Artigo de Augusto Falcão—A vida depois de Normandia
Era de manhã, por volta das 08:30, saía eu de casa, para ir pôr o meu filho de 8 anos, à escola; e nesse dia, 06 de junho, diz o miúdo:
“Pai, faz hoje 80 anos, que os aliados desembarcaram na Normandia e o Hitler começou a perder a guerra” …
Eu, olhei para ele, e meio espantado, disse-lhe que era verdade; mas fiquei a pensar; um miúdo de 8 anos, dizer isto, é algo do outro mundo….
Sim. E perdoem-me o orgulho, mas aos 8 anos, e a maior parte de nós queria jogar à bola ou ao berlinde, e não nos interessava o resto; apesar de termos nascido e sido criados na Guerra Fria, com o Muro de Berlim ainda em pé, sabermos que a 6 de junho algo se tinha passado, em 1944, era algo que não nos passava pela cabeça.
Mas nesse dia, de 1944, milhares de jovens, americanos, ingleses, canadianos, franceses entre outras nacionalidades, numa manhã chuvosa, entraram nuns barcos de desembarque, e do nada, invadiram as praias da Normandia; o seu objetivo era criar uma zona de segurança naquelas praias para que os Aliados, iniciassem a libertação da Europa do jugo nazi.
Perdoem-me todos os leitores deste jornal, tenham as idades que tenham, pertençam à geração que pertençam, mas foi essa geração que garantiu ao mundo, em geral, o bem mais precioso que pode haver; a liberdade.
Podemos discutir o papel de cada País nos anos seguintes à grande guerra, inclusive o que cada um fez de bem e de menos bem no mundo; mas é a essa geração que devemos a nossa liberdade;
Sim, porque hoje aqueles que se chamam os arautos do politicamente correto, somente podem aventar as suas ideias, porque um dia esses jovens morreram naquelas praias, para defender o seu direito a estarmos aqui; aliás faço esta pergunta aos leitores; se Hitler tivesse ganho a guerra, como seria o nosso mundo hoje? Teria Auschwitz sido encerrado? Haveria eleições democráticas em parte do Mundo? Teríamos as condições de vida que temos hoje?
A verdade, caro leitor é só esta; não sabemos como seria o mundo se a Normandia falhasse; mas sabemos que graças a estes jovens, hoje temos um mundo melhor em relação ao que havia. E apesar de não vivermos num mundo perfeito, tenho a certeza que o mundo onde vivemos hoje é melhor do que aquele que Hitler queria criar…
Ou acham que não?
Augusto Falcão


