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Liturgia do II Domingo do Tempo Comum – ano C

“Por amor de Sião não me calarei”.

Esta é a primeira frase da primeira leitura deste Domingo, do profeta Isaías. Por amor do seu povo, Deus não se quer calar. Não quer ficar em silêncio e afastado da condição humana. Não repousará, “enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente”. É desta forma que o profeta Isaías faz referência a Deus. O texto do evangelho narra-nos o primeiro milagre de Jesus, transformando a água em vinho num casamento em Caná da Galileia. Neste domingo, as leituras bíblicas apresentam Deus zeloso com o seu povo. O texto evangélico, que a Igreja nos propõe para este domingo, é a carta de apresentação de Jesus, segundo o evangelista João. Antes de entrar no texto, e para nos situarmos, devemos recordar e compreender que no capítulo primeiro deste evangelho encontramos um precioso prólogo teológico que fala do mistério da encarnação, mistério que celebramos recentemente durante o tempo do Natal. No texto deste domingo, não é a primeira vez que encontramos Jesus neste evangelho; no final do primeiro capítulo é apresentado por João Batista como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e dois dos seus discípulos deixaram-no para seguir Jesus. A narrativa do texto leva-nos, no capítulo segundo, a Caná da Galileia, onde, pela primeira vez, Jesus realizou um milagre. Assim, uma vez apresentado Jesus, começamos a conhecê-Lo através do seu primeiro milagre, manifestação da acção salvífica de Deus. Não é fácil perceber o diálogo entre Maria e o seu Filho. Parece que o evangelista quer enquadrar o milagre num contexto misterioso. Nesta conversação, a mãe de Jesus revela-se como uma mulher atenta, porque, segundo o relato, foi ela que deu conta que o vinho tinha acabado. Não é difícil pressentir aqui a atenção que Maria tem por cada um de nós. Não nos podemos esquecer que estamos no evangelho onde Jesus entrega a sua mãe ao discípulo amado. A partir daquele momento, Ela cuidará dele como se fosse seu filho, e a sua preocupação nas bodas de Caná não deixa de ser uma prefiguração deste aspecto. Porém, a resposta de Jesus surpreende-nos pela sua dureza com a sua mãe. Mas temos de entender esta atitude. Ele não veio para satisfazer as necessidades pontuais de um casamento. Apesar da resposta dada à sua mãe, que num primeiro momento dá a entender que não tem intenção de fazer nada, dispõe-se a intervir e, desta maneira, anuncia, num pormenor normal do quotidiano, como Deus é capaz de agir em favor dos homens e das mulheres. Neste relato, a Igreja sempre viu o papel intercessor de Maria e que o Senhor transformará a nossa vida se formos obedientes às suas recomendações. É Maria que diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Fascina o leitor a sobriedade com que o evangelista descreve o milagre: “o chefe da mesa provou a água transformada em vinho”. Ninguém fica surpreendido, nem maravilhado. Somente o chefe de mesa expressa admiração pela qualidade do vinho, mas desconhece o que tinha acontecido. Então, o que nos quer dizer este milagre? Na tradição bíblica, o vinho é sinal de aliança. Todos sabemos o que aconteceu na Última Ceia. Será que para o evangelista existe uma ligação entre este vinho, o melhor do casamento, e o vinho que se converterá no sangue de Cristo na Última Ceia? O chefe de mesa afirma que o noivo guardou o melhor vinho para o final da boda. Jesus voltará a fazer o mesmo: guardará o melhor vinho, o seu próprio sangue, o único capaz de redimir o mundo. “Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele”. Até àquele momento os discípulos seguiram Jesus por recomendação de João Baptista, mas, a partir daquele momento, seguirão Jesus porque acreditaram n’Ele. Nós já conhecemos Jesus a partir da perspectiva da ressurreição. Por isso, a sua glória é-nos manifestada na Eucaristia que celebramos, onde comungamos o melhor vinho da nossa vida, o sangue de Jesus.

16-01-2022

LEITURA ESPIRITUAL

A água transformada em vinho

O milagre pelo qual Nosso Senhor Jesus Cristo transformou a água em vinho não surpreende os que sabem que Deus é o seu autor. Efectivamente, aquele que, nas bodas de Caná, produziu vinho naquelas seis talhas é o mesmo que, todos os anos, renova essa transformação nas nossas vinhas. Pois assim como o que os servos deitaram nas talhas foi transformado em vinho por obra do Senhor, do mesmo modo, a chuva que cai das nuvens é transformada em vinho por obra do Senhor. Não nos admiramos com esse fato, por ele acontecer todos os anos: o costume anula em nós o assombro. E no entanto, esse fato é mais digno de espanto do que aquilo que aconteceu nas talhas cheias de água. Com efeito, quem se detém a considerar a acção de Deus, que conduz e governa o mundo inteiro, enche-se de assombro com tantos milagres. Basta-nos considerar o poder que se encerra numa semente, para descobrirmos nela uma imensa realidade, capaz de maravilhar o observador. Mas os homens, alheados noutras coisas, tornaram-se insensíveis ao espectáculo das obras de Deus, que de outra maneira os faria louvar diariamente o Criador. Por isso, Deus achou por bem realizar certos prodígios invulgares, a fim de despertar os homens da sua letargia e os levar a louvá-lO. (Santo Agostinho, 354-430, bispo de Hipona, norte de África, doutor da Igreja, Sermões sobre São João, n° 8, 1).

 

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Liturgia do Batismo do Senhor Ano C

Tempo de NATAL – ano C

BATISMO DO SENHOR (ANO C)

Neste Domingo encerramos as festas litúrgicas natalícias, celebrando o baptismo que Jesus recebeu no rio Jordão, antes de iniciar a etapa pública da sua vida. Foi uma manifestação de Deus, dando-nos a conhecer que Jesus é o Filho de Deus, o ungido do Espírito de Deus, Aquele que anuncia a Boa Nova aos pobres. Em certa ocasião, numa reunião com os pais que pediam o baptismo para o seu filho ou sua filha, foi feita a seguinte pergunta: “Quando o vosso filho for grande, como gostariam que ele fosse?”. Várias respostas surgiram: “boa pessoa”, “feliz”, “responsável”, “com êxito na vida”, “com valores”, “que ame e se sinta amado”, “que seja generoso”, e outras. De entre todas as respostas, alguém disse: “já que pedimos o baptismo para os nossos filhos, que eles possam conhecer, amar e seguir os ensinamentos de Jesus”. E a reunião prosseguiu, abordando a vida como um dom, falando dos sinais do amor de Deus, dos sinais e momentos da celebração e do compromisso dos pais para com os seus filhos. A beleza do baptismo de algumas crianças e a festa do Baptismo de Jesus faz-nos recordar o nosso baptismo e encaminhar a nossa vida, segundo a condição de filhos e filhas de Deus, porque o Espírito de Deus habita em nós. O evangelho apresenta-nos o Baptismo de Jesus como um momento determinante que assinala a passagem da sua vida oculta em Nazaré para uma vida totalmente entregue ao serviço da Boa Nova da salvação. As pessoas eram baptizadas por João no rio Jordão e Jesus também foi: “quando todo o povo recebeu o baptismo, Jesus também foi baptizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do céu fez-se ouvir uma voz: Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência”. É evidente que o baptismo de água que as pessoas recebiam das mãos de João no Jordão é diferente do baptismo do Espírito Santo que recebe Jesus. “Eu baptizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu…Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo”. Trata-se de um baptismo que supõe uma missão, já anunciada pelo profeta Isaías e que se cumprirá em Jesus: “não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra”, com um estilo peculiar: “não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega”. Na casa de Cornélio, quando alguns pagãos receberam o Espírito Santo, falando de Jesus, Pedro disse: “Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele”. O baptismo cristão não é o baptismo de João, que era somente um sinal externo de um desejo de purificação. O baptismo de Jesus é um sinal do dom do Espírito Santo que faz nascer uma vida nova. A água e o fogo, que purificam do mal, do pecado e do egoísmo, fazem nascer uma vida nova, renovada, transformada para viver o amor a Deus e ao próximo. Este Domingo é propício para renovar a consciência do que significa sermos membros de um povo de baptizados no Espírito, da família dos filhos de Deus que tem a missão de anunciar a Boa Nova de Jesus. Sintamo-nos casa do Espírito de Deus, filhos amados do Pai, enviados ao mundo, com humildade e convicção, para fazer o bem e transmitir a luz, o amor, a liberdade, a paz e a bondade de Deus, o único capaz de transformar os corações. Que todos os baptizados em Cristo vivam o dom que receberam no dia do seu baptismo. Que todos os baptizados se deixem conduzir pelo espírito de Amor, de comunhão, de respeito pelas diferenças, de liberdade, de compromisso pela verdade, pela paz e pela justiça.

 

LEITURA ESPIRITUAL

Do baptismo de Cristo ao nosso baptismo Que grande mistério foi o baptismo de nosso Senhor e Salvador! O Pai faz-Se ouvir do alto do céu, o Filho foi visto na Terra, o Espírito Santo mostrou-Se na forma de uma pomba. Com efeito, não há verdadeiro baptismo nem verdadeira remissão dos pecados onde não houver a verdade da Trindade. O baptismo que a Igreja dá é único e verdadeiro; só se faz, portanto, uma vez, e ao sermos nele mergulhados uma só vez ficamos purificados e renovados. Purificados, porque deixamos a mancha dos pecados; renovados, porque ressuscitamos para uma vida nova depois de nos termos despido da vida velha do pecado. Portanto os céus abriram-se no baptismo do Senhor, a fim de que, pelo banho do novo nascimento, descobríssemos que o reino dos Céus está aberto aos crentes, segundo esta palavra do Senhor: «Ninguém, a menos que nasça da água e do Espírito, poderá entrar no Reino de Deus» (Jo 3,5). Entra, pois, aquele que renasce e que não negligencia a preservação do seu baptismo. Uma vez que Nosso Senhor veio trazer o novo baptismo para a salvação do género humano e a remissão de todos os pecados, Ele próprio quis ser o primeiro baptizado, não para se despojar do pecado, pois não cometera pecado, mas para santificar as águas do baptismo com o fim de destruir os pecados de todos os crentes renascidos pelo baptismo. (São Cromácio de Aquileia,?-407, bispo, Sermões sobre a Epifania, 34; CCL 9A, 156-157).

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09-01-2022

Avisos e Liturgia do Tempo de NATAL – ano C

SANTA MARIA, MÃE DE DEUS (1 de Janeiro)

Na solenidade deste dia convergem três aspetos cheios de sentido e de conteúdo. Com o ano novo tomamos mais consciência de que o tempo passa para todos. Com Santa Maria, recordamos aquela que trouxe Jesus no seu seio, com toda a sua humanidade e divindade sublime, como Filho de Deus. Neste primeiro dia do ano, há um desejo universal de paz, a qual corresponde aos homens e mulheres promover em todo o mundo. A passagem de um ano para outro faz-nos tomar consciência da fluidez do tempo, ou melhor, do correr da nossa vida e da história. Vivemos num determinado tempo, em convívio com quem nos rodeia. É um tempo único e irrepetível, onde têm lugar as nossas ilusões e decepções, êxitos e fracassos, alegrias e tristezas, saúde e doença, novas oportunidades, portas que se abrem e outras que se fecham, novas relações e rupturas, amores e desamores. Mas, não podemos esquecer que a vida é um dom. Cada instante da nossa vida é uma bênção. O passado é passado, é história, o presente é responsabilidade, o futuro é esperança. O mais importante “não é encher a vida de anos, mas encher os anos de vida”. Neste dia, surgem sempre as mesmas perguntas: o que irá acontecer neste ano que começa? Será que vai ser um feliz e próspero ano? Neste novo ano, o que estamos dispostos a fazer, a corrigir, a assumir ou a reassumir na nossa vida familiar, laboral, eclesial, para que este ano seja melhor para todos? Estamos a viver a quadra natalícia, na qual recordamos o nascimento de Jesus, o Filho de Deus, que veio habitar no meio de nós, nos limites do espaço (a província romana da Palestina) e do tempo (há mais de dois mil anos). Na segunda leitura da liturgia deste dia, São Paulo diz-nos: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos”. Pela incarnação do Filho de Deus somos amados de Deus em Jesus, que viveu sempre a amar todas as pessoas. Neste dia, imitando os pastores, colocamos o nosso olhar em Jesus: Ele faz-nos ser e sentir filhos de Deus e convida-nos a viver como tal e como irmãos de todos, contando com o auxílio de Santa Maria, Mãe de Deus, que “conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração”. Não sabemos o que irá suceder neste ano que inicia, mas, aconteça o que acontecer, se conservarmos estes acontecimentos no nosso coração e os meditarmos, nunca nos sentiremos sozinhos, na certeza de que Deus dirige sempre o seu olhar para todos e para o mundo que tanto ama: “O Senhor te abençoe e proteja, faça brilhar sobre ti a luz da sua face e te conceda a paz” (primeira leitura). Qual a nossa missão para este novo ano? Continuarmos a ser mensageiros da esperança, do amor e da paz. Percorrermos os caminhos da verdade, da justiça, da solidariedade. As palavras de Pedro Casaldáliga lança-nos um desafio e um compromisso: “quanto mais dermos, mais receberemos. Aproximemo-nos dos gritos das necessidades e das esperanças do mundo. Sejamos a levedura da esperança. Podem tirar-nos tudo, mas nunca nos tirarão a esperança”. Que tenhamos um feliz ano novo de paz e de amor.

Sugestão de cânticos:

Entrada: Nós vos saudamos, F. Santos, NCT 64; Exultemos de alegria, M. Luís, NCT 61; Seja louvada na terra, F. Santos, NCT 481; Salve ó Virgem Maria (C. Silva) – CEC I 71; Ave-Maria (M. Silva) – CPD 60; Ofertório: Santa Maria, Virgem gloriosa, C. Silva, NCT 73; Glória da humanidade (A. Cartageno) – AMG 6; Desde toda a eternidade…Ave-Maria (CT 779); Comunhão: A Virgem santa, F. Santos, NCT 484; Deus enviou ao mundo, M. Luís, NCT 76; O trigo que Deus semeou (C. Silva) – CT 751; Jesus Cristo, ontem e hoje (A. Cartageno) – CEC I 66; Final: Senhor, trazei-nos a paz (A. Oliveira) – CEC II 155; Ah! Vinde todos à porfia (Popular) – CT 267.

LEITURA ESPIRITUAL

«Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto» Vem, Moisés, mostra-nos a sarça do cimo da montanha cujas chamas dançavam no teu rosto (Ex 3,2): é o filho do Altíssimo que apareceu no seio da Virgem Maria e iluminou o mundo com a sua vinda. Glória a Ele da parte de toda a criatura e feliz aquela que O gerou! Vem, Gedeão, mostra-nos esse velo e esse suave orvalho (Jz 6,37), explica-nos o mistério das tuas palavras: Maria é o velo que recebeu o orvalho, o Verbo de Deus; nela Se manifestou na criação e resgatou o mundo do pecado. Vem, David, mostra-nos a cidade que viste e a planta que dela brotou: a cidade é Maria, a planta que dela saiu é o nosso Salvador, cujo nome é Aurora (Jr 23,5; Zac 3,8 LXX). Eis que a árvore da vida que era guardada por um querubim com espada de fogo (Gn 3,24) habita em Maria, a Virgem pura; José a guarda. O querubim depôs a espada porque o fruto que guardava foi enviado do alto dos Céus para junto dos que estavam exilados no abismo. Comei dele todos, homens mortais, e vivereis. Bendito seja o fruto que a Virgem gerou. Bendito seja Aquele que desceu e habitou em Maria e dela saiu para nos salvar. Bem-aventurada Maria, tu que foste julgada digna de ser a mãe do Filho do Altíssimo, tu que geraste o Ancião que tinha criado Adão e Eva. Ele saiu de ti, suave fruto cheio de vida, e por Ele os exilados têm de novo acesso ao paraíso. (Santo Efrém, c. 306-373, diácono da Síria, doutor da Igreja, Hino).

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02-01-2022

NATAL DO SENHOR – ano C

 

No primeiro Natal da história, e nos seguintes, nasceu, e nasce, novamente, o Salvador. Exultemos de alegria! Celebremos o Natal cheio de ternura e de esperança. Os povos e culturas de tradição cristã celebram a solenidade do nascimento de Jesus de Nazaré, centrada não só em fazer memória do nascimento de Jesus, mas também na importância deste nascimento: no menino que nasce em Belém, Deus está no meio de nós e faz-se irmão de todos os homens e mulheres. Assim “se manifestou a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens”. Não é somente recordar o nascimento de Jesus, mas é a celebração de um mistério que começa no presépio e ganha sentido estando relacionado com a Páscoa. Todos os anos, no Natal, expressam-se os mesmos sentimentos: paz, amor, união, fraternidade. Parecem já sentimentos gastos, rotineiros, de circunstância, porque não reinam à nossa volta. Apesar disso continuam a ser sentimentos actuais, pertinentes, importantes para a nossa vida e para a nossa sociedade. Cada Natal é um dom. Contemplemos o Menino de Belém, levemos a sua alegria aos nossos irmãos, guardemos as lições que Ele nos dá. Com o Natal, Jesus continua a vir ao nosso presépio, ou seja, a renascer na nossa vida. Deixemos que Ele toque as nossas pobrezas, as nossas fragilidades, os nossos pecados, para sentirmos a Sua presença. Com o Natal todo o universo louva o Senhor: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. O profeta Isaías anuncia o Messias com estas palavras: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz”. É a luz do Natal. É a luz que ajuda a descobrir o Menino que nasce. A luz de Jesus é a luz do mundo e convida-nos a sermos candeias desta luz num mundo que teima viver nas trevas. É uma luz que não cega, mas que nos ajuda a ver as pessoas com uma visão renovada, mais transparente, com mais bondade. Quando os anjos anunciam aos pastores o nascimento de Jesus dizem: ”nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor”. Ao Menino, envolto em panos e deitado numa manjedoura, chamaram-no “Salvador”. Maria deu à luz a Luz, o Menino Jesus. Nós somos convidados a levar a Luz a todos os nossos irmãos. O Natal é a festa da humanização de Deus em tantas expressões de bondade e de misericórdia, e é a festa da divinização da humanidade em tantas expressões de comunhão fraternal. O Natal recorda-nos que a salvação é como uma semente que deve ser acolhida com humildade. Uma semente de vida, de compromisso, de esperança e de solidariedade. Diz-nos S. Paulo: “Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos, para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade, aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”. Como sentir a presença do Menino Jesus nas nossas famílias e nas nossas comunidades paroquiais? Que prenda posso oferecer ao Menino Jesus? Transforma a tua vida, segundo a vontade de Deus, vive a bondade, a ternura, a paz, o amor, a partilha com quem te rodeia. Então, sim, será Natal hoje e todos os dias.

26-12-2021

LEITURA ESPIRITUAL

«Deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» Deus na terra, Deus entre os homens! Desta vez, Ele não promulga a sua Lei no meio dos relâmpagos, ao som da trombeta, numa montanha fumegante, na obscuridade de uma tempestade aterradora (Ex 19,16s), mas recria-Se, de forma mansa e pacífica, num corpo humano, com os seus irmãos de raça. Deus encarnado ! Como pode a divindade viver na carne? Como o fogo subsiste no ferro, não deixando o local onde arde, mas comunicando-se. Com efeito, o fogo não se lança sobre o ferro mas, permanecendo no seu local, comunica-lhe o seu poder. Ao fazê-lo, não fica minimamente diminuído, mas preenche plenamente o ferro ao qual se comunica. Da mesma forma, Deus, o Verbo que vive entre nós, não saiu de Si mesmo: o Verbo que Se fez carne não foi submetido à mudança; o Céu não foi despojado daquele que contém, e no entanto a Terra acolhe no seu seio Aquele que está no Céu. Apreende este mistério: Deus está na carne de forma a destruir a morte que nela se esconde. Quando se «manifestou a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens» (Tt 2,11), quando «brilhou o sol de justiça» (Ml 3,20), «a morte foi tragada pela vitória» (1Cor 15,54), porque não podia coexistir com a verdadeira vida. Ó profundidade da bondade de Deus e do amor de Deus pelos homens! Demos glória com os pastores, dancemos com os coros dos anjos, porque «hoje nasceu o Salvador que é o Messias Senhor» (Lc 2,11-12). «O Senhor é Deus; Ele tem-nos iluminado» (Sl 118,27), não sob a sua aparência de Deus, para não assustar a nossa fraqueza, mas sob a forma de um servo, a fim de conferir a liberdade àqueles que estavam condenados à servidão. Só quem tiver o coração adormecido e indiferente não exultará de alegria, não irradiará felicidade, perante este acontecimento. É uma festa comum a toda a Criação. Todos devem contribuir para ela, ninguém se deve mostrar ingrato. Elevemos nós também a voz para cantar o nosso júbilo! (São Basílio, c. 330-379, monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja, Homilia sobre a santa concepção de Cristo, 2).

 

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Avisos e Liturgia do IV Domingo do Advento – ano C

a)         Este Domingo coloca-nos às portas do mistério do Natal. Apesar disso, tanto na homilia como nos cânticos deverá haver já um tom festivo, mas “ligeiro”, para que nada se antecipe e, assim, se mantenha o espírito de expectativa.

 

b)        “Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor” (evangelho). É a primeira bem-aventurança que encontramos no evangelho. É dirigida a Maria. É pronunciada por Isabel, cheia do Espírito Santo. Nós, hoje, repetimo-la: “Bendita sois vós entre as mulheres”. A humildade de Maria, que ela proclamará no Magnificat, é a sua grandeza. Ela é como Belém que, apesar de pequena, dela “sairá aquele que há-de reinar sobre Israel… Ele será a paz” (1ª leitura). A sua humildade levou-a à grandeza do serviço desinteressado a Isabel que estava tão necessitada de ajuda e de companhia. Perante esta grandeza, também Isabel proclama a sua pequenez: “Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?” Deus também elevou a pequenez e a humildade de Isabel, concedendo-lhe um filho, algo que a todos parecia já impossível de acontecer. Às portas da solenidade do Natal, como é bom meditar na humildade e na pequenez de Maria, porque esta é a condição necessária para a acção salvadora de Deus. Também Ele se faz pequeno para se “recolher” no seio de Maria. E no Natal, só os pequenos, os simples e os humildes foram capazes de compreender esta grandeza de Deus. Em Maria, a Palavra de Deus torna-se eficaz. O Prefácio do Advento II/A exprime claramente o papel de Maria na história da salvação: “A graça que em Eva nos foi tirada, foi-nos restituída em Maria. Nela, Mãe de todos os homens, a humanidade, resgatada do pecado e da morte, recebe o dom da vida nova”. A sua atitude de entrega tornou possível a vida de Jesus Cristo; por isso o Prefácio recorda-nos o anúncio da Vigília Pascal através destas palavras: “onde abundou a culpa, superabundou a misericórdia por Cristo, Nosso Salvador”.

 

c)         Tudo isto leva-nos ao paralelismo entre a Mãe de Deus e a Igreja. Também nós pedimos que o Senhor aceite “os dons que trazemos ao vosso altar e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o seio da Virgem Santa Maria (Oração Sobre as Oblatas). Todos somos convidados ao cuidado generoso e desinteressado dos pobres e humildes, porque são amados por Deus. Também nós devemos descobrir na humildade (“pequenez”) a grandeza de Deus sem nos deixar deslumbrar por coisas grandiosas que só pertencem e têm lugar neste mundo e em nós. Como Maria e como Cristo, quando “entrou no mundo”, aprendamos a dizer: “Eis-me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade” (2ª leitura), porque só assim a Palavra de Deus será viva e eficaz na nossa vida e na nossa sociedade.

 

d)        A Oração Colecta deste Domingo tem um valor teológico extraordinário. Vale a pena reflecti-la. Depois de suplicar que a graça de Deus se derrame em cada um de nós, pede “para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso Filho… alcancemos a glória da ressurreição”. Apresentam-se, assim, todos os elementos do Advento e da teologia do Natal que estamos para celebrar brevemente, começando pela clara identificação da Igreja com Maria. O centro, como não podia deixar de ser, é o mistério pascal de Jesus Cristo, do qual fazemos memorial na Eucaristia, Páscoa contínua na vida da Igreja. A celebração da encarnação deve encaminhar-nos para esta plenitude salvadora. Por isso, do Natal também fazemos memorial. “Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador” (Antífona de Entrada).

 

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19-12-2021

Avisos e Liturgia do DOMINGO III do Advento – ano C

 

a)         A esperança é a característica do tempo do Advento. A esperança cristã faz viver no momento presente o que se espera no futuro; ainda não o vivemos plenamente, mas já o estamos a viver. Por isso, é uma esperança confiante, liberta de todas as escravidões do momento presente, permitindo viver agora o futuro; é uma esperança activa que nos motiva a caminhar. Neste Domingo, todos os momentos da celebração convidam-nos a viver nesta esperança. Toda a celebração convida-nos a uma alegria interior, serena e confiante naquilo que celebraremos no Natal com “alegria renovada” (Oração Colecta), porque um dia se realizará plenamente na nossa vida. A esperança e a fé estão intimamente ligadas; a fé conduz à esperança. Esta esperança convicta de que a vida tem sempre sentido e que de vale sempre a pena viver a vida é uma mensagem muito actual na sociedade hodierna, onde reina a ideia do imediato. Os nossos olhos estão postos em Deus que em nós continua a fazer prodígios. Toda a celebração deste domingo respira o júbilo e a alegria que brotam deste mistério da esperança fiel. “Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém”, diz o Profeta Sofonias na primeira leitura. “Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião”, clama o Profeta Isaías no Salmo Responsorial. “Alegrai-vos sempre o Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos”, diz São Paulo na Carta aos Filipenses.

 

b)        Mas, qual é o motivo para esta alegria? “O Senhor está próximo”, diz S. Paulo (2ª leitura). “O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti”, diz Sofonias. “É grande no meio de vós o Santo de Israel”, canta o Salmo. No tempo do Advento, aguardamos pelas festas do Natal que se aproximam, apesar de sabermos que Aquele por quem esperamos, já está presente no meio de nós, no interior de cada um e de cada comunidade. Esperamo-Lo, porque já está presente; virá, porque já está aqui, da mesma forma como fez na primeira vez. O Prefácio do Advento II, próprio para os últimos dias do Advento, proclama: “Foi Ele que os Profetas anunciaram, a Virgem Mãe esperou com inefável amor, João Baptista proclamou estar para vir e mostrou já presente no meio dos homens. É Ele que nos dá a graça de nos prepararmos com alegria para o mistério do seu nascimento”. Seria bom que nesta semana celebrássemos o Sacramento da Reconciliação, sentindo ainda mais a presença de Deus encarnado entre nós, para O recebermos com toda a alegria.

 

c)         “Que devemos fazer?” Era a pergunta que faziam a João. É também a nossa questão. E João, de certeza, responderá: partilhar com os outros, viver praticando a justiça, considerar os outros como irmãos, sem abusar de ninguém. É assim que se prepara o Reino. Todavia, João sabe como é difícil viver assim! Ele somente pode aconselhar, baptizar com água e pedir todo o esforço das pessoas. Mas esta é a preparação necessária para o verdadeiro baptismo que ele não pode dar. Esta é a missão do Messias: “Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo”. Então, a pregação de João não responde à pergunta “Que devemos fazer?”, mas a outra pergunta: “Como devemos ser?” Temos de ser novas criaturas e isso só acontece através da acção do Espírito Santo. Só Ele nos pode dar o dom da conversão e transformar este mundo num lugar onde reine a justiça que João pregava.

 

d)        No Evangelho, vemos que o povo estava na expectativa. É a nossa missão: criar esperança em todos aqueles que nos rodeiam, porque só assim tem pleno sentido levar-lhes a Boa Nova. Como João, teremos que mostrar ao mundo e proclamar bem alto que não somos a boa nova, porque a salvação vem somente de Deus. Ele é a Boa Nova para a humanidade de hoje. A Oração Sobre as Oblatas resume muito bem o sentido da celebração deste domingo quando pedimos a Deus que “com a celebração do mistério por Vós instituído, realize em nós plenamente a obra da salvação”.

12-12-2021

Avisos e Liturgia do II Domingo do Advento- ano C

 

João Baptista proclama a salvação para toda a humanidade: “toda a criatura verá a salvação de Deus”. Trata-se de uma jubilosa mensagem que os cristãos não deveriam esquecer. Nos meios de comunicação social, as notícias relatam maus tractos físicos, falam da corrupção mais ou menos generalizada, dos cristãos perseguidos por causa da fé, da morte de tantos imigrantes que procuram chegar à Europa para terem uma vida melhor, de tantas agressões à dignidade humana… Não estamos muito bem, poderíamos estar melhor. Nesta complexidade da vida das pessoas e do mundo, não é fácil encontrar caminhos de saída, soluções para estas realidades e também vislumbrar um futuro melhor para todos. Estas realidades negativas são causa de tristeza, de desânimo, de injustiças e fazem sofrer muitas pessoas. Por isso, é importante dar ouvidos às pessoas, escutarmo-nos mais vezes, dar mais atenção aos outros, apostar num diálogo sincero procurando não alimentar e diminuir o egoísmo para que cresça a cooperação no bem comum. É necessário rasgar caminhos que conduzam à paz, à justiça, à erradicação da pobreza, à defesa dos direitos humanos, à valorização da dignidade da pessoa humana e, acima de tudo, à vontade de assumir cada vez os nossos deveres sociais. O profeta Baruc dirige-se à cidade de Jerusalém, deprimida como uma mãe viúva que chora a desgraça dos seus filhos: “deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus… Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente… Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus” (1ª leitura). É desejo do profeta animar os exilados com a esperança do regresso à terra. Neste domingo, S. Lucas apresenta-nos João Batista, o maior do grupo dos profetas. Num determinado momento, bem situado na história, depois de uns anos de solidão no deserto onde experimentou a Palavra de Deus, João dirige-se para o rio Jordão, nos limites do deserto, como “voz” que convida o povo à conversão, a uma mudança radical de vida, a reconhecer os seus erros e pecados que os conduziu para um caminho sem saída. Agora, são convidados a percorrer novos caminhos que tornem possível o encontro com Deus que se aproxima e quer trazer a salvação para todos. “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas… toda a criatura verá a salvação de Deus”. Como poderemos aplanar ou endireitar novos caminhos? Aplanar quer dizer rebaixar as colinas e as proeminências da prepotência, do orgulho, do egoísmo, do poder, do mercantilismo que impedem a chegada de um mundo verdadeiramente humano, segundo o projecto de Deus. Por isso João Batista convida o povo a abrir caminhos para encontrar o Salvador. Através das mediações, Deus revela os seus mais nobres desejos para cada um de nós. A nível pessoal, será através de uma mão amiga, uma palavra de ânimo, uma proximidade discreta que nos oferece compreensão e afecto. A nível colectivo, temos o grupo dos profetas do mundo de hoje, mesmo que não conhecidos nem escutados. Alguém disse: “Se não houver vozes proféticas morrerão muitas esperanças dos povos”. Na segunda leitura, S. Paulo exorta os cristãos de Filipos, e a nós também, a viver com coerência: “a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo, na plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus”. Os verdadeiros caminhos são abertos e construídos com a ternura, a razão, a verdade, a sabedoria e a justiça. São os caminhos das pessoas íntegras que preparam o caminho do Senhor. Se desejas encontrar-te com o Senhor, rasga e percorre o caminho da tua vida na integridade e com coerência no que dizes, no que pensas e no que fazes.

 

 

Sugestão de cânticos: Entrada: O Senhor é a minha luz, F. Santos, NCT 224; Chegue até Vós, Senhor, F. Santos, NCT 213; Vamos confiantes (C. Silva) – CT 50; Eu vos invoco, Senhor (A. Cartageno) – CEC II 129; Apresentação dos Dons: Quem quiser ser grande (M. Luís) – NCT 555; A messe é grande (C. Silva) – OC 14; Comunhão: Elevarei o cálice da Salvação, M. Faria, NCT 259; O Senhor alimenta, F. Silva, NCT 267; Beberam o cálice do Senhor (C. Silva) – OC 54; O Filho do Homem (F. Santos) – CEC I 116; Final: Ide por todo o mundo (M. Luís) – NCT 355; Ó Maria, Rainha das Missões (Popular) – CT 567.

 

Sugestão de Cânticos: Entrada – Maranatha, Aleluia (F. Santos) – CEC I 32; Ó Povo de Sião (M. Luís) – CEC I 32; Povo de Sião, NCT 26; O Senhor vem e não tardará, NCT 24; Sobre Jerusalém, NCT 35. Ofertório: Preparai os caminhos do Senhor (F. Santos) – CEC I 31; Povo de Deus, eis o teu Senhor (M. Luís) CAC 53; Comunhão – Levanta-te, Jerusalém (F. Silva) – CEC I 18; Senhor, descei a nós (M. Luís) – CEC I 34; Levanta-te, Jerusalém, BML 48,15; ou NCT 43; O Senhor nosso Deus virá, NCT 45. Final – Abri as portas (C. Silva) – OC 24; Maria, fonte de esperança (M. Luís) – NCT 53; Vinde, vinde, NCT 51

 

05-12-2021

LEITURA ESPIRITUAL

«O deserto e a terra árida vão alegrar-se, a estepe exultará e dará flores» (Is 35,1) «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor’». Irmãos, reflictamos antes de mais na graça da solidão, na beatitude do deserto, que mereceu ser consagrado ao repouso dos santos desde o começo da era da salvação. É verdade que o deserto foi santificado para nós pela «voz [que] clama no deserto», João Batista, que pregava e administrava um baptismo de penitência; mas já antes dele os profetas mais santos tinham amado a solidão enquanto local favorável ao Espírito. Porém, este local recebeu uma graça de santificação incomparavelmente maior quando Jesus tomou o lugar de João (Mt 4,1). Ele permaneceu no deserto durante quarenta dias, como que para purificar e consagrar este local a uma vida nova; venceu o déspota que o assombrava, não tanto por si, mas por aqueles que, no futuro, aí habitariam. Portanto, espera no deserto Aquele que te salvará do medo e das tempestades; quaisquer que sejam os combates que sobre ti se abatam, quaisquer que sejam as privações que venhas a sofrer, não regresses ao Egipto, pois o deserto há de alimentar-te melhor com o maná. Jesus jejuou no deserto, mas muitas vezes alimentou a multidão que O seguia, e fê-lo de forma maravilhosa. Quando pensares que Ele te abandonou há muito, nessa altura Ele virá, recordado da sua bondade, para te consolar e te dizer: «Recordo-me da tua fidelidade no tempo da tua juventude, dos amores do tempo do teu noivado, quando me seguias no deserto» (Jer 2,1). Nessa altura, Ele fará do teu deserto um paraíso de delícias, e tu proclamarás, como o profeta, que «tem a glória do Líbano, a formosura do monte Carmelo e da planície de Saron» (Is 35,2). Então, da tua alma saciada brotará um hino de louvor: «Dêem graças ao Senhor, pelo seu amor e pelas suas maravilhas em favor dos homens. Pois Ele deu de beber aos que tinham sede, e matou a fome aos famintos» (Sl 106,8-9). (Beato Guerric de Igny, c. 1080-1157, abade cisterciense, 4.º Sermão do Advento)

Que necessidade havia de que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma grande necessidade, que podemos resumir em dois pontos: necessidade de remediar os nossos pecados e necessidade de dar o exemplo para a nossa conduta. A Paixão de Cristo dá-nos um modelo válido para toda a vida. Se procuras um exemplo de caridade: «Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13). Se buscas paciência, é na cruz que a encontramos no grau máximo: Na cruz, Cristo sofreu grandes tormentos com paciência porque «ao ser insultado não ameaçava» (1Pd 2,23), «não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro» (Is 53,7). «Corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé. Ele, renunciando à alegria que lhe fora proposta, sofreu a cruz, desprezando a ignomínia» (Hb 12,1-2).

Se procuras um exemplo de humildade, olha para o Crucificado. Porque Deus quis ser julgado por Pôncio Pilatos e morrer. Se procuras um exemplo de obediência, basta que sigas Aquele que Se fez obediente ao Pai «até à morte» (Fl 2,8). «De fato, tal como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim também pela obediência de um só todos se tornarão justos» (Rm 5,19). Se buscas um exemplo de desapego dos bens terrenos, simplesmente segue Aquele que é o «Rei dos reis e Senhor dos senhores», «em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento» (1Tm 6,15; Cl 2,3); Ele está nu na cruz, tornado motivo de escárnio, coberto de escarros, maltratado, coroado de espinhos e, por fim, dessedentado com fel vinagre. (São Tomás de Aquino, 1225-1274, teólogo dominicano, doutor da Igreja, Conferência sobre o Credo, 6).

 

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Avisos e Liturgia do I Domingo do Advento- ano C

a)         Iniciamos, hoje, um novo Ano Litúrgico, muito antes do início de mais um ano civil. O ambiente social, através do comércio, da publicidade, já respira um “ar natalício”. Vale a pena aproveitar esta antecipação e valorizar aquilo que é interessante. Para nós, cristãos, o tempo tem outro sentido. O centro, a plenitude dos tempos, o núcleo do ano é a Páscoa do Senhor, o Tríduo Pascal no qual celebramos o mistério salvador da morte e da ressurreição de Jesus Cristo que nos convoca em cada domingo à eucaristia. Porém, há que preparar o Advento e as festas do Natal. Iremos preparar, novamente, o nosso interior para receber de novo, no hoje da nossa vida, o nascimento Daquele que dá sentido ao tempo, à história e à nossa vida. É importante que se note que estamos a iniciar um novo tempo que é forte e importante. Ao começar o Advento, coloquemos já o nosso olhar na celebração do Natal – Epifania, como fazemos quando iniciamos a Quaresma que só tem sentido a partir da Páscoa. Na nossa celebração e na pastoral da comunidade, tudo tem que expressar que estamos a começar de novo: a coroa do Advento, cartazes com frases alusivas ao tempo, cânticos adequados, a programação de uma celebração penitencial, vigílias de oração, actividades formativas e catequéticas, etc.

 

b)        O Advento situa-nos entre as duas vindas do Filho do Homem. O Prefácio do Advento I diz-nos claramente: “Ele veio a primeira vez … de novo há-de vir”. O primeiro domingo do ano litúrgico põe-nos sempre à nossa reflexão esta segunda vinda do Filho do Homem. Para esta segunda vinda, na celebração tudo nos convida a estar preparados e vigilantes, mesmo a recordação da primeira vinda. Aguardaremos pela segunda vinda do Senhor em vigilância e oração. Mas hoje, o Senhor também está presente, porque vem assiduamente ao encontro de cada um e da história. É preciso saber descobrir o Senhor, é necessário estar atento para que Ele não passe despercebido. O momento presente não é só preparação para a vinda definitiva, mas também acolher hoje a vinda do Senhor que é salvadora.

28-11-2021

c)         Jesus diz-nos no evangelho: “Erguei-vos, levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. Libertação de quê? Jesus dá a resposta: de todas as coisas que escurecem e preocupam demasiado o nosso coração. Que programa mais belo para o Advento: o contraste com tudo aquilo que nestes dias que antecedem o Natal nos preocupa demasiado; quantos negócios e compras nos preocupam demasiado! Tudo isto pode criar em nós uma insensibilidade a Deus que vem para nos libertar de todas as escravidões da vida. A livre pobreza do Natal recordar-nos-á de tudo isto. A nossa pregação deverá ajudar a que todos “compareçam de pé diante do Filho do Homem” que vem amorosamente à vida humana. Como São Paulo nos diz, há que valorizar o esforço que cada um faz na sua caminhada de fé. Não vale a pena ter sempre um discurso negativo e deprimente. “Deveis proceder para agradar a Deus e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais” (2ª leitura). Só assim tem sentido o Advento. A Oração Colecta deste domingo faz-nos pedir a Deus que despertemos em nós “a vontade firme, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo”.

 

d)        “Para Vós, Senhor, elevo a minha alma”, cantaremos no Salmo Responsorial. É também o texto da Antífona de Entrada. Quando nos preparamos para viver de novo a “humilhação” de Deus que assumiu a nossa condição humana, excepto o pecado, deveremos corresponder com a nossa “elevação”. “Corações ao alto! O nosso coração está em Deus”, proclamaremos no início da Oração Eucarística. “Ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos”, diremos na Oração Depois da Comunhão. Este “subir” e “descer” que vivemos na Eucaristia tem de estar bem firme nos nossos corações “para nos apresentarmos santos e irrepreensíveis” diante de Deus. Esta é a nossa esperança, é a esperança do Advento.

 

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Ano C - Advento - 1º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do Domingo 34º do Tempo Comum – ano B CRISTO – REI

O título de rei é um dos que mais aparece no Antigo Testamento aplicado a Deus. Além de outros livros, no livro dos Salmos encontramos muitos exemplos, como o salmo 92 (93) que cantamos neste domingo: “O Senhor é rei, revestiu-Se de majestade”. A tradição da Igreja leu o Antigo Testamento a partir da experiência de Jesus Cristo ressuscitado. Nos Cânticos do Servo de Javé, em Isaías, os cristãos contemplam Jesus Cristo como “Servo sofredor”. Esta tradição também o viu como rei entrando na sua glória, como diz o salmo 24 (23): “Ó portas, levantai os vossos umbrais! Alteai-vos, pórticos eternos, que vai entrar o rei glorioso. Quem é Ele, esse rei glorioso? É o Senhor do universo! É Ele o rei glorioso”. A história de Israel é ambígua sobre a realeza, como se pode comprovar com o profeta Elias que resiste dar ao povo o rei que reclama: “Dá-nos um rei que nos governe, como têm todas as nações” (1Sm 8,5). Porém, Deus avisa Elias que se o povo quer um rei é porque rejeita a sua realeza: “Ouve a voz do povo em tudo o que te disser, pois não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, para que Eu não reine mais sobre eles” (1Sm 8,7). E diz a Elias que lhes conceda o que pedem, mas que lhes explique como irão sofrer com os abusos do rei. Jesus retoma esta ideia quando fala do serviço e do poder: “Os reis das nações imperam sobre elas…Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,25.27). O texto que colocaram na cruz de Cristo dizia: “Este é Jesus, o rei dos Judeus” (Mt 27,37), e nos diversos relatos da paixão, começando pela entrada solene em Jerusalém, vai-se afirmando frequentemente que Jesus é o rei dos judeus. O texto evangélico deste domingo centra-se no interrogatório de Pilatos sobre que classe de rei é Jesus e qual é a sua realeza: “Tu és o rei dos Judeus?”. Jesus sempre guardou silêncio sobre se Ele era o Messias, com receio que o Messias que Ele é fosse confundido com o Messias que os seus conterrâneos esperavam. Isto também acontece sobre a sua realeza. Recordemos o que aconteceu depois da multiplicação dos pães e dos peixes: “Jesus, sabendo que viriam arrebatá-lo para o fazerem rei, retirou-se de novo, sozinho, para o monte” (Jo 6,15). Não quer ser o rei que eles querem coroar. Jesus é rei, mas entra em Jerusalém humildemente: “Dizei à filha de Sião: Aí vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho, filho de uma jumenta” (Mt 21,5). É um rei que vem em nome de Deus: “E diziam: Bendito seja o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no Céu e glória nas Alturas” (Lc 19,38). Finalmente, é um rei mestre e Filho de Deus: “Respondeu Natanael: Rabi, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel” (Jo 1,49). É Rei dos Judeus, mas não o rei que eles querem que seja, mas o rei que Ele quer ser. Jesus respondeu a Pilatos: “O meu reino não é deste mundo”. E diz mais: “Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade”, da Verdade, com letra maiúscula, ou seja, de Deus. Nasceu e está no mundo com esta finalidade. O Seu Reino propõe outro mundo, nada sublime, mas concreto, humano, embutido no mundo para o qual foi enviado para o salvar. São Paulo fala deste Reino como do Reino de “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rom 14,17). Não é um Reino de poder excessivo, mas é um Reino de vida plena para todos os que O acolhem de coração: “porque deles é o Reino do Céu” (Mt 5,10). O prefácio da solenidade deste domingo é muito claro: “reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz”. Que este Reino venha até nós, como pedimos na oração do Pai Nosso.

21-11-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Pois, que é isto, Senhor meu?… Que é isto, meu Imperador? Como se pode sofrer isto? Sois Rei, Deus meu, para sempre, e não é emprestado o reino que tendes. Quando se diz no Credo: «Vosso Reino não terá fim», isto dá-me quase sempre particular consolação. Louvo-Vos, Senhor, e bendigo-Vos para sempre; enfim, o Vosso reino durará para sempre. Nunca permitais, Senhor, que se tenha por bom que, quem for a falar convosco, o faça só com a boca. Sim, não nos devemos aproximar para falar a um príncipe com o mesmo descuido que a um lavrador ou como a uma pobre como nós, pois, como quer que seja que nos falem, está bem. E assim, já que por humildade deste Rei, se eu por grosseira não Lhe sei falar, Ele nem por isso deixa de me ouvir, nem de me chegar a Si, nem me lançam fora Seus guardas; porque bem sabem os anjos que ali estão a índole do seu Rei, que gosta mais desta rudeza dum pastorzinho humilde pois vê que, se mais soubera mais diria, que dos mui sábios e letrados por elegantes arrazoados que façam, se não vão acompanhados de humildade, não é razão que, por Ele ser bom, sejamos nós descomedidos. Sequer ao menos para Lhe agradecer o que Ele sofre da vizinhança, consentindo a uma como eu ao pé de Si, é bem que procuremos conhecer a Sua limpeza e quem é. É verdade que, logo em chegando, se conhece, não como a senhores de cá que, em nos dizendo quem foi seu pai e os contos que tem de renda e o título, nada mais há a saber. Aproximai-vos pensando e entendendo, ao chegar, com quem ides falar ou com quem estais falando. Em mil vidas das nossas não acabaremos de entender como merece ser tratado este Senhor, diante de quem tremem os anjos. Em tudo manda, tudo pode; Seu querer é operar. Pois, razão será, filhas, que procuremos deleitar-nos nestas grandezas que tem o nosso Esposo e entendamos com quem estamos casadas e que vida havemos de ter. (Santa Teresa de Jesus, Caminho da Perfeição, cap. 22).

 

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Ano B - Tempo Comum - 34º Domingo - Boletim Dominical II

Avisos e Liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum- ano B

 

O próximo Domingo será o último do ano litúrgico antes de iniciar o Advento. Nestes últimos Domingos encontramos textos que, segundo os especialistas em Sagrada Escritura, pertencem à literatura apocalíptica, porque falam-nos de um futuro um pouco perturbador, descrevendo visões referentes ao momento em que as forças do mal se enfrentam com o poder de Deus, em que os idólatras e os que praticam o mal serão castigados, enquanto os fiéis a Deus serão recompensados. Por causa destes prenúncios tão espantosos, muitas pessoas atribuíram à palavra “apocalipse” o significado erróneo de um tempo de catástrofe, de tragédia, de desgraça. A palavra Apocalipse, em grego, significa “revelação”. É a revelação de uma realidade que bem conhecemos: que o mundo nem sempre se rege segundo os planos de Deus, porque existe o mal, a injustiça, a tristeza. Em todas as épocas da história, as pessoas lamentaram-se que o tempo “presente” de cada momento histórico foi o pior tempo de toda a história. Ouvia-se dizer: “Onde é que isto vai parar?”, “Estamos no fim do mundo!”. Apocalipse é também a revelação de uma esperança: que Deus cuida e salva o seu povo, julga-o com justiça, que todos aqueles que forem fiéis ao Senhor serão recompensados. Na primeira leitura, pode ler-se: “Os sábios resplandecerão como a luz do firmamento, e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão como estrelas por toda a eternidade”. Assim, podemos concluir o seguinte: há que olhar o futuro sem medo, porque o futuro a Deus pertence. Neste Domingo lemos os últimos versículos do capítulo 13 do evangelho de S. Marcos. Este capítulo começa com palavras de admiração, ditas por Pedro, André, Tiago e João (os quatro primeiros discípulos de Jesus) sobre a imponência do edifício do templo. Sentem-se orgulhosos do seu templo, que tinham como residência de Deus e o centro do mundo. Porém, este templo de pedras será destruído para que apareça o templo dos fiéis do Senhor, criado à volta do Ressuscitado. O Filho do homem, vitorioso sobre a morte, será contemplado como Deus era contemplado no Antigo Testamento, na nuvem, anunciando e propondo um futuro em que o mundo já não será dominado pelo mal e pelo pecado, mas um mundo que será transformado. Todos temos a tentação de dar mais atenção àquilo que corre mal do que àquilo que corre bem. Muitas vezes somos pessimistas, negativos, mesquinhos para reconhecer as manifestações e as sementes do Reino que já estão a acontecer. Recordemos o gesto da viúva pobre do texto do evangelho do domingo passado. Jesus soube ver aquilo que era positivo naquele gesto, irrelevante aos olhos dos outros. Neste domingo, o texto do evangelho diz-nos que o Filho do homem “mandará os Anjos, para reunir todos os seus eleitos dos quatro pontos cardiais”. Quem são os eleitos? Aqueles que puseram em prática a Palavra de Deus, aqueles que tiveram o mesmo espirito de Simeão que acolheu Jesus no templo: “era justo e piedoso e esperava a consolação de Israel. O Espírito Santo estava nele”. O eleito do Senhor é todo aquele que espera e acredita que o mundo será confortado pelo Filho de Deus. Neste Domingo, o que deve ficar gravado no meu coração? Que Jesus está sempre próximo de nós, que está sempre à porta. Não temos de O esperar num futuro incerto, porque Ele está no meio de nós. A semente de Deus está já em ti, em mim, no seio do povo de Deus. Para este povo, que é de Deus, somos enviados para anunciar a esperança, a alegria, a proximidade divinas, missão sempre difícil mas sempre pertinente. Estas dificuldades não são novas. Recordemos o medo e a desilusão de S. Paulo em Corinto e o apoio do Senhor: “Certa noite, o Senhor disse a Paulo, numa visão: Nada temas, continua a falar e não te cales, porque Eu estou contigo e ninguém porá as mãos em ti para te fazer mal, pois tenho um povo numeroso nesta cidade” (Act 18, 9-10). Temos de estar atentos na vida para reencontrarmos Jesus ressuscitado no meio de nós, em tantas pessoas e acontecimentos. Jesus nunca desistiu e nunca se foi embora. Está aqui e pede-nos que continuemos a fazer o que Ele fez e anunciou. Para esta missão, contamos com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, o Deus que é, que era e que vem, pelos séculos dos séculos. Amen.

14-11-2021

LEITURA ESPIRITUAL

Para impedir qualquer pergunta indiscreta acerca do momento da sua segunda vinda, Jesus declarou: «Essa hora, ninguém a conhece, nem mesmo o Filho» (Mt 24,36); e, noutro momento: «Não vos pertence conhecer os dias e os tempos» (Act 1,7). Escondeu-nos esse conhecimento para que vigiemos, e cada um possa pensar que tal vinda se produzirá durante a sua vida. Se o tempo da sua vinda tivesse sido revelado, o seu advento seria em vão, pois as nações e os séculos em que se produzisse não o teriam desejado. Ele bem disse que viria, mas não precisou em que momento; dessa forma, todas as gerações e todos os séculos têm sede dele. É certo que fez conhecer os sinais da sua vinda; mas não revelou o seu termo. Na mudança constante em que vivemos, alguns desses sinais já tiveram lugar, outros já passaram, outros duram sempre. Com efeito, a sua última vinda será semelhante à primeira: os justos e os profetas desejavam-na e pensavam que teria lugar no tempo deles. Também hoje, cada um dos fiéis de Cristo deseja acolhê-Lo no seu próprio tempo, tanto mais que Jesus não disse claramente quando apareceria. Assim, ninguém poderá imaginar que Cristo esteja submetido a uma lei do tempo, a uma hora qualquer, Ele que domina os números e o tempo. (Santo Efrém, c. 306-373, diácono da Síria, doutor da Igreja, Comentário do Evangelho ou Diatessaron).

 

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Ano B - Tempo Comum - 33º Domingo - Boletim Dominical II