Jesus encontra os aspectos fulcrais que irão orientar a sua missão. Colocando-se face a face com o Pai, descobre a forma de viver a sua filiação. Não será através do poder político, das riquezas e da admiração e do aplauso da opinião pública. No deserto Jesus deixa bem claro que vai ser Filho no serviço, na adoração e no amor sem fronteiras. A Quaresma pode ser um tempo de deserto. Nestes quarenta dias podemos criar o nosso próprio deserto, ou seja, um tempo em que o silêncio ocupe o lugar importante, a sós face a face com Deus. Dedicar uns minutos todos os dias a este exercício interior, deixando de lado tudo o que nos distrai e dispersa, lendo algum texto bíblico, o evangelho do dia, por exemplo, para iluminar a nossa vida, as nossas relações humanas, a nossa vida na sociedade. É importante rever a nossa vida à luz do Evangelho.

Viver o deserto na nossa vida leva a viver com esperança e, como Noé, a descobrir o arco-íris que aparece depois da tempestade: depois dos dias negros, do sofrimento, do desânimo, da dúvida…O arco-íris é sinal de paz, de vida, de luz e de confiança. Quando o vemos surgir no nosso coração sabemos que, apesar de tudo parecer tão escuro e incerto, há sempre uma luz, há e está Deus. A Quaresma é um tempo favorável para rever as nossas relações humanas no casal, na família, no trabalho, na escola, na cidade, vila ou aldeia. Será que vivemos estas relações com um espirito aberto, serviçal, acolhedor, próximo, reconciliador?

Na Vigília Pascal renovaremos as promessas do baptismo. Para que não se resuma a um simples rito e a umas palavras vazias, é preciso desde agora prepararmo-nos através de uma revisão. É aconselhável, de vez em quando, fazer uma revisão (check-up) à nossa saúde como também é importante fazer, ao menos uma vez ao ano, uma revisão interior. Uma revisão que nos possa ajudar a magnetizar os polos que se tenham desmagnetizado, esses mesmos polos que nos irão guiar e orientar. Jesus apoia-nos, ensinando-nos onde está o norte, ou seja, o caminho para o Pai. A Eucaristia é o sacramento da vida de Jesus, uma vida plena do Espírito de Deus, uma vida entregue e partilhada, uma vida na qual podemos encontrar forças para que nas nossas vidas o Espírito de Deus, o Espírito de Jesus, actue para que possamos dar luz e vida aos nossos irmão mais necessitados.

Elo de Comunhão 21-02-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Se, depois o baptismo, fores atacado pelo perseguidor, o tentador da luz, tens material para a vitória. Ele irá certamente atacar-te, já que também atacou o Verbo, o meu Deus, enganado pela aparência humana que lhe escondia a luz incriada. Não tenhas medo do combate. Opõe-lhe a água do baptismo, opõe-lhe o Espírito Santo no qual se extinguem todos os dardos inflamados lançados pelo maligno.

Se ele te mostrar as necessidades que te oprimem – e não deixou de o fazer com Jesus –, se te lembrar que tens fome, não dês a entender que ignoras as suas propostas. Ensina-lhe o que ele não sabe; opõe-lhe a Palavra de vida, esse verdadeiro Pão enviado do céu e que dá a vida ao mundo.

Se ele te estender a armadilha da vaidade – e usou-a contra Cristo, quando O levou ao pináculo do Templo e Lhe disse: «Deita-Te daqui abaixo», para O fazer manifestar a sua divindade –, toma cuidado para não caíres por teres querido elevar-te.

Se te tentar pela ambição, mostrando-te, numa visão instantânea, todos os reinos da terra submetidos ao seu poder, e te exigir que o adores, despreza-o: ele não é mais que um pobre irmão teu. E diz-lhe, confiando no selo divino: «Também eu sou imagem de Deus; ainda não fui, como tu, precipitado do alto da minha glória por causa do meu orgulho! Estou revestido de Cristo; tornei-me outro Cristo pelo meu baptismo; cabe-te a ti adorares-me.» Tenho a certeza que ele se irá embora, vencido e humilhado por estas palavras. Vindas de um homem iluminado por Cristo, serão sentidas por ele como se emanadas de Cristo, a luz suprema. Estes são os benefícios que a água do baptismo traz aos que reconhecem a sua força. (São Gregório de Nazianzo, 330-390, bispo, doutor da Igreja, Sermão XL, 10)

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Ano B - Tempo da Quaresma - 1º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do 6º domingo Comum – ano B

 

LEITURA ESPIRITUAL

São Paulo, falando aos cristãos de Corinto das suas tribulações e sofrimentos, coloca a sua fé em relação com a pregação do Evangelho. De facto, diz que nele se cumpre esta passagem da Escritura: «Acreditei e por isso falei» ( 2 Cor 4, 13). O Apóstolo refere-se a uma frase do Salmo 116, onde o salmista exclama: «Eu tinha confiança, mesmo quando disse: “A minha aflição é muito grande!”» (v. 10). Falar da fé comporta frequentemente falar também de provas dolorosas, mas é precisamente nelas que São Paulo vê o anúncio mais convincente do Evangelho, porque é na fraqueza e no sofrimento que sobressai e se descobre o poder de Deus que supera a nossa fraqueza e o nosso sofrimento. O próprio Apóstolo se encontra numa situação de morte que redunda em vida para os cristãos (cf. 2 Cor 4, 7-12). Na hora da prova, a fé ilumina-nos; e é precisamente no sofrimento e na fraqueza que se torna claro como «não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor» ( 2 Cor 4, 5). O capítulo 11 da Carta aos Hebreus termina com a referência a quantos sofreram pela fé, entre os quais ocupa um lugar particular Moisés que tomou sobre si a humilhação de Cristo (cf. vv. 26.35-38). O cristão sabe que o sofrimento não pode ser eliminado, mas pode adquirir um sentido: pode tornar-se ato de amor, entrega nas mãos de Deus que não nos abandona e, deste modo, ser uma etapa de crescimento na fé e no amor. Contemplando a união de Cristo com o Pai, mesmo no momento de maior sofrimento na cruz (cf. Mc 15, 34), o cristão aprende a participar no olhar próprio de Jesus; até a morte fica iluminada, podendo ser vivida como a última chamada da fé, o último «Sai da tua terra» (cf. Gn 12, 1), o último «Vem!» pronunciado pelo Pai, a quem nos entregamos com a confiança de que Ele nos tornará firmes também na passagem definitiva.

Elo de Comunhão..

A luz da fé não nos faz esquecer os sofrimentos do mundo. Os que sofrem foram mediadores de luz para tantos homens e mulheres de fé; tal foi o leproso para São Francisco de Assis, ou os pobres para a Beata Teresa de Calcutá. Compreenderam o mistério que há neles; aproximando-se deles, certamente não cancelaram todos os seus sofrimentos, nem puderam explicar todo o mal. A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho. Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar connosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para nela vermos a luz. Cristo é aquele que, tendo suportado a dor, Se tornou «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2). (Francisco, Encíclica Lumen Fidei, 56)

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Ano B - Tempo Comum - 6º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do 5ºDomingo Comum-Ano B

LEITURA ESPIRITUAL

Que condescendência a de Deus, que nos procura, que dignidade a do homem, que é assim procurado! «Que é o homem, Senhor, para que Te lembres dele, o filho do homem para que dele Te recordes?» (Job 7,17). Gostava muito de saber porque foi que Deus quis vir até nós, porque não fomos nós a ir a Ele. Porque é o nosso interesse que está em causa. Não é habitual os ricos irem à casa dos pobres, mesmo quando têm a intenção de lhes fazer bem. Era a nós que convinha ir ter com Jesus. Mas um duplo obstáculo nos impedia: os nossos olhos estavam cegos e Ele vive numa luz inacessível; nós jazíamos paralisados nos nossos catres, incapazes de alcançar a grandeza de Deus. Foi por isso que o nosso bom Salvador e médico das nossas almas desceu das alturas e moderou para os nossos olhos doentes o brilho da sua glória. Ele revestiu-Se, como que de uma lanterna, desse corpo luminoso e puro de toda a mancha que assumiu. (São Bernardo,1091-1153, monge cisterciense, doutor da Igreja, 1.º Sermão para o Advento).

Elo de Comunhão..

 

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Ano B - Tempo Comum - 5º Domingo - Boletim Dominical II

Leitura Espiritual do 4ºDomingo Comum- Ano B

 

LEITURA ESPIRITUAL

O Mal não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O «Diabo» («dia-bolos») é aquele que «se atravessa» no desígnio de Deus e na sua «obra de salvação» realizada em Cristo.

«Assassino desde o princípio, mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), «Satanás, que seduz o universo inteiro» (Ap 12, 9), foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo, e é pela sua derrota definitiva que toda a criação será «liberta do pecado e da morte» (144). «Sabemos que ninguém que nasceu de Deus peca, porque o preserva Aquele que foi gerado por Deus, e o Maligno, assim, não o atinge. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sujeito ao Maligno» (1 Jo 5, 18-19):

«O Senhor, que tirou o vosso pecado e perdoou as vossas faltas, tem poder para vos proteger e guardar contra as insídias do Diabo que vos combate, para que não vos surpreenda o inimigo que tem o hábito de engendrar a culpa. Mas quem a Deus se entrega não tem medo do Diabo. Porque “se Deus está por nós, quem contra nós?” (Rm 8, 31)».

A vitória sobre o «príncipe deste mundo» foi alcançada, duma vez para sempre, na «Hora» em que Jesus livremente Se entregou à morte para nos dar a sua vida. Foi o julgamento deste mundo, e o príncipe deste mundo foi «lançado fora». «Pôs-se a perseguir a Mulher» (Ap 12, 13), mas não logrou alcançá-la: a nova Eva, «cheia da graça» do Espírito Santo, foi preservada do pecado e da corrupção da morte (Imaculada Conceição e Assunção da santíssima Mãe de Deus, Maria, sempre Virgem). Então, «furioso contra a Mulher, foi fazer guerra contra o resto da sua descendência» (Ap 12, 17). Eis porque o Espírito e a Igreja rogam: «Vem, Senhor Jesus!» (Ap 22, 17.20), já que a sua vinda nos libertará do Maligno.

Elo de Comunhão.

Ao pedirmos para sermos libertados do Maligno, pedimos igualmente para sermos livres de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador. Nesta última petição, a Igreja leva à presença do Pai toda a desolação do mundo. Com a libertação dos males que pesam sobre a humanidade, a Igreja implora o dom precioso da paz e a graça da espera perseverante do regresso de Cristo. Orando assim, antecipa na humildade da fé a recapitulação de todos e de tudo, n’Aquele que «tem as chaves da morte e da morada dos mortos» (Ap 1, 18), «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Todo-Poderoso» (Ap 1, 8):

«Livrai-nos de todo o mal, Senhor, e dai ao mundo a paz em nossos dias, para que, ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e de toda a perturbação, enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador». (Catecismo da Igreja Católica, 2851-2854).

Ano B - Tempo Comum - 4º Domingo - Boletim Dominical II

 

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Liturgia do 3ªDomingo Comum- Ano B

 

LEITURA ESPIRITUAL

«Disse-lhes Jesus: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens”». Feliz mutação da pesca: Simão e André são a pesca de Jesus. Estes homens são comparados a peixes, pescados por Cristo, antes de irem eles próprios pescar outros homens. «Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus.» Uma fé verdadeira não conhece demora; quando O ouviram, acreditaram, seguiram-no e tornaram-se pescadores: «deixaram logo as redes». E, com estas redes, foram todos os vícios da vida deste mundo que eles deixaram.

«Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.» Dir-me-eis: a fé é audaciosa; que indício tinham eles, que sinal sublime tinham observado, para O seguirem, assim que Ele os chamou? É evidente que alguma coisa de divino emanava do olhar de Jesus, da expressão do seu rosto, que incitava os que O olhavam a aderirem a Ele. Porque digo eu tudo isto? Para vos mostrar que a palavra do Senhor agia, e que, através da menor das suas palavras, Ele realizava a sua obra: «ordenou e logo foram criados» (Sl 148,5). Com a mesma simplicidade, chamou, e eles seguiram- no. «Ouve, filha, vê e presta atenção; esquece o teu povo e a casa do teu pai; porque o rei se deixou prender da tua beleza» (Sl 44,11-12).

Elo de Comunhão

Presta atenção, irmão, e segue as pegadas dos apóstolos; escuta a voz do Salvador, ignora o teu pai pela carne, e vê o verdadeiro Pai da tua alma e do teu espírito. Os apóstolos deixam o pai, deixam o barco, deixam todas as suas riquezas; abandonam o mundo e as suas inumeráveis riquezas; renunciam a tudo o que possuem. Mas não é a quantidade das riquezas que Deus considera, é a alma daquele que a elas renuncia. Também os que deixaram poucas coisas renunciaram verdadeiramente a uma grande fortuna. (São Jerónimo, 347-420, presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja, Homilias sobre o Evangelho de S. Marcos)

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Ano B - Tempo Comum - 3º Domingo - Boletim Dominical II

Liturgia do 2ºDomingo Comum- Ano B

 

“Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”. É o refrão que repetimos no salmo responsorial e que nos recorda a resposta de Samuel ao Senhor: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta”. A primeira leitura narra-nos a vocação de Samuel, um dos personagens mais emblemáticos do Antigo Testamento: quando era ainda criança e vivia no Templo onde tinha sido entregue e consagrado ao Senhor pela sua mãe, ouve um chamamento que não sabe identificar, mas que é constante e que se vai repetindo. Heli ajuda-o a descobrir pouco a pouco que essa voz é o Senhor. Neste domingo recordemos e agradeçamos a dedicação de tantas pessoas que, um dia, nos ajudaram a abrir o nosso coração a Jesus.

No texto do evangelho encontramos também um bom guia que sabe orientar os outros para Deus: João Baptista. Dá testemunho de Jesus, com a finalidade de levar as pessoas a acreditar Nele. João apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus. “Dois dos seus discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus”, não só pelo que ouviram, mas também pelo que viveram. “Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia”. Ficaram impressionados com este encontro, provocado pelo convite de Jesus: “Vinde ver”, que lhe mudou a vida. Quando se dirigiram a Jesus, estes dois discípulos saudaram-no como mestre (“Rabi”), mas bem depressa, devido à convivência com Ele, descobriram que é o Messias. Messias é uma palavra de origem hebraica que significa “ungido”; referia-se especialmente ao salvador que Israel esperava ser enviado por Deus para o libertar. A palavra Cristo, que vem da tradução grega de Messias, tem o mesmo significado.

De Eli e de João Baptista, aprendemos o modelo para acompanhar alguém no discernimento na fé: saber desaparecer para que o Outro apareça com mais destaque. Eles não são os protagonistas, e o seu “ocultar-se” faz com que hoje os tenhamos como exemplo do chamamento de Samuel, de André e de Simão. A este último, Jesus muda-lhe o nome para Pedro (pedra, rocha), porque terá um papel fundamental na história a partir deste encontro.

Na segunda leitura, S. Paulo recorda-nos a importância do corpo: é fundamental na relação e comunicação pessoal. Aquilo que Deus espera de nós concretiza-se muitas vezes através do corpo. É com os nossos braços, ouvidos, olhos…que o Senhor actua no mundo. “O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor…glorificai a Deus no vosso corpo”. Não se pode dizer, como alguns pensavam em Corinto, que o que se faz com o corpo não afecta o Espírito. O corpo é templo do Espírito Santo.

Por isso pedimos ao Senhor que a Eucaristia que celebramos revele o que queremos viver. Que saibamos escutar e responder a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças.

Elo de comunhão 17-01-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Levando Pedro consigo, André conduziu ao Senhor o seu irmão segundo a natureza e o sangue, para que se tornasse discípulo como ele; é a primeira obra de André. Ele fez crescer o número dos discípulos: juntou-lhe Pedro, em quem Cristo encontraria o chefe dos seus discípulos. Isto é de tal maneira verdade que quando, mais tarde, Pedro tiver uma conduta admirável, ele o deverá ao que André tinha semeado. O louvor dirigido a um recai igualmente sobre o outro, pois os bens de um pertencem ao outro e um glorifica-se com os méritos do outro.

Que alegria Pedro trouxe a todos quando respondeu de imediato à pergunta do Senhor, quebrando o silêncio embaraçado dos discípulos! Só Pedro pronunciou estas palavras: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt 16,16). Falando em nome de todos, numa frase, proclamou o Salvador e o seu desígnio de salvação. Como esta proclamação se conjuga bem com a de André! As palavras que André tinha dito a Pedro, quando o conduzira a Cristo – «Encontramos o Messias» – confirma-as o Pai celeste, ao inspirá-las a Pedro (Mt 16,17): «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.» (Basílio de Selêucia, ?-c. 468), bispo, Sermão em louvor de Santo André, 4; PG 28, 1105)

 

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Ano B - Tempo Comum - 2º Domingo - Boletim Dominical II