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Liturgia e avisos Domingo XIII do Tempo Comum – ano A

Liturgia e avisos Domingo XIII do Tempo Comum – ano A

t-igreja-300x225 Liturgia e avisos Domingo XIII do Tempo Comum – ano AVivemos numa sociedade onde abundam grandes promessas que, depois, com o tempo, são esquecidas. Esta falta de coerência provocou uma grande desconfiança nas pessoas. Jesus não é nada disto. É verdadeiro, não engana, é realista e coerente; por isso, é digno de crédito e de confiança. Não se inquieta com o seu prestígio; a sua preocupação, como a de Seu Pai, é o bem da humanidade. Jesus sabe que é a luz incómoda aos olhos maldosos; por isso, a rejeitarão. Jesus é a verdade, mas a verdade não interessa aos que vivem a enganar os outros; por isso, alguns procurarão eliminá-la. Jesus é a paz. Mas a sua paz entra em conflito com a deste mundo, porque está fundamentada na verdade, na justiça, na liberdade e no perdão. O Reino de Deus originará uma grande oposição da parte de alguns; por isso, O condenaram à cruz. Jesus quer que os seus seguidores tenham consciência do risco que supõe segui-Lo e colaborar na Sua missão.

Muitas vezes, ao falar da cruz, temos a sensação de que falamos de coisas negativas, do sacrifício da vida e da dor. Mas, sem sacrifício, não se vence na vida. Sim, a cruz é sofrimento e é morte, mas também é sinal de salvação; mais ainda, é sinal de até onde chega o amor de Jesus por nós. Porque amar é sofrer, é querer o bem do outro, é aconselhar quem está a desviar-se do recto caminho. Quem ama está lá, esperando que ele regresse, que um dia compreenda o que, realmente, dá felicidade. Isto é o que Deus, em Jesus, faz por nós. Seguir Jesus e a cruz são inseparáveis, como também a ressurreição e a vida. Isto diz-nos São Paulo na segunda leitura. Vinculando a morte com o baptismo, diz-nos que aqueles que morreram com Cristo, ou seja, os que foram baptizados, participarão na sua ressurreição e viverão definitivamente com Ele.

Neste Domingo, o texto evangélico recorda-nos as palavras de Jesus: “quem vos recebe a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou”. Naquele tempo, um enviado tinha de ser tratado com o mesmo respeito que merecia quem o enviava. Assim, quem acolhe os apóstolos acolhe Jesus, que é o Enviado do Pai. Este costume já vigorava no tempo de Eliseu: aquela mulher faz tudo o que está ao seu alcance para acolher bem em sua casa Eliseu, o homem de Deus. Por isso, é recompensada, por Deus, com o dom da fecundidade biológica, importante para ser aceite na sociedade do seu tempo. Deus envia Jesus; Jesus envia os discípulos, ou seja, nós também somos enviados pelo Mestre. Mas quem quiser assumir o risco desta missão tem de estar preparado para renunciar a muitas coisas. Não se trata de desprezar a família, mas que o anúncio do Reino tenha a primazia na vida.

O Senhor pretende afirmar a urgência da missão. Tomar a cruz significa assumir plenamente a nossa identidade missionária; é estar disposto a experimentar aquilo que a cruz representa no que tem de glorioso e amargo; é dar a vida até ao fim, como Jesus fez. A caridade cristã é colocar os interesses dos outros acima dos nossos. Nunca esquecer: “Quem perder a sua vida por minha causa há de encontrá-la”. No momento de tomar uma decisão, devemos olhar não para aquilo que temos de nos privar (a família, o nosso tempo, os nossos sonhos, etc.), mas para o que temos a ganhar. Se amamos a Deus e ao próximo, seremos recompensados. A recompensa de Jesus é sempre mais generosa do que a nossa imaginação.

Leitura Espiritual

«Quem acolher este menino em meu nome, é a Mim que acolhe», diz o Senhor (Lc 9,48).

Quanto mais pequeno for esse irmão que se acolhe, mais Cristo estará presente nele. Porque, quando recebemos uma pessoa importante, é muitas vezes por vã glória que o fazemos; mas aquele que recebe um pequenino, fá-lo com uma intenção pura e por Cristo. «Eu era peregrino e recolhestes-Me», disse o Senhor. E ainda: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,35.40).

Tratando-se de um crente e de um irmão, por mais pequeno que seja, é Cristo que com ele entra. Abre, pois, a porta de tua casa e acolhe-O. «Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá recompensa de profeta». Portanto, aquele que receber a Cristo, receberá a recompensa da hospitalidade de Cristo. Não ponhas em causa estas palavras, confia nelas. Ele próprio no-lo disse: «Neles, sou Eu que apareço».

E para que não duvides, o Senhor decreta um castigo para aqueles que não O receberem, e honras para os que O receberem (Mt 25,31s); ora, não o faria se não fosse pessoalmente tocado pela honra ou pelo desprezo. «Acolheste-Me», diz, «em tua casa, Eu receber-te-ei no Reino de meu Pai. Libertaste-Me da fome, Eu te libertarei dos teus pecados. Visitaste-Me quando estava preso, Eu te farei conhecer a libertação. Acolheste-Me quando era estrangeiro, Eu farei de ti um cidadão dos Céus. Deste-Me pão, Eu te darei o Reino como herança e tua plena propriedade. Ajudaste-Me em segredo, Eu proclamá-lo-ei publicamente, chamando-te meu benfeitor e a Mim, teu devedor». (São João Crisóstomo, c. 345-407, presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja, Homilias sobre os Atos dos Apóstolos, nº 45; PG 60, 318).

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