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Fornos de Algodres- Triplicaram os produtores de queijo com certificação DOP Serra da Estrela

Tem- se assistido a um aumento gradual da qualidade do Queijo Serra da Estrela em Fornos de Algodres, dado que, em dezembro de 2018 ,tinha dois produtores com certificação Serra da Estrela DOP.

Depois da aposta por parte do Município na criação da plataforma “O Bom Sabor da Serra” que pode ser visitada, através de um simples clique, em www.obomsabordaserra.pt., em março de 2019, começou a aumentar o numero de produtores que queriam certificar o seu produto.

O principal objetivo deste mecanismo foi ter uma loja online intuitiva, que conseguisse impulsionar os melhores sabores de Fornos de Algodres em Portugal e, ao mesmo tempo, valorizar a Região e o trabalho dos nossos produtores. 

Com esta alavanca, na época produtiva 2019/2020, no Município de Fornos de Algodres verificou-se um aumento de 250% de produtores de queijo a certificarem o seu produto, como Queijo DOP Serra da Estrela. 

Das 15 queijarias licenciadas à data existentes no Município de Fornos de Algodres, 5 já aderiram ao processo de certificação de queijo DOP Serra da Estrela. Todo o processo de certificação do Queijo Serra da Estrela foi suportado pela Câmara Municipal de Fornos de Algodres. 

Na área geográfica de produção de Queijo Serra da Estrela, que engloba 18 concelhos, e de acordo com os dados da ESTRELACOOP – Cooperativa dos Produtores de Queijo Serra da Estrelao Município de Fornos de Algodres é o único Município que aumentou os produtores certificados (DOP) nos últimos anos, estando em contraciclo com os restantes Municípios. 

Nas  queijarias tradicionais a qualidade e a genuinidade são uma constante, no entanto para quem está longe e não pode visitar e comprovar localmente estas características, adquirir o queijo com certificação DOP Serra da Estrela e garantir a verdadeira qualidade nunca foi tão fácil: basta visitar a plataforma www.obomsabordaserra.pt. 

 

Estrelacoop sugere que comprar Queijo Serra da Estrela é importante

Segundo avança a Estrelacoop que:”Estamos em plena Época do Alavão, período em que se produzem os melhores queijos nacionais, mas há um que se destaque pelas suas características intrínsecas – o Queijo Serra da Estrela com Denominação de Origem Protegida (DOP). Num ano normal, por esta altura tanto pastores, como os produtores e queijarias, não tinham mãos a medir com as múltiplas feiras e eventos espalhados pelo país que garantiam vendas significativas. Mas com a atual crise pandémica, a grande maioria dos pastores, dos produtores de leite e queijo da Serra da Estrela estão a braços com uma crise sem precedentes. Há excesso de produto e matéria-prima resultante do decréscimo de escoamento nos canais de vendas e divulgação. As preocupações face ao futuro próximo são muitas, mas o presente não pode ficar refém da incerteza. Face à redução drástica das vendas das Queijarias nossas associadas, registamos uma quebra superior a 60% e estamos a entrar numa fase crítica da nossa atividade. Caso não seja efetuada uma inflexão agora, durante o mês de dezembro com as vendas do Natal, no limite, todo o circuito associado à produção do Queijo Serra da Estrela DOP pode ser posto em causa”, alerta a Direção da Cooperativa dos Produtores de Queijo da Serra da Estrela (ESTRELACOOP).

 Neste momento temos 27 queijarias DOP e 125 pastores com rebanhos Serra da Estrela, totalmente dependentes desta atividade, com uma dedicação ímpar na proteção de um produto de denominação de origem protegida, com existência há mais de 1.000 anos e que, teimosamente, mantêm a produção de leite e Queijo DOP, com um sentimento de responsabilidade para fazer perdurar uma herança coletiva que é pertença de todo o povo português”, sustenta a direção da Associação.

A qualidade do Queijo Serra da Estrela DOP começa na qualidade das pastagens e passa pelo material genético da raça de ovinos a partir da qual se produz este Queijo único – as ovelhas da raça Serra da Estrela ou Churra Mondegueira. Não se pode produzir este Queijo DOP sem estes ingredientes basilares – leite cru de ovelha serra da estrela, sal e flor de cardo, produzido até 24 horas após a ordenha, um leite puro. Depois há todo um método de produção artesanal que obedece a todas as regras de rastreamento, monitorização da qualidade e segurança que tornam este produto ímpar. Na produção de leite para queijo DOP é privilegiado o pastoreio dos animais ao ar livre e na vegetação natural da região demarcada, sendo que a mesma confere características mais ricas e distintivas ao leite e, consequentemente, ao queijo que é produzido. O acompanhamento do pastor junto do rebanho também exige uma carga laboral superior ao método de produção intensivo: estima-se que o pastoreio em terreno livre de um rebanho com até 200 ovelhas exige uma carga horária de horas de trabalho diário, o equivalente a um trabalhador a tempo inteiro. Não há folgas, feriados nem férias.

Este é o momento para, mais do que nunca, dignificar todos aqueles que, diariamente saem ainda de madrugada para o início de um dia longo, sejam nos pastos verdes da Serra da Estrela com os seus rebanhos, seja na Queijaria a tratar de cada um dos queijos com as suas mãos dedicadas”, revela a Direção da Estrelacoop. “Os consumidores têm aqui um papel crucial na compra e, consequentemente, na valorização do que é verdadeiro e endógeno de toda uma região – o Queijo Serra da Estrela com selo DOP. Ao compramos este queijo temos a certeza que esta cadeia de valor composta por pastores, queijeiras/os credenciados e produtores, não se perde e que a qualidade, essa, prevalece. Comprar o que é nosso – o que é tradicional, original, único, saudável para não perdermos a nossa identidade. Sensibilizamos por isso todos os portugueses que não se esqueçam destas gentes e que o Queijo Serra da Estrela DOP seja umas das Estrelas da sua mesa de Natal.

Queijarias e produtores lutam para evitar situação crítica e de grande fragilidade 

FILEIRA DO QUEIJO COM DOP DA REGIÃO CENTRO É DAS MAIS AFETADAS COM A PANDEMIA 

“Se nada for feito, vamos ter uma profunda crise no setor dos Queijos na Região Centro”, é assim que a Inovcluster, Associação do Cluster Agro-Industrial do Centro traça o futuro próximo da fileira dos Queijos com DOP da Região Centro. Como se não bastassem os incêndios de 2017 e os períodos de seca por que a Região ciclicamente passa, esta crise de saúde pública provocada pela COVID-19 está a colocar em sério risco uma cadeia de valor que tem vindo a ser testada de ano para ano.

As vendas de Queijos estão a decrescer colocando os agentes numa situação catastrófica. Também as dificuldades no escoamento do produto levaram à sobrelotação das queijarias no que se refere à capacidade de armazenamento do queijo e muitos constrangimentos na continuidade de fornecimento de leite para o fabrico de queijo. As queijarias deixaram de poder manter a compra leite deixando os produtores numa situação de grande fragilidade.

“Temos de facto muita oferta de um produto de qualidade como é o caso dos Queijos da Beira Baixa DOP. São diferentes porque têm um nome e uma tradição de bem-fazer associada a esta região da Beira Baixa. A procura é que está muito fraca”, releva Joaquim Dias da Associação de Produtores de Queijos do distrito de Castelo Branco (APQDCB). “Temos de continuar a trabalhar na valorização do Queijo Beira Baixa com DOP (queijo de Castelo Branco, Amarelo da Beira Baixa e Picante da Beira Baixa). As vendas estão a diminuir de uma forma acentuada o que está a gerar um problema grave de escoamento do queijo”, sustenta o técnico da APQDCB.

No caso do Queijo com DOP Serra da Estrela a situação é mais grave. “Estamos com uma quebra superior de 50% no número de vendas de Queijo face ao período homólogo, isto é dramático para não dizer insustentável, quando falamos da produção de um queijo com as qualidades intrínsecas e produção diferenciadora como é o caso do Queijo com DOP Serra da Estrela”, sustenta Célia Henriques, técnica da Cooperativa dos Produtores de Queijo Serra da Estrela (ESTRELACOOP). “Estamos a entrar numa fase crítica da nossa atividade que, caso não acontecer uma inflexão durante o mês de dezembro com as vendas do Natal, no limite, pode estar em risco todo o circuito associado à produção do Queijo Serra da Estrela DOP!”, desabafa.

Diana Ventura, técnica da AproRabaçal, a Associação de Produtores Rabaçal, traça um cenário igualmente negro para os produtores do famoso Queijo com DOP Rabaçal. “Estamos com quebras de comercialização na ordem dos 80%. Enquanto os consumidores não perceberem que temos de proteger o que é nosso e comprar Queijo com DOP, os produtores e distribuidores de Queijo com DOP da Região Centro vão andar em permanente insegurança. Ao comprarmos produtos certificados estamos a proteger os territórios, a matéria-prima e produtos certificados genuinamente nossos e que obedecem a toda uma cadeia de valorização, tradição, segurança e qualidade”, sustenta. Diana Ventura apela aos consumidores para olharem bem para o Queijo que compram “em especial nas grandes superfícies comerciais”, acentua. “Verifiquem se os Queijos têm certificação e selo da DOP, esta simples ação é já um passo gigante para a valorização e sustentação dos Queijos com DOP a Região Centro”, concretiza a técnica desta Associação.

VALORIZAÇÃO E MODERNIZAÇÃO DA FILEIRA DOS QUEIJOS COM DOP DA REGIÃO CENTRO 

Ainda assim, não obstante a queda acentuada do número de vendas dos Queijos com DOP da Região Centro, há um esforço concertado de dar a volta a uma situação particularmente desafiante. “Estamos na linha da frente e no terreno para ajudar a reerguer toda uma fileira de agentes económicos locais do Queijo com DOP da Região Centro – desde os pastores, produtores de leite, queijeiros/as, distribuidores e fornecedores – na realização de uma verdadeira restruturação e modernização do setor para que possamos, todos, fazer frente aos efeitos devastadores desta crise pandémica”, concretiza Cláudia Soares, Presidente da Inovcluster, Associação do Cluster Agroindustrial do Centro com sede nas instalações do Centro de Apoio Tecnológico Agroalimentar em Castelo Branco. Os desafios são muitos, mas fruto do Projeto da Valorização dos Queijos com DOP da Região Centro há todo um trabalho de campo que já está a ser feito “por forma a reduzir ao máximo o impacto sentido devido às restrições geradas pela pandemia, isto para que os seus efeitos negativos sejam minimizados quer a montante (na produção de leite), quer a jusante (na produção e comercialização de queijos)”, sustenta.

Esta é uma estratégia de rejuvenescimento, valorização e competitividade da fileira dos Queijos com DOP do Centro, que visa encontrar novas soluções para o sector da produção de leite no que se refere ao escoamento da matéria-prima e, consequentemente, dos Queijos em situações extremas; Capacitar as queijarias para novas formas de armazenamento e conservação do queijo; Apostar na sensibilização do consumidor para o consumo de queijo com DOP; Apostar na comercialização do queijo com DOP em novos formatos de modo a que seja mais facilmente colocado no mercado e se torne mais acessível ao consumidor; Apostar em novos meios de comercialização do queijo com DOP, com recurso a plataformas digitais; Associar os queijos com DOP a um setor de inegável potencial na Região Centro – o Turismo (gastronómico e cultural).

Apesar das restrições vividas no atual contexto pandémico, o Programa de Valorização da Fileira do Queijo da Região Centro, cofinanciado pelo Centro 20202, Portugal 2020, União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, tem primado por manter o bom desenvolvimento das suas atividades, para dinamizar a própria Fileira. São exemplos o Concurso de atribuição de prémios monetários para incentivo à produção de leite com qualidade, instalação na atividade e fornecimento de queijarias produtoras de queijo com DOP (Vale Pastor – 5000 euros e Vale Pastor+ – 2500 euros); a Escola de Pastores e Queijeiros; a criação de Banco de Terras para uso exclusivo em atividades ligadas à fileira do queijo, já com os primeiros terrenos atribuídos na Região DOP Serra da Estrela; Criação de uma marca conjunta agregadora dos queijos das 3 regiões DOP.

“Este é um projeto disruptivo, que com inovação se adaptou devidamente a uma fase crítica de pandemia. Deixa escrita uma história, mas que se posiciona e olha para o futuro como um exemplo a seguir para alavancar outros projetos que lhe deem continuidade”, frisa Cláudia Soares da Inovcluster.