Artigo de opinião de Sara Morais-Hipnoterapia: ciência ou mito?
Hipnoterapia: ciência ou mito?
Entre evidência científica e perceções populares, a prática divide opiniões e levanta questões sobre eficácia e credibilidade
Durante décadas, a hipnose foi associada a espetáculos de palco, onde voluntários pareciam perder o controlo sob o comando de um hipnotizador. Essa imagem, amplamente difundida pela cultura popular, ainda hoje influencia a forma como muitos encaram a Hipnoterapia. Mas afinal, trata-se de uma ferramenta terapêutica validada ou um conceito místico?
A Hipnoterapia consiste na utilização da Hipnose com fins exclusivamente terapêuticos, prática essa desenvolvida por profissionais treinados e credenciados. Durante o estado de hipnose, o leitor entra num estado de atenção focada e de relaxamento profundo, no qual a mente se torna mais permeável às sugestões. Ao contrário do que muitos imaginam, não existe uma perda de controlo propriamente dita, nem tão pouco existe o “domínio” do paciente por parte do terapeuta, isto é, o indivíduo mantém a consciência e a capacidade decisória durante todo o processo.
Do ponto de vista científico, a hipnose tem vindo a ganhar reconhecimento em várias áreas de intervenção. Estudos em neurociência mostram que, durante o estado de hipnose, ocorrem alterações na atividade cerebral relacionadas com a atenção, perceção e controlo da dor. Em contexto clínico, a Hipnoterapia tem sido utilizada como complemento no tratamento da ansiedade, fobias, dor crónica entre muitos outros.
Várias instituições de saúde em diversos países já reconhecem a hipnoterapia como uma ferramenta válida. A Hipnose é um instrumento eficaz porque acede aos processos automáticos da mente, permitindo uma maior permeabilidade mental, intensificação do foco e, por último, influência na perceção – ajudando a reconfigurar padrões mentais com a colaboração ativa da própria pessoa.
Apesar destes avanços, a dualidade entre a ciência e o mito continua assim a marcar o dia a dia da Hipnoterapia. Por um lado, fruto do desconhecimento das evidências que sustentam aplicações concretas desta terapia; por outro, subsiste um imaginário coletivo que mistura realidade com ficção.
O caminho passa pela informação: compreender o que integra a hipnoterapia é essencial para separar expectativas realistas de ilusões. Esta é também a chave mestra para uma boa utilização desta ferramenta em qualquer percurso terapêutico profícuo, promovendo o bem-estar e equilíbrio.
Sara Morais
Hipnoterapeuta





