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Avisos e Liturgia do II Domingo da Quaresma – ano B

Avisos e Liturgia do II Domingo da Quaresma – ano B

Prosseguimos o itinerário para a Páscoa. Sem esquecer o deserto e o seu significado espiritual, subimos, neste Domingo, o Tabor, o monte da Transfiguração. Como Pedro, Tiago e João, também subimos o Tabor com a nossa solidão, abandono e insegurança…, ou seja, com a morte que pressentíamos no deserto. Somos desafiados a subir o monte da Transfiguração com Jesus, para que o seu rosto possa iluminar o nosso, que se reflecte no nosso rosto. Isto acontece na oração: contemplar Cristo, escutar a voz do Pai, dar testemunho de todos os que nos precederam na fé e, também, daqueles que hoje, na família ou na Igreja, pretendem, com humildade, transmitir-nos a fé no Ressuscitado. Na oração, sentimos a presença de uma Pessoa que deseja relacionar-se connosco, que pretende ser nosso amigo e deseja renovar a nossa vida, fazendo-nos semelhantes a ele. O Transfigurado transfigura-nos numa relação de amor, e não numa relação de senhor feudal com o seu vassalo. A primeira leitura deste domingo narra-nos um dos episódios mais desconcertantes da Bíblia. Deus pede a Abraão que sacrifique Isaac, seu filho. É tão estranho e escandaloso este pedido de Deus a Abraão! Porém, através de documentos históricos, sabemos que este ritual era “normal” naquele tempo nos outros povos e culturas: sacrificar o primeiro filho para apaziguar a ira dos deuses. Mas, a fé no Deus de Israel gerou uma alteração neste ritual; Isaac não foi sacrificado. Esta narração tem como ponto central a fé de Abraão. Quando Deus lhe pede que sacrifique o seu filho, a relação entre Deus e Abraão já era muito forte. Abraão deixou a sua terra, seguindo a voz de Deus. Ele disse a Abraão que da sua mulher estéril nascerá um filho. E ele, apesar de tudo indicar o contrário, acredita. Todo este caminho que Abraão fez com Deus, esta familiaridade que adquiriu, ajuda Abraão a concluir que o que Deus lhe pedia agora não pode estar à margem de tudo o que Ele já lhe tinha feito. Por isso, obedece; não porque a sua fé seja cega; mas porque experimentou na sua vida, no exilio, na esterilidade e nas provações que Deus se torna presente. Abraão revela-nos o que define a sua identidade: a sua pertença a Deus. A prova da sua fé não foi um trauma, mas a oportunidade para compreender que tudo, absolutamente tudo, está nas mãos de Deus. O texto do sacrifício de Abraão só se compreende plenamente à luz de Jesus Cristo. Assim como Abraão sobe o monte de Moriá para sacrificar o seu filho; Jesus subirá o monte do Calvário. Isaac levou a lenha às costas para o holocausto; Jesus Cristo carregará com a cruz, onde será crucificado. Há uma grande relação entre Isaac e Jesus Cristo. Nos dois textos bíblicos, usa-se a mesma palavra grega para os indicar: “agapetós”; ou seja, o filho amado. Deus disse a Abraão: “toma o teu filho, o teu único filho, a quem tanto amas”; e no evangelho, a voz do Pai diz: “este é o meu Filho muito amado: escutai-O”. Mas, há aqui um pormenor! Como afirma São Paulo, na segunda leitura, Deus, que deteve a mão de Abraão para salvar Isaac, “não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O à morte por todos nós, para que, através da morte, pudéssemos participar da sua ressurreição”. O itinerário quaresmal leva-nos do Tabor ao Gólgota, o monte do sacrifício, da entrega, do amor de Deus. É ali onde os braços do Senhor se abrem para abraçar toda a humanidade. Ele é o bom samaritano que cura as nossas feridas com o seu próprio sangue. No monte Tabor, contemplamos Jesus transfigurado com a luz do Altíssimo. No monte do Calvário, vemos Jesus desfigurado, ferido, rodeado pelas trevas da morte. Mas, o transfigurado no Tabor e o desfigurado no Gólgota manifestar-se-á na sua glória, na glória da Páscoa. Este é o nosso caminho: com o Senhor, passemos da aridez do deserto à luz da transfiguração, das trevas do Calvário ao resplendor da plenitude da vida.

Ver: https://liturgia.diocesedeviseu.pt/LITURGIAEVIDA/index.html

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Paroquiaagb

Leitura Espiritual

«Transfigurou-Se diante deles. As suas vestes tornaram-se resplandecentes»

Foram três os escolhidos para subir à montanha, e dois para aparecer com o Senhor. Sobe Pedro, que recebeu as chaves do Reino dos Céus, sobe João, a quem será confiada a Mãe de Jesus, e sobe Tiago, que será o primeiro a ascender à dignidade de bispo. Em seguida, aparecem Moisés e Elias, a lei e a profecia, com o Verbo. Subamos também nós à montanha, imploremos ao Verbo de Deus que nos apareça em todo o seu esplendor e em toda a sua beleza, que seja forte, que avance pleno de majestade e que reine. Pois, se não ascenderes a um saber mais elevado, a Sabedoria não te aparecerá, nem te aparecerá o conhecimento dos mistérios. Não conhecerás o esplendor e a beleza que estão contidos no Verbo de Deus; pelo contrário, o Verbo de Deus aparecer-te-á num corpo «sem figura nem beleza» (Is 53,2). Aparecer-te-á como um homem abatido, capaz de sofrer as nossas enfermidades (v. 5); aparecer-te-á como uma palavra nascida do homem, tapada pelo véu da letra, que não resplandece com a força do Espírito (2Cor 3,6-17). No alto da montanha, as suas vestes são diferentes do que eram lá em baixo. As vestes do Verbo são talvez as palavras das Escrituras, vestindo por assim dizer o pensamento divino; e, assim como apareceu a Pedro, a Tiago e a João com um aspecto diferente, com vestes resplandecentes de brancura, assim também aos olhos do teu espírito se ilumina já o sentido das Escrituras. As palavras divinas tornam-se como que uma neve, as vestes do Verbo «de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a Terra as poderia assim branquear». «Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra», que é a sombra do Espírito divino, que não tapa o coração dos homens, antes revela aquilo que está oculto. Bem vês que, não só para os principiantes, mas também para os perfeitos, e até para os habitantes do Céu, a lei perfeita consiste em conhecer o Filho de Deus. (Santo Ambrósio, c. 340-397, bispo de Milão, doutor da Igreja, Comentário sobre o Evangelho de Lucas, VII, 9ss).

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

 

Programação de Celebrações e Missas da Semana, de 27 de Fevereiro a 03 de Março da Unidade Pastoral P. Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã, Algodres e Freixiosa.

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