Figueiró da Serra com projeto :à escuta: CasaFloresta
Nos próximos três fins-de-semana de junho, a iniciativa artística à escuta irá apresentar os resultados do projeto CasaFloresta através de instalações, assembleias com as comunidades e caminhadas na Serra da Estrela. Sob o título Casa Aberta, as mostras na Casa da Guarda dos Covões (Balocas, Seia) e Frádigas, a sul da serra, e em Figueiró da Serra, a norte, bem como a performance CasaFloresta: espetáculo + assembleia na Casa da Cultura de Seia, desafiam o público para um debate em torno de novas formas de conviver com a
floresta.O ciclo de eventos Casa Aberta traz agora o conjunto de trabalhos de volta às comunidades no território, apresentando-os na Casa da Guarda dos Covões -Balocas, Seia (10 de junho), Frádigas (11 de junho) , Seia (17 de junho) e Figueiró da
Serra (24 e 25 de junho).
O ciclo inicia-se no dia 10 de junho, abrindo as portas da Casa da Guarda dos Covões
(Balocas, Seia), a antiga casa florestal que foi ponto de partida e espaço de residências do
projeto. As partilhas de diferentes outputs nas várias divisões, permitem que as relações
afetivas, memórias e vivências recentes da casa transformem este espaço, outrora
reservado aos serviços florestais, num espaço público e de encontros. No exterior, com
vista para o planalto da Serra da Estrela, uma assembleia irá levantar a questão: Como
conviver com a floresta?
No dia 11 de junho, uma caminhada e ação de controle de plantas invasoras na aldeia de
Frádigas irá não só proporcionar o contexto para voltar a falar em possíveis respostas, mas
também aplicá-las no terreno, dando continuidade a um trabalho de controle de mimosas
junto ao rio Alvoco, iniciado em junho de 2022.
No dia 17 de junho, a Casa da Cultura de Seia irá abrir as portas para a apresentação
de CasaFloresta: espetáculo + assembleia que se relaciona com todo o trabalho realizado
em e com as comunidades ao longo do verão de 2022. Num palco-floresta entrelaçam-se
os instrumentos de Joana Sá (piano e outros) e Luís J Martins (guitarras variadas e outros)
com recolhas áudio e gravações vídeo do realizador Lucas Tavares, realizadas no decorrer
do projeto. Após a estreia em Lisboa, o espetáculo interliga-se agora, nesta primeira
apresentação em território da Serra da Estrela, com uma assembleia que convida à partilha
de ideias entre público, parceiros do projeto e comunidades das aldeias.
Por fim, nos dias 24 e 25 de junho, o projeto volta a apresentar-se nesse contexto de aldeia,
trazendo o conjunto de trabalhos a Figueiró da Serra (Gouveia). Mas não se trata de uma
simples itinerância, como refere Joana Sá: “Desde o início, um dos objetivos do nosso
trabalho foi que CasaFloresta fosse um convite à escuta de diferentes territórios e que cruzasse vozes e perspetivas de dois lados da Serra. Da mesma forma, vamos também adaptar as apresentações às realidades, questões e urgências específicas de cada lugar.”
Em Figueiró, os outputs do projeto serão apresentados, na noite de sábado, no Salão
Paroquial no centro da aldeia, numa sala grande que permite circular entre elementos
da CasaFloresta – recolhas em áudio e vídeo, instalações que põem os dois extremos da
Serra em relação entre si e com outros espaços florestais, reflexos do espetáculo,
fotografias, textos e objetos do processo de trabalho e do habitar da CasaFloresta. A mostra
também convida a descobrir o anti-mapa virtual do projeto. No final da tarde de domingo,
a caminhada: à escuta irá juntar comunidade e visitantes num percurso que reflete desafios
do território, e convida à escuta de recolhas, culminando numa assembleia: convívio nas
lagoas de Figueiró, à sombra de cedros que sobreviveram ao incêndio de 2022.
A escolha do local não foi acaso, explica Corinna Lawrenz: “Queríamos que a experiência
do incêndio estivesse presente, mas não queríamos musealizá-la. O agosto de 2022 foi um
momento transformador, e escolhemos este sítio nas lagoas propositadamente para refletir
sobre ele com a comunidade alargada, porque nele ressoa muito desta transformação.”
A partilha destes vários espaços é também uma das respostas do projeto à questão a que
se propôs desde o início: Como guardar uma floresta nos dias de hoje? Perante as relações
de poder que as próprias casas florestais estabeleceram e perante as urgências que
voltaram a manifestar-se no decorrer do projeto, a guarda partilhada da floresta é, já por si,
um ato de resistência.


