×

Avisos e Liturgia do III Domingo da Quaresma – ano A

Avisos e Liturgia do III Domingo da Quaresma – ano A

 

t-igreja-1024x768 Avisos e Liturgia do III Domingo da Quaresma - ano ANesta Quaresma, pela 1ª leitura, já vimos que Deus criou o homem livre (1º Domingo) e dá-lhe uma vocação (2º Domingo). Neste 3º Domingo, apesar de ter sido libertado, por Deus, da escravidão, o povo começa a desconfiar de Deus, quando surgem as tribulações. Com a simbologia da água, Deus responde a esta desconfiança: na 1ª leitura, a água libertará da sede o povo, e no evangelho ajudará a samaritana a reflectir sobre a acção do Espírito de Deus para saciar a verdadeira sede, porque a água viva será a imagem do Espírito de Deus que brota do interior, de tal maneira que, na 2ª leitura, é-nos dito que “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.

O Êxodo faz-nos ver que o caminho da vida nem sempre é plano. As dificuldades podem fazer perder o sentido da vida. O povo escolhido, a caminho da terra prometida, começa a protestar, perante as dificuldades. Começa a duvidar da presença de Deus. A passagem pela vida é como a travessia do deserto, não se faz sem água. Mas, temos de sede de quê? De riqueza, de poder, de afecto, de justiça, de reconhecimento? A partir da leitura do Êxodo, de que é que tenho sede, o que desejo? Para a samaritana, o seu desejo era ir buscar água ao poço. O povo de Israel já nem se recordava que era o povo de Deus e do objectivo da sua vida. Também nós, com as nossas frustrações, podemos esquecer a vocação a que fomos chamados. Pela 1ª leitura, somos convidados a aprender a confiar em Deus. A água para a travessia da vida virá de Deus.

Na leitura do evangelho deste Domingo, e dos dois seguintes, descobriremos três aspectos da pessoa e da missão de Jesus. O diálogo com a samaritana apresenta-nos a simbologia baptismal da água. No próximo Domingo, a cura do cego convidar-nos-á a uma nova maneira de olhar, ver e entender. No último Domingo, com a ressurreição de Lázaro, veremos como a vida vence a morte. No diálogo com a samaritana, é Jesus quem toma a iniciativa de a levar à realidade da sua vida. É uma catequese que ajuda uma realidade frustrante e escravizadora a abrir-se a uma vida interior, onde descobrirá os valores libertadores. O diálogo passa da constatação de uma situação material, ter sede, e de inimizade, judeus e samaritanos, para uma situação satisfatória de saciedade, que é Jesus, Fonte da Água Viva: “Senhor, dá-me dessa água”. Jesus situa no interior do homem a fonte de água viva; já não se adora Deus em Jerusalém ou em Garizim: “vai chegar a hora – e já chegou- em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade”. Para Jesus, já não é o Templo que importa, mas a relação que se estabelece entre o Pai e o Filho, uma relação profunda de amor, fundamentada na fé. De seguida, Jesus revela-se à mulher como o Messias, o Ungido, o Salvador. Assim, Jesus revela a proximidade de Deus.

Na figura da samaritana, podemos ver a nossa vida. É o amor de que nos falava a 2ª leitura: “o amor de Deus foi derramado em nossos corações”. Quando ela regressa a casa, dá testemunho do que viveu: “Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente Salvador do mundo”. Todos temos de passar pela escuta de Jesus.

[pdf-embedder url=”https://magazineserrano.pt/wp-content/uploads/2023/03/12-03-2023.pdf”]

[pdf-embedder url=”https://magazineserrano.pt/wp-content/uploads/2023/03/JMJ_flyer.pdf”]

 

LEITURA ESPIRITUAL

«Porventura és mais do que o nosso patriarca Jacob?»

 

A vista da beleza de Raquel fortaleceu Jacob, que assim conseguiu levantar a enorme pedra de cima do poço e dar de beber ao seu rebanho (Gn 29,10). Raquel, com quem se casou, era um símbolo da Igreja. Por isso, ao beijá-la, teve de chorar e de sofrer (v. 11), prefigurando deste modo, pelo seu casamento, os sofrimentos do Filho. Quão mais belas são as núpcias do Esposo real do que as dos seus embaixadores! Jacob chorou por Raquel, ao desposá-la; Nosso Senhor cobriu a Igreja com o seu sangue, ao salvá-la.

As lágrimas são o símbolo do sangue, porque não é sem dor que elas jorram dos olhos. O choro do justo Jacob é o símbolo do grande sofrimento do Filho, pelo qual a Igreja das nações foi salva. Vem, contempla o nosso Mestre: Ele veio ao mundo, aniquilou-Se para fazer o seu caminho na humildade (Fl 2,7). Vendo as nações como rebanhos sedentos e a fonte da vida fechada pelo pecado, como que por uma pedra, derrubou o pecado, que era pesado como uma rocha. Ele abriu o baptistério à Esposa e foi aí buscar água para dar de beber às nações da Terra, como aos seus rebanhos.

Com a sua omnipotência, levantou o pesado fardo dos pecados e pôs a descoberto a fonte de água doce. Sim, pela Igreja, Nosso Senhor deu-Se a grandes trabalhos. Por amor, o Filho de Deus vendeu os seus sofrimentos para poder desposar, à custa das suas chagas, a Igreja abandonada. Por ela, que adorava os ídolos, sofreu na cruz. Por ela quis entregar-Se, para que ela fosse completamente imaculada (Ef 5,25-27). Conduziu às pastagens todo o rebanho dos homens, com o grande cajado da cruz, e não rejeitou o sofrimento; aceitou conduzir raças, nações, tribos, multidões e povos, para poder reaver a Igreja, sua única Esposa (Ct 6,9). (São Tiago de Sarug, c. 449-521, monge e bispo sírio, Homilia sobre Nosso Senhor e Jacob, sobre a Igreja e Raquel).

 

335589331_711176337370829_4912136113433801670_n-1024x1024 Avisos e Liturgia do III Domingo da Quaresma - ano A