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Artigo de opinião de Luís Condeço – Universidades Politécnicas, mais do que mudar o nome!

Artigo de opinião de Luís Condeço – Universidades Politécnicas, mais do que mudar o nome!

Universidades Politécnicas, mais do que mudar o nome!

 Desde o dia 1 de agosto, o mapa do ensino superior português mudou de configuração, silenciosamente para a generalidade dos portugueses, mas com forte ruído organizacional e político dentro do próprio sistema educativo. Com a entrada em vigor da Lei n.º 32/2026, treze institutos politécnicos com acreditação institucional pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, passaram a designar-se universidades politécnicas. Entre elas, estão a Universidade Politécnica de Viseu e a Universidade Politécnica da Guarda, cuja importância há muito ultrapassa os limites das capitais de distrito onde estão sediadas.

Esta conversão automática reconhece um percurso de crescimento e maturidade científica e pedagógica. Importa esclarecer que a nova designação não cria, por si só, cursos, vagas, financiamento ou emprego qualificado. Abre uma oportunidade de afirmação que só se cumprirá se for acompanhada por políticas públicas consequentes e decisões institucionais atentas às necessidades dos territórios.

Para evitar equívocos, é preciso lembrar que não se trata de transformar os antigos politécnicos em universidades tradicionais, nem de abandonar a identidade que os distingue. Portugal continua a ter um sistema binário e flexível, com instituições universitárias e politécnicas de missões diferentes, mas complementares. Se nas primeiras predominam a formação académica e a investigação básica, nas segundas sobressaem a formação técnica avançada, a investigação aplicada e a inovação, em estreita ligação ao tecido económico e social. Esta nova designação corrige uma desigualdade simbólica e facilita o reconhecimento internacional destas instituições.

Esta realidade não é uma singularidade portuguesa. Na Alemanha existem mais de 200 universidades de ciências aplicadas (politécnicas), frequentadas por cerca de 40% dos estudantes alemães do ensino superior. A Finlândia conta com 13 universidades de investigação básica e 22 universidades de ciências aplicadas, e os Países Baixos e a Suíça distinguem claramente as instituições de investigação vocacionadas para as ciências aplicadas. Nestes países, a orientação prática nunca foi vista como ensino de segunda categoria, mas como uma via indispensável para produzir conhecimento e qualificar profissionais.

É aqui que Viseu e Guarda podem encontrar terreno para crescer e se desenvolverem. Com maior visibilidade nacional e internacional, ganham argumentos para atrair estudantes, docentes, investigadores, projetos e investimento, sem deixar de formar profissionais em áreas essenciais ao desenvolvimento regional. Podem também aproximar-se de empresas, autarquias, instituições sociais e educativas, permitindo que uma ideia nascida num laboratório se transforme num produto ou numa resposta concreta às necessidades da população.

O impacto não pode ficar circunscrito às duas cidades. A Universidade Politécnica de Viseu pode aprofundar a sua intervenção na região de Viseu Dão-Lafões, apoiando a inovação industrial e agroalimentar, a saúde, o turismo e a transição digital. Já a Universidade Politécnica da Guarda, que integra a Escola Superior de Turismo e Hotelaria em Seia e anunciou novos cursos em Trancoso, pode alargar-se pela Beira Interior e pela Serra da Estrela. Os concelhos limítrofes ganham com esta presença na região, através de investigação aplicada, formação ao longo da vida e novas iniciativas de empreendedorismo.

O efeito multiplicador económico, social e político caracteriza-se por mais comércio e emprego qualificado, mais proximidade das populações ao ensino superior e mais peso do Interior nas políticas públicas.

E por falar em multiplicação, na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior (2026), entraram mais 20% de estudantes do que no ano anterior, um crescimento que Viseu (mais 31%) e a Guarda (mais 33,8%) não só acompanharam, como superaram.

Mudar o nome não chega! A diferença na ocupação entre as instituições do Interior e do Litoral é do conhecimento de todos (69,2% contra 94,1%), porque sem financiamento adequado, residências para estudantes, melhores transportes, mais investigadores, laboratórios modernizados e formação ajustada às necessidades regionais, a palavra «universidade» arrisca-se a ficar reduzida a uma promessa por cumprir.

As duas instituições devem aprofundar aquilo que já fazem bem: ensinar com proximidade, investigar problemas concretos, trabalhar de mãos dadas com as comunidades. A nova designação é um reconhecimento merecido, mas a verdadeira transformação só se medirá pelos jovens que conseguirmos fixar, pelas empresas que ajudarmos a inovar e pela qualidade de vida que formos capazes de proporcionar nestes territórios.

Luís Miguel Condeço

Professor na Escola Superior de Saúde de Viseu

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